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  • há 3 semanas
Vídeos mostram violência física e verbal gratuita...

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00:00As imagens são chocantes. O que é isso? Nada, nada justifica uma agressão como essa.
00:06Não tem, não tem explicação. A única coisa que a gente pode fazer é não deixar que isso se repita.
00:12E como? É o que a gente vai debater agora.
00:14Aqui no nosso estúdio eu recebo a psicóloga Satina Pimenta.
00:18Muito obrigada pela sua participação. Boa tarde, seja bem-vinda.
00:21A gente também recebe o motoboy Douglas Ramos. Obrigada, Douglas.
00:25Douglas, dê uma pausa no trabalho para estar aqui hoje com a gente no Fala Espírito Santo.
00:28Na correria, né? Na correria, né? De sempre. Obrigada pela sua participação.
00:32E também a Milena Canuto, que ela é enfermeira e daqui a pouquinho ela também vai contar, vai trazer o
00:36relato também da profissão de enfermeira,
00:40que infelizmente se torna vítima também de alguns casos de humilhação.
00:44Mas Douglas, antes eu queria começar com você. Qual é o seu sentimento quando você viu essa imagem agora que
00:50a gente acabou de veicular?
00:51Olha, não tem outra explicação a não ser repúdio. O que acontece ali, claramente, é uma briga de questões de
00:58classes.
00:59Porque, de fato, se tivesse uma pessoa com o mesmo nível, talvez, dela financeira, ela não teria agido daquela forma.
01:05Ela agiu daquela forma porque ela sabe que é um motoboy.
01:08O estereótipo de motoboy, desculpa a expressão, é um cara ferrado na vida que não vai conseguir fazer nada contra
01:13ela.
01:13Então, ela conseguiu chegar a esse limite que ela chegou porque ela sabia que, cara, o que o motoboy tem
01:20hoje para defender ele?
01:22A categoria não tem nenhum político que se interessa pela gente, não tem nenhum sociólogo, filantropo, não tem ninguém.
01:28O motoboy é como se fosse um nômade, sozinho.
01:31E se esquece que na pandemia, no auge da pandemia, todo mundo apregoou o Fica em Casa, tudo bem, os
01:36protocolos de segurança.
01:37Mas quem levou a comida para quem estava em casa?
01:40Muito bem comentado.
01:40Quem é que levou? Foi o motoboy.
01:43Quem leva o remédio? Por exemplo, o trânsito, ele não é projetado para quem faz entregas.
01:47Claro, talvez o rapaz tenha cometido ali uma infração colocando a moto em cima do passeio, da calçada.
01:55Eu também sou natural do Rio de Janeiro, eu conheço aquela região ali.
01:57E eu conheço o pessoal que, infelizmente, recebe o pedido ali.
02:02E talvez ele tenha cometido essa infração, mas o trânsito, ele não foi projetado para quem faz entregas.
02:08Simples assim.
02:08A prefeitura simplesmente diz, você não pode parar em cima da calçada, mas vai parar onde?
02:14Aonde vai precisar se parar para fazer entrega?
02:16Então, a gente precisa, assim, claro que eu gostaria até de fazer um apelo aqui, se for necessário, se puder,
02:22para as autoridades poderem nos convidar a conversar e houver um projeto de lei que possa abranger a nossa categoria,
02:30a nossa classe.
02:31Principalmente na questão da obrigatoriedade do motoboy chegar até a porta do apartamento.
02:36O que mais está acontecendo hoje em dia é, infelizmente, o motoboy sendo escurraçado, humilhado, simplesmente porque ele não levou
02:43o lanche à porta do apartamento da cliente.
02:45E a gente tem mostrado esses casos aqui.
02:47Agora, você colocou, né, a importância dos motoboys.
02:51A gente não consegue mais se imaginar sem o serviço que vocês prestam para a gente, para a sociedade.
02:59É questão de agilidade, se a gente precisa de um documento.
