- há 3 semanas
Capixabas que voltaram de Israel tentam retomar rotina
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00:00Enquanto muitos brasileiros retornam ao Brasil para fugir da guerra, outros decidem permanecer em Israel.
00:07Entre eles, brasileiros com dupla nacionalidade, que foram convocados pelo exército israelense.
00:15É neste quarto onde uma brasileira que mora há 30 anos em Israel se esconde com a família
00:21quando as sirenes alertam para o lançamento de foguetes inimigos.
00:25Esse é o quarto antibombas, é um quarto normal, o quarto do meu filho, que ele dorme.
00:32Mas como vocês podem ver, tem aqui uma janela que está fechada e tem uma parede de ferro entre a
00:41persiana e o vidro.
00:43A família mora em um kibbutz, uma espécie de vilarejo a cerca de 60 quilômetros da faixa de Gaza.
00:50E tem aqui também um aparelho que é para, se Deus o livre, fomos atacados por um ataque de químico
01:04que a gente possa receber ar e poder respirar.
01:08Apesar de acostumada com as tensões militares presentes no país há anos, a brasileira, casada com um israelense, mãe de
01:16três filhos,
01:17afirma que nunca presenciou uma situação tão grave quanto a de agora.
01:22Mas está decidida a permanecer em Israel.
01:26Eu não saio do meu país, eu não saio da minha terra, eu não deixo o meu povo.
01:33E além do mais, ainda mais agora, que eu tenho uma filha que está no exército.
01:38A filha mais velha, de 19 anos, é quem está na guerra a serviço do exército israelense.
01:45É um peito nociente, assim, como muito de orgulho dela, mas não é fácil.
01:53Eles são ainda jovens, eles perdem um pouco da inocência quando acontece esse tipo de coisa.
01:59Jairo Gavendo é primeiro sargento da reserva do exército de Israel e mora há mais de 20 anos aqui no
02:05Brasil.
02:05Mas muitos amigos e parentes ainda estão lá, incluindo os dois filhos.
02:11O mais novo, de 19 anos, está servindo em uma base no centro do país.
02:17Pai e filho se falam sempre que possível pelo celular.
02:22Apreensivo, Jairo dá força ao filho e compartilha a própria experiência vivida na década de 90,
02:29quando esteve em combate no sul do Líbano.
02:32Hoje, com 56 anos, é como se ele revivesse tudo.
02:36A gente percebe aqui no Brasil, amigos nossos ligando, me perguntando como estão meus filhos, como que eu estou.
02:45É um sentimento de solidariedade.
02:48E eu acho que pessoas com discernimento entendem o que acontece ali.
02:59Jairo teme os rumos da guerra e confessa que já considerou voltar para ajudar o país.
03:05Eu me sinto comigo mesmo mal em deixar meus colegas aí à frente e os meus filhos lá.
03:16Eu me sinto em condições...
03:17Claro, eu não sou jovem, de 56 anos, já não tenho mais meus 18 faz tempo.
03:23Muito provavelmente não teria condições físicas de atuar fazendo o que eu fazia antes.
03:29Mas, numa retaguarda, numa torre de guarda, ou talvez alguma outra coisa, um pouquinho mais que isso, eu me vejo
03:41em condições.
03:42Toda a nossa esperança, nesse momento, está depositada nos nossos soldados.
03:48E eu sei que os nossos soldados, eles têm essa força interna e eles sabem que se a gente perde
03:55Israel, a gente perde a pátria.
04:00E olha, gente, a família Capixaba, que estava em Israel naquele momento, quando o conflito estourou, aos poucos, tenta voltar
04:07à rotina.
04:08Mas a gente sabe que não é fácil, né? Esquecer o que viveram em Israel.
04:12Vamos bater um papo, então, com essa família?
04:14Vem cá, participa com a gente.
04:15No nosso estúdio, eu recebo Ednard, junto com a esposa, a Rayane Nascimento, e a filhinha, a Melina, que está
04:23aqui à vontade no nosso estúdio.
04:25Como é bom ver a Melina aqui também, tranquila, junto com vocês.
04:29E junto também, o Alexandre Brito, que é psicólogo.
04:32Agradecemos a presença de todos. Boa tarde, sejam bem-vindos.
04:35Boa tarde, obrigada.
04:36Primeiro, eu quero que você comece falando para a gente, Ednard, da sensação de estar de volta para casa.
