- há 2 dias
No segundo episódio do videocast especial pelos 50 anos da TV Gazeta, editor-chefe fala sobre inteligência artificial, desinformação e os princípios que devem orientar o jornalismo no futuro
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TVTranscrição
00:00Olá pra você ligado na Rede Gazeta, meu nome é Thiago Taan, sou residente e você está no Papo Residência
00:06na edição especial Roda Fita, que comemora os 50 anos da TV Gazeta.
00:11E hoje, antes de apresentar o nosso convidado, eu apresento a também residente Analu Fagundes, tudo bem Analu?
00:18Tudo sim, Thiago. E hoje a gente está aqui com uma presença ilustre no estúdio.
00:22É isso mesmo, Analu. Nesse episódio a gente fala um pouco sobre os 50 anos da TV Gazeta e também
00:30sobre o futuro, Analu.
00:32Sim, no primeiro Papo de Residência, os residentes Matheus, Emanuele e Camila conversaram com a Abdo Scherker, uma referência que
00:40ajudou a construir esse marco.
00:42E pra dar continuidade a esse papo, nada melhor do que falar com quem entende do assunto.
00:48Bruno Dalvir, que hoje é editor-chefe da TV Gazeta e G1 Espírito Santo, mas que começou aqui na Rede
00:55em 2000, passando como estagiário da CBN.
00:59E que você vai conferir tudo desse papo, hoje, no Papo Residência.
01:04Tudo bem, Bruno? Bem-vindo ao Papo Residência.
01:07Obrigado e agradeço a gentileza de ilustre. Eu acho que é demais. Eu acho que... Obrigado e é um prazer
01:16falar com vocês. Estou aqui à disposição pra ajudar.
01:19E, Bruno, antes da gente começar o nosso papo, já tem uma participação especial que a gente trouxe de surpresa.
01:26Então, ó, roda a fita.
01:28Uma pergunta pra Bruno. Eu acho que eu, assim, pego de chofre assim, eu diria, Bruno Dalvir, você realmente está
01:39comprometido a fazer do jornalismo da Gazeta um jornalismo ainda melhor,
01:47mais próximo das pessoas, comprometido com a justiça, com o melhor para a sociedade onde você vive?
02:07Eu acho que a pergunta do hábito, eu vou responder com ensinamentos dele.
02:11Eu acho que, a partir do momento que a gente não está comprometido em servir a sociedade, em fazer um
02:17jornalismo que seja justo,
02:19em fazer um jornalismo que olhe pelas minorias, pelos mais necessitados, por aqueles que a gente pode ser voz,
02:27se a gente não está comprometido em melhorar o que a gente pegou, e se a gente não está comprometido
02:34a colocar a luz onde há sombra,
02:37eu não devia estar nessa cadeira. Então, eu acho que isso faz parte da minha essência.
02:43A pergunta do hábito diz muito mais sobre o Bruno pessoa física do que o Bruno jornalista.
02:49Eu acredito nesses valores, eu acredito na função do jornalismo de transformar a sociedade,
02:55eu acredito na função do jornalismo como algo importantíssimo para a democracia,
03:00e eu acho que é muito mais do que um compromisso, isso é uma missão.
03:04Eu costumo dizer que o jornalismo é um sacerdócio.
03:08Então, se esses fundamentos não estiverem na minha cabeça da hora que eu acordo,
03:13a hora que eu durmo, eu não mereço a confiança do público,
03:19a confiança dos acionistas da empresa, a confiança dos meus colegas
03:24para estar à frente da função que eu estou.
03:27Então, eu acho que isso são cláusulas pétreas, assim, não dá para discutir.
03:33Isso está na minha cabeça da hora que eu acordo à hora que eu durmo.
03:37Por que eu faço jornalismo?
03:39Para quem eu vou trabalhar hoje?
03:42O que o meu trabalho vai fazer de diferença na vida das pessoas?
03:45Vai mudar a vida de uma, duas, de dez?
03:48Não importa. O que importa é que tem que mudar alguma coisa.
03:51Vai melhorar? O que eu vou denunciar?
03:53O que eu vou mostrar de bom?
03:55Quais os avanços que a gente vai mostrar?
03:57Se isso não está dentro da minha essência,
04:01não faz sentido nenhum o meu trabalho.
04:03Então, acho que eu respondo ao que o Abdo me perguntou com coisas que ele me ensinou.
04:07Com certeza. Muito legal, Bruno.
04:08E, ó, o Abdo começou a aquecer essa conversa,
04:11mas agora a gente quer saber muito mais.
04:13E nada melhor do que começar com o presente, né, Nalu?
04:16Isso mesmo. O Bruno falou sobre luz.
04:20E este ano, o tema da 29ª turma de residência aqui da Gazeta
04:25é o jornalismo investigativo na era da desinformação.
04:29Bruno, nesse momento de constante debate sobre a desinformação, sobre a IA,
04:34qual que você acha que tem sido o papel da Rede Gazeta nesse cenário?
04:40Eu acho que o papel de hoje é o papel de 50 anos atrás.
04:46Seja para jornalismo investigativo, seja para o jornalismo que a gente faz no dia a dia.
04:51Jornalismo é jornalismo.
04:53Eu acho que todo jornalismo é investigativo.
04:55Alguns denunciam grandes escândalos, outros coisas menores.
04:58Mas o fundamento do jornalismo, ele é sempre o mesmo.
05:04Investigativo, aí vai para uma área que eu gosto muito.
05:07Eu entrei na Gazeta com esse olhar de fazer jornalismo investigativo.
05:11Tive a chance de fazer grandes reportagens investigativas.
05:14Gosto disso até hoje.
05:16Mantenho fontes de 20 anos atrás, que até hoje me dão informações.
05:20Então é algo que eu tenho paixão por fazer, o jornalismo investigativo.
05:25Então quando você pergunta qual o papel do jornalismo investigativo hoje, ou ontem, ou amanhã.
05:30O papel do jornalismo investigativo é a frase que eu disse anteriormente.
05:34É colocar a luz onde há sombra.
05:36É mostrar o que querem esconder.
05:39É incomodar.
05:40O que eu falei na conversa com vocês.
05:43Eu acho que o nosso papel é ser a aflição dos confortados e o conforto dos aflitos.
05:49Esse é o papel do jornalismo investigativo.
05:51Todo dia, se você mostra um buraco na rua de alguém, você está fazendo jornalismo investigativo.
