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Entrevista com Ricardo Pandolfi
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NotíciasTranscrição
00:00Começa agora, começa agora, na Pan News, Vitória, Valores, com Edu Copernic.
00:08Olá, seja bem-vindo ao programa Valores, um espaço de discussão sobre o desenvolvimento do Espírito Santo,
00:15sobre como pensam os principais agentes que movem a nossa economia.
00:20E falando em mover a economia, a gente fala agora de uma máquina com orçamento anual de 2,4 bilhões
00:28de reais, muito dinheiro.
00:29É a cidade mais rica do Espírito Santo e administrar tanta riqueza e, ao mesmo tempo, focar em crescimento não
00:36deve ser tarefa fácil, não.
00:38A Serra lidera o ranking das cidades mais ricas do Espírito Santo.
00:4320% de todas as riquezas do Estado são produzidas no município, que está à frente da capital, Vitória, que
00:51tem 16,8% dessa produção de riquezas,
00:55de Vila Velha, que tem 8,7% e de Cariacica, com 7,3%.
01:00Esses dados são do Instituto Jones do Santos Neves.
01:04E tem um motivo para a Serra produzir tanta riqueza, principalmente incentivos fiscais.
01:10É uma política que evolui a cada ano e faz com que grandes empresas, grandes empresas mesmo,
01:16se instalem em um dos 11 polos do município.
01:20São quase 70 mil empresas ativas na cidade e algumas gigantescas.
01:27E hoje a gente recebe aqui no programa Valores o secretário de Desenvolvimento Econômico da Serra,
01:32Ricardo Pandolfo.
01:33Tudo bom, Ricardo?
01:34Tudo bem.
01:35Seja bem-vindo.
01:35Obrigado.
01:36Legal.
01:37O Ricardo é mestre em Administração Geral pela UFES e tem uma série de outras formações
01:42nas áreas de negócios e gestão.
01:45Já passou por Secretaria Chaves em Cariacica, Vila Velha, tem experiência com a gestão pública
01:51também fora do Estado.
01:53Bom, Ricardo, como é que o município da Serra se estrutura para receber tantas empresas assim?
02:01Primeiro, boa tarde a todos e todas.
02:03O município da Serra sempre trabalhou com uma coisa chamada planejamento.
02:07Eu acho que desde gestões passadas do prefeito Sérgio Vidigal, a gente vem aí trabalhando
02:12políticas de planejamento e eu acho que a cidade sabe aonde quer chegar.
02:17Então, eu acho que diante disso, tudo isso que a gente está vendo hoje em 2024, isso foi
02:22pensado, foi discutido, foi discutido com a cidade, através de vários planejamentos
02:27aí de gestão e a gente está colhendo os frutos disso nesse exato momento.
02:34Hoje, em 2024, nós somos a trigésima economia do país, então quando você falou que a Serra
02:39é uma locomotiva, realmente é uma locomotiva enorme e importante, não só para o Espírito
02:45Santo, mas também para o Brasil.
02:47Eu acho que a deixa é essa, a questão de planejar a cidade.
02:51E que papel, falando de planejamento e falando de crescimento e falando de atração de empresas,
02:56qual é o papel dos incentivos fiscais da Serra?
02:58Porque todo mundo cita os incentivos fiscais, as formas de atrair empresas como exemplares
03:06pela Serra, tanto que há tantos anos a Serra atrai muitas empresas.
03:10Nós temos um programa chamado Invista, que é o programa municipal, que a gente dá conta
03:15ali da questão do IPTU, do ITBI, de várias taxas, que a gente inclusive são isentas ali
03:24para a questão de ampliação ou de construção de novos empreendimentos.
03:28Então, isso em conjunto com a política do governo do Estado, do Compete e outras questões,
03:35por exemplo, do campo atacadista, nos ajuda aí a disputar território com outras, não
03:42só outras regiões no próprio Espírito Santo, no setor logístico, mas também com o Brasil.
03:47Mas aí que retorno que esses incentivos dão?
03:50Porque você, quando dá um incentivo, você está abrindo mão de alguma coisa.
03:54Que retorno que abrir mão nesse momento dá num futuro, num futuro próximo, num futuro
04:00mais distante?
04:01O próprio programa do Invista, ele tem um foco muito claro na questão de utilizar a mão
04:07de obra local.
04:08Então, um determinado empreendimento, por exemplo, você tem que cumprir uma série de quesitos,
04:14mas um bem relevante é a questão de que você tem que trabalhar ali com, por exemplo,
04:1870% da capacidade da mão de obra local.
04:22Então, você não só traz o empreendimento novo que vai gerar diretamente, indiretamente
04:30desenvolvimento, mas também você vai empregar as pessoas da região.
04:34Como é que os segmentos das empresas determinam as medidas que o município toma?
04:40O município pensa, ah, vamos atrair empresas, por exemplo, de logística.
04:46O município pensa dessa forma?
04:49Pensa especificamente em alguns segmentos para atrair essas empresas?
04:53É porque, na verdade, assim, como eu tenho um parque muito já instalado e consolidado,
04:58hoje, quem nos procura são exatamente as empresas voltadas ao campo de serviço, logística,
05:04Então, assim, nem tem como você meio que definir uma área de atuação, porque como o volume é grande já,
05:13do que circula de capital ali, voltado a essa questão da logística, do serviço do comércio,
05:20então, você meio que já tem uma diretriz já dada, inclusive, pelo próprio setor industrial.
05:27Você acha que o próprio mercado é o que movimenta?
05:29O próprio mercado regula essas questões.
05:32A Serra sempre teve como característica atrair indústrias, né?
05:36Sempre teve um parque industrial muito amplo e muito forte.
05:41Você acha que esse foco está mudando?
05:43Olha, os números, por exemplo, colocam o serviço hoje como uma área importante, né?
05:50Porque serviço, não só pensando a questão logística, mas a construção civil também está dentro dessas questões.
05:58A área de saúde também está aí dentro dessa questão de serviço.
