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Por que é tão difícil resolver conflitos familiares?
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NotíciasTranscrição
00:00Uma discussão entre irmãos acabou com uma mulher ferida e um homem preso.
00:05O caso aconteceu na região de Jacaraípe.
00:08Houve um desentendimento entre eles por causa do lugar onde a família vive.
00:12E aí essa briga terminou com o irmão esfaqueando a irmã mais nova.
00:18Quando os PMs chegaram na casa, encontraram já a mulher ferida e ela contou o que tinha acontecido
00:24e que a mãe, por ter pressão alta, precisou até mesmo sair de dentro de casa porque chegou a passar
00:30mal.
00:30Segundo a polícia militar, mesmo com a chegada da viatura, esse homem continuava ameaçando a família de morte,
00:39inclusive a própria mãe.
00:41O homem também tem um histórico de uso de drogas.
00:44E a gente sempre fala que a família, né?
00:48Quando a gente pensa em família, a gente já pensa logo naquela cena bonita, família unida,
00:52que os irmãos devem se proteger.
00:55Mas tem casos que a única solução é o quê?
00:59É o afastamento.
01:00Porque as brigas acabam colocando a vida, tanto de um quanto do outro, em risco.
01:06E em muitos casos é preciso até mesmo procurar a justiça.
01:09Então, vamos bater um papo sobre esse assunto?
01:11Vem cá, participa comigo.
01:12Aqui no nosso estúdio eu recebo o doutor advogado, doutor Rivelino Amaral,
01:17e também a Daniela Sampaio, que é psicóloga.
01:19Obrigada mais uma vez pela participação de vocês.
01:22Boa tarde, viu?
01:23Boa tarde, obrigado pelo convite.
01:24Dani, briga de família.
01:27Agora a gente está falando daquelas brigas, conflitos, não.
01:30A gente está falando de brigas violentas.
01:32Isso é mais comum do que a gente imagina?
01:36Infelizmente é.
01:38Existe, assim, o que eu costumo dizer, culturalmente falando,
01:42a gente aprende que a gente precisa estar junto dessas pessoas,
01:45a gente precisa amar essas pessoas.
01:47Acontece que a gente precisa respeitar.
01:50Entretanto, o amor, ele é construído.
01:52A gente não tem que amar alguém.
01:55Esse amor, ele é construído.
01:57E aí as pessoas acabam ficando junto,
01:59mesmo entendendo que, às vezes, aquela relação não está saudável.
02:02Porque, como eu disse, culturalmente falando,
02:04não, mas é minha mãe, é minha irmã, eu sou obrigada a estar junto,
02:07eu não posso abandonar.
02:08E aí, enfim, isso tem acontecido cada vez mais também,
02:11porque as pessoas estão muito imediatistas, né?
02:13Então, a gente pode ver também, por exemplo, o WhatsApp, a gente acelera, né?
02:17Tudo nosso é muito rápido, a nossa...
02:20Atualmente, né?
02:21A nossa...
02:22A vida corrida, né?
02:23Tem ficado cada vez mais e aí a gente quer tudo muito imediato.
02:25Então, eu não sei mais resolver conflitos.
02:27As pessoas não sabem mais resolver os conflitos.
02:29Então, se eu tenho um problema, eu preciso resolver ele agora.
02:31Se você não vai resolver, eu posso te agredir.
02:33Porque elas ficam tão nervosas, elas não sabem mais lidar
02:35com situações que eram do dia a dia, né?
02:37E que eram naturais e que hoje parece que não estão mais.
02:41Então, eu preciso resolver o meu problema agora.
02:43Você vai resolver ele pra mim.
02:44Se você não resolver, eu posso te agredir.
02:45É a falta até mesmo de paciência, né?
02:48Já que a gente tem esse imediatismo,
02:50isso mostra que a gente não tem a ciência da paz, né?
02:53E, doutor Rivelino, muitos desses casos vão parar na justiça também, né?
02:57O que a gente sempre está mostrando aqui no programa.
03:00O que a lei fala sobre crimes cometidos entre familiares?
03:04Na verdade, assim, o Estado fica buscando punir as pessoas
03:07que cometem os crimes que nós estabelecemos.
03:10As condutas que nós estabelecemos que seriam condutas criminais.
03:13E o Estado, ele pune mais severamente quem atenta, por exemplo,
03:18contra a vida de um irmão, do pai, da mãe, do filho,
03:22que infelizmente acontece.