03:02Ou então, a gente hoje em dia, às vezes, nem precisa mais.
03:05A gente resolve tudo por telefone, pela rede social.
03:07E vocês trazem, é uma comodidade que a gente tem.
03:11Então, concordo plenamente com você nessa questão que precisa envolver esse diálogo.
03:15Agora, independentemente se estava certo ou se estava errado, colocar ali a moto na calçada, como você bem disse,
03:23tudo existe uma forma educada de se resolver, Satina.
03:27Obrigada pela sua participação.
03:28A gente se pergunta, em pleno século XXI, o que leva, movido por qual sentimento,
03:33uma pessoa age dessa forma com um trabalhador?
03:38Eu acho, primeiro, boa tarde de novo, né?
03:40Eu acho que uma coisa que é importante a gente colocar é que, mesmo que ele estivesse errado,
03:45não é ela que tem poder de polícia.
03:46Ela poderia ter chamado uma guarda de trânsito e falado, olha, esse lugar aqui está sendo ocupado por uma moto,
03:51de maneira equivocada.
03:53Não é ela que tem esse dever.
03:54Ela tem um dever como cidadã de fazer a denúncia.
03:56De qualquer forma, o que a gente percebe?
03:59A gente percebe uma estrutura social aí, como o Douglas bem coloca,
04:03de se achar maior ou melhor do que o outro e trazer esse movimento de humilhação através do poder.
04:13Então, e aí a gente vai colocar algumas colocações aqui,
04:16ela é branca, ela é atleta, ela, teoricamente, é de um status social diferente, economicamente também.
04:24Então, ela se acha no direito de se posicionar daquela maneira.
04:28E isso a gente vê, desculpa, a torto e a direito.
04:32São com motoboys, são com enfermeiras, técnicas de enfermagem, são com outras profissões que são tidas dentro da nossa sociedade,
04:42como profissões, e eu não vou nem falar subalternas, que eu acho que é pior ainda, mas que não tem
04:48valor.
04:49Mas, como o Douglas mesmo disse, sem ele eu não consigo fazer o que eu faço.
04:52Eu não como de noite quando eu chego 10 horas da noite da minha aula e estou com fome.
04:57Sem ele eu não como.
04:59Entende?
05:00Então, eu acho que a gente tem que começar a pensar um pouquinho sobre as relações de poder, principalmente que
05:05nós ensinamos aos nossos filhos.
05:07Douglas, você comentou aí sobre situações que a gente já mostrou aqui também no programa, no nosso jornalismo.
05:14Essa entrega, né? Já aconteceu isso com você?
05:16Você chega num apartamento, numa casa, a pessoa quer que você leve na mão dela.
05:20Isso.
05:21Então, se você estivesse ali também para isso?
05:23Isso aconteceu comigo há três semanas atrás, em Jardim da Penha. Aconteceu exatamente isso.
05:27Porque tem um problema muito sério. A sociedade, ela não sabe, a gente fala assim, a importância da profissão de
05:33motoboy,
05:33mas a profissão de motoboy, ela hoje é que acolhe principalmente a população carcerária,
05:39que saiu hoje do sistema penitenciário e quer trabalhar, quer se ressocializar.
05:43E se você se depara numa situação dessa, o cara que está saindo agora da vida do crime e quer
05:49se ressocializar e é humilhado vexatoriamente dessa forma,
05:52a chance dele voltar para o crime é maior. É muito maior.
05:55Então, o que acontece? A gente só pede o seguinte, que tem um pouco mais de respeito.
06:00O motoboy, ele é como o correio, ele tem a obrigação de levar até o endereço da pessoa.
06:04Ele não é gomordomo, ele não é garçom, ele não tem que levar até o apartamento da pessoa.
06:08Até porque tem muitos condomínios que têm regras.
06:10Exatamente.
06:11Por questões de segurança, né?
06:12Até por isso, igual esse gancho que eu te falei.
06:14Porque essa é uma profissão que ela acolhe muitas pessoas que vieram do sistema carcerário.
