00:10Você não me conhece, é Vicentina, eu sou a mãe do motorista do ônibus do Ocidente.
00:20E o que significa para ti, assim, protagonizar um filme que coloca uma mulher, assim, mais madura,
00:26nessa etapa da vida, no centro da narrativa, né?
00:29Então foi bem desafiador e muito gostoso de fazer, porque aí eu estava fazendo alguma coisa completamente diferente de mim,
00:37tanto na idade, quanto na constituição física, na própria história, né?
00:41E ver, ter a oportunidade, com 65 anos, de protagonizar, sendo uma mulher negra, protagonizar um filme dessa magnitude,
00:51significa muito, né? Significa que a gente avançou muito, a gente trabalha muito para isso,
00:57que trabalhou e trabalha muito para se manter nesse lugar, mas é de...
01:05É muito bom, assim, saber que eu posso fazer isso e que outras pessoas também podem, né?
01:11Que elas vão me ver e pensar, cara, eu estou bem, eu posso fazer coisa, eu posso trabalhar não só
01:19na atuação, né?
01:20Porque tem aí uma invenção social de que você passa dos 60, você tem que parar.
01:27E, na verdade, não é assim. A gente está com muita experiência e muito desejo de vida,
01:33muita vontade de fazer as coisas nessa idade.
01:36Então, não tem sentido você pensar no parar.
01:39Você tem que pensar e fazer mais, talvez descobrir novas formas, novos meios, né?
01:45Sair um pouco daquela convenção que todo mundo vai, que é estudar, trabalhar, casar, ter filhos, criar a sua família.
01:53Mas aí seus filhos já estão criados, sua família já está tranquila, você pode descobrir outros modos de vida.
01:59E eu acho que Vicentina, como filme, e Rejane Faria como atriz, né?
02:07Dá essa dimensão e essa certeza de que a possibilidade existe, né?
02:14Então, fico feliz, acho que a gente está avançando muito nessa questão
02:19e pretendo também fazer muito mais coisas para que outras mulheres da minha idade,
02:25ou mais novas, ou mais velhas, queiram também estar em ação.