00:00A terapia ocupacional, a gente trabalha na perspectiva da terapia ocupacional comunitária.
00:05O que significa isso? É a gente fortalecer aquele participante com as suas raízes na comunidade.
00:12De ele se entender enquanto uma pessoa, um sujeito de direitos, para realizar diversas atividades na terapia ocupacional,
00:19a gente chama de ocupações, diversas ocupações na comunidade, para que ele possa se sentir pertencente.
00:24Ele só não passa na comunidade, mas ele vive a comunidade de uma maneira muito ampla, eficaz e potente.
00:32É isso que a gente tenta fazer com os usuários que a gente atende.
00:35A importância desse método na saúde mental dos idosos tem uma variedade de importâncias,
00:41mas a principal delas é que a gente fortalece a capacidade desses indivíduos.
00:46A gente fortalece a sensação deles, o entendimento deles enquanto pessoa.
00:53No caso dos idosos, muitas vezes eles chegam nessa idade já achando que não podem fazer muita coisa.
01:00Então, a maioria dos idosos que a gente atende foram trabalhadores a vida inteira,
01:04eles não tiveram o direito de se engajar em outras atividades que são significativas para eles.
01:09Quando eles chegam na fase de ser idoso, muitas atividades são restritas e isso prejudica a saúde mental.
01:17Eles podem ficar cada vez mais depressivos, cada vez mais ansiosos,
01:21porque o rol de atividades que eles deveriam fazer cotidianamente, eles diminuem.
01:28Então, eles chegam aqui para a gente com um humor muito rebaixado.
01:32Quando a gente vem com essas atividades de terapia ocupacional, de base comunitária,
01:36a gente fortalece aquele indivíduo a partir de diversas estratégias que a gente vai desenvolvendo em grupo
01:42para que ele possa se sentir cada vez mais capaz e potencializado para realizar essas atividades no cotidiano.
01:49A gente já está há um ano e seis meses atendendo.
01:52E aí a gente conta muito com a Usina da Paz, com o dispositivo da Usina da Paz.
01:57A gente dispara um card para que as pessoas da comunidade possam participar.
02:02E esse card, ele chega até o WhatsApp, ou via redes sociais, ou de boca a boca mesmo pelos idosos.
02:07Há os idosos, na verdade.
02:09E aí como é que funciona?
02:11Esses idosos vêm até a Usina, eles fazem uma triagem, participam primeiramente de um grupo
02:16e se eles se sentirem confortáveis, eles são convidados a retornar.
02:19Então, tem idosos que já estão com a gente, a maioria deles, na verdade, já estão há um ano e seis meses com a gente.
02:26Esse ano aqui nós abrimos mais dez vagas e, no momento, as vagas estão fechadas.
02:31Mas, só para resumir um pouco mais essa pergunta, eles chegam a partir da parceria que a gente tem com a Usina da Paz
02:37por meio desses cards que são disparados via redes sociais ou no boca a boca mesmo,
02:42porque a gente está em uma base comunitária forte.
02:44Como eu expliquei, esse grupo, inicialmente, no ano passado, ele funcionava para dois públicos.
02:51E aí a adesão foi muito grande, o processo terapêutico foi muito eficaz.
02:55A gente conseguiu alcançar transformações mesmo no cotidiano desses idosos e aí ele expandiu.
03:03Inicialmente, a gente atendia dez usuários.
03:06Agora, a gente está atendendo por média de quinze a vinte usuários, dependendo da proposta.
03:11E aí a ideia é que aqui na Usina da Paz de Uruna Espondo seja uma sementinha,
03:17para que em outros dispositivos, seja a Usina, seja dispositivos ligados ao SUS ou SUS, enfim,
03:25dispositivos que atendam populações idosas ou populações marcadas por processos de vulnerabilidade,
03:30possam ter nas suas composições o terapeuta ocupacional que trabalhe na abordagem grupal e comunitária.
03:36Porque desde quando começou, por agora passando aqui da Usina, eu soube que ia ter de tudo, de tudo mesmo.
03:43Então, como eu sou uma pessoa que eu gosto de estar conversando, falando com as minhas amigas,
03:48eu soube daquilo curso, pelo WhatsApp, e vim e me inscrevi.
03:54Aí, eu convidei minha irmã.
03:56Minha irmã é a maior felicidade, porque onde eu estou, eu estou feliz.
04:01Onde a minha irmã está, é a minha felicidade no momento que eu me inscrevi aqui no curso.
04:05Nós estávamos passando um momento muito difícil, porque a gente já éramos três irmãs,
04:11Maria de Pátio, Amorosi Adoro e Maria Magdalena.
04:13Aí, perdemos a Maria Magdalena, nós ficamos arrasadas, o mundo se acabou para nós.
04:17Aí, as pessoas vindo conversar com a gente, a gente estava muito triste.
04:22Aí, eles disseram, bora participar do curso, a gente vai conversar com as meninas,
04:26vamos aprender outras coisas, vamos fazer outras coisas.