06:02Então, se você for pensar ali na Serra, vários galpões que a gente tem ali,
06:09assim, a área de saúde, por exemplo, é uma área hoje importante dentro da cidade.
06:14Mas aí, o município faz algo para atrair ou para facilitar a vida de empresas desses setores?
06:21Conhecendo esse movimento de mercado, dá para criar políticas ou focar nessas áreas?
06:27Vocês pensam dessa forma?
06:29Eu acho que o que o município mais se preocupa é que a gente consiga ter licenciamentos mais ágeis, né?
06:37Hoje, por exemplo, todo o nosso processo, ele é digital.
06:40Então, você não precisa mais ir na prefeitura, como eu era secretário, por exemplo, em 2009, né?
06:46Com aqueles montes de processo para a gente poder trabalhar, papel, e hoje...
06:50Pasta, né?
06:51Pasta, papel, arquivo, e hoje você faz esse processo se você tiver de casa, né?
06:56Você vai lá, abre um procedimento e fica muito mais simples.
07:00Não só do ponto de vista do procedimento em si, mas também de toda necessidade que você vai ter para
07:07a abertura de empresas, né?
07:08Desde lá, quando eu estou lá no meu CIAMP, lá na questão do micro e pequeno empreendedor, que hoje eu
07:13tenho até aplicativo, né?
07:15Se a pessoa precisar, não precisa mais se locomover até o pró-cidadão em Jacaraípe para ter determinado serviço.
07:22Assim como também o grande empresário hoje, né?
07:25Tem muito mais agilidade pela questão de tudo estar digital.
07:29É isso que eu ia te perguntar.
07:29Como é que isso faz diferença para o empreendedor?
07:32Para quem vai instalar uma empresa na Serra, seja ele um micro empreendedor ou uma empresa gigante?
07:37Olha, eu diria que isso é enorme, né?
07:41Quando a prefeitura pensa no cidadão, na questão de você pensar que os processos, primeiro, eles têm que ser menos
07:47burocráticos, mais rápido, com tempo de resposta, até porque a gente sabe que tempo é dinheiro, né?
07:53Então, o que a gente trabalha hoje na gestão é legislações mais simples, menos burocrática e aonde você possa atender
08:03com mais rapidez e agilidade esse empresário.
08:06Mas com o ritmo do poder público, dá para fazer isso com agilidade?
08:11Porque a gente sabe que o poder público tem toda uma burocracia, tem todo um peso, demora mesmo. Dá para
08:17fazer isso?
08:18Assim, a gente está vendo, é lógico que eu não posso abrir mão da legislação, né?
08:23Eu tenho que seguir todos os ritos que mandam a legislação brasileira.
08:28Mas, assim, o que a gente está vendo na prática é que a gente está conseguindo diminuir esses tempos de
08:33licenciamento, esses tempos todos de questionamento de TBI, de pagamento de questões na fazenda, por exemplo.
08:41Lá no próprio SIAMP, por exemplo, para o micro e pequeno empresário também, essa questão de empréstimo.
08:47Essas ferramentas que a gente tem disponível hoje, o WhatsApp e aplicativos, vêm, assim, tornando o processo menos burocrático.
08:57É claro que determinada fatia da população ainda tem uma certa dificuldade com tecnologia, mas, sem dúvida alguma, o nosso
09:05atendimento ampliou, né?
09:08Porque o volume cresceu muito mais do que a gente tem de trabalho hoje e, sem dúvida alguma, o tempo
09:14de resposta está sendo menor.
09:15Ricardo, a gente tem alguns quadros aqui no programa Valores. Vamos ao primeiro deles, que é o quadro Dica de
09:22Valor.
09:27Ricardo, pela sua experiência na Serra, qual sua opinião, qual investimento tende a dar o melhor retorno aqui no Estado?
09:38Olha, se eu tivesse grana para investir hoje, eu, sem dúvida alguma, iria para a área de logística, né?
09:43Logística?
09:44Logística.
09:44Por quê?
09:46Porque, primeiro, na Serra, hoje, você tem área, você tem ali no entorno infraestrutura, você tem portos, aeroportos, né?
09:53A gente está perto de... a gente quase que é o centro do Brasil, né?
09:59Então, o que eu vejo no dia a dia é grandes empresas abrindo mão de plantas industriais em outros estados
10:06e pensando na Serra como essa opção por essa capacidade que o município tem hoje de oferecer infraestrutura.
10:14Eu estou vendo também que as empresas estão buscando não só isso, mas também qualidade de vida para os seus
10:19funcionários,
10:19que lá estarão.
10:20Então, eles olham para a área de saúde, olham para a área de educação, para a área de segurança,
10:25que é uma questão que o município vem investindo muito, né?
10:29Nos últimos anos.
10:30Essa oferta de serviços públicos, você acha que pode fazer diferença também para a atração de empresas?
10:35Com certeza, com certeza.
10:37Até porque, se você imaginar que a gente tem ali escolas hoje climatizadas,
10:42as nossas UPAs com atendimento que nós temos, três, né?
10:46No município, eu tenho hospital materno infantil, assim, hoje a Serra tem uma possibilidade de oferta de serviço,
10:55não só público, mas também privado, que vai para a região.
10:58Os principais hospitais hoje estão na Serra, as principais escolas privadas também estão na Serra.
11:04Então, assim, né?
11:05Dependendo do seu poder, né?
11:07De aquisitivo, tanto o poder público, eu acredito, quanto o poder privado,
11:12também você tem ali capacidade de utilizar o serviço.
11:16Ricardo, como é que você vê os impactos da reforma tributária para o setor público
11:21e como é que isso vai impactar lá na Serra?
11:24Olha, isso ainda é uma discussão grande, né?
11:27O que a gente sabe hoje é que vai mudar essa questão dos tributos de origem e destino.
11:33Isso.
11:34Então, isso vai impactar de maneira muito grande, porque aquele, na verdade, que produz
11:40pode perder muito com essa questão, porque o imposto pode estar indo para a questão do destino final
11:45e vai beneficiar ali grandes centros urbanos, né?
