- há 2 dias
Entrevista com Neidy Christo
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NotíciasTranscrição
00:00Começa agora, começa agora, na Pan News, Vitória, Valores, com Edu Copernic.
00:08Olá, seja bem-vindo ao programa Valores, um espaço de discussão sobre o desenvolvimento do Espírito Santo,
00:14sobre como pensam os principais agentes que movem a nossa economia.
00:19Tem um termo que virou moda aqui no Espírito Santo e que deixa todo empresário de cabelo em pé,
00:25é o apagão de mão de obra. Na prática, significa que é difícil encontrar profissionais qualificados para determinadas áreas.
00:34Muitas vezes, até sem qualificação, é difícil encontrar trabalhadores.
00:39E olha que o Espírito Santo é território fértil para a geração de empregos.
00:43Para se ter ideia, em janeiro, fevereiro e março deste ano, a taxa de desocupação no Estado, o desemprego, ficou
00:50em 5,9%.
00:52O índice é abaixo da média registrada no país, que foi de 7,9%.
00:57A taxa de desocupação do Espírito Santo foi a menor da região sudeste e a sétima menor entre todos os
01:05estados brasileiros no primeiro trimestre de 2024.
01:09São dados do IBGE.
01:11O que movimenta o mercado de trabalho do Estado?
01:14Qual a característica da mão de obra capixaba?
01:18Por que empresas, em todos os níveis, têm dificuldade de contratar?
01:23O que precisa ser feito para mudar esse quadro?
01:26Sobre tudo isso, a gente conversa agora com a Neide Cristo, presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos, a ABRH.
01:34Tudo bom, Neide? Seja bem-vinda.
01:36Tudo ótimo, Edu. Muito obrigada. Um prazer estar aqui com vocês.
01:39Prazer é todo nosso. Bom, a Neide é professora e consultora de carreira e empregabilidade na Fundação Getúlio Vargas, analista
01:47comportamental e profissional e self-coaching, com grande experiência em coaching e mentoring empresarial.
01:54Tem certificações internacionais, é mestre em administração pública e privada, especialista em gestão estratégica de recursos humanos, pedagogia empresarial e
02:05marketing.
02:05É muita coisa, hein, Neide?
02:06A gente gosta de estudar, né?
02:08Dá pra perceber com isso tudo aí. Por que falta mão de obra no Espírito Santo, Neide?
02:13Então, Edu, essa é uma pergunta que muitos não entendem, né, o porquê da nossa resposta quando a gente fala
02:19que realmente os empresários têm dificuldade na contratação.
02:23Se a gente tem números dizendo que temos desempregados, por que é difícil a recolocação?
02:29E isso não é uma resposta simples. A gente entende que existem hoje áreas que demandam qualificação muito mais alta
02:40do que a gente tem aí sendo oferecido no mercado por alguns empregados.
02:44E a gente também tem alguns empregos que nem todo mundo hoje quer.
02:49Então a gente fica aí com esse vácuo, né, com essa lacuna a ser preenchida.
02:55Que emprego é esse que as pessoas não querem?
02:57Por exemplo, a gente tem muitas vagas hoje no mercado de trabalho pra trabalhar a final de semana que as
03:03pessoas estão rejeitando.
03:05Simplesmente por que a final de semana?
03:06Simplesmente porque vão trabalhar sábado e domingo ou vão trabalhar até mais tarde, todos os dias.
03:11A gente tem hoje, por exemplo, na área de serviços, mais de 8 mil vagas abertas.
03:17Abertas?
03:18Abertas. E que a gente não tem mão de obra pra trabalhar nesses trabalhos aí que estão sendo disponibilizados.
03:25Você acha que esse é o maior problema hoje no Espírito Santo em relação ao mão de obra?
03:29São os extremos? Porque você falou desse trabalhador que não quer trabalhar num final de semana,
03:35que é um salário um pouco mais baixo e tem aquele trabalhador altamente qualificado, que é um salário mais alto.
03:41Perfeito. Vejo que a gente tem sim os maiores problemas localizados aí nesses extremos.
03:47Quando a gente tem um profissional que demanda pra função que ele vai atuar grande qualificação,
03:55a gente também tem muitas empresas disputando esse profissional.
03:59Então é um profissional que se a empresa também não tem um salário atrativo,
04:04não tem benefícios que possam fazê-lo querer ficar, com certeza vai ser um profissional que ele pode perder.
04:12E também, além de não ter aqui só a concorrência, a gente também perde esse profissional muitas vezes pra outros
04:21estados
04:21ou até pra fora do país.
04:23Tô falando principalmente da área de tecnologia.
04:26É a mais crítica, você acha, hoje?
04:28Na minha opinião, uma das mais críticas.
04:30A gente tem algumas áreas aí que estão com problemas na contratação por conta dessa superqualificação.
04:37A área de tecnologia é uma, a área de saúde também é uma área que demanda bastante cuidado pra conseguir
04:45esses profissionais.
04:47A área também de finanças é uma área bastante procurada, que demanda bastante qualificação.
04:53Então esses dois extremos são os mais preocupantes que a gente hoje conversa com os empresários,
04:59com as empresas e que a gente precisa tentar resolver.
05:03E qual o papel do empresário pra mudar esse quadro?
05:06Ah, é uma excelente pergunta, né?
05:07Porque a gente precisa de empresários preocupados na valorização desses empregados.
05:14Empresários que tenham plano de desenvolvimento de carreira, plano de cargos e salários,
05:20que tenham uma carga horária adequada de trabalho,
05:23porque hoje os profissionais também medem a qualidade de vida como um fator determinante nessa escolha.
05:31É isso que eu ia te perguntar, é só dinheiro?
05:32Não é só dinheiro.
05:34A gente tem várias pesquisas, Edu, que comprovam que o dinheiro, claro, é importante,
05:39todo mundo gosta e precisa, mas ele não está em primeiro lugar em nenhum dos rankings.
05:45A gente tem a qualidade de vida, a gente tem o bom relacionamento com a liderança,
05:49a gente tem a questão de um ambiente propício ao trabalho, às ideias, à inovação.
05:55Então, claro que o dinheiro é importante, mas também todo esse contexto que envolve o empregado
06:01precisa ser repensado em algumas empresas.
06:04E do seu ponto de vista, qual é o papel do poder público nessa equação?
06:10Como é que o ambiente de negócios pode ficar mais atrativo a partir da mão de obra,
06:15pensando pelo viés do poder público?
06:17A gente tem alguns projetos de qualificação que são bastante interessantes, cursos que são disponibilizados,
06:24mas mesmo assim a gente entende que, por exemplo, a disponibilização de um curso online
06:30para um profissional que sequer tem uma internet disponível no bairro, na casa dele,
06:36ou no próprio aparelho de celular...