05:58Você está dizendo para um monte de pessoa que o poder público falhou ali.
06:02Se você mostra um grande escândalo de corrupção, o maior escândalo de corrupção do país,
06:08você também está mostrando para a mesma sociedade que alguém falhou.
06:12A gente só está calculando a dimensão.
06:15Obviamente que tem dimensões diferentes, tem prejuízos diferentes.
06:19Às vezes tem prejuízo financeiro, às vezes tem morte.
06:23Então, o que calibra é a densidade do assunto.
06:28Mas a essência do produzir jornalismo é sempre a mesma.
06:31O jornalismo vai fazer o que o mundo de hoje...
06:38Eu defendo a liberdade de expressão, defendo a liberdade de imprensa,
06:41mas eu acho que tem um debate ainda muito raso sobre o que se pode fazer com essa liberdade de
06:48expressão,
06:49com essa liberdade de imprensa.
06:50E isso precisa...
06:52Quando eu defendo regulamentação, por exemplo, de rede social,
06:56sempre você vai para a discussão.
06:59Ah, isso é censura.
06:59Não é censura.
07:01Eu não posso hoje chamar você de burra.
07:05Por que que na rede social, se eu chamar você de burra,
07:08isso demora a ser retirado do ar ou não?
07:10É a mesma coisa.
07:12Então, onde é que entra o jornalismo aí?
07:14O jornalismo entra para mostrar exatamente isso.
07:17O jornalismo entra para fazer o papel que o influenciador digital
07:22talvez não vai fazer, não por descompromisso,
07:24mas porque o trabalho dele não é aquele.
07:26O jornalismo tem a técnica que a sociedade precisa
07:30para a gente entregar a informação para ele.
07:32é por meio do jornalismo, seja ele investigativo ou não,
07:36que a gente vai contextualizar os fatos.
07:38Porque a gente tem técnica.
07:40Porque quando, onde, quem, como...
07:43Tudo isso passa por um processo de redação
07:46em que a gente vai entregar um produto para a sociedade
07:50explicado, contextualizado, do tamanho que ele merece.
07:52E no mundo de hoje,
07:54que é um mundo em que todo mundo tem acesso à informação,
07:57num mundo em que qualquer pessoa pode fazer um vídeo,
08:01postar, muitas vezes sem o compromisso com a verdade,
08:04muitas vezes sem ética, muitas vezes para atacar,
08:07caluniar, difamar.
08:08O jornalismo entra para mostrar.
08:10As coisas não são assim.
08:12Para se viver numa sociedade, existem regras.
08:16Eu, para andar no carro, tenho que usar cinto de segurança.
08:19Se eu não usar cinto de segurança,
08:20então eu não ando de carro, venho a pé.
08:22Então, cinto de segurança é uma censura?
08:24Não, não é uma censura, é uma regra.
08:26O mesmo vale para o mundo de hoje.
08:28Por que as pessoas têm esse direito?
08:29Não, elas não têm esse direito.
08:31Elas se imbuíram de um direito,
08:34escondido sob o manto da liberdade de expressão,
08:37para dizer ou fazer coisas que não são admitidas no mundo real.
08:42Então, é aí que entra o jornalismo.
08:43O jornalismo entra para mostrar.
08:44Não, isso está errado.
08:45Você não pode ir na rede social e chamar alguém de preto,
08:48porque isso é racismo na vida real, na rede social,
08:52na carta, ou na época da pedra,
08:55ou no futuro, seja lá como for.
08:57Então, acho que esse é o papel do jornalismo nesse momento.
09:01E é um momento em que as pessoas,
09:04a última pesquisa da Reuters, se não me falha a memória,
09:06mostrou que no mundo as pessoas nunca tiveram acesso
09:10a tanta informação.
09:11Essa foi a maior pesquisa realizada,
09:14divulgada recentemente,
09:15que as pessoas nunca tiveram acesso a tanta informação ao mesmo tempo.
09:19E nunca elas tiveram tão desinformadas.
09:21Então, quando perguntam,
09:22qual o futuro do jornalismo?
09:25O futuro é esse.
09:26Nosso futuro está aí.
09:27A gente tem um imenso desafio pela frente
09:29de mostrar a essas pessoas
09:31que informação é importante na vida delas,
09:36por uma série de razões
09:37que a gente vai falar ao longo da entrevista.
09:39E, Bruno, muito interessante,
09:41porque você falou um pouco sobre essa sociedade
09:43que está cada vez mais conectada.
09:46E eu acho que isso vem muito dessa situação da pandemia.
09:50A pandemia confinou todo mundo
09:52e conectou ainda mais as pessoas
09:54que ansiaram mais ainda pela informação
09:58o mais rápido possível.
10:00E, Bruno, queria que você falasse
10:02primeiro sobre como foi liderar
10:06uma redação em um período de pandemia,
10:09um período muito difícil,
10:10e depois se mudou
10:13como fazer notícia após a pandemia.
10:16Por restrições sanitárias
10:18e responsabilidade social das empresas,
10:20a gente tinha muito claro
10:23que a gente iria expor
10:25o menor número de profissionais possíveis
10:27naquela cobertura.
10:27Então, quem podia fazer home office
10:29foi para home office.
10:30Agora, televisão não dá para fazer de home office.
10:32Você tinha que estar no estúdio,
10:33repórter tinha que estar na rua
10:34onde o fato estava acontecendo.
10:35Então, sempre dentro de todas as proteções possíveis,
10:39a gente manteve o jornalismo da televisão no ar
10:42sem nenhum dia não deixar
10:44que um programa fosse ao ar.
10:46Todos os dias na pandemia,
10:47todos os nossos telejornais foram ao ar.
10:50E isso também faz parte da nossa missão.
10:52Nossa missão é informar,
10:53informar nos momentos mais difíceis.
10:54É como cobrir uma guerra.
10:55Está todo mundo saindo da guerra,
10:57o jornalista está entrando na guerra.
10:59É mais ou menos como foi a cobertura da pandemia.
11:02E aí, a pandemia trouxe ferramentas tecnológicas
11:06que já estavam à disposição,
11:07mas que não tinham sido usadas com tanta evidência.
11:09Começaram, por exemplo,
11:10as chamadas de vídeo com os entrevistados.
11:12Era o que dava para fazer
11:14para você levar o serviço para as pessoas.
11:16Porque qual era a nossa missão?
