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  • há 9 horas
SYANNE NENO E RODOLFO SOUZA CONVERSARAM COM RICARDO GLUCK PAUL, PRESIDENTE DA FEDERAÇÃO PARAENSE DE FUTEBOL.

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00:06Olá pessoal, tudo bom? Faltam dois meses para o final do ano, daqui a pouco 2027 está batendo na
00:13porta, então o nosso convidado da semana vai falar sobre os projetos, os planos para o futebol
00:21paraense no ano que está surgindo por aí. Estou falando de Ricardo Gluckpo, presidente da Federação
00:27paraense de futebol. E aqui ao meu lado está meu grande amigo Rodolfo, tudo bom Rodolfo? Mais uma semana
00:33aqui. Verdade, tudo bom Ciane? A gente está contrabalanceando hoje o programa, né? Ah, é verdade!
00:40É verdade! Prazer Ciane estar mais uma semana contigo. Nosso repá aqui na mesa, no nosso videocast também
00:50que vai para a Rádio Liberal Mais, né? No final de semana. Aí o nosso convidado também no sábado e
00:57no
00:57domingo a gente tem a repercussão, a gente coloca também na íntegra esse bate-papo. Então um beijo,
01:02um abraço para todo mundo também da Liberal Mais 98.9. Está nos acompanhando nesse momento em algum
01:07local de Belém do Pará. Com certeza! Um abraço aí para toda a audiência e a gente vai conversar agora
01:14com o presidente, como eu já falei, o presidente da Federação Paraense de Futebol. Ricardo, muito
01:19obrigado pela sua presença. Olá Ciro, Rodolfo. Eu que agradeço a oportunidade, o privilégio de vir
01:26usar dessa imensa audiência que vocês têm, essa credibilidade para discutir e falar do futebol
01:34paraense e um pouco do brasileiro também. Eu sei que pode ser um pouco da curiosidade. Estou à disposição e
01:39vamos
01:39resenhar. Ricardo, a grande expectativa agora é para o Parazão 2027, né? Vai ter um congresso
01:48técnico nos próximos dias, ainda não foi definido onde vai ser esse congresso técnico, que deve
01:54definir as possíveis novidades desse Parazão. Que a gente já sabe, Rodolfo, é que vão ter
02:0012 clubes, vão ter dois novos clubes, que é o Isabelense e o...
02:05Urumajó. Urumajó, lá de Augusto Corrêa. Exatamente. Isabelense e Urumajó. Ricardo, o que você pode
02:12adiantar de novidade? Você podia adiantar alguma novidade para a gente desse Parazão?
02:17Bem, vamos lá. Primeiro, esse congresso, o congresso que a gente tem feito já um modelo
02:22imersivo, um modelo que a gente tem, acho que vai para a quarta edição. O que a gente
02:28chama de imersivo? A gente convida os presidentes para passar um período conosco, a gente hospeda
02:34no local, a gente começa a atividade numa sexta-noite, então ficam todos hospedados
02:39junto com a federação, junto com a parte da imprensa. Sábado a gente faz a reunião
02:44técnica do congresso, depois faz uma rodada de reuniões e palestras. No final do dia
02:49a gente faz o sorteio das chaves da competição, faz mais um momento de confraternização e
02:57no domingo a gente dispersa. Então, tem dado muito certo, porque é um momento onde a gente
03:01cria uma colaboração entre os participantes, onde os presidentes se conhecem, onde aprofundam
03:07laços, onde também há ali uma oportunidade de conversar melhor com a imprensa, a imprensa
03:13conhecer mais essas pessoas. É muito interessante. Tenho percebido, inclusive, que ao longo desses
03:19anos, a colaboração entre os clubes aumentou muito, porque tem muitas coisas que são de
03:27verdade mesmo de bastidor, que não vem à tona, mas em momentos críticos da competição
03:31a gente vê os clubes colaborando entre si. Então, isso é muito importante para o campeonato.
03:37A gente está hoje num dilema entre realizar em Belém ou em Santarém, em Alter do Chão.
03:44Então, vai depender de um acordo comercial. Esse evento deve ser na primeira semana de
03:49novembro. A gente, no máximo...
03:51Os árbitros irão também?
03:52Não, os árbitros têm um outro momento. A gente também tem um outro momento imersivo,
03:56que é uma pré-temporada também, que será feita. Também faz um modelo muito parecido
04:01com o nosso. Então, deve ser em Belém ou Santarém, a gente vai divulgar no máximo essa
04:07semana.
04:09A competição, ela vem com... Acho que a gente encontrou um modelo muito bacana, que
04:15a gente vai repetir em 2027, que são as dez datas. É uma competição três em um, porque
04:22ela começa com a Supercopa Grão-Pará, que é o campeão da Copa Grão-Pará com o campeão
04:26estadual da temporada passada. Você tem as dez datas do estadual, são seis datas de classificação,
04:32onde os oito se classificam para as quartas de finais, que é de jogo único, então a gente
04:38vai repetir o modelo de jogo único, semifinal de jogo único e final e de volta. Uma novidade
04:44é que a Supercopa Grão-Pará, ela já será a primeira rodada do estadual. Então, nas
04:51últimas duas edições, a Supercopa Grão-Pará, ela foi um jogo à parte, então a gente fazia
04:56a Supercopa Grão-Pará, que é um jogo único também, onde depois começa o estadual,
05:01e a mudança desse ano é que ele já começa. A primeira rodada da competição, na realidade,
05:07já é a Supercopa Grão-Pará, que esse ano será entre Paissandu e Capitão Poço. Então,
05:12isso é uma novidade. A competição é protegida pelas leis e as diretrizes da competição por
05:23dois anos sem poder ser alterada o modelo fundamental. Então, a gente vai trazer algumas discussões
05:29que podem ser votadas, né? A gente abre um período para que os clubes também ofereçam
05:36algumas ideias novas e a gente faz a votação. Eu posso te adiantar que uma... Bem, o formato
05:42em si não pode ser alterado, então o formato é protegido por uma quarentena. Mas eu tenho
05:48muita vontade, sabe? Sabe que eu estou... A área que a gente lidera na Federação, na
05:54CBF, é a de sustentabilidade, né? A gente está criando, inclusive, lá um comitê de
05:58sustentabilidade. E a sustentabilidade, ela tem três eixos, né? Que a gente trabalha no
06:03futebol, que é tanto a ambiental, a social, mas a de governança também. E uma das ideias
06:08que a gente pretende já implantar no estadual, para que isso sirva de uma espécie de laboratório,
06:14quem sabe isso ser, enfim, observado para que possa depois ser utilizado em outras
06:20competições. Mas o nosso estadual, a gente quer implementar já uma regra de compliance.
06:26E essa regra, ela... A gente vai discutir ainda, vai modelar, mas a ideia é que a gente tenha
06:32alguns itens de governança que sejam verificáveis entre sim ou não. Vou dar um exemplo só.
06:38Você tem que publicar o seu estatuto no site. Isso é obrigatório. Se você entrar agora,
06:45dos 12 clubes da Série A, tem clube que não tem o estatuto publicado. Isso é ruim para
06:50questão de transparência. Os resultados financeiros de balanço têm que ser publicados no site.
