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00:07O céu escurecia sobre Jerusalém, mas o que se aproximava não era apenas a noite.
00:17Era o terceiro ano do reinado de Jeoaquim, rei de Judá.
00:23No horizonte, uma tempestade de ferro e fogo marchava sem piedade.
00:28A Babilônia havia despertado.
00:32Os portões sagrados ruíram.
00:35O templo foi profanado.
00:38Príncipes e sacerdotes foram lançados em correntes, seus gritos calados pela poeira do exílio.
00:45Entre eles, estava um jovem cujo destino mudaria o curso da história.
00:57Seu nome era Daniel.
01:01Mas essa não é apenas a história de um cativo.
01:05Não é apenas o relato de um profeta em terra estranha.
01:08É o início de uma guerra invisível entre reinos humanos e decretos eternos.
01:14É um sussurro vindo das eras.
01:17Um aviso para todos os tempos.
01:22Alguns dizem que Daniel falou do passado.
01:25Outros, que ele enxergou o fim.
01:28E se as palavras que foram seladas por séculos estão prestes a se cumprir.
01:35E os sábios entenderão.
01:45Jerusalém arde em chamas.
01:47O céu está coberto por nuvens escuras, como se o próprio firmamento lamentasse o que acontecia.
01:54Entre os gritos, o tilintar de espadas e o estalar das muralhas em colapso,
02:00o exército babilônico avança implacável.
02:04Nabucodonosor, rei da Babilônia, observa a cidade sagrada ser tomada.
02:10Seus olhos não demonstram piedade.
02:12Ao seu lado, conselheiros anotam nomes, riquezas e ordenam a separação dos jovens mais promissores.
02:20Dos escombros, quatro adolescentes são arrastados.
02:24Daniel, Hananias, Misael e Azarias.
02:28Suas roupas estão sujas, mas o olhar permanece firme.
02:32São levados para uma terra estrangeira, onde seus nomes, cultura e fé seriam postos à prova.
02:40No coração da Babilônia, os portões do palácio se abrem como a boca de um monstro faminto.
02:46Ali, sob o comando de Aspenaz, chefe dos oficiais do rei, os jovens são rebatizados.
02:52Daniel se torna Beltesazar, Ananias é chamado Sadraque, Misael é renomeado Mesaque.
03:00E Azarias recebe o nome de Abednego.
03:04No salão do treinamento, iguarias finas, carnes suculentas e vinhos aromáticos são servidos.
03:12Mas, Daniel observa com desconfiança.
03:16Não era apenas comida, era consagração.
03:20Os alimentos e bebidas haviam sido oferecidos aos deuses babilônicos.
03:24Com coragem, ele se aproxima de Aspenaz.
03:28Peço-lhe que não me obrigue a me contaminar com a comida e o vinho do rei.
03:32Aspenaz hesita.
03:35Ele simpatiza com Daniel, mas teme a ira de Nabucodonosor.
03:41Daniel insiste.
03:43Propõe um teste.
03:45Experimente seus servos por dez dias.
03:48Dê-nos apenas legumes para comer e água para beber.
03:52Depois, compare nossa aparência com a dos outros jovens.
03:56A proposta é aceita.
03:59Dez dias se passam.
04:00Daniel e seus amigos têm semblante saudável, mais forte que todos os demais.
04:07Impressionado, Aspenaz permite que continuem com sua dieta.
04:11Enquanto os dias passam, o Deus de Israel honra a fidelidade dos jovens.
04:17Eles se destacam no conhecimento, na literatura e na sabedoria.
04:23Em especial, a Daniel é concedido algo além.
04:27O dom de interpretar visões e sonhos.
04:33Ao final dos três anos de treinamento, os jovens são levados à presença do rei Nabucodonosor.
04:40O salão do trono é gigantesco, dourado, opulento.
04:45O rei os observa atentamente, faz perguntas, testa raciocínios.
04:52Ao final da audiência, levanta-se e declara.
04:58Em toda a minha corte, não há quem se compare a estes quatro.
