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Os colunistas de Política de A Gazeta, Letícia Gonçalves e Vitor Vogas, e a jornalista Fernanda Queiroz, âncora da rádio, analisaram a formação da equipe de transição do governador eleito Lorenzo Pazolini (Republicanos), que inclui ex-secretários municipais da Prefeitura de Vitória, assim como os desafios que o gestor vai enfrentar na Assembleia Legislativa capixaba e na articulação com o governo federal.
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NotíciasTranscrição
00:00Vitor Vogas, Letícia Gonçalves, um bom dia pra vocês. A gente fecha o ciclo de eleições com esse último papo
00:05de eleição.
00:06Já tô até com saudade de vocês.
00:08Ah, Fernanda, mas bom dia, primeiramente. Bom dia, Fernanda, bom dia a todos que nos acompanham.
00:12Mas nós continuaremos separadamente aqui, né? Eu, às terças-feiras, o Vitor, às sextas-feiras.
00:18Só acaba o papo de eleições às quintas-feiras porque acabou a eleição, né?
00:21É, quando a gente se preparar pra próxima, né?
00:24É, acabou a atual eleição, mas já tá começando. Pros políticos já começou a próxima.
00:27Que serão as eleições municipais de dois mil e vinte e oito.
00:31Fernanda, bom dia pra você, bom dia, Letícia. Bom dia a todo o nosso público, principalmente os nossos ouvintes, pela
00:37Rádio CBN Vitória.
00:39Fernanda, chegamos ao fim da linha, né? Ao fim dessa maratona eleitoral que acompanhamos, que corremos juntos aqui de mãos
00:47dadas.
00:48Nós três, com os nossos ouvintes. E eu perdi as contas. Acho que este deve ser o décimo episódio do
00:55nosso quadro,
00:56que é o longo dessa série. Tá por aí, né? Só da Alberto.
00:58Só que o processo, é claro, a maratona eleitoral teve até mais semanas, não foram só dez.
01:03Nosso quadro aqui falhou, entre aspas, não foi realizado em algumas dessas semanas.
01:07Em função de sabatinas, debates, de todo modo, cobertura eleitoral.
01:11E aí a gente, com o resultado nas urnas, a Letícia já esteve até comigo aqui na última terça.
01:16A gente falou, né? Do que o eleitor Capixaba entregou e até o eleitor do Brasil, de um modo geral,
01:22né?
01:22Apresentou nas urnas o desejo deles das urnas no último domingo.
01:27Daqui pra frente, gente, vamos começar fazendo um pouquinho da análise aí do governo Pasolini,
01:31já a partir da primeira semana de janeiro?
01:33É, Fernanda. O governo Pasolini ainda não começou na prática, porque ele vai tomar posse apenas no dia 6 de
01:39janeiro,
01:40assim como todos os governadores.
01:41Tem essa observação da gente, o dia, a data da posse mudou no Brasil.
01:45Antes, todo mundo, governador eleito e presidente eleito, tomava posse no dia 1º de janeiro.
01:50Era, inclusive, muito ruim para a imprensa, porque a gente não tinha...
01:53O que é muito bom, inclusive, para nós.
01:54O nosso réveillon, né?
01:55A cada dois anos, nós não podíamos curtir adequadamente o réveillon.
02:00Aí, agora, a posse de presidente passou para o dia 5 de janeiro e a posse dos governadores no dia
02:056 de janeiro.
02:07Então, o Pasolini só vai tomar posse, efetivamente, no ano que vem,
02:10mas as articulações para a montagem de governo, inclusive a transição de um governo para o outro,
02:14começa desde já.
02:16O Pasolini, inclusive, já anunciou alguns nomes da equipe de transição
02:19e, claro, já começaram também as especulações sobre quem vai compor o governo,
02:24quem vai ser secretário estadual na gestão Pasolini.
02:27Os próprios nomes, na via de regra, os nomes que compõem a equipe de transição,
02:31um ou outro ali sempre acaba emplacando também como secretário em alguma pasta.
02:36Então, a gente já tem alguns sinais.
02:39Até óbvios, por exemplo, o Eric Musso, que é o presidente estadual do Republicanos,
02:44é o braço direito do Pasolini, é o principal articulador político dele.
02:48Eu até publiquei recentemente uma coluna em a Gazeta,
02:50elencando ali quem ganhou junto com o Pasolini, né?
02:53A partir da vitória eleitoral do Pasolini.
