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  • há 32 minutos
Papel dos diferentes setores no incentivo à transição energética e o financiamento a projetos sustentáveis foram temas debatidos durante o EstúdioCast Especial Economia Verde, gravado durante o Fórum Debate

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Transcrição
00:15Sejam bem-vindos a mais um Estúdio Cast, dessa vez especial Economia Verde.
00:19Eu sou o Douglas Mota, repórter e apresentador, e falo da onde?
00:23Diretamente do Fórum Debate, um evento promovido pela Associação Brasileira de Desenvolvimento,
00:28a ABDE, com apoio institucional do Banco de Desenvolvimento do Espírito Santo, o BANDES.
00:33E agora eu estou aqui com o Caetano Pena, diretor de Projetos Estratégicos e Relações Internacionais
00:38do Centro de Gestão de Estudos Estratégicos, e André Godói, diretor executivo da ABDE.
00:43Pessoal, sejam muito bem-vindos. Muito obrigado pela presença.
00:46Obrigado, Douglas.
00:46Eu que agradeço.
00:47Vamos lá, Caetano. O Projeto de Transição Verde na Indústria é uma iniciativa da ABDE
00:51em parceria com o CGE e o IFM, que trata da industrialização verde e o papel das instituições
00:57financeiras de desenvolvimento no financiamento dessa agenda, correto?
01:00Eu queria que você explicasse para a gente um pouco mais do que é a pesquisa que vocês
01:04estão apresentando aqui no fórum e quais resultados foram encontrados.
01:07Obrigado pela pergunta.
01:09Deixa eu começar falando que o Centro de Gestão de Estudos Estratégicos é uma instituição
01:13que apoia a formulação, a execução e a avaliação de políticas públicas, através
01:19de estudos estratégicos e projetos estratégicos.
01:21Nesse projeto específico, nós estamos olhando o potencial de transformação da indústria
01:26rumo à sustentabilidade.
01:28É um projeto em parceria com a ABDE e com a Universidade de Cambridge, com o apoio
01:32da Open Society Foundations.
01:34O que nós queremos ver?
01:35Nós queremos ver como bancos de desenvolvimento e agências de fomento podem apoiar a sustentabilidade
01:41da indústria.
01:42Então, o que nós fizemos?
01:43A Universidade de Cambridge, em parceria conosco e com a ABDE, desenvolveu um arcabouço
01:48teórico sobre esse papel e levantou estudos de casos internacionais sobre como outras instituições
01:54semelhantes do nosso Sistema Nacional de Fomento, apoiam a industrialização verde.
01:59Nós traduzimos esse arcabouço teórico num questionário que aplicou-se às instituições
02:05membros da ABDE.
02:06O que nós encontramos?
02:08Nós encontramos três resultados principais.
02:09O primeiro é que as instituições já estão orientadas ao apoio à industrialização verde.
02:16Então, muito bom, um resultado positivo.
02:18Entretanto, na autoavaliação das próprias instituições, elas veem uma deficiência
02:24da capacidade técnica de traduzir essa orientação em um apoio efetivo.
02:29Uma das questões é que o apoio está concentrado no crédito.
02:34E a oferta de crédito requer que haja uma demanda por crédito.
02:38E essa demanda qualificada não é automática.
02:43Internacionalmente, nós vemos instituições apoiando com instrumentos não financeiros
02:47a formação de projetos que possam vir a ser apoiados.
02:51Portanto, há uma atuação prévia à concessão de crédito.
02:54E algo que a gente não vê, um dos resultados que nós temos, é que não há um apoio sistemático
03:00a essa parte não financeira.
03:02Então, esses são os principais resultados, mas é um questionário muito rico
03:05que trouxe outros detalhes que em breve estarão disponíveis no site do CGE e também da BDE.
03:10Perfeito. André, agora, olhando para o lado dos órgãos governamentais,
03:14qual é o papel do Estado na Agenda Nacional de Financiamento Climático?
03:17Bom, acho que como o Caetano colocou aqui, primeiro que a gente tem, de certa forma,
03:23uma necessidade que é global de financiamento climático, financiamento à descarbonização,
03:28seja na indústria, seja no agro, como é uma questão aqui muito forte no nosso país.