04:42Então, assim, estamos muito felizes em poder voltar ao nosso estado, nosso país, que nós amamos muito.
04:51E é uma sensação de alívio que nós sentimos, porque estar num país, outra cultura, mesmo que nós amamos muito
05:03a Israel,
05:04nós sabemos que é diferente.
05:07Somos peregrinos em terra estranha, mas um pedaço de nós ficou lá, porque nós temos amigos lá,
05:14mas nós nos sentimos muito bem em poder estar na nossa pátria, na nossa nação,
05:19e reencontrar amigos, familiares, que nos receberam tão bem no aeroporto.
05:25E também, melhor ainda, as mensagens de afeto, de alívio que eles enviaram para nós também.
05:31Então, é muito gratificante.
05:33Raiane, era uma viagem com fins religiosos.
05:37E em que momento vocês se deram conta do que estava acontecendo?
05:43Então, a sirene tocou pela manhã.
05:47Nós não sabíamos o que era.
05:49A gente imaginava que num país que tem tanta segurança e tal,
05:53então se soou o alarme e alguma coisa estava acontecendo, mas não imaginávamos o que era.
05:58estávamos já nos preparando, porque no outro dia nós iríamos retornar para casa.
06:03E aí a gente entrou em contato com um amigo que mora lá para saber o que está acontecendo.
06:07E aí ele nos respondeu,
06:10ó, se abriguem porque estamos aí numa situação de sendo atacados, de conflito.
06:18Então, se abriguem enquanto vocês puderem.
06:20Então, soa um alerta para nós.
06:22Como é que foi para vocês receber essa notícia, né?
06:25Estamos sendo atacados.
06:27Essa não é uma realidade que a gente vive aqui no Brasil e vocês,
06:31em outra terra, com um povo que fala outra língua, outro clima.
06:35Como é que foi para vocês receber essa notícia, essa informação?
06:38A princípio, como nós não tínhamos, eu não tinha, na verdade ele enviou para mim a mensagem,
06:45eu não tinha a proporção do que era estar sendo atacado.
06:50Eu só enviei para ele uma resposta, ok, obrigado pela informação, Deus vai nos guardar.
06:57Então, assim, eu não imaginava o que estava por vir.
07:01Tanto que eu não corri para o bunker porque não tive essas orientações,
07:04só recebi depois que houveram pelo menos duas ou três sirenes sendo tocadas.
07:10Até então vocês não tinham visto televisão, não via nenhuma imagem, nenhum barulho por perto até então?
07:16Não, não tínhamos visto nada.
07:19Fomos para a janela, mas como era shabat, era um dia de descanso, como se fosse o domingo aqui,
07:24as ruas já estavam relativamente vazias.
07:26Então, não tinha como perceber talvez uma correria na rua,
07:29porque já estava vazia a rua, a maioria das pessoas estava em casa, né?
07:36E os mercados e tudo mais estavam fechados.
07:39Então, nós particularmente continuamos onde nós estávamos
07:43e logo após receber algumas informações da anfitriã da casa, do apartamento que nós estávamos,
07:51nós começamos a ver como nos proteger, né?
07:53Ela falou que nós deveríamos descer talvez duas sacadas
07:56ou então procurar o banque que tinha no prédio
07:59ou ela passou três endereços mais próximos de onde nós estávamos.
08:03Procurar um banque, você alguma vez na vida imaginou ter que ir atrás dessa saída?
08:10Porque não é uma coisa, como eu já disse, não é uma coisa que compete à nossa realidade.
08:14Como é que foi para vocês isso?
08:15É entrar naquele ambiente que nós nem conhecemos, mal, mal em filme.
08:23Então, nesse primeiro momento, como nós falamos, que soou, né?
08:26Como nós não sabíamos, não tínhamos informação, nós continuamos dentro mesmo do apartamento.
08:31E, posteriormente, né?
08:32Como nós continuamos no país e amigos nos abrigaram na casa deles,
08:38aí sim que quando soou a sirene que nós precisamos ir para lá.
08:44Então, tocou a sirene, a gente foi imediatamente, corremos, né?
08:49Levamos a nossa filha, a gente nem sabia como era o ambiente.
08:52Aí cheguei lá, vimos que era uma espécie de, como se fosse um caixote fechado de ferro,
08:57uma porta de ferro bem segura, assim, né?
08:59Para, se caso precisasse fechar.