02:55E um dos ganhadores sócios ali da vitória do Pasolini é o próprio Eric Musso.
03:00O Eric Musso foi anunciado pelo Pasolini como membro da equipe de transição,
03:05e acredito que a gente pode apostar que o Eric vai participar, sim,
03:10do governo Pasolini como secretário.
03:12Deixa eu só fazer um parêntese aqui.
03:13O anúncio feito, inclusive, aqui, em primeira mão.
03:15Sim, é verdade, na entrevista concedida por Pasolini aqui a você, né, Fernando?
03:19Aliás, a parabenizo, foi uma excelente entrevista.
03:22Acho que a primeira grande entrevista que ele deu aqui, com exclusividade,
03:26e de fato deu em primeira mão essa notícia,
03:29confirmando aquilo que já sabíamos,
03:30que até já havíamos anunciado a participação com destaque,
03:33com protagonismo de Eric Musso na equipe de transição de Pasolini,
03:36como coordenador dessa equipe.
03:38Eu não me lembro se eu cheguei a dizer aqui,
03:40se chegamos a profetizar, a fazer essa profecia,
03:43mas com certeza eu mencionei logo no final,
03:46logo depois que saiu a confirmação da vitória eleitoral de Pasolini,
03:49na nossa super live, de domingo à noite,
03:51que o Eric era pule de 10.
03:54Ele era pule de 10,
03:56devido à enorme importância, né, Letícia,
03:59que ele teve nessa campanha vitoriosa de Pasolini,
04:02como articulador político, e só um...
04:04Que proximidade.
04:05Sim, sim, e só para fechar, para amarrar,
04:07sobre Eric Musso,
04:08ele sai desse processo, de fato, concordo com a Letícia,
04:11como um dos grandes vitoriosos,
04:13como articulador político,
04:15não só pela vitória de Pasolini,
04:16em que ele teve protagonismo,
04:18mas também por ter tido uma participação muito importante
04:20na vitória de Evair de Mello,
04:23como candidato ao Senado,
04:25também pelo Republicanos,
04:27partido comandado aqui no Estado pelo Eric Musso.
04:30Porém, olha só, paradoxalmente,
04:31Eric só não conseguiu sucesso, sabe como?
04:33Como candidato.
04:33Ele foi candidato a deputado federal
04:35e não conseguiu se eleger,
04:37está sem emprego, entre aspas, sem mandato,
04:39e também por isso é pule de 10 para ser, né, Letícia,
04:42não só coordenador da equipe de transição de Pasolini,
04:44mas muito provavelmente futuro chefe da Casa Civil,
04:47no governo Pasolini, essa é a aposta.
04:49E o Eric Musso já foi secretário de governo
04:53na Prefeitura de Vitória,
04:54durante a gestão Pasolini,
04:55e também, não seria demais também especular
04:58que outros integrantes ou ex-integrantes
05:00da gestão municipal em Vitória
05:02possam vir a fazer parte do secretariado estadual do Pasolini.
05:06Outro exemplo aqui, por falar em equipe de transição,
05:09é o Regis Mato, secretário da Fazenda de Vitória,
05:11ele também já foi anunciado como mais um membro
05:14da equipe de transição do Pasolini,
05:16então, isso aí aumenta um pouco a especulação também
05:19sobre a eventual participação dele no secretariado
05:22a partir do ano que vem, Fernanda.
05:24É, só o Regis, né, o Eric Musso,
05:27são nomes certos, já estão na equipe de transição
05:29e muito provavelmente estarão no secretariado de Pasolini,
05:34no início do próximo governo, Letícia e Fernanda.
05:37Agora eu faço aqui também uma conjectura
05:40sobre um outro nome muito importante,
05:42eu diria, praticamente, se não tão importante
05:44quanto o Eric Musso, ali, em pé de igualdade,
05:49muito próximo à importância, quase tão importante
05:53quanto Eric Musso na vitória de Pasolini,
05:56que é o advogado Rafael Teixeira de Freitas.
05:59Rafael, quem é esse advogado que eu estou destacando aqui?
06:03Rafael Teixeira de Freitas foi não só o principal advogado eleitoral
06:08da campanha de Pasolini e foi, assim, uma campanha que os advogados tiveram muito trabalho, né,
06:13uma intensa participação, uma guerra de liminares e ações jurídicas
06:16entre as campanhas, principalmente, de Pasolini e de Ricardo Ferraço.
