00:00O Leonardo comentou sobre as pesquisas, que a pesquisa errou e falou em 10 pontos percentuais
00:06de vantagem para o Lula sobre o Flávio em Minas Gerais, as pesquisas divulgadas ontem.
00:11Como convenceu o eleitor de que as pesquisas, porque a gente sabe que pesquisa não é previsão,
00:19pesquisa é projeção, mas desde 2018 se fala muito disso, 2022, agora a gente volta a falar
00:25sobre esse tema, então, por exemplo, no Senado de São Paulo, embora os candidatos do PL,
00:32os candidatos do Tarcísio, eles cresceram, mas ganharam com uma vantagem muito grande
00:37que as pesquisas não estavam mostrando.
00:40Como convenceu o eleitor de que as pesquisas são importantes, mas que elas não têm papel
00:44de previsão, mas sim de projeção?
00:46O que precisa mudar, se é que algo precisa mudar em relação às pesquisas eleitorais
00:50no Brasil?
00:52Não, esse tema é muito importante.
00:54Então, a primeira coisa é as pessoas saberem que de fato é isso, pesquisa eleitoral não
00:59é previsão, não quer dizer que nem eu olho a previsão do tempo, se vai chover, se não
01:04vai chover, e aí eu pego um guarda-chuva.
01:08Não é assim, a pesquisa eleitoral busca identificar essas tendências.
01:12Então, quando a gente olha as pesquisas para a presidência da República, a gente de alguma
01:18maneira tem essas tendências, elas estão sendo comprovadas.
01:22não chega exatamente no percentual.
01:24E por que isso?
01:25Porque no Brasil, e aí eu vou falar sobre, depois eu falo sobre o Senado, no Brasil o
01:31voto é obrigatório.
01:32Então, a pesquisa eleitoral, ela já pressupõe que as pessoas vão votar.
01:37E aí, a clusterização, pegando ali por grupos, ela vai tentando identificar isso.
01:43Então, olha, mulheres votam dessa maneira, ou hoje tem intenção de voto, intenção
01:49de voto assim, pessoas que estão no Sudeste e assim por diante.
01:53Mas não pega abstenção, porque as pessoas vão votar, porque o voto é obrigatório.
01:59Então, na pesquisa eleitoral é mais difícil captar o não voto, o não comparecimento.
02:04Então, o que a gente, pelo menos, a gente vinha discutindo essa semana, grupos de cientistas
02:09políticos, Zélia, o que é preciso ficar atento para alguma mudança no percentual
02:14de voto de Lula, em relação a Flávio Bolsonaro, é exatamente esse aspecto, a abstenção.
02:19A abstenção, historicamente, ela afeta mais os candidatos do Partido dos Trabalhadores.
02:25Por que isso?
02:26Porque as pessoas de mais baixa escolaridade tendem a votar menos.
02:30Então, já era sabido que, se tivesse uma abstenção alta ou qualquer nível de abstenção,
02:37impactaria mais o percentual de votos do Lula.
02:41Então, todo esse cálculo que eu estou fazendo, as pessoas não olham exatamente para isso.
02:47Mas aí tem uma segunda questão.
02:50A gente tem observado, desde 2018, um fenômeno que são as maiorias silenciosas, que são aquelas
02:58que a gente não consegue captar, que elas estão dentro de grupos de WhatsApp, elas vão
03:02receber a informação sobre quem, a colinha, em quem eu vou votar no grupo de WhatsApp.
03:08E, portanto, é difícil conseguir capturar voto, principalmente para governo, mas também
03:15para Senado.
03:15Agora, Senado, é muito difícil fazer pesquisa.
03:20Primeiro, as pessoas deixam para a última hora para pensar nas eleições, no que se refere
03:27a Senado e deputados estaduais e federais, ou seja, o Legislativo.
03:31Então, as pessoas deixam para a última hora para falar sobre isso.
03:33As pessoas sequer sabiam a maior parte de que teria que votar para dois senadores.
03:39Então, quando a gente vê aqui em São Paulo dois senadores que são apoiados pelo Tarcísio,
03:45eleito no primeiro turno, faz todo sentido.
03:47Porque é aquela colinha.
03:49Você já envia a colinha.
03:50O governador, deputado um, senador um, senador dois.
03:54Quer dizer, isso já facilita para o eleitorado que está muito alienado sobre essa discussão.
04:00Que não está nem sabendo que tem duas candidatas, dois candidatos, enfim.
04:04Então, as pesquisas não conseguem captar isso.
04:07E menos ainda quando a gente tem duas cadeiras para o Senado que estão sendo disputadas.
04:16Então, é um pouco isso que eu diria para o eleitorado que está observando, está falando de pesquisa eleitoral.
04:24As pesquisas no Brasil, elas são, os institutos são institutos confiáveis, tem metodologias importantes.
04:31É claro que toda eleição é necessário fazer ajustes nessas metodologias.
04:38E elas importam muito para a democracia.
