- há 2 semanas
Mulheres relatam preconceito com trabalhadoras grávidas
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NotíciasTranscrição
00:00Um desembargador do Tribunal Regional do Trabalho, em Belém, no Pará, não concordou em adiar uma audiência
00:08porque a advogada de uma das partes não pôde comparecer.
00:13Agora, você sabe qual foi o motivo da ausência dela?
00:17Gente, a profissional estava prestes a dar à luz.
00:21E a gente vai ver aí, então, agora, a fala desse desembargador.
00:26Há um pedido da advogada que requeriu a sustentação para adiamento do julgamento em razão da sua gravidez.
00:34Pois não, Excelência, é o seguinte, esta advogada esteve comigo na semana passada
00:40informando que talvez hoje ela tivesse o seu bebê.
00:46E pela informação da doutora Márcia, ela teve, mas me disse o seguinte,
00:51que, dependendo do resultado, eu poderia relatar o processo.
01:01Eu não vejo óbvio nenhum.
01:04Excelência, eu queria ser bastante prático.
01:07Há um pedido, você defere ou nega?
01:10Não, eu vou deferir o pedido.
01:18Excelência, ela pediu sustentação oral.
01:23Ela acabou, pelo menos eu estou tomando conhecimento da cabela secretária.
01:27Não, não, gravidez, que já dizia o Magalhães Barata, que foi governador do Pará.
01:30Gravidez não é doença, adquire isso por gosto.
01:34Doença, mas é um direito, né, que a...
01:37Mas ela não é parte do processo, ela é apenas advogada no processo.
01:40Ela tinha pedido sustentação oral, essa aí.
01:43Mandava outro substituto, isso é a coisa mais simples que tem.
01:46Bom, eu prefiro...
01:47São mais de 10 mil advogados em Belém,
01:50e acho que todos têm as mesmas qualidades e qualificações
01:53que a doutora Suzane Teixeira.
01:59Eu também.
02:00Gente, essa história deu tanta polêmica
02:02que o desembargador teve que pedir desculpas.
02:06Em nota, ele disse, abre aspas,
02:09revendo novamente a filmagem,
02:11verifiquei que minha manifestação foi profundamente indelicada e infeliz.
02:16E gostaria de oferecer minhas mais sinceras desculpas
02:19a todas as senhoras advogadas
02:21que tenham se sentido ofendidas com minhas palavras.
02:25Fecha aspas.
02:25Agora, esse caso vale uma reflexão, né?
02:30Porque a mesma sociedade que cobra que a mulher seja mãe,
02:34que esteja ali presente,
02:36também tem esse tipo de fala.
02:38E uma pesquisa feita pelo site empregos.com.br
02:43mostra que 35% das mulheres
02:47têm medo de engravidar e perder o emprego.
02:52Gente, isso é uma realidade.
02:54Vamos falar sobre isso?
02:55Vamos bater um papo sobre esse assunto?
02:57Participa com a gente aqui no nosso estúdio.
02:59Eu recebo Kelly Andrade, que é advogada.
03:02Muito obrigada pela sua participação.
03:04Ana Paula Cunha, que é psicóloga.
03:06Obrigada também, Ana Paula.
03:08E esse Oni Rosário, que é mãe de seis filhos,
03:12já passou por muitos preconceitos durante a gestação.
03:16Mas antes, eu queria a sua opinião sobre esse caso, né?
03:20Como mulher, como é que você se sente com uma fala dessa, Sione?
03:24A gente se sente ofendido, como a moça respondeu para ele ali à altura, né?
03:30Não é doença, mas é um direito, né?
03:33E eu posso dizer, acrescentar, assim,
03:36que realmente a gravidez não é uma doença,
03:38mas existem casos e casos.
03:40Eu, por exemplo, na última gestação,
03:43eu tive complicações e foi uma gravidez de alto risco.
03:46Então, muitas vezes, a pessoa não está sabendo,
03:49porque isso é coisa de boletim médico,
03:52não é coisa que você está expondo para todo mundo.
03:55Então, assim, nem todos sabiam,
03:57mas eu passei por uma gestação de alto risco e não foi fácil.
04:03Independentemente se é uma gestação de risco ou não.
04:06Kelly, quais são os direitos da gestante no mercado de trabalho?
