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  • há 3 semanas
Jovem morreu após bater de moto com o namorado em um poste

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Transcrição
00:00Só no ano passado, motoristas com suspeita de embriaguez provocaram mais de 325 mil acidentes,
00:08segundo a Secretaria Nacional de Trânsito.
00:11Nos últimos dois anos, a mistura de álcool e direção matou mais de 2.400 pessoas.
00:19Se temos uma lei, que é a lei seca, que é considerada bastante rígida,
00:24por quê? Por que esses casos continuam acontecendo?
00:29E a gente sabe que falta muito o quê? Conscientização, orientação,
00:35como conversar com os nossos filhos, os nossos jovens e fazer entender realmente sobre esse assunto,
00:41a importância que a gente precisa dar para esse assunto.
00:43Vamos bater um papo junto com a gente?
00:45Aqui no nosso estúdio, eu recebo a advogada Lara Abraim, muito obrigada pela sua presença.
00:50Obrigada, Roberto.
00:51E a psicóloga Gisélia Freitas, muito obrigada também, Gisélia, pela sua participação.
00:56E a gente se pergunta por que mesmo diante de tantos números absurdos,
01:02por que que mesmo diante de um caso como esse, que dói o coração de quem é pai,
01:08de quem é mãe principalmente, por que que ainda assim a gente vê esses casos acontecendo?
01:14Gisélia, boa tarde.
01:16Boa tarde, que assunto delicado e importante, né? Para uma segunda-feira.
01:20Até porque, Robertinha, a gente vive dentro de uma cultura que é tão permissiva isso, né?
01:25O jovem, socialização e álcool vivem junto.
01:29Socialização e álcool na nossa cultura é algo que faz parte.
01:33Hoje o jovem, uma pessoa, né?
01:36Tanto que tem aquela frase, ninguém faz amigos bebendo leite, né?
01:39Então existe isso dentro do nosso comportamento e o álcool está presente em tudo, em qualquer festa,
01:44desde batizado, aniversário, evento dentro de empresas.
01:48O álcool, ele é fácil, ele tem fácil acesso, assim como a direção, né?
01:53O volume de carros, de automóveis hoje é muito maior do que um tempo atrás.
01:57E não basta só com conscientizar, né?
02:00Porque esses jovens, a gente sempre acha que vai acontecer com o outro,
02:03nunca acha que vai acontecer com a gente.
02:05Então nós realmente assumimos uma responsabilidade que vira arma a partir do momento que consumimos esse álcool.
02:12Álcool que, dependendo da química do cérebro, pode dar sono, pode levar à agressividade,
02:16ninguém sabe o efeito.
02:18Então é melhor evitar.
02:19E levar essa conscientização para os jovens que estão aí, ó, muitos, na maioridade, né?
02:25Opa, acabei de conquistar meu primeiro veículo, tô ali, né?
02:29No momento de descontração, por que é tão difícil fazer com que essa informação realmente entre na cabeça?
02:35Tem acesso ao primeiro emprego, né?
02:37O mercado tá aquecido, muito trabalho, jovens estão ingressando, estão tendo acesso também mais fácil à bebida, ao veículo, né?
02:45Por que que não usa isso para se proteger?
02:47Hoje também tem muito transporte com custo muito mais em conta, tem que ter essa consciência.
02:54Mas a maturidade, né?
02:55O arcabouço psíquico dele, desse jovem, ele ainda não tá formado, ele ainda não tem essa consciência.
03:01Então precisa tá família, precisa tá os amigos, precisa ter essa maturidade, que tá difícil controlar.
03:07Com acesso a dinheiro, acesso fácil a álcool, permitido, e se bebe e consegue dirigir, ainda vira herói.
03:15Verdade.
03:16E ainda gosta de sair como maioral, às vezes até mesmo no grupo, entre os amigos, com histórias para contar,
03:21né?
03:21Sim, sim.
03:22Agora, a gente sabe, como eu bem disse, doutora Lara, que a gente tem uma lei muito rígida, a gente
03:28tá falando da lei seca, mas ainda assim as pessoas não respeitam.
03:33Por quê? O que que tá faltando?
03:35Exatamente, Roberta.
03:36Boa tarde a todos que nos assistem.
03:39Boa tarde, Gisela.
03:40A lei, ela vem pra tentar remediar um problema, como bem disse a Gisela, ele é social, né?
03:46As pessoas bebem no seu dia a dia, as pessoas têm acesso a veículos, né?
03:51Dirigem no dia a dia e combinam e fazem essas duas combinações.
