- há 1 dia
Existem tipos de conjuntivite e cuidados são necessários para que não haja transmissão entre crianças. A oftalmologista Klicia Molina alerta sobre a diferença entre elas.
Categoria
🗞
NotíciasTranscrição
00:00O inferno tá aí, tá friozinho nessa época do ano, várias doenças tiram o sossego dos pais.
00:06Entre elas, a conjuntivite, minha gente, a criança dormiu bem e no outro dia já acorda com os olhinhos bem
00:15vermelhinhos, lacrimejando.
00:17E aí, presta atenção, como a conjuntivite viral é altamente contagiosa, a primeira coisa é não mandar pra creche ou
00:26pra escola, viu?
00:27E aí, a gente deve rapidamente procurar um médico pra tratar da forma correta.
00:31Ai, que dó, né? Quando a gente olha essa foto.
00:33Vamos falar sobre esse assunto?
00:35É o assunto do nosso quadro E aí, doutor, manda pra gente suas dúvidas, suas perguntas, que é aqui no
00:40nosso estúdio.
00:41Eu recebo a doutora Clícia Molina, ela é oftalmologista.
00:45Muito obrigada, doutora, pela sua participação.
00:47Obrigada pelo convite, é sempre um prazer estar aqui.
00:49Fique à vontade, viu?
00:51E a gente também recebe aqui a Ana Cláudia Vander, que ela passou um aperto semana passada com o filhinho
00:57dela de 4 anos.
00:58É um bebê, né, mãe?
00:59Ai, gente, 4 aninhos, imagina, acordou com o conjuntivite, foi isso?
01:03Simplesmente.
01:04Boa tarde, pessoal.
01:05Boa tarde, seja bem-vinda, mãe.
01:07Mais uma vez, obrigada pelo convite, tá?
01:10Sim, dormiu, acordou já com o olhinho, enjoadinho, falou, mãe, tá coçando o meu olho.
01:15E assim, não vai pra creche, né, já manda, eu já sei também, já tem 4 filhos, então já sei.
01:21Já sabe o processo.
01:22O processo, não, mandei pra escola e fui lá ao médico.
01:26Aí ele passou um sorinho só pra ir lavando, lavando.
01:29Mas o que você percebeu nos olhinhos dele?
01:31Muito vermelhinho e, como eu posso dizer, é uma...
01:37É tipo um...
01:37Um excesso de remela.
01:39Isso, colando mesmo, assim, os cílios dele colando mesmo, assim, no outro.
01:43E ele ficou uma semana, gente, assim.
01:46Uma semana.
01:47Eu achei muito tempo, entendeu?
01:48Em vista dos outros que aconteceram.
01:50E esse aspecto físico interferiu até mesmo no comportamento dele?
01:53Ele ficou enjoadinho.
01:54Muito enjoadinho, enjoadinho demais.
01:55Ai, gente, a gente sofre, né, com os nossos pequenos.
01:58Clicia, por que que chega nessa época do ano mais uma doença aí pra gente juntar no pacote?
02:04Por que que...
02:05O que que explica esse aumento dos casos de conjuntivite, doutora?
02:08Então, você falou muito bem, Roberta.
02:10O pacote, né, geralmente a conjuntivite, ela tá associada às outras infecções de
02:16via aérea superior.
02:17Então, é a gripe.
02:18O vírus que tá mais frequentemente causando conjuntivite no momento é o mesmo vírus que
02:22tá causando a gripe.
02:23Então, é o adenovírus, né?
02:25E é por isso que tá tudo associado nessa região, nesse período do ano, né?
02:29O ambiente fica fechado também, né?
02:31A gente tende a ficar mais aglomerado, tá friozinho, a gente abre menos, né?
02:35E outro fator também é a umidade relativa do ar, tá baixa.
02:39Então, o olho da gente fica mais ressecado.
02:41Estando ressecado, ele não tem a lubrificação na superfície que protege.
02:46Estando ressecado, ele tá mais vulnerável a uma infecção aí, viral, bacteriana.
02:49Então, isso incomoda nós adultos.
02:50Imagina os pequenos que não sabem nem o que tá acontecendo ainda com eles.
02:54E explica pra gente essa diferença da conjuntivite bacteriana e da viral.
02:59Jó, é muito importante a gente ter isso em mente, porque a forma de transmissão é
03:03diferente, o tratamento também.
03:05Quando a gente pensa numa conjuntivite viral, geralmente está associado com o quadro respiratório,
03:10tá associado os dois olhinhos ao mesmo tempo e sai secreção, mas é uma secreção mais
03:15matinal.