04:11Boa tarde, né?
04:11Sejam todas bem-vindas.
04:12É que causa uma revolta, né?
04:14A gente já chega com fúria.
04:16Sim, boa tarde.
04:17No mercado de trabalho, há muitos direitos,
04:19não só da gestante, mas também do bebê.
04:21Então, o bebê ou nascitura,
04:23ele tem também direitos que devem ser preservados.
04:26A gestante já tem o direito à segurança no trabalho,
04:28à estabilidade no trabalho,
04:30à compreensão desses casos de falta justificada
04:32por motivo, né?
04:33Em razão da gravidez.
04:35No caso específico da Suzane, da advogada,
04:37existe uma lei própria desde 2016,
04:40que é a Lei 13.636,
04:43que diz que é direito da advogada,
04:45de gestante, lactante ou adotante,
04:48ter prioridade na situação oral,
04:51prioridade na audiência
04:52e também a suspensão dos prazos
04:54de todos os serviços ali advocatícios
04:56no prazo de 30 dias.
04:58Então, isso está previsto, né?
04:59Está previsto.
05:00Então, além de ter sido uma fala desumana,
05:04uma fala discriminatória
05:06e até uma fala destemperada do desbargador,
05:09é uma fala que ofende e viola uma lei federal.
05:12Então, realmente foi muito grave o que ele falou
05:14e demonstra aí que há um machismo na sociedade, né?
05:18Que há uma...
05:19Havia ali um tom de misoginia na fala dele
05:22que visa diminuir a mulher por ser mulher.
05:25É como aquela mulher que na entrevista
05:27pergunta, você tem filhos?
05:28Porque para os homens não perguntam isso, né?
05:31Para as mulheres tem que perguntar isso.
05:33Então, assim, qualquer discriminação que haja
05:35em razão do fato de ser mulher
05:37ou de ser mãe
05:39não podem ser aceitas.
05:40Você usou a palavra ofensa, né?
05:42E aí, Ana Paula, eu me pergunto
05:44qual deve ter sido o sentimento
05:45dessa advogada
05:47ao ver essas falas,
05:49ao assistir essas cenas, né?
05:51De que forma que isso vai impactando
05:54a mulher gestante
05:55que a gente já tem tanta coisa na cabeça
05:57e ainda vem essa interferência externa?
06:00A gente fala em diversidade
06:02e inclusão, né?
06:04Ali não foi respeitada a inclusão.
06:07Ela é diferente, né?
06:10Ela tem os seus direitos diferentes.
06:13Então, faltou ali a sensibilidade
06:16da inclusão, que incluir
06:18é considerar como o outro funciona também.
06:24Fora a sensibilidade, né?
06:25Que a gente tem.
06:26Você gestou, né?
06:28A gente tem alteração hormonal.
06:30É um momento tão especial
06:31para aquela mãe, né?
06:34E quando eu falo que ela não tem esse direito,
06:37os momentos mais importantes,
06:40mais bonitos da vida dela
06:42não são especiais.
06:43Ela é substituída por qualquer um, né?
06:47Então, a gente sabe o quanto que isso confunde,
06:50traz conflitos na cabeça de uma mulher.
06:53Quem é mãe sabe muito bem, né?
06:55Como é que é essa mistura,
06:57essa confusão hormonal
06:58e a gente, ao mesmo tempo,
07:00como você bem disse,
07:01está prestes a dar à luz
07:03aquele momento mais importante
07:04das nossas vidas.
07:05E você também já passou por situações parecidas,
07:08Sione?
07:09Sim.
07:10Na minha gestação,
07:12na quinta gestação,
07:13por exemplo,
07:14eu prestava serviço para uma empresa, né?
07:16Então,
07:17quando eu comuniquei à empresa
07:19que estava grávida,
07:21foram solicitados os exames, né?
07:23Que comprovam,
07:24porque eu precisaria de mais dias
07:27para poder consultar, né?
07:29A gente tem consultas bimestrais, trimestrais,
07:33primeiro bimestre, segundo, terceiro.
07:34Então, depois foi pedido
07:37para eu marcar as consultas
07:39no final do dia, né?
07:41Para não prejudicar o trabalho.
