- há 5 semanas
Em 2022, foram registradas 1.122 mortes violentas no Espírito Santo, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança pública. A maioria das vítimas foi morta por arma de fogo. Na entrevista é com o professor especialista em segurança pública Rusley Medeiros, a psicóloga Letícia Santana e o Márcio que teve o filho assassinado em 2022.
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NotíciasTranscrição
00:00E foi assinado hoje o novo decreto do governo federal que restringe o acesso de civis a armas e munições
00:07para defesa pessoal.
00:09Entre as medidas, as mais importantes são a que reduz a quantidade de armas e munições que podem ser acessadas
00:16pela população em geral e para defesa pessoal
00:19e também reduzir a validade dos registros de armas de fogo.
00:24Também vai ser criado um programa para recompra de armas que vão passar a ser de uso restrito.
00:31O governo também vai restringir o funcionamento dos clubes de tiro.
00:37No ano passado, foram registradas 1.122 mortes violentas no Espírito Santo, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública
00:472022.
00:48A maioria das vítimas foi morta por arma de fogo, como esses dois que a Sueli acabou de contar para
00:54a gente.
00:55Agora, o que a gente quer saber é como esse decreto pode ajudar a frear os crimes com o uso
01:01de armas de fogo.
01:02Esse é o nosso assunto aqui no nosso estúdio.
01:05Eu recebo aqui no nosso estúdio o professor especialista em segurança pública, Rusley Medeiros, a psicóloga Letícia Santana e o
01:15pastor Márcio da Vitória,
01:18que tem uma história que, infelizmente, é a de tantas outras famílias de vítimas de crimes envolvendo armas de fogo.
01:28Muito boa tarde a todos.
01:31Pastor Márcio, queria que o senhor compartilhasse a história da sua família. O que aconteceu?
01:38Boa tarde, Lucas. Boa tarde a todos que estão acompanhando aqui.
01:42Então, no dia 24 de março de 2022, o meu filho, o Matheus Vinícius, ele foi assassinado ali no Parque
01:49da Bahia de Noroeste, na região de Redenção, o São Pedro ali.
01:54Estava jogando bola.
01:55Exatamente assassinado com tiro de arma de fogo.
01:58Armas essas que estavam na mão de pessoas que não deveriam estar.
02:04E um menino de 20 anos, faria 21 anos no dia 5 de julho, morreu, faleceu no dia 24, cheio
02:13de sonhos, cheio de vida, já estava tendo um processo, caminhando, tendo uma transformação de vida na vida dele.
02:21E foi ceifada por algumas pessoas que estavam fazendo uso dessas armas de fogo.
02:27E aí, eu imagino que ele tinha muitos sonhos, estudava, como era a vida dele?
02:33Sim, sim, ele tinha muitos sonhos.
02:34Inclusive, já até falei algumas vezes aqui.
02:38Inclusive, ele jogava futebol, ele gostava muito de futebol.
02:42E chegou a fazer teste em times profissionais, como em São Paulo, no ano anterior de ter acontecido isso.
02:50Ele fez um teste, passou, porém não voltou para lá.
02:54E estávamos programando exatamente no dia do assassinato dele.
02:59Pela manhã, eu havia ligado para ele, que eu estava trabalhando, fazendo o meu trabalho.
03:05Eu liguei para ele, porque a gente já estava articulando para ele poder ir para os Estados Unidos.
03:10Nós íamos tirar o passaporte dele, ele iria terminar os estudos dele, voltar a estudar, terminar os estudos dele.
03:18Iria tentar um concurso público, já estava no pensamento dele, fazer uma prova para a polícia militar, caso não conseguisse
03:26ir para os Estados Unidos.
03:27Um menino cheio de sonho, me ajudava no projeto social que a gente tem, caso de recuperação de dependentes químicos.
03:35Então, assim, cheio de sonhos, cheio de vida.
03:37Um menino que lutava para levar os jovens para a igreja, para tirar os jovens das drogas.
03:44Ele pregava, inclusive os mesmos que tiraram a vida dele, supostamente, se diziam ser amigos dele.
03:51E ele tentava levar esses meninos para a igreja.