11:49Onde tem consumidores.
11:51Mas a gente está acompanhando e vendo como é que essas questões estão se desenrolando
11:59e participando, inclusive, de fóruns, né?
12:01O nosso secretário, por exemplo, de Estado de...
12:03Desculpa.
12:04Nosso secretário municipal de Fazenda participa de todos esses fóruns acompanhando o que está acontecendo
12:10para que a gente possa, na verdade, também contribuir nessa discussão com relação à questão dos municípios.
12:17Mas, sem dúvida, é um alerta aí que vem para os próximos anos.
12:21É isso que eu ia te perguntar.
12:21Isso pode atrapalhar a política de atração de empresas da Serra hoje?
12:26Porque a gente sabe, eu citei até no começo da nossa conversa, que a Serra tem muitos incentivos, né?
12:33Tem muitas formas de incentivar a vinda, a ida de empresas para a Serra.
12:39Isso pode atrapalhar de alguma forma?
12:41Olha, o que eu acho que mais pode atrapalhar é a questão mesmo da capacidade do município
12:48de oferecer serviço público, né?
12:52Isso pode, a gente pode perder aí muito recurso e aí a gente ter essa questão de atendimento do que
13:01a gente tem hoje, né?
13:03Porque a gente tem muitos alunos na rede, uma rede grande aí de saúde.
13:07Mas com relação ainda, se isso vai impactar ou não essas questões das empresas,
13:14eu acho que está muito verde ainda para a gente poder ter uma opinião.
13:18Não dá para definir, dá para cravar ainda.
13:19Não dá para cravar, né?
13:21Aham.
13:22Quais são as áreas de negócio que você acha que devem crescer na Serra daqui para frente?
13:27Você já deu um spoiler aí e falou da logística, né?
13:31Você tem visto isso?
13:33Você tem visto empresas querendo aproveitar dessa posição que a Serra tem hoje,
13:38dessa consolidação desses parques industriais que a Serra tem hoje para se instalar?
13:42Isso é uma facilidade?
13:44O que eu estou vendo crescer muito no município é a questão mesmo do campo da logística.
13:49Isso, sem dúvida alguma, é um crescimento bem interessante na cidade.
13:56Um outro setor que eu particularmente acho interessante, que acho que a gente tem que seguir enquanto diretriz,
14:04é um pouco trabalhar o campo do turismo.
14:05Já que o serviço é uma, vamos dizer, é um segmento que ele não vai deixar de crescer,
14:13ele vai sempre despontar aí, se você for pensar nas novas economias, economia criativa, economia verde.
14:20Enfim, assim, o turismo, sem dúvida alguma, para mim, é também um ponto importante de inflexão aí nesse processo.
14:30Mas já tem esse movimento na Serra? Já tem algo sendo feito no município?
14:34A gente vem discutindo muito internamente sobre pensar em circuitos, né?
14:40Se eu for pensar ali, Reis Magos, que a gente agora está restaurando,
14:44a gente está pensando ali São João de Carapina, Queimados, que já passou também para o processo de restauro.
14:49Então, assim, dá ali para a gente pensar um certo roteiro jesuítico, religioso, cultural, enfim,
14:58pensando Congo, pensando uma série de questões para a cidade,
15:02dá sim para a gente imaginar criar roteiros e vender isso, eu penso, no Espírito Santo e no Brasil.
15:08Isso dá retorno para o município?
15:10Eu tenho certeza, até porque você tem ali, se eu for pensar ali no micro e pequeno empreendedor, né?
15:18Quantas pessoas empreendem hoje na Serra, que a gente conhece ali no seu dia a dia,
15:24os próprios empreendedores de cerveja artesanal, por exemplo, que vem despontando também no município,
15:30e outros que trabalham na área de comida, na área de venda de produtos de vestuário.
15:40Então, assim, a gente tem um trabalho que a gente vem fazendo em parceria com a DERES,
15:43trabalhando várias feiras nos bairros, e eu venho descobrindo, na verdade,
15:49muitas pessoas com muita capacidade de melhorar a sua vida, né?
15:55Então, se a gente conecta essas pessoas com o turismo no município,
16:01eu acho que a gente tem um bom samba para a gente fazer.
16:03Mas aí você está falando de microempreendedores, principalmente empreendedores individuais,
16:08você acha que dá para ligar essa pegada de turismo com grandes empresas,
16:13levar grandes empresas para a Serra, para explorar o turismo na Serra?
16:17Olha, a gente está com um estudo agora de PPP no BANDES, pensando Marina Pública, por exemplo, né?
16:24O contorno de Jacaraípe, deixando o fluxo pesado da Ábito Saad,
16:31transformando a região de novo numa região que tem que ter o seu perfil voltado mais para a questão turística.
16:38Então, o município também está pensando nesses assuntos mais voltados à questão de restauro, por exemplo,
16:46de equipamentos, porque são elementos aonde você consegue ligar e criar roteiros possíveis.
16:54Quem sabe, não sei, né? São estudos, né? Mas quem sabe, por exemplo, essa Marina possa acontecer.
17:00E aí, a partir do momento que ela possa acontecer e ser viável, a gente poder atrair, né?
17:05Aí um outro tipo de...
17:07Que é um poder aquisitivo muito maior.
17:08Que é um poder aquisitivo muito maior.
17:09Então, são ideias que a gente está aí desenvolvendo para que a gente possa mesmo pensar esse novo segmento.
17:21Legal. E quais são as maiores carências do município do ponto de vista de negócios,
17:26do ponto de vista de geração de novos negócios? Qual é a maior carência do município hoje?
17:31Olha, em conversa muito com a ASES, com os empresários,
17:35a qualificação ainda é um ponto importante, né? Porque...
17:41Que não é uma questão só isolada da serra. Acho que o Estado todo sofre com isso, né?
17:45É. Mas, assim, a grande queixa é a questão da qualificação, né?
17:49Por mais que a gente tenha lá no município várias parcerias com o Senac, Senai, né?