09:02Vocês ficaram em quantos lá dentro?
09:05Uma média de 15?
09:06Média de 15 pessoas, porque o prédio não é um prédio tão grande, né?
09:10Então, poucas famílias e o mais interessante é que ali tinham famílias de vários tipos de famílias, né?
09:17De judeus, de cristãos e de outros, mas que nesse momento, nessa hora,
09:22precisou se juntar no mesmo ambiente, né?
09:25Para se proteger.
09:26Agora, é diferente, né?
09:28Quando a gente está com uma criança, ainda mais uma criança de cola,
09:31ela tem 3 anos, a Melina, é diferente.
09:34Mas, embora para nós adultos já seja chocante, você ter essa responsabilidade a mais,
09:41qual era a reação que ela esboçava?
09:45Assim, a princípio, nos primeiros ataques, ela ficou muito tranquila.
09:50Inclusive, no mesmo dia, ao entardecer, nós fomos para uma pracinha que tinha ao lado de onde nós estávamos,
09:57porque eu fui tocar, cantar um louvor, e minha esposa dançar, e ela ali no meio, cantando até,
10:06nós postamos no Instagram, porque nós teremos que declarar a paz, acreditar,
10:11era a fé que nós tínhamos e temos, né?
10:14E até nesse momento, ela não havia esboçado nada.
10:17A partir do momento que nós fomos para a casa desses amigos, que inclusive são brasileiros,
10:23nós tivemos que ir a primeira vez para o banco, e aí nós já estávamos mais orientados,
10:27e ela esboçou um pouquinho de um certo, uma certa ansiedade, né, o que está acontecendo.
10:34E as crianças que estavam lá, naquele ambiente, elas gritaram, uma de 5 anos, mais ou menos,
10:40gritou, corre a bomba!
10:42Aí ela, a bomba?
10:43Então, assim, no limite do que ela entende por bomba, ela sentiu certa ansiedade.
10:48E aí ela já veio para o meu colo, e aí ela disse, papai, com a voz meio trêmula,
10:54papai, eu estou com medo da bomba.
10:56E aí eu disse para ela, filha, olhei nos olhos dela, filha, quem é que está nos protegendo?
11:01E aí ela disse com a voz trêmula, Deus, é Deus que está nos protegendo.
11:06Aí eu falei, isso, filha, Deus está protegendo você, está protegendo o papai, a mamãe,
11:11e todos que estão aqui, e está protegendo a Israel também.
11:14E aí nós nos apegamos a essa fé e precisamos manter a força e a firmeza, acreditando nisso.
11:22Alexandre, diante dessa cena, a gente até lembra de um filme que ficou muito conhecido,
11:27o filme A Vida é Bela, que o pai tenta proteger também o filhinho pequeno dos ataques, da guerra, enfim.
11:34E a gente fica se perguntando como se comportar, por exemplo, nessas horas com uma criança.
11:39Como é que a gente faz? Boa tarde.
11:40Boa tarde. É um verdadeiro desafio, né, você tentar se manter numa situação como essa,
11:48que mostra o quanto nós, de alguma forma, porque a guerra demonstra o quanto que é a guerra,
11:55o ataque bélico que é o caso, né, o quanto que é o verdadeiro fracasso da gente ter uma boa
11:59relação,
12:00da nossa convivência, de ter diálogo no lugar da violência.
12:04Então, as crianças, elas têm um sentido muito apurado para entender o que está acontecendo,
12:10mas nem sempre elas falam com as palavras, com a boca, elas demonstram com o corpo, com o comportamento.
12:16E os pais, os responsáveis, tentam, né, de alguma forma, trazer algum conforto e segurança,
12:23sendo que nem sempre você vai conseguir fazer isso.
12:26Porque você também não está se sentindo seguro, mas você vai tentar, pelo menos, mostrar que está junto.
12:32Então, essa tentativa de você demonstrar que existe essa possibilidade de estar juntos, né,
12:40que não importa o que aconteça, é uma tentativa, né, de você ali tentar responder às ameaças do mundo,
12:48às ameaças de fora, às violências que estão assolando todo o ambiente, né.
12:53Então, é sempre um verdadeiro desafio, que a gente chama de situação limite, né.
12:58E nessa situação limite, realmente, adultos e crianças sempre fica um pouco, assim,
13:05difícil você conseguir distinguir quem tem mais medo, quem tem mais inseguro, quem apoia quem.