11:18A nossa missão era informar,
11:19dar às pessoas a maior quantidade de informação
11:23para que elas pudessem tomar decisões
11:25num momento em que a gente não podia mais se amparar
11:29num governo e que a gente precisava,
11:31como instituição pública,
11:34a imprensa como uma instituição pública,
11:37dar informações que a gente sempre defendeu e acreditou.
11:40E a gente tentava sempre dar tranquilidade às pessoas,
11:43mas não é tranquilidade na palavra, não.
11:45Era no ato mesmo,
11:46repórteria para a rua,
11:47com microfone que era só dele,
11:50num carro que era higienizado todo dia,
11:53ou com orientação de uma infectologista.
11:55Nós contratamos uma infectologista,
11:57trouxemos ela para dentro da empresa,
11:59ela ficava aqui para dar suporte
12:01aos repórteres, editores, produtores,
12:03enfim, quem tivesse qualquer dúvida
12:05podia levar ela, podia...
12:06Não era uma consulta, mas enfim,
12:09se quisesse consultar também,
12:11a gente tinha um psicólogo à disposição
12:1224 horas por dia dentro da redação
12:14para cuidar de quem precisasse,
12:16e a gente usou,
12:17muita gente precisou disso.
12:19Então essa era uma segunda frente,
12:21trabalhar com as pessoas,
12:23fazer com que as pessoas conseguissem
12:24produzir o jornalismo que a gente vinha produzindo,
12:27mas que tivessem minimamente uma condição mental
12:31para fazer isso,
12:32e também uma condição de saúde,
12:34porque elas não queriam adoecer.
12:36Então vamos usar máscara,
12:37vamos fazer entrevista à distância.
12:39Então teve todo um protocolo preparado
12:41para que a gente pudesse trabalhar.
12:43Bruno, a pandemia é um período muito recente,
12:45como você disse,
12:46e muito do que a gente falou no primeiro bloco
12:48tem a ver com modernidade.
12:49Então vamos para o segundo bloco
12:51falar sobre tecnologia, Nalu?
12:52Sim, a gente está em uma nova geração da televisão,
12:56desde que ela chegou aqui nos anos 50 até hoje.
13:00Hoje a gente tem a TV 3.0,
13:04e a gente queria saber
13:06o que essa transformação pode representar
13:09e representa para uma televisão
13:12como a da Gazeta.
13:17Tecnologia é meio,
13:19ela não pode ser fim.
13:21O que é fim é o conteúdo.
13:22Se a gente não tiver um conteúdo
13:25de excelência,
13:26um conteúdo que as pessoas
13:28tenham interesse em consumir,
13:32seja ele jornalístico
13:33ou de entretenimento,
13:34tanto faz,
13:35se o nosso conteúdo não for bom,
13:37não adianta a melhor tecnologia do mundo
13:39para quê?
13:39Se você não tem o que mostrar.
13:41Então quando me perguntam,
13:41ah, você tem medo da tecnologia?
13:43Nenhum.
13:43Eu acho que tecnologia
13:44é a evolução natural da sociedade.
13:47A gente vai evoluir.
13:48Hoje a gente consome televisão,
13:51na tradicional.
13:52Mas você pode ver no celular.
13:54Não sei como vai ser daqui a 10 anos.
13:56De verdade eu não sei.
13:57Mas eu acho que qualquer tecnologia
14:00que venha a surgir,
14:02ou a que já está aí,
14:04ela vem depois de um conteúdo de qualidade.
14:06Ela vem depois de um jornalismo bem feito,
14:08de um entretenimento bem feito.
14:10para mim o fundamento lá principal
14:13é o conteúdo.
14:15É, no caso falando de jornalismo,
14:17é o jornalismo.
14:17Se o jornalismo for bom,
14:19se o jornalismo engajar,
14:20se as pessoas se sentirem representadas
14:22por esse jornalismo,
14:23elas vão consumir
14:25aonde a tecnologia estiver.
14:26Eu não sei,
14:27vai estar no celular,
14:27vai estar na caneta,
14:28vai estar no relógio,
14:29não sei.
14:30Agora, a tecnologia
14:32ajuda o jornalismo.
14:33Como que a tecnologia
14:34ajuda o jornalismo?
14:35Antigamente as pessoas falavam
14:36com a redação com carta.
14:37Você mandava carta e escrevia.
14:40A gente recebia a carta
14:40cinco dias depois
14:41e ia fazer uma matéria
14:42dez dias depois.
14:44Hoje você fala pelo WhatsApp
14:46ou pelo aplicativo
14:48ou pelo...
14:49Então, você tem condição
14:50de fazer uma interação ao vivo
14:52com a pessoa na televisão.
14:54É o que o rádio já fazia
14:55há muito tempo.
14:56A gente consegue fazer hoje
14:57um rádio, entre aspas,
14:59na televisão.
15:00Você consegue colocar
15:01o telespectador com vídeo,
15:03se precisar,
15:04ou consegue colocar ele com áudio,
15:05ou consegue ler
15:06só a mensagem dele.
15:07Então, a interação aumentou.
15:09E essa interação é fundamental
15:10quando o jornalismo quer
15:11e precisa estar próximo
15:13da sociedade.
15:14A inteligência artificial
15:15está aí agora
15:17com a gente construindo.
15:18Agora, nos 50 anos,
15:19a gente remontou
15:20o estúdio do Bom Dia
15:21de quando o Bom Dia começou
15:23há 40 anos atrás.
15:24Isso é maravilhoso.
15:26Agora, sempre deixando claro
15:27para o telespectador.
15:28Olha, a gente está usando
15:30a inteligência artificial
15:31para fazer isso,
15:33para fazer aquilo,
15:34nunca para substituir
15:35a tarefa humana.
15:37Nunca para substituir
15:38o intelecto humano.
15:40Inteligência artificial
15:41nunca é atividade fim,
15:43sempre meio.
15:43E toda inteligência artificial
15:45tem que passar
15:45pela supervisão humana
15:46no final.
15:47E aí, depois disso definido,
15:49a gente criou,
15:50esse ano, em março,
15:51um núcleo,
15:52que é o núcleo
15:53de conteúdos especiais
15:54IA,
15:55na TV,
15:56que, obviamente,
15:57é um núcleo pequeno ainda,
15:58porque a gente está estudando
16:00as formas
16:01e como a gente pode usar.
16:02Então, a gente tem usos
16:04ainda pontuais,
16:06mas que já são feitos.
16:08Por exemplo,
16:09a gente já tem um...