06:55Isso é uma regra, não da Federação. Isso é uma lei. E algumas não cumprem. Estou dando
07:00só dois exemplos aqui, mas podem ter outros também. A gente quer incluir até a obrigação
07:04do pagamento de salários em dia. Então, a ideia é que você tenha itens verificáveis
07:10que não podem ser subjetivos. Eles são objetivos, ou seja, fez ou não fez. Não é o quanto fez.
07:16Faz ou não faz. E isso pode ser, essa é a minha proposta, um habilitador para o critério
07:24de desempate. Então, quando você empata numa fase de classificação, o primeiro critério
07:30desempate é número de vitórias, depois vem saldo de gols, gols prós, gols contras,
07:34e aí vai descendo. A ideia é que, antes de entrar nesses critérios, que você observe
07:40se você cumpriu o checklist de governança. Então, se você cumpre o checklist completo,
07:47e a ideia não é fazer nada muito agressivo, mas o mínimo, que a lei já exige, você está
07:51habilitado. Se você não fez um deles, você está desabilitado. Significa o seguinte, pode
07:55ser que empate, por exemplo, na quarta rodada, dois clubes, onde um
08:00tem uma vitória a mais, por exemplo. Então, ele teria que estar na frente, ou seja,
08:05digamos que empatou o terceiro e quarto lugar. Mas, se ele não está cumprindo as
08:09regras de compliance, ele não se habilita. E o outro, se estiver habilitado, ele pega
08:15o terceiro lugar. Se ambos estiverem desabilitados, aí, obviamente, a gente volta para as regras
08:22normais. Isso é uma medida criativa, inovadora, e a ideia é que isso também traga até a
08:30observação da própria torcida, da sociedade, quem discute e acompanha o
08:33campeonato, da importância da governança para a sustentabilidade dos clubes. Então,
08:38acho que essa vai ser uma grande novidade da competição.
08:40Agora, Ricardo, você assumiu a FDF em 2022, já são quatro anos.
08:48Nessa sua gestão, o que você considera, em qual aspecto, o futebol paraense mais
08:54evoluiu? O que a sua gestão mais contribuiu para o futebol paraense até aqui?
08:59Olha, são vários. Aqui dá para a gente fazer um balanço bem grande, mas, francamente,
09:06se eu tivesse que escolher um destaque, eu vou até me arriscar a escolher um destaque
09:10que ainda está em evolução, que é um destaque que ainda tem muito para entregar,
09:17e a gente sabe como fazer isso, porque ele está na linha do tempo que a gente planejou,
09:25que é o futebol de base. Quando a gente assumiu a federação, tinham duas competições de
09:30base por ano, você tinha um atleta, ele chegava aos 18 anos com 13, 11 gols, desculpa,
09:37jogos na carreira, e eu lembro porque isso que me chamava muito a atenção, eu era presidente
09:42do Paysandu na época, e eu não cansava de dar esse tipo de entrevista, por que a base
09:47não joga? Dá vontade de falar assim, a gente não podia falar em público, mas eu sei a
09:50base que eu tenho. O cara chega com 18, 19 anos, fazer a transição profissional totalmente
09:56imaturo, não tinha minutagem. Então, isso virou uma obsessão da federação, de fazer
10:02competição, competição, competição. Então, hoje a gente tem as competições do 9, 10
10:08até o 20, jogando, isso está criando problemas bons de resolver. Por exemplo, hoje mesmo,
10:13literalmente, estava discutido com o clube, um calendário do 17, porque calhou alguns jogos
10:18de meio de semana, e os garotos têm que estudar, então a gente tem que entender melhor o horário,
10:22então eu falei assim, cara, que bom que a gente está tendo essa discussão. Isso é um
10:25problema, ele está certo, ele não estava errado.
10:26Prioridade tem que ser o estudo também, né, Ricardo?
10:28O estudo, mas também não podia não ter discussão, porque quando não tem a discussão
10:31é porque não tinha jogo, não tinha competição. Então, a gente saiu de duas competições
10:34hoje para quase 40 competições de base por ano. E isso vai escalar, porque a nossa
10:39principal estratégia agora é o circuito de festival de base, são circuitos específicos
10:43do 9 ao 14, que ocorrerão aos finais de semana, e no Pará inteiro. Eu até admito
10:50que esse projeto atrasou um pouco, em razão de várias situações. A gente apresentou
10:55esse trabalho na CBF, ele está sendo, inclusive, esse trabalho foi tão bem-avaliado
10:59pela CBF, que ele compôs uma... A CBF está com um grupo de estudo de trabalho
11:05hoje da base, está presidido hoje pelo Felipe, que é o presidente da Federação do Rio Grande
11:10do Norte, e ele usou parte da nossa apresentação para justamente calçar as ações que estão
11:17sendo planejadas pela própria CBF para a base do futebol brasileiro. Então, é um projeto
11:21muito interessante, mas eu acho que esse é o grande destaque, fazer a base jogar.
11:23Eu acho que os resultados vieram. Hoje, você vê clubes se servindo da base,
11:29você vê, finalmente, negociações entre base. O Paissandu fez, agora, recentemente,
11:34a maior venda da sua história, até da base. O Remo também, com o Cadu.
11:40Isso, para o Botafogo.
11:42Se eu não me engano, também foi a maior venda da história do clube do Remo.
11:45Talvez, agora, não mais, maior da história, mas quando concretizou.
11:49Da base, de jogador da base, é a maior. Proveniente da base, é a maior.
11:52Mas se você pegar, eu faço falar com segurança, se você pegar, antes desse período, o balanço
11:59dos clubes para entender o quanto era registrado de transação de atletas de base e comparar
12:05com agora, eu vou te falar o seguinte, era zero. Não era que era pouco, agora está muito.
12:09Não tinha. Você não tinha no histórico a venda de atletas de base. Você tinha o que
12:14a gente se acostumou a ver. Atletas saindo daqui a preço de banana porque não recolhia
12:19os impostos, o atleta saia de graça. Quantos? Rony, Pikachu e outros atletas que a gente
12:25teve que ver.
12:26Todo campeonato da Série B e Série C tem um parar na lateral esquerda.
12:30Tem um parar na lateral esquerda.
12:32Então, hoje a gente já vê a base muito bem.
12:37Poderia falar sobre várias outras coisas também.
12:39Tem um assunto que eu adoro muito é a arbitragem. A arbitragem já está com uma... Recuperamos
12:44o escudo FIFA, né? Eu posso dizer que eu tenho a convicção de que na próxima temporada
12:52já teremos árbitros ou árbitra, fica aqui no ar, pró, que vai entrar na elite da arbitragem
12:59brasileira. Temos o VAR próprio, né? Que eu acho que isso é uma evolução muito interessante.