06:19Você não sabe quem está vindo até a sua porta.
06:22Você não sabe, pode ser um profissional com idoneidade, com antecedente criminal direitinho,
06:27mas pode ser um cara que ele largou o crime, mas o crime não largou ele ainda.
06:30E você está chamando esse cara para dentro da sua porta, para dentro da porta da sua casa.
06:34Então, você está se expondo ao risco.
06:36Então, quando o motoboy fala para você, olha, a gente não sobe, existem várias questões, inclusive essa.
06:41Outra questão é que a moto fica para o lado de fora e hoje nós temos um fluxo de roubo
06:45de veículos de duas rodas muito grande na Grande Vitória.
06:48Muito grande.
06:49Leva-se em torno de 10 a 15 segundos para o cara montar em cima da moto, estourar, ignição e
06:53levar.
06:54Então, às vezes, por causa do conforto de um cliente para receber o pedido na mesa, na porta dele, o
07:00rapaz desce e quando ele chega lá não tem mais a moto lá.
07:02Lembrando que os aplicativos deixam claro isso dentro do próprio aplicativo, que eles não sobem.
07:07Sim, a regra é tanto dentro dos condomínios quanto também por parte dos aplicativos.
07:11Agora, para a gente envolver também a Milena na história, que a gente está aqui falando de diversas profissões.
07:17Também a gente vai repercutir agora, Milena, presta atenção nessas imagens, nesses vídeos que foram publicados em uma rede social
07:24que mostra um médico
07:26ofendendo técnicos de enfermagem profissionais da área da saúde.
07:30E aí, depois da publicação desses vídeos, um médico foi demitido pela prefeitura. Vamos ver.
07:37No vídeo divulgado pelo médico em uma rede social, ele xinga e ameaça técnicos de enfermagem e enfermeiros.
07:45Você não é um médico. Então para de se achar um médico.
07:51Vocês são enfermeiras, são cuidadoras, técnicas, são fazedoras.
08:01O vídeo tem quase dois minutos e chama a atenção pela conduta do profissional de saúde.
08:07Sabe nem fazer o papel de vocês, é pegar um acesso certo.
08:12Então, para de encher os...
08:14O médico trabalhava há cerca de três meses no Hospital José Maria Filomeno Gomes, o Hospital Municipal de Pacajus, na
08:22região metropolitana de Fortaleza.
08:25Segundo a coordenação da unidade, ele já havia se desentendido com enfermeiros e técnicos de enfermagem.
08:31A gente tomou a decisão de desligar o médico, até mesmo para proteger a nossa categoria de enfermagem.
08:40O Conselho Regional de Enfermagem também se posicionou sobre esse caso.
08:45Através de nota, informou que adotará medidas administrativas e jurídicas cabíveis sobre as ofensas ditas contra os profissionais da unidade.
08:55A enfermagem tem uma grandeza por si só do trabalho que eles vêm realizando no país.
09:00Então, em solidariedade à enfermagem, tomamos a decisão de desligar ele, até por questões de segurança também.
09:08Tanto da parte dele, como de algum outro profissional que pudesse vir agredi-lo também.
09:14É inacreditável isso que a gente está vendo. É inacreditável. Milena, qual é o seu sentimento?
09:19É dar um nó na garganta, assim, né? Da gente saber que isso acontece e é muito frequente acontecer.
09:26Eu acho que o médico tem que entender, de uma vez por todas, que ele sozinho não vai conseguir tratar
09:34um paciente.
09:35Desde a porta de entrada do hospital até o estado mais grávido, que é no setor que eu tenho experiência,
09:42que é no setor de UTI,
09:44o médico não faz exatamente nada sozinho. Nada. Ele precisa da enfermagem para tudo.
09:49Não digo do enfermeiro em si, mas do técnico, do auxiliar.
09:53Enfim, assim, é revoltante.
