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  • há 6 horas
Transcrição
00:00E vamos repercutir esse assunto agora aqui no Olhar Digital News.
00:05Para isso, vamos receber ao vivo a Arthur Igreja, que é especialista em tecnologia e inovação.
00:12Vamos lá? Vamos bater um papo aqui com a Arthur Igreja.
00:16Olá, Arthur! Seja muito bem-vindo ao Olhar Digital News. Boa noite!
00:21Olá, boa noite, Marisa! Sempre um prazer estar aqui.
00:24Arthur Igreja, vamos lá, como nós acabamos de ver aí na reportagem.
00:28Como nós podemos avaliar esse anúncio da Antropic, não é?
00:32É um sinal de responsabilidade real ou uma estratégia para melhorar a imagem da empresa
00:39frente aos investidores às vésperas aí de um possível IPO?
00:45Eu acho que as duas coisas, né?
00:47Porque nós sabemos que tem muito disso no mundo corporativo,
00:51de palavras muito belas e preocupações e tudo mais.
00:56mas eu acho que vale a pena considerar o histórico, né?
00:59Então, o Dário Amodei, ele tem um histórico, ele sempre chama atenção sobre isso.
01:05Ele tem um compromisso pessoal, né?
01:08De doação de mais de 80% das suas próprias ações da Antropic,
01:13que promete ser o maior IPO da história.
01:15Então, o que eu quero dizer é o seguinte.
01:16A Antropic, ela tem um histórico de medidas nesse sentido, né?
01:21De estabelecimento de limites, preocupações éticas e morais em relação ao uso dos seus modelos.
01:27É uma das empresas que mais publica estudos sobre impactos no mercado de trabalho.
01:32Nas últimas semanas publicou mais um belíssimo estudo.
01:36Então, ela dedica mais de 100 milhões de dólares para isso, né?
01:41Para entender o mercado de trabalho, para tentar pautar tudo isso.
01:45Ele também é muito atuante, não só junto aos outros CEOs,
01:49mas principalmente em cúpulas governamentais,
01:51como aconteceu na última conferência da ONU em Nova York.
01:55Então, o que eu quero dizer é o seguinte.
01:56Claro, ajuda a melhorar a imagem da Antropic?
01:58Não há dúvida.
02:00Mas existe consistência, sabe?
02:02Não é algo que apareceu de uma hora para outra
02:06ou que é muito estranho com aquilo que já vinha acontecendo.
02:09Agora, qual que é o ponto importante?
02:11O ponto importante é que a Antropic está fazendo algo, né?
02:14Então, do ponto de vista de governança,
02:16do ponto de vista de compromisso estatutário,
02:19é uma coisa diferente, né?
02:21Então, tem muitas empresas ou muitos...
02:24Estados Unidos tem toda uma tradição de doações, né?
02:27De benfeitorias, é algo até que socialmente é muito benquisto,
02:32é algo muito valorizado.
02:34Mas aqui nós estamos vendo uma empresa que está se comprometendo, né?
02:37Então, nesse total que pode chegar a 20%,
02:40implementa também esse mecanismo de que cada vez que
02:43o market cap da empresa subir 50%,
02:45esse índice sobe mais 2%.
02:48Então, quer dizer, essa doação vai se ampliando.
02:50Agora, o que falta?
02:51Faltam os critérios, né?
02:52A gente não sabe para onde vai esse dinheiro,
02:55como ele vai ser aplicado.
02:56E, segundo a Antropic, isso vai ser definido nas próximas semanas.
03:00Então, o que eu quero dizer,
03:01é tão importante quanto você ter isso registrado,
03:06você ter esse compromisso que,
03:08só no IPO, pode passar da casa dos 100 bilhões,
03:11200 bilhões, essa iniciativa.
03:13Mas é também saber como que isso vai ser implementado na prática, né?
03:17Agora, Arthur, ao mesmo tempo que a Antropic avança em seu desejo por um IPO,
03:24ela segue alertando constantemente sobre os riscos da IA.
03:28Como que fica essa contradição?
03:32Olha, acho que é muito natural em se tratando de uma tecnologia
03:35que é tão poderosa, que é tão impactante,
03:39e que tanta coisa tenha acontecido em tão pouco tempo, né?
03:42Então, acho que minha visão sobre isso é que tem uma boa dose aí de,
03:48sabe, de uma preocupação genuína,
03:52no aspecto, inclusive, de uma certa humildade intelectual, né?