16:11Quando você vê o jornal,
16:12tem a tarja lá embaixo.
16:13A gente já tem um sistema
16:14praticamente desenvolvido
16:15para que as tarjas
16:17não precisem ser feitas
16:17mais manualmente
16:18pelo editor.
16:20A gente vai conseguir
16:20jogar dentro
16:21de uma IA específica
16:24qual é o conteúdo
16:25da reportagem,
16:26quais são as imagens
16:27que tem ali,
16:28e ele vai sugerir já
16:29a primeira linha,
16:30a segunda linha,
16:30e colocar.
16:30Alguém humano vai ter que aprovar
16:32e pode mudar se quiser.
16:34As simulações
16:35que a gente tem feito
16:36com o uso de IA
16:37também já tem feito
16:38com mais frequência.
16:40Recentemente,
16:40a gente reconstituiu
16:42o sítio histórico
16:43da Serra
16:44totalmente
16:44numa inteligência artificial,
16:46mas a gente deu prompt
16:47de acordo com o livro histórico.
16:48Naquela época,
16:49a batalha acontecia
16:50assim, assim, assado,
16:51e sempre sendo transparente
16:53com o telespectador.
16:55Então, são muitas coisas.
16:56A DTV+,
16:57agora que vem aí,
16:58vai aumentar ainda mais
16:59a interatividade
17:00com a audiência,
17:02mas tem que fazer sentido
17:03essa interatividade.
17:05Você pode explicar
17:06um pouquinho mais
17:07para quem está assistindo
17:08sobre essa nova geração
17:09da TV,
17:09o que ela é?
17:11Então, a ideia
17:12é que ela seja
17:13uma TV quase customizada.
17:14A gente vai poder,
17:15por exemplo,
17:17no jornalismo,
17:19colocar no canto
17:20da tela
17:22informações.
17:22Veja a linha de ônibus
17:24do seu bairro.
17:25Veja a previsão
17:26do tempo
17:26para a sua cidade.
17:27a gente vai poder
17:28fazer enquetes específicas.
17:31E aí eu volto
17:32àquele ponto principal.
17:33Tem que ter jornalismo,
17:34tem que ter conteúdo.
17:35Não adianta você
17:35colocar aquilo lá
17:36se não tiver o interesse.
17:37É uma tecnologia ótima.
17:38E a serviço de quê
17:39que está lá?
17:41Então,
17:42a ideia
17:42é que cada televisão
17:45seja customizada
17:47para aquela audiência.
17:48Então,
17:48ela permite muita coisa.
17:50Imagina que você fez
17:50uma reportagem
17:51mostrando que
17:53os postos de saúde
17:54estão em greve,
17:55mas que tem
17:56três postos funcionando.
17:57Você não quer falar
17:58aquilo na televisão
17:59porque a televisão
17:59não está falando
17:59com o estado inteiro.
18:00Então,
18:00você vai dizer,
18:01olha,
18:01você pode agora
18:02ir na sua televisão,
18:03clicar no ícone
18:04que vai aparecer
18:05na sua tela
18:05para saber
18:06o endereço
18:06do posto de saúde
18:07mais perto da sua casa
18:08que está funcionando.
18:09E aí você coloca
18:10essa informação lá
18:11só para aquela pessoa
18:11que quer assistir.
18:13Ah,
18:14previsão do tempo
18:14só para a sua cidade.
18:15Você vai conseguir
18:17customizar.
18:17Então,
18:17tem muita coisa,
18:19mas que é o que eu digo,
18:21tem que ter conteúdo,
18:21o conteúdo tem que ser atraente.
18:22Porque senão,
18:23por que você vai clicar
18:25serventia para você
18:26se não tiver utilidade,
18:27se não tiver um serviço?
18:28Você não vai clicar ali
18:29só porque aquilo é legal.
18:31E, Bruno,
18:31você falou muito
18:32sobre tecnologias
18:33que já fazem parte
18:34sobre o presente,
18:36mas também vão fazer
18:37a parte dos próximos
18:3950 anos da TV Gazeta.
18:40Isso que eu queria
18:41te perguntar.
18:42O que você espera
18:43que vai mudar
18:44nos próximos 50 anos
18:46da TV Gazeta
18:46e o que você acha
18:48que nunca vai mudar?
18:49Eu acho que eu tenho
18:51condição de responder
18:52o que nunca vai mudar.
18:53O que vai mudar
18:54é pergunta
18:55de muitos milhões.
18:57Mas eu acho
18:58que o que não vai mudar
18:59é importante.
19:00E talvez o que não vai mudar
19:02define o que pode
19:03ou não mudar.
19:04Então,
19:04o que eu acho
19:05que não vai mudar?
19:06Não vai mudar
19:07o nosso compromisso
19:09inabalável,
19:10inegociável
19:11com o jornalismo profissional.
19:12Esse não pode mudar.
19:13Não vai mudar
19:14a nossa ética,
19:15não vai mudar
19:16o nosso apartidarismo,
19:19não vai mudar
19:20a nossa coragem,
19:21não vai mudar
19:22a nossa responsabilidade
19:23em fazer jornalismo
19:24que transforme
19:25a vida das pessoas,
19:26não vai mudar
19:27a nossa responsabilidade
19:28de fazer jornalismo
19:29que transforme
19:30o Estado
19:30num lugar melhor,
19:31não vai mudar
19:32a nossa capacidade
19:33de fazer jornalismo
19:34investigativo,
19:35denunciar o que precisa
19:36ser denunciado,
19:37expor o que precisa
19:38ser exposto.
19:40Isso não vai
19:41e não pode mudar.
19:42Com base nisso,
19:43aí você vai ver
19:44o que pode mudar,
19:45o que não pode,
19:46o que vai acontecer.
19:48Então,
19:48eu acho que esses pilares
19:49estando bem fundamentados,
19:52bem fundados,
19:54também nos ajudam
19:55a decidir
19:55o que a gente pode
19:56fazer lá pra frente.
19:57E eu acho que isso
19:58precisa estar muito claro.
19:59O jornalismo da Gazeta
20:01é um jornalismo
20:02que tem um compromisso
20:03e que chegou aos 50 anos
20:05com os mesmos princípios
20:07que Carrier desenhou
20:08lá em 1976
20:10quando a televisão
20:11entrou no ar.
20:12E isso está pacificado,
20:14está numa pedra,
20:16isso não muda.
20:17Então,
20:17essas coisas
20:18não podem mudar.