13:12Eu já vi casos de criança consolar os pais também.
13:15Então, é um momento realmente de troca e tentar trazer segurança ali, nesse sentido de estar junto.
13:22Perfeito. Qual foi o momento mais tenso que vocês encararam?
13:34Assim, quando nós estivemos no aeroporto pela primeira vez, né,
13:37essa família já estava nos dando essa assessoria, então eles nos deixaram no aeroporto, né.
13:44E ali, passar aquele dia com diversas pessoas, sem saber muito se seria possível retornar ao Brasil ou não,
13:52a companhia de... que nós compramos as passagens, havia cancelado o voo naquela mesma madrugada,
13:59a horas do voo.
14:01Então, até a noite anterior, nós estávamos na esperança de que nós iríamos voltar.
14:05Quando nós dormimos e acordamos, já havia sido cancelado,
14:09então nós estávamos na tentativa de retornar através de uma realocação,
14:14mas como estava tudo fechado, a companhia, nós vimos que não seria possível.
14:19E aí, o trajeto de volta já foi um momento, assim, um pouco mais difícil,
14:23porque nós teríamos que encontrar um plano B ou C.
14:26E, assim, acredito que o momento mais difícil que eu particularmente tive
14:32foi quando a minha filha, ela com essa voz trêmula,
14:36ela disse que estava com medo.
14:38E é normal sentir medo, né, assim, num momento e ambiente como o que nós estávamos.
14:43E eu me apeguei à fé, me apeguei à palavra que eu acredito,
14:48e oro todos os dias pela paz em Jerusalém, pela paz em Israel.
14:52É uma nação que eu e minha família amamos.
14:56E foi o momento mais tenso, assim, que eu me senti assim,
14:59mas que eu acreditei até o fim, e acredito.
15:01Você disse que é uma nação que a sua família ama.
15:05Vocês já estiveram lá em outro momento?
15:08Sim, é a segunda vez.
15:10Nós estivemos em 2017, em Israel.
15:13Inclusive, eu também toquei nessa festa dos tabernáculos e ela dançou.
15:17E este ano, nós retornamos para que levássemos.
15:22Era um dos pedidos que nós deixamos no Muro das Lamentações.
15:25Retornar com a nossa família e já com uma descendência nos braços.
15:30Nosso filho ou filha, porque nós não sabíamos se teríamos filho ou filha.
15:33E nós retornamos com a Melina.
15:35Esse ano, até então, não sabíamos se iríamos ser convidados pela Embaixada Cristã em Jerusalém,
15:41de Jerusalém no Brasil, na verdade.
15:43E recebemos essa carta convite e servimos nessa festa.
15:47E já estava finalizada a festa e iríamos regressar.
15:50Mas é a segunda vez que nós vamos.
15:53E qual foi o sentimento de vocês quando veio a confirmação
15:56de que vocês embarcariam nesse voo para o Brasil, um voo realizado pela FAB?
16:03Então, a gente estava inicialmente, antes de receber a ligação, aflitos,
16:09porque o nosso voo havia sido remarcado para sexta-feira,
16:13mas não sabíamos se ele iria continuar.
16:15Tanto que ele foi cancelado novamente.
16:17Não iríamos conseguir embarcar nele.
16:20Então, quando a gente recebeu esse contato,
16:24uma moça entrou em contato comigo e falou,
16:26ó, vão te ligar e tal.
16:28E eu fiquei aguardando e uns 30 minutos me ligaram e perguntaram,
16:31ó, nós temos três últimas vagas no voo da FAB
16:35para retornar para o Rio de Janeiro.
16:36Você tem interesse?
16:37Eu falei, com certeza tem interesse.
16:41Aí ele falou, ó, então confirma, vou te mandar isso por escrito.
16:44No WhatsApp você manda novamente.
16:46Estou confirmando que desejo essas três vagas
16:50para a gente colocar, né?
16:51Precisa dessa confirmação ou não?
16:52Com certeza, agora mesmo já mandei as documentações e a confirmação.
16:56Então, veio, acendeu ainda mais a esperança de estarmos retornando.
17:01Então, foi um sentimento também de alívio.
17:04Ainda que não tivesse ainda concretizado,
17:07mas, como eu falei, ainda aumentando, né,
17:10a questão da esperança de estarmos retornando.