03:34E os bancos de desenvolvimento, enquanto instituições que têm um mandato público,
03:40um mandato de transformação, de impacto na sociedade, eu gosto de dizer que ele tem que entrar
03:45onde o mercado não entra, onde o mercado não vai entrar dentro de um movimento próprio.
03:52Essa é a diferença inicial de um banco de desenvolvimento em relação a um banco comercial tradicional.
03:58Ele assume mais risco e ele tem um mandato também de apoiar com estruturação de projetos.
04:05E aí entra um pouquinho o que o Caetano colocou de instrumentos não financeiros.
04:10Então, no final das contas, quando a gente está falando de clima, quando a gente está falando de descarbonização,
04:15redução de emissões, o banco de desenvolvimento tem que entrar com pacote completo.
04:21Ele precisa entrar com dinheiro que assuma risco, ou seja, dê um prazo mais longo para pagamento
04:26e que seja com taxa mais baixa.
04:28Isso no caso de crédito.
04:30Outros instrumentos financeiros.
04:31Então, não é só crédito por si só.
04:34E aí o Espírito Santo tem um exemplo muito bom para dar para o país,
04:39que é um fundo de dívida, que são instrumentos diferentes que vão além daquilo que os bancos já fazem tradicionalmente.
04:45Porque crédito, banco de desenvolvimento faz há muito tempo.
04:47Agora, fundos, mercado de capitais, esses instrumentos novos, aí é importante que os bancos entrem.
04:53E mais, não é somente o dinheiro.
04:56Aí, como o Caetano sinalizou, é assessoria técnica.
05:00Porque muitas vezes as próprias empresas ou o setor público não têm capacidade,
05:04não sabem ainda fazer aqueles projetos.
05:06Então, você precisa dar o apoio, que é não financeiro, que é técnico.
05:10Você precisa entrar com recurso, com crédito, mas também com fontes inovadoras
05:15para que você consiga destravar esse mercado.
05:17A partir do momento que aquilo ali começa a ficar natural,
05:21o setor privado começa a entender que aquilo ali tem menos risco,
05:25o Banco de Desenvolvimento pode partir para um outro desafio.
05:28Eu dou sempre o exemplo dos painéis solares.
05:31Os painéis solares, no início, um grande movimento.
05:34Hoje em dia, todo mundo sabe fazer painel solar.
05:36Você pega financiamento no Banco, no Itaú, no Santander e faz o painel solar.
05:40Agora é o próximo desafio.
05:41Agora vamos para outro desafio.
05:42Vamos para o hidrogênio?
05:44Vamos para outras tecnologias mais difíceis,
05:47de serem implementadas?
05:48Esse é o papel dos bancos de desenvolvimento.
05:50Ainda com você, para você, qual é a importância de reunir essas entidades
05:53aqui no Fórum do Debate?
05:54Olha aqui.
05:55Acho que o Espírito Santo deu um grande exemplo para o Brasil,
06:01juntamente com outras instituições financeiras.
06:03Eu citaria aqui no âmbito federal o BNDES também,
06:06mas o BANDES em particular, com uma agenda de descarbonização.
06:11Tem outros estados também, a região sul, o BRDE estava aqui mais cedo,
06:15que é o Banco Regional do Desenvolvimento do Extremo Sul,
06:17também com uma agenda verde importante.
06:19Mas o Espírito Santo colocou isso no centro da sua agenda governamental
06:24e no centro da agenda do BANDES.
06:27Então, a estruturação de um fundo soberano foi feita aqui no Estado.
06:31A destinação de recursos de um fundo soberano para um fundo
06:34que permita reduzir as emissões no setor empresarial
06:38e, no caso do Espírito Santo, na indústria,
06:40que, diferentemente do Brasil, onde o maior emissor é o agronegócio,
06:45não o agronegócio, o uso da terra,
06:48no caso do Espírito Santo, o maior emissor é a indústria,
06:51que é parecido com o que a gente vê na Europa, inclusive.
06:55Então, o Espírito Santo tem bons exemplos.
06:57E está sendo implementado.
07:00Muitas das coisas do êxito ou não da política pública
07:04acontecem na implementação, na hora do vamos ver, por assim dizer.
07:08E está dando certo.
07:10Então, acho que é por essa razão
07:11que não teria lugar melhor para fazer esse evento do que aqui em Vitória.
07:14Perfeito.
07:15Agora, para vocês dois, para a gente finalizar.