03:54Um deles, no domingo anterior, almoçou na minha casa.
03:57Eu estava viajando, pregando ali em Pedro Canário, e ele ficou em casa sozinho.
04:02E deu almoço para um desses jovens.
04:05Esse jovem almoçou, dormiu na nossa sala depois do almoço.
04:09E na quinta-feira após, esse domingo, foi e tirou a vida do Matheus.
04:14Que baque, que história, né?
04:17Que situação terrível.
04:19Eu queria saber da Letícia, até como psicóloga, como é que fica a recuperação da família?
04:28Porque a família sempre sofre.
04:29Tenho certeza que os familiares daqueles dois rapazes que foram executados estão sofrendo, a mãe está sofrendo.
04:35Como é que fica a cabeça de um familiar, depois de saber que o filho morreu de graça por causa
04:42de uma arma de fogo?
04:43Boa tarde.
04:44É uma tragédia, né, Lucas?
04:45Essa história não tem como nos tocar, não tem como nos atravessar, principalmente quando se fala de filho.
04:50Porque é uma ordem natural que os pais partam primeiro que seus filhos.
04:56E, como mãe, eu posso dizer que a gente se realiza no sonho do filho.
04:59Então, quando ele descreve aqui o fato, um menino que tinha tantos sonhos pela frente, tantos projetos,
05:05e aí ele é ceifado, né, por uma arma de fogo.
05:08Então, eu vejo, assim, que talvez seja o que você tenha buscado, é ressignificar mesmo.
05:13Acho que essa pessoa precisa ser acolhida no seu luto, na sua perda, na sua dor,
05:18porque é uma dor que realmente é uma dor que não tem nem proporções, né, para poder mediar.
05:24Mas é ressignificar essa morte, é buscar ver sentido, né, depois da perda.
05:30E eu acredito que é isso que o pastor faz, eu acredito que nesse centro de recuperação, né,
05:34é isso que ele busca e é o caminho, é o que cabe para quem fica, né.
05:39Buscar se acolher ali dentro de uma rede de apoio que dê esse suporte para enfrentar esse luto, essa perda,
05:46e ressignificar a vida apesar da dor, porque é o que cabe para quem fica, né, Lucas?
05:50Eu vou falar alguns pontos desse decreto mais detalhadamente.
05:55Pelas novas regras, o número de armas por pessoa cai de máximo de 60 para 16.
06:03Em relação aos caçadores, colecionadores e atiradores, o limite de armas de uso restrito,
06:08que era de 30, agora passará para apenas 4, o máximo.
06:14Rusley Medeiros, você é especialista em segurança pública.
06:16Esse decreto, você acredita que irá ajudar a tirar as armas de circulação?
06:23Boa tarde, Lucas, boa tarde a todos que nos acompanham aqui no Fala Espírito Santo.
06:27De fato, né, a gente precisa entender uma coisa antes de qualquer situação.
06:31Quando nós falamos de arma, armas não matam pessoas.
06:34O que matam pessoas são pessoas, né, então a gente precisa deixar isso muito claro.
06:38A gente tem que fazer com que esses debates, eles ocorram,
06:42mas eles ocorram sem qualquer tipo aí de ideologia, seja de um lado, seja de outro.
06:47As armas de fogo, né, nós sabemos que elas são os principais instrumentos utilizados
06:53para, de fato, matar outras pessoas, né.
06:57Então, qualquer tipo de controle é sempre benéfico.
07:00O que a gente não pode é achar que, ah, porque se formos pensar assim,
07:04a gente vai parar também com a ideia de não vamos ter veículos, né.
07:07Nós temos mais de 50 mil pessoas que morrem por ano vítimas de acidente de sinistro de trânsito.
07:12Então, o problema não é a arma de fogo.
07:14O problema é quem está portando, como está portando e por que está portando arma de fogo.
07:20Então, esses decretos, eles vêm justamente para garantir que o acesso à arma de fogo,
07:26ele seja mais controlado e qualquer pessoa que, de fato, tem a arma de fogo,
07:31ela quer ter a sua proteção.