20:19A forma como a gente
20:20faz o jornalismo,
20:21a forma como a gente
20:22trata a coisa pública,
20:24a forma como a gente
20:24trata as pessoas,
20:26a forma como a gente
20:26é justo,
20:28a forma como a gente
20:29tem compromisso
20:30com a verdade,
20:31a gente não tem compromisso
20:32com o erro,
20:32isso não pode mudar.
20:34Agora,
20:35o que vai mudar é difícil.
20:36Se você me perguntar
20:36como vai ser,
20:37não sei.
20:38De fato,
20:39não sei.
20:39Imagino,
20:40talvez,
20:40que a gente possa ver
20:41televisão.
20:43Isso já acontece hoje,
20:44mas eu acho que a gente
20:45vai conseguir
20:45ter uma flexibilização
20:47de grade maior.
20:49A televisão foi construída
20:51naquele modelo tradicional
20:52de grade,
20:53com horários fixos,
20:54porque você gera o hábito
20:55na pessoa de consumo.
20:56Mas esse hábito,
20:57na geração de hoje,
20:58mudou.
20:59Esse hábito,
21:00a gente quer fazer,
21:01a geração mais nova
21:01quer fazer o seu horário,
21:02quer fazer o seu...
21:03Isso é um ganho
21:04para a televisão.
21:05Eu,
21:06por exemplo,
21:06já,
21:07apesar de estar nos 40,
21:09mais quase chegando nos 50,
21:10me beneficio disso.
21:11Eu não consigo assistir
21:12o Jornal Nacional
21:13no horário dele
21:14às 8h30 todo dia,
21:15porque é um horário
21:16que eu tiro
21:17para ficar com os meus filhos.
21:18Mas eu tenho que assistir
21:20por obrigação
21:21o Jornal Nacional
21:21todo dia,
21:2210 horas da noite
21:22é a hora que eu assisto.
21:23E eu assisto no Globoplay.
21:25Então,
21:25eu acho que isso,
21:26a tecnologia,
21:29ajuda o jornalismo
21:30a continuar.
21:30Por quê?
21:30Eu acredito
21:31na credibilidade
21:32daquele Jornal.
21:33Ah,
21:34mas 10 horas da noite
21:35tem o Jornal e o Tremissura.
21:36Tem,
21:36mas não é o jornalismo
21:37que eu acredito.
21:38Então,
21:38eu vou ver no Jornal Nacional.
21:40Eu vou assistir no Globoplay.
21:41Ah,
21:42tem dia que eu não consigo ver
21:43o Gazeta Meio Dia de Casa
21:44porque eu estou em outro lugar
21:45mas eu quero ver.
21:46Eu vou no Globoplay.
21:48Então,
21:48isso também permite
21:49que a pessoa
21:51consuma aquilo
21:52que ela tem afinidade,
21:53aquilo que ela acredita
21:54e na plataforma
21:55e do jeito que ela acredita.
21:56Eu acho que essa grade
21:57que hoje existe
21:58ela vai continuar
21:59para a TV aberta.
22:00Assim,
22:01eu chutaria
22:01que eu acho que no Brasil
22:02a gente tem mais uns 20 anos
22:03de televisão aberta
22:04nesse modelo
22:05de grade
22:06do jeito que ela está.
22:07Eu não estou falando
22:08disso na minha cabeça,
22:08não.
22:08Estou falando disso
22:09de estudos
22:09que apontam
22:11infelizmente
22:12que nos países
22:13mais pobres
22:14e nos países
22:15em desenvolvimento,
22:16em países subdesenvolvidos,
22:18as populações
22:19mais carentes
22:20dependem
22:21da televisão aberta
22:22como fonte de informação
22:23e diversão
22:23porque ela é gratuita.
22:25Nos países
22:26mais desenvolvidos
22:27a televisão aberta
22:28já sofre muito
22:29e o streaming
22:30já passou
22:31a televisão aberta
22:32há muito tempo.
22:33Então,
22:33infelizmente,
22:34a gente ainda é um país
22:35muito pobre
22:36com a desigualdade
22:37muito gigante
22:38e que acaba
22:39tornando a televisão
22:40aberta
22:42um ponto de encontro
22:43da população
22:44que não tem condição
22:45de se informar
22:46pagando
22:47ou de se entreter
22:49pagando.
22:50Então,
22:50ela usa a televisão
22:51aberta.
22:51E a gente fez
22:52essa mesma pergunta
22:53para os capixabas
22:54e eles retornaram
22:55com opiniões
22:56e perguntas.
22:57Vamos conferir?
22:58Vamos.
22:59E a minha pergunta
23:00é como que a IA
23:01pode interferir
23:02no futuro
23:03da televisão brasileira?
23:04E o que eu queria saber
23:06sobre o futuro
23:06da televisão
23:07é se vai ser tudo
23:09para o IA.
23:11O que que se pensa
23:14com o advento
23:16da IA
23:16que pode mudar
23:18na TV?
23:19Principalmente
23:20a TV aberta, né?
23:21O que eu gostaria
23:22de saber agora
23:23com a TV 3.0
23:24cada vez mais
23:26integrada
23:26e o digital
23:27quais as oportunidades
23:28que você vê
23:29tanto para o comercial
23:30quanto para o jornalismo?
23:31Eu queria saber
23:32como que está
23:33o jornalismo
23:33no futuro
23:34como que estão
23:35as nossas responsabilidades
23:36como que está
23:37a forma
23:37que a gente está fazendo
23:39se a busca
23:40por credibilidade
23:41por apurar
23:42uma informação
23:43isso continua.
23:45A pergunta é
23:45se a gente ainda
23:46vai ter essa questão
23:47do aprofundamento
23:49da investigação
23:50do interesse mesmo
23:51de desbravar
23:52a verdade dos fatos
23:53ou se a gente
23:53vai transformar
23:54numa grande superficialidade
23:55de demonstrar
23:56apenas um lado
23:57ou um interesse
23:58ou apenas
23:59sob uma perspectiva
24:01que seja mais interessante
24:02para o telespectador.
24:03Então essa é a minha pergunta.
24:04A minha curiosidade
24:05é sobre como vai ser
24:07a TV futuramente
24:08e se as pessoas
24:08ainda vão ter tempo
24:10para a TV
24:11porque andam tanto
24:12com o telefone na mão
24:14conectados à internet
24:16se elas vão ter
24:17esse tempo
24:17de parar
24:18e assistir a TV
24:20e ter mais curiosidade
24:21sobre o dia a dia.