06:19E Rafael se tornou, assim, ele se estabeleceu como um homem de confiança mesmo do Pasolini,
06:26para além das questões jurídicas, advocatícias.
06:29Para vocês terem uma ideia, Letícia, nossos ouvintes aqui não sabem disso,
06:35mas nós dois estávamos lá acompanhando os bastidores dos dois debates finais da TV Gazeta,
06:39tanto no primeiro como no segundo turno.
06:42No debate final do segundo turno, entre Pasolini e Ricardo Ferraço na semana passada,
06:49cada candidato só podia levar dois assessores para acompanhá-los no estúdio aqui da TV Gazeta,
06:53e os dois escolhidos por Pasolini foram Eric Musso e, justamente, Rafael Teixeira de Freitas, esse advogado.
07:01E no primeiro turno, no debate final do primeiro turno, isso chamou, assim,
07:04isso chamou ainda mais a atenção, porque aí só podia ficar um assessor.
07:07E o escolhido por Pasolini foi, justamente, o advogado, Rafael Teixeira de Freitas.
07:12Não foi um marqueteiro, um marqueteira, profissional de comunicação, não foi nem Eric Musso,
07:15ele escolheu Rafael Teixeira de Freitas, tamanha a proximidade, a confiança estabelecida entre os dois.
07:20Não sei se ele vai compor a equipe de transição ou o governo, se vier a compor o governo,
07:24seria um candidato aí, talvez, a PGE, né, Procurador-Geral do Estado.
07:28Porém, tem o seguinte, nos últimos anos e governos, o chefe da Procuradoria-Geral do Estado
07:32costuma ser alguém de carreira, um procurador de Estado, de carreira, e Rafael não é, não é o caso dele.
07:38Ele já foi, inclusive, Procurador-Geral da Assembleia Legislativa, durante a gestão, a presidência de Eric Musso,
07:44mas não é um procurador de carreira do Estado, então, a conferir.
07:49Fernanda, além desse próximo passo, que é o de montar a equipe do próprio governo, no Executivo,
07:55o Pasolini também vai ter que se relacionar com a Assembleia Legislativa,
08:00assim como todo governador precisa ter uma base, ao menos uma base mínima na Assembleia, por exemplo,
08:05para aprovar projetos, propostas que estejam de acordo com o programa do próprio governo.
08:11E o que acontece? A Assembleia Legislativa tem 30 deputados estaduais.
08:15Dos 30 deputados eleitos, apenas 8 foram eleitos por partidos que fizeram parte da coligação do Pasolini.
08:25Lembrando que a coligação do Pasolini também foi bastante enxuta, em comparação, por exemplo,
08:28com a coligação do adversário dele, o governador Ricardo Ferraço, do MDB.
08:32Na coligação do Pasolini, só havia 3 partidos.
08:34O Republicanos, que é o partido do próprio Pasolini, o Democrata, que é um partido de menor expressão,
08:40e o PL, do senador Magno Malta.
08:43E aí o PL elegeu 6 deputados estaduais e o Republicanos elegeu 2.
08:48Então, assim, pela letra fria da lei, o Pasolini tem ali 8 aliados eleitos
08:54no universo de 30 deputados estaduais eleitos.
08:57Mas, claro, não quer dizer que ele vai ficar nesse limite aí.
09:02Até porque tem um chamado magnetismo do poder, né?
09:05Depois que a pessoa toma posse, depois que ele estiver no exercício do cargo,
09:09naturalmente isso deve atrair mais apoios para ele.
09:12Mas ele também não pode ficar sentado esperando.
09:14Tem que fazer uma interlocução ali.
09:16Inclusive, acho que o Eric Musso vai ter um papel importante nisso.
09:20O Eric Musso já foi, inclusive, presidente da Assembleia Legislativa,
09:23conhece alguns dos deputados estaduais eleitos, principalmente os reeleitos.
09:28Então, vai ter que fazer um diálogo ali para atrair esses mais deputados estaduais para a base.
09:34Porque, numericamente, não é só para exemplificar aqui,
09:37para se aprovar um projeto de lei na Assembleia Legislativa,
09:40são necessários ao menos 16 votos.
09:43O Pasolini agora tem em tese apenas 8 aliados.
09:47No caso da maioria absoluta.
09:48É.
09:48Quando o quórum para aprovação, estou falando de projeto de lei apenas,
09:51tem outros tipos de projeto na Assembleia que precisam de um quórum maior.
09:54Mas, para projeto de lei, simplesmente, aí seriam 16.