03:23Então, quer dizer, a pena, por exemplo, do homicídio simples
03:26é de 6 a 20 anos.
03:28Quando é cometido contra ascendente, descendente,
03:30essa pena pode chegar a 30 anos, é de 12 a 30.
03:33Então, quer dizer, o legislador, quem cria a lei, o deputado, o senador,
03:37ele visa também alcançar esses crimes que infelizmente acontecem
03:41e pretendem uma punição maior com o objetivo de diminuir essa incidência,
03:47porque isso causa um reflexo negativo para a vida da família toda, né?
03:51E outro aspecto também do porquê que essas penas são aumentadas,
03:56porque as vítimas desses crimes também, elas têm uma condição de reagir menor,
04:01porque ela está convivendo com aquela pessoa.
04:03Então, ela não espera que aquela pessoa possa agredi-la, atacá-la, feri-la
04:08ou até tirar a vida.
04:09E por esse motivo, ela tem um poder de reação menor por conta desse convívio
04:14e, consequentemente, a pena para quem se utiliza dessa condição também é majorada.
04:20E é até muito louco, né?
04:21A gente parar para pensar que, geralmente, o que a gente vê é casos de homicídio,
04:27ah, porque fui assaltada, então vira um latrocínio, então rivalidade, enfim, são vários motivos.
04:34Agora, você pensar que alguém da sua família está te ameaçando, por quê?
04:41O que explica chegar a esse ponto, Dani?
04:43E eu achei muito interessante o que ele trouxe, porque eu confesso que eu não sabia.
04:47E, realmente, assim, a gente não espera que a pessoa que está ali vivendo com a gente vá fazer isso,
04:51né?
04:52Por isso que você me permitiu também, nesse mesmo sentido, os crimes, por exemplo,
04:56que são cometidos no período noturno têm uma pena maior também,
05:00porque o nosso poder de reação é menor.
05:03Durante o dia, a gente tem uma capacidade de reagir maior do que, por exemplo,
05:07quando a gente está no nosso sono noturno com a nossa família, recolhido em casa.
05:11Então, o nosso poder de reação é diminuído e, por esse motivo,
05:14quem comete crime, por exemplo, no período noturno, tem uma pena maior.
05:18Isso é muito interessante, né?
05:19Tudo isso interfere, né?
05:21Explicações do direito, tudo no direito tem um porquê, né?
05:24E essa explicação, então, é muito interessante.
05:26Quer dizer, de família, de horário noturno, enfim, as penas são aumentadas.
05:31Tem razão, e isso faz muito sentido se a gente for trazer para a psicologia, né?
05:34Porque, de fato, como a gente estava falando, a gente não espera isso de quem convive com a gente.
05:38Normalmente, é a pessoa que a gente menos espera que vá fazer isso.
05:41E tem razão, quando vai falando que vai anoitecendo, você pensa,
05:43bom, já passou o dia, já está tudo tranquilo, agora eu posso descansar.
05:46E aí, de repente, acontece um crime.
05:48Mas, assim, eu percebo que o que você falou, Roberta, é muito interessante,
05:51porque, de fato, é um impacto na família toda, né?
05:54Porque aí, por exemplo, um irmão saqueou o outro.
05:57Pensa essa mãe, né?
05:58A mãe tem que lidar com, de repente, um que está morto, está internado,
06:01tem que lidar com outro que vai ter que responder na justiça, enfim.
06:04É um impacto muito grande para toda a família.
06:06É uma dupla dor para o pai e para a mãe, né?
06:09Por telefone, eu vou conversar agora, gente, com uma irmã que está passando por ameaças.
06:14Logo, por quem?
06:15Pelo irmão.
06:16E detalhe, por questões de segurança, é claro que a gente não vai identificá-la.
06:20E ela vai contar para a gente o porquê de tudo isso, como é que tem sido os últimos dias.
06:25Boa tarde, você me ouve bem?
06:28Sim.
06:29Obrigada pela sua participação.
06:31Explica para a gente como é que tem sido a vida da família e o porquê dessas ameaças.
06:39Eu inicio minha fala de forma até muito emocionada de ouvir tanto o doutor quanto a psicóloga e vocês também,
06:49porque realmente é viver, é viver não, realmente é assim, nós não estamos vivendo,
06:57nós estamos sobrevivendo a esta triste situação, né?