24:22No futuro
24:22acho que a gente
24:23não vai precisar mais
24:24de controle remoto
24:24com a televisão.
24:25Poderia ter
24:26piscado de olho
24:27ou celular
24:28alguma coisa assim.
24:30É que eu acredito
24:31que vai acontecer.
24:33Deixa eu começar
24:34por uma que me chama
24:35muita atenção.
24:35A pergunta
24:36eu não consegui
24:36infelizmente ver
24:37o nome da pessoa
24:38que fez.
24:38A IA vai substituir
24:40tudo na televisão.
24:41Não.
24:42Não.
24:42Eu não acredito nisso.
24:45um apresentador
24:45de telejornal
24:46tem que ser ser humano
24:47de carne e osso.
24:47Não pode ser um avatar.
24:49Porque senão
24:49perde a essência
24:50do jornalismo
24:51que é a conexão humana.
24:52O jornalismo
24:53precisa conectar pessoas.
24:55Se você bota
24:56um avatar
24:56para apresentar um jornal
24:58aí não é mais jornalismo.
25:00Aí perdeu.
25:01Você pode usar
25:01isso em outra coisa.
25:02Em filme.
25:03Talvez em entretenimento.
25:05No jornalismo não.
25:06Eu não consigo conceber
25:08e não consigo acreditar
25:09que o jornalismo
25:10vá para esse caminho.
25:11Um avatar
25:12apresenta jornal.
25:13Não.
25:13O jornal tem que ser
25:14apresentado por um ser humano.
25:16Ah, mas o avatar
25:17bem criado
25:18o avatar
25:19pode ser
25:22pode dar uma opinião
25:23com a opinião
25:24de uma pessoa.
25:24Não.
25:25Tem que ser uma pessoa
25:25que tem que fazer isso.
25:26Tem que ser uma pessoa.
25:27Eu acho que essa é uma atividade
25:28exclusivamente humana.
25:29A IA não pode substituir.
25:31Não deve substituir.
25:32E eu também peço a Deus
25:33que eu não esteja nesse mundo
25:34se um dia um avatar
25:35apresentar um jornal
25:36da TV Gazeta.
25:38Está bem longe daqui.
25:39E aí eu emendo
25:40uma outra pergunta
25:41que falou sobre
25:42se vai ter tempo
25:44para a televisão.
25:44Eu acho que a televisão
25:45sempre foi por muito tempo
25:47o ponto de encontro
25:48de pessoas
25:48dentro de uma casa,
25:49dentro de algum lugar.
25:50A televisão tem essa função
25:52no Brasil
25:53de aproximar as famílias.
25:55E o celular
25:57acabou afastando
25:58um pouco.
25:59Só que eu acho
26:00que naturalmente
26:01a gente vai atingir
26:03um pico
26:03de solidão
26:04em que
26:06essa reconexão
26:07vai ser importante.
26:08não por causa
26:08do jornalismo não,
26:09porque nós seres humanos
26:11somos seres sociáveis.
26:14Os índices
26:16médicos
26:17que a gente olha
26:17nunca estiveram
26:19tão altos
26:19como agora
26:20de depressão,
26:21de transtornos
26:22de ansiedade,
26:24de síndrome,
26:24de todos os tipos
26:25que você pensar.
26:26E eu acho que naturalmente
26:27em algum momento
26:28a gente vai,
26:29essa curva
26:30que hoje ainda está
26:31em ascendência
26:32vai chegar
26:33num platô lá
26:34e a gente vai voltar
26:35a um nível de equilíbrio
26:37porque somos seres sociáveis.
26:39A gente depende
26:39de interação.
26:40A gente não é robô.
26:41O robô é uma coisa,
26:42a gente é outra.
26:44Então eu não acredito
26:46que a gente vá
26:48deixar de ver televisão.
26:49Eu acho que
26:50pode não ver aqui
26:51como se nós fôssemos
26:52uma família,
26:53mas talvez
26:54aquele cidadão
26:55vai consumir
26:55de algum outro jeito
26:56a televisão.
26:56Em vídeos curtos,
26:58vai consumir
26:59em formatos
27:00que a gente tem
27:00que desenvolver ainda,
27:04mas que vai continuar
27:05sendo vídeo.
27:06Televisão é imagem.
27:07Televisão,
27:08se você pensar,
27:10aí eu diria
27:10o audiovisual,
27:11é o único
27:12que consegue
27:13atingir os três
27:14sentidos da pessoa.
27:16A televisão tem
27:17a imagem
27:17que consegue
27:18atingir um sentido,
27:20ela tem o som
27:21que consegue
27:22atingir o outro sentido
27:23e ela tem
27:24o terceiro
27:25que é quando você
27:26vê aquilo,
27:27você gera ainda
27:28na cognição da pessoa
27:29arrepiei com aquilo ali,
27:30poxa,
27:31aquilo me emocionou.
27:31Então você consegue
27:33despertar três
27:34sentidos humanos.
27:35O rádio não consegue
27:36fazer isso,
27:37o impresso não consegue
27:38fazer isso,
27:38o digital não consegue,
27:39o audiovisual
27:40consegue fazer isso.
27:41Então eu acho que
27:42esse é um diferencial
27:42do audiovisual
27:43de conectar as pessoas.
27:44Eu acho que
27:45pode não ser na televisão,
27:46acho que não vai ser
27:47na televisão,
27:47mas aquele cidadão
27:48vai ver um vídeo curto
27:49em algum outro lugar.
27:51Teve um que perguntou,
27:52a última pergunta ali
27:53foi sobre
27:53quando a gente
27:54piscasse o olho.
27:56Ah, isso já existe.
27:57Isso já existe.
27:58Já existe?
27:59Já tem televisão,
28:02no nosso próprio telefone,
28:04eu não vou fazer propaganda
28:05de telefone,
28:06mas tem telefone
28:07que você consegue já
28:09com piscar de olhos
28:10mudar a tela,
28:11com piscar de olhos
28:12ativar.
28:13O sistema iOS
28:15já permite isso
28:16em várias coisas.
28:17Você acredita
28:18que isso vai ser transferido,
28:19por exemplo,
28:19para a TV?
28:21Acredito,
28:21porque você não pode mudar
28:22o canal piscando um olho
28:24ou dando
28:25um determinado comando.
