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  • há 3 semanas
Exemplo dos pais deve ir muito além da teoria

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Transcrição
00:00Agora a gente muda de assunto, hoje é dia das crianças, né?
00:03E cá entre nós, tem felicidade maior do que ter uma criança em casa?
00:08Pois é, gente, a mãe e um menininho de apenas 5 anos emocionaram o Brasil
00:13ao explicarem um vídeo com muito amor o que é viver com a síndrome de Down.
00:19O Marcelinho, você vai ver aí na reportagem, ele é uma verdadeira lição de vida.
00:25Olha só.
00:27Para contar a nossa história, vamos, oba!
00:34Pode contar sua história, Marcelinho, quantas vezes você quiser.
00:39Ao lado da sua mãe, então, é ainda mais encantador ouvir como tem sido esses 5 anos de vida.
00:49Era uma vez, uma mãe gravida.
00:53O médico disse...
00:55Raquel, vai ser o menino de 5 anos.
00:58O menino de 5 anos não, vai ser um menino.
01:015 anos você tem hoje.
01:03Aí eu disse, meu Deus, ele vai se chamar...
01:08Marcelinho!
01:10Mas como em toda boa história, veio, digamos assim, o inesperado.
01:15Você é tão precioso.
01:19Raquel, ele tem...
01:23Sim, não te dá.
01:27Acredito.
01:28Ele vai vir com aquelas...
01:30Com aquelas...
01:34Com aqueles...
01:36Com aquele...
01:41Até que essa família decidiu incluir nesse roteiro um personagem imbatível e invencível.
01:49O amor.
01:50Ele vai ensinar...
01:52Do mundo...
01:54Que...
01:55Que é gramitidal.
01:57Não...
01:58É tem grau.
01:59Não tem grau.
02:00Que não...
02:01É doença.
02:02Não é doença.
02:03Que não...
02:04Não pega, contagia.
02:06Faz o quê?
02:07Ele é o quê?
02:08Não pega, faz o quê?
02:10Contagia.
02:12É só uma?
02:14É só uma coisa genética.
02:18Só!
02:18Nessa história, fica difícil prestar atenção só no Marcelinho.
02:23É que a Raquel, a mãe dele, transmite uma alegria tão grande que contagia a gente.
02:29E espalha uma emoção sem fim.
02:32A Raquel fez a gravação com o filho na casa onde eles moram em Fortaleza.
02:37O Marcelo tem cinco anos de idade, é o caçula de três irmãos, estuda numa escola regular.
02:43E o vídeo foi só mais um que a mãe faz toda semana para falar de síndrome de Down.
02:49Por trás desse vídeo, a gente carrega um monte de famílias que têm uma pessoa com deficiência,
02:56especificamente a síndrome de Down, mas eu acho que a gente tocou de forma geral a todas as pessoas,
03:00as famílias atípicas, né?
03:02Assim como a gente chama.
03:03Mãe e filho prestaram um serviço muito importante ao explicar sobre o universo da síndrome de Down.
03:13A criança com síndrome de Down, ela também pode ter dificuldades na fala, inclusive na motricidade.
03:20Elas têm mais aquela língua prolapsada, então elas têm algumas dificuldades fonaudiológicas importantes,
03:28além da dificuldade cognitiva.
03:31Então essa criança, ela precisa de muito mais estímulos para conseguir se comunicar
03:36do que outras crianças sem essa condição.
03:40O vídeo com o Marcelinho já foi visto por mais de 10 milhões de pessoas.
03:44Isso em uma única rede social.
03:47O Marcelinho aparece em vídeos com a família desde muito pequeno.
03:52Cores do mar, feste o sol, vindo a fazer, todo o sonho brilhar.
04:00E aí eu vou pedir um favor para você, Marcelinho, para sua mãe, para o seu pai,
04:05não parem de mostrar para o mundo a história de vocês.
04:09Queremos ver o Marcelinho de 6, 7, 8 e com muitos e muitos anos.
04:15Aí vai ser o menino.
04:18E com muitos anos.
04:19E mais?
04:20A mãe.
04:22A mãe.
04:25Certeza.
04:44Certeza.
04:45Dar o exemplo.
04:46Na teoria é mais fácil, né?