09:55Porque a gente já é uma categoria tão fragilizada, tão menosprezada, sabe?
10:01E ouvir isso, sentir isso de um companheiro de trabalho, dá uma tristeza, assim, muito grande.
10:09E eu acho que a gente, de uma vez por todas também, o enfermeiro, ele precisa se impor, sabe?
10:15A gente precisa mostrar que a gente é importante.
10:18Porque muitas das vezes, os enfermeiros, eles abaixam a cabeça no momento que o médico te desrespeita,
10:24que o médico te maltrata dentro do hospital, porque é tradição, né?
10:30O médico naturaliza isso.
10:32É natural tratar mal a gente.
10:35Mas a partir do momento que a gente se impõe, que a gente demonstra respeito, a gente tem uma troca
10:40melhor.
10:40Eu, por exemplo, eu tive poucos problemas com médicos, porque eu sempre falei firme,
10:47eu sempre demonstrei muita segurança no que eu faço, no que eu falo,
10:51para eles justamente não me tratarem assim.
10:53Mas presenciei diversos amigos de trabalho sendo humilhados, técnicas minhas sofrendo racismo, sabe?
11:00Sofrendo, ah, eu não quero que você me ajude nesse procedimento, eu não quero chamar outra técnica.
11:07Ou até mesmo, tem muitos médicos que têm, ah, eu não quero lidar com o técnico, eu preciso do enfermeiro.
11:15Só que a gente já tem uma quantidade gigantesca de serviços para fazer, que às vezes o técnico ajuda muito
11:20a gente.
11:21Então a gente pede, o fulano, auxilia o médico em tal procedimento, auxilia a pessoa a fazer a punção profunda,
11:29por exemplo.
11:29E tem muito médico que fala, não, eu não quero, eu quero o enfermeiro.
11:33Aí a gente tem que sair de lado, o que a gente está fazendo, para poder auxiliar um procedimento simples
11:38que um técnico podia auxiliar.
11:40E isso é muito comum.
11:41Isso é na área de enfermagem, isso acontece também com o Douglas e com os colegas de trabalho, que são
11:46motoboys.
11:47Em diversas profissões a gente vê isso, infelizmente.
11:50Só que agora a gente vai conversar com o advogado criminalista, o Lucas Kaiser.
11:54Ele vai explicar para a gente quais crimes, sim, porque isso é crime, quais crimes a pessoa que faz essas
12:02humilhações pode responder.
12:04Boa tarde, doutor.
12:05Obrigada pela sua participação, viu?
12:08Boa tarde, agradeço.
12:10Conta para a gente quais são os crimes que a pessoa pode responder e quais as penas também.
12:17Pois é, Roberta.
12:19Na verdade, essa conversatina bem pontua, ela envolve um aspecto da nossa construção histórica, que é classista, sexista, ela é
12:27racista.
12:28A legislação, ela trata desse assunto em diversas áreas.
12:33Então, pode existir uma repercussão cível, de ordem indenizatória, por exemplo.
12:37Pode existir uma repercussão trabalhista, desde que haja uma relação de trabalho configurada, como no caso da enfermeira.
12:43Ocasião em que a gente estaria adiante, por exemplo, de um assédio moral.
12:47E pode existir também uma repercussão criminal.
12:52Normalmente, essas condutas, elas vão caracterizar crimes contra a honra, ou seja, a calúnia, a difamação, a injúria.
13:01São crimes que têm penas mais brandas, é verdade, começam em seis meses, podem chegar até a dois anos.
13:09Mas também podem caracterizar outros crimes.
13:12O próprio crime de ameaça, o crime de violência psicológica, que tem a mulher como vítima, especificamente.
13:19E a depender de como for a conduta desse agressor, quando há uma generalização dessa violência.
13:27Ou seja, quando você ataca o sujeito, através de uma conduta preconceituosa, discriminatória.
13:34Mas por questões que envolvem raça, cor, etnia, religião, procedência nacional, né?
13:41Agora também homofobia, a própria transfobia.