07:03É tentar realmente sobreviver a cada dia e pedir a Deus que no outro dia a gente tenha vida para
07:15viver no outro dia,
07:17porque de fato as coisas estão se prolongando e o que a gente mais teme é realmente uma tragédia.
07:24Qual foi a causa de todo esse conflito?
07:31Inicialmente, ficamos sem entender o real motivo.
07:36No decorrer desses anos que já se estende, a gente percebe que a causa é a partilha de bens, né?
07:45Iniciou no óbito do meu pai, éramos uma família feliz, vivíamos em comunhão, em harmonia.
07:53É claro que entre irmãos há aquelas briguinhas bobas, mas logo era reparada.
07:59E vivíamos bem.
08:01E no decorrer do óbito do meu pai, poucos dias depois, iniciou-se, né, esta linha de perseguição,
08:11principalmente contra mim e contra uma outra irmã, somos em cinco.
08:16E aí existe no nosso âmbito familiar uma idosa, que é a nossa mãe, que é a peça e a
08:25pessoa que está sendo mais afetada com tudo isso,
08:28porque bem como você falou, ela vive e vivencia fatos relacionados aos seus filhos, né?
08:36Então, um comete tudo isso e os outros são afetados, principalmente eu e a minha irmã, que somos vítimas.
08:45E esta perseguição começou, a gente sem entender, e foi se estendendo e se intensificando,
08:52e até chegar quase via de fatos, já chegou a ter fatos, né, que foi usado arma branca como cavadeira,
09:04como outros objetos também, então constantemente é ameaças, são constrangimentos,
09:11exposição à vizinhança, muita vergonha, muita tristeza.
09:17Então, assim, e tudo isso a gente sabe que o objeto de tudo isso é a partilha de bens.
09:25O porquê a gente não consegue entender, porque não tem motivos nenhum, né,
09:32para a gente estar vivendo o que nós estamos vivendo.
09:36E antes do falecimento do seu pai, a relação não era assim?
09:41Não, não era assim, era uma relação harmônica entre irmãos, a gente vive no mesmo âmbito familiar,
09:52cada um com as suas edificações, cada um com as suas casas, porém muito porta a porta,
09:57então tínhamos uma convivência muito boa, muito harmônica de festas de finais de ano,
10:04de aniversário, né, comemorativas, dia dos pais, dia das mães,
10:08e de repente no óbito do nosso pai, dias mesmo assim, se eu for explicar de forma detalhada,
10:1615, 20 dias depois, no luto ainda, iniciou essa perseguição.
10:22E essa perseguição, ela é muito perigosa, muito perigosa,
10:27porque qualquer fala, qualquer coisa, qualquer motivo,
10:33há o gatilho de que logo a pessoa que causa isso, né, o familiar que causa isso,
10:40ele logo busca, então, fazer coisas que afetam a vida da gente,
10:47principalmente psicologicamente, como boletins de ocorrência, ações com processos criminais,
10:55e dali gera...
10:55Você já tem medida protetiva?
10:58Eu, eu, por muito tempo eu me escondi, por muito tempo eu me calei,
11:04como você falou, eu me afastei, a gente vive, fica psicologicamente muito afetada,
11:11eu tive problemas emocionais gigantescos, e aí, então, por muito tempo eu me calei,
11:17mas agora eu tive que pedir socorro, e aí o MP entrou na situação e me concedeu,
11:27graças a Deus, me concedeu a medida protetiva para mim e para minha irmã, sim.
11:31Ele está respeitando?
11:33Porém, foi recente, né, essa medida protetiva foi recente,
11:38porque isso já se estende por muito tempo, e a gente, quanto família,
11:43é o que os seus entrevistados falaram, a gente, quanto família,
11:47a gente não acredita que o próprio sangue vai fazer isso.
11:50E a gente busca, assim, até, às vezes, deixar as coisas acontecer
11:55para tentar buscar uma paz, só que essa paz nunca veio,
12:00então a gente teve que recorrer, foi recente, e de imediato não teve um respeito, não.
12:09Mas, assim, a gente até meio que deixou, porque foi recente mesmo,
12:15não tem nem duas semanas que a gente conseguiu.
12:18Você já trouxe vários pontos importantes, que eu quero aproveitar aqui,
12:21a presença do advogado, que está com a gente aqui no estúdio,
12:24continua comigo aí na ligação, já volto a falar com você,
12:27doutor Rivelino, a gente fala muito, né, de medida protetiva,
12:30no caso de violência contra a mulher, a gente pensa muito nisso,
12:33quando o assunto é marido e mulher, mas também vale para esses casos.