05:06Eles são designados para cargos importantes.
05:10Daniel, em especial, ganha a atenção direta do rei.
05:14Mas a paz é breve.
05:16Uma inquietação abala o trono da Babilônia.
05:20Certa noite, Nabucodonosor acorda com o rosto coberto de suor.
05:25O coração acelera.
05:26Ele vira-se na cama, respira fundo, tenta lembrar.
05:31Mas o sonho se esvie como névoa.
05:35Algo perturbador permanece em sua alma.
05:39Ele chama os magos, encantadores e astrólogos.
05:44Tive um sonho que me perturba profundamente.
05:48Quero saber o que sonhei e o que significa.
05:53Os sábios se entreolham, confusos.
05:58Diga-nos o sonho, ó rei, e nós o interpretaremos.
06:03Mas Nabucodonosor esbraveja.
06:08Recuso-me!
06:10Vocês devem me contar o sonho e sua interpretação.
06:14Se não o fizerem, serão cortados em pedaços
06:18e suas casas transformadas em montes de entulho.
06:23O medo se espalha como um incêndio.
06:26Nenhum homem pode ler a mente de outro.
06:30Nenhum sábio se atreve a falar.
06:33O rei, enfurecido, emite um decreto de morte
06:37a todos os sábios da Babilônia.
06:41Daniel, ao saber do decreto,
06:44procura Arioque, capitão da guarda encarregado das execuções.
06:48Por que tamanha pressa da parte do rei?
06:51Ao entender a gravidade do caso,
06:54Daniel pede tempo.
06:56Peça ao rei que me dê tempo.
06:59Ele se retira com seus amigos
07:01e juntos fazem o que sabem.
07:04Oram.
07:05De joelhos,
07:06clamam ao Deus dos céus.
07:09Ó Deus de meus antepassados,
07:11eu te louvo e agradeço,
07:13pois tu me deste sabedoria e poder.
07:16Me revelaste o que pedimos.
07:19Revelaste o sonho do rei.
07:21Naquela noite,
07:22Daniel tem uma visão.
07:24O mistério é desvendado.
07:27No dia seguinte,
07:29ele se apresenta a Arioque.
07:32Não mates os sábios da Babilônia.
07:35Leva-me ao rei
07:36e eu lhe interpretarei o sonho.
07:40O destino agora o chama ao salão de trono.
07:44Passos firmes,
07:46olhos resolutos.
07:48A multidão aguarda em silêncio.
07:51Diante de Nabucodonosor,
07:53Daniel não exalta a si mesmo.
07:58Nenhum sábio encantador,
08:01mago ou adivinho
08:02pode revelar este mistério.
08:04Mas há um Deus nos céus
08:06que revela os mistérios.
08:08E ali,
08:09naquele momento sagrado,
08:11o jovem hebreu começa a revelar
08:13o conteúdo do sonho
08:15que o rei havia esquecido.
08:17É uma estátua imensa
08:19com cabeça de ouro,
08:20peito de prata,
08:21ventre de bronze,
08:22pernas de ferro
08:23e pés de ferro e barro.
08:26A respiração do rei para.
08:28Daniel segue.
08:30Tu, ó rei,
08:32és a cabeça de ouro.
08:34Após ti surgirá um reino inferior,
08:37depois um terceiro,
08:39de bronze
08:40e um quarto reino,
08:42forte como ferro.
08:44No final,
08:45virá um reino que Deus estabelecerá,
08:48um reino eterno
08:49que jamais será destruído.
08:51O trono de Nabucodonosor
08:53treme diante da grandeza da revelação.
08:56O rei se prostra
08:58diante de Daniel
08:59em admiração.
09:03Certamente o teu Deus
09:05é o Deus dos deuses
09:07e o Senhor dos reis.
09:11Daniel é promovido.
09:13Seus amigos recebem
09:15postos elevados na província.
09:17O nome do Deus de Israel
09:19começa a ecoar
09:20entre os muros da Babilônia.