09:58Então, o Pasolini vai precisar ampliar essa base.
10:01Ele falou isso também na entrevista de segunda-feira.
10:04Ele falou que ele já foi deputado, que ele tem...
10:08Essa experiência.
10:09Essa experiência de articulação.
10:11Mas tem um porém nessa composição aí da maioria dele.
10:16Porque, ao mesmo tempo que ele quer compor,
10:18ele disse que ele vai fiscalizar as emendas impositivas.
10:22Que é a rastreabilidade, não é?
10:24Que é a transparência e rastreabilidade.
10:26O que, diga-se de passagem, já consta.
10:28Consta lá no projeto de lei complementar,
10:30recém-aprovado na semana passada pela Assembleia Legislativa,
10:34para regulamentar como é que vai funcionar essa questão
10:37do pagamento da execução das emendas.
10:40Fernanda, completando aqui o comentário da Letícia,
10:42a gente está falando de governabilidade.
10:44Na verdade, aqui, de modo geral,
10:45a gente está falando dos primeiros grandes desafios políticos
10:47que Pasolini tem diante de si, uma vez eleito.
10:51A gente já falou, a gente começou destacando aqui
10:53a questão da montagem do secretariado,
10:56da equipe de governo, que é precedida pela equipe de transição,
10:59na qual ele já está trabalhando.
11:00E a questão da governabilidade.
11:02Para isso, ele precisa, em primeiro lugar,
11:04estabelecer uma boa relação com os prefeitos do Espírito Santo.
11:07E o que, pelo que eu falei, ele já está fazendo.
11:09Já começou a disparar telefonemas para prefeitos da Grande Vitória,
11:13ainda que muito rápida e superficialmente.
11:14Lembrando que a maioria dos prefeitos
11:16apoiou o adversário dele, o Ricardo Ferraz, nas eleições.
11:19A grande maioria, sim.
11:20Contando ou considerando só os maiores,
11:22mais populares municípios do Espírito Santo,
11:24o Pasolini teve o apoio da sucessora dele
11:26na Prefeitura de Vitória, Cris Amorini.
11:28E no segundo turno, só no segundo turno,
11:30o de Colatina, Renzo Vasconcelos.
11:32Agora, é diferente.
11:33Quando você fala da relação entre governador e prefeitos,
11:37não é tão equilibrado, tão equânime,
11:41uma vez que os prefeitos precisam muito mais do governador
11:43do que o contrário.
11:44Já no caso da Assembleia Legislativa,
11:47aí sim, o governo e o governador entrante
11:50dependerão muito dos deputados estaduais,
11:52da boa vontade, da benevolência,
11:54de uma boa relação política estabelecida
11:57com a Assembleia Legislativa.
11:59Isso o Pasolini ainda não tem,
12:01pelos motivos até matemáticos,
12:03já expostos pela Letícia,
12:04ele precisa construir.
12:05E um dado, uma informação interessante,
12:08ele também já começou a circular
12:09lá, desde ontem ou antes de ontem,
12:12para se reunir com os respectivos chefes
12:14das outras instituições estaduais.
12:16Esteve com o presidente do Tribunal de Contas,
12:18ontem mesmo, creio, esteve reunido com o presidente atual
12:21da Assembleia Legislativa,
12:22que é o Marcelo Santos.
12:23Porém, Marcelo vai para a Câmara dos Deputados,
12:25ele se elegeu, deputado federal,
12:26não será o próximo presidente.
12:28Sim.
12:28O que nos leva para concluir a outro ponto,
12:30que também precisaremos colocar no radar,
12:32que é a próxima eleição da mesa diretora da Assembleia.
12:35O Pasolini, com certeza, vai trabalhar,
12:37essencialmente, para emplacar um aliado
12:39na presidência da mesa.
12:40Isso é fundamental para as pretensões dele,
12:42para garantir justamente essa governabilidade,
12:45a pauta, para que os projetos...
12:47A eleição em fevereiro.
12:47A eleição da mesa diretora da Assembleia em fevereiro.
12:51Para que os projetos de interesse do governo dele
12:52sejam pautados, votados e aprovados.
12:56É isso, sim.
12:57Por ora, quem pode ser o próximo presidente?
13:00Se tivesse dado um resultado diferente,
13:02ou seja, se o atual governador Ricardo Ferraço
13:05tivesse sido reeleito,
13:06um nome certo, ou muito provável,
13:09seria o do Vandinho Leite.