06:38Não tem sentido, né?
06:39Não tem sentido, não vai atingi-lo.
06:41Então, existem sim programas hoje que são oferecidos pelo governo,
06:46mas ainda não são acessíveis a todos os profissionais que poderiam estar sendo capacitados no mercado.
06:53Mas o caminho é por aí, é pela qualificação.
06:55Com certeza.
06:56Qualificação que tem que ser, com certeza, oferecida pelo governo,
07:00mas também que pode e deve ser oferecida pelo próprio empregador.
07:04Porque existem algumas questões também da empresa que são muito importantes
07:11que o próprio empregador ensine a esse candidato.
07:16Existem algumas competências, algumas questões que podem ser desenvolvidas diretamente pela empresa
07:23e que vai facilitar depois a captação dessa mão de obra.
07:27Tem uma empresa, não vou citar o nome aqui no estado,
07:30mas que tem um projeto lindo que, inclusive, foi um dos vencedores no nosso Prêmio Ser Humano da BRH Espírito
07:37Santo,
07:37que a gente valoriza as melhores práticas de gestão no mercado,
07:42aonde a empresa buscou capacitar pessoas no mercado, ali ao redor.
07:48Não era emprego, era capacitação.
07:51Treinou várias pessoas com as skills que eram necessárias, tanto técnicas quanto comportamentais.
07:58E aí, só para deixar claro, quando a gente fala skills, são as competências que...
08:03As habilidades.
08:03As habilidades que esses empregados, futuros empregados precisarão.
08:08E aí, ao final de cada programa que eles rodam, eles selecionam os melhores que fazem provas
08:15e já saem dali daquela qualificação empregados.
08:19Quem não é empregado num primeiro momento tem a possibilidade de voltar,
08:23fazer a reciclagem do curso e novamente tentar uma prova.
08:28Então, é uma empresa com um projeto social lindo, que capacita pessoas ali ao redor, na sociedade,
08:35e que, claro, também se aproveita dessa capacitação, trazendo profissionais muito melhores para dentro dela.
08:41Como é que a BRH identifica desafios e oportunidades no Espírito Santo?
08:47A BRH, como você bem disse, é uma associação que cuida da gestão de pessoas,
08:53que transita aí dentro de muitas empresas e conversa com muitos profissionais.
08:57E um dos grandes desafios que a gente enxerga hoje é realmente a gente conseguir levar esse conhecimento
09:05a todas as pessoas que precisam.
09:07Se a nossa missão é disseminar conhecimento sobre o mercado de trabalho,
09:12a gente, claro, precisa levar isso para os nossos associados,
09:15mas a gente também precisa levar isso para pessoas que ainda não conhecem muito bem esse mercado de trabalho.
09:23Então, por exemplo, tem uma diretoria na BRH que se chama Educação e Trabalho.
09:28E o nosso papel é visitar as escolas e falar para esses alunos qual é o perfil do profissional
09:35nesse mercado super competitivo de hoje, quais são as principais competências que ele precisa desenvolver,
09:42quais são as profissões que hoje estão mais em alta e que, claro, você pode ter a sua preferência,
09:48o seu gosto por aquilo que você quer atuar, mas será que está conexo com a maioria das oportunidades
09:55que o mercado está oferecendo?
09:57Então, a gente leva para esse estudante a oportunidade de refletir sobre essas questões
10:04que assim que ele se formar, ele vai se deparar também no mercado de trabalho.
10:08Legal, vamos ao primeiro quadro do programa, Neide, o quadro Dica de Valor.
10:18Neide, qual ativo do Estado tende a dar um bom retorno?
10:23Olha, para mim, as pessoas é aquilo que a gente tem de maior valor em qualquer lugar.
10:29Se a gente tem pessoas que valorizam aquilo que tem dentro da sociedade,
10:36a gente tem pessoas que querem aprender cada vez mais para dividir, para trocar,
10:42a gente também consegue ter empresas que conseguem crescer, que conseguem se valorizar no mercado
10:48porque as pessoas a levarão a isso.
10:51Então, para mim, o maior ativo que temos hoje são as pessoas
10:55e a gente precisa cuidar desse ativo dentro das organizações.
10:59Muitas vezes a gente sabe que o empresário, até por ter muito boleto, muita conta para pagar,
11:05ele precisa valorizar o resultado.
11:08Mas será que vale a pena também querer resultado acima de qualquer outra coisa?
11:13Colocando muitas vezes a saúde do empregado, colocando muitas vezes questões que são importantes para o empregado,
11:21por exemplo, um tempo maior com a família, que tem empresas que acabam nem considerando
11:28que esse empregado precisa de uma folga.
11:30Então, são questões que a gente precisa avaliar enquanto empresários.
11:35Mas, por outro lado, a gente também precisa dessas pessoas valorizando os empregos que têm,
11:42conseguindo entender que não necessariamente porque merecem um salário muito melhor do que têm,
11:49se realmente este é o valor que aquela função que ela escolheu trabalhar vale no mercado.
11:55Porque tem uma diferença, não é, Edu?
11:57Muitas vezes a gente acha assim, nossa, mas o meu trabalho é maravilhoso,
12:00eu mereço ganhar 50 mil reais por mês.
12:03Mas se a função que eu escolhi atuar, ela tem um teto que está em 2 mil,
12:09para eu crescer, eu preciso também continuar me desenvolvendo para assumir novas responsabilidades
12:15e com isso também ter um salário maior.
12:18Então, vejo que esse grande ativo precisa realmente ser valorizado pelo empregador,
12:24mas também valorizar este empregador na hora que olha para tudo que recebe no mercado.
12:30Para o profissional de recursos humanos, gente, sempre vai ser o melhor ativo, né?
12:33Desculpa, né? Eu sou suspeita.
12:36É verdade.
12:37Como é que é a ação da ABRH para alinhar medidas que favoreçam o desenvolvimento de mão de obra no
12:44Estado?
12:44Como é que é essa interlocução com empresários?
12:47Como é que é esse termômetro de mercado para alinhar essas ações e direcionar, de repente,
12:52para onde o mercado é mais carente e há mais necessidade de profissionais?
12:56A gente conversa muito com as empresas que são nossas associadas.
13:02Hoje a gente tem a honra de dizer que temos as maiores empresas do Estado associadas
13:08e quando eu digo maiores, não estou desvalorizando as médias e pequenas,
13:12mas até por conta da quantidade de empregados, de trabalhadores que essas empresas têm dentro delas.
13:19E a gente conversa sempre com essas empresas para entender quais são as demandas,
13:25para entender o que a gente, enquanto Associação Brasileira de Recursos Humanos,
13:30pode fazer para desenvolver melhor essas pessoas,
13:33assim como também os profissionais que estão dentro da ABRH atuam dentro de outras empresas.