03:54A lei, ela vem pra tentar remediar quando os casos já estão acontecendo, quando eles já aconteceram,
04:00quando as pessoas, né, vêm a dirigir embriagadas e quando vem acontecer algum crime.
04:06Mas é um problema, antes de tudo, social. As pessoas precisam se conscientizar, os jovens precisam se conscientizar
04:12e se responsabilizar pelas suas atitudes. Então, embora tenha a lei, a gente depende ainda das pessoas.
04:20Porque aqui nós hoje estamos tratando de um caso que, um fato que já aconteceu, infelizmente, né, muito triste
04:27e que a lei agora, infelizmente, só vem pra tentar remediar essa situação, né?
04:32Tentar diminuir, tentar dar uma resposta. O Estado tenta dar uma resposta a um problema que é social
04:38e que depende também dos atores desse processo.
04:40Agora, o que chama atenção, Gisele, é que se tratando principalmente do público jovem,
04:45eles estão muito mais preocupados em conseguir burlar a lei, em conseguir encontrar rotas alternativas
04:52que eles vão fugir de blitz, em conseguir descobrir na internet se é possível mascarar o cheiro do álcool, né,
05:02caso seja parado, do que realmente se preocupar com a vida.
05:04Baixa o aplicativo, existem grupos de WhatsApp no trânsito, né, pra saber onde que está a polícia.
05:09Existem vários grupos pra um começar a falar com o outro aonde que está tendo blitz,
05:14aonde que tem polícia, aonde que está acontecendo.
05:17Então, essa preocupação não era pra ser maior.
05:20A consciência do risco que acontece, olha aí, estou falando só de vidas, né?
05:25Estou falando também, mais uma vez, reforçando a questão cultural.
05:29As leis são rígidas, mas existe uma questão cultural, enraizada, do comportamento do brasileiro,
05:37de que a socialização e o álcool, o álcool associado ao prazer, não associa ao álcool ao perigo.
05:45O álcool é associado à felicidade, à prazer, à festa, ao momento alegre, não se associa ao álcool ao perigo.
05:53Olha lá, vamos pensar aqui nas alternativas que a mãe, o pai, os avós podem falar assim pros filhos, pros
05:59netos, né?
06:00Ah, mas você tem um táxi? Ah, mas você tem hoje carro por aplicativo?
06:05Ou então, me liga, dou um jeito de te buscar.
06:08E ainda assim, eles não aceitam, olham tudo isso como um custo.
06:14Sim.
06:14O fator economia, o fator dinheiro ainda pesa muito pra esse jovem.
06:20Como que a gente consegue convencê-los?
06:22E o custo da vida, né? Muito complicado.
06:25Agora, como se convence uma pessoa que dentro da sua psique acha que tem um estoque inesgotável de vida?
06:33De que ele pode viver eternamente?
06:34Que o de ruim, doutora, só acontece com o outro, só acontece com o vizinho, é um amigo que é
06:39burro, ele não sabe dirigir.
06:41Eu já escutei semana passada, o problema é quem tá no volante, né?
06:44Então, essa consciência vem de mais uma vez de uma questão cultural, psicológica.
06:49E o jovem, ele ainda, o nosso jovem de hoje, da nossa cultura, ele ainda tem um desenvolvimento um pouco
06:56mais infantilizado,
06:58demora mais essa questão da consciência, da responsabilidade, porque eles estão sendo adultos mais tarde do que a geração dos
07:04nossos pais.
07:04Então, esse desenvolvimento também da psique social desse jovem, ele tem que ser alimentado também pela família.
07:11É lá do início, desde quando é pequeno, começar a desenvolver responsabilidade.
07:15Responsabilidade com o copo que surge, que surge a responsabilidade com a cama que tem que fazer,
07:20porque isso o cérebro vai desenvolvendo ali uma maturidade, uma responsabilidade,
07:24que ninguém imagina que a cama que eu obrigo o meu filho a fazer pode salvar a vida dele,
07:30porque, na verdade, tem a ver com comportamento, responsabilidade.
07:33Se eu não tenho responsabilidade com as minhas coisas, eu vou ver com a vida de quem tá na minha
07:36garupa?
07:37Pois é.
07:37E aí a gente se pergunta a respeito desse caso, Lara, né?
07:42Qual é o tipo de crime que esse jovem possa vir a responder?
07:47Lembrando que a maior pena, a gente já sabe, ele vai pro resto da vida dele carregar a culpa, né?