13:10Uma grande aposta era a de Vandinho,
13:12que é aliado de Ricardo, um deputado experiente,
13:15mas como...
13:15Líder do governo Ricardo na Assembleia.
13:17Mas como deu Pasolini, a gente vai ter agora que,
13:20enfim, voltar à prancheta de desenho, né, Letícia?
13:25Pode continuar, Letícia.
13:26E agora a gente também tem que falar de um outro dado aí,
13:30olhando para frente, né?
13:32Eu digo assim, após o resultado da eleição,
13:34a gente já falou aqui, né, da construção da base na Assembleia Legislativa,
13:39a relação que o Pasolini deve ter com os prefeitos,
13:41agora tem uma outra questão também muito importante,
13:44que é a relação do governo do Estado,
13:46do governo Pasolini, a gente está falando aqui, né,
13:47do futuro governo Pasolini, com o governo federal.
13:50E com a bancada federal.
13:51E com a bancada federal também,
13:52porque o presidente Lula foi reeleito,
13:54mas o Pasolini apoiou o adversário dele,
13:57apoiou o Flávio Bolsonaro.
13:59Lembrando que no primeiro turno o Pasolini fez isso de uma forma mais discreta,
14:02embora já tivesse o apoio do Flávio e vice-versa.
14:05No segundo turno,
14:07houve quase uma simbiose aí entre o Pasolini e o Flávio durante a campanha.
14:12O Pasolini usou bastante a imagem do Flávio no segundo turno.
14:16Teve, inclusive, aquele grande ato bolsonarista na Orla de Cambori,
14:20num sábado em que o Pasolini...
14:24Em que o Pasolini desfilou no trio elétrico ali ao lado do Flávio.
14:28Então, ele se uniu bastante a imagem do candidato que acabou sendo derrotado.
14:33Foi no sábado anterior, mas assim, de todo modo,
14:35ali ele mostrou essa conexão, né, Letícia?
14:37Falou, olha, é a união da direita capixaba, 22 e 10.
14:41E agora, como é que o Pasolini vai fazer, né?
14:43Porque ele não precisa ser aliado político do Presidente da República,
14:48agora apoiar outros políticos também apoiados pelo Lula,
14:52mas uma relação institucional mínima é preciso ter,
14:56até para questões práticas, né?
14:58O governo federal envia recursos do Tesouro Nacional para os estados.
15:03Alguns repasses são obrigatórios, mas outros não.
15:05Nós também temos investimentos do governo federal aqui no Espírito Santo
15:09que precisam ser destravados.
15:11Para isso é preciso uma articulação do governo estadual com o governo federal.
15:16A bancada federal pode ajudar nisso,
15:18mas nem todos os integrantes da bancada federal também são, a priori,
15:21aliados políticos do Pasolini.
15:23Então, ele vai ter que fazer esse esforço.
15:25Acho que ele até já falou, né, Fernanda?
15:28Falando sobre a bancada, a próxima bancada na Câmara dos Deputados,
15:31o partido dele só elegeu um federal, que é o Coronel Ramalho.
15:33Exatamente.
15:34Tem também os do PL, né, que são aliados do Pasolini,
15:37Lucas Paulese, por exemplo, deputado estadual,
15:38foi eleito o deputado federal mais votado do Espírito Santo.
15:41Então, Pasolini tem ali alguns aliados, mas não todos.
15:44A bancada federal do Espírito Santo é composta por 10 pessoas.
15:47E aí, nesse caso, Fernanda, Letícia,
15:50completando o comentário aqui da colega,
15:52a gente frisou a Câmara dos Deputados, né,
15:55acabamos de destacar a bancada, a próxima bancada capixaba,
15:58de 10 deputados federais na Câmara.
16:01Mas temos que falar também do Senado,
16:02que eu acho que nesse caso é até mais importante e interessante,
16:04porque como é que vai ficar a bancada do Espírito Santo
16:08na próxima legislatura, a partir de 1º de fevereiro do ano que vem?
16:12Quais serão os nossos três senadores?
16:13Um deles é o que já está e continua lá,
16:15que é o senador Magno Malta, aliado de Pasolini,
16:17presidente estadual do PL,
16:19mas adversário do governo Lula,
16:21adversário visceral, oposição, assim, radical,
16:25ao governo Lula, que permanece.
16:27O próximo, que é um dos dois governadores eleitos,
16:31é o Evair de Melo, já citado aqui.