09:23Mas no coração do rei
09:25algo começa a mudar.
09:27O orgulho cresce
09:29e logo
09:30uma nova prova de fogo
09:32se aproxima.
09:33Os dias passam.
09:34O brilho dourado
09:36do trono babilônico
09:37reflete a vaidade crescente
09:39de Nabucodonosor.
09:41Ainda impressionado
09:43com a revelação do sonho,
09:45o rei se vê
09:46como centro de todo poder.
09:47Apesar da advertência profética
09:51de que outros reinos
09:52viriam depois do seu,
09:53Nabucodonosor decide
09:55reescrever o próprio destino.
09:58Ele manda erguer
09:59uma estátua colossal
10:00de 27 metros de altura
10:02inteiramente feita de ouro
10:05da cabeça aos pés.
10:07Uma afronta direta
10:09à visão que recebera.
10:11A estátua é erguida
10:12na planície de Dura
10:13como símbolo
10:15de sua glória eterna.
10:18Um decreto é emitido.
10:21Quando ouvirem o som
10:22da trombeta,
10:23da flauta,
10:24da harpa,
10:25do saltério,
10:26da gaita de foles
10:28e de toda espécie de música,
10:30prostrem-se
10:30e adorem a imagem
10:32que o rei Nabucodonosor ergueu.
10:34Quem não se prostrar
10:36será imediatamente lançado
10:38numa fornalha em chamas.
10:41A multidão se curva,
10:43músicos tocam,
10:45homens e mulheres
10:46se ajoelham como ondas
10:48que se dobram
10:49diante de uma tempestade.
10:51Mas três figuras
10:52permanecem de pé.
10:54Em meio à massa prostrada,
10:56Sadraque,
10:57Mesaque e Abednego
10:58desafiam o decreto real.
11:00A notícia chega rápido
11:02ao palácio.
11:03Conselheiros invejosos
11:05correm até o rei.
11:08Ó rei,
11:09tu disseste que todo aquele
11:10que não se prostrasse
11:11seria lançado na fornalha,
11:13pois há judeus
11:14que não prestam culto
11:15aos teus deuses
11:16nem adoram
11:17a imagem de ouro
11:18que ergueste.
11:19Furioso,
11:20Nabucodonosor ordena
11:22que os três jovens
11:23sejam trazidos
11:25à sua presença.
11:27Seu olhar é sombrio.
11:29Ele tenta dar-lhes
11:30uma última chance.
11:33É verdade que vocês
11:35não adoram a minha imagem?
11:37Se agora se prostrarem,
11:38tudo ficará bem.
11:40Mas se não,
11:41serão lançados
11:42imediatamente
11:43na fornalha.
11:44E que Deus
11:45poderá livrá-los
11:46da minha mão?
11:49Sadraque,
11:49Mesaque e Abednego
11:51respondem com coragem.
11:54Ó Nabucodonosor,
11:56não precisamos
11:57nos defender
11:58diante de ti.
11:59Se formos lançados
12:01na fornalha
12:01em chamas,
12:02o Deus a quem servimos
12:04pode nos livrar.
12:05Mas mesmo que ele
12:06não nos livre,
12:07saiba, ó rei,
12:09que não serviremos
12:10aos teus deuses
12:11nem adoraremos
12:12a imagem que ergueste.
12:15Silêncio.
12:16O trono treme de ira.
12:18O rei ordena
12:19que a fornalha
12:20seja aquecida
12:21sete vezes mais.
12:24Soldados fortes
12:26amarram os jovens.
12:29A fornalha ruge
12:31como um monstro
12:32insaciável.
12:33Os homens que os lançam
12:34morrem com o calor,
12:36mas os três
12:37caem no fogo
12:38e não gritam.
12:39O rei se ergue
12:41de súbito.
12:42Seus olhos
12:43arregalam-se.
12:44Ele fala
12:45perplexo.
12:46Não lançamos
12:47três homens
12:48atados
12:49dentro do fogo?
12:50Sim, ó rei.
