- há 3 semanas
O Formulário Nacional de Avaliação de Risco, desenvolvido pelo Conselho Nacional de Justiça e pelo Conselho Nacional do Ministério Público aponto que mulheres grávidas ou com filhos pequenos têm maiores chances de enfrentar violência doméstica. No estúdio, a psicóloga Luciane Infantini, advogada Kamilla Dias e a confeiteira Libna de Barros contam os perigos que as mulheres passam diariamente.
Categoria
🗞
NotíciasTranscrição
00:00Quem é que tem coragem de bater em uma mulher, ainda mais quando ela está grávida?
00:05Isso é um absurdo, mas infelizmente acontece com mais frequência do que a gente imagina.
00:12Esse é o nosso assunto de hoje aqui no estúdio e eu recebo a Luciene Infantini, que é psicóloga,
00:19a Camila Dias, que é advogada e a Libna de Barros, que é confeiteira.
00:26E a Libna teve a generosidade de vir até aqui para poder compartilhar a própria história,
00:31até como uma forma, não é Libna, de incentivar outras mulheres que porventura estejam numa situação como essa,
00:38atenção você que está assistindo a gente, a sair disso e evitar que algo pior aconteça.
00:44Libna, boa tarde para você. Eu queria começar que você contasse sua história para a gente.
00:50Boa tarde, Lucas. Boa tarde, Espírito Santo.
00:54Gente, eu vou falar uma coisa para vocês, eu já vim aqui muitas vezes falar sobre esse assunto,
00:59mas hoje eu fiquei bem emocionada com o caso das meninas, porque é como se eu tivesse voltado
01:07lá no que aconteceu comigo, porque foi praticamente isso.
01:12Graças a Deus eu nunca cheguei a ficar hospitalizada, mas assim, a violência contra a mulher,
01:18o que eu sofri foi, é o que eu vejo e eu dou muito graças a Deus que eu ainda
01:24estou aqui, né?
01:25Eu tive esse relacionamento com 15 para 14 anos, foi quando eu engravidei e as agressões começaram com menos de
01:33um ano de relacionamento.
01:35Eu já tinha meu filho, meu primeiro filho, e quando ele tinha seis meses eu fui agredida pela primeira vez,
01:42assim, de ficar três meses trancada dentro de casa, porque o estado que ficou o meu rosto foi muito debilitado.
01:50Pocou meu suspensílio, a minha boca inchou, eu fiquei irreconhecível.
01:54E ele se ajoelhou, me pediu perdão, como ele sempre faz, como ele sempre, todos os homens que fazem essa
02:03violência doméstica,
02:05eles pedem perdão, falam que se arrepende, que nunca mais vai acontecer, que ama, choram, ajoelhado nos seus pés.
02:11E eu chorei junto e falei que vou ficar porque você é o amor da minha vida, mas não é
02:16assim.
02:17E foi só a primeira de várias agressões.
02:20E depois eu ainda continuei, fiquei grávida do meu segundo filho depois de quatro anos e meio.
02:26E aí eu pensei comigo, agora que eu estou grávida, ele não vai me bater mais, porque ele já tem
02:33um filho, né?
02:34A gente já tem um filho, agora nós vamos ter outro filho.
02:37Mas engano meu, ele me bateu, eu grávida do meu filho, meu segundo filho.
02:42E foram assim, como se eu não estivesse grávida.
02:45E eu falava, eu estou grávida, a mãe dele falava, olha a criança, olha a criança.
02:48E é como se a pessoa estivesse assim, ele estivesse batendo em um homem.
02:52Não é a esposa, não é a mãe do filho, não é a mulher que precisa de ajuda, não é
02:57nada.
02:58Ele não tem, o homem quando ele faz essa violência, não mais que ele não tem um pingo de respeito
03:03por ninguém.
03:04Porque se ele não tem respeito, eu me senti assim, né?
03:07Ele não teve respeito por mim, que estava carregando um filho.
