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  • há 3 semanas
O estilo de vida, o sedentarismo, o cigarro e o estresse estão entre os principais fatores causadores do infarto. O médico cardiologista Diogo Barreto e a Rose Soares falam sobre os cuidados necessários para não ser vítima desse mal.

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Transcrição
00:00Aqui no estúdio eu recebo o doutor Diogo Barreto, cardiologista, e a Rose Soares, que tem uma história de vida
00:07delicada, não é?
00:10Que eu vou pedir pra ela contar pra gente, e que ela tá sempre se cuidando.
00:14Rose, me conta como é que é a história da sua família em relação aos problemas do coração. Boa tarde.
00:21Boa tarde. A nossa história é mais genética, né? Vem da minha avó, até onde eu sei que ela teve
00:28problema de coração grande, pressão alta, e ela também tinha problema de obesidade também, né?
00:34Era um pouco obesa. E depois veio meu pai em seguida, com o mesmo problema da minha avó, coração grande,
00:41pressão.
00:41Então, assim, eu já vejo esse quadro já desde pequenininha, já na família.
00:45E eu perdi meu pai há quatro anos atrás, devido ao coração, ele foi diagnosticado com 52 anos, e quando
00:53ele foi diagnosticado, o médico falou pra ele que ele seria uma bomba relógio ambulante, né?
00:57Segundo o que minha mãe fala, né?
00:59E ele viveu 10, 12 anos depois disso aí, em 2019, com 62, ele veio a falecer.
01:05Eu acho que ele foi muito jovem, né? Ele não se cuidava muito, foi se cuidar muito, acho que muito
01:11tarde, né?
01:13E ele até sabia do problema dele, mas ele não era muito preocupado com a saúde, né?
01:17Não cuidava da saúde, não se preocupava.
01:19E, Rose, ele tinha algum sintoma? Por exemplo, ficava cansado, sentia dor no coração?
01:25Muita falta de ar.
01:26Falta de ar, né?
01:28Nossa, muita falta de ar, tossia muito.
01:31Então, assim, inclusive, dá problema até no pulmão.
01:35Quem tem problema de coração, ele também teve aquela água na pleura.
01:38Ficou internada, ele internou pra fazer, em 2014, ele internou pra fazer uma angioplastia e naquele, e ficou no hospital.
01:49Ia passar dois dias apenas no hospital.
01:51Eu tinha até esquecido desse assunto aí.
01:54E aí, meu pai só foi piorando, piorando, piorando, piorando.
01:57De repente, recebendo a ligação da minha mãe, ó, vem pra cá, que o seu pai tá praticamente morto.
02:01O médico falou que se ele sobreviver, vai ser um milagre.
02:04E tudo foi parando dentro dele.
02:06E, graças a Deus, ele não morreu e era o mês do meu casamento.
02:09Eu ia casar naquele mês, né?
02:11Nossa!
02:12E a gente recebeu essa notícia, eu comecei a orar e, graças a Deus, ele não partiu.
02:17Voltou pra casa debilitado.
02:19E ainda conseguiu me levar no altar ainda pra casar, né?
02:23Ainda teve essa realização, né, Rose?
02:26Foi tudo muito junto, assim, né?
02:27E foi muito emocionante ter ele junto com a gente naquele momento.
02:30Ele tava andando de cadeira de rodas, ele começou a andar com andador e, de repente, andou.
02:36E, assim, eu nem esperava que ele ia conseguir fazer isso, né?
02:39Mas conseguiu.
02:40E, graças a Deus, assim, ele pôde ver nesse momento, né?
02:43É verdade.
02:44A Maricilda Borges comenta aqui, olha, eu também já tive um infarto, não foi nada bom.
02:51Sobrevivi por um milagre de Deus.
02:53Nunca fumei nem bebi, mas hoje, depois do que passei, eu me cuido mais.
02:58Doutor Diogo, quais são os sinais que a pessoa precisa ficar atenta?
03:04E eu queria que você explicasse também, que acho que é uma dúvida recorrente.
03:08Qual que é a diferença de parada cardíaca pra infarto?
03:11Boa tarde.
03:12Boa tarde, Lucas.
03:13Boa tarde a todos.
03:14Então, primeiro, respondendo a pergunta, a parada cardíaca é quando o coração, né?
03:22A fala, né, se só para de bater.
03:24Então, o que leva à parada cardíaca, uma das principais causas que leva à parada cardíaca
03:31é o infarto.
03:32Mas outras coisas podem levar, algumas arritmias mesmo, congênitas, formações, diversas causas,
03:40né?
03:40Infecção, né?
03:42Disfunções orgânicas.
03:43Pode levar à parada cardíaca.
03:45Mas a mais comum, principalmente de maneira súbita, né?
