00:00A estátua da feiticeira, que possuía 3,5 metros de altura e ficava localizada na praia do Itararé, em São
00:06Vicente,
00:07foi incendiada no final da tarde do dia 30 de setembro de 2026, deixando moradores e turistas tristes com a
00:15situação.
00:16Foi um ato fora do comum, né?
00:20Porque a gente pergunta para si mesmo o que a pessoa ganha fazendo um ato desse, né?
00:24A cidade toda perde, o turismo perde.
00:27No dia que atearam fogo, eu estava aqui na praia, né? E foi tudo muito rápido.
00:32Aí fiquei comovido com a história, com o fato de ter ateado fogo na estátua, porque era um ponto turístico
00:40e muita gente vinha tirar foto, gostava.
00:42A prefeitura da cidade já trabalha as formas de trazer novamente a estrutura, em homenagem além da urbana da cidade
00:49ao local.
00:50Estamos fazendo estudos de material até o momento.
00:53Eu falei ainda essa semana com o Chico, que é esse escultor, e aí ele falou que está fazendo esse
00:58estudo para passar para a gente o mais rápido possível.
01:00Mas a fibra de vidro ainda é um material muito viável, apesar do que aconteceu, né? De ser inflamável, mas
01:07ainda assim é um material mais viável.
01:09O presidente do Instituto Histórico e Geográfico de São Vicente, Paulo Costa, explica sobre a lenda de uma história de
01:15amor que teve o final trágico.
01:17Ela se chamava Maria das Mercês. Ela vinha de uma família de pessoas que praticavam o ocultismo, que naquela época
01:24era considerada bruxaria.
01:27Normalmente, ela ficava na pedra, onde hoje é conhecida a pedra da feiticeira, e ali ela fazia os seus rituais.
01:35Por isso que ela ficou conhecida como feiticeira.
01:40Nesse processo todo, existem algumas teorias que dizem que a pedra se abria e ela colocava dentro da pedra, sequestrando
01:48as pessoas.
01:49Existe uma outra teoria que dizia que ela apenas fazia os seus feitiços ali em cima da pedra.
01:54E tem uma área da pedra, inclusive, que chama-se cama da feiticeira.
01:59Supostamente, ela dormia ali.
02:01Como é que a lenda começou a ganhar essa proporção toda que nós temos hoje?
02:06Verdadeiramente, ela conheceu um marinheiro português.
02:10Apaixonou-se por esse marinheiro português.
02:14Engravidou-o deste marinheiro português, que prometeu voltar.
02:18E ela passou boa parte da sua vida, ou do restante da vida, após ter perdido a criança, a criança
02:24foi abortou,
02:26ela passou parte da sua vida naquela pedra.
02:28Em cima da pedra, além de continuar fazendo os seus trabalhos místicos, esperando que o seu grande amor retornasse.
02:37E isso durou anos e anos, porque esta lenda é de entre 1750 e 1800.
02:44Portanto, faz muito tempo que isso aconteceu.
02:47Verdadeiramente, o marinheiro português nunca mais voltou.
02:51Mas um belo dia, dizem as pessoas, que ela ouviu um chamado do mar, porque ela ficava esperando que o
02:57marinheiro voltasse para buscá-la,
03:00e que era o grande amor da sua vida.
03:03Um belo dia, ela ouviu um chamado do mar, como se realmente o marinheiro português estivesse a chamando.
03:09Foi quando, então, ela entrou no mar, nadando, desesperada, para chegar num navio que ela julgava.
03:16Alguém acenava e chamava o nome dela, Maria das Mercês, e ela desapareceu.
03:23Aí dizem assim as lendas, mas um cadáver não apareceria?
03:26Não, não apareceu.
03:28A população daquela época, então, passou a crer com muito mais intensidade,
03:33que de fato ela era uma bruxa ou uma feiticeira.
03:37Criada há 10 anos por Francisco Teles, feita de resina e fibra de vidro,
03:43a estátua da feiticeira é cercada de histórias e muitos mistérios.
03:47Há quem diga que a lenda que conhecemos, não seria a história verdadeira.
03:52Em 60, eu perguntei para o meu avô, falei, avô, por que chama a Pedra da Feiticeira?
04:00Aí ele falou para mim assim, ó, meu neto, a Pedra da Feiticeira, se chama há muito tempo,
04:07vem esse feitiço aí, esse nome da Pedra da Feiticeira,
04:13e só foram descobrir agora, em 60, né?
04:19Foram descobrir a causa, o que que acontecia, né?
04:24Por quê? E o porquê?
04:27As pessoas entravam no meio das duas pedras, com o mar revolto,
04:32e desapareciam, sumiam, morriam afogadas.
04:36E sumiam.
04:39E nessas vezes, né, meu avô me narrando que tinha uma mulher se afogando,
04:48ali no meio das duas pedras, e foram chamar o bombeiro lá no posto 1, ali no Zé Menino.
04:54E ele veio, ele veio, e era o melhor bombeiro, o melhor nadador do bombeiro ali.
05:03E ele entrou na água, com o mar revolto, com correntezas, né?
05:09E sumiu também, sumiu também.
05:14E todo mundo ficou apavorado, né?
05:16Caramba, o cara é bom nadador, e o caramba, como é que ele vai sumir?
05:19No dia seguinte, o mar amansou assim, que nem está aqui.
05:25E os bombeiros vieram de lá, os amigos dele, vieram de lá, do posto,
05:30e mergulharam ali, no meio das duas pedras.
05:34E qual foi o que eles descobriram?
05:39Descobriram o quê?
05:40Embaixo da pedra, né, há uma abertura,
05:44onde entra um corpo dentro, embaixo da pedra,
05:49e pelo lado da pedra, esse lado daqui que você está vendo,
05:57tem uma fissura onde não passa um corpo, né?
06:02E as pessoas que caíam ali, elas, que morriam afogadas,
06:09elas eram sugadas ali para baixo da pedra,
06:12por isso que elas não apareciam, as vítimas não apareciam.
06:16Então ela ficava presa ali embaixo das pedras.
06:18Independente da versão desta lenda urbana em que você acredite,
06:22o que todos gostariam de ver é que esse espaço,
06:25que já atraiu tanto os turistas como o ponto turístico,
06:28volte a ser destaque por boas notícias.