13:41Uma coisa, Edu, que muito, pouco, né?
13:45Poucos sabem é que todos que atuam na ABRH são voluntários.
13:50Ninguém ganha nada para isso.
13:51Ganhamos muito, muito.
13:53Mas financeiramente, salário não.
13:55Mas financeiramente não, salário não.
13:56E quando eu digo ganhamos muito, também envolve essa questão da capacitação.
14:01A gente ganha conhecimento diariamente, ganhamos muita conexão diariamente.
14:07Essas informações que eu acabei de dizer, o que o mercado está precisando,
14:11o que a gente pode fazer para melhorar a capacitação das pessoas que estão dentro das nossas empresas.
14:18Então, a ABRH busca conversar, ouvir muitos associados e os profissionais que participam dos nossos eventos.
14:27A gente faz muito evento gratuito.
14:30Tem alguns que são pagos, porque enquanto Associação a gente também precisa ter ali...
14:34Tem os custos.
14:35Os custos mantidos ali para a sobrevivência.
14:38Mas a gente tem muitos eventos que são gratuitos e que são abertos a qualquer público, né?
14:44Que queira se capacitar, que queira aprender mais sobre esse mercado de trabalho.
14:48Legal.
14:49A gente fala de carência de mão de obra, do trabalhador.
14:52E o empresário?
14:53Como é que é a formação do empresário aqui no Espírito Santo?
14:56A gente tem empresários que estudam muito, que viajam para fora, fazem grandes cursos.
15:02E a gente tem a outra ponta, empresários que desde muito jovens investiram ali numa pequena empresa
15:09e foram crescendo, crescendo.
15:11São instintivos.
15:12São instintivos.
15:13E vejo que todos eles, né?
15:16Esse que estudou mais e o que estudou menos, tem uma vontade muito grande de ajudar a nossa sociedade,
15:23de oferecer mais empregos.
15:25Mas a gente tem essa dificuldade, muitas vezes, de fazer aquele que a vida toda foi pela intuição,
15:32também entender que não todos os demais empregados vão funcionar como ele.
15:38Então, é isso que eu queria te perguntar.
15:39Até que ponto a economia que a gente tem hoje, a gente lida com tecnologia,
15:45a tecnologia faz diferença para as empresas.
15:47Muitas empresas se reinventam, se reinventaram, se reinventam
15:51e sabem que vão precisar se reinventar em função da tecnologia.
15:56E como é que a gente, como é que fica esse empresário intuitivo?
15:59Será que a era dele está acabando porque o empresário também precisa de uma qualificação um pouco maior?
16:06Como é que você vê isso?
16:08Edu, eu acho que desde que nós, qualquer um de nós, enquanto profissional,
16:12a gente esteja disposto, em algum momento da vida, jogar fora alguns conhecimentos que a gente adquiriu,
16:20mas que naquele momento já não são tão valiosos para nós,
16:23para adquirirmos novos, eu acho que a gente ainda tem jeito.
16:28O que eu digo para você, que eu acho que realmente pode ficar para trás,
16:32é aquele profissional que acha que já sabe tudo,
16:36que do jeito que ele chegou, até onde ele chegou, ele consegue avançar muito mais.
16:42Porque como você bem disse, as coisas vieram mudando ao longo do caminho
16:46e quem muitas vezes não entende que em algum momento vai precisar reaprender,
16:53mesmo que lá no passado muitas das estratégias deram certo,
16:58acredito que esse sim possa ficar para trás.
17:01Mas enquanto a gente tiver esperança de que mesmo esse que é mais teimoso,
17:08que acha que pode fazer tudo do jeito dele, ele ainda se abre ao aprendizado,
17:12eu diria para você que tem solução.
17:15Tem esperança.
17:16Tem esperança.
17:17Legal.
17:17Quando se fala de ambiente de negócios, como é que está hoje no Espírito Santo,
17:23como é que é o Espírito Santo hoje em comparação a quando a BRH começou, lá atrás?
17:28Porque é uma instituição com 35 anos, né?
17:30Mais de 35 anos.
17:32Mais de 35.
17:32Vou te dar um spoiler, o ano que vem comemoramos 40 anos de existência aqui no Estado.
17:37Aqui no Espírito Santo.
17:39Aqui no Espírito Santo.
17:40Mas a nossa mãe, a BRH Brasil, ela já vai comemorar 60 anos daqui a pouco.
17:46É muita coisa.
17:47Mas se a gente for olhar o mercado, e aí eu não vou nem me arriscar a voltar 40 anos
17:52atrás,
17:52porque lá eu tinha 10, né?
17:54Estou chegando aos 50.
17:56Mas do tempo que eu estou na BRH, por exemplo, eu tenho 12 anos de voluntariado.
18:01E abrindo só um parênteses, tá, Edu?
18:03Porque a gente precisa também falar da importância da questão do voluntariado.
18:08O quanto o voluntariado abre portas para esse aprendizado?
18:12O quanto o voluntariado nos ensina?
18:15O quanto traz para nós essas conexões que são tão importantes?
18:19Então, o empresário também, muitas vezes, ele olha isso no currículo, né?
18:25De alguém.
18:26Poxa, se é uma pessoa que tem ali, faz voluntariado em qualquer instituição,
18:31não estou dizendo só na BRH, mas em qualquer uma instituição,
18:34é alguém diferenciado, é alguém que tem realmente um pensamento não voltado só para ele,
18:40mas também para a sociedade, para outras pessoas.
18:43Mas voltando aí, fechando o parênteses, né?
18:46E voltando para a questão de lá atrás, o que a gente via de diferente,
18:51eu vejo que a tecnologia, obviamente, é algo que a gente não pode deixar de apontar.
18:57Mudou-se muito em relação ao operacional que o empregado fazia.
19:03Profissões sumiram, outras apareceram.
19:05Exatamente.
19:06Então, se eu hoje olho para uma máquina, para um chat GPT, GPTW é outra premiação aí que existe,
19:16também das melhores empresas para se trabalhar.
19:18Mas se eu olho para um chat GPT e eu falo, nunca vou usar isso,
19:23eu já estou cometendo um grave erro,
19:26porque é uma tecnologia que já está passando aí, né?
19:30Já é uma realidade.
19:31É uma realidade.
19:33Então, isso é uma grande mudança.
19:35Outra grande mudança, a forma de trabalho.
19:38A gente tem hoje trabalhos que são híbridos,
19:41temos trabalhos somente as pessoas dentro de suas casas em home office,
19:46mas também trazendo grandes resultados.
19:48E a gente também tem o trabalho que exige 100% do presencial.
19:53Isso a gente não sonhava.
