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00:00A fumaça negra subiu ao céu como um sinal fúnebre visível a quilômetros de distância.
00:06O cedro do Líbano, que havia custado uma fortuna para ser transportado e instalado,
00:12virava cinzas em questão de horas.
00:14O ouro das paredes derretia com o calor das chamas.
00:18Soldados babilônios caminhavam pelos átrios sagrados com machados e tochas.
00:24O santo dos santos, onde durante quatrocentos anos apenas o sumo sacerdote podia entrar uma vez por ano,
00:33estava sendo pisado por homens que serviam a outros deuses.
00:37A arca da aliança havia desaparecido.
00:40As colunas de bronze que guardavam a entrada foram despedaçadas.
00:45O que sete anos de construção haviam erguido, Nabucodonosor derrubou em dias.
00:51Para entender como chegamos até essa noite, é preciso voltar ao começo.
00:57Ao que foi destruído naquelas chamas e ao homem que ordenou que se acendessem.
01:03Sete anos.
01:05Foi quanto tempo Salomão levou para construir algo que faria qualquer rei da antiguidade morrer de inveja.
01:12O Templo de Jerusalém não era apenas um edifício religioso.
01:16Era uma demonstração brutal de riqueza que podia ser vista de longe.
01:22As paredes externas brilhavam tanto ao sol que viajantes precisavam proteger os olhos ao se aproximar da cidade.
01:30Primeiro, Rei 6.
01:32Nos conta que o templo tinha 27 metros de comprimento, 9 de largura e 13 metros e meio de altura.
01:40Mas os números não revelam o verdadeiro impacto.
01:43Cada centímetro das paredes internas estava coberto com ouro puro.
01:48Não folhas finas de ouro.
01:51Ouro maciço, martelado sobre cedro do Líbano.
01:55A madeira mais cara do mundo na época.
01:58No Santo dos Santos, ficava a Arca da Aliança, feita de madeira de acássia e completamente revestida de ouro.
02:05Sobre ela, dois querubins de ouro maciço estendiam suas asas.
02:11Segundo, Primeiro Reis 7, cada querubim tinha 4 metros e meio de altura.
02:18Só essas duas esculturas representavam uma quantidade de ouro que nenhum rei vizinho conseguia imaginar.
02:25Mas havia muito mais.
02:28O templo guardava centenas de objetos sagrados, que hoje seriam considerados tesouros nacionais.
02:35O altar de incenso, todo feito de ouro.
02:39Dez candelabros de ouro maciço, cada um pesando uma fortuna.
02:45Cem taças de ouro para ofertas.
02:48Facas, pratos, bacias, tudo em ouro puro.
02:52O mar de bronze era uma das maravilhas técnicas da época.
02:57Uma bacia circular gigante de bronze polido, com 4 metros e meio de diâmetro
03:03e capacidade para 44 mil litros de água,
03:07apoiada sobre 12 bois de bronze, esculpidos com detalhes impressionantes.
03:14As colunas, Jaquim e Boaz, na entrada tinham 8 metros de altura
03:19e eram cobertas com capitéis decorados em bronze.
03:23Segundo o primeiro reis 10, a fama do templo se espalhou por todo o mundo conhecido.
03:31A rainha de Sabá viajou mais de mil quilômetros só para ver com os próprios olhos
03:37se as histórias eram verdade.
03:39Quando chegou em Jerusalém, ficou sem palavras.
03:43Historiadores estimam que apenas o ouro usado no templo valeria hoje bilhões de dólares.
03:51Mas, para os israelitas, o valor era infinitamente maior.
03:56Ali estava a presença de Deus na Terra, o lugar onde o céu tocava o mundo dos homens.
04:02Durante 400 anos, reis de nações vizinhas olharam para Jerusalém com um misto de respeito e inveja.
04:10Sabiam que atacar aquele templo seria declarar guerra não apenas contra Israel,
04:16mas contra o próprio Deus.
04:18Até que um dia, um homem decidiu que nem mesmo Deus o impediria de ter aqueles tesouros.
04:25Esse homem comandava o exército mais letal que o mundo já tinha visto.
04:30Nabucodonosor não era apenas um rei.
04:32Era uma força da natureza com sede de conquista.
04:36Quando subiu ao trono da Babilônia, em 605 a.C.,
04:42herdou a máquina de guerra mais eficiente do mundo antigo.
04:45Segundo Daniel 2, ele se via como a cabeça de ouro de uma estátua
04:51que representava todos os impérios da Terra.
04:54E não estava exagerando.
04:56O exército babilônico tinha 180 mil soldados treinados.
05:01Não eram simples guerreiros.
05:03Eram especialistas em cerco, engenharia militar e terror psicológico.
05:09Seus soldados usavam armaduras de bronze que refletiam o sol como espelhos.