13:04Então, para a quarta temporada com o VAR. Inclusive, por exemplo, esse final de semana já
13:08teremos. Olha só que evolução. A Série A3 do nosso competição, ou seja, a terceira
13:15divisão do Camargo Paraense, já terá VAR na semifinal. Eu lembro na época que a gente
13:20anunciou o VAR na final pela primeira vez no estadual, primeira divisão. A gente já
13:25virou a realidade na A3. E acho também, por isso que eu falo que a gente podia falar de
13:29tantas coisas, eu acho que essa reorganização do futebol profissional, a grande obra do
13:34futebol paraense. De verdade. Porque a gente tinha uma série com 12 anos,
13:3812 clubes, né? Na verdade eram 10 com a pandemia, acabou equacionando para 12 e depois você
13:43tinha todo o resto encaixado numa segundinha. Que era uma competição intransmissível,
13:52impatrocinável, irracional. Você não sabia quantos clubes jogavam por temporada, porque
13:57dependia de quantos se inscreviam. Uma competição, como não tinha patrocínio na bancada pelos
14:03próprios clubes. Você, cara, uma comparação que eu faço, é muito fácil de entender.
14:09Você pega a série A hoje com 12 clubes, 10 datas, a logística da competição roda em
14:14torno aí de mais ou menos um milhão, um milhão e meio. Vamos arredondar um pouquinho
14:18mais. Vamos arredondar um milhão e meio. Você pega 12 clubes. Se você pega uma competição
14:23com 26 clubes, o Estado é o mesmo, as distâncias são as mesmas. Vamos dobrar essa logística
14:29aí. Vamos colocar em 3 milhões, que seria uma logística de uma série, uma segundinha.
14:34Esses 3 milhões, se você pegar nos últimos 10 anos, foram 30 milhões de reais. Pagos
14:40por quem? Pelos clubes. Por isso a gente viu muitos clubes quebrarem.
14:44Quebrarem.
14:45Sem condições, não tem torcida.
14:46Tem clubes tradicionais. Eu não vou citar o nome aqui para não ofender, porque tem
14:49clubes realmente, mas se você... Cara, que hoje estão jogando a série C. Então, quando
14:53a gente reestrutura e cria a série A, a série A2 e a série A3, todas com 12 clubes,
15:01todas com as datas organizadas, as competições, o formato estabilizado. Então, ou seja, você
15:07vai jogar amanhã. Por exemplo, hoje está definindo quem vai subir para a série A2, que a gente
15:12está jogando A3. Esse cara vai subir e ele já sabe a competição.
15:16que ele vai enfrentar no próximo ano. Ele já consegue se planejar. E aí, qual foi
15:19a ideia? Com isso, a gente conseguiu patrocinar essas competições. Ao patrocinar, pela
15:24primeira vez, esses clubes que sempre gastaram, estão recebendo cota para participar.
15:29Então, você tem hoje a série A2 e A3 recebendo cota, com arbitragem paga, com delegados
15:34pagos, com dinheiro, obviamente. Eles precisam correr atrás demais, porque tem a Folha, tem
15:38outras... Mas o mínimo a gente consegue, porque a competição que era antes em patrocinar
15:43havia um transmissível, hoje é transmitida e tem patrocínio.
15:46Então, eu acho que essa reestruturação também, série A1, A2 e A3, eu acho que é o grande
15:51gol que é agora. Com esse formato definido, o que você tem que fazer? É cada ano melhorar
15:58para que a série A2 e A3 tenha mais atração, mais transmissão, mais patrocínio.
16:01Mas você já tem um modelo para... Você tem uma planta para regar. Antes, você não
16:05tinha nada. Então, eu acho que isso também foi uma grande evolução, talvez seja o nosso
16:09grande desafio. É fortalecer essas séries.
16:11Ricardo, eu queria saber como é que está a questão dos gramados. A Tuna agora já
16:15vai ser... Já está praticamente 100%, né? Para esse campeonato paraense. Eu estava
16:21até conversando recentemente com o Diego Moura, que é o vice-presidente do País Sandu,
16:24que é o mais encarregado na questão de gramado, de estádio hoje na Curuzu. Que se o País
16:31Sandu... Ele der... O País Sandu muito provavelmente vai fazer a reforma do gramado da Curuzu, que
16:36está impraticável. Não é um gramado de 2013, já tem 13 anos, já passou o tempo
16:40de troca. Eles até estão já pensando em mandar, pela questão de gramado, os jogos
16:46no Souza. Um jogo num horário menor, de baixa procura, né? De mandar os jogos deles no
16:52Souza. E a gente perdeu esse ano o Bragantino com o Diogão, né? Que está excelente também,
16:58muito bonito. Está o Diogão e o Caeté não subiu para a primeira divisão. Por outro lado,
17:03tem o Urumajó, que tem um gramado muito bom lá em Augusto Corrêa. Esse era um tema
17:08que tu batia muito, né? Tu sofreu quando tu foi presidente do País Sandu, no jogo lá
17:12em Tucuruí, em 2019, no gramado que estava impraticável naquele momento, com muita chuva,
17:18num jogo interminável.
17:19Eu gosto de lembrar desse jogo.
17:20Não é? Como é que está essa questão, depois de olhar para a Bragança, para o Diogão
17:27e para o Estádio da Tuna, que eram os principais problemas nessa questão estrutural de gramado,
17:34a Federação, junto com a CBF, vai partir para outro local, por exemplo, o Parque do Bacurau
17:40da Vida, que hoje o gramado dá para jogar, o gramado é bom, mas a gente sabe que, como
17:45então é uma pessoa que se preocupa muito com essa questão da transmissão, um gramado
17:51melhor fica mais gostoso de tu assistir. Impressionante como o Diogão, com a reforma do gramado
17:57e com pequenas melhorias já é um outro estádio. É esse o pensamento, Ricardo, tentar no futuro
18:03já olhar para a Cametá e sempre ir melhorando na questão dos gramados aqui do Pará?
18:08Essa pergunta é excelente, cara, porque é óbvio que isso é um grande gargalo do futebol
18:12paraense, né? Histórico, por sinal. E muito difícil ser enfrentado, porque você não...
18:19Bem, a Federação não tem recurso próprio para bancar uma série de reformas.
18:27Os estádios, eles têm a natureza de posse, ela é extremamente diversificada, né?
18:34Você tem estádio do município, tem estádio do estado, tem estádio do clube, tem até
18:39particular, que é um fato muito peculiar. É uma peculiaridade nossa. É, falamos
18:47juntos a palavra. Peculiar do futebol paraense. Mas a... Então, ou seja, quando a gente assume
18:54a Federação, efetivamente a gente teve que escolher algumas lutas para lutar. Falei,
18:59cara, no primeiro ano a gente recebe a Federação devendo um milhão de reais com três meses
19:03de salário atrasado, as duas primeiras contas de luz eu paguei do meu bolso, para a gente
19:06ter uma ideia. Então, assim, falei assim, a primeira luta era realmente estabilizar
19:12a Federação, né? Ou seja, e depois a questão da base, depois a questão do futebol feminino.
19:19O Pará hoje está entre as três federações que mais promovem competições femininas no
19:24Brasil. E outras questões que a gente foi... E aí, ano passado, a gente, bem, a gente
19:31sempre vai conversando com alguns... Com alguns estádios, né?
