00:00Eu acho que eles foram os dois primeiros colocados porque, primeiro, a política segue ainda sendo um lugar extremamente masculino,
00:09branco e essas figuras carregam esses símbolos.
00:12Mas não só por isso. Eu acho que também a maneira como o ódio segue mobilizando e a falta de
00:19discussão sobre projetos segue elegendo representam essas eleições.
00:24Esses candidatos não discutiram ideias, eles não discutiram projetos, eles não discutiram propostas para o Brasil.
00:30Eles usaram a dor de minorias sociais, o ódio a minorias sociais como plataforma política.
00:35E uma dessas minorias é a população LGBTQIA+, as pessoas trans, as mulheres, quando vêem os seus direitos ameaçados
00:42por essas plataformas.
00:43Em algum lugar ainda da humanidade, da sociedade, esses sentimentos mobilizam e movem algumas coisas.
00:50E acho que também a votação deles, para além disso que eu já coloco como o que representa para mim,
00:55eu acho que representa uma tentativa de interromper o nosso processo de ascensão.
01:00Nós, enquanto grupos minorizados na sociedade, temos avançado de maneira histórica.
01:06Temos conseguido ultrapassar os limites impostos para o sistema, o nosso corpo.
01:11E a eleição deles tentam dizer alguma coisa como é preciso impedir de que mulheres como Erika Hilton,
01:18ou que tenham atrajetórias como a de Erika Hilton, que venham dos lugares de Erika Hilton,
01:23possam continuar a quebrar com as sentenças de marginalidade, de violência compulsória
01:28e de todos os abusos praticados contra os nossos grupos sociais.
01:31Então, além de carregarem em si características de privilégios, serem homens, serem brancos,
01:37discutirem pautas que mobilizam as emoções pelo ódio e pela intolerância,
01:41eu ainda acho que é uma tentativa de dar uma resposta à ascensão de que grupos minorizados,
01:46população negra, mulheres, LGBTs que a mais, têm conseguido alcançar.