12:37O Estado fica buscando mecanismos a todo tempo para poder proteger as pessoas, né?
12:43A Lei Maria da Penha, ela vem em socorro a essas pessoas,
12:46especialmente com esse objetivo, da convivência familiar, né?
12:51E, assim, na verdade, a lei, ela fica tentando, como eu disse,
12:56buscar proteger as pessoas, criar mecanismos,
12:59e as pessoas precisam comunicar esses fatos para o Estado.
13:02A medida protetiva, ela precisa ser comunicada para que ela efetivamente ocorra.
13:06as pessoas não podem se calar, né?
13:08Então, quer dizer, o Estado, ele dá os mecanismos, mas ele precisa ser provocado.
13:12Então, as pessoas precisam efetivamente comunicar essas ações
13:15para que o Estado possa efetivamente tentar diminuir a incidência de crime dessa natureza.
13:21Só que a gente vê muitas vezes as pessoas se calando.
13:24Para quê? Para não magoar a mãe, para não magoar o pai.
13:27Não, mas não pode, porque pode chegar ao ponto de tirar a vida de alguém que é uma coisa que
13:32não tem como reverter, né?
13:35Então, para dizer, as pessoas precisam comunicar ao Estado imediatamente.
13:39É a melhor solução.
13:40E fazendo uma observação, via de rega, crime dessa natureza,
13:44ou ele está ligado à droga, alguém drogado,
13:47que fica tentando receber a parte dele, ou se utilizar do patrimônio da família,
13:53ou briga patrimonial.
13:55Qual é a solução, Roberta e doutora Daniela, que a gente vê para casos dessa natureza?
13:59As pessoas, elas precisam entender que, infelizmente, o final da vida vai chegar para todo mundo.
14:06Então, quem tem um patrimônio, por menor que seja,
14:10precisa estabelecer para quem vai ficar o quê.
14:12Isso não é problema nenhum.
14:14As pessoas não podem se curvar a isso.
14:16Isso é uma verdade.
14:17Então, as pessoas precisam estabelecer.
14:19Essa coisa de fulano, essa coisa de beltrano.
14:21Porque, infelizmente, Roberta, quando um pai ou uma mãe se vai,
14:25e todos nós iremos em determinado momento,
14:29vai haver disputa de patrimônio.
14:31Porque eu não vou concordar que você fique com mais do que eu.
14:34Ela não vai concordar que eu fique com mais do que ela.
14:37Então, infelizmente, isso é uma verdade.
14:40E as pessoas que têm patrimônio precisam partilhar esse patrimônio em vida.
14:45Isso não tem problema nenhum.
14:46Isso não quer dizer que, ah, eu estou morrendo, eu vou morrer.
14:48Não, todos vamos morrer.
14:49Precisa estabelecer.
14:50Essa coisa de fulano, essa coisa de beltrano.
14:52Porque aí você vai diminuir esse problema.
14:55É uma forma de prevenir, né?
14:56Porque, às vezes, a briga por uma caixa que era da mamãe vai dar um problema desse.
15:01Então, precisa estabelecer.
15:02Essa caixa é de fulano, ponto final.
15:04Já vi brigas, pois, até mesmo de louça, né?
15:07Pequenos detalhes, são motivos banais.
15:10Isso você falou até mesmo quando chega num ponto trágico, né?
15:12Nós mostramos aqui no Fala Espírito Santo um outro caso de violência também entre irmãos.
15:17Esse acabou, infelizmente, com a morte de uma jovem em Guarapari.
15:22Segundo a polícia, gente, no último sábado,
15:24Fernanda Silva Pereira, de 23 anos, olha aí que menina linda, jovem,
15:28ela foi ao sítio de propriedade da família, acompanhada pelo tio.
15:32A namorada também estava junto e também a sogra, para tentar conversar com o irmão,
15:38só que esse irmão não teria gostado de vê-los.
15:41E aí, eles estavam primeiro, né?
15:43Eles chegaram primeiro na propriedade.
15:44E aí, ele ameaçou o grupo com uma faca e depois atirou contra eles.
15:49A namorada e a sogra de Fernanda conseguiram fugir, mas ela e o tio foram atingidos.
15:54Fernanda, infelizmente, não resistiu e o tio, gente, continua internado.