03:10A mãe do filho dele, é igual a menina falou, é a mulher que cozinha, que passa, que quando está
03:16se sentindo triste, que dá uma palavra.
03:19Não tem respeito por esta pessoa, né?
03:22Eu já estava querendo sair do relacionamento.
03:24Então aí foi o pico, eu falei, não é para mim esse relacionamento.
03:27Eu não mereço isso.
03:29E graças a Deus você saiu dessa, né?
03:31Saí, graças a Deus.
03:32Camila, você viu que a Libna disse que perdoava o companheiro porque era o amor da vida dela, ela achava
03:39isso.
03:40E depois o marido, o companheiro pede perdão.
03:43Isso parece ser algo comum entre agressores.
03:47E acontece em casos em que a mulher acaba retirando uma queixa e aí não acontece nada com esse companheiro,
03:55não é?
03:55Boa tarde.
03:56Boa tarde.
03:58Infelizmente, né, são casos que estão cada vez mais recorrentes.
04:02O índice não está diminuindo.
04:04Então, a gente, essas pautas são sempre muito relevantes, né?
04:08Agradecer seu depoimento.
04:10Quanto às denúncias, ainda que a mulher, ela retire, o processo atualmente, ele prossegue.
04:20Então, já se tornou, né?
04:23Antes, poderia retirar e ali encerrava o caso.
04:26Agora o Ministério Público, ele dá seguimento.
04:29Então, precisa chamar essa vítima depois em uma audiência para poder estar relatando os fatos e poder ver, né, como
04:38vai suceder o crime em si, né?
04:40Averiguar tudo.
04:42Mas é importante que seja feita essa denúncia, né?
04:46Igual o caso da gestante que está hospitalizada agora, não me parece que ela havia sido, havia denunciado, não sei
04:53nem as agressões anteriores.
04:54Para que a gente tente aí diminuir essa...
04:58Quando ele tem que fazer, ele vai fazer, né?
05:00A gente pensa assim, ah, mas se eu denunciar não vai adiantar nada.
05:03A gente não sabe, porque não foi o caso, né?
05:05Então, criar forças aí, buscar esperança em casos como esse de não chegar até as vítimas que estão nos assistindo.
05:14A Libna falou no depoimento dela, Luciane, que imaginava que por ela estar grávida, o companheiro que já a agredia
05:23pararia de cometer essas agressões.
05:27No momento em que a mulher está mais vulnerável, gestante, né, esperando um filho, como é que fica a mente
05:35dessa mulher?
05:36Boa tarde.
05:37Boa tarde, Lucas, boa tarde.
05:39A mulher, ela tem, né, uma condição na gravidez de extrema fragilidade física e emocional.
05:46Então, é perfeitamente normal que a mulher não pense que o homem vai ter essa coragem, né?
05:54Que é uma agressão contra ela e contra uma criança completamente indefesa.
06:00Então, é de fato inimaginável, né?
06:02A gente vem aqui no quadro, às vezes fala de violência doméstica, mas imaginar violência doméstica ainda contra uma mulher
06:11grávida é uma coisa extremamente covarde.
06:14É covarde, acho que não tem outra palavra, né?
06:16A primeira preocupação da gestante é proteger o filho, é instintivo.
06:21Existe algum estudo que indique que essa agressão possa prejudicar de alguma forma o feto?
06:27Sim, com certeza.
06:28Tanto que, né, nos casos que a gente vê, a maioria acaba abortando mesmo, né?
06:32Porque é uma agressão extrema ali.
06:35Não adianta proteger o físico, porque as lesões que a mulher vai ter, né,
06:42ela vai acabar afetando internamente essa, vamos dizer assim, essa criança,
06:48porque a criança está ligada ali à mãe via cordão umbilical.
06:51Então, tudo que está se passando com a mãe está passando também com a criança.
06:54Então, não é só o trauma físico aqui, entende, Lucas?
06:56É tudo que está acontecendo com ela que vai acabar, né, sendo também repassado aí para essa criança
07:04em termos de substâncias neuroquímicas, né, que elas estão conectadas ali.