19:37Orientando. Te confesso que não foi uma política inicial de pesar a mão,
19:43porque se a gente fosse pesar a mão, o campeonato ia ser metropolitano e a gente também não
19:48tem interesse nisso, né?
19:51Eu tenho, sabe, cara, assim, uma visão também muito flexível no sentido de fazer com que o
19:57futebol, por exemplo, você tem uma ideia aqui, só para... Eu vou voltar aqui, mas...
20:00Ano passado, a gente fez um jogo em Belterra, o Remo e São Francisco, num estádio que, na
20:09verdade, era para ser no Panterão, eu vou falar do Panterão, não tinha ficado a obra pronta
20:15ainda, e aí a gente já tinha uma conversa com o prefeito de lá, que ele pegou uma praça
20:24que já tinha um campo de futebol, murou, dotou de arquibancada mínima, dotou de vestiário
20:32e transformou num estádio. E aí, obviamente, a gente sabe que não era um estádio à altura
20:38nem do Clube do Remo, que já estava na seriado com o Bato Brasileiro, mas nem por questão
20:43de série, pelo tamanho e pela grandeza, e talvez não da competição.
20:47E nem do São Francisco também, né?
20:49E nem do São Francisco.
20:50Mas estava ali num meião que, cara, não estava muito abaixo do que a gente já jogou em outros
20:57lugares, e a competição acaba entregando um estádio para a comunidade. Esse estádio
21:02hoje está sendo utilizado muito pela comunidade de Belterra. Então isso é muito importante,
21:07porque, ou seja, de um jogo, de uma necessidade, deixou-se um legado mínimo, mas se deixou.
21:12E é interessante a gente lembrar, se perguntou do gramado, então a federação começou,
21:18a gente conseguiu. Aí veio a minha liderança junto, a CBF, a importância de a gente ter
21:23hoje um paraense lá, com capacidade de articular e puxar as coisas para o Estado, a gente investiu
21:29quase 2 milhões de reais no Pará em infraestrutura. E daí nasceu a reforma do Souza, e eu vou
21:36te dizer um negócio, sem dúvida é uma das reformas, se não for a mais estrutural da história
21:42daquele estado. Mas é a maior reforma estrutural do Souza.
21:45Não tenho dúvida.
21:47A gente fez também uma grande reforma no Ninho do Japiim, e a gente fez uma reforma extraordinária
21:57no Panterão, que infelizmente não ficou pronto para o Estadual, mas esse ano já está pronto,
22:03foi inaugurado. Então lá o gramado está a classe A. Aí é legal, porque quando você
22:08faz uma reforma dessa, o próprio clube se mobiliza para fazer mais alguma coisa.
22:12Então o Panterão, além do gramado, também foram feitas reformas na arquibancada, nos
22:17vestiários, no estádio gostoso de jogar. Vem aí o Barbalhão, a expectativa é que
22:24ele fique pronto em 2027, em algum momento. O Mangueirão a gente já sabe classe A.
22:30Coruzu e Maenão precisam de reforma, mas até pelo histórico dos dois clubes, a gente
22:36acredita que vai acontecer. Augusto Correia, uma grata surpresa, está muito bem posicionado.
22:42A pressão, até acho que a pressão de Augusto Correia ali fez com que o Diogão acordasse
22:48também. Então a comunidade política, principalmente, se acordou e fez as reformas que precisava.
22:56Tem um modelão novo, né?
22:58Um modelão novo. Então assim, eu acho, eu não vou te dizer que não é um problema
23:04mais, mas a cada ano a gente percebe uma evolução. Por exemplo, agora há um compromisso
23:11também. E a gente está fazendo, tentando juntar uma força política para isso. Para
23:17que o estádio de Capitão Poço também se adeque à questão do gramado. Cara, é uma
23:22evolução que depende de muito diálogo. Eu me orgulho de não ter pesado na caneta,
23:30porque, cara, sabe? É muito engraçado. Às vezes, eu discuto muito isso. Por exemplo,
23:34às vezes vem uma decisão judicial que é assim, tem que, sei lá, leito vai ter que
23:40receber tal pessoa. Porque era como se a caneta tivesse o poder de materializar do dia para
23:47noite, sei lá, 50 leitos de... Não vai. É uma decisão impossível de cumprir. Então
23:53a gente vê muito no Brasil isso. O cara meteu uma caneta e ele tira o corpo dele fora,
23:58como se... Ou seja, se eu fosse pesar muito na caneta, no final do dia a gente ia ter uma
24:03competição metropolitana e o que que, na verdade, isso ia trazer efetivamente. Então
24:09eu acho que a gente, no diálogo, na parceria, nas articulações, se a gente comparar sempre
24:14um ano está sendo melhor que o anterior com relação ao gramado.
24:18Eu queria só rapidinho, Sainz, só para tirar uma dúvida do Ricardo, porque a gente tem um
24:22time muito expressivo, não é? De uma cidade que está aqui na região metropolitana, mas até
24:29pelo fato de ele ter mais de 90 anos, a cidade abraça e que, para mim, é um ganho muito
24:34grande
24:34para o Campeonato Paraense, pela tradição do time, que é o Isabelense. E pelo fato...
24:40Centenário.
24:41Centenário, né? E pelo fato do Isabelense ter ficado mais de 30 anos, o Abruzão passou por
24:48falta de melhorias, né? Era um estádio que daria, que abrigava a Série C, hoje, se o
24:54Isabelense jogasse, Série B. No primeiro momento, não sei se você já conversou, é entendimento
25:01do Isabelense jogar em Castanhal, até pela proximidade das duas cidades, menos de 20
25:10quilômetros?
25:11Olha, aí vem o meu estilo.
25:15Se o Isabelense apresentar um projeto mínimo de longo prazo para a infraestrutura do Abruzão,
25:27eu aceito que... Veja bem, eu quero dizer o seguinte, você não precisa, no primeiro ano, ter o top
25:33de linha para receber o Campeonato. Se você apresentar um projeto incrível, de que aquilo
25:41vai evoluir, porque tem aquela história também. É importante que leve o jogo para
25:46lá, porque daí ele consegue mobilizar com antecedência, ele pode não conseguir fazer
25:50tudo no ano, mas ele vai só ali. Então, faz o seguinte, porque a gente fala de gramado,
25:54mas tem outras situações, vestiário principalmente, né? Vestiário de árbitro, possibilidade da...
26:00Tem um mando de acesso. Então, se eles quiserem realmente jogar lá, a gente tem conversado
26:08já, deve ter uma reunião mais importante aí na próxima semana. Mas eu sou esse tipo
26:15de pessoa que aceita assim, cara, vamos falar em dois, três anos, o que você consegue fazer
26:19em dois, três anos? Do que ser, mais uma vez, um ditador, né?
26:24É, não, e propor o impossível, cara. Porque a gente sabe que o impossível... Não, então
26:28você vai ter que ter essa régua no primeiro ano, um clube que acabou de subir, com todas as
26:32dificuldades do mundo, a gente sabe. Então, mas eu torço muito para que apresente um
26:39projeto que a gente possa, e quem sabe até ajudar a viabilização dele.