07:33Isso é verdade, mas a gente precisa pensar também que essa regulação e que esse controle
07:38é necessário para que aqueles que desejam ter arma de fogo o tenham, mas tenham com consciência.
07:45E, claro, Lucas, a gente não pode deixar de dizer que, uma vez cometido o crime com arma de fogo
07:52e tendo esse controle, a gente consegue identificar qual arma de fogo foi utilizada,
07:57de quem é essa arma de fogo e aí punir aquela pessoa que agiu de forma errônea,
08:03que se tornou um criminoso de posse de arma de fogo.
08:06Então, a gente, é claro que esse decreto, ele vem, para que a gente precisa falar
08:10que uma pessoa precisa ter 60 armas de fogo?
08:13Foge de qualquer ideia lógica de raciocínio social.
08:17Então, a gente precisa garantir esse direito, mas a gente precisa ter esse controle eficaz,
08:22um controle eficiente, para que quem tem arma de fogo a tenha com segurança e que a sociedade
08:28também consiga saber que aquela pessoa que está com arma de fogo, ela tem a capacidade
08:33para portá-la, Lucas.
08:34Um estudo do Instituto Sou da Paz sobre a origem das armas no Brasil mostrou que elas são usadas
08:42nos crimes mais comuns das grandes cidades.
08:45Elas são de fabricação nacional e migram do mercado legal para o ilegal.
08:50Boa parte é furtada, roubada ou desviada e acaba indo parar nas mãos dos criminosos.
08:58Esse levantamento foi feito no ano passado com base nas quase 50 mil armas apreendidas
09:03em quatro estados, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e Minas Gerais.
09:09O revólver 38 é o que mais mata os brasileiros.
09:15Rusley, esse tipo de armamento 38 é o mais comum?
09:19É um armamento de fácil acesso, no sentido de utilização dele e de manutenção dele
09:26também.
09:27E é um armamento mais antigo.
09:29Não que ele não seja fabricado novos, Lucas, mas ele é um armamento mais antigo.
09:33E a gente precisa ter essa noção também.
09:35As armas são bens duráveis, que nós chamamos.
09:39Ou seja, uma arma que é produzida hoje, ela vai, se for receber todas as manutenções,
09:44ela vai ficar durante muitos e muitos anos ainda na sociedade.
09:47Por isso a importância desse controle.
09:49E a gente tem identificado também que a maioria dos crimes que ocorrem com arma de fogo
09:54são dessas armas mais antigas.
09:56que saíram dessa ideia de conseguir um controle, fugiram desse controle, seja de uma maneira
10:05ali, comprado inicialmente de forma lista ou já tendo sido contrabandeada.
10:10Mas o revólver 38 é um revólver bem conhecido, principalmente por quê?
10:14Porque ele é um revólver, é um armamento mais antigo, de produção mais antiga e que
10:19acaba ainda tendo acesso, né?
10:22É mais fácil o acesso e mais barato também, Lucas.
10:25Mesmo no mercado paralelo, você ter acesso a esse tipo de armamento, né?
10:29Perfeito.
10:30Márcio, eu queria que você falasse um pouco sobre como a história que você passou,
10:35como é que você está transmitindo isso para as pessoas e superando esse fato.
10:40É, Lucas, é algo que eu sempre digo no meu dia a dia, até mesmo no projeto que a gente
10:47trabalha de recuperação de dependentes químicos e para os próprios que estão ali em tratamento.
10:52Eu digo o seguinte, que a gente tem que ter duas palavras em nossas vidas, a forte e a corajoso.
10:58A forte é o quê?
10:59Quando a pessoa é forte, ela aprende a superar a dor, suportar a dor.
11:03Quando ela suporta a dor, ela passa a ser forte.
11:05Corajoso é estar pronto sempre para novos desafios na vida.
11:08Então, eu coloquei isso na minha vida como uma meta, uma regra de fé.
11:12E eu aprendo cada dia a suportar a dor.
11:16Como?
11:16Foi o que a doutora aqui falou.
11:19Eu me encaixo dentro daquilo que eu faço hoje.