16:00Depois do crime, o suspeito fugiu de carro e ainda continua foragido.
16:06E olha só esse caso que a gente vai contar agora também, que aconteceu em Santo André, Cariacica.
16:11Um serralheiro de 34 anos foi esfaqueado pela mãe, uma pensionista de 58 anos.
16:19Vizinhos contaram que mãe e filho passaram a última terça-feira bebendo e discutindo.
16:26Quase 24 horas depois de ser esfaqueado, o serralheiro apareceu na rua cambaleando.
16:31A polícia foi chamada, o homem foi socorrido e a mãe detida.
16:35Ela disse que deu as facadas no filho porque ele bebe demais, gente.
16:41Olha aí, Dani, como bem disse o doutor Rivelino, quando tem droga, quando tem bebida,
16:49tudo isso potencializa esses conflitos familiares?
16:53Infelizmente, a dependência química é um potencializador, sim, dos comportamentos ainda mais agressivos.
16:58Mas também, olha que interessante que você trouxe aí, né?
17:01Você falou que ela foi ao sítio conversar com ele.
17:05E aí ela não pode nem conversar, né?
17:07Que ele já reagiu dessa forma, tirando a vida de duas pessoas, né?
17:11Então, por conta de que ela foi lá conversar.
17:14E aí isso fala mais uma vez da intolerância e fala também da questão do...
17:18Como que as pessoas, como eu disse, como elas não querem nem conversar.
17:21E segundo, como que elas reagem de forma a, de fato, acabar com o problema.
17:26Então, eu não quero conversar com você nunca mais.
17:27Como que isso vai acontecer? Você morrendo.
17:30E aí elas não sabem lidar com os problemas, então eu não quero mais ter que lidar com esse problema.
17:34Eu acabo com ele de vez, né?
17:36Acontece que eu mencionei no início que a gente entende ainda que o amor, ele é inato.
17:42Então, assim, eu amo você pelo fato de você ser meu irmão.
17:45Infelizmente, não é uma verdade.
17:46Como eu disse, o amor é algo construído.
17:48Então, para que eu ame alguém, eu preciso ver alguma atitude, né?
17:52A gente vai construindo esse amor juntos.
17:54E não assim, eu te amo, pronto, você é meu irmão.
17:56Então, infelizmente, quem dera, né? Deveria ser, mas não é.
17:58Então, que a gente consiga visualizar essas situações, para como você bem mencionou no início,
18:03se for o caso, se afastar, né?
18:06Como você disse, a gente não vai imaginar que o irmão vai matar.
18:08Poxa, eu estou indo lá conversar com ele.
18:10Mas se a gente conseguisse imaginar isso antes, é claro que não era uma obrigação dela,
18:14mas se a gente tiver a possibilidade de pensar nisso,
18:16que não fosse, ou que fosse acompanhado de alguém, que ligasse, enfim.
18:19Mas a gente, infelizmente, a gente não espera que o irmão vai fazer isso por conta de bobeira ainda, né?
18:25Sim.
18:25E só frisando, Dani, esse caso de Guarapari, infelizmente, foi a jovem, né?
18:29De 23 anos que morreu, o tio continua internado, né?
18:33Então, foi uma vítima.
18:35Agora, doutor, esses casos de crimes de proximidade,
18:38dificilmente a polícia consegue agir de forma preventiva.
18:41Quando chega, já aconteceu.
18:43Porque ela não espera que aconteça.
18:44Por isso que a pena é maior, né?
18:46Você não espera que vá acontecer.
18:47Por isso que a medida protetiva também é importante,
18:50porque também é um silão de alerta para o próprio Estado.
18:53E aí tem aquelas chamadas visitas tranquilizadoras.
18:57Quando você chama o Estado e aponta um problema, um risco dessa natureza,
19:03o Estado, por exemplo, ele fica fazendo as chamadas visitas tranquilizadoras.
19:08A polícia vai a esses lugares, eventualmente, uma vez, duas vezes por semana,
19:12para ver como as coisas estão.
19:14Porque a gente não espera que isso vai acontecer no âmbito familiar,
19:17mas, infelizmente, acontece.
19:18Então, quando você acende um alerta para o Estado,
19:21ele fica mais vigilante quanto a isso.
19:23E só aproveitando o ensejo,
19:26a embriaguez das pessoas não exclui absolutamente responsabilidade nenhuma.