05:15Carregavam escudos enormes, lanças de ferro e espadas curvadas de precisão aterrorizante.
05:21Mas o verdadeiro terror vinha das máquinas de guerra.
05:26Os babilônios construíam torres de cerco móveis, com mais de 20 metros de altura.
05:32Estruturas gigantes avançando sobre as muralhas inimigas.
05:37Carregadas de arqueiros e soldados, prontos para assaltar sobre as defesas.
05:43Nabucodonosor tinha também os arietes, troncos enormes de madeira reforçada com ferro.
05:49Suspensos por correntes e operados por dezenas de homens.
05:54O barulho de um ariete batendo contra portões de cidade podia ser ouvido a quilômetros de distância.
06:02Sua estratégia era simples e brutal.
06:05Cercar completamente a cidade inimiga.
06:08Cortar todas as rotas de abastecimento e esperar.
06:12Não tinha pressa.
06:14Sabia que a fome e o desespero fariam o trabalho por ele.
06:17Daniel 4 revela algo sobre a personalidade de Nabucodonosor que explica muito.
06:24Ele era orgulhoso ao extremo.
06:27Construiu jardins suspensos, considerados uma das sete maravilhas do mundo antigo.
06:33Havia conquistado o Egito, esmagado a Assíria e dominado todas as rotas comerciais do Oriente Médio.
06:41Reis poderosos tremiam ao ouvir seu nome.
06:45Cidades inteiras se rendiam antes mesmo que seu exército chegasse perto.
06:50Mas Jerusalém era diferente.
06:53Tinha algo que nenhuma outra cidade possuía.
06:56A proteção divina.
06:58Durante séculos, exércitos tentaram conquistá-la e falharam.
07:03Era exatamente esse tipo de desafio que fazia os olhos de Nabucodonosor brilharem de excitação.
07:10Jeremias 25 registra que Deus havia decidido usar Nabucodonosor como instrumento de julgamento.
07:19Mas o rei babilônico não sabia disso.
07:22Achava que estava apenas expandindo seu império por vontade própria.
07:26O que ele não imaginava era que sua primeira visita a Jerusalém seria apenas o começo de uma guerra que
07:34duraria décadas.
07:35Três anos de humilhação foram suficientes para Joquim perder completamente a paciência.
07:42Toda vez que os coletores babilônicos chegavam a Jerusalém exigindo tributos, o rei sentia o sangue ferver.
07:50Ouro que deveria estar decorando o templo ia parar nos cofres de Nabucodonosor.
07:56Segundo Reis 24, registra o momento da virada.
08:01Joquim foi sujeito por três anos.
08:04Depois, se rebelou.
08:06Parece uma decisão simples.
08:08Foi a sentença de morte de um reino inteiro.
08:11Joquim acreditou nas promessas do Egito.
08:14Mensageiros do faraó chegaram em segredo, oferecendo apoio militar.
08:21Jeremias 27, versículo 8.
08:24Registra que o profeta implorou que não cometesse essa loucura.
08:28A nação e o reino que não servirem a Nabucodonosor serão castigados com espada, fome e peste.
08:37Joquim ignorou o aviso.
08:39A rebelião começou de forma simbólica.
08:42Quando os próximos coletores chegaram para buscar tributos, foram expulsos sob ameaça de morte.
08:49A notícia chegou a Nabucodonosor em semanas.
08:53Segundo relatos históricos, ele ficou tão furioso que quebrou uma lança com as próprias mãos.
08:59Por estar longe demais para agir imediatamente, ativou todas as tribos inimigas de Judá que estavam sob controle babilônico.
09:08Segundo Reis 24, versículo 2.
09:12Tropas dos caldeus, dos sírios, dos moabitas e dos amonitas foram enviadas contra Judá.
09:20Bandos de saqueadores atacavam as cidades menores.
09:24Caravanas eram interceptadas.
09:26Plantações queimadas.
09:28Joquim percebeu tarde demais que havia cometido um erro catastrófico.
09:33O apoio egípcio nunca apareceu.
09:35Jerusalém estava sozinha.
09:39Joquim morreu antes de ver o resultado de sua rebelião.
09:43Jeremias 22, versículo 19, profetizou que seria sepultado como se sepulta um jumento,
09:51arrastado para fora das portas de Jerusalém.
09:54Seu filho Joaquim herdou um reino em chamas e um inimigo implacável marchando para a capital.
10:01Em 598 a.C., Nabucodonosor iniciou a marcha final rumo a Jerusalém.
10:09Segundo Reis 25, versículo 1, marca o início do pesadelo.
10:15No nono ano do seu reinado, no décimo mês, aos dez dias do mês,
10:20Nabucodonosor veio com todo o seu exército contra Jerusalém e se acampou contra ela.
10:26O exército babilônico construiu uma muralha ao redor de toda a cidade, transformando-a numa prisão gigante.