07:54Que a namorada dele morreu nesse acidente.
07:57Mas isso não o exime de uma responsabilidade jurídica, né?
08:01Exatamente, Roberta, não o exime de uma responsabilidade jurídica.
08:04E há uma grande discussão no nosso ordenamento jurídico, no direito,
08:09acerca de qual crime vai ser imputado, qual crime esse jovem vai responder.
08:15E aí a gente entra em duas questões.
08:19Há uma coisa que a gente chama, dentro do tipo penal, que é o dolo,
08:23que é a vontade do agente de praticar ou não essa conduta.
08:27Nesse caso, no caso dos crimes de trânsito que normalmente, que possam, né,
08:32de embriaguez ao volante, que levem a uma consequente morte de alguém,
08:37há uma discussão se há dolo eventual ou se há culpa consciente.
08:42Ou seja, se a pessoa, quando ingeriu o álcool, ela pensou,
08:46pode ser que eu tire a vida de alguém.
08:49E ela, com esse pensamento, falou, mas eu não me importo?
08:54Eu não ligo pra isso? Eu aceito se isso acontecer?
08:57Ela vai ser enquadrada, né?
08:59A conduta dela, a vontade dela vai ser enquadrada em dolo eventual.
09:04Porém, se a pessoa, ela pensa, posso sim vir a matar alguém,
09:09mas ela não admite, em hipótese nenhuma, que esse evento aconteça,
09:13se ela não acredita que esse evento vai acontecer,
09:15ela se enquadra em culpa consciente.
09:17E por que essa questão é importante?
09:20Por quê?
09:20O Código de Trânsito Brasileiro tem uma previsão
09:24para crimes que levem a morte por embriaguez ao volante de forma culposa.
09:30E o Código Penal, ele prevê o homicídio,
09:35o artigo 121, os crimes dolosos contra a vida.
09:38E se é dolo eventual, ou seja, se a pessoa,
09:43se ela aceita que isso pode acontecer,
09:46se ela aceita que esse crime possa vir a acontecer,
09:50ela vai se enquadrar no artigo 121 e vai ser dolo eventual.
09:56Se for culpa, se ela agir com culpa consciente,
10:00será o Código de Trânsito, a previsão do artigo 302.
10:03E qual é a diferença disso?
10:04As penas são diferentes e os crimes dolosos contra vidas
10:09são processados perante o tribunal do júri.
10:12Ou seja, se for dolo eventual,
10:15as pessoas serão submetidas ao tribunal do júri,
10:17onde são sete jurados que vão julgar essa conduta,
10:20se for um crime culposo,
10:23vai ser o artigo 302 do Código de Trânsito Brasileiro,
10:26em que vai ser um juiz togado que vai julgar.
10:30E, para além disso, há diferença de pena.
10:33No crime do artigo 121 por dolo eventual,
10:37a pena mínima é de 6 a 20 anos.
10:40Isso significa que, vindo uma possível condenação,
10:44se for acima de 8 anos, a pena imposta no tribunal do júri,
10:50depois pelo juiz na sentença,
10:52se for acima de 8 anos,
10:53a pessoa pode pegar até mesmo um regime fechado.
10:56Ou seja, ela pode responder a sua pena presa.
10:59Já no Código de Trânsito Brasileiro,
11:02no artigo 302,
11:03a pena mínima é de 5 a 8 anos.
11:06E já nesse caso,
11:08se ela for condenada, por exemplo,
11:09com a pena máxima, que é de 8 anos,
11:11ela não vai poder começar o cumprimento da sua pena
11:15em regime fechado,
11:16mas sim em regime semiaberto.
11:17Então, há uma grande discussão no âmbito jurídico.
11:22Nesse caso, eu entendo que seria a culpa consciente,
11:25porque como vamos admitir que um jovem,
11:28que bebeu e estava com a sua namorada,
11:31admitiu a possibilidade de matá-la.
11:34É uma situação muito complexa.
11:35Então, eu entendo que seria,
11:37nesse caso, aplicada o 302 do Código de Trânsito.
11:40Olha só, eu vou convidar aqui para o nosso bate-papo
11:43a Renata.
11:44Há pouco mais de 2 anos,
11:46há aproximadamente 2 anos e 4 meses,
11:48ela perdeu a filha, a Amanda Marques,
11:50em um acidente provocado por um motorista
11:53que havia bebido antes de dirigir.
11:56Renata, mais uma vez, a gente agradece
11:58a sua participação aqui no Fale Espírito Santo.