19:31Ah, eu matei porque eu bebi, eu bati porque eu bebi,
19:35eu bati na minha mulher porque eu bebi,
19:36não exclui absolutamente nada.
19:38Salvo se a pessoa for forçada.
19:40Segurar alguém, botar bebida na boca dela, aí a embriaguez vai poder.
19:45Agora, a embriaguez voluntária não exclui absolutamente responsabilidade nenhuma.
19:50Não tem nenhum tipo de diminuição do problema,
19:53ou ele deixa de existir porque ele vai justificar que tinha bebido, em absoluto.
19:57Olha só o comentário que a gente tem aqui no nosso programa.
20:00A Maricilda Borges participa com a gente pelo Facebook.
20:02Ela diz, infelizmente, herança é o que mais provoca briga na família.
20:06Por isso, eu abri mão da minha, né?
20:08Não valeria a pena brigar.
20:10Eu preferi a paz que tenho, né?
20:12Que bom que você teve essa sabedoria.
20:14Não é todo mundo que pensa assim, que age assim, né?
20:17E com quem prefere agir de outra forma, tem total razão também.
20:21Ela quer o que pertence a ela.
20:22Deixa eu voltar a falar com a nossa telespectadora, que participa com a gente,
20:27para saber, então, a partir de agora, né?
20:29Você já tentou alguma reconciliação?
20:31Já foi tentado, assim, essas tentativas de paz?
20:35É, eu só gostaria de fazer uma ressalva quanto ao doutor.
20:39O seguinte, a minha situação já se estende por muitos anos.
20:43Então, a medida protetiva de imediato que eu pedi lá atrás, eu tive negada.
20:49E só agora, pela segunda vez, e de forma até um pouco mais elaborada, digamos assim,
20:57porque se intensificou as questões, né?
21:00Das ameaças e tudo mais, aí sim eu consegui.
21:05Mas lá, na primeira mão, eu não obtive, não.
21:08E já tentamos diversas vezes, né?
21:12Fazer realmente essa restauração familiar, essa busca, até por ajuda,
21:18mas tem uma negativa muito grande.
21:21E outra ressalva, o meu pai em vida, ele só não documentou, mas ele já deixou sim,
21:27tanto que cada um que edificou suas casas, porém, a pessoa que causa todo esse ensejo,
21:35ela acha por bem que ela sim que tem que ficar todo com o patrimônio.
21:41E não é assim, né?
21:43A lei diz.
21:44Então, somos em cinco, cada um edificou suas casas e todos nós respeitamos.
21:50Só temos a negativa por parte de quem causa mesmo, porque quer todos os bens,
21:56inclusive até pontos comerciais e tudo.
21:59É uma situação que realmente é difícil, não é fácil.
22:03E quando trata-se de Estado, não é tão fácil também, às vezes, provar,
22:09porque, por exemplo, eu, a primeira vez que a medida protetiva foi solicitada,
22:16muitos me perguntaram se eu estava agredida.
22:20Então, a medida protetiva também, ela é algo que nos favorece,
22:25mas ela é um pouco dificultosa nesses tipos de crime,
22:29principalmente quando há o crime psicológico e tudo mais,
22:34porque não há uma agressão física.
22:37E eu tive muita dificuldade, sim.
22:40E ter que provar isso não é fácil, né?
22:41Não é fácil.
22:42Não é fácil, não é fácil.
22:45É um desgaste emocional muito grande,
22:48tanto que eu tive que ingressar com a ação com advogado particular,
22:53então tive um desgaste financeiro também,
22:55porque eu recorria todos os órgãos,
22:59todos os órgãos do Estado eu recorri,
23:02inclusive até solicitar dentro do próprio fórum ajuda, né?
23:06E não é fácil mesmo.
23:08A gente espera que vocês consigam encontrar uma saída,
23:13nem que seja através do distanciamento, né?
23:15De fato, cada um consiga seguir a sua vida
23:18e quem sabe lá na frente, né?
23:20Vocês consigam também dar a alegria
23:23para a mãe de vocês de ter uma reconciliação.
23:26Obrigada pela sua participação.
23:27Infelizmente, o nosso tempo acabou,
23:29mas foi muito valioso tudo o que vocês trouxeram aqui
23:32para o nosso debate, para os nossos telespectadores.
23:34Obrigada, doutor Rivelino.
23:35Obrigada, Dani, pela sua participação também.