04:47Mas na hora da prática, será que a gente consegue mesmo executar?
04:51Consegue a cartilha?
04:53Vamos bater um papo sobre esse assunto?
04:55Vem cá, participa com a gente.
04:56Hoje nós recebemos aqui Gisele Martins.
05:00Obrigada.
05:00Ela é psicóloga, está aqui fazendo parte desse bate-papo.
05:04Marcilene também, que é a mamãe da Vitória.
05:06E a Sananda, que é a mãe da Luísa e da Helena.
05:10Primeiramente, boa tarde para vocês.
05:12Boa tarde.
05:13Queria que vocês falassem, né?
05:14Qual é para você?
05:15Começar contigo.
05:16Qual é o maior desafio na criação das suas filhas?
05:20Já começa falando a idade delas.
05:21Inclusive, tem aqui.
05:22Sim, tem a Helena e a Luísa.
05:24A Helena tem 10 anos, a Luísa tem 5.
05:27E o desafio é diário, né?
05:29Porque, assim, cada uma tem uma personalidade.
05:31Então, você equilibrar isso é complexo.
05:34Mas a gente vai, aos pouquinhos, dando conta.
05:36Desse desafio diário, qual que para você se torna o maior?
05:42Olha, é a educação mesmo, né?
05:45É você dar o exemplo, mas também, assim, eu falo que ser mãe é você falar muitos não.
05:51Então, assim, você lidar com isso no dia a dia é difícil.
05:56Verdade.
05:56Marcilene, me conta como é que é com a Vicky, hein?
06:00Gente, com a Vivi não é muito fácil, não.
06:02A Vitória tem uma personalidade, assim, surreal.
06:08Eles costumam falar que é a minha esponjinha.
06:09Eu falo, ah, não, então essa esponja está exagerada.
06:12Exageraram nessa esponja.
06:14É você lidar com a...
06:16A Vitória é a minha mini versão, eu falo, né?
06:20Minha versão em miniatura.
06:24Ela...
06:25Eu tenho muitos desafios.
06:27Até porque ela tem o TOD, né?
06:28Que é o transtorno opositor desafiador.
06:30Então, os dãos para a Vitória é muito complicado.
06:34Aí, muitas das vezes, para tentar...
06:36É mais complicado para você de se impor ou para ela, ao receber?
06:43Fica...
06:43Para nós duas.
06:45Porque o não, às vezes, engat...
06:49Ativo um gatilho, né?
06:49Ativo um gatilho, ela entra em crise, aí eu tenho que controlar a crise dela e a minha.
06:55Aí você já viu, né?
06:56Então, às vezes, eu tenho que ceder um pouquinho a vontade dela para, tipo, relaxar.
07:03Gisele, é tão difícil, né?
07:05A gente sabe tudo na teoria.
07:08Olha, tem que botar para dormir cedo, tem hora para poder usar as telas, tem que falar não.
07:15Mas na hora da prática, por que é tão difícil, assim, tirar do papel, hein?
07:20Porque cada criança, ela responde de um jeito.
07:24As crianças, elas são diversificadas.
07:28A gente não consegue imprimir um manual, como você acabou de dizer.
07:32Olha, tantas horas para X coisa, hora para Y coisa.
07:36Cada criança reage de uma maneira.
07:38Para algumas crianças vai funcionar um tipo de comportamento.
07:43Para outra criança já é outro.
07:45Às vezes, a pessoa, as mães, os pais ali, compartilham, né?
07:50O meu filho gosta de tal coisa.
07:52Aí a outra mãe fala, nossa, mas o meu filho não gosta disso.
07:55Então, quer dizer, é muito diversificado.
07:58A criança não vem com um manual.
08:01Os pais vão aprendendo ali no dia a dia, no cotidiano, na vida ordinária,
08:07como é a maneira que a sua criança funciona.
08:11Quais são as preferências da sua criança.
08:14E a partir dali, ir criando aos poucos, cuidando da personalidade, da individualidade de cada criança.
08:23Porque se não, fica ctrl-c, ctrl-v, né?
08:26O pai do vizinho faz de um jeito, você copia com o seu.
08:29E ali na sua casa já não funciona dessa forma.
08:32Muito bem colocado isso, até porque a Samanda disse, né?
