00:00O estado tem mais de 34 mil casos notificados de dengue.
00:05Em dois meses, nove capixabas morreram por conta de complicações da doença.
00:11Deixa eu chamar a Alessandra Chimenez para trazer mais detalhes dessa doença que sempre chama a atenção nessa época do
00:17ano.
00:18Ale, é com você.
00:22E aí, Dudu, só para a gente atualizar uma informação, a gente já tem mais de 40 mil casos notificados
00:28de dengue aqui no Espírito Santo.
00:30No último boletim epidemiológico do dia 3 desse mês, a gente tinha quase 30 mil, pouco mais de 29 mil
00:37e agora a gente já tem mais de 40 mil.
00:40São mais de mil casos notificados confirmados por dia aqui no Espírito Santo.
00:45Como você falou, infelizmente, nove mortes, mas tem cuidado, tem tratamento, é só a gente ficar atento, né?
00:52Precisa cuidar daquele pratinho de mosquito que a gente sempre fala aqui também, mas nesse momento a gente precisa cuidar
00:57das pessoas que estão doentes.
00:59E para falar um pouquinho dessas pessoas doentes, do que fazer, como cuidar, quais são aí os alertas e as
01:06atenções que a gente precisa ter nesse momento,
01:08eu vou conversar agora com o subsecretário de Vigilância em Saúde aqui do Espírito Santo, Luiz Carlos Reblin.
01:15Reblin, muito obrigado por atender a nossa equipe, muito bom dia para o senhor.
01:19Já vou começar com uma pergunta assim, a gente tem confirmado que aqui no Espírito Santo vivemos uma epidemia da
01:25dengue, Reblin?
01:27Bom dia, bom dia, Dudu.
01:29Lu, então, tecnicamente nós estamos vivendo um processo epidêmico do dengue.
01:35Nós temos alguns parâmetros de aceitação de quantidade de casos.
01:41Quando esta curva é ultrapassada no número de casos e é este o momento que a gente está vivendo, a
01:48gente diz sim que é uma epidemia.
01:49Então, desde o início do ano, o último boletim, ele vai ser atualizado essa semana.
01:57O último boletim falava um pouco menos de 30 mil casos, mas a atualização diária que nós temos através dos
02:03nossos sistemas de informação
02:04já aponta mais de 40 mil casos notificados aqui no Estado.
02:08Então, é sim considerado um processo epidêmico.
02:12Com essa confirmação, então, de consideração de um processo epidêmico, quais são as orientações para os municípios?
02:19Porque é ali o local de base para onde o munícipe normalmente corre, para o pronto-atendimento, para o pronto
02:25-socorro ali do município,
02:26até para a unidade básica de saúde, quais são as orientações?
02:29Como atender essa população que está com tantos sintomas aí?
02:33A gente também tem um quadro gripal, esses sintomas, eles acabam aí se confundindo.
02:38Qual é a orientação?
02:39A Secretaria Estadual de Saúde, ela tem o seu papel num processo como esse.
02:44E o principal dele é analisar os dados, as informações.
02:47Então, nós já lançamos um alerta, uma comunicação.
02:52Então, todos os gestores públicos e privados, de todos os serviços de saúde e os trabalhadores,
02:59todos estão notificados formalmente pela Secretaria que nós estamos num processo de alto risco para a transmissão,
03:07o adoecimento e também para óbito por dengue.
03:10Então, nós já lançamos esse alerta.
03:13Diante disso, a sociedade também fica comunicada que nós estamos vivendo um momento muito importante.
03:20Precisamos de duas questões fundamentais no combate à dengue.
03:25A primeira é cuidar do nosso espaço, do nosso quintal, da nossa residência.
03:31Os estudos apontam que 80% dos focos que a gente encontra, a gente encontra ali na moradia, no entorno,
03:38no quintal das pessoas.
03:39Então, manter o olhar pelo menos uma vez por semana para qualquer material que acumula água é fundamental,
03:46porque aí a gente diminui a possibilidade do mosquito se reproduzir.
03:51Isso é uma parte do poder público, os municípios fazem isso, e também da própria população.
03:58Temos que juntos enfrentar essa situação.
04:00A outra parte é cuidar de quem está doente nesse momento.
04:03E aí não dá para a população, o indivíduo, tentar identificar qual tipo de virose que ele tem naquele momento.
04:12Se é covid, se é dengue, se é resfriado, se é um outro vírus respiratório.
04:20Então, na vigência de um sintoma com febre, com dor de cabeça, dor no corpo, dor ao redor dos olhos,
04:29dor abdominal, é muito importante observar isso.
04:31Já começa a hidratação em casa mesmo e procura um serviço de saúde.