26:42Se concorremos em País Sandu, se cair no chaveamento, até pela questão do estádio, é em Castanhal,
26:48né? Se for concorremos em País Sandu, muito provável, né?
26:50É, muito provável, muito provável, mas...
26:52Tá muito cedo ainda.
26:54É, tá cedo. Bora conversar essa parte pra frente.
26:56Ricardo, você é um dos oito vice-presidentes da Confederação Brasileira de Futebol.
27:02De que forma a sua presença na maior entidade do futebol brasileiro está ajudando o futebol
27:08para esse?
27:09Olha, eu acho que muito na, como disse, na articulação, a gente tem, vamos dizer, agora
27:15acabei de citar quase dois milhões de reais que a gente conseguiu puxar pra infraestrutura.
27:20Por exemplo, agora, também vou anunciar em primeira mão, tá? Isso nem a gente anunciou
27:24ainda, tem uns videozinhos pra soltar essa semana, mas bora ver qual vai sair primeiro,
27:27se vai ser aqui ou lá. A gente vai começar, vai ter um curso de formação de treinador
27:33da Comebol em Augusto Correia e Marabá, articulado por nós. Então, isso vai acontecer agora.
27:40Quando vai ser?
27:42Acho que vai ser em novembro.
27:43Deve ser em novembro.
27:49Vou aproveitar aqui a boa vibe da conversa pra dar mais um furo.
27:52Tá todo mundo perguntando? Essa aqui é pra vocês, é um presente.
27:55Tá confirmada a seleção brasileira, Brasil e Peru, sub-20, que jogará em novembro.
28:02São dois jogos em Belém. Eu, de verdade, aqui vou falhar na data, mas eu acho que alguma
28:06coisa entre 15, 17, 18, mas isso aí até depois eu passo por um WhatsApp pra vocês.
28:10Pode anunciar. Isso aí já tá certo. Então, são coisas que a gente tem também conversado
28:15pra trazer outros grandes eventos. Tem gente que às vezes pergunta assim, mas qual é a importância
28:20de um grande evento em Belém? É até, assim, é muito óbvio, né? Ou seja, a gente
28:25traz, é...
28:27Não é, mas perguntam...
28:28É, mas tem que tratar o óbvio, né? Mas é verdade.
28:30Não, quer ver? Uma vez eu tive que responder sobre isso do Botafogo e Flamengo, que foi
28:36a final da Supercopa Rei, né, que teve em Belém.
28:38É por isso que eu acho graça, porque eu acho que é muito óbvio.
28:41Pra que que tá trazendo isso pra Belém? Falei assim, cara, tem tanta coisa boa que
28:45vem na esteira disso, né?
28:47Então, mas eu acho que o maior é essa...
28:49Tem que lutar pra trazer a final da Copa do Brasil um dia pra cá.
28:52Quem sabe? Não, cara...
28:54É, agora...
28:54Irmão, eu ando na CBF com uma bandena do Pará, que é assim, e tento puxar tudo pra cá.
29:01Mas eu acho isso, sabe? Eu acho que é essa articulação, sabe?
29:05Eu tenho que reverenciar a liderança do Samy Schaude, grande amigo, grande presidente,
29:12que tem dado essa liberdade pra que a gente possa estar sempre conversando, sempre sendo
29:17consultado, sempre tendo... se sentindo à vontade pra propor, né, ideias, liderar importantes
29:24assuntos. Então, eu acho que isso é... Eu acho assim, se a gente pegar também, eu acho
29:28que dos últimos dois anos pra cá, até um pouco antes da vice-presidência, tem muitas
29:32coisas sendo... Por exemplo, o próprio Repá. Eu não quero dizer que o brasileiro não conhecia
29:37o Repá, muito pelo contrário. Mas, se vocês perceberam, nos últimos dois anos também
29:41criou uma hype nacional, muitos influências interessados, alguns vindo... A maioria, acho
29:46que vindo por conta própria, pra cobrir e divulgar e tal. Então, acho que isso também
29:51tem a ver com a presença. A gente tá presente também, assim como a gente tem que trazer os
29:55grandes eventos pra cá, os outros grandes eventos a gente tá sempre presente, conversando
29:59com as pessoas. Então, acho que o Pará, cada vez mais, é inserido nas grandes conversas.
30:04Eu acho que isso é muito importante, essa grande articulação, sabe? Acho que é
30:08importante demais.
30:09Ricardo, sua gestão vai até 2030.
30:1220... 30, perdão.
30:1420 e 30. Sua gestão vai até 2030. E nos próximos anos, quais são os seus planos
30:20pra Federação Parênteses de Futebol?
30:22Daqui até 30, né? Então, sinceramente, pro... Bem, vamos lá. São vários desafios, né?
30:28O primeiro é... A gente tem um projeto muito bem desenhado já, que é a implementação
30:34do circuito paraense de festival de base. Isso é um projeto que, assim, do qual eu tenho
30:40muito carinho, realmente, sabe? É um projeto muito legal. Então, ou seja, fortalecer a base
30:45de forma bastante intensa.
30:48Mais ainda do que já fortaleceu, né?
30:51Regar essas plantas, porque, como eu falei, a gente hoje tem A1, A2 e A3. A série A1
30:56é um projeto de 10 milhões de reais, né? Ou seja, onde você, somando, você já
31:01tem lá muito bem consolidada a questão do patrocínio do Bampará, das transmissões,
31:07né? De como roda o recurso lá dentro e como isso é importante e impulsiona os clubes.
31:14Sempre com margem para crescimento, né? Para melhoria, mas é muito bem estabelecida.
31:20A gente tem que fazer o mesmo com a série A2 e A3, porque da hora que a gente plantou
31:24esses dois, são dois vazinhos que a gente chama, que tem que crescer.
31:28Então, hoje a gente já tem um patrocínio bastante expressivo na série A2 e na série
31:32A3, mas a gente tem agora que estruturar melhor a transmissão desses campeonatos
31:37para a gente poder ter mais placa em campo, para a gente poder trazer mais recursos
31:41para os clubes que jogam essas competições.
31:45Acho que a arbitragem sempre vai ser algo a ser perseguido, né?
31:48Porque, realmente, a gente sabe que nunca vai estar perfeito.
31:51São seres humanos que trabalham, que precisam cada vez mais de treinamento,
31:56de orientação, de capacitação, realmente, de acompanhamento psicológico, sabe?
32:03De acompanhamento de carreira.
32:06Eu, sinceramente, acho que a federação, você sabe, ela sempre empreendeu
32:12competições temáticas, competições bastante sustentáveis.
32:17Porque, assim, eu não escondo para ninguém, falo abertamente, sempre fui só um progressista
32:21que acredita nos jeitos humanos, acredita em valores da nossa sociedade.
32:27E foi muito bacana, eu acho que isso coroou muito a nossa gestão,
32:31da nossa primeiro árbitro FIFA, dessa gestão, ser uma mulher, que foi a Gleica.
32:36Então, a gente também pretende, eu pretendo abrir agora, ainda esse ano, duas turmas de elite
32:44que a gente vai, a gente quer pegar ex-atletas, na verdade, vamos colocar direito,
32:50a gente quer colocar atletas que não profissionalizaram e que jogaram a base do futebol para esse.