03:49Que a gente chama de mal súbito, é o infarto, através do infarto.
03:52Então, as doenças cardiovasculares são as maiores responsáveis por morte da população
03:57em geral.
03:57E a doença que leva ao infarto, que na verdade, o que leva ao infarto?
04:02É a obstrução de uma artéria que é para levar o sangue para o coração, né?
04:06Que irriga o músculo do coração, que é uma artéria coronária.
04:09As pessoas, a gente pega falando, ah, é uma veia entupida, mas na verdade não é veia.
04:13Quem leva sangue é a artéria.
04:15A artéria coronariana entope e lé causa infarto.
04:18E dentro ali, aí a gente tem intimativa, 40 a 65% dos pacientes que sofrem infarto, ele
04:26evolui a arritmia parada cardíaca na primeira hora, além do infarto.
04:3180% dos pacientes que sofrem infarto, eles padecem, né?
04:36Falecem, se não tiver atendimento médico, em 24 horas.
04:40Então, 40, metade dos pacientes em uma hora do infarto e 80% em 24 horas.
04:46Aqueles que a gente avaliar, essa pessoa que fala se sobrevive do infarto, realmente,
04:52se principalmente não tiver tido atendimento adequado, 20% é uma sobrevivente.
04:58A gente fala disso que é uma sobrevivente.
04:59Então, a Maricilda é uma sobrevivente, né?
05:02Maricilda, continue se cuidando, você é sobrevivente.
05:05E, doutor, dá para mensurar por que há tantas pessoas mais jovens, ou seja, abaixo
05:12dos 40 anos, que estão tendo esses problemas?
05:15O que a gente consegue associar, né?
05:18Porque, assim, o que leva ao infarto, na doença coronariana, a pessoa falecer ou mesmo
05:24adoecer de doença isquêmica do coração, é o estilo de vida.
05:30Então, o que a gente consegue associar é multifatorial.
05:32São vários fatores, desde o fator genético, hereditário, né?
05:36Estilo de vida, alimentação, comorbidades.
05:39Às vezes, tem uma doença colesterol alto que não foi diagnosticada.
05:43Então, são diversos.
05:44Mas a gente sabe que, com a vida moderna, as principais que vem associando é o aumento
05:49da obesidade, do estresse, né?
05:52E ainda, nessa faixa etária ainda, a gente tem ainda, o Brasil melhorou bastante isso,
05:58mas muita gente fuma, principalmente nessa faixa etária, né?
06:01Tabagismo, droga ilícita, a gente vê no hospital, no dia a dia, ainda associado com
06:07outras drogas ilícitas.
06:09Então, o estilo de vida continua sendo o principal fator de risco para os pacientes
06:13de jovens infartarem.
06:15E depois do que aconteceu com o pai da Rose, gente, ela está se cuidando mais, né, Rose?
06:22Como é que está o seu dia a dia?
06:24É, eu faço exames, assim, sempre, né?
06:26Já fiz, já é o terceiro, já que eu já faço, já, são quatro anos isso.
06:30E agora, daqui pra frente, já tenho mais de 40, e agora, daqui pra frente, assim,
06:34eu quero sempre estar fazendo esses exames periódicos.
06:37Me cuido também, faço musculação, procuro ter uma alimentação melhor, evito comer besteiras
06:42também, né?
06:42Isso aí, tá certinho.
06:44Olha, ainda falando sobre doenças no coração entre os jovens, o filho do superastro do
06:51basquete americano, Lebron James, teve uma parada cardíaca durante um treino.
06:57Isso aconteceu ontem.
06:58O Brownie James tem apenas 18 anos e treinava na universidade em que estuda, quando se sentiu
07:05mal e caiu na quadra.
07:06Ele foi levado imediatamente para o hospital e os médicos disseram que, nesse momento, o
07:13estado de saúde dele é estável.
07:16Brownie, a boa notícia é que ele já deixou a UTI.
07:20Doutor Diogo, um jovem de 18 anos, atlético, pratica esportes, o que pode explicar uma
07:27pessoa com essas características ter um infarto?
07:32Na verdade, ele teve ali um mal súbito, provavelmente teve um mal súbito.
07:36Ainda não tem o dado oficial o que levou, de fato, mas provavelmente foi um mal súbito
07:40desses pacientes jovens.
07:42A gente tem até um divisor de águas, é lógico, não é exato, mas a partir dos 30
07:45anos, o que mais leva ao mal súbito da população em geral é a doença coronariana, é o infarto.
07:51Abaixo dessa idade, menor que os 30 anos, a gente tem uma doença que é bem prevalente,
07:57é raro, graças a Deus, mas o que leva o paciente a ter um mal súbito, que chama miocardiopatia
08:02hipertrófica, isso é doença genética.