08:35Que as duas irmãs têm personalidades completamente diferentes.
08:40Você demorou a identificar e a diferenciar qual que é o jeitinho que você vai conduzir uma
08:47e o jeitinho que você vai conduzindo a outra?
08:49Olha, eu ainda estou aprendendo, né?
08:50Eu falo que as minhas filhas estão em treinamento.
08:53Então, às vezes, elas têm determinada atitude que eu falo assim,
08:56eu não, está tudo bem.
08:57Aí corrige, mas você está sendo treinada.
09:00Então, eu levo muito para esse lado, assim, desse treinamento.
09:03De que cada dia elas estão aprendendo um pouquinho.
09:06E aí tem uma determinada linguagem que eu uso com a mais velha, que não funciona com a mais nova.
09:12Por exemplo, dá um exemplo.
09:13Por exemplo, se eu falar assim, olha, você precisa fazer isso aqui agora.
09:17A mais nova, ela costuma fazer com mais facilidade.
09:20A mais velha vai me questionar, mas por que eu tenho que fazer agora, mãe?
09:24Então, aí a gente usa uma outra estratégia.
09:26Isso te frustra um pouco, por exemplo, quando você não consegue atingir os objetivos,
09:33quando você tenta seguir da forma, né?
09:36Com paciência, mas de repente perde a paciência.
09:40Isso te deixa um pouco frustrado?
09:41Sim.
09:43Eu aprendi, assim, que a maternidade, ela tira um pouco dessa questão de ser muito perfeccionista.
09:50Porque eu sou uma pessoa que gosta de tudo muito certinho e a maternidade não tem isso.
09:54Você vai falhar.
09:56Tem determinadas atitudes que eu tomo e que depois eu falo assim, poxa, eu acho que eu exagerei nisso aqui.
10:00Desculpa.
10:01E aí, eu também estou aprendendo a ser mãe.
10:05Então, eu acho que é um eterno aprendizado.
10:07Você não falava quando você diz treinamento.
10:09Eu me identifiquei.
10:11Eu falo, isso é uma realidade.
10:14Nós estamos treinando os nossos filhos para o mundo.
10:16E aí, em casa, é o ambiente que a gente tem como falar os nãos, criar a frustração, é sob
10:23controle.
10:23Porque aí, quando chegar lá fora, a gente espera que tenha aprendido.
10:28E aí, é no dia a dia que a gente vai percebendo.
10:30Se, de fato, tudo aquilo que a gente ensinou está entrando na cabecinha e está fazendo efeito.
10:36É verdade.
10:37Como diz meus pais, a educação é o que a gente faz hoje.
10:40E a gente só vê o resultado a longo prazo.
10:43Vai ser depois de grande que a gente vai falar assim, olha, criei certo.
10:45Funcionou.
10:46Ou não funcionou.
10:47E você, Marcilene, como é que você lida com o sentimento de mãe quando você vê que, poxa,
10:53eu estou tentando ensinar e ela não está aprendendo da forma que eu gostaria.
10:57Como é que você lida com esse sentimento?
10:59Então, na verdade, eu já me frustrei várias vezes.
11:03Às vezes, dá a sensação de você ter fracassado em algum momento.
11:08Mas, daqui a pouco, você vê que aquilo que você explicou ou ensinou naquele momento,
11:17daqui a duas, três semanas, reflete.
11:21Entendeu?
11:22Acontece exatamente da forma que você queria que acontecesse.
11:25Não foi no seu momento.
11:27Você plantou a sementinha, mas ali você vai ter que ir aguardando, né?
11:36Reforçando, né?
11:37Reforçou. E depois você vai ver que aquela sementinha, ela vai brotar, né?
11:41E assim eu vejo na Vivi, né?
11:43Que, às vezes, o que eu expliquei hoje, o que eu tentei explicar para ela, colocar na cabeça dela hoje,
11:48ela não aceitou.
11:50É o não que eu não quero, não faço, não é isso, não acontece.
11:54Mas, daqui a duas, três semanas, ela me lembra, né?
11:57Você lembra, mamãe, que você falou assim, assim, assado?
12:00Ou seja, está aqui, está plantada.
12:03É isso mesmo, Gisele?