11:22Cada vida que eu consigo resgatar, cada vida que eu consigo tirar das drogas, tirar do tráfico, tirar do vício,
11:30para mim é como se eu estivesse ganhando um prêmio, ganhando o ano.
11:36Aquilo me dá um conforto e é como se eu tivesse...
11:41A minha missão está sendo cumprida sobre a Terra.
11:43Então, isso vai me consolando, isso vai me fortalecendo.
11:46Então, você fazer algo de bom ajuda a você combater aquela dor, ajuda a você...
11:54Não você superar, porque superar você nunca vai superar, afinal de contas é um filho.
11:59Ainda mais quando se trata de uma pessoa que, dentro da comunidade, todo mundo gostava dele.
12:06Todo mundo, porque eu tenho 23 anos que eu moro, que eu trabalho com esse projeto social dentro do bairro.
12:13São 40, 39 anos que eu moro ali dentro da comunidade.
12:18Outrora também já vivi essa vida do crime lá fora.
12:21Então, quando eu saí há 24 anos atrás, desses 24 anos que eu saí da vida do crime,
12:26que eu faço a obra de Deus, eu só ajudo pessoas dentro da comunidade.
12:31Então, a dor para mim acabou sendo um pouco maior, porque além de ter tirado a vida do meu filho,
12:36eles acabaram não respeitando até mesmo o que eu faço, porque eu só faço o bem,
12:42queria ajudar essas pessoas que estão vivendo e acabaram eles próprios tirando a vida do meu filho.
12:47Então, hoje eu procuro suportar a dor, fazendo o que eu faço.
12:52Continuar ajudando independente, até os próprios mesmo.
12:56Eu já perdoei, já liberei o perdão, porque é só Deus que pode condenar e agir com justiça aqui na
13:04Terra.
13:04Então, assim, é suportar a dor.
13:07Rusley, temos várias participações aqui nas nossas redes sociais, de vários telespectadores,
13:13não vou citar o nome, porque é muita gente, mas o argumento é o seguinte,
13:18e eu queria saber a sua opinião, que esse decreto editado pelo governo federal hoje
13:23visa desarmar a população e não os bandidos.
13:28O que você acha sobre isso?
13:30Esse é um grande senso comum que a gente acaba dizendo, reforçando.
13:34Não, o decreto ele não proíbe, ele não trata mesmo, porque o decreto ele não tem esse poder.
13:39Quem faz a gestão de acesso a armas de fogo é uma legislação, que é a Lei 10.826.
13:45Então, é essa lei que é o Estatuto do Desarmamento, que inclusive sofreu um referendo na época,
13:50é ela que trata do acesso à arma de fogo.
13:53O que o decreto está fazendo é reduzir o acesso à quantidade de armas por pessoas.
14:01Então, assim, ninguém vai ser, como eu disse, a gente também não pode tratar a arma de fogo
14:06como se fosse uma situação, ah, não, ninguém pode ter arma de fogo.
14:10Não, as pessoas que têm o preparo e que passam pelo processo de ter a arma de fogo,
14:16o decreto não interfere dentro dessa perspectiva.
14:19Quando a gente também fala, Lucas, a gente está desarmando a população e armando o bandido,
14:24depende do ponto de vista, porque existem já estudos preliminares que demonstram que essas armas,
14:31que essas pessoas que compram muitas armas de fogo, e ao passar do tempo,
14:36essas armas acabam sendo levadas por caminhos ilegais.
14:40Então, a gente tem que tomar cuidado com essas falas.
14:42O decreto em si, Lucas, ele não trata de proibição ou restrição ao acesso da arma de fogo.
14:48Ele lida diretamente com a quantidade da arma de fogo.
14:51E é aquilo que eu disse, quem tem a capacidade para andar com a arma de fogo, que é o
14:56porte,
14:57ou ter uma arma de fogo na sua casa, que é a posse, preenchido os requisitos,
15:02continuará tendo acesso a esse tipo de armamento, desde que demonstrado efetiva necessidade
15:07e sendo demonstrado também que ele possui capacidade técnica e psicológica
15:11para portar ou para ter uma arma de fogo dentro da sua casa.
15:15E nós vimos, Lucas, no anuário, que a violência familiar, né,
15:19a violência no âmbito familiar, cresceu nesses últimos anos.