12:51Mas vejo
12:52quatro homens
12:53desatados
12:54andando no meio
12:55do fogo
12:56e não se machucam.
12:57e o quarto homem
12:58tem a aparência
13:00de um filho
13:00dos deuses.
13:02Nabucodonosor
13:03se aproxima
13:04da fornalha
13:04e grita.
13:05Sadraque,
13:06Mesaque
13:07e Abed-Nego,
13:08servos do Deus
13:09Altíssimo,
13:10saiam
13:11e venham aqui.
13:13Eles saem.
13:14Suas roupas
13:15não estão
13:16chamuscadas.
13:17Nenhum fio
13:18de cabelo
13:19foi queimado.
13:20Nem cheiro
13:21de fumaça
13:22há neles.
13:22os conselheiros
13:24observam
13:25em silêncio
13:26e temor.
13:28O rei
13:29então declara
13:30diante
13:30de toda
13:31a corte.
13:33Louvado
13:34seja o
13:35Deus de
13:35Sadraque,
13:36Mesaque
13:37e Abed-Nego,
13:38que enviou
13:39o seu anjo
13:40e livrou
13:41seus servos.
13:42Nenhum
13:43outro Deus
13:44é capaz
13:45de livrar
13:45assim.
13:47Eles
13:47são promovidos
13:48a cargos
13:49ainda maiores.
13:51Mas,
13:51no íntimo,
13:53o rei
13:53continua
13:53dividido
13:54entre o temor
13:55e a soberba.
13:57Uma luta
13:58interna
13:59começa a crescer.
14:02Certa noite,
14:03enquanto a cidade
14:04dorme,
14:05o rei
14:05tem outro sonho.
14:07Desta vez,
14:08é diferente.
14:11Ele vê
14:12uma árvore
14:13gigantesca
14:14que toca
14:15o céu
14:15e é visível
14:16até os
14:17confins
14:18da terra.
14:19Seus ramos
14:20alimentam
14:21e abrigam
14:21todas as
14:22criaturas.
14:24Mas,
14:24um mensageiro
14:25celestial
14:26desce
14:27e grita.
14:28Derrubem
14:29a árvore,
14:29cortem
14:30seus galhos,
14:31espalhem
14:31seu fruto,
14:32mas deixem
14:33o toco
14:33com raízes,
14:35preso
14:35com ferro
14:36e bronze,
14:36que a mente
14:37humana
14:37lhe seja
14:38tirada
14:38e seja
14:39dado
14:39um coração
14:40de animal,
14:41até que
14:42reconheça
14:42que o
14:43Altíssimo
14:43domina
14:44sobre os
14:45reinos
14:45dos homens.
14:46O rei
14:47acorda
14:48perturbado.
14:49Ele
14:49chama
14:50Daniel.
14:51O clima
14:52na sala
14:52é tenso.
14:54Daniel
14:54ouve o relato
14:56em silêncio.
14:57Ao final,
14:58fica
14:58atônito.
15:00Sua expressão
15:01muda.
15:02Nabucodonosor
15:03percebe.
15:06Não tenhas medo
15:07de me dizer,
15:08Beltesazar,
15:09o que significa
15:10o sonho.
15:11Daniel
15:12respira fundo
15:13e responde,
15:15Ó rei,
15:16que este sonho
15:17se aplique
15:17aos teus inimigos.
15:18A árvore
15:19és tu.
15:21Cresceste
15:21e te tornaste
15:22forte.
15:23Tua grandeza
15:24chega até o céu.
15:26Mas serás
15:27expulso
15:27do meio
15:28dos homens
15:28e viverás
15:29como os animais.
15:31Comerás
15:31capim
15:32como o boi.
15:33E isso
15:33durará
15:34sete tempos,
15:35até que reconheças
15:36que o Altíssimo
15:37domina
15:37sobre os reinos
15:38dos homens.
15:40O rei
15:41se cala.
15:42Daniel
15:42com compaixão
15:43suplica.
15:45Ó rei,
15:46aceita o meu
15:47conselho.