04:29Porque quando eu trabalhava, eu trabalhava, eu trabalhava num lugar que tinha muita gente.
04:36Então, tinha muito gerente, muito gerente que eu trabalhava de serviço gerais, no banco.
04:42E onde os funcionários tudinhos me tinham assim como a mãe de todos eles.
04:47Foi através de uma amiga, conversando com ela, ela falou assim, porque eu era muito esquecida,
04:53por causa da Covid, eu fiquei muito esquecida.
04:57E ela disse, eu nem de morar lá, que tu vai te distrair na terapia, a gente faz muitas coisas lá.
05:03Aí, eu comecei a vir, aí comecei a gostar.
05:06Eu já aprendi a fazer pulseira, colar, prendedor de porta, desenhos e várias outras coisas.
05:14E as meninas estão ótimas.
05:16Todas que já passaram por aqui, foram ótimas.
05:19Elas têm muita paciência com a gente.
05:21E a professora é maravilhosa.
05:23Eu fazia uma ginástica.
05:27Como viver bem, aí eu fui com...
05:29Nós tivemos, fomos para um passeio, nesse passeio, na volta.
05:33Eu caí do ônibus, o ônibus passou por um buraco e eu subi.
05:36E quebrei uma das colunas.
05:39Aí, fiquei uns seis meses de cama.
05:43Aí, depois eu vim aqui para a usina fazer a terapia.
05:46Aí, depois, me falaram que tinha terapia ocupacional.
05:50Aí, eu vim para cá.
05:52Aí, foi bem acolhida.
05:53A minha professora mesmo já me inscreveu com aí, nesse curso.
05:57E foi maravilhoso.
05:58Foi tudo de bom na minha vida, porque eu vivia triste, eu chorava.
06:01E isso aí deixa a gente muito alegre, porque são novas amigas, novas pessoas.
06:08A gente conversa, tem as nossas atividades.
06:12A gente trabalha, a gente faz coceira, cordão, pinta, dança.
06:17Tudo de bom.
06:18Se sente maravilhosamente quando chega as horas da gente vender às tardes.
06:23Os benefícios que eu consegui observar, junto com os meus estagiários,
06:26muitos desses idosos estão com uma ampliação no seu repertório de atividades.
06:30Anteriormente, eles iniciaram com o repertório de atividades do cotidiano,
06:35que era muito restrito.
06:37Agora, os idosos conseguem ampliar.
06:39Por que eu te digo isso?
06:40A maioria dos nossos idosos são mulheres.
06:42E as mulheres, os papéis sociais que são designados a elas,
06:46enfim, historicamente, é o papel do cuidado.
06:49Então, essas mulheres, quando chegam na fase idosa,
06:51elas são levadas ou incentivadas a cuidar de casa, dos filhos e não de si próprios.
06:56Então, todas as atividades do cotidiano que elas faziam,
07:00era sempre no escopo do cuidar.
07:03Com a terapia, muitas delas já estão tendo mais atividades de lazer,
07:07tendo mais atividades culturais,
07:10descobrindo atividades que elas nem sabiam que gostavam,
07:13por meio do grupo.
07:14Então, a gente teve uma ampliação desse repertório.
07:17Um outro benefício que foi muito significativo
07:19é que muitas delas manifestavam alguns sintomas
07:23de saúde mental, de deficiência de saúde mental,
07:27e agora elas conseguiram melhorar isso
07:29através da terapia ocupacional, grupal e de base comunitária.
07:34Uma outra questão que é muito interessante,
07:36que eu consegui observar junto com os estagiários,
07:39é os espaços de convivência desses idosos,
07:41que foram fortalecidos.
07:42Por quê?
07:43Antigamente, esses idosos ficavam muito restritos em casa,
07:47quiçá quando iam em alguma atividade religiosa,
07:50ou de igreja católica, ou de igreja protestante.
07:52Agora, a gente conseguiu ampliar esses espaços de convivência.
07:55Eles convivem aqui na usina,
07:57eles vão para praças, eles vão a museus,
07:59tudo a partir dos estímulos que a gente disponibiliza
08:02aqui dentro do grupo.
08:03Existe uma outra questão também,
08:05que foi o fortalecimento das redes de convivência,
08:07ou das relações sociais.
08:08Muitos desses idosos têm um histórico de relações fragilidadas
08:13com seus familiares, né?
08:14E a gente conseguiu fortalecer isso,
08:17seja mãe com filho,
08:19seja tio com primo, etc.
08:22A gente conseguiu fortalecer,
08:24mas numa perspectiva também que coloca esse idoso como protagonista,
08:27porque às vezes é o idoso que é o culpado
08:29de realizar alguma coisa,
08:31de fraquejar algum laço social ou familiar.
08:33E a gente conseguiu, por meio das terapias,
08:36fortalecer esses laços entre eles.
08:38E aí
08:41E aí
08:43E aí