15:22E também usando arma de fogo dentro de casa.
15:25Então, por isso que é importante a gente...
15:27Não pode ser proibido o acesso à arma de fogo, né, tem que ser tratado como um direito,
15:31mas esse direito, ele precisa ser também, assim como dirigir.
15:34É preciso preencher requisitos, é preciso que a pessoa que tenha passe
15:38por programas de capacitação técnica e psicológica para ter uma arma de fogo, Lucas.
15:43Perfeito. E pegando carona nesse argumento, Letícia, as pessoas também estão dizendo o seguinte,
15:50o cidadão comum deve ter direito a ter uma arma de fogo para poder se defender, para a autodefesa.
15:58E esse é um argumento porque a gente vive numa situação, assim, de uma região muito perigosa.
16:05Imagina uma pessoa que mora numa região de confronto entre traficantes,
16:11que não tem um policiamento necessário, que as pessoas não podem sair à noite em casa,
16:16tem medo pela família, pelo seu patrimônio.
16:19O que que explica esse sentimento da pessoa precisar ter uma arma
16:23para poder se defender ao que a segurança pública não está conseguindo?
16:28Eu acho que a sua própria pergunta trouxe a resposta, né?
16:31Eu acho que a necessidade da população de buscar e de querer ter esse instrumento, né?
16:36Ter essa arma dentro de casa, fala exatamente dessa inoperância do Estado, né?
16:41Porque em nenhum momento você ter acesso a uma arma é sinônimo de segurança.
16:46Porque como o Roosevelt bem colocou, né?
16:48Existem N critérios técnicos e psicológicos para que a pessoa tenha liberação
16:53para fazer o manuseio daquela arma.
16:55Mas esse desejo da população, quase que a pergunta que foi colocada por Rússia,
17:01fala exatamente desse pedido de socorro da população às instituições públicas.
17:06Porque eu penso, vamos colocar a minha situação como cidadã comum,
17:10não vivo num contexto onde eu preciso estar ali com uma arma de fogo.
17:14Se eu parto do pressuposto que vai depender de mim, a minha própria segurança,
17:18isso é muito angustiante, isso traz muita ansiedade.
17:21Então, o que precisa trazer calma para a população, vamos falar dessa forma,
17:25é a confiança na segurança pública.
17:28É claro que quando uma pessoa precisa ter uma arma de fogo em casa,
17:33tendo como pressuposto a insegurança,
17:35isso a gente já está falando de um problema, de um buraco, né?
17:38No sistema público.
17:39Mas você possuir uma arma de fogo em casa,
17:42enquanto cidadão comum,
17:44em nenhum momento vai te trazer paz e saúde emocional.
17:47O que te traz paz e saúde emocional é você poder contar com serviços públicos de segurança, né?
17:52Perfeito.
17:53E, Márcio, você que atende a pessoas em situação de vulnerabilidade,
17:58que também, às vezes, passam por alguma situação de insegurança,
18:01ou moram numa região de perigo,
18:03que mensagem que você passa para essas pessoas?
18:07Então, primeiro a gente tem que,
18:09da mais no mundo atual que a gente está vivendo,
18:11é confiar em Deus, né?
18:12Confiar no Senhor, porque como diz a própria Bíblia,
18:15Salmo 7, 27.
18:16Se o Senhor não edificar a casa,
18:18em vão trabalhos que edificam.
18:19Se o Senhor não vigiar a cidade,
18:21em vão vigir o sentinela.
18:22Então, nós temos que depositar a nossa confiança em Deus,
18:25colocar a nossa família debaixo da proteção divina
18:29e buscar, a cada dia, purificar o nosso coração,
18:32a nossa mente, a nossa vida,
18:34procurar ter uma vida pura diante da sociedade,
18:38procurar fazer o bem.
18:39Eu acho que hoje o cidadão, ele tem que procurar fazer o bem,
18:43porque ele procurando fazer o bem,
18:45cada dia a mais, ajudando um outro,
18:47tendo essa empatia um com o outro,
18:50eu acho que a gente consegue ajustar um pouco essas engrenagens aí.