10:34Ninguém entrava.
10:36Ninguém saía.
10:37As primeiras semanas foram de tensão silenciosa.
10:41Os babilônios não atacavam.
10:43Apenas esperavam.
10:45Sabiam que a fome faria o trabalho sujo por eles.
10:49Três meses depois, Joaquim saiu da cidade para se entregar pessoalmente a Nabucodonosor.
10:56Foi um erro fatal.
10:57O rei babilônico aceitou a rendição, mas não teve misericórdia.
11:02Levou Joaquim como prisioneiro para a Babilônia, junto com dez mil habitantes da elite de Jerusalém,
11:09artesãos, soldados e nobres.
11:12Segundo Reis 24, versículo 14, não ficou ninguém, senão o povo pobre da terra.
11:21Nabucodonosor colocou Zedequias, tio de Joaquim, como rei fantoche.
11:26Por oito anos, Zedequias cumpriu sua palavra de lealdade.
11:29Mas, em 588 a.C., pressionado por conselheiros nacionalistas e promessas vazias do Egito,
11:39cometeu o mesmo erro de Joaquim.
11:43Nabucodonosor voltou para Jerusalém.
11:45Desta vez, não havia mais espaço para misericórdia.
11:49O segundo cerco foi muito pior que o primeiro.
11:52Durou trinta meses completos, dois anos e meio de agonia lenta.
11:57Jeremias 52, versículo 6, descreve o horror.
12:03A fome prevaleceu na cidade, e não havia pão para o povo da terra.
12:08As pessoas começaram comendo couro de sapatos, depois grama e folhas.
12:13Quando isso acabou, passaram a comer ratos e pombos mortos.
12:19Lamentações 4, versículo 10, registra atos que ultrapassam qualquer limite da humanidade.
12:26Num testemunho do que dois anos e meio de inanição total foram capazes de provocar numa população sitiada.
12:34O cheiro de corpos em decomposição tomava conta da cidade.
12:39As fontes de água foram cortadas.
12:42As reservas de grãos se esgotaram.
12:45Jerusalém estava literalmente morrendo.
12:48Em julho de 586 a.C., depois de 900 dias de cerco, os soldados babilônicos encontraram o ponto fraco nas
12:59muralhas.
13:00Segundo Reis 25, versículo 4.
13:03A cidade foi invadida, e todos os homens de guerra fugiram de noite.
13:09Soldados babilônios entraram pela brecha após dois anos e meio de espera.
13:15Zedequias tentou uma fuga desesperada.
13:18Segundo Reis 25, versículo 7, foi capturado nas planícies de Jericó.
13:25Nabucodonosor forçou-o a assistir à execução de seus herdeiros.
13:30Depois mandou vazar os olhos do rei.
13:33A última imagem que Zedequias levou para a escuridão eterna foi a destruição de sua linhagem.
13:39Um mês depois da queda da cidade, chegou o homem que mudaria tudo.
13:45Segundo Reis 25, versículo 8.
13:49No quinto mês, aos sete dias do mês, veio Nebuzaradã, capitão da guarda, servo do rei da Babilônia, a Jerusalém,
13:58e queimou a casa do Senhor e a casa do rei, como também todas as casas de Jerusalém.
14:05Nebuzaradã tinha ordens específicas, fazer Jerusalém desaparecer do mapa.
14:11O templo foi o primeiro alvo.
14:13Soldados pagãos caminhavam pelos átrios sagrados com machados e tochas.
14:19Segundo Reis 25, versículo 13,
14:22Os caldeus despedaçaram as colunas de bronze que estavam na casa do Senhor e as bases e o mar de
14:30bronze e levaram o seu bronze para a Babilônia.
14:33O mar de bronze, que pesava toneladas, foi quebrado em pedaços para facilitar o transporte.
14:40As colunas, Jaquim e Boaz, foram derrubadas e despedaçadas.
14:45O barulho de bronze sendo estilhaçado ecoava por toda a cidade.
14:51Depois vieram os tesouros menores.
14:54Cada objeto sagrado que havia sido consagrado para a adoração a Deus virou troféu de guerra.
15:01Taças que continham ofertas se transformaram em copos para soldados babilônicos beberem vinho.
15:08O momento mais chocante chegou quando entraram no Santo dos Santos.
15:11Durante séculos, apenas o sumo sacerdote podia entrar ali, uma vez por ano.
15:19Agora, soldados pagãos pisavam no lugar mais sagrado da Terra.
15:24A Arca da Aliança simplesmente desapareceu.
15:28A Bíblia não registra o que aconteceu com ela.
15:32Alguns acreditam que foi escondida antes da invasão.
15:35Outros pensam que foi destruída ou levada para a Babilônia.
