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O setor industrial do Rio de Janeiro acompanha com atenção as negociações entre Brasil e Estados Unidos sobre a possível imposição de tarifas adicionais a produtos brasileiros. A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) defende a ampliação do prazo para que as tratativas sejam conduzidas em bases técnicas e comerciais.

Durante entrevista ao Real Time, do Times Brasil - Licenciado Exclusivo CNBC, Santiago disse que a Firjan e a Confederação Nacional da Indústria (CNI) propõem ao governo brasileiro a solicitação de uma extensão de 90 dias para que as negociações avancem.

Acompanhe a cobertura em tempo real da guerra tarifária, com exclusividade CNBC: https://timesbrasil.com.br/guerra-comercial/

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Transcrição
00:00E o tarifácio americano se concretizado terá um grande impacto na indústria brasileira.
00:04A gente vai falar sobre esses reflexos com o Rodrigo Santiago,
00:08que é presidente do Conselho Empresarial de Relações Internacionais da FIRJAN,
00:12a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro.
00:15Bom dia para você, seja muito bem-vindo ao Real Time.
00:18Bom dia, Marcelo. Obrigado a você pelo convite.
00:21O Rodrigo, o Rio de Janeiro tem uma grande indústria petroquímica,
00:24que é uma indústria que exporta muito para os Estados Unidos, inclusive.
00:27Que consequências e que temores que vocês têm aí no Estado?
00:32O grande temor, Marcelo, é que hoje 90% da nossa pauta exportadora para os Estados Unidos
00:39é composta por petróleo, aço e alumínio.
00:43O petróleo, hoje, nas medidas em vigor, constam como uma lista de exceção.
00:49Como nós não sabemos o que virá realmente a se concretizar nas próximas semanas,
00:55nós não sabemos se o principal item da nossa pauta exportadora
00:59permanecerá nesta exceção ou não.
01:01Então, por enquanto, o que mais nos impacta é essa indefinição.
01:08O que você espera dessas reuniões que estão acontecendo hoje
01:12com o vice-presidente Geraldo Alckmin?
01:14Você acha que o setor de exportação do Brasil, os industriais,
01:18eles têm alguma sugestão que pode ser inovadora e que pode ajudar essa negociação
01:24a ir para frente?
01:26Marcelo, o que nós temos conversado desde ontem, como CNI, como indústria,
01:33eu acho que hoje a principal mensagem para dizer que a indústria está unida
01:36e com um diálogo muito aberto com as autoridades brasileiras,
01:41a principal demanda é de extensão de prazo.
01:46Hoje nós estamos, vamos pletear junto ao governo essa extensão de 90 dias
01:51para que possamos trabalhar em bases técnicas e comerciais.
01:57Então, ter prudência, habilidade diplomática e um diálogo técnico comercial
02:03para que possamos encontrar aí algo, um denominador comum que seja de interesse
02:10tanto dos Estados Unidos quanto do Brasil e da nossa indústria.
02:14Agora, se essa questão de derrubar o caso Bolsonaro for uma questão de honra
02:18para a Casa Branca, talvez não haja essa sensibilidade aí de esperar 90 dias,
02:22porque nesse caso, os Estados Unidos vão querer fazer pressão realmente
02:25para causar um desconforto no Brasil até conseguir esse objetivo.
02:29Como é que vocês estão levando em conta essa variável aí?
02:31A variável política e ideológica justamente é a variável que nós temos que tentar minimizar.
02:40Por isso, o esforço da indústria e a concentração do diálogo na vice-presidência da República,
02:47na figura do nosso vice-presidente Geraldo Alckmin, como ministro da indústria também,
02:51para que possamos, junto às autoridades americanas,
02:54trazer, minimizar o efeito político, o efeito ideológico e, na base dos interesses comuns,
03:07tanto do setor privado americano quanto dos nossos interesses,
03:11de forma pragmática, tomar as decisões nos tempos e medidas que cabem.
03:17Claro, política, instituições e os efeitos da carta que nos foram sugêneres para o Brasil
03:26são sempre uma turbulência a mais.
03:31Mas uma relação de 200 anos entre o Brasil e os Estados Unidos,
03:34uma interdependência de cadeias de valores e setores muito estratégicos,
03:40tanto para o Brasil quanto para os Estados Unidos,
03:45nós acreditamos fortemente que ainda há uma base de diálogo possível
03:49para que as negociações sejam feitas com o máximo de técnica possível
03:56e pensando nos negócios.
03:57Afinal, aqui falamos pelo setor privado, falamos em fazer negócios.
04:01Quando você olha para o retrato da indústria brasileira,
04:04quem que você acha que vai conseguir redirecionar as exportações