12:01Qual é a sensação que te dá
12:03quando você vê uma notícia
12:05como essa que a gente deu hoje,
12:07algo que aconteceu,
12:08uma história bem parecida com sua filha,
12:10há 2 anos e 4 meses atrás?
12:14Boa tarde, Betta.
12:16Boa tarde a todos.
12:18É muito triste saber
12:20de mais uma notícia dessa,
12:22de uma...
12:25ser morta desse jeito.
12:29Pela mesma maneira, direção e bebida,
12:33coisas que não combinam.
12:35E qual é o seu sentimento como mãe
12:38quando a gente para para pensar?
12:40Como é que tem sido a sua vida desde então?
12:43Porque quem está ali pegando a direção do carro
12:47e depois que consumiu bebida alcoólica,
12:51ela não consegue imaginar os estragos
12:53que ela possa vir a fazer na vida de uma família.
12:56Como é que tem sido a sua vida?
13:00Infelizmente, ninguém pensa na vida do próximo, né?
13:03Como que...
13:05Como pode acontecer?
13:07O que vai acontecer?
13:08Ninguém pensa no próximo, né?
13:10Só pensa...
13:12Nem pensa o depois que acontece.
13:15Como que a família vai ficar?
13:18É...
13:19É uma dor imensurável.
13:22Ninguém conhece essa dor.
13:25O que nós passamos mães.
13:27Principalmente mãe.
13:29Porque a mãe gera o filho.
13:32nasce, está ali.
13:34Ela cria seu filho.
13:35Então, é uma dor sem tamanho.
13:39Não tem como a gente falar e mensurar essa dor,
13:42essa tristeza, essa saudade.
13:45É muito triste, assim, eu saber de mais uma notícia dessa.
13:53E imagino eu que esse sentimento da senhora
13:57aumenta ainda mais a cada dia
13:59quando você aguarda também por um julgamento, né?
14:04Sim, cada dia a mais a gente vai apertando o coração, né?
14:08Querendo resolver logo, fazer justiça, né?
14:11O que eu quero é justiça.
14:13Justiça só.
14:14Não quero vingança.
14:16As leis estão aí.
14:18As leis são rígidas.
14:20Tem que ser.
14:21Por quê?
14:22Hoje é comigo.
14:24Amanhã pode ser com outros, com vocês.
14:27Então, a gente tem que estar em cima mesmo da justiça.
14:31Porque tem que ter um jeito para isso cessar,
14:36para isso acabar um pouco, entendeu?
14:39De não ter mais família chorando,
14:42lutando em busca de justiça.
14:45Porque a gente sofre muito.
14:47já sofre com a perca de um filho
14:50e ainda sofre mais ainda ter que ficar correndo atrás de justiça.
14:55Ter que querer que o réu é condenado
14:58para a gente poder amenizar o coração da gente um pouco.
15:03Porque, gente, eu não descanso.
15:05Eu não tenho descanso na minha vida.
15:08Então, é muito triste.
15:10É muito triste mesmo.
15:11Dói muito.
15:12Ninguém sabe o tamanho dessa dor.
15:15E, Renata, a gente já sabe que ele vai a júri popular, né?
15:18O Wagner Nunes.
15:20Mas, até lá, até isso acontecer,
15:24de que forma que você vai reagindo com as tentativas, né?
15:28De tentar responder de outra forma?
15:32Como que isso chega até o seu coração de mãe?
15:36É difícil falar isso.
15:39A gente vai buscando até acontecer isso.
15:42Vai em busca da mídia também,
15:45que, graças a Deus, a gente tem mantido aí,
15:49com a ajuda de vocês todos.
15:52E querendo mostrar para a justiça
15:55que isso é ilegal, né?
16:01Bebida e direção e querer mesmo justiça, entendeu?
16:06E a gente vai levando,
16:08porque não há nem a justiça,
16:11possa ser qual lá for a condenação dele.
16:15A minha dor vai ser até minha morte.
16:17A minha tristeza, a minha saudade,
16:20é até a morte, até o último dia da minha vida.
16:23Não tenho o que trazer, minha filha, de volta.
16:27O que me resta é dor e saudade.
16:32Imagina o sofrimento dessa mãe,
16:34que há dois anos e quatro meses
16:36não tem a possibilidade de matar a saudade dessa filha.
16:40Daqui a pouco eu volto a falar com você, Renata,
16:42lembrando que a defesa do Wagner Nunes
16:45disse que ele não tinha a intenção de matar a Amanda.