08:05O que a gente orienta é qualquer idade vai praticar atividade física, passar por uma
08:11avaliação médica, não necessariamente cardiológica, começa do simples.
08:15Vou colocar meu filho para fazer um esporte, vai, leva a avaliação médica.
08:21Se, dependendo, começa ali, no exame físico já tiver alguma coisa alterada, se for fazer
08:26prática de esporte de alta competitividade, ou alta performance, o lasquete é um esporte
08:36competitivo, então fazer a avaliação, porque aí já coloca eletrocardiograma, se depender
08:42por eletrocardiograma, a gente consegue diagnosticar uma miocardiopatia hipertrófica, que pode
08:46levar um paciente jovem ao mal súbito.
08:48A gente fica no aguardo agora de informações oficiais aí sobre o que causou, o que o Brownie
08:55James tem de fato, a gente fica no aguardo das agências internacionais.
08:59Agora pela internet, eu converso com o Marcelo Venturini, que não teve uma, mas duas paradas
09:05paradas cardíacas, e desde então passa por tratamento.
09:09Marcelo, boa tarde, me conta duas paradas cardíacas?
09:14Boa tarde, boa tarde, Lu, boa tarde, doutor Diogo, boa tarde a todos.
09:19Exatamente, o doutor Diogo aí pode contar melhor do que eu sobre o que aconteceu comigo.
09:24Eu me lembro, acho que foi duas paradas cardíacas, fiquei meia hora, meu coração ficou parado,
09:30e acho que foi cinco dias em coma, induzido, depois voltei normalmente, não senti nada,
09:36levantei da maca, eu estava entubado, saí arrancando os tubos, e eu estava amarrado porque
09:42eu estava muito agitado, e aí eu levantei e falei que o enfermeiro veio, eu falei, ó,
09:48me desamarre, me desamarrou, falei, ó, vou embora, ele não, rapaz, espera, vou explicar
09:53o que aconteceu com você, e até então não sabia, né, foi isso.
09:56Que coisa, você teve a parada cardíaca, quando acordou, já queria ir embora, né,
10:03já, já, já, não, não, você não lembrava o que tinha acontecido?
10:07Nada, eu só lembro, só lembro que eu cheguei no hospital, eu estava em casa e tinha uma sensação
10:15de que iria desmaiar, liguei para um amigo, ele me levou para o hospital, pediu que me levar
10:20direto para o evangélico, porque lá é uma referência, e quando eu cheguei lá, eu,
10:25eu deitei em cima de uma mácula, porque eu realmente achei que eu fosse desmaiar,
10:29deitei em cima de uma mácula, e aí não lembro mais nada, só lembro quando eu acordei.
10:36Doutor Diogo, duas paradas cardíacas não é para qualquer um, eu fico imaginando,
10:44ainda bem que o Marcelo conseguiu se recuperar rapidamente, né?
10:47Então, ele foi atendido, a gente conhece a história do Marcelo, ele foi por causa de um infarto, tinha uma
10:55artéria obstruída, levou o aparato cardíaco, foi reanimado, prontamente levado para a sala de hemodinâmica e a gente conseguiu abrir
11:03a artéria dele, ele conseguiu recuperar e é isso que a gente, é objetivo no tratamento hospitalar, cardiológico,
11:12a gente espera que o paciente não chegue a esse ponto de ter um aparato cardíaco, mas a gente tem
11:17todo esse aparato para a gente conseguir reabilitar e voltar, o Marcelo hoje, ele faz todas as atividades, é muito
11:26gratificante para a gente, eu falo isso como médico, avaliar o paciente parar, eu falo que na natureza, o único
11:35animal que consegue reanimar o outro é o ser humano,
11:38a gente teve inteligência para isso, você pensar, fazer o que é teoricamente contra o natural e isso é muito
11:44legal e ver pessoa ativa e tudo, então a gente faz toda a nossa promoção de saúde, de conversar, de
11:51orientar a não ter adoecido o coração,
11:55mas se tiver, a gente vai estar prontos aí para tentar trazer de volta e que tenha a vida plena
12:01pela frente.
12:02Olha, tem várias participações aqui nas nossas redes sociais, eu vou resumir, tá gente, não dá para fazer todas, mas
12:08algumas pessoas estão falando o seguinte,
12:10olha, eu conheço alguém da minha família que é saudável, nunca fumou, nunca bebeu, pratica esporte e aconteceu de ter
12:18um infarto.
12:19E a pergunta que essas pessoas fazem, doutor Diogo, é o seguinte, qual que é o peso da genética?
12:25Uma pessoa que tem um estilo de vida saudável também pode ter um infarto?