17:56Movimente bem, mas como você está falando de um mercado, tem hora, muito específico, né?
18:01Da cadeia do metal mecânico, né? Então, assim, ou do próprio granito.
18:06Você requer um tipo de profissional que realmente ainda é...
18:12Ele nem está disponível, tem hora no mercado ainda, né?
18:15Ele realmente tem que ser qualificado, né?
18:18O que as empresas, na grande maioria das vezes, fazem?
18:21Eles contratam as pessoas que necessariamente não têm esse perfil...
18:26E treinam a pessoa.
18:27E treinam e vão desenvolver, porque é difícil ir ao mercado e buscar essa pessoa que esteja pronta, né?
18:32Mas aí, a gente começou essa entrevista aqui no Valores, você falando, não, a gente tem planejamento, a gente faz
18:38planejamento.
18:39Não dá para pensar nesse planejamento de formação, pensando num futuro próximo, vendo esse movimento todo que a gente vê
18:47hoje,
18:47até que você colocou, não, a logística, o turismo no futuro, será que não dá para fazer esse planejamento,
18:52incluir essa formação nesse planejamento?
18:54Olha, a gente está lá pensando esse desenho desse programa de qualificação.
19:01A gente vem até conversando muito com os empresários,
19:04O setor produtivo, né?
19:05Quem está lá realmente sentando e fazendo.
19:09E a gente está tentando construir que desenho é esse que melhora a tenda, né?
19:14Essas questões todas.
19:15Mas, assim, por mais que a gente tente, eu acredito que ainda o setor produtivo vai ainda ao mercado e
19:27não vai encontrar essa pessoa no grau que precisa.
19:30Ele ainda vai levar para dentro da empresa e ainda vai fazer esse processo de formação.
19:34Tem que fazer, né?
19:34Por mais que a gente queira, porque esse tipo de profissional, ele requer uma qualificação que tem hora que é
19:44muito específica, né?
19:46Que nenhum Senac, Senai, todo o Sistema S vai dar conta, tem hora de trabalhar com esse profissional, eu acredito.
19:53Legal, vamos agora ao quadro Valores Inegociáveis.
19:59Valores Inegociáveis
20:01Ricardo, quais são os valores que um executivo precisa sustentar, independente do momento?
20:09Valores?
20:12Muita resiliência, né?
20:15Assim, abrir um negócio não é fácil, não é simples, né?
20:20Você conseguir mão de obra qualificada, você ter ali tempo de resposta para o que você precisa do seu negócio
20:30realmente é uma coisa bem complicada, assim.
20:36E você tem que ser um visionário, né?
20:39E acreditar que aquela sua ideia que você está pensando ali, diferente de todo mundo que está fazendo, ela vai
20:47gerar valor no futuro.
20:50Então, é quase que um mago futurista, né?
20:57É o que todo mundo busca, mas é o que nem todo mundo consegue, né?
21:01Na verdade, a maioria não consegue vislumbrar lá para frente, né?
21:04A grande maioria não consegue.
21:06E ter a resiliência para esperar e fazer efeito, e ter a certeza de que vai fazer efeito lá na
21:11frente.
21:12Sem dúvida, sem dúvida.
21:14Legal, e como é que você avalia a sua atuação à frente da Secretaria de Desenvolvimento Econômico da Serra?
21:20Olha, eu estou recém-chegado na Secretaria, eu estou ali respondendo pela Secretaria de Desenvolvimento Econômico.
21:26Mas já passou por ali, né?
21:28Já passei.
21:29Lá no passado eu fui secretário de...
21:32Primeiro eu comecei como adjunto de desenvolvimento urbano, depois fui para a área de gestão, que é a administração.
21:38E agora eu estou respondendo pela área de desenvolvimento econômico e gestão de novo e planejamento.
21:44Então, a gente tem um trabalho muito mais forte, eu acredito, para o micro e para o pequeno, né?
21:53Porque é onde a gente tem ali uma atuação grande de trabalhar empréstimo, de trabalhar a questão da qualificação, né?
22:01A gente vem trabalhando aí uma série de feiras, como eu havia dito nessa parceria com a DERES,
22:05para que a gente possa, na verdade, dar acesso a essas pessoas a conhecer o seu mercado.
22:11Mas aí, quando eu te pergunto como é que você avalia a sua atuação, você está falando de dar...
22:16ter um olhar para o micro e pequeno, principalmente.
22:19Mas a Serra também é terra de gigantes.
22:21A gente, por exemplo, viu anunciar há pouco tempo a Feira do Mármore e Granito saindo,
22:27que estava sempre... acontecia sempre na Serra, que está saindo.
22:30Era a maior feira da América Latina do setor, né?
22:33Era uma gigante, você está falando das feiras menores.
22:36Como é que é atuar num lugar que você vai olhar para o 8 e vai olhar para o 80?
22:42Como é que faz para atuar dessa forma e atender todo mundo?
22:47É complexo o dia a dia, né?
22:49Mas, assim, a gente tem instituições muito bem consolidadas no município.
22:55Então, você tem ali associações, por exemplo, como a ASES, você tem associações como a questão...
22:59Associação dos empresários da Serra, né?
23:01Dos empresários da Serra, a própria CDL, né?
23:04Você tem ali as associações comerciais.
23:06Então, o nosso dia a dia está em contato o tempo inteiro com essas associações
23:12e recebendo todas essas demandas, na verdade, que aparecem.
23:15Dá para atender tudo?
23:17100% não, né?
23:19Sim.
23:20É difícil você atender todas as demandas que chegam.
23:24Até porque as demandas são diferentes, variadas, né?
23:27Mas, assim, a gente faz o esforço, Edu, da gente atender todo mundo que chega
23:34e chega com uma demanda de vir de outro Estado, né?
23:38Precisa ali.
23:38A gente tem uma relação muito boa com o governo do Estado, né?
23:41Na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, onde a gente recebe muitas demandas
23:45e trata também internamente.
23:47E eu acho que o grande papel do Secretário de Desenvolvimento Econômico é ser esse articulador,
23:54conversador, né?