19:55É verdade.
19:55Há algum tempo atrás.
19:57E uma outra coisa que eu vejo que também mudou muito é essa preocupação em relação à qualidade de vida.
20:03Acho que a minha geração, a minha geração X, por exemplo,
20:07era muito mais tendenciosa ao workaholic, ser louco por trabalho.
20:11A gente vê uma geração hoje que valoriza muito mais as horas livres,
20:16o que pode fazer no lazer, a quantidade de tempo que fica com os amigos.
20:21É engraçado falar disso porque os boletos continuam chegando, né?
20:24Exato.
20:25Tem que gerar riqueza de alguma forma, né?
20:28Exatamente.
20:29Mas são perspectivas diferentes, né?
20:31Completamente.
20:32Quando a gente olha lá no passado, a forma que a gente, enquanto profissional, reagia
20:36e a forma que hoje essas novas gerações vêm reagindo.
20:40Exatamente.
20:41Quais as características do profissional de RH no Estado?
20:46Olha, a gente ontem comemorou, e aí, né, parabéns pra nós,
20:50ontem nós comemoramos o Dia Mundial do Profissional de RH.
20:55E nós, inclusive, gravamos um vídeo na BRH dizendo
21:00qual é a palavra que representa esse profissional pra você?
21:03E diversos profissionais, né, na área de recursos humanos gravaram.
21:08Pra mim, a minha palavra é que o profissional de RH precisa representar a transformação.
21:15E pra isso, ele precisa de algumas habilidades que são essenciais.
21:19Comunicação.
21:20Ele precisa saber se comunicar assertivamente.
21:23De uma maneira que, tanto aquele que fala numa linguagem mais complexa,
21:28quanto aquele que fala na mais simples, consiga entender qual é essa informação.
21:33A gente precisa ter o relacional aflorado.
21:36Você brincou comigo e falou, né, o RH sempre vai valorizar a gente.
21:41Mas as empresas não vivem sem pessoas.
21:44Então, o profissional que escolhe trabalhar com relações humanas,
21:49que a gente nem quer chamar mais de recursos humanos,
21:52esse profissional precisa gostar de gente, precisa saber se relacionar.
21:57E uma outra característica extremamente importante,
22:00e aí eu queria ampliar, não só pro profissional de RH,
22:03pra todos nós, inteligência emocional.
22:07Porque de vez em quando a gente ficar bravo,
22:10a gente querer perder a paciência com o outro, é normal, né, Edu?
22:15É.
22:16Quem de nós, de vez em quando, perdeu aí a paciência.
22:21Mas saber lidar com essas emoções, a hora que elas vêm,
22:25e saber que não necessariamente é o mais estratégico ficar nervoso,
22:30ou responder de uma determinada maneira,
22:33é o que vai diferenciar também, né,
22:36é o que esses profissionais hoje no mercado recebem
22:40em troca, né, dessa inteligência emocional,
22:42que é tão difícil, mas é tão importante.
22:44Legal, vamos ao próximo quadro,
22:46o quadro Valores Inegociáveis.
22:52Valores Inegociáveis.
22:54Ô Neide, quais são os valores que um executivo
22:56precisa ter e sustentar, independente do momento?
23:00Pra mim, a primeira palavra que me vem à mente é respeito.
23:04Pra mim, é inegociável você abrir mão do respeito,
23:08tanto do empregado para o empregador,
23:11quanto do empregador para o empregado.
23:13Ética é uma outra palavra que também,
23:16pra mim, não faz sentido, né,
23:17ninguém ter uma empresa,
23:19se não quiser e não puder ser ético.
23:23Outra palavra que pra mim também é muito forte
23:26é a gente ter empatia com o outro.
23:30Não abra mão de ser empático,
23:31porque não necessariamente aquilo que é a sua vida
23:35é a vida do outro.
23:36E muitas vezes a forma como ele reage a algumas coisas
23:39é porque ele não teve mesmo
23:42a mesma experiência que você,
23:45a mesma vivência que você.
23:47Então, pra mim, são três valores, assim,
23:49muito, muito importantes e que o empresário não pode abrir mão.
23:54Legal.
23:54Neide, como é que é a relação da ABRH com os governos hoje?
23:58Federal, estadual, municipais?
24:01Como é que é a relação da associação com governos?
24:05A gente tem uma liberdade grande de conversar, né,
24:10quando a gente precisa.
24:11Somos convidados a eventos que o governo faz,
24:15mas a associação em si, ela é a política.
24:18Então, a gente não tem apoio a um determinado partido ou outro,
24:23mas a gente entende que a aproximação com o governo
24:26é de extrema relevância
24:27pra que a gente possa pensar juntos nessas ações,
24:31principalmente as de capacitação,
24:33que a gente tanto falou que é importante.
24:35O governo entra em contato com vocês
24:39a respeito, por exemplo, de programas como o Qualificar ES,
24:44programas digitais oferecidos?
24:46Vocês são consultados pelo governo?
24:47A gente não participa das decisões que o governo tem,
24:53mas, por exemplo, a gente participou o ano passado,
24:56fomos chamados para o Reconecta,
24:58que é um programa do Tribunal do Trabalho,
25:02que oferece portas abertas pra profissionais com deficiência.
25:08Então, a BRH foi convidada a pensar o evento,
25:11a participar do evento.
25:12Esse ano, agora no dia 19 de junho,
25:16nós fazemos há mais de 30 anos,
25:19vamos comemorar a 34ª edição do maior,
25:24e aí vou falar, claro, né,
25:26do melhor Congresso de Gestão de Pessoas do Estado.
25:30E a gente também já recebeu aí a procura do governo
25:34pra ter algumas ações ali dentro do Congresso
25:37exatamente com esses profissionais de recursos humanos,
25:41pra falar de programas que o governo vem pensando
25:44e trocar ideia com esses profissionais.
25:47Então, como eu te disse,
25:48não é uma cadeira efetiva que a BRH tem hoje
25:53e que de verdade acho que poderíamos e deveríamos ter,
25:56porque a gente tem hoje uma associação
25:59que é representada por mais de 300 profissionais, né,
26:03de gestão de pessoas.
26:05Então, com certeza, a gente teria muito a contribuir.
26:08Mas a gente tem, sim, uma aproximação
26:10e uma porta aberta sempre que a gente precisa.
26:13Ótimo, Neide.
26:14Vamos fazer uma pequena pausa nesse momento.
26:16Vamos a um intervalo.
26:17Daqui a pouquinho a gente volta com o programa Valores.
26:21Valores, volta já!
26:23Volta já!
26:32Estamos de volta com o programa Valores,
26:35que hoje recebe a presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos
26:40aqui no Espírito Santo, a Neide Cristo.