12:30Pode, ainda a gente não tem essa questão, eu até faço um trabalho, eu participo de um estudo que a
12:37gente chama CV Gênesis,
12:38que a gente começa a mapear a parte genética, mas ainda a gente não consegue falar assim, é essa parte
12:43genética,
12:44mas a gente sabe, eu não estou com o paciente hoje, está na UTI, que infartou e ele teve, ele
12:49tem três irmãos que infartaram, pai e a mãe infartados,
12:51então a gente sabe que ele tem um fator genético muito importante, mas de a gente tentar agir antes,
12:58mas de maneira geral, a gente já consegue falar, aquela pessoa que, mesmo que tenha história familiar,
13:04buscar atendimento médico, avaliar se às vezes tem uma história de colesterol alto e não foi diagnosticado o colesterol alto,
13:12eu tenho colesterol alto, familiar, já me cuido desde os 30 anos, né?
13:16Então, buscar fazer, porque esse fator genético não é estilo de vida,
13:21então, existem sim, alguns fatores que não estão relacionados a esse tipo de vida,
13:26na maioria está, mas algumas pessoas, eu faço, sou atleta, eu falo isso com o goleiro Casillas,
13:34do Barcelona, que é da seleção da Espanha, infartou com 38 anos, esse tipo de vida,
13:38mas ele tem uma história familiar importante por trás, então tem um peso sim, o ideal,
13:43se tiver história familiar, buscar orientação médica antes até.
13:49Isso aí. Bem, deixa eu voltar com o Marcelo, porque eu quero saber,
13:52depois de duas paradas cardíacas, se você faz tratamento, Marcelo,
13:57e quais cuidados no seu dia a dia você tem para que isso não aconteça de novo?
14:03Os cuidados que eu faço são os medicamentos, o doutor Diogo passou,
14:08são três medicamentos, e a gente faz uns exames periódicos, né, de seis, seis meses,
14:15eu vou visitar o doutor Diogo para que ele faça uma avaliação minha,
14:18tanto física, como peso, em geral, né, para poder acompanhar, ver como que ele estou.
14:24Estou muito bem, graças a Deus, tranquilo, não sinto nada,
14:28saí do hospital sem sentir nada, tudo tranquilo, faço minhas atividades físicas,
14:33normalmente, não sinto nada, estou aí.
14:36Isso aí, Marcelo, vida saudável e tudo para que não aconteça uma terceira vez,
14:43pelo amor de Deus, não é mesmo?
14:45Marcelo, muito obrigado pela sua participação e por compartilhar a sua história com a gente, viu?
14:50Valeu.
14:51Bem, e a Rose, assim como o Marcelo, também faz acompanhamento, você faz, né, Rose,
14:55até agora não deu nada, não é isso?
14:57Graças a Deus, não.
14:57Não deu nada.
14:58Espero que não dê também.
14:59A pessoa precisa fazer um acompanhamento, ou quem já infartou e toma medicamento,
15:04é para a vida toda, doutor?
15:06Acaba que a doença coronariana é uma doença crônica, né, com a pressão alta, com o diabetes.
15:11Elas não têm cura, mas têm tratamento.
15:13Então, é ideal que seja feito acompanhamento para o resto da vida mesmo.
15:16Para o resto da vida, né?
15:17É.
15:18Perfeito.
15:19E os medicamentos, por exemplo, para uma pessoa que precisa de um serviço de saúde público,
15:24o SUS, é oferecido?
15:26É oferecido.
15:26O SUS, eu falo que sou um defensor do SUS, que é o maior sistema de saúde público do mundo,
15:32de número de usuários, e consegue fazer tanto diagnóstico, quanto acompanhamento,
15:38quanto fornecimento de medicamentos, tudo de maneira gratuita.
15:42Pode buscar primeiro o atendimento na rede primária e de lá...
15:45Perfeito, perfeito, né?
15:46Já se tiver, mesmo, existem alguns grupos, mesmo que não tenham diagnóstico, procurar
15:52fazer, consegue sim fazer na rede primária.
15:54E a partir dali, existem grupos que fazem tratamento de hipertensão crônica, de diabetes,
16:00e aí orientações, mesmo se tiver doenças mais complexas, eles vão ser encaminhados
16:05na rede para hospitais ou clínicas especializadas.
16:09Doutor Diogo Barreto, muito obrigado pela sua participação conosco aqui no Fala Espírito
16:13Santo.
16:14Rose Soares, obrigado por vir aqui e compartilhar a sua história.
16:17É isso, gente.
16:18Tem que se cuidar.
16:19Com pré-exposição genética ou não, tem que ter uma vida saudável, não só para
16:23prevenir as doenças do coração, mas também outras tantas que surgem por conta do sedentarismo
16:29e maus hábitos alimentares.
16:30Obrigado, gente.

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