23:55Do dia a dia para resolver internamente na Prefeitura as demandas que chegam.
24:02Seja ela demanda de licenciamento, seja ela demandas quaisquer que sejam na fazenda, né?
24:08E articular tanto para dentro da casa como também dos atores externos.
24:13Sobre essa relação com o governo do Estado, a gente vai conversar com mais detalhes,
24:18mas agora a gente faz uma pausa.
24:19Agora a gente faz uma pausa no programa Valores, mas a gente volta daqui a pouquinho.
24:23Você que está acompanhando a gente, não sai daí.
24:26É rapidíssimo, a gente já volta.
24:28Valores, volta já!
24:30Volta já!
24:35Valores, está de volta!
24:40Estamos de volta ao programa Valores, que hoje recebe o Secretário de Desenvolvimento Econômico da Serra,
24:47Ricardo Pandolfo.
24:48Ricardo, como é que é?
24:49A gente estava falando, você estava falando da relação com o governo do Estado.
24:53Como é que é essa relação com o governo do Estado hoje e como isso impacta no desenvolvimento da Serra?
24:59A relação é maravilhosa, assim, com a Secretaria de Desenvolvimento Econômico e de outras áreas também.
25:07Só para deixar claro, a gente fala não da relação política, porque não é nem a nossa praia aqui,
25:13mas é essa relação mesmo de necessidade, né?
25:16Da necessidade de fazer a máquina andar, né?
25:18Não, essa relação é excelente.
25:21Toda demanda que a gente recebe, eu recebo ali ligações diárias de pedidos, na verdade,
25:28de contribuir mesmo com o empresário local ou outras necessidades que o governo do Estado tenha
25:37e a melhor relação possível, né?
25:39Da gente correr atrás de resolver problemas de burocracia, né?
25:43De melhoria ali de prazo de entrega, de dar retorno dessas entregas,
25:47de receber, na verdade, empresários que estão vindo via governo do Estado,
25:54mas gostariam de estar na Serra.
25:56Acho que nossa relação não poderia ser melhor.
26:00E funciona? Dá certo?
26:03Funciona, dá certo.
26:04Tem ajuda dos dois lados, eu acredito.
26:08E como é que você enxerga as possibilidades de mercado
26:12para o empresário que quer se instalar na Serra?
26:16Olha, assim, como a gente havia colocado, assim, pensando aí esse setor de logística,
26:26que eu vou sempre botar nessa tecla, porque eu acho que é o que está mais no momento na cidade.
26:32É o que tem chamado mais atenção.
26:33É o que tem me chamado mais atenção.
26:35Assim, eu acredito que o mercado seja excelente, assim, já do que está instalado.
26:40A gente conversava também sobre a questão do mercado imobiliário, por exemplo, né?
26:45Você falou da construção, você citou a construção civil,
26:48que é uma indústria que está despontando na Serra.
26:51Também que está despontando na Serra, no setor de serviço.
26:54E o mercado imobiliário hoje, sem dúvida, é uma grande opção, né?
26:59Se você for pensar num condomínio, de casas, né?
27:03De um determinado aí padrão, a Serra hoje talvez tenha aí os maiores do Estado, talvez.
27:12E é uma opção porque a gente tem não só a mesma infraestrutura também para empresas,
27:19mas também a infraestrutura para quem opta por morar, né?
27:23Então, temos espaço suficiente na cidade para receber esses empreendimentos, né?
27:30E eu acredito que todo mundo que fez essa opção, acredito que deve estar muito feliz, né?
27:35Porque quem hoje pode ter uma casa, morar num condomínio com segurança,
27:40sem dúvida alguma, a Serra é uma boa escolha.
27:43O que o município tem, o que a Serra tem que os outros não têm?
27:48Tem gente. Tem gente, tem poder público, eficiente, tem infraestrutura, tem manguinhos.
27:57Não, aí eu te pergunto pelo seguinte, eu tenho uma empresa.
27:59Por que eu vou levar para a Serra e não vou levar para os outros municípios?
28:03O que a Serra tem que os outros municípios não têm?
28:06Aí, sem dúvida alguma, você tem um poder público que realmente presta serviço, né?
28:11Essa questão de licenciamento, de tempo de resposta.
28:14Eu acho que você tem uma infraestrutura, acho que você tem localização privilegiada em relação ao Brasil,
28:20e você já tem polos industriais, por exemplo, implantados, né?
28:25O que é uma grande diferença quando você busca uma região.
28:28Já tem a infraestrutura toda do entorno.
28:30Já tem a infraestrutura toda do entorno.
28:32Legal. Vamos agora ao quadro Busca de Valores.
28:36Busca de Valores.
28:38Bom, Ricardo, na sua opinião, o que a dinâmica atual do mercado exige de profissionais bem-sucedidos?
28:50Primeiro que a pessoa tem que ter experiência, né?
28:52Assim, experiência de ter trabalhado naquele setor específico.
28:57Eu, que já passei, por exemplo, várias áreas, você realmente, se você não for uma pessoa que tem qualificação,
29:06e qualificação para aquele setor, é muito difícil você atuar hoje.
29:10Eu estou falando da minha atuação, por exemplo, no poder público,
29:13mas você imagina você ainda numa atuação numa esfera privada, né?
29:19A gente está falando do especialista, do especialista, do especialista.
29:22Você acha que o mercado exige isso cada vez mais?
29:24Ah, eu não tenho dúvida.
29:26Assim, eu ouço muito, né, simplesmente que, ah, se eu estou bem resolvido na matemática, no português,
29:33o restante o mercado absorve, eu acredito que não seja verdade, assim.
29:38Eu venho de um mercado muito especializado, que é São Paulo,
29:41trabalhei na área de comunicação e marketing ali nos últimos anos,
29:45e assim, eu lidei com um espectro de gente especializada para fazer determinadas coisas,
29:51que não é brincadeira, assim, né?
29:55Você tem que ter formação, tem que ter uma boa formação, tem que ter experiência para saber fazer.