26:42Neide, mudando o eixo do formando pro formador,
26:47o que o Espírito Santo oferece de oportunidade para os profissionais de RH?
26:51Se a gente for falar de programas governamentais,
26:55a gente tem as instituições, principalmente do Sistema S,
26:59que oferecem informações, desde a parte técnica,
27:03quanto às comportamentais.
27:05E falando agora das associações como um todo,
27:10e a gente até estava conversando no bastidor,
27:12sobre outras associações que daqui do programa participam,
27:16temos hoje muitos programas de formação,
27:21muitos eventos que também são voltados a discutir essas questões de competência,
27:27de quais são as qualificações que nós precisamos ter para esse mercado de trabalho.
27:33Mas eu diria para você, Edu, e aí é um pensamento muito da Neide,
27:37nada adianta que somente um lado, e aí eu estou dizendo do formador,
27:42ofereça oportunidade, se quem precisa ser formado
27:47não entende realmente a importância dessa formação.
27:51Então a gente precisa ter o governo e as instituições privadas
27:56oferecendo formação para que o estudante, a pessoa mais velha,
28:02ou qualquer um de nós enquanto profissionais,
28:04tenhamos sim essa possibilidade,
28:07mas a gente precisa do outro lado, este profissional que precisa ser capacitado,
28:13sendo muito jovem, mediano, ou já na terceira idade,
28:17disposto a esse aprendizado.
28:19Porque se a gente não tem ou uma ponta ou outra disposta,
28:24a gente sabe que o aproveitamento não vai ser aquele...
28:27Não vai funcionar.
28:27Não vai funcionar, não vai ser aquele que a gente precisa.
28:30Então de verdade eu gosto sempre de falar por ambos os lados,
28:34a gente vê sim programas lindos oferecidos,
28:37tanto pelo governo, quanto pelas empresas,
28:40e que são muito aproveitadas pelos profissionais,
28:43e eu te digo, te garanto,
28:45quem abraça a oportunidade, na maioria das vezes,
28:49vai conseguir algo muito bom logo em seguida,
28:53mas a gente também vê que muitas oportunidades são oferecidas
28:56e não são aproveitadas.
28:58Você acha que tem que ter um trabalho de convencimento também?
29:00Tem que convencer, ó, se você se qualificar,
29:02se você seguir direitinho, você vai conseguir evoluir,
29:07vai conseguir um emprego melhor, vai conseguir ganhar mais?
29:10Acredito que a gente precise sim convencer,
29:13talvez não fosse a palavra, né,
29:15mas conseguir fazer essas pessoas que talvez desistiram,
29:19e aqui não estamos nós para julgar o porquê
29:22que algumas pessoas desistiram.
29:24Como eu falei antes, a gente não pode tentar entender
29:28a cabeça do outro se a gente não viveu a história do outro.
29:31Mas a gente tem que respeitar isso e fazer a nossa parte
29:36no sentido de oferecer a ela as melhores explicações possíveis
29:40para que ela possa fazer a melhor escolha.
29:42Então, na minha opinião, a gente precisa sim reforçar
29:46essa chegada a essa pessoa que ainda não se atentou,
29:51que olhar as tendências, que aprender de tecnologia,
29:55que desenvolver habilidades é importante,
29:58porque ela pode ficar fora do mercado de trabalho,
30:01e a gente precisa mostrar para ela que minimamente ela precisa
30:06parar para pensar sobre isso.
30:08Porque a escolha vai ser sempre dela, não é, Edu?
30:11Eu acho que convencer talvez seria uma pretensão nossa,
30:15mas oferecer essa informação com carinho, com cuidado, com empatia,
30:20acredito que a gente possa sim fazer e contribuir
30:23para que essa escolha seja a melhor possível.
30:26Quais são as áreas com maior potencial para profissionais
30:30aqui no Espírito Santo hoje?
30:32Hoje as áreas que mais demandam profissionais
30:35é a área do serviço, então, desde a área de supermercados,
30:39que a gente sabe que hoje...
30:40É a mais básica de todas.
30:42Muitas vagas, é porta de entrada para muitos jovens,
30:45mas também para profissionais 50+, tem supermercados, tem empresas aqui no Estado
30:51com programas lindos, Edu, de 50+, valorizando esse profissional
30:56que se aposentou ou está perto de se aposentar,
31:00mas que quer continuar trabalhando.
31:02Então, a gente tem hoje muitas vagas disponibilizadas.
31:06A gente também tem muita vaga na área de tecnologia ainda,
31:10que não conseguiu ser fechada, porque demanda profissionais
31:15com capacitações que não necessariamente essa mão de obra
31:19que está hoje buscando recolocação tem.
31:22A área de saúde também é uma área muito promissora,
31:25e aí a gente fala da saúde, aquela que vai tratar o paciente
31:29que já está doente, mas também saúde em todos os sentidos.
31:33A prevenção.
31:33A saúde mental, a prevenção, então também é uma área que está crescendo muito
31:39e está demandando também muitos profissionais.
31:42E a área do turismo, que a gente sabe que tende a ter um crescimento
31:47à medida que o Espírito Santo tem se revelado uma cidade maravilhosa
31:52para se morar, e a gente como capixaba fica até com um pouquinho de ciúme,
31:56com medo da gente ter um boom aí de turismo e a gente acabar,
32:02de certa forma, tendo prejudicado, sendo prejudicado em algum tipo de serviço,
32:08mas é claro que a gente quer ver nosso Estado crescendo,
32:11mas com isso a gente também precisa de mão de obra capacitada,
32:15disposta a um atendimento de excelência,
32:17para que a gente consiga realmente ganhar o pessoal que vem de fora.
32:21Eu fico muito orgulhosa quando eu vou para fora do Estado,
32:25e a gente viaja muito, e as pessoas falam,
32:28nossa, o Espírito Santo está no ranking lá, top 5,
32:32em qualidade de vida, em inovação,
32:35a gente com certeza quer continuar crescendo,
32:38e para isso a gente precisa que os nossos profissionais
32:42estejam dispostos a crescer também, a se qualificar,
32:45para oferecer tudo isso que esse crescimento também vem junto,
32:49traz junto com ele.
32:51Como é que o empresário desses segmentos pode se preparar?
32:54Que tipo de formação é necessária?
32:58Cada segmento precisa muitas vezes de algumas competências a serem desenvolvidas
33:05que são muito específicas.
33:06Então, assim, se eu pudesse dar um conselho para esse empresário,
33:10avalie o seu segmento, verifique qual é a competência,
33:15ou quais são as habilidades e competências mais importantes
33:19que você precisa desenvolver neste futuro,
33:23ou nesse seu já empregado,
33:26para que você possa atender aquilo que o mercado tem demandado,
33:30e com isso você consiga se preparar.