16:33O segundo senador, né, será o Evair,
16:35aliadíssimo de Pasolini,
16:36mas também adversário do governo Lula.
16:38E o terceiro, quem será?
16:40Renato Casagrande.
16:40O governador, aliás, ex-governador Renato Casagrande,
16:43que volta ao Senado.
16:44E ele, sim, desses três, é o único aliado,
16:47é o único que é aliado de Lula e do governo Lula.
16:50E daí, assim, é aí que a coisa fica bem interessante,
16:54porque como é que será essa relação,
16:56a partir do ano que vem,
16:57entre esses dois grandes adversários locais,
17:00o Pasolini, como governador,
17:02e o Casagrande, como senador.
17:04E aí, certamente, o Pasolini vai precisar do Casagrande
17:07para estabelecer essa ponte aí,
17:08direta com Brasília, né,
17:09uma boa relação institucional
17:12para obter esses recursos federais do governo
17:14que a Letícia já destacou.
17:15Aí eu perguntei, tanto eu como Letícia.
17:17Isso, entrevistamos o Casagrande,
17:19eu perguntei ao Casagrande justamente isso,
17:21como é que vai ser isso?
17:22Ele falou, olha, vou colocar meu mandato à disposição
17:25do Espírito Santo, ele subiu,
17:27do Espírito Santo,
17:28não só do governo do Estado,
17:30independentemente de quem for o próximo governador,
17:33mas ele frisou, não é o governo,
17:35não estou colocando à disposição de Pasolini,
17:38e sim do Espírito Santo,
17:39o que, é claro, inclui o próximo governo,
17:41desde que, e aí ele pôs, digamos, uma condição,
17:44falou, desde que o próximo governo
17:50não deixe de reconhecer as realizações
17:53da atual gestão, ou seja, do meu governo.
17:56E aí eu perguntei, mas o que é isso?
17:57O que o senhor quer dizer exatamente com isso?
17:58Ele disse, eles não podem agir,
18:01ou falar, ou tratar,
18:03como se o Espírito Santo
18:05tivesse sido descoberto no dia 6 de janeiro,
18:08que é o quê?
18:09A data da posse do Pasolini,
18:10como a Letícia aqui já trouxe.
18:11É, Fernanda, eu também entrevistei o Casagrande
18:14na segunda-feira já, no dia seguinte
18:16ao resultado da eleição,
18:17e ele me deu uma resposta bem similar
18:19a essa que ele deu ao Vitor,
18:20porque ele falou o seguinte,
18:21estarei inteiramente à disposição do Estado,
18:23independentemente de quem seja o governador,
18:25mas ele assaltou isso.
18:26Tenho a missão de defender o legado
18:28do nosso governo, assim como eu fiz
18:30de 2014 a 2018,
18:31quando eu estava sem mandato, fecha aspas.
18:33E o que aconteceu de 2014 a 2018?
18:35Era o governo Paulo Artung,
18:36e o Casagrande havia perdido a eleição de 2014 para ele.
18:39E o que acontecia?
18:40A gente aqui na imprensa,
18:41quem estava aqui trabalhando na redação,
18:43Paulo Artung fazia uma crítica lá,
18:45alguém do governo Paulo Artung fazia uma crítica
18:46ao governo Casagrande,
18:47Casagrande imediatamente ligava para cá
18:49para falar, não, quero rebater isso aí,
18:50quero dizer que não é bem assim.
18:52Então, imagino que ele vai fazer
18:54algo parecido agora,
18:55ainda que no exercício do mandato de senador,
18:58inclusive fortalecido pelo mandato,
19:00acho que se o Pasolini fizer críticas públicas
19:03ao governo Casagrande,
19:04ou ao governo Ricardo,
19:05que sucedeu o Casagrande e é aliado dele,
19:07o Casagrande também vai publicamente rebater isso.
19:10Sim, só uma última observação,
19:13porque na mesma entrevista,
19:14acho que é interessante trazer isso para os ouvintes,
19:16Fernanda,
19:17nessa mesma entrevista com o Casagrande,
19:20o ex-governador e senador eleito
19:22também comentou comigo
19:23como vai ser o papel e a atuação dele
19:25na bancada aliada minoritária do próximo governo Lula,
19:29a bancada governista,
19:30que estará em minoria,
19:32ele será um integrante,
19:33como aliado que é,
19:34do Lula e filiado ao PSB,
19:39partido aliado do PT,
19:40e aí Casagrande estará lá,
19:42lembrando que Lula foi reeleito,
19:43mas o próximo congresso,
19:45principalmente o Senado,
19:46será muito hostil ao governo Lula,
19:50o presidente Lula vai governar em condições políticas
19:53muito adversas ali,
19:55porque principalmente no Senado,
19:56o PL fez ali uma,
19:58a maior bancada,
20:00elegeu muitos senadores.