07:44Mas, nem sempre a gente consegue,
07:46porque as consultas é de acordo com a agenda,
07:49com a demanda do especialista
07:51e não é assim.
07:53Então, eu comecei a ter pressão, né?
07:56A supervisora ficava falando
07:58e aí eu desenvolvi, né?
08:01Transtorno de ansiedade.
08:03Então, assim, foi bem complicado
08:05uma gestação.
08:06E eu estava na quinta gestação,
08:08queria fazer o processo de laqueadura,
08:10não conseguia,
08:11porque a lei também não permitia, né?
08:14Na ocasião.
08:15Então, foi, assim,
08:17uma gestação difícil.
08:19Doutora Kelly, pode,
08:20um caso como esse da Esione,
08:21a empresa,
08:23direcionar o horário?
08:24Olha, você pode até ir no seu médico,
08:26deve ir.
08:27A gente até arca com o seu plano de saúde, né?
08:30Disponibiliza,
08:31mas vai depois do expediente?
08:32Pode isso?
08:33De verdade, não,
08:33porque, inclusive,
08:34o plano de saúde não é um favor também, né?
08:36Quando há um fornecimento
08:38de um plano de saúde,
08:39tem previsão na Convenção Coletiva de Trabalho, né?
08:41Geralmente.
08:42Então, eles já seguem já uma norma
08:44que determina o plano de saúde.
08:46Em relação à ida ao médico,
08:48à frequência ao médico,
08:50é um direito do trabalhador
08:51e é uma falta justificada,
08:53que não pode, inclusive,
08:54ser descontada.
08:55E como ela bem disse,
08:56é de acordo com a disponibilidade do médico,
08:58no nosso horário que a gente quer,
09:01que a gente deseja,
09:01que a gente pode, né?
09:02Quando o médico pode, de fato,
09:03nos atender.
09:04Então, não pode haver nenhum tipo de exigência
09:06em relação ao horário das consultas médicas.
09:09Olha só,
09:09eu até fiz um levantamento aqui,
09:11a mulher gestante,
09:12ela realiza em torno aí,
09:13por baixo,
09:1424 exames,
09:15e se tudo estiver correndo bem?
09:17É claro que, às vezes,
09:18tem exames conjugados,
09:20mas sem contar também as consultas.
09:23E nem sempre a gente consegue, né, Sione?
09:25Como é que você se sentia
09:27diante desse pedido
09:29da sua superior
09:30e você não conseguia atender?
09:33É medo, né?
09:36Além das consultas com a obstetra,
09:40como eu desenvolvi
09:41transtorno de ansiedade,
09:43foi me pedido,
09:44encaminhado para um psiquiatra.
09:46Então, não é fácil,
09:47não é simples,
09:48você pede autorização ali,
09:50aqui,
09:50para você marcar.
09:51Então, assim,
09:52é de acordo com a disponibilidade mesmo.
09:55Não tem como você,
09:56ah, eu quero tal dia.
09:58Não é assim.
10:00Então, assim,
10:00foi bem complicado,
10:02medo,
10:03e depois,
10:04quando você consegue passar um pouco,
10:06respirar um pouco,
10:07você tem medo de ser dispensado
10:09logo depois da licença,
10:11porque tem um prazo, né?
10:13Então, você fica o tempo todo com medo.
10:15Você fica tensa antes,
10:17durante e depois.
10:18E de que forma, Ana Paula,
10:20isso pode até mesmo
10:20afetar a saúde da gestante,
10:23aí, Sione falou que desenvolveu
10:24transtorno de ansiedade,
10:25e do bebê também.
10:26Olha só,
10:27eu gosto muito de gestão de pessoas,
10:29né?
10:29Tem uma frase que fala que
10:30clima é o que você sente
10:32no seu estômago na segunda-feira,
10:34quando você vai trabalhar.
10:36Então, o clima,
10:37um ambiente de trabalho,
10:38é acolhedor,
10:40ele tem impacto direto
10:41na produtividade,
10:42no bem-estar,
10:44na saúde,
10:45né?
10:45E como a gente falou,
10:47inclusão não é apenas
10:48ter a pessoa ali.
10:50Inclusão é que ela se sinta
10:52incluída,
10:54acolhida,
10:54bem-vinda,
10:55como ela falou ali, né?