07:10Então, é muito, assim, como eu disse, né, é muito covarde da parte de um homem fazer isso.
07:15E muitos telespectadores que estão acompanhando a gente pelas redes sociais também acompanham esse nosso pensamento.
07:22A Marina Penicha diz que uma pessoa que faz isso não pode ser considerado gente,
07:27não pode ser considerado ser humano.
07:29O Gilberto Marcelino afirmou que homem que bate mulher deve permanecer trancado,
07:36porque nada justifica.
07:38É muito triste ouvir uma mulher passar por isso calada,
07:43agir por amor e receber só a agressão do parceiro, principalmente grávida.
07:49Era isso que você passava, né, Libna?
07:51Era, eu estou bem emocionada.
07:56É porque é o filho da gente, né?
08:01Meu filho hoje tem 20 anos, né, o que aconteceu, a agressão com ele, hoje ele tem 20 anos.
08:06Meu filho é maravilhoso.
08:09Meu filho é perfeito, eu tinha muito medo de, devido às agressões, ele nascer com algum problema, não nasceu.
08:15Eu senti, eu passei muita, muita tristeza na gravidez dele.
08:20Eu fiquei muito triste devido a essas coisas.
08:24É aquele mix de sentimento já da gravidez e viver todas aquelas agressões, gente,
08:30porque não era verbal, nem ninguém separava, não.
08:35Então, ele me batia de porrada, como se ele estivesse batendo em um homem.
08:40E eu grávida, e eu tinha muito medo, porque o meu filho, ele mexia muito dentro da minha barriga, né?
08:46Eu estava passando toda aquela emoção para ele.
08:49E quando acabava as agressões, né,
08:53a mulher que fica ali com aquele sentimento,
08:56por que que isso está acontecendo comigo?
08:58Por que que o meu filho, e ele batia na frente do outra criança?
09:03Que eu já tinha uma criança, né, meu filho tinha 4 anos, e ele me batia na frente da criança.
09:09Então, era o meu filho que estava dentro da minha barriga,
09:12e o outro que via várias vezes ele me batendo, assim, de perto.
09:17Meu filho chorando e ele perto.
09:20E você se pergunta por que que...
09:23E eu tenho certeza que todas as meninas que estão passando por isso que eu passei,
09:27elas se perguntam a mesma coisa.
09:28Por que que eu estou passando isso?
09:30Eu só amo ele, eu só queria ter uma família, eu só queria ser feliz.
09:33Mas não adianta você ficar nesse relacionamento,
09:36porque não vai, ele não vai mudar.
09:38Ele não vai mudar.
09:40É daqui para pior.
09:41Se você não quiser ser estatística, se você não quiser sofrer um feminicídio,
09:46se você não quiser continuar, criar o seu filho na semente,
09:50essa é a hora de você sair.
09:52Eu estou te dando o depoimento, porque eu passei por isso.
09:55É isso.
09:55Não é aquele caso assim, ah, não, é de quase matar,
09:58de a pessoa olhar para a minha cara e falar, bem assim, eu vou te matar.
10:01Se o homem tem a coragem de agredir a mulher numa posição tão vulnerável...
10:06Sai fora, não é um relacionamento para você.
10:08Você não merece esse relacionamento.
10:10Procura uma ajuda, procura ajuda, uma ajuda psicológica.
10:14O problema não é seu, o problema é psicológico dele.
10:17Então, se ele não quer se tratar para melhorar o relacionamento,
10:20saia desse relacionamento, enquanto você tem vida e você tem chance,
10:23porque o caixão é certo nesse relacionamento.
10:27Olha, tem alguns casos que aconteceram aqui no Espírito Santo.
10:30No começo desse mês, nós mostramos aqui na TV Vitória,
10:33o caso do homem que agrediu a namorada de apenas 15 anos.
10:37A adolescente está grávida de três meses.
10:41Além de agredir a menina, o namorado ainda colocou fogo no barraco em que viviam.
10:47As chamas consumiram em questão de minutos.