03:16Não é aquela coisa que fica saindo muita secreção amarelada ao longo do dia.
03:20Essa coisa de secreção amarelada ao longo do dia já faz a gente pensar mais numa causa
03:24bacteriana.
03:25E aí a gente tem que entrar com antibiótico pra tratar.
03:28Foi diferente do caso do seu neném, que provavelmente foi viral, né?
03:32E aí, eu até tô me recordando, você tá me fazendo lembrar que então, dias atrás,
03:37o meu pequeno também acordou com os olhos todos coladinhos, um coladinho com o outro.
03:42E aí no dia eu fui e falei assim, nem pensar em ir pra creche, fica em casa, quem tem
03:46rede
03:46de apoio, né, pode contar com isso.
03:48Nem pensar em ir pra creche, porque o medo é esse.
03:51A viral também pode ser contagia.
03:54A viral é mais do que a bacteriana.
03:57A bacteriana, a transmissão, ela se dá através de mãos, né?
04:00Que é o grande vilão da gente estar aqui.
04:02Tem que lavar a mão, tem que passar álcool em gel, tem que ter cuidado com as nossas
04:05mãos, porque ela é o principal vetor, né?
04:07Então, por exemplo, eu tô com conjuntivite.
04:09Eu encosto a minha mão no meu olho e minha mão está contaminada.
04:12Aí eu encosto na maçaneta da porta, a maçaneta da porta está contaminada.
04:16Uma criança vem ali, pega, a mão está contaminada.
04:19Vai pro olho.
04:19É uma contaminação através de um vetor, a bacteriana.
04:22A viral não, o vírus está aqui.
04:24Então, se a gente está aglomerado no ambiente fechato, a viral ela vai transmitir.
04:28Por isso que em creche a criança pega a gripe, o resfriado do outro e a conjuntivite também.
04:33E esses casos podem ser graves, né?
04:35Tem casos de criança, não sei se o termo é esse, é fazer raspagem, chega a esse ponto?
04:39Sim, essa conjuntivite adeno viral, que é a que tá, que a gente tá tendo um surto,
04:44atendi hoje dois pacientezinhos, o que que acontece?
04:47Ela forma uma coisa chamada membrana ou pseudomembrana na conjuntiva, que é na parte de dentro da pálpebra.
04:53E a gente precisa fazer a remoção, que é o que o pessoal fala que é uma raspagem.
04:57É um processo delicado e pra fazer isso em uma criança é muito traumatizante, às vezes, pra criança.
05:04Pro adulto é ruim, você imagina pra criança.
05:06Então, vamos prevenir, gente, não vamos deixar chegar a esse ponto.
05:09Na sua casa chegou a esse ponto, que o seu pequeno é de quatro anos?
05:12Graças a Deus.
05:12Graças a Deus, e tem, eu tenho menor que ele, de dois anos, eu fiquei super preocupada, né?
05:18De um passar pro outro, mas como que fica, faz isso dentro de casa?
05:23É a pergunta que não quer calar.
05:25Os pais já ficam com medo, ele vai, eu vou pegar, o marido vai pegar, o irmão vai pegar.
05:29Como é que a gente dentro de casa também, atitudes simples, podem ajudar, então, nessa prevenção?
05:35Eu entendo que é complicado, eu também tenho três filhos, manter um separado,
05:39do outro, é um processo delicado, mas que a gente tem que se esforçar pra fazer o que
05:42a gente pode, né?
05:43Dormir em ambientes separados já é um começo, deixar a porta do quarto aberto, não ligar
05:48o ar, não fechar o ambiente, se puder deixar uma janela aberta, deixar esse ar, modificar,
05:54não manter o mesmo ar dentro do ambiente.
05:56E objetos, né?
05:58Amofada, travesseiro, cobertor, tudo de forma bem individual, toalha de rosto, pra que não
06:04seja transmitido através desses objetos.
06:05O banho junto das crianças, então, nem pensar, né, doutora?
06:08Nessa época, não.
06:08Sabe quando vem a renca no banheiro, só nem pensar.
06:11Lá em casa eu faço muito isso.
06:12Vamos lá, agora, sequencial, não dá, não dá.
06:15A gente tem que deixar um pouquinho mais isolado pra proteger os outros.
06:18A gente se pergunta também da quantidade de tempo, né?
06:22Ela falou ali que o filho dela ficou sete dias, não é isso?
06:25Você ficou cuidando dele, Ana Cláudia?
06:26Ficou cuidando dele sete dias e eu não mandei pra escola.
06:29Sete dias sem estudar?