32:56Então, por exemplo, lá na casa dos 21, 22 anos, estourou, esse cara já não é mais profissional
33:02e não vai ser, já sabe que não vai ser, o funil é muito agressivo, sabe que a maioria
33:06não vai ser profissional.
33:08Eu quero formar uma turma exclusiva de mulheres e outra mista, mas eu vou ter uma só de mulher,
33:15a outra não vai ser de homem, não, a outra é mista.
33:17Mas eu quero pegar de ex-atletas, de atletas que estão na atividade, para formar em arbitragem.
33:24E vai ser um curso de elite, porque a gente está desenhando isso já com uma instituição
33:29de ensino própria, a gente está revisando todos os currículos desse curso,
33:36a gente vai ter um grande apoio da Escola Nacional, porque hoje a arbitragem nacional também
33:43foi uma grande aquisição do futebol brasileiro, porque a gente tem hoje uma diretoria nacional
33:48de arbitragem, que é um nortista também que está à frente, que é o Raimundo Neto,
33:53que hoje é presidente da Federação do Abapá, um grande amigo também,
33:58com quem estou combinando essa ação, então assim, cara, virou entusiasta desse projeto.
34:03Então, formar uma geração de elite, sabe?
34:09Então, são projetos como esses que, como eu falo assim, acho que a gente chegou num ponto,
34:13claro, sempre cabe... Ah, não, e aqui também um outro grande projeto que é a gente quer levar,
34:19a gente quer transformar o Seju numa grande, ainda mais, numa grande estrutura de competições.
34:25Hoje o Seju, ele é uma máquina de competições, você vai todo dia no Seju,
34:29está tendo um jogo, um treino, uma competição, não era assim.
34:33A gente está com a ideia de ampliar de quatro para sete gramados no Seju,
34:37então a gente já tem um projeto pronto nesse sentido,
34:39e levar a sede da Federação para lá, para também, para de lá a gente comandar também,
34:45mais de perto, todo esse apoiamento que a gente dá ao futebol de base,
34:50porque a maioria dos treinos que há no Seju é para futebol de base,
34:55é para futebol feminino também.
34:57Então, acho que esses são os grandes projetos.
34:59Mas, assim, é mais fortalecer o que já foi construído,
35:01porque a gente pegou realmente uma gestão numa transição que não tinha nada.
35:06Então, eu sempre digo assim, que a gente plantou aqui vários vazinhos.
35:10A ideia agora é regar para essas coisas crescerem.
35:13Ricardo, eu queria...
35:15A gente tem um...
35:16O Pará, ele é muito grande, deve ser desafiador para qualquer figura,
35:21que tem um cargo importante aqui no Estado para abraçar e abranger
35:28todo esse Estado com a peculiaridade, com as peculiaridades que a gente tem nele.
35:34na Europa é muito comum, é muito comum a gente ter, por exemplo,
35:41um Real Madrid B, Barcelona B, Porto B, Benfica B, enfim.
35:48Tem como, Ricardo, utilizar mais as marcas de Remo e País Sandu?
35:55Por que eu estou te perguntando isso?
35:58Porque eles levam torcida, eles fomentam muito isso, né?
36:02Quando o Remo Sub-20 vai jogar no interior,
36:04quando o País Sandu Sub-20 vai jogar no interior,
36:07fecha o estádio daquela localidade.
36:10Te pergunto isso por causa da questão, por exemplo,
36:12a gente tem um estádio muito bom, novo em breves, na Ilha do Marajó.
36:16Fique imaginando os desafios de um presidente da Federação Paraense
36:18de fomentar esse esporte que a gente tanto ama
36:22num país, num Estado continental como o nosso.
36:26Tem como a gente tentar utilizar, Ricardo,
36:29a marca das nossas duas principais forças
36:32e fomentar ainda mais esse futebol no interior,
36:36em regiões que têm uma dificuldade muito grande de logística
36:40e outros pontos como o Marajó,
36:42como cidades menores no Oeste e Sudoeste do Pará.
36:46Olha, eu...
36:47Eu estou te perguntando porque eu imagino que é um desafio muito grande.
36:49Porque eu acho assim, tudo pode, né?
36:51Desde que faça sentido para todo mundo.
36:54Eu, assim, com a experiência de clube,
36:57eu te digo assim, hoje, por exemplo,
36:59eu tenho um pensamento um pouco mais de...
37:04Você ter uma base mais...
37:07Porque, assim, no final do dia isso é custo para o clube, né?
37:09Sim.
37:09Você manter já uma geração de base, um time,
37:15você tem um custo.
37:17Você ter um time B, seja profissional ou amador,
37:20isso é outro custo.
37:21Então, por exemplo, você preferia gastar...
37:24Isso é uma decisão, vou te perguntar, né?
37:26Como o presidente de um clube,
37:27investir para ter um time B profissional,
37:31enfim, também para isso, para fazer outras apreciações,
37:33ou, de repente, investir mais na tua base?
37:36A tua base...
37:37Não, mas a minha pergunta é mais em cima disso,
37:39da questão do sub-20,
37:40da utilização desse sub-20 no interior do Estado,
37:43levar para fazer uma festa na cidade, fomentar...
37:47Mas aí não seria B, é o 20, né?
37:49Sim, sim, é o sub...
37:50Eu usei o B como exemplo, né?
37:52Entendi.
37:52Às vezes eu acho que as nossas marcas aqui,
37:54Remi Paissando, eu morei muito tempo em Marabá,
37:56eu vejo um distanciamento muito grande da gente, assim,
38:00entendeu?
38:00Daqui, dos nossos dois clubes...
38:02Não, com certeza.
38:03E isso, respeitosamente, cada um tem sua opinião de fazer,
38:07esse ato, essa brecha,
38:09ela é aproveitada por outras equipes do Brasil,
38:12a gente tem sócio-torcedor no sul e sudeste do Pará,
38:15no oeste do Pará,
38:16que nunca foi na cidade dessas grandes equipes,
38:18eles pagam sócio-torcedor.
38:20O que poderia ser voltado para o nosso futebol,
38:22foi mais em cima disso aí.
38:23Não, é, mas eu digo assim,
38:24eu acho que isso é uma decisão dos clubes,
38:26e havendo entendimento,
38:27eu tenho uma tese que é o seguinte,
38:29às vezes até aborrece quando eu falo isso na federação,
38:31o que é bom para os clubes tem que ser bom para a federação.
38:34Então, às vezes, vem assim,
38:35olha, os dois clubes entraram num acordo
38:37e vão mudar a data do jogo.
38:39Não, mas tem que ver...
38:39Cara, os dois clubes concordaram.
38:41É bom para os dois?
38:42Tem que ser bom para a federação.
38:43Porque se é bom para os clubes,
38:44tem que ser bom para a gente.
38:45Então, acho que havendo um entendimento,
38:47cara, da nossa parte,
38:48não tem nenhuma óbice.
38:50Agora, tem que, como eu te falei,
38:51tem que estudar,
38:52porque tudo é dinheiro, né, cara?