13:44Tudo isso, né?
13:45Quando essa conduta envolver essas questões, o crime, ele é até mais grave, ele é o crime de racismo, né?
13:51E aí, nesse caso, a pena pode chegar até cinco anos.
13:54Agora, olha só.
13:55Sorte ali que o colega estava filmando.
13:58O que mais poderia servir como prova, doutor?
14:02É, essa filmagem, ela é essencial, ela é fundamental.
14:06Ela materializa a conduta criminosa, ainda é por parte da gente.
14:11Agora, outros elementos também podem contribuir.
14:13Eventualmente, testemunhas, né?
14:15Pessoas que acompanharam ali a agressão.
14:18A própria palavra da vítima, num caso como esse, também tem a sua relevância.
14:24Eventualmente, câmeras de vídeo monitoramento, né?
14:26Do local, da via pública.
14:29Todos esses elementos são fundamentais para conseguir demonstrar, caracterizar a ocorrência do crime ou dos crimes, conforme o caso.
14:36Você falou um pouquinho mais agora, voltado mais para o caso do motoboy.
14:40Se tratando no caso aí que a gente também exibiu do médico que humilha os profissionais de enfermagem, né?
14:47Ali também tem uma relação de trabalho, diferente do caso do motoboy, né?
14:51Aí é outro crime, doutor?
14:54É, na verdade, os crimes, eles podem até coincidir, né?
14:57Crimes contra a honra, de uma forma geral.
14:59A questão é que pode haver repercussão também em outras áreas, né?
15:03Nesse caso da enfermeira, né?
15:04Que nós acompanhamos ainda, um episódio absolutamente grave.
15:08Isso pode caracterizar também, por exemplo, forma de um assédio moral nessa relação de trabalho.
15:14E esse assédio moral pode vir a caracterizar diversos crimes, né?
15:18Como eu disse, os crimes contra a honra, a calúnia, a difamação, a injúria, a própria violência psicológica, né?
15:24Quer dizer, quando se imputa fato ofensivo à pessoa, quando se ofende à sua dignidade, todas essas condutas caracterizam o
15:31crime.
15:32Tá certo.
15:32Doutor, daqui a pouquinho a gente volta a falar contigo, continua com a gente aqui no programa,
15:36porque você tocou numa palavra muito importante, né?
15:39O que isso pode acarretar psicologicamente para uma pessoa.
15:42Um caso que ganha uma repercussão nacional, imagina, você coloca no lugar daquele profissional,
15:48aquele motoboy que estava ali aguardando um momento de trabalho entre uma entrega e outra, enfim, né?
15:54E acontece esse caso lamentável, ganha uma repercussão nacional.
15:58Isso é uma humilhação, Sátira.
16:01O que isso pode trazer para a pessoa?
16:03Muito bacana a gente falar sobre isso, porque, olha só, como a gente já tem uma caracterização social, né?
16:10Dessas relações de poder, essa situação pode reforçar o sentimento de ser inferior.
16:17E isso é muito preocupante.
16:19Então, eu chego para aquele motoboy, ele está começando, ele está buscando, como o Douglas diz e tal, não sei
16:25o quê,
16:25e você passa por uma situação de humilhação, você fala, poxa, eu sou...
16:29É, eu não mereço isso.
16:31E aí, aquilo dali pode degradar a pessoa, psicologicamente, socialmente, ela pode desistir do labor dela por causa dessa situação.
16:43Então, há uma influência grandiosa na vida dela como um todo.
16:46Você conhece, Douglas, alguém que desistiu da profissão por conta dessas humilhações?
16:50Eu conheço, sim, e assim, eu não vou dizer, citar nomes, né?
16:55Mas tem pessoas que, como eu falei, elas saíram do mundo do crime e retornaram para o mundo do crime
17:01por causa dessas situações.
17:02Não só por causa dessas situações, mas outras situações mais.
17:05Por exemplo, a questão das blitzes.