17:12Eu me coloquei por vários momentos no lugar de vocês
17:15e ficava me perguntando, imagina o translado, né,
17:19da casa até o aeroporto e chegar no aeroporto ainda,
17:23ir para a aeronave e até mesmo sobrevoar,
17:26ainda voar ali no céu ainda da região de Israel.
17:30Dava medo também nesses momentos?
17:33Sentia medo nessas horas?
17:34Então, assim, a princípio nós preferimos manter o sigilo, né,
17:40não falamos para muitas pessoas que nós havíamos recebido o contato da embaixada, né,
17:48e recebemos as orientações de como proceder,
17:52iríamos para um ônibus num certo horário,
17:55e aí recebemos a orientação do comandante
17:58de como seria esse trajeto de Jerusalém até o aeroporto.
18:01E ali ele falou sobre se caso houvesse algum tipo de ataque,
18:06como nós deveríamos nos proceder.
18:08Então, assim, já gera uma certa tensão,
18:10porque era uma média de 30, 40 minutos de terrestre, né,
18:15a gente teria que ir até Tel Aviv,
18:17a trajeta até Tel Aviv.
18:18E depois, no aeroporto, a espera de diversos check-ins, entre outras coisas,
18:25inclusive durante o nosso período lá no aeroporto,
18:28teve um soar de sirene, e como era um ambiente muito cheio,
18:33as pessoas, por mais que pedisse calma, se desesperaram,
18:36todas, conforme a orientação, deitaram no chão.
18:39Eu até falei com a filha, filha, vamos dormir um pouquinho.
18:42Aí ela viu todo mundo deitado ali e falou,
18:44ela até então estava tranquila,
18:45mas depois orientaram para correr para as escadas, né,
18:49aquela multidão de pessoas foram todas para as escadas
18:53e não caberia, assim, todos, né, no bunker que tem ali.
18:58E precisamos aguardar uma média de 10 minutos.
19:01Aí já gerou mais um pouquinho, né, dessa aflição.
19:04E durante o voo, né, também teve, né, aqueles momentos,
19:09mas quando o comandante, ele disse,
19:12olha, acabamos de sair de terra israelense,
19:18todos aplaudiram, né, felizes por ter conseguido vencer nessa parte,
19:23claro que foi Deus que deu essa oportunidade para nós.
19:27Nossa, não tem como não se arrepiar, né?
19:29Agora, Alexandre, a gente vê que o mundo está sensibilizado
19:32com o que está acontecendo, até porque as imagens chegam para a gente, né,
19:36e isso mostra, por um lado, o quanto, quem é humano,
19:41o quanto essa pessoa tem um coração bom,
19:43agora, quem também é perverso,
19:45o quanto a maldade pode destruir mesmo uma humanidade, né?
19:50É, a gente percebe que esses ciclos de violência,
19:53eles voltam e meia retornam, infelizmente, né?
19:57E a gente está também num mundo em que essa tecnologia da imagem,
20:01ela atravessa o mundo numa velocidade muito grande.
20:03E, às vezes, as próprias pessoas que estão envolvidas na guerra
20:07ou no ataque bélico ou na violência,
20:11elas filmam e propagam como estratégia de medo,
20:15de causar medo e violência, né, nesses ambientes.
20:19Isso demonstra realmente esse nosso fracasso civilizatório,
20:23os riscos que a gente corre o tempo todo,
20:26o quanto é sempre importante, né,
20:28tentativas, né, de sempre produzir melhores relações,
20:32relações entre pessoas, entre comunidades e entre nações, né?
20:36Porque ali a gente vê que é uma...
20:39não há uma tentativa de incluir a diferença,
20:42mas sempre de subjugar o outro e de apagar o outro, né?
20:46É muito triste a gente ver essa realidade, né?
20:49Então, testemunhamos isso,
20:51mais do que nunca agora, com imagens, né,
20:54de modo a demonstrar essa perversão e esse medo, né,
20:59que nos causa e é realmente entristecedor essa realidade.
21:04Perfeito.
21:04E só de ver as imagens, a gente sabe que isso traz impactos, né,
21:07para a nossa saúde mental, mesmo estando aqui do outro lado.
21:11Exatamente.
21:12Gente, obrigada pela participação de vocês.
21:14Que bom tê-los de volta.
21:16Melina, um beijo, viu?
21:18Depois eu tinha que te dar um abraço, tá?
21:19Agora...