00:00Nesta terça-feira, a Polícia Civil prendeu Dionis Henrique de Souza, de 32 anos, que confessou ter assassinado Diná Marinho
00:10Amorim, de 27 anos.
00:12Os dois tiveram um relacionamento.
00:15Diná foi encontrada morta na segunda-feira de manhã, na casa onde morava, em vista da Serra 1, na Serra.
00:23O filho de 6 anos acompanhou tudo. Situação que chocou os policiais.
00:30Saber que foi praticado um crime com tanta barbárie na frente do filho, inclusive do autor, com a vítima,
00:38aí você chega a um ponto a se questionar em que mundo nós estamos vivendo,
00:42que ser humano é aquele que tem capacidade de praticar tamanha crueldade na frente de uma criança.
00:49Familiares de Diná disseram aos policiais que ela vinha sofrendo violência física e psicológica e ameaças de morte.
00:57A mulher não registrou ocorrência, nem procurou a rede de assistência social.
01:03A gente sempre orienta que, no menor indício de uma violência, de um controle excessivo, de um ciúme excessivo,
01:11que já acenda aquele alerta para aquela mulher naquele relacionamento e, na hora que já implementa mesmo os crimes, propriamente
01:19dito,
01:20vá a uma delegacia para que a gente consiga te orientar, para que consiga ajudar,
01:24para que a violência, nessa forma mais gravosa que é a do feminicídio, não ocorra.
01:29Este ano, até o mês de julho, foram registrados 17 feminicídios no Espírito Santo, com 41 tentativas.
01:37Em todo o ano passado, foram 85 tentativas e 39 casos consumados.
01:43O número de registros de violência doméstica também foi grande.
01:48Em 2024, passou de 23 mil e 500.
01:51Em 2025, até julho, foram quase 15 mil registros.
01:56Os especialistas dizem que a violência contra a mulher geralmente ocorre em etapas,
02:01numa escalada que muitas vezes começa de maneira sutil.
02:05Foi o que aconteceu com esta mulher, que, por questões de segurança, não será identificada.
02:12Ela sofreu violência psicológica durante 10 anos, seis dos quais não percebeu do que se tratava.
02:20Não falava muito alto.
02:22E quando eu estava me sentindo evacuada, querendo até chorar, ele falava,
02:27agora você vai procurar quem?
02:28Você vai procurar suas amigas?
02:30Você vai procurar sua família?
02:32Você só tem amigos.
02:33Ele dizia que não ia me querer devido a ter filhos.
02:38A mulher também era obrigada a entregar o salário para o ex-companheiro administrar,
02:43o que configura violência patrimonial.
02:47Hoje, dois anos depois da separação, decidiu falar para incentivar outras vítimas de violência de gênero.
02:55Esses projetos, eles vêm para nos dar força, nos dar coragem, encorajar a ter aquela força para saber falar com
03:05a pessoa
03:05de que você não é igual a ela, você não é agressivo como ela.
03:09E se ela tem, se ela sabe conversar, você sabe melhor do que ela.
03:14Você sabe dizer não.
03:15A procuradora do Ministério Público, que coordena o combate à violência contra a mulher, diz que os homens dão sinais
03:23de agressividade.
03:24Mas o meio em que algumas mulheres foram criadas pode atrapalhar a entender que são vítimas.
03:30Ela acha que aquilo é normal, porque às vezes uma tia passou por aquilo e venceu o tempo,
03:37ou às vezes assistiu a mãe e sofreu violência e achava aquilo natural.
03:44É importante que a mulher não releve o desconforto e o constrangimento que sente.
03:51Entenda que isso não é normal e busque ajuda na família ou no poder público.
03:57Ela deve procurar para até poder o juiz de direito ficar sabendo e conceder uma medida protetiva.
04:05Alguma medida protetiva, tem várias na lei Maria da Panha, que seja mais adequada para o caso da mulher.