10:56Olha,
10:57não era nem
10:59ter o medo
11:00da sua presença.
11:02Perfeito.
11:03Olha só,
11:03tem um comentário aqui.
11:04Da ansiedade,
11:05da depressão.
11:06Isso,
11:06da ansiedade,
11:07da depressão, né?
11:08Tem um comentário aqui
11:09que me chamou a atenção,
11:10do Edson.
11:11Ele diz,
11:11é muito fácil
11:12criticar o desembargador.
11:14Ele errou sim
11:15nas palavras.
11:17Mas por que a advogada
11:18não pegou licença médica
11:19antes
11:20e não em cima da hora?
11:22Vou pedir para a doutora
11:23Kelly explicar para a gente
11:24como que isso funciona
11:26e ela agiu
11:27dentro dos termos.
11:29Correto.
11:30A lei diz que
11:31a advogada que busca
11:32uma suspensão
11:33ou justificar
11:34a sua ausência,
11:35um adiamento
11:35de alguma audiência
11:36ou sessão de julgamento
11:37ou até antecipação,
11:39ela tem que requerer,
11:40postular,
11:40pedir,
11:41e a advogada o fez.
11:42Ela fez dessa forma,
11:43ela fez o requerimento.
11:44E tem um prazo para isso?
11:46Existe um prazo
11:46que você julgar necessário.
11:48Você precisa sair
11:4830 dias antes,
11:4915 dias antes
11:50ou, enfim,
11:50uma semana depois,
11:51de acordo com o que
11:52for a necessidade
11:53particular dessa advogada.
11:55O prazo para requerer
11:57é indeterminado
11:58de acordo com a necessidade,
11:59mas o prazo para conceder
12:00de 30 dias
12:00após o nascimento
12:01do filho.
12:03O que tem que esclarecer
12:04por qual o nome dele
12:05é Eudson?
12:06O Eudson.
12:07O Eudson.
12:08Isso.
12:08É que a maior parte
12:09dos advogados
12:09são autônomos,
12:11não tem ninguém
12:12que os substitua.
12:13Então, advogadas,
12:14mulheres como eu,
12:15que tiveram dois filhos
12:16como eu tive,
12:18que tiveram audiências
12:19na época do nascimento
12:20dos filhos,
12:20não podiam se fazer
12:22substituídos por ninguém.
12:23Não é fácil
12:24substituir um advogado
12:25porque a relação
12:26do cliente com o advogado
12:27é a relação de confiança.
12:28Assim como é de um médico,
12:30você confia naquele médico,
12:31procura aquele médico
12:32por uma relação de confiança.
12:33Assim também é a relação
12:34do cliente com o advogado.
12:36Então, ela realmente
12:37cumpriu com a parte dela,
12:39fez o requerimento,
12:40foi negado pelo advogador
12:41e foi deferido
12:42pela advogadora relatora,
12:43que é uma mulher
12:44que, graças a Deus,
12:45tem sensibilidade e empatia,
12:47o que esperávamos de todos.
12:48Mas o fato é que
12:49não há licença
12:51para advogados autônomos,
12:53prestadores de serviço
12:54que trabalham
12:54como profissionais liberais.
12:56Eles não são servidores públicos,
12:57nem seletistas,
12:59eles realmente têm que trabalhar
13:00para poder pagar
13:02as suas contas.
13:02e ela não requereu antes,
13:05certamente porque não havia necessidade,
13:06mas quando requereu,
13:07deveria sim ser deferido.
13:09Inclusive, a licença maternidade
13:11é algo que também não existe
13:12para quem é advogado,
13:14por exemplo,
13:14profissional liberal?
13:16Se for contribuinte,
13:17ele vai ter uma licença
13:19do INSS, né?
13:20Agora, se não contribuiu
13:21com o INSS,
13:22também não vai ter
13:22nenhum tipo de licença remunerada.
13:24Ou seja,
13:25é aquilo que a gente resumiu, né?
13:27Antes, durante e depois.
13:28A cabeça da mãe
13:29nunca descansa
13:31porque sempre tem
13:31essas cobranças,
13:32esses julgamentos da sociedade.
13:34E bora convidar, então,
13:36mais uma mãe
13:36para esse nosso bate-papo,
13:37a Carla Prezotti.