33:33Porque, por exemplo, a gente viu alguns anos atrás,
33:36o boom na mão de obra de construção civil.
33:40E aí a gente viu que chegou um determinado momento
33:44que tinham milhares de vagas abertas no mercado
33:47e não tinha gente capacitada para fazer o trabalho da construção civil.
33:51E ninguém capacita um pintor em um dia, em uma semana.
33:57Esse pintor precisa ser capacitado antes.
33:59Então, se o empresário consegue acompanhar as tendências,
34:03ver o que o mercado mundial, nacional e regional
34:08tem dito que é importante e que está crescendo
34:12e que ele se antecipe na busca desses profissionais
34:16ou minimamente na capacitação desses profissionais.
34:19Como eu falei no bloco anterior,
34:22as empresas que se adiantam e fazem esse tipo de formação,
34:26muitas vezes gratuita, sem nenhum tipo de promessa.
34:30Então, eu não estou falando, Edu, faça o curso que você está empregado.
34:34Estou aqui oferecendo o curso melhor possível, né?
34:37Isso aí. Aproveite, a gente está de olho em você
34:41e se você realmente se destacar,
34:44existe uma grande possibilidade de você sair daqui empregado.
34:48Olha que coisa boa quando a gente tem esse empregador
34:51se preparando para essas tendências
34:53e esse empregado valorizando essa oportunidade
34:56e saindo dali já com um novo emprego.
34:59Legal. Vamos ao quadro Busca de Valores.
35:03Busca de Valores.
35:07Neide, na sua opinião, o que a dinâmica atual do mercado
35:12exige de profissionais bem-sucedidos?
35:15Eu tenho muito medo de fazer uma caixinha assim
35:18e falar o que é o sucesso para cada um
35:21e, portanto, o que é ser bem-sucedido para cada um.
35:24Mas, na minha opinião, a minha humilde opinião,
35:28um profissional bem-sucedido é aquele que tem credibilidade no mercado,
35:33é aquele que consegue ter uma visibilidade
35:36a ponto de alguém parar para ouvi-lo
35:39e falar, poxa, essa pessoa com essa visibilidade
35:43consegue me ensinar alguma coisa.
35:45É um profissional que tem um emprego
35:48e que tem uma remuneração
35:50que consegue manter a qualidade de vida que ele busca.
35:55É um profissional que também consegue,
35:58com o salário que tem e com o tempo disponível que tem,
36:02nunca esquecer da importância de continuar aprendendo.
36:06Então, é aquele que, mesmo estando bem-sucedido
36:09dentro dos seus próprios critérios,
36:12nunca esquece que a humildade de entender
36:15que a gente nunca estará 100% pronto,
36:19para mim, esse é o profissional bem-sucedido.
36:22E acredito que, com essas qualidades,
36:24ele também consiga ser visto como bem-sucedido no mercado.
36:28Como é que as lideranças empresariais
36:30podem fazer a diferença no Estado?
36:32A liderança é o grande exemplo, não é, Edu?
36:35Então, a gente, infelizmente,
36:38ainda ouve muitas histórias de lideranças
36:41que todo mundo olha e diz
36:44é isso que eu não quero ser.
36:46Mas a gente também, por outro lado,
36:48tem lideranças que são extremamente inspiradoras.
36:52Lideranças que têm, claro,
36:55toda essa cobrança com a sua equipe
36:57em relação a resultado,
36:59mas que também vê toda aquela questão da empatia,
37:02do lado humano, do relacional.
37:04Então, para mim, a liderança precisa entender
37:07o grande papel que ela tem
37:10perante seus empregados,
37:12perante a empresa e perante a sociedade.
37:15Tem muito empregado que pede demissão
37:17porque não tem uma liderança
37:19que enxerga a importância desse empregado dentro da equipe.
37:24Então, se a liderança começar a enxergar
37:27que ela precisa ser protagonista
37:30nessas mudanças que o mercado nos impõe,
37:33essa é a palavra.
37:34Porque hoje mesmo eu estava conversando, Edu,
37:37com um amigo e eu falei
37:39se a gente for parar para avaliar,
37:41ninguém quer sair da zona de conforto.
37:43Você concorda?
37:44Com certeza.
37:44Estar numa zona de conforto é maravilhoso.
37:47É confortável.
37:48É confortável.
37:49Exatamente.
37:49Mas o mercado nos impõe sair
37:51dessa zona de conforto.
37:53Então, a ideia é que estejamos
37:55quando nós saímos da nossa zona de conforto
37:59e estejamos em busca da próxima
38:01que a gente entenda que é um momento transitório.
38:04Mas que a gente sim vai buscar uma nova zona de conforto.
38:07E a liderança nesse momento é um grande apoio para a equipe.
38:11Se ela não entende que as mudanças estão acontecendo
38:14e ela é a primeira que precisa entender,
38:19aceitar para depois dividir isso com a equipe
38:22e apoiar a equipe,
38:24vai ficar muito complicado a gente convencer a equipe
38:27que eles precisam mudar sozinhos
38:29e uma liderança ali os segurando,
38:32deixando que eles fiquem parados no tempo,
38:35coisa que nenhum de nós pode ficar.
38:37Como é que os recursos humanos se comportam
38:40em relação à reforma tributária?
38:43Como é que vocês veem a reforma tributária,
38:46os impactos da reforma?
38:47E aí, trazendo para a nossa realidade aqui do Espírito Santo,
38:50como é que vocês estão avaliando isso?
38:52E o que vocês estão esperando que vem por aí da reforma tributária?
38:56Olha, Edu, a gente tem uma perspectiva boa
38:59em relação às mudanças.
39:01É claro que a gente precisa, sim,
39:04que quem faça essas mudanças no Senado
39:07e em todos os âmbitos que precisam ser estudados,
39:10pense em ambos os lados,
39:12tanto no empregador quanto também no empregado,
39:16em todos esses tributos que pesam
39:19para que esse empregador possa oferecer cada vez mais
39:23esses melhores salários e melhores benefícios.
39:26Mas a gente entende que é necessária a mudança.
39:30A gente vem de uma legislação já bastante arcaica,
39:34muitas coisas impedem, talvez,
39:37que empresários possam fazer mais e melhor,
39:41mas também a gente não pode ficar apoiado simplesmente
39:44em desculpas de que posso ou não posso fazer
39:48porque o governo deixa ou não deixa fazer.
39:51Tem muitas ações que as empresas podem tomar
39:55que não estão baseadas em leis ou em mudanças
39:58que demandam aí essas decisões governamentais.
40:02Mas a nossa expectativa é positiva em relação a isso.
40:05Tem uma grande discussão agora também
40:07sobre a desoneração da folha de pagamento.