04:35Aí a equipe que está alertada para a dengue, ela vai fazer a investigação e vai passar novas orientações.
04:42Ou continua a hidratação em casa, ou vai fazer a hidratação no soro.
04:46O que salva a pessoa do agravamento da internação e do óbito por dengue é hidratação, é líquido.
04:55Se nós fizermos isso adequadamente, a gente vai proteger a vida e a saúde das pessoas.
04:59O senhor falou de alguns sintomas da dengue.
05:02Eles acabam se confundindo aí com outras doenças, como o senhor estava dizendo.
05:06E isso pode prejudicar, então, no tratamento.
05:09Então, indicado, independente se é um sintoma mais leve ou não, é correr aí para o atendimento mais próximo,
05:15seja do seu município ou até mesmo do estado, quem não conseguir aquele atendimento ali primário?
05:21Essa é a orientação.
05:22Esse é um período de muitas doenças.
05:24Como você disse, pode confundir a pessoa.
05:27Então, não fique em casa aguardando para ver se vai evoluir para um ou para outro quadro.
05:33Se tem sinal ou sintoma, dor de cabeça, febre, dor no corpo, dor na articulação, dor abdominal,
05:41procure um serviço de saúde já tomando líquido.
05:43O líquido, a primeira providência em casa é uma garrafinha de água, já pode iniciar.
05:49E procura um serviço de saúde para que a equipe possa avaliar e conduzir a sua atenção.
05:55Os municípios estão implantando salas de hidratação, estão realizando mutirões de limpeza.
06:01Então, é isso que nós temos que providenciar.
06:03Cuidar para eliminar tudo que acumula água, mas ao menor sinal e sintoma, procurar um serviço de saúde.
06:10E a equipe lá, sim, pensar em dengue, não pensar apenas nas outras possibilidades,
06:15mas pensar em dengue e conduzir adequadamente o tratamento dessa pessoa.
06:18O senhor falou de tomar líquido. Comecei a sentir hidrata, muito líquido,
06:23mas é importante não se automedicar em casa.
06:26Isso pode prejudicar um diagnóstico lá no posto de saúde, com a equipe médica?
06:31Pode não só prejudicar, mas pode piorar o estado do indivíduo.
06:36Nós temos algumas medicações que não podem ser usadas na vigência da dengue.
06:41Então, a automedicação deve ser totalmente evitada.
06:45Para qualquer situação, mas especialmente quando a gente fala de dengue.
06:49O líquido, sim, não tem problema. Água, suco.
06:52Isso é super importante já iniciar, mesmo antes de ir para o serviço de saúde.
06:57Mas a medicação e depois a quantidade de líquido, a própria unidade vai orientar
07:02para que o indivíduo faça o seu cuidado adequadamente.
07:05Para a gente terminar, Reblin, a gente fala do teste da dengue, que ele existe,
07:10mas não são todos os municípios, não são todas as unidades de saúde que possuem esse teste.
07:15Mas as equipes médicas, elas têm condições de diagnosticar, mesmo sem realizar esse teste.
07:21Com outros sintomas, com outras análises, só para o pessoal não ficar preocupado,
07:25porque às vezes chega lá, não consegue fazer o teste, fala,
07:27Ah, e agora? Estou com dengue? Não estou? Não sei se é confiável?
07:30Só para a gente dar um sossego um pouco maior para o pessoal,
07:34que às vezes fica doente, fica mais sensível, né?
07:36É claro, a gente quer saber se a gente tem determinada doença ou não.
07:40Tem teste, sim, mas a gente não tem que ficar pensando no teste para diagnóstico do dengue agora.
07:47Agora, o aspecto é extremamente importante que ele seja feito o diagnóstico pela clínica,
07:53pelo que o indivíduo está sentindo.
07:56Hidratação, o hemograma, sim, que aí, sim, é o monitoramento do estágio, do andamento da doença,
08:04o hemograma, sim, é super importante.
08:06O teste para saber se é dengue ou não será feito no momento adequado, no momento oportuno.
08:11Ele não é o mais importante no início do atendimento para dengue.
08:15E agora, para finalizar mesmo, quantos dias, mais ou menos, de sintomas em caso de dengue, Reblin?
08:20Então, há uma média de 7 a 10 dias, né, que a gente fica...
08:27Claro que algumas pessoas evoluem de maneira mais rápida, né, ficam, se sentem melhor,
08:32mas isso depende muito da hidratação.
08:36Então, assim, cumprir aquilo que a unidade de saúde prescrever para o indivíduo é fundamental.
08:41E não é só assim, ah, melhorei, parei.
08:43Não, cumprir todo o atendimento, todo o tratamento prescrito é super importante para uma recuperação mais rápida.