13:38Ela é mãe de gêmeas
13:39e também sofreu, né, Carla?
13:42Esse preconceito.
13:43Conta para a gente
13:43o que aconteceu.
13:44Boa tarde.
13:46Ei, boa tarde, Roberta.
13:48Tudo bem?
13:49Então, na época,
13:51eu trabalhava com...
13:53já na minha área, né?
13:55E eu trabalhava
13:56com a agenda marcada.
13:58Eu estava numa sessão
14:00de fotos de grávida.
14:01E aí, uma paciente
14:02entrou em contato comigo
14:04querendo que eu atendesse
14:05ela naquele dia.
14:06E eu falei que naquele dia
14:07eu não podia, né?
14:09E aí, a menina,
14:12até hoje,
14:13ela não conversa comigo.
14:14Ela não leu minhas mensagens,
14:16não me respondeu,
14:18enfim.
14:19Porque você não fez um atendimento
14:21que ela nem agendou, Carla?
14:25Isso, ela nem agendou.
14:27Ela simplesmente me ligou
14:28e eu estava na sessão de fotos,
14:31né?
14:31Na época, eu falei,
14:32olha, amanhã eu tenho horário,
14:34eu consigo te atender.
14:35Mas hoje, no momento,
14:36eu não consigo.
14:38E aí, ela nunca mais
14:40ficou em contato comigo.
14:42Cortou assunto,
14:43cortou relações,
14:44nunca mais...
14:46Ela era uma paciente sua,
14:48uma cliente sua?
14:49Isso, ela era uma paciente minha
14:52e a gente tinha uma relação,
14:53assim, de coleguismo, né?
14:56Podia se dizer que ela
14:57era uma amiga.
14:59Você não esperava
15:01essa atitude dela?
15:04Não, não esperava.
15:05Porque a gente está passando
15:07um momento delicado ali, né?
15:10E você não espera isso das pessoas.
15:14Carla, deixa eu só trazer
15:16esse assunto para a Ana Paula,
15:17que é psicóloga,
15:18que está aqui com a gente,
15:19que esses julgamentos
15:20vêm de onde a gente
15:22menos espera.
15:23que é de outras mulheres, né?
15:25Quando eu cheguei aqui,
15:26a colega tinha chegado
15:27mais cedo e ela falou, né?
15:28Que o olhar dela,
15:29quando na primeira gestação
15:30dos 16 anos,
15:32ela quase se justificando.
15:33Eu era casada,
15:34eu tinha uma e falei,
15:34você não precisava ser, né?
15:36Mas esse julgamento
15:37vem de outras mulheres.
15:40Tem uma coisa
15:41que eu acho muito bacana,
15:42que tinha um psicólogo
15:42que falava que ele fazia
15:43os pacientes esperarem
15:44na recepção, ok?
15:47De falar por quê.
15:48Começa a trabalhar aí
15:49o conceito de respeito
15:51e empatia, ok?
15:53Eu sou extremamente
15:54pontual no consultório.
15:55Esses dias eu passei
15:56por uma mãezinha em luto.
15:58Falei,
15:58ela não sai daqui
16:00e assim,
16:01você já vai trabalhando
16:02esse conceito de empatia
16:03até na terapia
16:05com você, né?
16:06Que foi o que a Carla ali
16:07não teve
16:09do cliente dela.
16:11Então,
16:11empatia é o que a gente
16:12pode trabalhar, né?
16:13Que a gente deve trabalhar
16:14inclusive
16:15na nossa profissão, né?
16:17A colega advogada
16:19ela é mãe
16:20como ela falou
16:21ela é advogada
16:22ela é mulher
16:23ok?
16:25Então,
16:25eu preciso
16:26desmarcar
16:27eu sou mãe
16:28se meu filho tiver
16:29o imprevisto
16:30eu vou falar
16:30desmarcarei as agendas
16:32por conta
16:33do meu filho
16:34ok?
16:35O outro pode compreender
16:37ou não
16:38mas a gente está aqui
16:39para trabalhar
16:41a empatia no outro.
16:42E falta isso muito
16:43na sociedade, né?