40:09Essa é uma discussão que é atualíssima,
40:12é uma queda de braço.
40:13O governo quer suspender a desoneração,
40:16suspendeu por um tempo.
40:18Tem uma briga para que volte a desoneração.
40:20Muita gente vai sentir muito
40:22se a folha de pagamento não for desonerada
40:25como era há pouco tempo atrás.
40:27Como é que o profissional de recursos humanos vê isso?
40:30Edu, a gente entende que nosso país é formado
40:34em grande parte por pequenas e microempresas.
40:38E para isso, principalmente para esse empresário,
40:41ter uma folha ainda maior, não tendo essa desoneração,
40:46pode sim nos impactar negativamente.
40:49Então é claro que, como eu disse antes,
40:52a gente precisa entender quais impactos são esses
40:56e o quanto isso vai demandar movimentos da empresa
41:00e o que isso vai demandar movimentos do governo.
41:03Mas a gente sabe que se nada for feito
41:06para que a gente tenha uma folha
41:08com menos impacto para o empresário,
41:11a gente com certeza vai ter mais desemprego,
41:14a gente vai ter salários talvez piores
41:17e um custo que é gigantesco
41:20para essa pequena e média empresa pagar.
41:22E no final das contas, é o profissional de RH
41:25que vai ter que lidar com essa situação.
41:27Como é que você pensa como instituição,
41:29como a BRH, em fazer em relação a esse desafio
41:34de lidar, de repente, com insatisfação,
41:37com aumento de desemprego,
41:39com mudança na cultura de empresas
41:43em função disso, enxugamento de folha,
41:45enxugamento de quadros,
41:47porque isso cai tudo no colo do profissional de RH.
41:49Enquanto instituição, o que pode ser feito,
41:52o que pode ser organizado
41:54para lidar com isso daqui para frente?
41:57Edu, é uma pergunta tão complexa
41:59e tão difícil de responder,
42:01porque o profissional de RH
42:03é realmente quem lida lá na ponta
42:06com o empregado.
42:08Na verdade, ele apoia muito mais
42:10a liderança para que essa conexão ali
42:13seja feita, as informações cheguem,
42:16mas, querendo ou não, na hora de fazer
42:18uma admissão ou uma demissão,
42:20é sempre esse profissional de RH
42:22que está ali à frente.
42:23Mas, por outro lado,
42:25o profissional de RH não é
42:28o profissional que tem ali o poder
42:30de dizer para o empregado,
42:33fique, deixe esses profissionais aqui,
42:37mantenha a empresa funcionando assim,
42:39ou não.
42:40porque essa é uma decisão
42:42do CEO da empresa,
42:44do diretor, do dono da empresa.
42:46Então, o profissional de RH
42:49fica nesse meio de caminho
42:51que é bastante complexo,
42:53porque, sim, precisa entender
42:55o que a ponta passa,
42:57que são os empregados,
42:58mas também precisa entender
43:00o que esse executivo está passando.
43:02E aí, ele está ali no meio
43:05para fazer uma comunicação
43:06a mais assertiva,
43:08mas a mais verdadeira possível.
43:10Então, a decisão não é nossa
43:12enquanto profissional de RH,
43:14mas o que a gente pode fazer
43:16para levar essa informação
43:17da melhor maneira,
43:19da maneira respeitosa,
43:21da forma que a gente possa explicar
43:24para o empregado os motivos
43:25do porquê essas questões
43:28estão acontecendo,
43:29a gente faz.
43:30Mas, infelizmente,
43:31a gente não tem,
43:33na grande maioria das empresas,
43:35esse poder de decisão.
43:37Poucas, poucas,
43:39mas algumas muito estratégicas
43:41já têm trazido o diretor de RH
43:44para estar bem ali juntinho
43:47com a cadeira do CEO.
43:48Mas essa não é a grande realidade
43:50da maioria das organizações.
43:52Legal, Neide.
43:53Vamos ao próximo quadro do programa.
43:56Vamos ao quadro
43:58Valores do Futuro.
44:01Valores, valores de futuro.
44:05Qual investimento realizado agora
44:07vai dar resultado daqui a 25 anos?
44:11Vai parecer, assim,
44:13repetindo a mesma tecla,
44:15mas, para mim,
44:16para os profissionais que eu converso
44:18e por tudo que eu acredito,
44:20educação, Edu.
44:23Educação, qualificação, capacitação
44:26é o que vai fazer com que
44:28nossa sociedade melhore,
44:31nosso país melhore,
44:32nossas empresas melhorem.
44:34Então, se a gente conseguir pensar
44:36em conjunto,
44:38governo, Estado,
44:40associações,
44:41empresas privadas,
44:43se todo mundo junto
44:45conseguir pensar em programas
44:47que melhorem a educação
44:48no nosso regional,
44:51no nosso país,
44:52eu tenho certeza,
44:53anota que daqui a 25 anos
44:55estaremos conversando,
44:57tenho certeza que isso
44:58não vai demorar 25,
45:00mas lá os 25 anos depois
45:02a gente vai ter colhido
45:03muitas coisas boas,
45:05mas ao longo desse caminho também.
45:07Então, educação,
45:08para mim,
45:09é a resposta de tudo.
45:10Legal.
45:11Como é que é
45:11ser profissional de RH?
45:14É uma cachaça boa, né?
45:16Assim,
45:16para quem gosta,
45:17eu amo
45:18estar com pessoas
45:19e tenho certeza
45:20que a grande maioria
45:21dos profissionais
45:22que escolheram essa área
45:23também amam.
45:24e digo a qualquer um
45:27que estiver nos ouvindo,
45:28não só a profissional de RH,
45:30mas qualquer profissional.
45:32Quando você for fazer
45:33sua escolha
45:34pela área,
45:36pela função
45:37que você quer atuar,
45:39é claro que a gente sabe
45:40que não necessariamente
45:42a gente sempre vai ter
45:43esse poder de escolha
45:44para escolher fazer
45:45o que a gente ama.
45:46Mas se você não puder
45:47escolher fazer o que ama,
45:50busque amar o que você faz.
45:52Isso faz a grande diferença.
45:53E aí,
45:55no meio desse caminho,
45:56dessa trajetória,
45:58você vai começar também
45:59a poder fazer as escolhas
46:01de atuar com aquilo
46:02que você ama.
46:03Então,
46:04para mim,
46:04hoje eu tenho muita honra,
46:06Edu,
46:06de falar nas salas de aula,
46:08em todos os lugares
46:09que eu tenho possibilidade
46:10de conversar,
46:11de falar o quanto
46:12eu tenho orgulho
46:13de trabalhar numa área
46:14que lida com gente,
46:16que eu já te respondi,
46:17para mim,
46:18é o maior ativo
46:19que qualquer sociedade
46:20pode ter.