18:54Perfeito.
18:55O Rusley, o Fórum afirma que o número de armas no Espírito Santo,
19:01entre 2017 e 2022,
19:04o número de armas registradas aumentou 270%.
19:08Só que essas armas são as registradas.
19:11As que circulam entre os bandidos no crime,
19:14o poder público tem um certo controle de saber quantas existem,
19:19aonde elas estão?
19:21Deveria, né, Lucas?
19:22Mas, infelizmente, não.
19:23A gente tem verificado que os armamentos que são apreendidos pela polícia,
19:28eles não são armamentos registrados.
19:31Então, esse é um primeiro ponto que a gente precisa deixar claro.
19:33Então, não há ainda estudo agora que demonstre que armas que foram apreendidas
19:41e são de maioria dessas pessoas que possuem um registro.
19:44Essas armas que são em posse dos criminosos,
19:47principalmente aqui no Estado do Espírito Santo,
19:49elas vêm de fora, né?
19:51São armas contrabandeadas que ingressam em território capixaba
19:54e essas armas não possuem nenhum tipo de controle.
19:58Por isso, Lucas, que é tão importante a gente ter o controle das armas de fogo,
20:02assim como a gente tem controle dos carros, né?
20:04Os carros têm placas, assim como as armas também têm número de registro.
20:08A gente precisa saber onde que está cada carro
20:10e a gente também precisa saber onde está cada arma, né?
20:13Se essas armas estão entrando aqui no Estado do Espírito Santo,
20:16elas estão passando pelas nossas fronteiras.
20:18Elas estão ingressando aqui de forma ilegal.
20:21Então, a gente precisa, e a Letícia trouxe muito bem isso,
20:25essa ideia de ter arma de fogo, como eu disse,
20:28é um direito que a gente precisa preservar,
20:30mas a gente também precisa conversar sobre quais as políticas de segurança pública
20:34que estão sendo aplicadas de fato
20:36para garantir que a população se sinta segura, né?
20:39E a arma em si não traz totalmente segurança.
20:41O que traz segurança é você ter um respaldo legal para a sua utilização,
20:46um preparo legal para a sua utilização.
20:48E a gente sabe, o próprio Fórum trouxe, Lucas,
20:50de que a maioria, por exemplo, dos policiais que foram vítimas,
20:54a cada 10, os 7 que foram vítimas foram fora de serviço
20:58e por arma de fogo, né?
21:00Então, a gente precisa ter um controle e ter um cuidado muito maior
21:03para fazer essas discussões.
21:05A gente não pode ficar nessas discussões que a gente chama de discussão de boteco, né?
21:08Então, a arma de fogo é importante, a gente precisa ter um controle
21:12e a gente sabe que as armas ilegais que estão no Estado do Espírito Santo
21:15não são armas, em sua grande maioria, registradas.
21:18Então, a gente precisa entender e identificar
21:20como essas armas estão entrando no Estado do Espírito Santo
21:24e aí, sim, fazer um combate efetivo.
21:26E, Lucas, só para reforçar,
21:28nesse último ano,
21:29nesse último ano,
21:30a gente teve, segundo o anuário,
21:33uma redução de apreensão de armas ilegais no Estado.
21:36Isso é uma situação que a gente precisa conversar.
21:39Inclusive, na última semana,
21:41o governo do Estado pediu ao governo federal
21:45uma ajuda, um apoio para patrulhar,
21:49monitorar as divisas do Espírito Santo,
21:52que é de onde vêm as armas aqui do Estado para o crime, né?
21:56Várias armas que foram apreendidas,
21:57armas turcas, armas de fabricação internacional
22:00e drogas também que vêm pelas divisas,
22:04seja pelo ar, por terra ou pelo mar.
22:06Qual medida que seria interessante
22:08para tentar evitar que essas armas, drogas,
22:13cheguem no nosso Estado, Rusley?
22:14Lucas, são medidas em conjunto.
22:18A primeira delas é você reforçar a inteligência
22:20e aí fazer com que essa inteligência
22:22trabalhe de forma conjunta
22:24com as forças municipais
22:26quando existirem as forças estaduais
22:28e a Força Federal.