16:44essa empatia
16:45essa sensibilidade
16:46e a gente não está falando
16:48só de sentimentos
16:49a gente está falando
16:50também de direitos
16:52a gente vai ver agora
16:53o relato da Roberta
16:55que é mãe
16:56de três filhos
16:57escuta só
17:019 anos
17:02fui mãe
17:05aos 44
17:06eu tenho um filho
17:08de 25
17:08uma de 21
17:09e um pequeno
17:11de 5 anos
17:12quando eu tinha
17:1243 anos
17:13eu engravidei
17:15preconceitos
17:17aos 43 anos
17:18de idade
17:19sim
17:19temos
17:20e tive
17:22tive
17:23que ouvir
17:23você não acha
17:24que é muito velha
17:25para ser mãe
17:25de novo
17:26podia ter se cuidado
17:28já não é
17:28nenhuma mocinha
17:29você sabe
17:30informação
17:31ah pelo amor de Deus
17:32vai deixar de fazer
17:33tal coisa
17:34porque foi
17:35uma gestação
17:35de risco
17:36devia ter se cuidado
17:38se tivesse cuidado
17:39não tinha acontecido
17:40isso
17:41e são essas coisas
17:42que a gente ouve
17:43e mesmo
17:45eu com meus 44 anos
17:47fui mãe
17:48de uma criança
17:49linda
17:49maravilhosa
17:50extremamente saudável
17:51é isso
17:52beijos
17:53obrigada Roberta
17:55pela sua participação
17:56também dando o seu
17:57relato
17:58e aí a Sione
17:58também se identifica
17:59com essa fala
18:00né
18:00agora na sua
18:02sexta filha
18:03é
18:04é menina
18:05né
18:05menina
18:05a Júlia
18:06você também
18:07ouvia comentários
18:09a respeito
18:10da sua idade
18:11é
18:11a idade
18:12né
18:12e mais um
18:13não chega não
18:15ué não tem televisão
18:16em casa não
18:17seis
18:18para que tanto
18:20né
18:21e
18:21e as pessoas julgam
18:22sem saber a sua história
18:24não
18:24não pergunta
18:25simplesmente
18:25te classifica
18:28independentemente
18:28da justificativa
18:30não aquilo que a gente
18:30estava conversando
18:31né na Paula
18:32a gente já quer logo
18:32se justificar
18:33no caso da Sione
18:35olha que ela estava
18:35na fila
18:37para fazer a laqueadura
18:38né
18:38sim
18:39e o seu marido
18:39também para fazer
18:40a vasectomia
18:41pelo SUS
18:41e não conseguimos
18:42e
18:43para eu conseguir
18:45a laqueadura
18:46agora
18:47eu consegui através
18:49de uma liminar
18:49na justiça
18:50que uma amiga
18:52advogada
18:53ela fez isso assim
18:54por amor mesmo
18:56porque ela é
18:57uma bênção
18:58e ela fez o pedido
19:00e
19:00a juíza determinou
19:01manda um beijo então
19:02para essa amiga também
19:03é Cláudia
19:04o nome dela
19:05é uma bênção
19:06e ela conseguiu
19:07e foi feito
19:09né
19:09mas só assim
19:10porque tem a lei
19:12eu fiquei
19:13falava
19:14gente tem lei
19:15e eu quero fazer
19:17eu preciso
19:17já ser essa gestação
19:18não consegui
19:21assim
19:22nos trâmites legais
19:23assim certinho
19:24né
19:24pelo
19:24pelo protocolo
19:26mas
19:26graças a Deus
19:27consegui
19:28dessa forma
19:30olha só o comentário
19:31da Paula Crisanto
19:32ela disse
19:32sensacional o tema
19:33da reportagem
19:34parabéns pela abordagem
19:36ampla e bem esclarecida
19:37estou com 12 dias
19:39de resguardo
19:40passei por situações
19:42constrangedoras
19:43no meu trabalho
19:44eles tornam
19:45o ambiente de trabalho
19:46tão desconfortável
19:47que eu chorava
19:48constantemente
19:49no banheiro escondido
19:50realmente
19:51é horrível
19:52só quem passa na pele
19:54para saber
19:54na minha opinião
19:56um crime contra
19:57a gestação
19:58a gestante
19:59principalmente para o bebê
20:00ela está falando que
20:01isso pode se tornar um crime
20:03e pode