06:30Sem estudar.
06:31É isso mesmo?
06:32É esse tempo todo?
06:33É difícil, né?
06:34Três, cinco a sete dias do início dos sintomas é o período de maior transmissibilidade
06:40das conjuntivites como uma média.
06:42Mas dependendo da resposta de cada organismo, essa reação inflamatória vai ser mais exacerbada
06:47e a replicação viral maior, então a transmissibilidade maior também.
06:51Então, o meu conselho é, olho tá remelando, tá vermelho, tá sentindo que tá esquisito,
06:55a criança acordou, já leva o no oftalmologista por dois motivos.
06:59Primeiro, identificar essa transmissibilidade e segundo, o tratamento precoce.
07:04O tratamento adequado precoce, ele evita essa formação dessas membranas,
07:07essa necessidade dessa raspagem.
07:10Então, a dica de ouro, assim, acho que seria essa.
07:12Uma vez a gente ouviu uma história, quando eu já tive conjuntivite,
07:16de que o período de contágio, ele é menor do que o que dura mesmo a doença.
07:22Isso, exatamente. É sobre isso que eu tô falando.
07:23Quando eu falo período de transmissibilidade, eu quero dizer o período em que é contagioso,
07:28em que você põe em risco outras pessoas.
07:30É de três a cinco pra maioria das conjuntivites.
07:34Perfeito, doutora. Vamos fazer o seguinte, vamos convidar mais uma mãe aqui
07:37pra esse bate-papo, a Priscila.
07:39Olha só, o filhinho dela, gente, também teve conjuntivite e voltou essa semana pra escola.
07:45Ela vai contar pra gente como é que foram esses dias aí na sua casa.
07:48Priscila, boa tarde.
07:50Boa tarde, gente.
07:53Boa tarde, irmã.
07:55Ah, então, peraí.
07:57Um sobrinho passou pro outro, um priminho passou pro outro.
08:00Estudamos juntos.
08:02Ah, tá vendo? Estudamos juntos.
08:04Olha aí, tá vendo? É desse jeito que acontece.
08:06Começa na família e depois vai só se espalhando, não é isso, Priscila?
08:11Justamente.
08:13O Samuel chegou da escola normal, na sexta-feira, e no sábado de manhã já cortou com o olho todo
08:20grudado.
08:22Aí, a primeira ação que fizemos foi levar o pro atendimento.
08:26Aí, lá, o médico já examinou de cara, porque já é um surto, né, na verdade.
08:31E a escola também, ela teve um cuidado muito grande de notificar os pais em relação a esse surto de
08:38conjuntivismo na escola, né?
08:41Tá me ouvindo?
08:42Tô, perfeitamente.
08:43Eu tô aqui, ó, vendo a imagem de vocês abrindo o olhinho dele, tudo vermelhinho, dói na gente, né?
08:49E aí, o que você fez?
08:50Pra você também, o seu marido.
08:52Eu vi que ele tem irmão também, não é isso?
08:55Pra que ninguém pegasse ou pegaram.
08:57Não, ele tem irmão, na verdade, nós estamos só nós três, não tem marido, não.
09:01Ah, tá.
09:02E o que você fez aí nessa casa pra não continuar, então, essa fase do contágio?
09:07Ele ficou, não tem como, eu não consigo ficar longe dele, né?
09:10Mas o irmão tentou evitar um pouco, porque o irmão também estuda, né?
09:14O irmão já é mais velho, né?
09:16Fica o dia todo fora de casa, trabalha mais estágio.
09:18E no caso do Samuel, ficou eu e ele mesmo.
09:21Como eu sou mãe sola, tenho que trabalhar, foi bem complicado, né?
09:25Sem rede de apoio, né?
09:26A minha irmã é minha rede de apoio que tá aí com vocês, mas ela também, na mesma situação, foi
09:30bem complicado.
09:32Mas, deu tudo certo, graças a Deus, ele voltou à escola.
09:35A escola tem um cuidado muito grande em relação a isso.
09:38Qualquer coisa, se a criança ter febre, uma gripezinha, eles não liberam em casa da criança, só contra a sessão
09:44médica, né?
09:45Aí o médico autorizou, já tá a rotina normal já, graças a Deus.
09:49Graças a Deus, é muito importante.
09:50Aí você me fez pensar aqui em alguns mitos ou verdades que eu quero tirar essa dúvida com a doutora
09:56Clícia.
09:57Tem gente que fala assim, ah, usa óculos escuro dentro de casa.
09:59Isso ajuda, doutora, pra evitar o contato no olho?