16:49Mas a gente sabe, Gisele,
16:50que embora, de alguma forma,
16:54as dores nem se comparam,
16:57mas acaba que, em troca de uma diversão,
17:00um jovem que tem essa atitude
17:04de fazer essa mistura álcool e direção,
17:08em troca disso, ele acaba com a própria vida também,
17:11com a própria liberdade.
17:12Embora a gente esteja falando aí de dores
17:13que nem se comparem, né?
17:15E não é só a própria vida, a vida do outro,
17:18a vida de uma família.
17:19É a vida de várias pessoas também
17:21que estão ligadas com aquela pessoa.
17:23Quando uma pessoa morre,
17:24esse luto é vivenciado por todo mundo
17:26que faz parte daquele meio social,
17:28daquele meio familiar dessa pessoa.
17:30São destruídos, porque não existe retorno.
17:34bens, né?
17:35O carro, a moto, que foi destruído,
17:36tudo bem,
17:37mas não tem seguro para a vida.
17:38Não existe isso.
17:40E esse modelo educacional,
17:42igual a gente está falando da lei aqui,
17:43como punitivo,
17:44ela tem que começar lá da primeira infância,
17:47sabe, Roberta?
17:48Começar a ensinar,
17:49dentro do nosso modelo educacional,
17:51já que a bebida é muito enraizada aqui,
17:53já que no Brasil é tudo permitido,
17:55tudo se tem jeitinho,
17:56começar a ensinar para essa próxima geração
17:58o quais as consequências
18:00sobre ter responsabilidade,
18:02sobre ele já crescer,
18:04entendendo que tudo bem
18:05que o álcool é permitido, é social,
18:08mas existe uma responsabilidade,
18:09uma maturidade,
18:10que essa psique precisa ser desenvolvida
18:12o quanto antes.
18:13Tem que começar dos nossos filhos.
18:15Pique titinhos ainda
18:16e desenvolver essa consciência.
18:18E mostrar também o desfecho, né?
18:21A importância de quando a gente mostra
18:22o julgamento de um caso.
18:24Isso também possa fazer com que
18:26traga um pouco mais de consciência
18:28para essa juventude.
18:29Importante, né?
18:29A gente acha que no Brasil
18:30tudo leva muito tempo,
18:32é longo, não acontece.
18:34Ninguém é preso aqui
18:35por dirigir bêbado, né?
18:38Foi acidente, foi sem querer,
18:40não foi por mal.
18:41Então, essa consciência também
18:43tem que ser desenvolvida,
18:44porque o que acontece de forma
18:45muito rápida na justiça lá fora,
18:47aqui é muito demorado.
18:48E eu não sei por que demora
18:49tanto ainda o desfecho desses crimes.
18:53E muitas, às vezes, crimes hediondos
18:55que também deveriam ter sido
18:57fomentado mais rápido.
18:59E, Lara, na época que a gente
19:00noticiou aqui o caso da Amanda Marques,
19:02eu me lembro que o suspeito
19:04teria tentado sair do local do acidente
19:07e ter dado fugir.
19:08E já esse caso de hoje,
19:10o namorado teria tentado ajudar,
19:13salvar a vítima.
19:16De que forma que essa mudança
19:18de comportamento,
19:19você fugir do local ou não,
19:21ou prestar socorro,
19:22de que forma que isso pode amenizar
19:25ou não também a pena?
19:27Roberta, essa questão de fugir,
19:29prestar socorro,
19:30ela influi em diversas questões
19:32no direito penal.
19:33Em primeiro, não sei nesse outro caso
19:36se houve uma prisão,
19:36mas essa conduta de fugir,
19:38ela é uma conduta, inclusive,
19:40que pode ser considerada
19:41para que essa pessoa seja presa
19:42e fique presa respondendo
19:44o seu processo.
19:44Porque se ele fugiu,
19:46para além de fugir do ato,
19:48ele não estava assumindo
19:49a sua responsabilidade.
19:50Então, há o perigo
19:51dessa pessoa se evadir
19:53de responder ao processo,
19:54algo nesse sentido.
19:55Então, essa fuga,
19:57ela pode ser considerada
19:59levada em conta
20:00no momento para desse prejuiz,
20:02que o juiz vai decidir
20:03se essa pessoa deve ou não
20:04ficar presa.
20:05No caso que nós temos hoje,
20:07em que o namorado da jovem
20:09prestou socorro,
20:10isso contribui a favor dele.
20:12Porque ele prestou socorro,
20:14ele assumiu a sua responsabilidade,
20:16se manteve ali,
20:17para aguardar aquilo
20:20que viesse a acontecer com ele.