38:54Às vezes, a gente cita esse exemplo de clubes
38:58com uma estrutura financeira
39:00muito superior à nossa realidade,
39:02e aí são modelos que talvez não sejam aplicáveis
39:06na nossa realidade,
39:07ou talvez sejam,
39:08aí tem que estudar e botar em prática.
39:10A federação não tem problema nenhum.
39:12Ricardo, diga-me.
39:13Não, pode fazer isso.
39:14Não, que eu acho que eu ia perguntar...
39:15É a minha última pergunta,
39:16para encerrar já.
39:17Que eu ia perguntar para o Ricardo,
39:18porque a gente tem o Ricardo Paraense,
39:20o Samir Roraimense...
39:23O Neto Amapaense.
39:25A Turma do Norte.
39:26É, Amazonense...
39:27Tem o Rosem Amazonense também,
39:28são os quatro, né?
39:29Amapaense e Amazonense, né?
39:30O Samir de onde?
39:31Roraima.
39:32Samir Roraima.
39:32Roraima.
39:33É, a minha pergunta,
39:35essa minha última era,
39:37na questão assim, Ricardo,
39:38o que que dá para vocês,
39:40agora eu vou abranger,
39:42não só o Pará,
39:42o que que dá para vocês,
39:45representantes do futebol do Norte,
39:47a região mais esquecida,
39:50historicamente,
39:50não só no futebol,
39:51mas pelo grande poder central do Brasil,
39:55desde a época do Império,
39:56o que que dá para fazer
39:58para a gente cada vez mais
40:00diminuir o gargalo
40:03e a gente ter uma solidificação
40:06de Remy Paysandu
40:08numa Série A, Série B,
40:10o Nacional conseguiu,
40:12e eu fiquei muito feliz
40:13com o acesso do Nacional para a Série C
40:14pela tradição do Nacional,
40:16para a gente ter a volta do Rio Branco,
40:18enfim,
40:19para a gente conseguir ter um futebol do Norte
40:22cada vez mais forte.
40:24Cara, eu vou, olha só,
40:26vou dar um peão pessoal, tá?
40:28Bem pessoal,
40:28que não é nenhum vice-presidente falando,
40:31nem nada, é pessoal.
40:32Primeiro, existe uma questão
40:34que o custo parar,
40:35que eu sempre falo sobre isso,
40:36e eu senti na pele.
40:38Às vezes você joga, por exemplo,
40:39o Paysandu e Remo
40:40contra um time XPTO do Nordeste, digamos.
40:44Aí você fala assim,
40:45nossa, perdeu para um clube
40:46onde a folha é metade da folha daqui.
40:50Aí, cara, parece uma coisa disparate, realmente,
40:52mas o que ele não fala
40:53é que para eu ter a folha
40:55que aquele cara tem,
40:56aqui você vai gastar
40:57duas, três vezes mais.
40:59Então, na verdade,
41:00você não pode comparar
41:01só o valor da folha.
41:02Por quê?
41:02Porque jogar no Pará é mais caro.
41:05Existe essa questão,
41:06infelizmente,
41:07por várias razões.
41:08Não vou entrar aqui no mérito,
41:09mas a gente sabe,
41:10o jogador,
41:11às vezes,
41:11ele pede X para jogar
41:12na praia
41:14e 3X para jogar em Belém.
41:15Isso é um fato,
41:16uma realidade.
41:18várias fatores contribuem para isso,
41:20mas não é o caso agora discutirmos.
41:22Então, acho que a gente tem que entender
41:23o que são forças estratégicas de cada região,
41:27para você entender também
41:28como você vai enfrentar
41:30outros clubes e outras forças
41:34do mesmo país.
41:36Por exemplo,
41:38se a gente falar
41:38de força financeira
41:39de praça,
41:41certo?
41:41É inegável
41:42que uma praça como
41:43São Paulo,
41:44Rio de Janeiro,
41:44Minas Gerais,
41:45Rio Grande do Sul,
41:46perfeito?
41:47Pernambuco,
41:48Ceará,
41:49e aí são muito mais
41:50pujantes financeiramente
41:51do que o Pará.
41:52Perfeito?
41:53Isso não é nenhuma...
41:54Então,
41:56são clubes que têm
41:57naturalmente também,
41:58por consequência,
41:59mais poder financeiro.
42:01Se você entrar numa,
42:02pedir um pessoal,
42:03de querer chegar numa divisão nacional
42:05e enfrentar esses clubes com dinheiro,
42:09ou seja,
42:10disputando os mesmos atletas
42:11que eles disputam,
42:13é muito desigual.
42:14Então, você acaba tendo uma...
42:16Porque eles têm coisas
42:17que a gente não tem.
42:18Eles têm a pujência financeira.
42:19A gente não tem.
42:20Então, a gente tem que entender isso.
42:21A gente tem outras valências.
42:23Tem a força da torcida.
42:24Tem outras questões.
42:25Mas que também,
42:28financeiramente,
42:28porque a gente sabe
42:29que os nossos ingressos
42:30também não são abusivos,
42:33é dentro de uma realidade financeira também
42:35que comporta
42:37o tamanho dessa paixão,
42:40acaba equilibrando.
42:41Então,
42:41o que eu defendo muito,
42:43e aí volta para a questão da base,
42:45é que realmente a gente,
42:47para aproveitar
42:47a diversidade
42:50do futebol,
42:52que aí entra uma outra questão.
42:53Já que a gente está no final,
42:55vamos devagar um pouco sobre isso
42:56que é interessante demais.
42:58Se tu pegar, por exemplo,
42:59os últimos,
42:59sei lá,
43:01pega os últimos 20,
43:0230 anos
43:03de convocação
43:04de seleção brasileira
43:05e pega
43:06desde a profissional
43:07até a base,
43:08até o 15,
43:09pega a profissional,
43:11pega a 20,
43:12a 17,
43:12a 15,
43:13você vai entender
43:14que,
43:16historicamente,
43:1780%
43:18dos atletas
43:19pertencem a
43:20dois,
43:21três estados.
43:2380%,
43:24até mais,
43:2590%.
43:26Na base,
43:27até mais cruel.
43:27Na base,
43:28isso era até uns 10 anos atrás,
43:31talvez até um pouco menos,
43:32não é nem região,
43:33eram 8,
43:347 clubes
43:35que forneciam atletas
43:36para a seleção brasileira.
43:37E por quê?
43:39Esse atleta,
43:39ele é melhor
43:40do que o atleta do Pará,
43:41do que o atleta do Acre,
43:43do que o atleta de Roraima?
43:44Não é.
43:46Aí volta
43:47para aquela questão do jogo,
43:48da minutagem.
43:50nessas regiões,
43:52você tem
43:52a competição de base
43:54acontecendo
43:55a toda semana.
43:56Então,
43:56esses atletas
43:57estão se desenvolvendo
43:59mensalmente,
44:00semestralmente,
44:01anualmente,
44:01há anos luz
44:02do norte do Brasil.
44:04Há anos luz
44:05do norte do Brasil.
44:06Então,
44:06é óbvio.
44:07Então,
44:07não é uma questão
44:08de preconceito,
44:09de xenofobia,
44:10nem de nada.