20:04doutora Kelly
20:05assim como que a mulher
20:06ela pode se proteger
20:07nesses momentos
20:08o que serve de prova
20:10a trabalhadora
20:12especificamente
20:13ela não tem que passar
20:14por esse tipo de situação
20:15é claro sim
20:16que ela depende
20:17do trabalho
20:18para sobreviver
20:19mas ela tem ali
20:20uma estabilidade
20:21em razão do estado
20:22gravítico
20:23que vai até o quinto mês
20:24após o nascimento
20:25do bebê
20:26e caso ela entenda
20:27que o empregador
20:29está violando
20:31está violando
20:31as regras
20:32contratuais
20:33que está perseguindo
20:34causando desconforto
20:36discriminação
20:37havendo algum tipo
20:38de assédio
20:39em relação a essa
20:40trabalhadora
20:40ela pode pedir
20:41inclusive
20:41que saia
20:43do emprego
20:44nós chamamos
20:45de rescisão indireta
20:46culpando o empregador
20:48o patrão
20:49por essa saída
20:50e assim
20:50todos os direitos
20:51que ela faz jus
20:52de acordo com
20:53as leis trabalhistas
20:54então a
20:55trabalhadora
20:56gestante
20:57ela tem
20:58muitos direitos
20:59e garantias
20:59é importante que saibam
21:01que não tem
21:01que passar por isso
21:02a não ser realmente
21:03que acham
21:05que haja
21:05alguma forma
21:06de reverter
21:07a situação
21:07agora a gente sabe
21:09que na prática
21:10não é toda mulher
21:12que sofre isso
21:13que ela vai
21:13entrar na justiça
21:14que ela vai acionar
21:15a justiça
21:15aí começa já
21:16com medo de contar
21:17a gravidez
21:18para os seus superiores
21:20ai estou com medo
21:20fica pisando em ovos
21:21aí depois
21:23lida com os comentáriozinhos
21:25aqui
21:25é colar
21:25com olhares estranhos
21:27de colegas
21:28e aí essa mulher
21:29vai guardando tudo
21:30para ela
21:31igual essa
21:32telespectadora
21:33falou Ana Paula
21:34que ela vai para o banheiro
21:35que ela ia para o banheiro
21:35chorar escondido
21:36então quais sentimentos
21:38isso pode
21:39ir provocando
21:41nessa mulher
21:41olha só
21:42a gente tem
21:44acredito que todas aqui
21:45conheçam alguém
21:46que tenha ansiedade
21:47vocês conhecem
21:49episódios depressivos
21:50ok
21:51então o ambiente do trabalho
21:52é um local que a gente passa
21:54bastante tempo
21:55a gente conhece pouco
21:57sobre o que é assédio
21:59que as vezes a pessoa
22:00está passando
22:01pelo assédio
22:02nem sabe
22:02as vezes chegam adolescentes
22:04lá no consultório
22:05está passando por assédio
22:06na escola
22:07e a gente fala
22:07nossa mas você não
22:07não vão chamar o pedagogo
22:10para conversar
22:10porque isso é
22:12assédio
22:12as vezes a própria mulher
22:13nem sabe
22:14o que é assédio
22:15então sim
22:16toda vez que a gente
22:17se sente
22:18atacado
22:19ok
22:19a gente vai entrar
22:20em um estado de estresse
22:22né
22:23se eu entrei em estresse
22:24eu vou entrar em estado
22:25de alerta
22:26a gente pode ter estresse
22:27a gente é preparado
22:28para o estresse
22:28mas se ele é constante
22:31ele pode sim
22:32progredir
22:33para um caso de ansiedade
22:34né
22:35para episódio depressivo
22:36insônia
22:37ok
22:38preocupação
22:39como a colega passou
22:40né
22:40o medo
22:41do voltar
22:42no dia seguinte
22:43e a gente sabe
22:45o quanto
22:45viver esse sentimento
22:48paralelo
22:49a gestação
22:49o quanto isso é danoso
22:51para a saúde
22:51mental da mãe
22:53e a gente também não sabe
22:54os impactos
22:55que isso pode trazer
22:56para o bebê
22:56ó
22:56o
22:56o
22:56o
22:56o
22:56Obrigado.