20:21Então, isso o auxilia,
20:25depõe em favor dele
20:26em relação ao processo penal em si.
20:30E olha só,
20:31teve um outro caso
20:32que chamou a atenção
20:32aqui no nosso estado,
20:33que foi o acidente
20:34da jovem Ramona Bergamini.
20:37Ela morreu em um acidente,
20:39também envolvendo um motorista
20:41que estaria embriagado.
20:43Vamos ver.
20:45Estava em casa,
20:47a polícia que estava
20:49no local do acidente
20:50ligou,
20:51depois o pai dela
20:52ligou para mim,
20:54desesperado.
20:54A sua filha morreu,
20:55a sua filha morreu.
20:57Aí você pensa,
20:59ela cometeu uma infração,
21:01ela furou um sinal,
21:03o que ela fez de errado?
21:06Não, o que ele?
21:07Ela estava 200 metros de casa,
21:09parada no sinal
21:09para entrar em casa,
21:10bêbado,
21:12na contramão,
21:15e assassinou ela,
21:16porque não foi um acidente.
21:19Mais uma mãe
21:20que está aqui
21:21fazendo esse alerta.
21:22Qual é a intenção
21:23hoje do programa?
21:24É fazer com que você
21:25aí de casa
21:26consiga levar
21:27essa informação adiante
21:28para o seu filho,
21:29para o seu neto,
21:29para os seus sobrinhos,
21:30que a gente precisa mudar
21:31essa cultura.
21:32E aí, Gisélia,
21:33quantas e quantas vezes
21:34já vi, já presenciei
21:36situações em que a pessoa
21:37até pensa assim,
21:38fala assim,
21:38não, eu vou sair,
21:40não vou beber.
21:41Só que aí chega na hora,
21:43empolga,
21:44se anima,
21:45e sem querer
21:46muda aquele cenário.
21:48Como que os pais,
21:50como que os avós
21:51conseguem,
21:52de alguma forma,
21:53ajudar a manter
21:54esse pensamento
21:55dos jovens
21:56de mudar essa cultura
21:57mesmo?
21:58Isso tem que ser
21:59verbalizado o tempo todo,
22:00né?
22:01Eu já falo que
22:02essa mãe,
22:03esse pai,
22:03esse avô,
22:04não só sai,
22:04mas como rezar.
22:05Eu já estou indo
22:06até para um outro nível,
22:07mas transcendental,
22:08porque parece que
22:09a educação
22:10está muito difícil
22:12de acessar
22:13o nível que nós
22:14atingimos hoje,
22:15né?
22:15E acontece,
22:16aqui você está mostrando
22:17alguns casos,
22:18mas isso é cotidiano,
22:19isso é o tempo todo,
22:20e festas,
22:21baladas,
22:22regadas de bebida,
22:23isso tem o tempo todo,
22:24né?
22:24Então,
22:25pelo volume que se tem,
22:27espera-se realmente
22:28que esse aumento
22:29seja significativo,
22:30infelizmente.
22:31E esse jovem,
22:32quando chega lá,
22:33você falou uma coisa
22:33importante,
22:34ele falou assim,
22:34ele vai com a consciência,
22:35eu acredito que ele vai
22:36com a consciência,
22:37hoje eu não vou beber,
22:38só que chega lá
22:39incentivado pelos próprios
22:41amigos.
22:42Então,
22:42o meio social,
22:43ah,
22:43só um pouquinho,
22:44ah,
22:44deixa de ser bobo,
22:45você vai sair de casa,
22:47não vai beber,
22:47que vai gastar com transporte
22:49nada,
22:50pode deixar que a próxima
22:51sou eu.
22:51Então,
22:52isso influencia,
22:53e ele fala assim,
22:54é só um pouquinho,
22:55esse pouquinho não cai.
22:56E lembrando que a nossa lei
22:58não tolera nada,
23:00zero álcool,
23:00né?
23:01Obrigada pela participação
23:02de vocês,
23:03obrigada doutora Lara,
23:04obrigada também a Gisele
23:05Freitas,
23:05deixa eu agradecer a Renata,
23:07a mãe da Amanda Marques,
23:08que participou com a gente
23:09mais uma vez,
23:11receba o nosso abraço
23:13sempre,
23:13viu Renata,
23:14obrigada pela sua participação.
23:16Uma boa tarde.
23:17Obrigada a vocês,
23:18boa tarde.
23:19Obrigada.

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