17:07Eu não quero aqui pedir que a blitzes venha acabar com a blitzes, mas ela poderia ser regulamentada para reprimir
17:13exatamente o criminoso e não quem está trabalhando.
17:16Porque hoje, de uma forma geral, a blitzes, ela não atrapalha...
17:19Se você for buscar o balanço, ela atrapalha mais quem está querendo vencer, lutar e sair na situação difícil financeiramente,
17:26do que, de fato, o criminoso.
17:28Puxa o balanço e vê quantos criminosos foram parados numa blitzes e quantos trabalhadores perderam o seu bem de trabalho,
17:34que estavam ali talvez se ressocializando, no caso do ex-presidiário, por causa de uma blitzes arbitrária.
17:39Ah, porque o IPVA estava atrasado, tudo que poderia ser regulamentado, creio eu que o poder público deveria olhar com
17:44isso com mais seriedade, poderia ser regulamentado.
17:47Cria uma regulamentação, em vez de prender o veículo do cara que é trabalhador, cria um cadastro municipal, um certificado
17:54digital, onde o cara tenha tudo dele ali guardado.
17:56Olha, isso aqui é um trabalhador, ele simplesmente precisa de um prazo a mais para pagar o IPVA dele, para
18:00pagar o licenciamento da moto dele.
18:02Mas não, arbitrariamente vão lá, prendem o bem de trabalho do sujeito e ele passa por essa humilhação que a
18:09doutora bem pontuou há pouco e tudo isso.
18:11Então fica todo mundo em cima desse cara, uma hora ele vai espirrar para algum lado e possivelmente ele pode
18:18espirrar para o lado errado.
18:19Olha só o comentário até da Raniele Vasconcelos, que participa com a gente, ela fala que eles precisam mesmo de
18:25um apoio.
18:26Que domingo ela passou pela rodovia do sol e viu várias motos paradas, não entendeu.
18:32E na volta deles ainda estavam, depois que descobriu, ah tá, ela deu uma volta e depois descobriu que eram
18:37motoboys sentados na beira da rodovia,
18:42aguardando os pedidos do shopping.
18:45Então quer dizer, deveria ter um apoio de um lugar para guardar o seu pedido, tomar uma água, utilizar um
18:50banheiro,
18:51porque as empresas que utilizam o serviço não providenciam isso.
18:56Então a gente está aqui falando, Douglas já que está trazendo, diversos pontos que ajudariam a diminuir a humilhação,
19:03que infelizmente a gente sabe que existe com força na profissão de motoboy.
19:07E para você, Milena, você já viu colegas desistindo ou voltando para casa chorando,
19:14colegas da enfermagem ou técnicos de enfermeira por conta, às vezes, de alguma humilhação que ocorreu no ambiente de trabalho?
19:19Já, já, já. Presenciei várias situações também.
19:23A UTI que eu trabalhava era a UTI da cirurgia cardíaca, então a gente tinha residentes do hospital, né?
19:29Enfermeiros que faziam residências, mas que a gente era o tutor daquela pessoa, né?
19:33A gente ensinava.
19:34E aí teve um momento que eu fui ensinar um residente meu a receber um paciente que tinha acabado de
19:38chegar da cirurgia cardíaca.
19:39E aí o cirurgião começou a gritar, mandando ele tirar a mão do paciente, tira a mão do meu paciente,
19:45tira a mão,
19:46que você não sabe o que você está fazendo, cara.
19:48Aquilo gerou um trauma tão grande para o residente que toda vez que chegava um paciente da cirurgia cardíaca,
19:53ele falava, Milena, eu não quero receber aquele paciente.
19:56Eu não quero trabalhar, eu não quero...
19:59Era o terror, né? Receber o paciente da cirurgia cardíaca.
20:02Criava um pânico antes?
20:03Eles criaram... Ele criou uma...
20:06Uma barreira.
20:07Uma barreira.