07:16Vou começar com você, Caetano.
07:18Quais são os principais desafios e oportunidades
07:20que surgem com a industrialização verde?
07:22Eu vou começar com a oportunidade.
07:24O Brasil liderou a Conferência Climática em Belém no ano passado
07:30e prometeu entregar um mapa do caminho
07:32sobre como descarbonizar a economia.
07:36E isso foi feito, essa entrega foi feita essa semana.
07:39Esse mapa de implantação da descarbonização.
07:41Essa é uma grande oportunidade.
07:43Uma oportunidade para o Brasil,
07:44que tem um sistema nacional de fomento maduro
07:47orientado a essa descarbonização.
07:50Qual o desafio?
07:51O desafio é traduzir essa orientação
07:53em uma prática efetiva, especialmente para a indústria.
07:58E aí a gente tem alguns desafios mais concretos.
08:00As taxonomias que dizem quais setores
08:02têm maior potencial de sustentabilidade,
08:05elas tendem a negligenciar a indústria.
08:08Então, o desafio é incorporar na taxonomia verde
08:11setores industriais.
08:13O outro desafio é a capacitação das instituições
08:16de maneira a apoiarem a formulação de projetos
08:19da indústria para a descarbonização.
08:23É interessante, queria até complementar um ponto
08:26que o André levantou sobre o que o Estado e o governo
08:28pode fazer.
08:29Nós fizemos essa pergunta às instituições.
08:32E 17 das 21 respondentes disseram que gostariam
08:38de receber capacitação do governo,
08:40uma política para aumentar a capacidade técnica do governo.
08:43Isso ficou acima até, André,
08:45da indicação de crédito concessionário,
08:50subsidiado do governo.
08:52Então, eu acho que existe até uma grande oportunidade
08:53para nós continuarmos nessa parceria
08:56e apoiarmos essa capacitação.
08:58Eu veria isso como uma continuação do projeto TVI,
09:01algo mais prático, concreto,
09:03de ir na ponta das instituições do sistema,
09:06a BDE, capacitando os agentes
09:09para apoiar a transição verde na indústria.
09:11Para você, André, quais são os principais desafios
09:12e oportunidades?
09:14Então, acho que o que o Caetano colocou
09:16de desenvolvimento das instituições financeiras
09:21para oferecimento de instrumentos
09:23voltados para essa temática é importante.
09:26Isso é um ponto.
09:29Recursos é uma questão que eu acho que está sempre,
09:31é sempre uma temática.
09:34Os fundos e o funding que essas instituições
09:38vêm operar e o apoio na estruturação dos projetos.
09:42Acho que esse é um aspecto que é não financeiro.
09:47A gente não está falando aqui de recurso,
09:49de empréstimo, de dívida, de subvenção.
09:52Não, a gente está falando de apoio
09:54na estruturação desses projetos.
09:56A gente vai ter um grande desafio
09:58ao longo de 2027,
10:00que é a regulamentação do mercado de carbono
10:02regulado do Brasil,
10:05onde vai gerar uma demanda grande
10:08por crédito de carbono,
10:10porque as empresas vão precisar disso
10:12para poder abater as suas emissões.
10:14E a estruturação de novos projetos
10:16e o financiamento desses projetos
10:18vai ser fundamental.
10:19Tem projetos que são baratos de fazer,
10:21que, eventualmente, os bancos
10:22podem atuar de outra maneira.
10:24O setor privado vai ter um papel importante nisso.
10:26E tem projetos que são mais custosos.
10:29Custosos do ponto de vista de tecnologia mesmo.
10:31Quando a gente vai falar de sequestro de carbono,
10:33por exemplo,
10:34pode envolver tecnologias que vão demandar mais recursos.
10:38Tecnologias mais difíceis de serem alcançadas.
10:42Então, acho que nesse papel
10:43são desafios importantes
10:45que o Brasil vai enfrentar
10:47e as instituições financeiras
10:48têm que estar a postos
10:51para poder apoiar o Brasil nessa jornada.
10:54É isso.
10:54André, obrigado, Eduardo.
10:56Obrigado.
10:57Muito obrigado pelo papo.
10:58Muito obrigado.
10:59E também, muito obrigado a você
11:00que nos acompanha até aqui.
11:02Tchau, tchau, tchau, tchau.
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