15:48Renuncia
15:49aos teus pecados
15:50e pratique
15:51a justiça.
15:52Talvez então
15:52prolongues
15:53a tua prosperidade.
15:55Mas o tempo
15:57passa
15:57e o orgulho
15:59vence.
16:01Doze meses
16:02depois,
16:03enquanto passeia
16:04no terraço
16:05do seu palácio,
16:07Nabucodonosor
16:08contempla a cidade.
16:10Não é esta
16:11a grande
16:12Babilônia
16:13que eu construí
16:14como residência
16:15real?
16:15Com o meu
16:16poder
16:17e para a glória
16:18da minha
16:18majestade?
16:20Antes que termine
16:21a frase,
16:22uma voz
16:23ecoa dos céus.
16:25Ó rei
16:25Nabucodonosor,
16:26a tua autoridade
16:28real foi tirada
16:29de ti.
16:30No mesmo instante,
16:32ele enlouquece.
16:33É expulso
16:34do palácio.
16:36Vive nos
16:36campos
16:37como
16:37como os bois.
16:38Seu corpo
16:39se molha
16:40com o orvalho.
16:41Seu cabelo
16:42cresce
16:42como penas
16:43de águia.
16:44Suas unhas
16:45como garras
16:46de ave.
16:46A glória
16:47do homem
16:48mais poderoso
16:49da terra
16:49é reduzida
16:51à humilhação.
16:54Ao fim
16:55dos sete
16:55tempos,
16:56o rei
16:56ergue os olhos
16:57ao céu.
16:58A razão
16:59lhe volta.
17:00Ele se ajoelha
17:02e com voz
17:03embargada
17:03declara.
17:04Louvei
17:06o Altíssimo.
17:07Honrei
17:08e glorifiquei
17:09aquele que vive
17:10para sempre.
17:11O seu domínio
17:13é eterno.
17:14Ele humilha
17:16os que andam
17:17com orgulho.
17:19Restaurado
17:20ao trono,
17:21Nabucodonosor
17:22reconhece.
17:23Há um
17:24Deus
17:24acima
17:25de todos
17:25os tronos
17:26da terra.
17:27Mas
17:28a Babilônia
17:29não permanecerá
17:31para sempre.
17:32Logo,
17:33outro rei
17:34surgirá,
17:35um que
17:36desprezará
17:37o sagrado
17:38e cujo
17:39fim será
17:39selado
17:40por uma mão
17:41invisível.
17:44O tempo
17:45passa.
17:46Nabucodonosor
17:47desaparece
17:48dos registros.
17:49O trono
17:51da Babilônia
17:51agora pertence
17:53a Belsazar,
17:54neto do antigo
17:55rei.
17:55Mas ao contrário
17:57do avô,
17:57que aprendeu a temer
17:59o Deus dos céus,
18:00Belsazar se entrega
18:02ao deboche,
18:03a arrogância
18:03e a idolatria
18:05desenfreada.
18:06É noite.
18:07O palácio
18:08se enche
18:08de música
18:09e vinho.
18:10Um banquete
18:11suntuoso
18:11é oferecido
18:12a mil nobres.
18:14Mulheres
18:14dançam,
18:15sacerdotes
18:16pagãos
18:16entoam
18:17cânticos
18:18profanos.
18:19A atmosfera
18:20é de embriaguez
18:21e decadência.
18:22Em meio
18:23à euforia,
18:24o rei
18:25tem uma ideia
18:25macabra.
18:27Tragam
18:28as taças
18:28de ouro
18:29e prata
18:29tiradas
18:30do templo
18:31do Deus
18:31dos Hebreus
18:32em Jerusalém.
18:33Vamos brindar
18:34com elas.
18:35As relíquias
18:36sagradas
18:37que haviam sido
18:38consagradas
18:39ao Deus
18:40de Israel
18:40são agora
18:42profanadas
18:43em um ritual
18:44de escárnio.
18:46Belsazar
18:47ergue uma taça.