28:26Então, por exemplo,
28:26abre a mão,
28:27você muda o canal,
28:28faz um determinado movimento,
28:31você muda o som.
28:32Isso na própria câmera
28:33do sistema iOS
28:34de fotografia,
28:34você já consegue fazer.
28:35Se você bota
28:36a máquina longe,
28:37você faz um comando,
28:39não sei se você piscar o olho,
28:39mas você faz algum tipo
28:40de comando
28:41e ela tira a foto.
28:42Isso já acontece no celular.
28:43Então, na televisão,
28:44claro que vai substituir
28:46o controle remoto.
28:47Acho que vai ter comando
28:48que, sei lá,
28:49a gente faz assim,
28:49o som aumenta.
28:50Isso é fácil,
28:51a tecnologia já está aí.
28:52Então, acho que ele está certo.
28:54É um piscar de olho mesmo
28:56para mudar um canal.
28:57Sim, eu gostei muito
28:58que todos têm
29:00essa visão
29:00de que a televisão
29:02ela não é o aparelho,
29:03é a forma
29:04de fazer televisão.
29:05Você acha que a TV Gazeta
29:07ela conseguiu
29:08introduzir isso
29:09para os capixabas
29:10nos últimos anos?
29:12Eu acho que a gente
29:13não teria chegado
29:14a 50 anos
29:15se não tivesse conseguido
29:16estabelecer
29:17essa conexão
29:18com os capixabas.
29:20No Brasil,
29:20são poucas as empresas
29:21que chegam
29:22a 50 anos,
29:24pouquíssimas ainda
29:24chegam a 100.
29:25Daqui a dois anos
29:26a rede está completando
29:27100 anos.
29:27Não é fácil
29:28por uma série de coisas.
29:29Aí, se a gente começar
29:30a falar delas,
29:30a gente vai ficar aqui
29:31a tarde inteira
29:32falando sobre
29:33de impostos
29:35ao sistema financeiro.
29:37Uma empresa chegar
29:38a 50 anos
29:39é difícil.
29:40E uma empresa
29:40que depende exclusivamente
29:42do intelectual humano,
29:43qual que é o nosso capital?
29:46É intelectual,
29:47totalmente.
29:48O que a gente fabrica?
29:49A gente fabrica conhecimento.
29:51Então,
29:52para chegar aos 50 anos
29:54fabricando conhecimento,
29:55a gente tem que ter criado
29:57uma teia muito forte
29:58com a sociedade.
30:00A credibilidade
30:01que a gente conquistou
30:03e que eu acho
30:04que vai continuar
30:05sendo o diferencial
30:06do futuro,
30:08ela foi conquistada
30:09lá atrás,
30:10vem sendo conquistada
30:11dia a dia
30:11porque credibilidade
30:13é uma coisa
30:13que você constrói
30:14no dia a dia
30:14e vai continuar
30:15sendo conquistada.
30:16então eu respondendo
30:17a sua pergunta,
30:18acho que sim,
30:19a gente não chegaria
30:20aos 50 anos,
30:22a gente não estava,
30:23não comemoraria
30:24os cinquentenários
30:24se não tivesse
30:25essa relação
30:26muito bem
30:28reconhecida
30:28pelo público
30:29porque eu acho
30:30que isso não é algo
30:30que tem que vir da gente,
30:32isso é reconhecimento,
30:33é o público
30:34que diz
30:34se a gente conseguiu
30:36ou não fazer aquilo,
30:37a gente está prestando
30:37um serviço,
30:38ele é que vai dar
30:39a nota final.
30:39E tem uma pergunta aqui
30:41que eu vou mudar
30:41só um pouquinho
30:42a estrutura,
30:44é que se você
30:45tivesse que definir
30:46os seus últimos anos
30:48na TV Gazeta
30:49em uma palavra,
30:50qual seria?
30:52É difícil,
30:53né?
30:53Porque assim,
30:56e é uma pergunta
30:57que eu sou uma pessoa
30:58meio dura,
31:02naturalmente,
31:03assim,
31:03às vezes eu assisto
31:04muitos VTs
31:05que me chamam
31:05VTs emocionantes,
31:06eu não sou uma pessoa
31:07de me emocionar,
31:08mas ao falar
31:09da TV Gazeta,
31:10ao falar da minha história
31:11aqui,
31:12eu não consigo
31:14definir uma palavra
31:15porque ela faz
31:16parte da minha vida,
31:17eu entrei aqui
31:18com 17 anos
31:19e hoje tenho 44
31:21e aqui me forjei
31:23como jornalista
31:23e acredito muito
31:25nesse jornalismo
31:26que a gente faz
31:26e às vezes
31:29escuto assim,
31:29poxa,
31:30mas você acredita mesmo,
31:31parece até utopia,
31:32acredito muito,
31:33mas muito,
31:34muito,
31:34muito,
31:36então é difícil
31:37definir uma palavra,
31:38é difícil,
31:42mas não sei,
31:43eu acho que vou ficar
31:43te devendo essa palavra
31:45porque representa
31:45muito para mim,
31:47do ponto de vista
31:48pessoal,
31:49do ponto de vista
31:50profissional,
31:51aqui tudo se mistura
31:54na minha cabeça,
31:55aqui eu cresci
31:57profissionalmente,
31:58aqui eu casei,
31:59aqui eu tive
32:00meus filhos,
32:02então é tudo
32:03uma coisa muito
32:04entrelaçada,
32:05então,
32:06para eu resumir,
32:07representa vida,
32:08talvez é a palavra
32:10que eu posso dizer,
32:11representa vida,
32:12porque a minha vida
32:14faz parte disso aqui,
32:16se a TV Gazeta
32:16tem 50,
32:17eu tenho 25,
32:18metade disso,
32:19então é vida,
32:21assim,
32:21definiria como vida,
32:24não sei se representa
32:25tudo que eu sinto não,
32:27tá,
32:27eu acho que ainda
32:27não consigo definir
32:30essa palavra,
32:32mas é algo muito
32:33forte para mim,
32:34é algo muito,
32:35a defesa do jornalismo
32:36é algo muito forte,
32:37as minhas convicções
32:38em relação ao jornalismo
32:40são muito fortes,
32:41eu não acredito
32:42que o jornalismo
32:43vai acabar,
32:44não acredito que
32:44televisão,
32:45rádio,
32:46nada disso vai acabar,
32:47não acredito que
32:48nenhuma sociedade
32:48no mundo vive
32:49sem jornalismo,
32:50nenhuma sociedade
32:51democrática
32:52vive sem jornalismo,
32:54não tenho medo de,
32:55ah,
32:55o jornalismo está sendo
32:56atacado,
32:57está sendo criticado,
32:58está sendo,
32:59como é que a gente
32:59resolve isso?