15:40Quando terminaram de saquear tudo o que tinha valor, Nebuzaradã deu a ordem final.
15:46Queimar tudo.
15:47O cedro do Líbano virou cinzas.
15:50O ouro das paredes derreteu.
15:53A fumaça negra subiu ao céu como um sinal fúnebre visível a quilômetros de distância.
16:00E o que havia levado sete anos para ser construído desapareceu em horas.
16:05Mas o destino dos tesouros sagrados em terra pagã reservava surpresas que ninguém poderia imaginar.
16:12As carruagens chegaram à Babilônia, carregadas com o que restou do templo mais rico do mundo.
16:19Nabucodonosor ordenou que os tesouros sagrados fossem exibidos publicamente.
16:25Era propaganda militar pura.
16:27Mostraram ao povo babilônico que nem mesmo o Deus dos judeus conseguiu proteger sua própria casa.
16:35Daniel 1, versículo 2, registra onde os objetos sagrados foram parar.
16:41Ele os levou para a terra de Sinar, para a casa do seu Deus.
16:46E pôs os utensílios na casa do tesouro do seu Deus.
16:49O templo de Marduk ganhou uma ala inteira dedicada aos troféus de Jerusalém.
16:56Candelabros de ouro que antes iluminavam o lugar santo, agora decoravam altares pagãos.
17:03Para Nabucodonosor, aqueles tesouros provavam sua superioridade religiosa.
17:09Se o Deus de Israel fosse realmente poderoso, teria impedido o saque.
17:13Como não impediu, obviamente Marduk era mais forte.
17:17Mas Deus tinha outros planos.
17:20Em 539 a.C., 47 anos depois da destruição de Jerusalém, tudo mudou numa única noite.
17:30Daniel 5 registra a festa que selou o destino do Império Babilônico.
17:35Belsazar, neto de Nabucodonosor, decidiu fazer a provocação final contra o Deus de Israel.
17:43Trouxeram os utensílios de ouro tirados do templo da casa de Deus, que estava em Jerusalém,
17:49e o rei e os seus nobres beberam por eles.
17:53Belsazar pegou as taças sagradas do templo e as usou para beber vinho durante uma orgia palaciana.
18:00Nobres bêbados brindavam aos deuses babilônicos, usando objetos consagrados ao Deus Todo-Poderoso.
18:07A reação divina foi imediata e aterrorizante.
18:12Daniel 5, versículos 5 e 6, descreve a cena.
18:16Na mesma hora, apareceram uns dedos de mão de homem e escreviam de fronte do castiçal na caiadura da parede
18:24do Palácio Real.
18:26O rei via a parte da mão que estava escrevendo.
18:29Então, se mudou o semblante do rei e os seus pensamentos o turbaram.
18:34A festa parou instantaneamente.
18:37A música cessou.
18:39Centenas de convidados olharam em pânico para a parede, onde uma mão invisível escrevia palavras misteriosas.
18:47Mane, Mene, Tekel, Parsim.
18:52Daniel foi chamado para interpretar.
18:54O profeta olhou diretamente nos olhos de Belsazar e pronunciou a sentença.
19:00Contou Deus o teu reino e o acabou.
19:03Pesado foste na balança e foste achado em falta.
19:08Dividido foi o teu reino e dado aos medos e aos persas.
19:12Naquela mesma noite, Ciro da Pérsia invadiu a Babilônia e matou Belsazar.
19:18O novo imperador persa tinha uma política religiosa completamente diferente.
19:24Em vez de roubar objetos sagrados de outros povos, preferia devolvê-los e ganhar lealdade através de tolerância.
19:32Esdras 1, versículos 7 e 8 registra o momento da restituição.
19:38O rei Ciro tirou os utensílios da casa do Senhor que Nabucodonosor tinha trazido de Jerusalém e todos estes entregou
19:46nas mãos de Sesbazar.
19:49Depois de 70 anos exatos de exílio, exatamente como Jeremias havia profetizado, os tesouros sagrados voltaram para casa.
19:58O templo foi reconstruído, os utensílios foram recolocados em seus lugares santos.
20:05A adoração a Deus foi restaurada em Jerusalém.
20:10Nabucodonosor pensou que havia derrotado o Deus de Israel para sempre.
20:14Na verdade, apenas cumpriu o plano divino de disciplinar seu povo.
20:19No final, quem foi humilhado não foi Deus.
20:22Foi o império que ousou desafiá-lo.
20:26Sete anos para construir.
20:29Quatrocentos para que as paredes brilhassem como símbolo da presença divina na terra.
20:34E novecentos dias de cerco para que as cinzas revelassem o que todo rei da antiguidade deveria ter percebido desde
20:42o início.
20:42Que o homem que se considera um Deus raramente consegue reconhecer a diferença entre conquistar uma cidade e desafiar o
20:52seu Criador.