00:00Olá, seguidores de O Liberal, eu sou Jéssica Nascimento e hoje nós vamos entrevistar o capitão de coberta,
00:06Herbert Bruno, de Cunha, França, chefe de departamento de segurança do tráfico aquaviário da Capitania dos Portos da Amazônia Oriental.
00:14Comandante França, obrigada pela sua participação, obrigada pela sua disponibilidade em conceder essa entrevista para a gente.
00:21É uma satisfação, em nome da Marinha do Brasil, estar presente aqui no Grupo Liberal e falar de um assunto
00:28que é tão caro para todos nós que servimos no estado do Pará, em particular na capital.
00:34Sim, com certeza. Comandante, para a gente iniciar a nossa entrevista, qual é o papel da Marinha do Brasil durante
00:40o Sírio Fluvial e por que a atuação da instituição é considerada fundamental para a segurança da Romaria?
00:46O objetivo maior da Marinha do Brasil durante a Romaria Fluvial é garantir a segurança da navegação, a salvaguarda da
00:54vida humana e a prevenção da poluição hídrica.
00:56E, principalmente, que os nossos convidados, os romeiros, tenham a tranquilidade de efetivamente participar desse evento, que é uma das
01:11maiores demonstrações de fé do planeta, sem nenhum tipo de intercorrência.
01:15Então, o papel da Marinha é garantir que a Romaria Fluvial transcorra da melhor maneira possível dentro dos maiores parâmetros
01:22de segurança.
01:23Bacana. Quais são as principais orientações para os romeiros e condutores de embarcações que participam do Sírio Fluvial, especialmente em
01:32relação ao uso de equipamentos de segurança e a navegação?
01:37É importante frisar que somente embarcações que forem inscritas junto à Capitania dos Portos podem participar da Romaria Fluvial.
01:45Isso já garante que essa embarcação passou por historias e que cumpre todos os requisitos das normas da Autoridade Marítima.
01:52E a gente identifica essas embarcações por meio de umas bandeiras que são distribuídas durante o período de inscrição na
02:00Capitania dos Portos.
02:01Então, o principal fator de segurança que o passageiro e o devoto que vai participar da Romaria deve ter é
02:10verificar se essa embarcação está com essa bandeira.
02:14Excelente.
02:15Como a Marinha se prepara para garantir a segurança de uma das maiores processões fluviais do mundo,
02:20que reúne embarcações e fiéis nos rios da Amazônia?
02:25Quando se trata de qualquer evento nas águas, tem um nível de complexidade bem diferenciado.
02:32Então, são meses de planejamento, de reuniões.
02:39Há um trabalho coordenado pela Marinha do Brasil com outros órgãos que prestam um apoio fundamental
02:48para que a Romaria transcorra da melhor forma possível.
02:52Estou falando dos órgãos de segurança, corpo de bombeiros, polícia militar, polícia civil, defesa civil, SAMU,
03:03Exército Brasileiro.
03:04Enfim, é uma gama de parceiros que colaboram com a Marinha do Brasil por meses,
03:11através de reuniões e briefings e debriefings, para que a gente possa, no final,
03:21poder proporcionar um sírio seguro dentro das regras e do que foi planejado para a Marinha do Brasil.
03:29Sem dúvida.
03:30Além do aspecto da fiscalização e da segurança da navegação,
03:35O que representa para a Marinha participar todos os anos de uma manifestação religiosa
03:40tão importante para o povo paraense?
03:43Eu acho que a palavra seria um privilégio.
03:51É uma missão que a gente cumpre com um empenho um pouquinho diferenciado.
04:03Nós estamos falando de fé e eu, particularmente, como paraense,
04:11desde cedo a gente se identifica com esse evento.
04:17Eu trabalho ali na coordenação operacional da Romaria Flovial
04:23e, por vezes, eu tenho que me controlar por conta da emoção.
04:27Mas é um privilégio, uma satisfação enorme a Marinha estar há tantos anos
04:34podendo, junto com o povo paraense, abraçar esse evento de fé
04:41e que tanto demonstra, não só a nível nacional, mas internacional,
04:50todo o potencial da religião, da cultura, dos costumes do povo brasileiro.
05:02Excelente.
05:03O sírio fluvial também evidencia a forte relação do povo amazônico com os rios.