18:49As divindades
18:50de ouro,
18:51prata,
18:51bronze,
18:52ferro,
18:53madeira
18:53e pedra.
18:54Todos riem,
18:56bebem,
18:57celebram.
18:58Mas então,
18:59o salão
19:00mergulha
19:00num silêncio
19:01súbito e gelado.
19:04Uma mão surge,
19:06sem corpo,
19:07apenas dedos
19:08luminosos
19:09e sobrenaturais
19:10que escrevem
19:11palavras flamejantes
19:13na parede do palácio
19:14diante dos olhos
19:15de todos.
19:18Mene,
19:19Mene,
19:20Tekel,
19:21Parsim.
19:23Pânico.
19:24Os músicos
19:25cessam,
19:26as taças
19:27caem no chão.
19:29Belsazar
19:30empalidece,
19:31as pernas
19:32tremem,
19:32os joelhos
19:33se batem.
19:35Ele grita,
19:36Chame os magos,
19:37os adivinhos,
19:38os encantadores.
19:39Quem decifrar
19:40estas palavras
19:41será vestido
19:42de púrpura,
19:43receberá uma corrente
19:44de ouro
19:44e será
19:45o terceiro
19:46no reino.
19:47Mas ninguém
19:48entende
19:49a inscrição.
19:50O mistério
19:52paralisa
19:52está a corte,
19:54até que a rainha-mãe,
19:55ouvindo a confusão,
19:58entra na sala
19:59e se dirige
20:00ao rei
20:00com reverência.
20:03Ó rei,
20:05não te perturbes.
20:06Há entre nós
20:07um homem
20:08em quem habita
20:09o espírito
20:10dos deuses santos.
20:11Nos dias
20:12do teu avô
20:12Nabucodonosor,
20:13ele revelou sonhos
20:15e mistérios.
20:16Seu nome
20:17é Daniel.
20:18Daniel
20:19é trazido.
20:20Agora
20:21mais velho,
20:22seu rosto
20:23carrega
20:23sabedoria
20:24e firmeza.
20:26Ele
20:26observa
20:27a cena,
20:28as taças
20:29no chão,
20:29o vinho
20:30derramado,
20:31a escrita
20:32flamejante
20:33ainda pulsando
20:35na parede.
20:36Pelsazar
20:37tenta seduzi-lo
20:38com promessas.
20:40Se você
20:41interpretar
20:42essas palavras,
20:43será vestido
20:43de púrpura,
20:44receberá ouro
20:45e governará
20:46ao meu lado.
20:47Mas Daniel
20:48recusa.
20:50Podes guardar
20:51os teus presentes,
20:52dá os teus prêmios
20:53a outro.
20:54Ainda assim,
20:55lerei a inscrição
20:57e revelarei
20:58ao rei
20:59o que ela
20:59significa.
21:01O silêncio
21:02se aprofunda.
21:03Os olhos
21:03do salão
21:04se fixam nele.
21:05Ó rei,
21:06o Altíssimo
21:07deu a Nabucodonosor
21:09poder,
21:10glória
21:10e majestade.
21:12Mas quando
21:13ele se encheu
21:13de orgulho,
21:14foi derrubado.
21:15Tu,
21:16Belsazar,
21:17sabias de tudo isso,
21:19mas não te humilhaste.
21:20Pelo contrário,
21:22ergueste-te
21:22contra o Senhor
21:23do céu,
21:24trouxeste
21:25as taças
21:26do templo
21:26para este banquete.
21:27Louvastes
21:28deuses
21:29que nada
21:29veem
21:29nem ouvem,
21:30mas ao Deus
21:31que te dá
21:32o fôlego,
21:33não glorificaste.
21:34Daniel aponta
21:36para a parede.
21:37Esta é a mensagem.
21:39Mene,
21:40Deus contou
21:41os dias
21:42do teu reinado
21:42e determinou
21:43o fim.
21:45Tekel,
21:46foste pesado
21:47na balança
21:47e achado
21:48em falta.