10:50Familiares e vizinhos registraram o momento em que a moradia praticamente se desfez em meio ao fogo.
10:57E sabe por que esse homem fez isso?
10:59Porque ele queria vender a botija de gás para comprar bebida e a adolescente não deixou.
11:08São casos muito fortes e reais e a gente precisa falar aqui para acender um alerta para você.
11:15Eu queria perguntar, Luciane, como identificar um relacionamento tóxico desde o início para que essas coisas não aconteçam?
11:23É uma ótima pergunta, porque na maioria das vezes eles começam com muita sedução, com muito carinho.
11:31E aos poucos que eles vão se mostrando.
11:34Eu acho que uma das coisas que deve ter acontecido com você, Libna,
11:39foi deles começarem a minar suas relações sociais, para cortar as redes de apoio, para você não pedir ajuda.
11:45Então, começa a minar as redes sociais, aquela amiga sua, não sei muito bem, a sua mãe, e começa a
11:50fazer com que ele tenha o total poder sobre ela.
11:54Um segundo passo também é a violência psicológica ou o terror psicológico.
11:58Olha, ninguém vai te amar como eu.
12:00Você já está ficando velha, você não é tão bonita assim, não sei o quê.
12:04Então, vai acabando com o psicológico da pessoa, a fim de criar ali uma dependência e uma situação em que
12:10a pessoa fique refém.
12:12E aí, por fim, vem a agressão física.
12:14Então, se você já começa a identificar alguns passos, assim, do que eu estou falando, é bom ligar aí o
12:22alerta, né?
12:23Tem mais casos, gente.
12:24Há um mês, um jovem de 21 anos deu socos na cabeça da companheira e ainda por cima, jogou a
12:32vítima no chão.
12:33Ela também estava grávida.
12:35A vítima disse que estava com um companheiro em um bar no bairro Marcílio de Noronha, no município de Viana.
12:42Quando, de repente, os dois se desentenderam no bar.
12:46Só que, nesse desentendimento, ele deu diversos socos na cabeça dela.
12:51E, em determinado momento, até jogou a adolescente de 16 anos grávida no chão.
12:58Quando essas situações acontecem, Camila, em locais públicos, as pessoas devem denunciar, chamar a polícia.
13:07Existe aquele ditado antigo de que não se mete no marido e mulher.
13:12Briga de marido e mulher não se mete a colher.
13:14Mas, no âmbito da justiça, tem que meter a colher mesmo, né?
13:18Agora a gente está metendo tudo.
13:19Colher, panela, o que tiver na frente.
13:23Essa tem sido, Lucas, uma vertente para diminuir os casos e para prevenir o feminicídio, muitas vezes.
13:32Porque, em grande parte dessas vezes, a vítima, assim como no caso das mulheres que a gente passou aí,
13:38elas não têm essa coragem ainda, não conseguem ter voz suficiente, muitas vezes, força emocional para sair dessas relações.
13:45Então, na hora que acontece essa cena de agressão, quem estiver próximo pode fazer isso por elas.
13:50Então, ah, ok, que vai voltar, não se importe com isso, que vai retornar para esse ciclo.
13:55Mas, naquele momento, evita-se um crime bárbaro, né?
14:00Um feminicídio pode estar sendo prevenido através da sua denúncia.
14:04Através de ligar para o 90 para correr ali, sentir o que vai acontecer, ele ameaçou.
14:09Você vê que a família da moça que está gestante sabia também dessas agressões, né?
14:13Então, assim, fico alerta para quem está por perto, vizinhos, parentes, amigos, denunciem.
14:19Nós temos voz para isso e fazer isso através da justiça, né?
14:24Pedir por essa ajuda para essas mulheres e torcer para que elas rompam esse ciclo.
14:30Estar sempre por perto, sempre fornecendo ajuda.
14:32Se tiver criança, como é o caso de muitos, a maioria dos casos de crime contra as mulheres,
14:38tem crianças, filhos dos próprios agressores, está retirando do local, auxiliando nesse sentido.