30:01Então, assim, não dá mais para ter aventureiros, eu acho, que em lugar nenhum.
30:06É legal você falar disso, porque aí eu aproveito para te perguntar,
30:09como é que você monta um time para atuar numa secretaria que exige expertise de mercado,
30:14e, ao mesmo tempo, familiaridade com processos do poder público.
30:18São os dois lados, né?
30:19Como é que você monta o time e como é que você tem esses profissionais?
30:23Essa experiência te ensinou a buscar esses profissionais super específicos para cada área?
30:30É, aí é uma questão interessante essa pergunta.
30:35Porque, assim, primeiro que no poder público, na grande maioria das vezes,
30:38você já tem os servidores efetivos que lá estão.
30:42Sim, você tem que lidar com o material humano que você já tem.
30:44Na grande maioria das vezes.
30:46E aí você tenta, e essas pessoas, na grande maioria das vezes,
30:50elas estão em determinadas áreas e têm conhecimento daquela área.
30:55Então, ele conhece a legislação, ele sabe ali o dia a dia, como funciona.
30:59E você tenta, depois, para além dos efetivos, trazer ali um grupo de pessoas
31:05que possam te apoiar nesse dia a dia, que é...
31:10que entendam um pouco melhor de legislação, porque a parte, vamos dizer, do processo interno
31:19já é conhecido por quem está lá.
31:21O que você vai tentar fazer é trazer uma experiência de fora, um olhar de alguém que já viveu outras
31:29coisas em outros lugares
31:30para agregar, para melhorar, para melhorar o procedimento interno e melhorar essa relação com as pessoas.
31:37Você acha que tem, eu vejo, pelo menos na experiência que a gente tem, e muito mais de observação,
31:45que as questões de mercado são cada vez mais exigidas do ponto de vista do conhecimento para quem está no
31:51poder público.
31:52Você acha que ter profissionais que têm familiaridade com o mercado também é importante?
31:57Como é que é importante isso?
31:59No poder público, menos, porque a gente precisa entender muito bem de legislação, né?
32:07Tem que saber muito bem como é que a legislação, você pode aplicá-la, né?
32:14Então, o conhecimento maior sobre a lei, ela é muito mais importante.
32:20Mas, mas, o mundo não é feito só dessas pessoas, né?
32:24Também tem gente de relacionamento.
32:25Então, ter relacionamento no poder público também é uma coisa importante,
32:29porque conhecer pessoas, saber, né?
32:33Eu, por exemplo, venho do poder público desde 2009 até 2024.
32:38Então, assim, é bom quando você tem conhecimento, passou por outras áreas, conhece pessoas, né?
32:46Isso ajuda no dia a dia, né?
32:50Isso ajuda a você ter ali, conhecer pessoas, saber a quem ir, para que porta que eu vou abrir, né?
32:59Para quem que eu vou pedir determinados...
33:04Ajuda num determinado processo, né?
33:07Flui, funciona melhor, né?
33:09Se você é conhecido também, né?
33:12Ajuda.
33:13Ajuda a ser recebido.
33:14Eu te pergunto principalmente pelo seguinte, a partir do momento que você, pela lógica,
33:19a partir do momento que você tem pessoas trabalhando com você que conhecem a realidade, por exemplo, do empresário,
33:26as dores do empresário, fica mais fácil atender.
33:30É possível pensar assim?
33:32Como é que dá para montar times e equipes e direcionar o trabalho das pessoas para atender melhor dessa forma?
33:40Você colocou um ponto importante que eu já estava ali discutindo.
33:47Quando você traz uma pessoa que é da área mesmo, que ela de fato trabalhou na área empresarial,
33:57ela vai ter muito mais capacidade de integrar, de entender os problemas, do que quem nunca vivenciou isso.
34:06Então, isso em qualquer área, seja no turismo, na cultura, eu acredito que fica muito mais fácil da gente se
34:16relacionar.
34:18O poder público tem muito a ver também com relacionamento, com essa capacidade de entender a dor do outro.
34:23É isso aí.
34:24Então, quanto mais gente empático com o problema do outro e que viveu essa vivência das áreas,
34:33muito mais fácil vai ser da gente entregar melhor o resultado, daquilo de um projeto, de uma ação,
34:41porque a pessoa conhece, ela sabe, ela viveu, ela vivenciou.
34:46Legal.
34:47Qual é o ponto que você acha que tem que ter maior atenção nesse momento para a economia da serra?
34:55Eu acho que o ponto mais importante agora é saber como é que essa reforma tributária vai se dar,
35:02para que caminho que ela vai, né?
35:04Você acha que é o mais assustador, assim?
35:06Está todo mundo com muito medo da reforma, né?
35:08Eu acho que esse é o maior medo do momento, assim.
35:12Se eu pudesse pegar, assim, num geral, eu acho que esse é a grande dor de cabeça do momento, assim.
35:20Você falou no começo da entrevista sobre planejamento.
35:23Dá para planejar alguma coisa em função da reforma tributária?
35:28Dá para pensar nisso no futuro?
35:30Porque ela está datada também.
35:32Tem ali os prazos para seguir até 2030 e poucos.
35:36Tem que acabar com os benefícios fiscais, por exemplo.
35:40Então, pelo que está desenhado aí.
35:42É claro que muita coisa precisa ainda de regulamentação.
35:45Mas dá para planejar alguma coisa e a serra já está pensando nisso?
35:48Olha, Edu, eu acredito que a gente tem que conhecer um pouco mais para onde isso está indo.
35:53Acho que a partir do momento que ficar um pouco mais sinalizado,
35:56eu acho que sim é o momento de pensar quais são as ações que devem ser feitas
36:02e que regulamentações é essa que a gente tem que buscar mesmo.
36:10Eu ainda vejo um cenário muito nebuloso.
36:14Acho que é o medo do momento.
36:16Eu acho que está todo mundo esperando um pouco mais que desenho.
36:22Não no sentido que o desenho tem que chegar no final, porque não pode esperar chegar no final.