10:03De certa forma, é uma barreira mecânica.
10:05Então, a pessoa sentiu aquela agonia, vai levar a mão no olho e o óculos não deixa.
10:09Então, não vai contaminar a mão, que vai contaminar outros objetos e que pode contaminar outras pessoas.
10:14Então, de certa forma, sim, tem um embasamento nisso, né?
10:17Outro mito ou verdade, tem gente que tem na porta da geladeira um vidrinho de água, soro fisiológico, é, isso
10:25daí, soro fisiológico.
10:26E aí faz a compressinha com algodão, isso ajuda também?
10:30Isso ajuda, o que for gelado, ele vai vasocontrair, então ele reduz a inflamação ali no local, reduz os sintomas.
10:38Então, dá uma aliviada, principalmente nessa coisa de coçar, quando a criança é pequena e que vai ficar agoniada com
10:43aquilo.
10:43Porque a gente fica, é ruim mesmo, né?
10:46Mas automedicar com colírio é um perigo?
10:49Aí é um perigo, porque às vezes a gente pega um tipo de conjuntivite, converte em outro e converte em
10:53uma grande complicação.
10:55Pode piorar, então.
10:56Então, essa pessoa que tem um vidrinho de colírio na bolsinha do remédio em casa e fala, ah, vem cá
11:01que eu já tenho remédio.
11:03Isso pode piorar o quadro?
11:05Eu já peguei vários casos, mascarados, que a gente chama, porque começou a usar um determinado colírio que não era
11:10necessariamente o mais apropriado e o quadro foi se complicando.
11:13E quando chega pra gente, a gente tem sinais que indicam a causa.
11:17E esses sinais estão mascarados pelo uso de uma medicação prévia inadequada, entendeu?
11:21Então fica mais difícil pra gente identificar a causa e colocar o tratamento mais recomendado.
11:26Agora, doutora, aquela sensação de areia no olho, essa é a conjuntivite viral ou a bacteriana? Ou as duas?
11:35Eu queria falar um especificamente, mas pode ser as duas.
11:38E geralmente quando tem essa sensação de arranhamento, é porque tem o comprometimento da córnea também, não só da conjuntiva.
11:44Então é uma ceratoconjuntivite, é um quadro que precisa ter um pouquinho mais de atenção.
11:48Conjuntivite com muita sensibilidade à luz e com muita sensação de areia nos olhos, aí mais um motivo pra procurar
11:54oftalmo.
11:54Então, gente, olha, por isso que a gente tá aqui fazendo esse alerta, tem o viral, tem o bacteriana, você
12:00não tem conhecimento delas.
12:03Procure o oftalmologista pra fazer o tratamento adequado, tá? Não sai pingando colírio aí no olho, não.
12:09Hoje tá tudo bem em casa já, mãe?
12:11Ai, tudo perfeito. Graças a Deus. Vamos na escola.
12:14Na casa da Priscila também? Já tá tudo bem, Priscila?
12:17Bem, graças a Deus. Importante que ele não acorda mais com dor nos olhos.
12:21Eu queria até fazer uma pergunta pra doutora. Por que eles acordam com tanta dor, incomodação e abrirem os olhos
12:27pela manhã?
12:27É difícil, hein, mãe?
12:29É difícil, porque tá tudo coladinho.
12:31Então, quando você abre a pálpebra, você acaba desepitalizando, levando junto aqui na região superior da pálpebra, células epiteliais da
12:38córnea.
12:38Faz a ceratite que eu tô falando que é a que incomoda mais.
12:41Uma dica pro pessoal de casa, antes de conseguir consulta oftalmológica, o que pode fazer e deve é lavar o
12:47olho com soro fisiológico.
12:49Quanto mais não deixar secreção acumulada. Sempre remover essa secreção.
12:53Agora, eu perguntei se tá tudo bem na casa da Priscila, ela falou que agora já tá todo mundo curado.
12:57A Ana Cláudia também falou que pra gente tá tudo certo.
13:00Mas pode pegar de novo, ainda nesse mesmo período?
13:03Oi!
13:03Ai, meu Deus, pode.
13:06Mas a gente vai adquirindo determinada imunidade, por exemplo, eu não pego mais nada na minha vida.
13:10De tanta conjuntivite que eu já atendi, é muito difícil eu manifestar, né, porque eu já tenho essa imunidade.
13:15Mas em algum momento, se o organismo da gente reducia a defesa, aí a gente pode manifestar, sim, os sintomas
13:20e a inflamação ocular.
13:22Ou seja, tem que continuar tendo todos os cuidados, viu?
13:25Tem.