44:11Você tem,
44:12você vê
44:13no mapa do Brasil
44:14uma região
44:15onde os atletas
44:16realmente estão se desenvolvendo
44:17e outras onde
44:18não estão se desenvolvendo.
44:19Aí eu te pergunto,
44:20a gente está aproveitando
44:21a diversidade do futebol brasileiro?
44:23Porque se o Brasil
44:23é tão diverso,
44:24tão grande,
44:26a gente não sabe
44:26onde está o próximo Neymar.
44:27Isso é uma frase também
44:28não é minha,
44:29de um grande amigo meu,
44:29o Bruno Costa.
44:30Onde é que está o próximo Neymar?
44:31Ele pode estar
44:32em Rio Branco.
44:33Só que ele não vai
44:34se desenvolver,
44:35porque aí a gente pega
44:37em Rio Branco
44:38e ainda não tem
44:38a quantidade
44:39de competições necessária
44:41para que esse atleta
44:42se desenvolva.
44:44Então,
44:44eu vou responder agora,
44:46fechar,
44:46e fazer um 2 em 1.
44:48Porque assim,
44:49aí eu volto para a base
44:50e te respondo
44:51da seguinte forma,
44:53para a gente aproveitar
44:54essa diversidade,
44:56no Pará também
44:57acontecer isso.
44:57O Pará é um estado
44:58de tamanho continental.
45:01Se eu não tenho
45:02o jogo no Pará inteiro,
45:03o Neymar
45:04de Bujaru,
45:06o Neymar
45:07de Xinguara
45:08ou o Neymar
45:09de Monte Dourado
45:14não vai aparecer nunca.
45:15Por quê?
45:16Porque não está tendo
45:16competição lá,
45:17não está tendo jogo lá.
45:18É por isso que a gente
45:19tem que fazer,
45:19multiplicar a competição,
45:20multiplicar jogo,
45:21fazer jogo,
45:21fazer jogo,
45:22fazer jogo.
45:22E quando isso vira
45:24uma realidade,
45:25aí o teu custo
45:26para diminuir muito,
45:28porque eu consigo montar
45:29uma espinha dorsal,
45:31Paissandu,
45:31Remo,
45:31Águia,
45:32Túnel,
45:33os clube do Castanhão
45:34que jogam competições nacionais,
45:36vão ter oportunidade
45:37de poder diminuir
45:38a sua folha
45:41com uma espinha montada
45:44com o Prata da Casa,
45:45aí sim,
45:46Prata da Casa de verdade,
45:47e aí diminui
45:48o teu custo de investimento.
45:49Aí você consegue
45:50enfrentar o grande centro.
45:51Você pode não ter
45:52a mesma força financeira,
45:56de repente,
45:56que um grande Estado,
45:57mas você equilibra isso como?
46:00Criando o Prata da Casa.
46:01Para criar o Prata da Casa,
46:02tem que ter competição.
46:04E aí eu volto para o Norte.
46:05O que falta?
46:06O que eu faria?
46:08O que eu pensaria?
46:10Eu tenho discutido isso
46:10na CBF,
46:11mas eu quero dizer assim,
46:12que isso é uma opinião
46:12muito pessoal,
46:13e eu posso estar
46:14completamente errado.
46:15Mas é a CBF
46:16fomentar as competições
46:18no Norte do Brasil.
46:19Certo?
46:20Identificar onde
46:20há ausência de competição,
46:22entender porque tem
46:23a época de grana,
46:24então vamos pagar
46:25as competições.
46:26Então aqui vai ter
46:27que ter mil jogos por ano,
46:28tem que ter dois mil jogos
46:28por ano,
46:29e eu estar aqui o cheque,
46:30bora fazer isso acontecer.
46:31Eu, sinceramente,
46:32acho que isso é um caminho.
46:33porque na hora que você começar
46:34a fazer com que todos os estados
46:36que têm déficit de competição
46:38aumentar esse déficit,
46:39e o Norte
46:40claramente está nesse déficit,
46:42faz pouca competição de base,
46:44a gente consegue
46:47ter uma maior participação
46:49desses atletas
46:50no cenário nacional.
46:52É uma ideia.
46:53Concordo contigo.
46:55Dei a volta no mundo,
46:55mas fechei.
46:56A gente tem um déficit
46:57muito grande
46:58e a CBF,
46:59eu acho que ela
47:00poderia ajudar
47:01nessa questão
47:03de custear financeiramente
47:05as competições de base
47:06aqui no Norte.
47:06É isso.
47:07Mas o mais importante...
47:08As competições estaduais,
47:09desculpa,
47:10só para completar o seguinte,
47:11porque existe uma visão
47:12da competição nacional
47:14importantíssima.
47:14A CBF tem competição nacional,
47:16é muito importante,
47:17mas quando a gente fala
47:18de competição nacional,
47:19eu estou falando de...
47:19Uma realidade longe da gente,
47:21o brasileiro subiu 20, 17...
47:22É isso,
47:22eu estou falando de 20 clubes
47:23por série.
47:24Concordo com você.
47:24Quando eu falo competição estadual,
47:26eu começo a falar
47:27dos 800 clubes
47:27que existem no Brasil.
47:29Entendeu?
47:29E aí os caras começam
47:30a jogar, jogar, jogar, jogar,
47:31e aí o Neymar
47:32vai ser achado em algum lugar.
47:33Eu não tenho dúvida.
47:34Tomara.
47:35Ricardo, muito obrigada
47:36pela sua entrevista.
47:37Foi muito bom saber o quanto...
47:39Saber não, né?
47:41Comprovar o quanto
47:42o futebol paraense
47:43está crescendo.
47:44E desejo ainda mais sorte
47:46nos próximos quatro anos,
47:48ainda tem quatro anos pela frente,
47:50que seus planos se concretizem,
47:52tudo de bom,
47:52e feliz Sírio adiantado.
47:54Opa!
47:55Obrigado mais uma vez.
47:57Nossa, me sinto muito bem aqui
47:58e conversar com dois companheiros
47:59assim também para mim foi um...
48:01Pô, foi uma delícia.
48:02Obrigado, obrigado demais.
48:04Obrigado por prestigiar o futebol também,
48:06né?
48:06Por dar luz à federação.
48:08É importante discutir
48:08sobre esses assuntos, né?
48:09Para as pessoas entenderem.
48:11E é isso.
48:11Feliz Sírio para todos nós,
48:13que tenhamos todos
48:13bastante esperança
48:14pelos dias que virão.
48:15Tá lá.
48:16Vou entrevistar o filho dele
48:17em 2028,
48:18nas Olimpíadas, é.
48:19É, que vai para a Seleção Brasileira.
48:22Tá lá, tá lá na Espanha.
48:23Começou a temporada,
48:24tá indo bem.
48:24Só orgulho desse país.
48:25O João tá rebequendo
48:26na Seleção Brasileira.
48:27Obrigado, pessoal.
48:28Até a próxima.
48:29É nóis.
48:30Vocês aí de casa,
48:31muito obrigada pela audiência
48:32e até a próxima semana.
48:33Tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau, tchau.

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