36:26Mas eu acho que para onde isso vai?
36:29Aqui não está muito claro, está completamente nebuloso.
36:31E aí a gente tira um pouco o foco de mercado, de ações, de desenvolvimento
36:38e tem que confiar nos políticos agora, né?
36:40Porque vai passar pela mão deles lá a votação dessas regulamentações,
36:44já passou a aprovação da reforma tributária e agora está na mão deles, né?
36:48Não tem jeito.
36:48Sem dúvida.
36:49E é por isso que a gente está aí em vários fóruns, conselhos, né?
36:53Participando e discutindo para saber logo de antemão que rumos serão esses.
36:59Você acha que esse medo permeia todos os setores?
37:02Porque a gente está falando com o secretário, que acumula pastas na serra,
37:05mas também está falando com um membro do IBF, né?
37:08O Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças, aqui do Espírito Santo.
37:14Você acha que isso permeia todos os lados?
37:17Como é que você percebe isso na sua vivência, pela sua vivência?
37:20Eu acho que permeia todos os lados, porque com essa relação de origem e destino, né?
37:28Então, assim, está todo mundo meio preocupado para saber exatamente que impacto é esse.
37:34Agora, sem dúvida alguma, quem tem aí incentivos com fim, com datas e tudo mais,
37:42pré-datadas, realmente são setores que estão ainda mais preocupados.
37:45Mas eu, sinceramente, acho que isso hoje é a conversa do dia.
37:52Então, acho que está permeando todos os setores.
37:54Falando em incentivo, você acha que a concessão do benefício da área da Sudene,
38:02de Aracruz para cima, você acha que é uma concorrência desleal com a serra?
38:06E você acha que a serra pode, em algum momento, entrar nessa área da Sudene também?
38:11Olha, a gente ainda não tem essa questão da Sudene, claro, para a grande vitória, né?
38:20Isso chegou ali até Aracruz, com relação à questão desse zoneamento portuário e tudo mais.
38:31A gente não está vendo muito isso como concorrência, não.
38:33Acho que tem espaço para todo mundo nesse processo, até porque essas ligações todas que estão sendo pensadas,
38:42a serra também vai se beneficiar com esse desenvolvimento que está vindo para Aracruz, para Linhares,
38:49se você for pensar em retroáreas.
38:52Então, assim, acho que é importante para Aracruz, eu acho que também é importante para a serra.
38:57Acho que a gente também ganha nesse processo.
39:01Legal. Agora vamos para o quadro Valores do Futuro.
39:05Valores, Valores de Futuro.
39:09O Ricardo, qual é o investimento que, realizado agora, vai dar retorno real no ambiente de negócios,
39:17no Espírito Santo, daqui a 25 anos?
39:19Você falou de planejamento, não tem nada mais planejamento do que isso aí, olhar 25 anos para frente.
39:25De mercado?
39:26De mercado, de investimento, de tudo, da sua realidade.
39:31Você acha que o que tem de dar retorno daqui a 25 anos?
39:36Se a gente colocar a grana agora, daqui a 25 anos vai dar retorno.
39:40Quem me dera, Edu, eu saber falar isso.
39:44Eu acho que, como a gente colocou no início, em termos de desenvolvimento local, nem estou pensando nos grandes projetos,
39:55nas grandes empresas, acho que desenvolvimento local para a serra, o futuro, eu apostaria um pouco nessa coisa do campo
40:03do turismo.
40:04Acho que é uma coisa bacana, acho que é uma coisa que faz sentido para a cidade, para quem é
40:09mico e pequeno, que está ali desenvolvendo o seu trabalho de serviço.
40:14Agora, para o grande, eu não saberia arriscar, quem me dera, eu investi nisso.
40:24Legal.
40:24O Ricardo, o que tem do Ricardo Pandolfi na Secretaria de Desenvolvimento, na Secretaria de Gestão da Serra, na Secretaria
40:32de Desenvolvimento, no trabalho ali?
40:34O que tem do Ricardo?
40:36Eu sou um pouco workaholiczinho, assim, então eu...
40:41A minha turma fala que é melhor eu estar lá internamente do que estar no WhatsApp, porque eu demando muito
40:50deles.
40:51Eles acham muito melhor que eu esteja lá presente no dia a dia, pelo amor de Deus.
40:56Fique aqui, não saia não.
40:57Essa vinda de Serra para Vitória, para vir aqui na entrevista, por exemplo, é um momento onde eu cobro com
41:06força algumas questões.
41:08Eu acho que eu sou muito objetivo em algumas relações.
41:13Eu acho que...
41:16Gosto muito da cidade, gosto muito ali desse papel de trabalhar o dia a dia da articulação, ajudar para dentro
41:23quem pede ajuda para a gente.
41:26Acho que é um pouco desse trabalho um pouco meio workaholiczinho, acho que é o Pandolfi.
41:33Você construiu tudo isso ou você foi levado a isso?
41:36Porque se a gente pegar a sua formação, você se formou em administração, tem mestrado em administração, mas tem um
41:43monte de curso de especialização em gestão, em gestão de pessoas, em um monte de coisa.
41:48Você tem uma vasta formação, né?
41:51Por várias grandes instituições que estão aqui no Espírito Santo também.
41:55Tem uma passagem pelo metrô de São Paulo que não é brincadeira, a gente sabe que não é brincadeira.
42:00A gente vê nos noticiários aí sempre problemas, construções de novas linhas, lidar com muito dinheiro.
42:07Isso não é também uma tarefa fácil.
42:10Você acha que você construiu tudo isso ou você chegou a tudo isso?
42:14E você está onde você queria estar?
42:17Primeiro que eu comecei a minha vida profissional na futura, dentro do Instituto de Pesquisa.
42:21E o que a gente mais lidava no dia a dia eram com políticos, né?
42:27Então, o João, por exemplo, que era um dos donos, cientista político.
42:32O João Galberto, né?
42:33O João Galberto foi meu orientador no mestrado.