04:41Então, é importante a gente ainda ter reconhecimento, legitimidade de pesquisas eleitorais,
04:48ainda que a gente possa discutir essas metodologias e o quanto precisam ou não avançar nesse mundo
04:54que não é um mundo mais do que a gente vivia antes, como digitalizado, as pessoas em grupos e etc.
05:01Muito fragmentado.
05:03Queria trazer aqui um tema, a gente falou muito da força do PL, da extrema-direita, centro-direita.
05:13E sempre citando nomes de homens que foram eleitos para o Senado.
05:18Aí, dando uma pesquisada aqui enquanto vocês conversavam,
05:22a gente foi aqui para a eleição da Assembleia Legislativa Paulista.
05:25A deputada estadual mais votada de São Paulo e já eleita é a candidata do PL, Eduarda Campo Piano,
05:34que é vereadora, ela tem 23 anos, ela é vereadora na Praia Grande e ela é uma influenciadora digital
05:41e se assume como uma jovem de direita.
05:45Então, a gente percebe, a gente falou mais cedo aqui sobre novas lideranças,
05:49informação de novas lideranças.
05:51Vocês acham que há espaço também no campo conservador para lideranças femininas
05:58ou esse perfil da política está muito associado ao lado progressista?
06:05Acho que, particularmente, nesse exemplo que você deu,
06:08é uma figura que veio por meio da influência da internet,
06:12diretamente da internet, muito promovida pelo Lucas Pavanato,
06:17muito promovida por outras figuras de direita e ela veio neste rompante.
06:23Eu acredito que vão ter várias lideranças femininas,
06:26muito pelo movimento que a própria Michelle Bolsonaro fez no último período,
06:31que não necessariamente são mulheres que vêm deste nicho de influência,
06:36mas também, talvez, mulheres um pouquinho mais tradicionais
06:38ou já vindas do movimento de 2018 com o bolsonarismo.
06:44Então, esse ano tinham várias figuras que representavam pessoas
06:48que, eventualmente, já não estão...
06:52Ou estão presas, ou infringiram, ou foram representadas naquele lugar
07:00do 8 de janeiro.
07:02Então, acho que tiveram muitas candidatas nesse lugar,
07:04mas eu acredito, sim, que exista um número considerável
07:08de mulheres mais conservadoras dentro tanto das assembleias
07:14quanto no Congresso, por conta também deste movimento.
07:20A gente agora vai ver, assim, quantas das mulheres,
07:23que acho que tinham muitas mulheres também alçadas aí para o Senado.
07:29Então, a gente viu já que Rio de Janeiro e São Paulo não deu certo nessa tática.
07:34Tanto a saída da Benedita, que era ainda a potencial ali de ganhar,
07:38mas já vimos que teve o Jordi e o Portinho, ganhadores do Senado,
07:42aqui em São Paulo, Tebeti e Marina de fora.
07:46Acho que teve, talvez não surpresa, a Marília Campos era muito favorita,
07:52uma das principais nomes ali em Minas Gerais,
07:54mas acho que imagino que exista um protagonismo feminino,
08:01mas a gente ainda precisa entender o que vai significar,
08:05o que vai implicar esse protagonismo feminino deste campo com essa maioria.
08:13Necessitou mulheres, esposas, a própria Marina JHC,
08:18que é esposa do JHC, que é o governador de Alagoas,
08:24aliás, o prefeito de Maceió,
08:26ela está em segundo lugar na disputa pelo Senado em Alagoas,
08:30aqui em São Paulo, a esposa do prefeito Ricardo Nunes era candidata também a deputada estadual.
08:36E, enquanto você estava falando, eu vim aqui pesquisar,
08:38e no Distrito Federal a gente tem um cenário bem interessante,
08:41porque a Michele foi eleita e a segunda foi a Bia Kicis,
08:44e elas tiraram a Leila do Senado.
08:47A Leila tinha já uma presença consolidada ali no Senado,
08:51e ficou de fora, 200 mil votos de diferença dela para a Bia Kicis,
08:56então as duas senadoras que o PL apoiou...
08:59A governadora, né?
09:00É.
09:01E a Celina, exato.
09:02E a Celina, então as duas senadoras e mais a governadora,
09:05todas do PL, então assim, uma força.
09:07Você trouxe muito bem, você colocou muito bem, né?
09:10Como a Michele foi importante nesse discurso,
09:14foi presidente do PL Mulher,
09:15saiu depois da crise com o Flávio Bolsonaro.
09:20E foi importante, inclusive, ela para a retomada do Flávio
09:23nesse campo de mulheres, né?
09:25Porque acho que teve um pseudo-rompimento,
09:28mas também teve o...
09:30Vamos falar que a gente aqui,
09:32todo mundo da mesma família, deixa disso,
09:34ela gravou os programas,
09:36ela esteve, não em todos,
09:38mas em alguns movimentos que o Flávio fez de campanha,
09:43então ela foi, sim, uma influência importante,
09:46e principalmente pelo próprio Valdemar da Cunha,
09:51fortalecendo ela e fazendo com que ela participasse
09:53e se engajasse de novo nessa campanha.
09:55Então tem esse lugar muito importante da Michele Bolsonaro, sim.