03:56Porque é uma das principais players,
03:58é uma empresa importantíssima,
04:01e ela mesma está admitindo,
04:03olha, a gente não sabe exatamente onde essa história vai parar, né?
04:06E quando eu falo essa frase,
04:08pode soar uma coisa negativa, alarmista,
04:11não é isso.
04:12É que simplesmente, ao longo da trajetória de uma tecnologia,
04:15existe aquela célebre frase que fala, né?
04:18Nós acabamos superestimando determinados impactos no curto prazo
04:23e subestimando outros porque é muito cedo.
04:26Então, aonde estará a IA daqui a cinco anos, daqui a dez anos?
04:29Então, acho que é uma preocupação muito genuína
04:31e acho que é importante, né?
04:33É importante que isso seja vocal,
04:36seja uma coisa que acontece, esse debate acontece,
04:39porque com outras tecnologias,
04:41como que aconteceu com a geração anterior,
04:43que foi a geração das redes sociais,
04:46muitos desses impactos foram percebidos de forma muito tardia
04:49e até hoje não se sabe exatamente o que fazer com isso,
04:52mas sabe-se dos impactos que não são todos eles exatamente positivos.
04:58Então, acho que toda essa geração de empresas de inteligência artificial,
05:01elas nasceram um pouco diferentes e, ao meu ver,
05:04tem tudo a ver exatamente com o que aconteceu com as redes sociais.
05:09Agora, Arthur, o Elon Musk criticou esse fundo anunciado pela Antropic
05:15e defendeu, como você viu na reportagem,
05:17distribuir ações diretamente para a população,
05:21inclusive uma ação para cada criança.
05:22Existe algum modelo que faça mais sentido
05:25para trazer a população, digamos, para o lado da IA?
05:31Olha, a questão é a implementação, sabe?
05:34O modelo pelo modelo não quer dizer muita coisa.
05:38Então, o Elon Musk criticar,
05:39e é claro que ele tem os seus fãs de carteirinha, né?
05:42Que qualquer coisa que ele falar,
05:44eles aplaudirão automaticamente.
05:46Mas o modelo que ele está propondo não é necessariamente per se melhor, sabe?
05:51Então, e perceba que até esse slogan, né?
05:56Uma ação por criança, aí sim parece uma coisa
05:59até mais de marketing do que a própria iniciativa da Antropic.
06:03A crítica dele é procedente, né?
06:06Porque, volto a dizer, eu falei isso no primeiro comentário,
06:08não adianta a Antropic ter lá uma parcela gigante,
06:11não adianta esse fundo que vai ter uma figura jurídica
06:16bastante específica, né?
06:17Vai ser uma LLM separada.
06:19Então, justamente para ter menos interferência
06:22do próprio dia a dia da empresa,
06:25a questão é para onde vai o dinheiro?
06:27Como é que ele vai ser aplicado?
06:28Como é que ele vai ser?
06:29Não adianta simplesmente ser uma carta de boa vontade, né?
06:32De intenção de boas ações.
06:34Agora, a solução do Musk por automático também não resolve, né?
06:38E aí, vai dar essas ações para as crianças.
06:42Tá bom, mas elas vão poder vender?
06:44Ou elas vão ter que segurar por um tempo?
06:47Quando que elas vão realizar isso?
06:49E o fato de ter uma ação não acaba carregando
06:53determinados conflitos de interesse?
06:55Tem um outro lado nessa história, né?
06:57Porque se você tem uma entidade, um fundo,
06:59se for bem gerido, ele pode ter um impacto
07:04eventualmente muito mais amplo.
07:06Você tem capital concentrado.
07:07Eu estou falando da solução da Antropic, né?
07:09Ao passo que se você dá uma ação por pessoa,
07:12ok, você tem ali um mecanismo que pode ser até distributivo, né?
07:15As pessoas têm as suas ações,
07:18mas você pode criar também outros conflitos de interesse
07:20ou, mais do que isso,
07:22determinadas atitudes que você precisaria ter
07:24um pouco mais de musculatura para tomar,
07:26você não vai conseguir fazer isso,
07:28porque você não tem uma articulação centralizada, né?
07:31Cada ação está na mão de uma pessoa.
07:33Daí você vai fazer o quê?