42:36Acho que eu fui mordido um pouco por essa coisa da política, assim.
42:40Acho que eu achava isso interessante, ler muito sobre o assunto.
42:45E apareceu uma oportunidade para o Poder Público, que eu fui e nunca mais voltei.
42:50E eu estou muito feliz e realizado de estar onde eu estou.
42:55Você não tem vontade de ir para o setor privado também?
42:58Porque o setor público, assim, tem uma hora que cansa, né?
43:01Por causa da burocracia, por causa de lidar com políticos, que é super difícil.
43:07Vou te dizer que quando a gente chega lá, a gente meio que, assim, é uma cachaça, sabe?
43:15Você começa a trabalhar e você perde um pouco a noção de...
43:19E é prazeroso demais, porque você, no final do dia, você vê que você tem uma entrega, sabe?
43:27Você fez um trabalho.
43:28Acho que isso tem um peso social que eu acho que é bacana.
43:31Legal. E o que que tem seu na Serra, até esse momento, na gestão dessas secretarias?
43:40Acho que meu...
43:41Sua marca. O que que... a pessoa que vai chegar lá, não. Isso aqui é a marca do Pandufe.
43:46Acho que é a questão de planejar.
43:50Acho que é sempre a ideia do planejar e do monitorar.
43:53Então, assim, minha equipe, de vez em quando, quer correr de mim, mas tem que fazer as reuniões.
43:59A gente tem que sentar, a gente tem que discutir.
44:02Eu quero saber como é que está acontecendo o dia a dia de cada processo.
44:05Como é que você acha que isso faz diferença pra eles e pro trabalho?
44:10Acho que pro trabalho é importante que todos nós entendamos o que a gente está fazendo, né?
44:15Então, eu acho que isso é um valor importante, assim, a gente entender o que todo mundo ali está desenvolvendo
44:23ali no seu dia a dia.
44:25É lógico que eu não consigo falar com todos os meus funcionários, né?
44:27Pra isso a gente tem uma cadeia hierárquica, mas é muito importante que a gente saiba, né?
44:35O que que o sponsor principal do município está pensando, qual é a entrega que tem que ser feita,
44:40ter a prioridade clara do que que a gente vai entregar.
44:43Eu acho que isso só se faz com planejamento e monitoramento.
44:47Então, minha equipe tem clareza do que a gente pensa como prioridade,
44:50qual é a necessidade que o governo imagina ali da área e isso só se faz ali nesse diálogo semanal
44:59e quais as entregas que a gente tem que fazer.
45:02É, a gente está falando de política, não tem como não falar de política porque o seu cargo é um
45:08cargo político,
45:08embora você seja um quadro técnico e esse ano tem eleição municipal.
45:12A política pode ser que mude tudo na Serra.
45:15É bem possível e bem provável até que mude.
45:19E pode ser que você não esteja na Serra mais no ano que vem, quando depois que se desenrolar a
45:24política.
45:25Você deve ter plena consciência disso.
45:27E qual o legado que você quer deixar no município depois desse trabalho todo executado?
45:33Qual que vai ser a marca do Ricardo lá na Serra?
45:37Eu tomara que eu tenha imprimido um pouco essa visão de que a gente precisa ter clareza e prioridade do
45:45que a gente vai fazer.
45:47O dia a dia do poder público, as pessoas imaginam que não tenha uma correria imensa.
45:56Porque assim, é muita demanda do que você tem no dia a dia.
46:00Você tem, assim, é muito mais demanda do que no privado.
46:04E diante dessa demanda toda, o que é a prioridade?
46:09O que é a entrega que tem que ser feita?
46:13Então, eu sou uma pessoa que sempre olho para o número, na pesquisa, o número interno.
46:19E a gente vai construindo ali, a partir disso, qual é a demanda que a gente tem que fazer internamente
46:25para as nossas equipes.
46:26Então, volto de novo à questão de que a gente, eu pelo menos, batalho todo dia para a gente ter
46:34clareza em qual o resultado que a gente quer entregar.
46:37E entregar.
46:39Se definimos que de um hall de 50 coisas nós temos condições de entregar 10, nós temos que chegar no
46:46final e entregar os 10.
46:49Não prometer, não criar expectativas, mas ser efetivo na entrega.
46:55Legal, Ricardo.
46:56Vamos ao último quadro do programa, o quadro Valor Pessoal.
47:00Valor, valor, pessoal.
47:05Ricardo, que aspecto da sua vida pessoal é essencial para que você tome as melhores decisões para o futuro?
47:15Qual aspecto?
47:19Eu acho que hoje eu sou uma pessoa menos ansiosa, assim, e olho um pouco mais para me cuidar, assim.
47:28Eu acho que eu estou mais preocupado hoje com minha saúde, não só uma questão de idade, mas é uma
47:34questão de necessidade, né?
47:36Porque, de fato, se você não se cuidar, se você não fizer uma atividade física, se você não se alimentar
47:41direito...
47:42Tem que pagar o preço.
47:42Tem que pagar o preço.
47:43O preço é alto.
47:44É alto, é verdade.
47:45Então, assim, isso é uma prioridade grande.
47:48Até para que eu possa, na verdade, estar bem, para eu poder trabalhar e fazer as entregas que eu preciso.
47:54Legal.
47:54Ricardo Pandolfo, secretário de Desenvolvimento Econômico da Serra, por enquanto.
48:00Secretário de Gestão da Serra, também, acumulando...
48:02E planejamento.
48:03E planejamento, exatamente.
48:05Muito obrigado por ter participado aqui do programa Valores.
48:08Valeu mesmo pelas informações e pelas dicas e pelo histórico, pela história de vida aí.
48:15Muito obrigado.
48:16Obrigado, Edu.
48:17Valeu.
48:17E para você que acompanhou a gente até agora, muito obrigado pela sua companhia.
48:21Fique com a gente para as próximas entrevistas do programa Valores.
48:26E até a próxima.
48:27Tchau.
48:29Você ouviu Valores com Edu Copernic.
48:33Até o próximo.