00:00A Federação das Indústrias do Rio de Janeiro divulgou nota manifestando grande preocupação com as novas tarifas anunciadas pelo governo dos Estados Unidos.
00:09Segundo a Firjan, a atuação diplomática para uma solução negociada deve ser intensificada.
00:15Sobre o possível impacto na indústria dessa nova tarifa de 50%, eu converso agora com o Rodrigo Santiago, ele é presidente do Conselho Empresarial de Relações Internacionais da Firjan.
00:26Rodrigo, boa noite para você, obrigada por ter aceitado o nosso convite.
00:31Rodrigo, é claro que você fala mais pelo setor industrial do estado do Rio, mas se esses 50% entrarem em vigor mesmo, vai ser um golpe duro na indústria brasileira como um todo.
00:45Boa noite Cris e parabéns pela reportagem, com certeza.
00:49O Rio de Janeiro será afetado diretamente, nossa pauta exportadora, como você bem disse, ela é majoritariamente ligada ao petróleo e a produtos de aço que já eram taxados em 25%, já estão taxados.
01:05Então, se essa medida de fato entrar em vigor, será não só um golpe duro para o Brasil, mas também para o Rio de Janeiro.
01:15A nota da Firjan, que eu falei agora há pouco, relembra e bem que já estão em vigor tarifas sobre o aço e alumínio brasileiros.
01:24E agora mais essa nova taxa que pode se sobrepor às anteriores.
01:29Qual é a dimensão disso para a produção no Rio e para o Sudeste como um todo?
01:33Para a produção do Rio é um golpe importante, caso isso venha de fato a acontecer.
01:41Eu acho que a principal mensagem que a Firjan traz nesse momento é um momento de vamos ter calma e vamos incentivar as negociações.
01:51De fato, o que a gente tem hoje é um comunicado com nenhuma efetividade jurídica.
01:57Mas enfim, podemos acreditar que nos próximos dias isso venha a se acontecer.
02:02A gente acredita que até então as respostas do governo brasileiro têm sido no tom correto, de firmeza e também adequadas, levando a conversa para o âmbito técnico.
02:15Perde todo mundo, perde o Brasil, perde o Rio de Janeiro.
02:19Vale lembrar que isso eu acho um ponto importante, que para o Sudeste como um todo, mas especialmente para o Rio,
02:24se afetarmos o principal item da nossa exportação para os Estados Unidos, a gente afeta um dos principais itens do nosso PIB.
02:33E quando a gente fala do PIB do petróleo do Rio de Janeiro, a gente fala dos royalties, a gente fala do dinheiro, que é da saúde pública, que é dos investimentos.
02:41Então, afetar as exportações, afetar o PIB do Rio de Janeiro é afetar o Estado como um todo.
02:49Aproveitando que você falou exatamente das respostas, então, pegando mais detalhadamente, o que a gente sabe até esse momento é que as respostas que estariam em estudo pelo governo brasileiro
02:59seria uma combinação de retaliação com quebra de patentes.
03:03Na sua opinião, isso é adequado?
03:05O Brasil é conhecido por cumprir contratos, e assim acho que deveríamos estar.
03:12Eu estou falando pelo empresariado, falando pelo setor privado, como setor privado e como empresário,
03:19o que mais nos interessa é sempre a previsibilidade.
03:22E toda quebra de patentes, toda medida mais drástica, são medidas que devem ser tomadas com cautelas, com muita cautela.
03:31Então, acredito que hoje a gente tenha que pensar com muito pragmatismo, o que é bom para o Brasil, o que é bom para a economia brasileira,
03:39e assim acredito que nos próximos dias o governo brasileiro responderá à altura e adequará as suas medidas conforme necessário.
03:49Mais uma vez, por enquanto, nós temos uma carta, nós temos uma intenção,
03:53e nós temos plena confiança na diplomacia brasileira, que adotará as medidas necessárias e à altura das medidas que nos serão impostas.