20:07Ele não aprendeu, ele desanimou do que ele estava fazendo, por simples ego do cirurgião,
20:14que não teve paciência de esperar um pouquinho a mais ele fazer tal procedimento, sabe?
20:19E quem tem essa atitude arrogante, demonstra, diz muito mais sobre ela do que o outro, né, Sátima?
20:24Com certeza.
20:25Diz muito mais sobre quem é essa pessoa e como ela se construiu do que sobre a outra que ela
20:32está humilhando.
20:33Aí fica aquela pergunta, como que a gente muda isso?
20:36É possível mudar uma mentalidade dessa mulher, como a gente mostrou agora, desse médico?
20:41Ou então, vamos pensar até mesmo nas próximas gerações, nos nossos filhos?
20:46Vou começar então pelas próximas gerações.
20:48Mais fácil?
20:49Mais fácil.
20:50Mais fácil porque eles nascem puros, né?
20:52Quem faz com que eles se tornem quem eles são é a sociedade e nós como familiares.
20:57E eu achei uma coisa que eu queria até...
21:00Eu vim para cá pensando nisso porque foi uma cena muito bonita da minha família nesses últimos meses.
21:05Eu estava de carro com o meu filho e aí a gente parou atrás de um caminhão de lixo.
21:10Aí eu parei, olhei e falei mesmo assim, nossa, que profissão linda.
21:13Ele, o quê, mamãe?
21:15Que profissão linda.
21:16Ele, por quê, mamãe?
21:17Eu falei mesmo assim, porque eles poderiam estar em qualquer lugar, mas eles resolveram ser pessoas de bem.
21:22E de índole, não importasse o quanto isso custasse.
21:25E é isso que importa.
21:27Então, se a gente dá as pílulas para essas crianças, do que é caráter, do que é dignidade, do que
21:32é amor, do que é empatia, do que é respeito,
21:36você pode ser um juiz de direito ganhando milhares, você pode ser um médico ganhando sei lá quanto,
21:42que você nunca vai humilhar ninguém, porque você sabe a importância de cada um dentro da nossa sociedade.
21:48Enquanto essas pessoas que já se perderam, elas podem retornar, infelizmente algumas, através dos processos que o doutor Lucas fala.
21:57Então, às vezes, a pena é para a gente repensar.
22:00E eu acho que tem que ser feito, tá, Roberto?
22:02Não pode passar a pena.
22:03Porque só assim que a gente consegue, né, a gente está aqui mostrando casos justamente para mostrar, ah, não vai
22:08dar em nada.
22:09Não, tem que dar.
22:11Tem que dar.
22:12Porque é só assim que a gente consegue mudar a mentalidade dessas pessoas.
22:15Infelizmente.
22:16E de quem também pensa igual, para quem também está no mesmo caminho.
22:20A gente fala muito dentro da psicologia jurídica que a pena, ela tem três funções, né?
22:27Penalizar, prevenir e fazer com que a sociedade repense.
22:31Ó, para finalizar, a gente tem aqui um comentário no nosso Facebook, vários comentários.
22:36Inclusive, esse assunto rendeu aqui com os nossos telespectadores.
22:39As pessoas estão, assim, se solidarizando.
22:42Como que pode, né, ter um ser humano que é capaz de humilhar o outro em um pior momento ainda,
22:48né?
22:48No momento de trabalho.
22:50Então, você está garantindo o pão, né?
22:52Através do seu suor, garantindo o pão da sua família, o sustento.
22:56E os nossos telespectadores estão se solidarizando.
22:58Quando a Maricilda Borges fala falta de empatia no ser humano, falta de vestir a camisa um do outro, muito
23:03triste.
23:04Infelizmente, é muito ódio no coração.
23:06Gente, obrigada pela participação de vocês.
23:09Uma boa tarde.
23:09Obrigada, doutor Lucas Kaiser também, que participou com a gente, mostrando que isso é crime, sim.
23:16Obrigada, viu, doutor? Uma boa tarde.

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