07:34Você vai criar uma espécie de associação
07:37onde essas pessoas vão votar,
07:40mas isso só vai ser para quem tem as ações que foram doadas.
07:43Então, mais uma vez, daria para falar horas sobre isso,
07:46mas modelo por modelo não é definidor dos resultados.
07:50Com certeza.
07:51Agora, Arthur, para a gente fechar,
07:53na sua opinião,
07:54essa responsabilidade de lidar com os efeitos provocados pela IA
07:59devem ficar com as empresas
08:01ou é papel do Estado
08:03ou qual é a melhor solução?
08:06Olha, ambos,
08:07porque, apesar desse tema também ser muito controverso,
08:12as pessoas acham que estão muito desconfiadas
08:15de iniciativas estatais,
08:17estão muito preocupadas com isso,
08:20mas quando o Estado funciona bem,
08:23eu sei que essa frase pode soar até hipotética
08:27e até otimista demais,
08:31mas quando os mecanismos funcionam bem,
08:33eles são mecanismos para atender demandas sociais,
08:38demandas da população.
08:40Então, eu sei que nos últimos tempos
08:42as pessoas estão vendo o Estado quase como um inimigo,
08:45algo para se afastar,
08:48mas no mundo ideal não é o caso.
08:51Então, as empresas têm, por definição,
08:54conflito de interesse.
08:55Quando eu estou falando isso,
08:56não estou dizendo que elas são piores,
08:58não estou falando que elas não vão fazer o bem,
09:01mas elas atendem os seus indicadores,
09:04os seus interesses.
09:05É um mundo muito menor,
09:07muito mais fechado.
09:09Pode ser que a visão daquela empresa
09:10não seja exatamente a visão
09:13que a população de um país precise,
09:15não vai ser consensual.
09:17Então, ela tende a ter uma atuação
09:19muito mais restrita
09:21dentro de um determinado terreno,
09:26de um território de ações.
09:27O Estado consegue ter uma amplitude muito maior.
09:31Mas eu acho muito interessante isso,
09:33que essas empresas dessa geração
09:35de empresas de inteligência artificial,
09:37elas estão se envolvendo,
09:39elas estão considerando esses impactos.
09:41é bastante diferente
09:43daquilo que a gente viu
09:44praticamente ao longo do século XX inteiro
09:46e na última parte do século XX
09:49com o surgimento das empresas de tecnologia.
09:51Elas estavam unicamente focadas
09:54em desenvolver a tecnologia
09:56e colocar no mercado
09:57e não tinham essas preocupações sociais,
10:00preocupações do mercado de trabalho,
10:02preocupações...
10:03Por exemplo, o Dario Almodê,
10:04ele falou,
10:05olha, a IA pode se tornar uma coisa
10:08absurdamente poderosa
10:10do ponto de vista de geração de valor,
10:12mas ela pode ter todo esse valor
10:15capturado e concentrado
10:17num punhado de pessoas.
10:19Isso nunca foi debatido antes.
10:21Então, eu acho que os dois,
10:23os dois,
10:24porque é uma tecnologia
10:24que é tão transversal,
10:26ela é uma infraestrutura,
10:27ela está presente
10:28em todas as camadas de aplicação,
10:31ela toca o gasto energético,
10:34ela toca a infraestrutura,
10:36a produtividade,
10:37o mercado de trabalho,
10:38a educação,
10:39a formação das pessoas.
10:41Então, a resposta é o seguinte,
10:43quem que está envolvido nisso?
10:44Todo mundo.
10:45Todo mundo é influenciado
10:47pela IA e,
10:49então,
10:50empresas,
10:51Estado,
10:52associações,
10:53todos terão alguma coisa
10:55a ver com o IA
10:56nos próximos anos.
10:56com certeza.
10:58Está aí,
10:59Arthur Igreja,
11:00mais uma vez,
11:01muitíssimo obrigada
11:02pela sua participação
11:03aqui com a gente, Arthur.
11:04Espero encontrá-lo em breve
11:05em outros momentos.
11:07Muito obrigada,
11:07excelente noite para você.
11:09Obrigado,
11:10igualmente,
11:10boa semana.
11:11Até.
11:12Está aí,
11:13Arthur Igreja,
11:14que é especialista
11:15em tecnologia e inovação,
11:17participando aqui com a gente
11:18mais uma vez
11:19para falar sobre esse cenário
11:21da Antropic.
11:23Bom,
11:23é especialista.

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