14:43Para que menos malefícios cheguem a todo esse entorno familiar.
14:48Existe um levantamento do Conselho Nacional de Justiça e do Conselho Nacional do Ministério Público
14:53que afirma que mulheres grávidas ou com filhos pequenos têm maiores chances de enfrentar violência doméstica.
15:01Em Libna, nós mostramos dois casos de duas meninas muito jovens, de 15 e 16 anos, grávidas.
15:07Você acha, pela sua experiência, que a mulher, quando ela é mais jovem, ela fica mais suscetível a um relacionamento
15:13abusivo?
15:15Olha, Lucas, o primeiro caso que você mostrou agora, do rapaz que colocou fogo, eu assisti a essa matéria e
15:26eu até falei assim,
15:27gente, 15 anos e foi a mesma idade que eu comecei a sofrer a violência doméstica.
15:36Por trás disso tudo, existe uma dependência emocional que eu também tinha.
15:43Hoje eu consigo ver por quê.
15:45Porque eu sabia que aquele meio não era o meu, sabia que aquele relacionamento não era para mim,
15:51não era a vida que eu queria e não era a vida que eu ia ter.
15:54Então, eu consegui sair e consegui tratar esse emocional.
15:58Mas a maioria das meninas, quanto mais nova, mais dependente.
16:03Por quê?
16:04Porque com certeza existe alguma coisa na família que está deixando aquela menina vulnerável.
16:12E ela vai ficar vulnerável e ela vai achar que o primeiro amor, o primeiro homem que ela encontrar,
16:18vai suprir tudo aquilo que está no emocional dela.
16:21Então, quanto mais nova, sim, ela vai ter essa predisposição para pessoas que fingem ser uma coisa e depois outra.
16:30Mas se ela não tratar e não quebrar o círculo, ela vai ficando mais velha e isso vai ficando mais
16:37difícil de resolver.
16:38É igual eu estava conversando com elas, eu tomei uma decisão depois desse relacionamento.
16:41Eu falei para mim mesma, quando eu me separei eu tinha 20 anos, 21.
16:46E eu falei para mim, eu nunca mais vou ter um relacionamento como esse.
16:50Eu não quero me relacionar mais com pessoas como essa que eu acabei de deixar.
16:54E eu nunca mais tive pessoas como essa na minha vida.
16:59É igual a doutora falou.
17:02Existem gatilhos que você já começa a identificar.
17:06Ele fez com que eu me afastasse da minha melhor amiga.
17:09Depois eu ainda fui morar em Rondônia com ele, com a família dele.
17:13Então, não tinha ninguém para me ajudar, era eu e eu.
17:16Por isso que eu falo muitas vezes, eu já vi realmente a morte passar.
17:20Eu dormi com ele e ficar a noite toda acordada com medo de dormir e ele me matar durante a
17:25noite e eu acordar morta.
17:28E eu falar, hoje é a última noite que eu durmo e eu sei que amanhã ele vai me matar.
17:31Então, assim, são coisas que os adolescentes têm que identificar isso, principalmente a menina, já no âmbito familiar.
17:39Senão, ela vai colocar isso para frente, igual eu coloquei, e vai cair numa dependência emocional de uma pessoa que
17:45não vale a pena.
17:46Olha, tem mais um caso de uma mulher de 40 anos que estava grávida de 6 meses e apanhou do
17:52marido.
17:53Isso aconteceu em Jardim Limoeiro, na Serra, em abril.
17:56Ela pegou conversas do companheiro com outra mulher e foi perguntar o que estava acontecendo.
18:02Irritado, esse homem aí, covarde, partiu para cima dessa mulher e as agressões começaram.
18:09Os vizinhos ouviram os gritos de socorro e chamaram a polícia.
18:13Na delegacia, o agressor disse que foi apenas um desentendimento de família.
18:19É, aquela parte da pessoa entrar na história mesmo, denunciar e chamar a polícia.
18:26Eu queria ler um comentário aqui muito forte da Anabel Pereira dos Reis, e ela disse assim,
18:32Boa tarde, eu tenho um neto de 5 anos que presenciou brigas entre ela e o pai dele.