20:01E aí o Casagrande disse,
20:02olha só,
20:02eu vou procurando a paz,
20:04mas também preparado para a guerra,
20:07para os temas que signifiquem um retrocesso.
20:10Ele falou,
20:10diversos senadores eleitos
20:12são senadores que têm uma posição política
20:14muito retrógrada,
20:15atrasada e fascista.
20:17Palavras de Casagrande,
20:18eu nunca tinha ouvido em 10 anos
20:19entrevistando Casagrande,
20:20eu nunca tinha ouvido ele
20:20usar esse termo fascista
20:22para se referir ao bolsonarismo.
20:23Então, disse ele,
20:25pode ser que surjam medidas
20:26que exijam um embate,
20:27um combate mais veemente.
20:28Então, veja só,
20:29para finalizar a Casa...
20:30Mas ali também tem muito uma mágoa
20:31ali da derrota do Ricardo,
20:33né, gente?
20:33Nas declarações dele
20:34ainda estão impregnadas
20:35essa mágoa.
20:36E também agora o Casagrande
20:38está indo para a participação
20:39no parlamento, né?
20:40É diferente de quando
20:41ele era governador,
20:43que é um governador,
20:44precisa ser chefe do executivo,
20:45ter que lidar com forças políticas
20:47divergentes aqui dentro do Estado,
20:48às vezes ele se policiava,
20:50se continha um pouco.
20:51Agora, no parlamento,
20:52como o nome já diz,
20:54as pessoas ficam mais,
20:56se sentem mais à vontade.
20:58Eu acho que é isso.
20:59para concluir,
21:00eu percebi,
21:00até comentei isso
21:01com o Casagrande,
21:02falei assim,
21:03governador,
21:04primeira semana aí,
21:05pós-eleição,
21:06já estou sentindo o senhor,
21:07percebendo o senhor
21:08mais vocal,
21:09mais assim,
21:11voltando a ser,
21:12de fato,
21:12um Casagrande parlamentar,
21:14um Casagrande assim,
21:15menos contido nas palavras,
21:16na escolha das palavras,
21:17e mais assim,
21:19aberto,
21:20mais vocal,
21:21mais direto
21:22nas críticas dele
21:23ao bolsonarismo,
21:24agora como senador eleito,
21:26uma vez que não tem mais
21:26aquelas amarras inerentes
21:27a quem está
21:29no cargo de governador.
21:31É isso, gente,
21:32olha,
21:33as posses acontecem
21:34na primeira semana
21:35de janeiro,
21:36tanto presidência
21:37quanto para os governadores
21:38eleitos,
21:39nós temos agora
21:40o caminho que é
21:41da transição,
21:42e como que vai se dar
21:43essa transição,
21:44ele mesmo disse
21:45que tem que ser
21:46uma transição republicana,
21:47ele tem que ter acesso
21:48às informações
21:49que ele disse,
21:50inclusive,
21:50que já tem,
21:51que elas foram
21:53utilizadas para a construção
21:54do plano de governo dele,
21:55mas que agora ele quer,
21:57os dados ali mais reais,
21:59mais próximos
21:59do que está acontecendo agora,
22:01que o Eric, sim,
22:02ele deverá ser o coordenador,
22:04ele falou também
22:05da contratação,
22:06daquele Instituto
22:07de Belo Horizonte,
22:11CLP,
22:13que já teria dado
22:14assistência a ele
22:15na época
22:15da administração municipal,
22:17para tratar aí
22:18de políticas públicas,
22:20ele falou da vice
22:21que deve ter um papel
22:23não só de vice-governadora,
22:24mas ligada aí
22:25um pouco
22:25à área de segurança,
22:26eu perguntei se era
22:28na área de enfrentamento
22:29à violência contra a mulher,
22:31ele disse que eles
22:31estão trabalhando.
22:32Lembrando que a vice
22:33é Eliane Leal,
22:34filhada do PL.
22:35Do PL, isso.
22:36Fernanda,
22:37CLP,
22:38Centro de Liderança Pública,
22:40que é um instituto,
22:41tem uma organização
22:42que o ajudou,
22:43inclusive,
22:43durante a campanha
22:44na formulação
22:46do programa de governo.