33:00Vamos fazer mais jornalismo,
33:01por que a gente
33:02está sendo atacado?
33:03Faz mais jornalismo,
33:04vamos fazer jornalismo,
33:04vamos fazer jornalismo
33:06como a gente aprendeu,
33:07jornalismo não é para
33:07dar opinião,
33:08não é para enriquecer,
33:11jornalismo é missão
33:12de vida,
33:12igual médico,
33:13e se você não acredita
33:14nisso,
33:15sai,
33:16vai embora,
33:16se você quer enriquecer,
33:17pula fora,
33:18ou vira herdeiro,
33:19ou não dá,
33:21então é muito,
33:23é muito visceral
33:24para mim falar
33:25sobre jornalismo,
33:26então,
33:28minha relação assim com,
33:29e aí minha relação
33:30com a Gazeta também
33:31é muito forte,
33:31mas com o jornalismo
33:33é um,
33:34eu não posso falar assim
33:35o que representa um filho,
33:36porque meus dois filhos
33:38são,
33:39assim,
33:40mas é nesse nível
33:41de comparação,
33:42sabe,
33:42a minha relação com a Gazeta
33:43e com o jornalismo,
33:45é uma coisa muito siamesa,
33:47uma coisa muito,
33:48se você me perguntar assim,
33:49se você se vê fora
33:50da TV Gazeta hoje,
33:50não,
33:51não me vejo,
33:52ah,
33:52mas se você sair,
33:53eu vou fazer outra coisa,
33:53claro,
33:54vou me virar,
33:54mas não consigo me ver
33:56porque eu acredito
33:57que é aqui
33:58que eu consigo
34:01praticar tudo aquilo
34:02que eu acredito
34:03sobre o bom jornalismo
34:04e sobre o jornalismo
34:05profissional,
34:06então,
34:07é uma relação muito,
34:09muito,
34:11siamesa mesmo,
34:11um negócio muito,
34:13e Bruno,
34:14a conversa está incrível,
34:15mas o nosso tempo,
34:17infelizmente,
34:18já chegou ao fim,
34:19mas antes disso,
34:20queria fazer uma pergunta,
34:22afinal,
34:23eu e a Ana Lua,
34:24a gente está começando,
34:25né,
34:25no jornalismo,
34:26eu queria que você desse
34:27uma dica,
34:28tanto para quem está assistindo
34:29e quem está começando
34:30com o jornalismo,
34:32para o que vai ser
34:32os próximos 50 anos,
34:34o que a gente vai precisar
34:35para estar no jornalismo
34:36nos próximos 50 anos.
34:38Gostem de gente,
34:40vocês têm que gostar
34:40muito de gente
34:41e gostar com vontade
34:42de gostar.
34:44Gostem de conversar,
34:45mas especialmente de ouvir,
34:48ouvir, ouvir, ouvir.
34:49Não tenham preconceito
34:52com opiniões diferentes
34:55das de vocês.
34:57Quando forem mostrar um caso
34:59ou outro,
35:00tenha a mesma vontade
35:02de ouvir o outro lado
35:04com aquela vontade
35:06que você está de denunciar.
35:08Você vai mostrar o buraco,
35:10ouve o secretário
35:11de obras
35:13com vontade
35:14de ouvir.
35:16A gente não é juiz,
35:17a gente não é procurador,
35:18a gente não é polícia,
35:21a gente tem que perguntar.
35:22Então,
35:24ouve com vontade,
35:26sabe?
35:26Vai lá com vontade
35:27de ouvir.
35:30O que aquela pessoa
35:30tem a dizer
35:31sobre aquele buraco?
35:32Vá respeitoso.
35:34jornalismo não tem espaço
35:35para deboche,
35:36jornalismo não tem espaço
35:37para opinião,
35:41jornalismo não tem espaço
35:42para falta de humildade.
35:45A gente não sabe nada,
35:46jornalista não sabe nada.
35:48A gente tem que buscar
35:49informação,
35:50pergunte sem vergonha
35:51dos olhares ao redor.
35:53Se você não entender,
35:54pergunta uma vez,
35:55pergunta duas.
35:56Deixa que te olhem,
35:57não tenha vergonha
35:58de perguntar,
35:59o seu objetivo
35:59é levar aquela informação
36:01para quem está em casa.
36:02Se você não entender,
36:03eu pergunte dez vezes.
36:04E é por isso, Bruno,
36:05que a gente agradece
36:06imensamente,
36:07não só a sua colaboração
36:08nesse videocast,
36:09mas na construção
36:11da TV Gazeta
36:13e que você participou.
36:14E participa com muito orgulho,
36:17dá para ver.
36:18Obrigado,
36:19fico feliz.
36:20Parabéns pela entrevista,
36:21vocês foram dois
36:23entrevistadores gentis,
36:25simpáticos,
36:27que tiveram empatia
36:28nas perguntas
36:29e que isso é muito bom também.
36:32Sabiam o que queriam perguntar,
36:33então parabéns para vocês
36:35pela condição,
36:36foi um papo agradável.
36:38A borboleta fica tremendo
36:40na minha barriga,
36:41a palavra às vezes não sai,
36:43mas eu fiquei feliz
36:44de estar com vocês,
36:44vocês...
36:45E aí eu volto lá no início.
36:47E isso faz também
36:48o entrevistado
36:49se sentir mais à vontade,
36:51porque a gente está pessoalmente...
36:52Imagina essa entrevista
36:53por vídeo.
36:54Eu estou aqui vendo vocês,
36:56e aí eu vou sentindo
36:57mais à vontade,
36:58eu vou falando mais,
37:00e vocês conseguem ver
37:01minhas expressões,
37:02minha emoção,
37:03então parabéns para vocês
37:05também pela condição.
37:06Muito obrigado, Bruno,
37:08muito obrigado a você,
37:09telespectador,
37:10que nos acompanhou
37:11em mais uma temporada
37:12do Papo Residência,
37:13e parabéns para a TV Gazeta
37:15pelos seus 50 anos.
37:17A gente se vê em você!
37:18e aí
37:26e aí
37:29e aí
37:32e aí
37:34e aí
37:37Legenda Adriana Zanotto