18:39Hoje, ele fala que quer ser policial para prender o pai.
18:45Luciene, qual o impacto nas crianças disso?
18:49Bom, a gente não consegue mensurar, mas sabe que é extremamente danoso, extremamente negativo.
18:57Então, veja, uma criança crescer querendo prender o pai, querendo fazer justiça, a figura
19:03que deveria amar, proteger, passar um espelho, passar valores, a figura é completamente deturpada.
19:11Então, a gente sabe que tem muito prejuízo para essa criança, né, Lucas?
19:15E, voltando à questão que você falou das meninas mais jovens, é muito comum, por serem imaturas ainda, afetivamente.
19:23Então, quanto mais jovem, mais fácil ser manipulado, né, Lucas?
19:27Tem que estar aí um, vamos dizer assim, redobrar os cuidados com as meninas mais jovens.
19:32É, tem mais um caso, gente.
19:33No bairro Ilha de Santa Maria, uma mulher grávida de 9 meses foi agredida pelo companheiro.
19:399 meses, a mulher foi quem chamou os policiais, gente.
19:43Ela contou aos militares que o marido é usuário de crack e estava pegando alimentos de casa.
19:50São histórias absurdas, você precisa ter estômago para ler, porque...
19:53O companheiro, segundo ela, estava pegando alimento de casa para trocar por drogas.
19:59E aí, quando ela foi questionar o homem de 42 anos, ele ficou nervoso e deu um soco na testa
20:05dela e jogou um pedaço de madeira na perna da mulher.
20:09O suspeito foi detido e levado para o plantão especializado da mulher.
20:15É impressionante o número de casos e como acontece muito mais do que as pessoas imaginam, né?
20:22Eu tenho aqui um comentário da Deide Trancoso, Camila, que ela faz um comentário, assim, que é o que...
20:29Acho que nós, de alguma forma, estamos contribuindo um pouquinho com isso, que diz que as mulheres têm que acabar
20:34com esse ciclo de homens machistas.
20:36Só assim vamos acabar com essa violência contra as mulheres.
20:40Eu costumo falar que a nossa base precisa estar reforçada.
20:45Então, ela foi uma vítima de violência que, graças a Deus, não se tornou um índice de feminicídio.
20:52E tem dois filhos homens, filhos desse agressor.
20:56E que ela quebrando esse ciclo de criação junto com eles, né?
21:00Sendo essa mulher forte e transformando as relações em coisas positivas, os filhos tendem a romper ali aquele ciclo também,
21:08sendo homens saudáveis, de relacionamentos saudáveis.
21:11Então, a começar com as criações dos nossos meninos e das nossas meninas, entendendo o que é uma relação saudável,
21:18sabendo dizer não, sabendo os limites, eu acredito que a gente já diminua de agora para frente muita coisa.
21:25Porque o que ficou para trás, a gente está tentando só consertar, né?
21:28Então, assim, de agora em diante, a gente tem que sempre pensar lá na frente, né?
21:32Porque nessa geração, agora nós estamos tentando acertar aquilo que já foi.
21:37Então, para os próximos, virar essa página.
21:39É o que eu tenho certeza que a Libna está fazendo também com os filhos dela, para criar uma nova
21:45geração, né, Libna?
21:47Menos machista e com mais respeito a todos os seres humanos, independente do que for.
21:53Olha, gente, eu quero agradecer muito.
21:54Teve muitos comentários.
21:56Acho que a gente contribuiu de alguma forma para ajudar a aumentar as denúncias,
22:01a ajudar alguma mulher que esteja passando por essa situação, você que está assistindo aí em casa.
22:04Muito obrigado, Libna, pela generosidade de compartilhar o seu relato e ajudar outras mulheres que estão nessa situação.
22:12Camila Dias também, muito obrigado.
22:13E a psicóloga Luciane Infantini.
22:16Obrigado, gente.
22:16Uma boa tarde para vocês.