22:47Ele falou que ele tem
22:48um perfil
22:49que é muito técnico,
22:50assim como ele é,
22:51ele diz que é
22:52funcionário de carreira
22:53do Tribunal de Contas,
22:54como auditor,
22:55depois,
22:56concurso de delegado
22:57de polícia,
22:58aí depois é que ele foi
23:00se eleger deputado
23:01e por fim prefeito
23:02e agora governador
23:03eleito do Espírito Santo.
23:05Que a equipe dele,
23:06tem uma característica
23:08que é técnica
23:08e que ele deve buscar
23:10essa composição,
23:11diz que não descarta,
23:12inclusive,
23:12buscar nomes fora
23:13do Espírito Santo,
23:14eu perguntei,
23:15saúde, segurança,
23:16educação,
23:16ele disse que ele não ia
23:17queimar etapas,
23:19apesar de ele ter vários
23:20nomes na cabeça,
23:21ele disse que não ia
23:22queimar etapas,
23:23que primeiro ia construir
23:24a transição para depois
23:27formar essa equipe
23:27definitiva.
23:28Uma das questões
23:29que, inclusive,
23:30nós fizemos,
23:31outros veículos de imprensa
23:32e até outros candidatos
23:34que disputaram
23:34contra o Pasolini
23:35fizeram,
23:35foi qual seria,
23:36qual deve ser o tamanho
23:37do PL nessa equipe
23:40do Pasolini,
23:40porque o PL foi um dos
23:41principais aliados dele,
23:43tanto no primeiro turno
23:43quanto no segundo turno,
23:44saberemos em breve a resposta.
23:46É isso,
23:47não só queria mencionar
23:49que a gente ouve muito
23:52de colaboradores de Pasolini,
23:55de interlocutores
23:56do governador eleito
23:57sobre uma característica
24:01individual do Pasolini,
24:03uma peculiaridade que ele tem,
24:05segundo muitas fontes,
24:06é a de não negociar cargos
24:10antes de ser eleito,
24:11durante a campanha.
24:12Muita gente diz,
24:13olha, na verdade ele fez,
24:14assim, claro,
24:14alianças, acordos políticos,
24:16mas nada passando por isso,
24:18nada envolvendo promessas
24:20de cargo,
24:21de ocupação de espaços
24:24no secretariado,
24:25na equipe de governo,
24:26que seria uma característica
24:27própria do Pasolini
24:28desde que ele foi prefeito
24:29de Vitória,
24:29então agora a conferir,
24:31vamos ficar atentos,
24:31vigilantes e verificar
24:32como é que vai ser
24:33essa composição,
24:34porque em alguma medida
24:35sempre tem,
24:36é preciso,
24:37é necessário,
24:38claro,
24:38contemplar,
24:39contemplar os aliados políticos,
24:41e até novamente
24:42para garantir a governabilidade.
24:43É isso.
24:44Letícia e Vitor,
24:45como eu amei esse papo
24:46de eleições com vocês,
24:47viu?
24:48Obrigada pela oportunidade
24:49de dividir a apuração
24:50de vocês com os ouvintes
24:51aqui do CBN Vitória.
24:52Eu que agradeço,
24:53Fernanda.
24:54Obrigado a você também,
24:55adorei,
24:56eu que agradeço a você,
24:57Fernanda,
24:58pelo espaço,
24:59e a Letícia aqui,
24:59pela parceria,
25:01pela paciência,
25:02aos ouvintes,
25:03pela paciência,
25:04e estaremos juntos aqui,
25:06continuaremos juntos,
25:07como disse a Letícia,
25:08nos nossos quadros
25:10individual,
25:11separadamente,
25:12eu, no caso,
25:12a partir de amanhã,
25:13inclusive,
25:13já estou de volta aqui
25:14no nosso quadro,
25:15no nosso comentário político.
25:16Isso,
25:17nós temos às terças,
25:18a Letícia,
25:19com o CBN Política,
25:20e às sextas,
25:21o Vitor,
25:22com o Sena Política,
25:23sempre ao vivo
25:24e aguardando pela colaboração
25:25de vocês.
25:26E o papo de eleições,
25:28claro,
25:28volta na próxima eleição.
25:29em 2028.
25:31Até lá, hein?
25:32Eleição da mesa diretora
25:33da Assembleia.
25:34Podemos,
25:34vamos fazer edições especiais.