12:04A gente tem que ser persistente nesse processo da educação dos nossos filhos?
12:09É persistência, é constância, é disciplina.
12:14Principalmente com as crianças menores, né?
12:17Elas estão ali criando um repertório comportamental e um repertório emocional.
12:24Então, não pensem os pais ali que você falou uma vez, a criança já entendeu, não preciso repetir.
12:30Ou então, às vezes, os pais falam, mas eu já te falei tantas vezes e você não faz.
12:34É assim mesmo.
12:36Precisa insistir, precisa repetir, até que o comportamento seja adquirido.
12:43Até que o comportamento seja estabelecido na vida daquela criança.
12:47Então, não tem segredo.
12:51Precisa repetir, precisa insistir.
12:54Porque, Roberta, a criança, ela precisa de quê?
12:57Ela precisa de amor, ela precisa de educação, ela precisa de segurança, precisa de limite e precisa de proteção.
13:06Com esses elementos ali bem equilibrados, digamos assim, aqueles pratos do equilibrista, né?
13:12No circo ali que fica rodando.
13:14É tentar colocar todos esses pratos ali em equilíbrio para que a criança tenha um crescimento funcional.
13:22Para que a criança tenha ali as suas emoções reguladas, os seus comportamentos bem estabelecidos.
13:29Uma educação que dignifica.
13:32Porque eu imagino, né?
13:34Quando a criança não obedece.
13:35O pai ou a mãe, às vezes, já quer dali uma palmada, já quer bater.
13:40Não é dessa forma.
13:42Porque, pais, quando você bate numa criança, você ensina para aquela criança que é a violência.
13:49Você normaliza o comportamento de violência desde uma idade muito tenra, muito pequena.
13:56Então, o bater não é a melhor alternativa.
13:59É o diálogo, é a conversa, é, às vezes, tirar daquela criança algo que ela gosta, né?
14:06Como forma de, entre aspas, de punir por um comportamento não muito adequado.
14:13Uma consequência.
14:14Mas bater, a criança já vai aprender a violência desde pequena.
14:19E isso é muito ruim.
14:21Isso diverge opiniões.
14:23Isso, às vezes, é polêmico.
14:25Porque há quem defenda que bater resolve.
14:28A psicologia aponta que a violência nunca vai ser uma saída saudável na criação de uma criança.
14:37Perfeito.
14:38Olha só, a gente tem aqui algumas participações.
14:40A Rosemar fala que hoje está no bairro dela, está tendo alguns esportes de graça, área de lazer para a
14:46criançada.
14:46Que bacana.
14:47Imagina a alegria que deve estar aí na rua, hein?
14:50Maricilda fala com a gente, cada filho é de um jeito, nunca são iguais.
14:55A gente reclama com a nossa mãe.
14:57Aí ela mostrava a mão aberta e falava, são iguais.
15:01Não, cada um é diferente.
15:03Tem, assim como a nossa mão.
15:05Agora eu entendi.
15:06Tem que tentar relacionar bem um com o outro.
15:09E teve também um outro comentário aqui da Rosemar Oliveira.
15:12Ela falou que toma conta de dois netos, né?
15:15Tem dias que ela parece que vai explodir.
15:18Porque ela não tem que tal.
15:19E eles são bem elétricos.
15:21Mas que ela ama demais.
15:22Ela botou, amo tanto.
15:24Agora, Samanda, a respeito dessa tirar da teoria e colocar na prática.
15:31E aí a gente volta a esse assunto do que a Gisele falou e que a gente abriu esse estúdio,
15:37né?
15:37Que na teoria tudo é mais fácil.
15:40Na prática tudo é mais difícil.
15:42E a gente sabe que as crianças aprendem muito com o exemplo mesmo.
15:47O que é que você já pegou suas filhas fazendo repetidamente?
15:51Você falou assim, gente, essa sou eu.
15:54E acabou aprendendo mais pelo exemplo do que pela palavra.
15:57Eu falo que às vezes elas...
16:00É como se eu estivesse corrigindo a mim mesma.
16:02Porque tem alguns comportamentos dela que de fato, às vezes, são coisas bobas, coisas simples.
16:09E tem tanto para o lado positivo, né?