46:21e a gente sabe
46:24que as pessoas
46:25movem o mundo.
46:26Então,
46:27para mim,
46:27o profissional de RH
46:29move as pessoas.
46:31E com isso,
46:32a gente consegue fazer
46:33transformações no mundo.
46:34O que tem da Neide
46:35no comando da ABRH?
46:38A Neide é uma profissional
46:40muito relacional.
46:42Acredito que
46:43alguém que se comunica
46:45de uma maneira
46:47assertiva.
46:48a Neide é uma profissional
46:49muito feliz.
46:50Eu acho que você pode
46:51perguntar isso
46:52para qualquer pessoa
46:53que convive comigo.
46:54E eu diria que a Neide
46:56é hoje
46:57alguém autêntica.
46:59Eu consigo ser
47:00a Neide
47:01que eu sempre quis
47:02dentro de uma associação,
47:04como eu já te disse,
47:05que tem hoje
47:0680 voluntários
47:08que são profissionais
47:10de diversas áreas
47:11e diversas hierarquias
47:13nas empresas.
47:14Eu tenho diretores,
47:16eu tenho gerentes,
47:16eu tenho analistas,
47:18eu tenho assistentes,
47:19todos dedicados
47:21a uma causa
47:22que é disseminar
47:23conhecimento
47:24sobre o mundo do trabalho.
47:26E com isso,
47:26a nossa grande expectativa
47:28é melhorar
47:29todos esses profissionais
47:31que oferecem
47:32seus serviços
47:33para as empresas
47:34e para a nossa
47:35sociedade capixaba.
47:36Qual a marca
47:37que você quer deixar
47:38na ABRH?
47:40O grande legado
47:41que a Neide
47:42quer deixar
47:43quando um dia
47:44ela estiver longe
47:45da ABRH
47:46e eu espero
47:47que seja
47:47algo muito distante
47:49porque mesmo
47:50quando acabar
47:50meu mandato
47:51eu continuarei
47:53como voluntária
47:54e isso eu tenho certeza.
47:56Mas é um legado
47:57de uma liderança
47:58muito aberta
47:59a ouvir,
48:00de uma liderança
48:01que pensa sim
48:02nas pessoas,
48:03não é o resultado
48:04a qualquer custo
48:05e sim o resultado
48:07junto com as pessoas
48:08para as pessoas.
48:09E uma liderança
48:11que abre portas
48:12para outras pessoas
48:13porque eu acho
48:14que todos nós
48:15podemos brilhar.
48:17Não é só quem
48:18assumiu uma cadeira
48:19de líder,
48:20mas todas as pessoas
48:21que estão ao redor.
48:22Então é esse
48:23o legado
48:24que eu quero deixar
48:24e espero que um dia
48:25eu possa confirmar
48:27e que eu consegui
48:28fazer isso.
48:29Legal.
48:30Vamos ao último
48:30quadro do programa.
48:32É o quadro
48:33Valor Pessoal.
48:35Valor.
48:35Valor.
48:36Pessoal.
48:37Pessoal.
48:39Que aspecto
48:40da sua vida
48:41pessoal, Neide,
48:42é essencial
48:43para que você
48:44tome as melhores
48:45decisões?
48:47Edu,
48:48que pergunta
48:49difícil, né?
48:50Mas eu acho que
48:51para mim
48:52o que me faz
48:53tomar as...
48:55Eu acho que
48:56eu estaria sendo
48:57pretenciosa
48:58dizer que eu tomo
48:59as melhores decisões
49:00sempre.
49:00Mas decisões
49:01mais assertivas
49:03na minha opinião
49:03é o respeito
49:04que eu tenho
49:04às pessoas.
49:06Então em toda
49:07decisão que eu tomo
49:08eu sempre busco
49:09dizer para você
49:10o porquê
49:10estou tomando
49:11aquela decisão.
49:12E uma coisa
49:13que a Neide
49:13não tem
49:14nenhuma vergonha
49:15em fazer
49:15é voltar atrás.
49:17Se eu tomar
49:18uma decisão
49:19e você sentar
49:19comigo,
49:21conversar comigo
49:21e me disser
49:22que essa decisão
49:23não foi boa
49:25e me apontar
49:26os motivos,
49:27a minha equipe
49:28está aí para
49:28testemunhar
49:29que eu não tenho
49:29problema nenhum
49:30em voltar atrás.
49:32Então aquilo
49:32que eu falei
49:32antes da questão
49:33da humildade
49:34eu acho que
49:34também é uma
49:35marca da Neide.
49:37Todas as vezes
49:38que eu tomo
49:39decisões
49:40e que por algum
49:41motivo
49:42alguém não
49:43acha que é
49:43a melhor
49:44primeiro
49:45minhas portas
49:46estão sempre
49:46abertas
49:47a minha equipe
49:47sempre vai
49:48falar comigo
49:49e segundo
49:50que se por acaso
49:51realmente a decisão
49:52foi ruim
49:53e a gente entender
49:54ali em conjunto
49:55que é melhor
49:56mudar
49:56eu não tenho
49:57nenhuma vergonha
49:59em dizer
49:59olha
50:00tomei uma decisão
50:02avaliamos
50:03não foi a melhor
50:04estamos tomando
50:05outra.
50:05então acredito
50:06que o respeito
50:07que eu tenho
50:08às pessoas
50:08e às opiniões
50:09é algo que me
50:10ajuda muito
50:11nessas tomadas
50:12de decisão.
50:13Legal.
50:13Neide Cristo
50:14presidente da
50:15Associação Brasileira
50:16de Recursos Humanos
50:17aqui no Espírito Santo
50:18muito obrigado
50:19pela sua entrevista
50:20ao Valores.
50:20Eu que agradeço
50:21é um prazer
50:22foi um bate-papo
50:23muito agradável
50:25falei coisas
50:26que eu nem
50:27pretendia falar
50:28porque falar
50:29sobre a gente
50:29sempre é tão difícil
50:30não é Edu?
50:31É verdade.
50:31Mas foi maravilhoso
50:32estar aqui com vocês
50:33a BRH
50:34abre as portas
50:35e sempre que vocês
50:36precisarem
50:37não só da Neide
50:38mas de todos
50:39os outros
50:40incríveis profissionais
50:41que temos por lá
50:42fiquem à vontade.
50:44Ótimo
50:44muito obrigado
50:45e muito obrigado
50:45a você
50:46que acompanha
50:46o nosso papo
50:47até agora
50:47muito obrigado
50:48pela companhia
50:49até a próxima
50:50tchau
50:52Você ouviu
50:53Valores
50:54com Edu Copernic
50:56até o próximo