22:29Então, a gente precisa mapear
22:31como essas armas estão ingressando
22:33por um sistema de inteligência conjunto.
22:35O que a gente percebe é que
22:37cada ente federativo
22:38acaba atuando de forma isolada.
22:41A gente precisa unir as atuações.
22:43Aqui no Estado do Espírito Santo,
22:44nós temos uma força-tarefa
22:45chefiada pela Polícia Federal,
22:47que inclui as agências municipais
22:50e as agências estaduais
22:51nesse controle,
22:53o que é muito importante.
22:54Então, a gente já tem um passo a mais
22:56que outros estados,
22:57mas a gente precisa, Lucas,
22:59é fazer justamente esse controle de acesso,
23:02a gente conseguir com que as nossas fronteiras,
23:04quantas vezes você,
23:06eu e você,
23:07saindo aqui do Estado,
23:08passando a fronteira,
23:09nunca fomos abordados,
23:10nunca fomos submetidos
23:12a uma vigilância,
23:13a uma fiscalização.
23:14Então, isso é muito importante
23:15que nós façamos.
23:16E também esse controle
23:18utilizando a inteligência
23:19a conseguir identificar
23:21esses agentes,
23:22conseguir identificar
23:23como essas armas estão entrando,
23:25por onde estão entrando,
23:27como você disse,
23:27até pelo mar,
23:28nós tivemos um caso,
23:29dois casos grandiosos
23:31de apreensão de drogas
23:32aqui pelo mar.
23:33Então, a gente precisa reforçar
23:35as agências de segurança,
23:36que inclusive hoje também
23:37o governo federal fez isso,
23:40dando dinheiro para os municípios
23:42e para os estados
23:42fazerem esse controle.
23:44E nós precisamos, sim,
23:45de um controle conjunto
23:47das forças de segurança
23:48e políticas capazes
23:49de garantir que eu,
23:51você, Lucas,
23:52a Letícia e todos nós que está,
23:53todos vocês que estão
23:54nos assistindo aqui
23:55no Fala Espírito Santo,
23:56possamos caminhar diariamente
23:58com mais segurança,
23:59seja indo e voltando
24:01do trabalho,
24:01seja em lazer.
24:03Bem, 1.122 pessoas
24:05perderam a vida
24:06no último ano
24:08com crimes envolvendo
24:09armas de fogo.
24:11Letícia, uma vez
24:12o crime tendo acontecido,
24:15consumado,
24:16qual é a rede de apoio
24:19fundamental
24:19para essas 1.122 famílias
24:22que estão sofrendo
24:24até hoje
24:24e vão sofrer
24:25para sempre?
24:26É, não existe um padrão
24:27para uma rede de apoio, né?
24:29Cada um vai construindo
24:30a própria história.
24:30Eu acho que
24:31o exemplo dele
24:32acaba sendo um mapa
24:34interessante,
24:34então ele tem ali
24:36o propósito dele,
24:37é o que dá sentido
24:38para a vida dele,
24:39mas principalmente, assim,
24:41externar essa dor,
24:42buscar ali entre os pares,
24:44a família,
24:45as instituições
24:46que estão próximas,
24:47até mesmo a religião,
24:49que também é uma rede
24:50de apoio muito importante,
24:51mas entender que essa dor,
24:53ela, infelizmente,
24:54ela vai ser vivida,
24:55ela precisa ser vivida,
24:56e se você conseguir
24:58ressignificá-la,
24:59como aconteceu no exemplo,
25:01né,
25:01no interessante exemplo
25:02que ele trouxe aqui,
25:03no lindo exemplo
25:04que ele trouxe aqui,
25:05melhor ainda, né,
25:06quando você consegue
25:07transformar essa dor
25:08numa ação
25:09e numa transformação
25:11de uma comunidade inteira.
25:12Então, parabéns,
25:13parabéns pela sua história.
25:15É verdade, o Márcio,
25:15o Márcio,
25:15dá um exemplo incrível
25:16de como superar isso
25:18e trazer mensagens positivas,
25:22edificantes,
25:22para as pessoas.