05:08Na avaliação da Marinha, qual a importância dessa procissão
05:12para a valorização da cultura ribeirinha e da navegação na Amazônia?
05:16A gente tem um cuidado enorme com os nossos ribeirinhos,
05:25um trabalho de conscientização, orientação, educação.
05:30A gente tem trabalhado na questão, por exemplo,
05:38para evitar o acidente de escapelamento,
05:40que aflige, basicamente, os nossos ribeirinhos.
05:45A própria Romaria Fluvial nasceu também com esse ideal
05:49de trazer o ribeirinho próximo desse evento de fé.
05:57São várias romarias que existem.
06:00E, na Amazônia, a gente realmente não ter a capacidade de proporcionar
06:06que os ribeirinhos pudessem também participar,
06:09acho que ficaria uma lacuna.
06:11Então, a gente sempre aproveita esse momento
06:17para potencializar essas ações de orientação com os nossos ribeirinhos
06:24para que eles sempre se sintam inseridos
06:29como atores importantes para a nossa realidade.
06:33Então, a Marinha tem essa preocupação
06:35e trabalha bem próximo dessa população.
06:39Sem dúvida.
06:40Qual a embarcação da Marinha é responsável por conduzir
06:43a imagem peregrina durante o sírio fluvial?
06:46É o nosso navio hidrossanográfico Garnier Sampaio,
06:49que tem o privilégio de receber a imagem peregrina
06:56de Nossa Senhora de Nazaré.
06:58Então, ele passa por todo um preparativo
07:03antes do evento da Romaria.
07:05E a gente que tem contato com o comando,
07:09a tripulação desse navio,
07:10a gente percebe que, para eles, também é um momento único
07:14em suas carreiras.
07:16E há quanto tempo esse navio é usado?
07:19É desde 1999.
07:22Então, já tem aí um histórico...
07:2527 anos.
07:25Exatamente.
07:26Como é realizado o embarque da imagem no navio?
07:31Bom, ela é recebida a bordo
07:37pela mais alta autoridade da Marinha presente.
07:40Existe todo um protocolo para receber a imagem peregrina.
07:45Ela é equiparada como se estivesse recebendo um chefe de Estado.
07:56Então, há esse cuidado, isso é previsto nas nossas normas.
08:01Depois, ela é trasladada para um local especial na prova do navio.
08:07Existe uma guarda especial, uma guarda de honra,
08:10que acompanha toda a derrota, todo o percurso do navio,
08:14de Coracê até Escadinha,
08:17para que ela fique no local de destaque
08:20e as pessoas consigam visualizar a imagem peregrina.
08:24Sem dúvida.
08:25Quem costuma acompanhar a imagem a bordo durante a procissão?
08:29Por parte da Marinha, a gente sempre recebe
08:33a presença de altas autoridades da Marinha do Brasil,
08:37da alta administração naval,
08:39que são almirantes de esquadra
08:41e que fazem, enfim, presidem esse evento
08:48a bordo do Garnier Sampaio.
08:50É lógico que a gente recebe outras autoridades civis,
08:55mas confesso que isso
08:59fica mais a cargo de um setor específico
09:02da Marinha do Brasil,
09:04do comando do 4º Distrito Naval,
09:06que faz essa coordenação.
09:07Há quanto tempo a Marinha participa do Círio Fluvial?
09:11Você sabe?
09:12O Círio Fluvial começou em 1986.
09:17Em 1987, a Marinha já participou de forma mais efetiva.
09:23Nós acompanhamos o primeiro,
09:25mas em 1987 a gente já teve uma ação mais efetiva
09:30da Marinha do Círio Fluvial.
09:33Então, esse ano a gente completa a 39ª Marinha Fluvial.
09:3839 anos, então.
09:3939 anos.
09:40Excelente, comandante.
09:41Essa foi a nossa entrevista com o capitão de governo
09:43Ebert Bruno, da Cunha França,
09:46o comandante França,
09:47chefe de departamento de segurança do tráfego aquaviário
09:50da Capitania dos Portos da Amazônia Oriental,
09:52que contou um pouquinho sobre a participação
09:54da Marinha no Círio Fluvial.
09:55Muito obrigada pela participação e pela entrevista, comandante.
09:58A gente que agradece.