04:07com mais facilidades para outros países?
04:10E quem você acha que terá mais dificuldade
04:12caso a gente não consiga uma negociação
04:15e caso essas tarifas de 50% ou até mais passem a vigorar?
04:20Nós precisamos olhar com mais detalhe setor por setor,
04:25escutar, estamos escutando como em cada federação,
04:29mas também na CNI, as análises feitas por setores.
04:33Vale lembrar que nós hoje não temos nenhuma medida em vigor,
04:37nós temos, em relação à carta, nós já temos taxas sobre impostas
04:44desde o início do ano, mas em relação a esse último anúncio
04:49feito pela carta, nós não temos nada ainda de concreto.
04:53Então, são análises possíveis, projetadas.
04:59Nós acreditamos que o trabalho que já havia sido feito
05:02de abertura de mercados é um trabalho contínuo
05:08e que esse episódio, na realidade, só reforça a importância
05:11e essa união entre setor privado e governo brasileiro
05:15em diversificar os nossos mercados.
05:19Hoje mesmo, nós tivemos o presidente Albán
05:21reafirmando junto com o Medef
05:23a importância de validarmos o Acordo Europa-Mercosul.
05:27Acordo esse que nós sabemos que é uma prioridade do nosso governo
05:33e que certamente poderá ajudar inúmeros setores
05:38nessa reorientação das suas exportações.
05:44É claro que quando a gente fala de commodities,
05:46nós temos uma maior facilidade para redirecionar.
05:52Se alguém não quer o nosso petróleo, teremos outras pessoas
05:56que gostarão de comprar, assim como para os nossos commodities agrícolas.
06:01Mas nada disso é do dia para a noite.
06:03Nada disso é muito tão fácil quanto possa parecer.
06:05Então, a turbulência do curto prazo impactará a todos.
06:10Então, caberá a nós, no curto, médio e longo prazo,
06:14sustentar novos mercados e fortalecer
06:18as outras parcerias estratégicas para o Brasil.
06:20Com os dados que você tem em mão hoje,
06:23o que você espera do desempenho da indústria brasileira em 2025?
06:27Hoje nós podemos esperar as mesmas projeções feitas anteriormente,
06:33haja visto que o Brasil, por não ser um país tão aberto,
06:40pela primeira vez, eu acho que isso muito foi dito ao longo do anúncio,
06:44quando nós descobrimos a carta,
06:47de que o fato do Brasil não estar tão inserido nas cadeias globais de valor,
06:52isso acaba, pela primeira vez, facilitando.
06:54Não que seja uma coisa boa.
06:55Então, o impacto, em termos agregados, ele será pequeno.
06:59Então, a projeção é de um impacto pequeno.
07:04E, como você mencionou,
07:05acho que isso vai ter que ser detalhado setor a setor.
07:07Então, por hora, nós não acreditamos,
07:10especialmente para o Rio de Janeiro,
07:11que o impacto, em termos agregados, seja considerável,
07:16porém, estrategicamente, ele é,
07:18setorialmente, ele é de grande impacto,
07:21mas, ainda assim,
07:23muito setorizado nos principais itens da nossa pauta.
07:27Quando você tem contato com os associados aí da Firjan,
07:30das indústrias do Rio de Janeiro,
07:31você tem informação de que já tem uma prospecção ativa
07:35de empresários buscando diversificar os mercados,
07:38procurando novos destinos para exportações?
07:41Olha, Marcelo, isso, como ele disse,
07:45é um trabalho contínuo, já feito pelas federações,
07:50em conjunto, totalmente, com a Apex,
07:52que é uma excelente agência brasileira,
07:55com um diálogo muito vivo, muito prático para a indústria.
07:59Nós realizamos, ao longo do ano,
08:02no último ano, mais de 60 missões empresariais,
08:06tanto em balto quanto em balto.
08:07Nós recebemos sempre delegações de câmeras de comércio,
08:12e nós estamos em diálogo contínuo com outros países.
08:15Nesse exato momento, nós temos uma delegação de empresários da Firjan,
08:20junto com o nosso presidente, no Japão,
08:22para aprender, para buscar mercados,
08:25para aprimorar técnicas e diálogos
08:27que fortaleçam o nosso comércio nos mais diversos setores.
08:35Eu acho que o exemplo do Europa Percursul
08:38é um exemplo muito bom para Rio de Janeiro.
08:40Nós temos, nos países europeus,
08:43grandes investidores no nosso estado,
08:45que estão também sofrendo,
08:49às suas maneiras, com anúncios,
08:52preparando respostas para potenciais tarifas
08:58aplicadas nos seus mercados.
08:59Então, também há um diálogo já bilateral
09:01que se intensifica nos mais diversos setores.
09:05Rodrigo Santiago,
09:06presidente do Conselho Empresarial de Relações Internacionais da Firjan.
09:10Muito obrigado pela sua participação hoje aqui no Real Time.
09:13Bom dia.

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