16:11Bons exemplos, quanto o mau exemplo também.
16:16Também, como ela falou, é uma esponja.
16:18Elas vão absorvendo aquilo ali.
16:20E aí eu acho que o que mais...
16:23Eu tiro, eu gosto muito de ler, eu gosto muito de estar inteirada da melhor maneira de criá-las.
16:29E aí o que eu costumo fazer?
16:32Eu costumo, assim, ver o que funciona para mim.
16:35Eu falo assim, olha, tem, como ela falou, tem diversas teorias, diversas maneiras de você criar uma criança.
16:41Mas aí eu testo.
16:42O que funciona para mim?
16:43Então, assim, por exemplo, a gente que implantou na nossa casa, toda noite lê uma história.
16:49E conversar sobre essa história.
16:51E isso tem funcionado muito bem.
16:53Então, assim, é o tipo de exemplo que você aprende na teoria.
16:57E aí quando você leva para a sua prática, isso cria memórias.
17:00E aí eu percebi, assim, uma melhora muito grande no comportamento delas.
17:06Então, assim, são testes que os pais têm que fazer com os próprios filhos e ver o que está funcionando
17:11na casa.
17:12E é interessante isso que você falou, né?
17:13Tanto do lado positivo quanto do lado negativo.
17:16Quando eu estou nervosa em casa, e aí algum outro dia a minha filha fica nervosa, eu falo assim, gente,
17:21sou eu.
17:22Sou eu.
17:23Ela imita a mãe, né?
17:24Fica nervosinha.
17:25E com você, como é que é a Vicky?
17:27O que ela aprendeu com o seu exemplo?
17:30Você pode ser positivo ou negativo?
17:32Não, a Vitória, ela é muito verdadeira, né?
17:35Isso é um ponto positivo meu.
17:38E negativo ao mesmo tempo, né, gente?
17:42Nem toda hora você pode falar a verdade, não.
17:44Tem hora que você é melhor calado que falar, né?
17:46E a Vitória tem muita...
17:47Ela é muito explosiva, muito assim, deu vontade de falar, falei.
17:51Então, é um ponto que ela pega.
17:53E uma coisa interessante da historinha que ela falou, que uma vez eu fiz, né?
17:56Ela falava assim, mamãe, conta uma historinha para mim.
17:59Gente, mas imagina, a Vitória só dorme no escuro.
18:02E ela quer dormir no escuro.
18:04Ela quer que eu leia o historinha e eu uso o óculos.
18:08No escuro.
18:09Aí eu tenho que ler no escuro, sem óculos, para a Vitória dormir.
18:15Aí, mais ou menos, eu invento uma história da minha cabeça.
18:18Eu tenho que inventar, né?
18:20Vamos lá, inventar uma historinha.
18:21Aí eu começo a contar a história da Branca de Neve ou a história da Cinderela,
18:27mas eu coloco ela como a princesa, né?
18:30E, às vezes, não funciona muito porque eu estou gaguejando, porque eu estou com sono também, gente.
18:35Eu dormo no escuro.
18:36Aí, o filho, eu posso colocar a historinha aqui no videozinho?
18:39Nem sei se pode, doutor.
18:41No videozinho para você ouvir a historinha?
18:43Ela pode, mamãe.
18:44Ali ela dorme, porque pelo menos está no escuro, gente.
18:47Não funciona para mim.
18:48E, em questão de correção, eu nunca posso falar que ela está de castigo.
18:54Tipo assim, Vivi, você vai para o cantinho do pensamento ou você vai ficar de castigo?
18:57Eu tenho que colocar o brinquedo de castigo, que eu aprendi.
19:01Vitória, hoje você não vai pegar o celular porque ele está de castigo,
19:05porque ele ensinou uma coisa que mamãe não gostou para você.
19:07Se falar que é ela, vai ter crise.
19:11Gisele, como que a gente pode ser melhor na educação dos nossos filhos?
19:15Esse, inclusive, é um assunto que eu sempre converso com Deus,
19:19falo assim, o que eu consigo amanhã ser uma mãe melhor do que eu fui hoje?
19:22Eu sempre peço para o Papai do Céu.
19:23É um desafio também para a gente.
19:25Muito, muito grande.
19:26É procurar estudar, ler, aprender.