21:49Parsim,
21:50teu reino
21:51será dividido
21:52e entregue
21:53aos medos
21:53e persas.
21:54A sentença
21:56está dada.
21:57Daniel se cala.
21:58Um calafrio
21:59atravessa a espinha
22:00dos presentes.
22:02Belsazar,
22:02atônito,
22:03ainda cumpre
22:04sua palavra.
22:05Manda vestir
22:06Daniel de púrpura,
22:07coloca ouro
22:08em seu pescoço
22:09e o declara
22:10o terceiro
22:11mais poderoso
22:12do reino.
22:14Mas já é tarde
22:16demais.
22:17Naquela mesma noite,
22:19enquanto o rei
22:20dorme embriagado
22:21e a cidade
22:21se afunda
22:22na arrogância,
22:23as tropas
22:24de Ciro,
22:25o persa
22:26e Dário,
22:26o medo,
22:28invadem a Babilônia
22:29pelas águas
22:29do rio Eufrates,
22:31desviadas em segredo.
22:33Sem resistência,
22:34os portões
22:35são tomados.
22:38Belsazar é assassinado
22:39e a Babilônia
22:41cai diante
22:42do novo império,
22:43o império
22:44medo persa.
22:46Daniel,
22:47agora com idade
22:47avançada,
22:49sobrevive mais uma vez
22:50à queda
22:50de um reino.
22:51Seu nome,
22:53sua fidelidade
22:54e sua sabedoria
22:55são reconhecidos
22:56mesmo
22:56sob a nova administração.
22:59Dário,
23:00o medo,
23:00torna-se rei
23:01e nele
23:03Daniel encontra
23:03favor.
23:04O novo rei
23:05organiza o império
23:07em cento e vinte
23:08províncias,
23:09governadas por sátrapas
23:10e escolhe
23:11três supervisores
23:13para coordená-los.
23:14Daniel é um deles,
23:17mas rapidamente
23:18ele se destaca tanto
23:20que Dário considera
23:21colocá-lo
23:22sobre todo o reino.
23:24A inveja brota
23:25como erva daninha
23:26entre os outros oficiais.
23:29Eles tramam em segredo,
23:31mas não encontram
23:32falha alguma
23:33em Daniel.
23:34nem corrupção,
23:36nem descuido,
23:37nem desvio.
23:39Nunca encontraremos
23:41nada contra ele,
23:42a não ser algo
23:43relacionado
23:43à lei do Deus dele.
23:45Assim,
23:46enganam o rei
23:47com bajulação.
23:49Ó rei Dário,
23:50vive para sempre.
23:51Propomos que estabeleças
23:53um decreto real.
23:54Durante trinta dias,
23:56quem orar
23:56a qualquer
23:57Deus ou homem,
23:58exceto a ti,
23:59ó rei,
24:00seja lançado
24:01na cova dos leões.
24:02O rei lisonjeado
24:04assina a lei
24:05sem saber
24:06o real alvo
24:07da conspiração.
24:08Daniel ouve o decreto,
24:10mas não muda nada
24:12em sua rotina.
24:13Três vezes ao dia,
24:15como sempre,
24:16ele se ajoelha
24:17em seu quarto,
24:18com as janelas abertas
24:19em direção
24:20a Jerusalém
24:20e ora
24:21ao seu Deus.
24:23Espiões observam,
24:25correm ao rei
24:26com a acusação.
24:28Daniel,
24:29um dos exilados
24:30de Judá,
24:31não obedeceu
24:32ao decreto.
24:33Continua orando
24:34três vezes ao dia.
24:40Dário fica angustiado,
24:43tenta encontrar
24:44uma forma
24:44de livrá-lo.
24:46Mas a lei
24:47dos medos
24:48e persas
24:48não pode
24:49ser revogada.
24:51Ao cair
24:52da tarde,
24:53o rei,
24:53entristecido,
24:55ordena que
24:56Daniel seja levado.
24:58Teu Deus
24:59a quem serves
25:00continuamente
25:01te livrará.