19:31Mas nada supera, Roberta, o amor.
19:35Nada supera o cuidado.
19:37Nada supera a proteção, o querer bem do seu filho.
19:41Mas hoje nós temos uma literatura muito boa,
19:44nós temos vídeos muito instrutivos, a internet, né?
19:48A gente fala, tem muitas coisas ruins?
19:50Tem, tem muitas coisas ruins, mas também tem muitas coisas boas.
19:53E pais, não se preocupem, vocês vão errar.
19:57Não tem jeito, isso acontece.
20:00A frustração que o pai e a mãe sentem é porque eles erram,
20:05mas erram tentando acertar, erram por amor.
20:08E pode ter certeza que aquilo que é feito com carinho,
20:12a criança registra, a criança guarda.
20:16E ela vai levar aquele ensinamento para a vida, para a maturidade,
20:22porque é uma construção.
20:24Roberta, nós somos hoje um acúmulo do que nós fomos no passado.
20:30Então, nós somos uma construção daquilo que nós recebemos ao longo do tempo.
20:35E com as crianças é a mesma coisa.
20:37Então, os pais vão ali plantando a sementinha, vão instruindo, vão educando
20:43para acolher lá na frente um cidadão de caráter, um cidadão digno, um cidadão de respeito.
20:50Olha só aqui, Núbia Velten diz,
20:52Roberta, meu neto chegou aqui com dor na coluna.
20:56E o pai sempre reclama de dor na coluna.
20:59Ele tem três anos, está vendo?
21:00Como é exatamente o exemplo que a gente passa para eles.
21:03E a gente também tem um comentário aqui da ODI de Rodrigues.
21:07A minha está com 12 anos e está começando a ficar difícil.
21:11Ela botou KKK.
21:12E aí, Gisele, para a gente finalizar esse assunto,
21:15eu queria que você falasse,
21:17é possível a gente se preparar para a próxima fase?
21:20Porque se hoje já deixa a gente de cabelo em pé, imagina daqui a pouco.
21:23É possível, é possível se preparar, como eu disse, aprendendo, lendo, se instruindo,
21:30criando ali relacionamento com outros pais, aprendendo qual é a preferência da sua criança,
21:37como a sua criança funciona, qual é o jeitinho que ela gosta das coisas,
21:42porque a criança, ela vai demonstrando desde pequena como ela gosta de ser tratada,
21:48como é o limite, até onde dá para ir com aquela criança.
21:52E pais, não gritem com as crianças, não batam nas crianças, isso é violência, isso machuca.
22:01Você pode pensar que talvez agora isso funcione, a criança fica quietinha,
22:06mas isso vai trazendo traumas e vai ali estabelecendo comportamentos de introspecção,
22:13de uma desregulação emocional.
22:15Então, cada criança vai ter ali a sua fase e cada pai vai precisar perceber
22:21qual é o jeitinho de ir tratando as crianças aos poucos.
22:26Mas não se preocupe, você vai errar, isso é normal, mas é errando tentando acertar,
22:33não é proposital.
22:34Então, pais, fiquem tranquilos, está tudo certo.
22:37Tá joia.
22:38E ó, só para finalizar esse assunto, vou até contar rapidamente aqui
22:41uma experiência que eu tive com a minha filha Maitê.
22:44Eu estou ensinando ela a tirar a roupa suja do banheiro.
22:48Saiu do banho, leva a roupa lá para a máquina.
22:50E ela não estava levando.
22:52Falei, por quê?
22:52O que está acontecendo?
22:53Ela não está aprendendo?
22:54Depois eu descobri que era o quê?
22:56Medo.
22:56Medo de andar sozinha pela casa no escuro.
22:59Eu falei, então vamos deixar para o dia seguinte.
23:01Então, clareou, pega a roupa e vai levar para outro dia.
23:04Então, a gente precisa também observar, ouvir também os nossos filhos.
23:08Obrigada, Samanda, pela sua participação.
23:10Dá um beijo na Helena, na Luísa.
23:12Obrigada, Marcelene.
23:13Dá um beijão na Vitória, viu?
23:15E obrigada também, Gi.
23:16Um beijo para você.
23:17Obrigada.
23:17Obrigada.

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