00:00...fá sete anos.
00:01Ele teve costas e pescoço com sete ossos quebrados devido a um acidente de moto.
00:05E ele está paralisado do peito para baixo.
00:13Vamos lá.
00:17Oh, doutor.
00:19Oi, Sônia. O que te traz aqui, hein?
00:22Calma, calma. Com cuidado, amigo.
00:24Oi, bom dia.
00:25É o meu pescoço.
00:26Sempre tive dor depois da cirurgia, você sabe.
00:29Mas ontem à noite foi demais.
00:32Eu tive que obrigá-lo. Ele não queria vir.
00:35Eu já passei muito tempo em hospitais, doutor.
00:37Bom, então vamos ver se a visita vai demorar.
00:39Eu quero que você aperte minha mão.
00:41Certo.
00:42Mais forte, aperta, força, força.
00:46Legal. Vamos ver os seus dedos.
00:53Estamos quase lá.
00:54A ressonância mostra uma hélio de disco.
00:56Nasce.
00:57É, faremos a substituição do disco.
01:00Um procedimento fácil de rápida recuperação.
01:03O doutor Ali vai ajudar.
01:05Certo, Ali?
01:07É, talvez ele não me aceite.
01:11Os pacientes não me querem.
01:14É que eu tenho autismo.
01:19Eu aceito.
01:21Eu tenho um empregado com autismo.
01:25Você tem um empregado com autismo?
01:27Mas é claro.
01:28E ele é muito bom.
01:31O senhor é uma boa pessoa.
01:38Por isso a senhora é casada com ele?
01:40É, mesmo estando na cadeira de rodas.
01:44Ali.
01:52Adoro sua sinceridade.
01:54Bom, você não é o primeiro a perguntar.
01:58Vou te contar uma coisa.
02:00O casamento foi incrível.
02:02Bom, não.
02:04Não quero ser metida, mas...
02:06Foi a melhor festa do mundo.
02:08É verdade.
02:09Eu estava lá.
02:26Minha perna.
02:28A sua perna dói?
02:29Sim.
02:30Mas por que ela dói?
02:31As duas?
02:32À direita.
02:34Eu não sentia nada.
02:36Nas pernas.
02:37Há mais de sete anos.
02:38O que houve?
03:01Qual foi a última capa da revista médica, hein?
03:05Não me lembro.
03:09E antes dessa...
03:12Também não me lembro.
03:15Caramba, não lembro de nenhuma.
03:18Tem problema de memória?
03:19Você precisa tomar vitamina B.
03:22Ai, eu estou querendo dizer que todos vão esquecer isso ali.
03:26Vão esquecer esse artigo.
03:28Mas eu não vou esquecer.
03:30Mas todas as outras pessoas, sim.
03:32Ali, todos gostam de você no hospital.
03:35Certeza?
03:36Mas é claro.
03:38Então, por que você tenta me mudar?
03:44Quer que eu faça as coisas como você.
03:47E se eu não consigo, não quer ficar comigo.
03:53O paciente tem sorte.
03:57Encontrar alguém que o ama como ele é.
04:00E que também aceita sua condição diferenciada.
04:04Tá dizendo que sou como os outros?
04:07Hã?
04:08Tá, tá bom.
04:09Pode esquecer de mim, mas o Adil sempre te apoia.
04:13É verdade, ele me ama muito.
04:16Mas eu também amo muito ele.
04:18Mas ele quer...
04:24Quer contratar uma cuidadora.
04:32Vai ver...
04:33O Adil tá fazendo isso porque tá preocupado com você.
04:38Eu não acho que você precisa de cuidador.
04:44Eu agradeço.
04:55Será que é um tumor na medula espinhal?
04:58Na verdade, foi um acidente.
05:00E nesse caso, Nasli,
05:01dá pra ver que foi a vértebra T1 que ele machucou.
05:04E dá pra ver que tá se recuperando.
05:06Eu não acredito.
05:08Então a dor é verdadeira.
05:10Ele consegue sentir.
05:19Isso é extraordinário.
05:21Escuta.
05:22As colunas machucadas como a sua,
05:24às vezes, podem melhorar e, com o tempo,
05:26recuperar suas funções.
05:30Espera um pouco.
05:32Eu acho que não tô entendendo.
05:34Se a minha coluna melhorou,
05:35por que eu sinto dor?
05:37Porque há uma massa dentro.
05:39E a sua coluna está pressionando.
05:42O que isso quer dizer?
05:44Quer dizer que temos que analisar o local
05:46e o tamanho da massa
05:46pra ter certeza e também as suas proporções.
05:49E depois eu poderei dar um prognóstico melhor.
05:51Embora, se pudermos remover a massa,
05:53talvez você...
05:54Você possa andar novamente.
05:56Andar.
05:57Então você vai ficar de pé.
06:01Você ouviu isso?
06:02Ouviu, meu amor?
06:03Eu vou voltar a andar.
06:05Eu vou voltar a andar.
06:07Eu vou voltar a andar, amor.
06:08Eu vou andar.
06:19Eu vou voltar a andar.
06:30Obrigado.
06:31Vamos, eu te ajudo.
06:32Não, não, eu faço isso.
06:38Desde que aconteceu, essa é a regra.
06:40Só eu que empurro a cadeira.
06:43Não é nada pessoal.
06:49Você vem comigo?
06:59Se eu voltar a andar,
07:01não vão me sentar nunca mais.
07:03O que eu posso fazer primeiro?
07:05Ah, eu não sei.
07:06Olha, podia ter adivinhado.
07:09Eu vou dizer.
07:10Vou dançar.
07:13Mervi ama dançar.
07:15Eu acho que eu vou conseguir.
07:17E a gente pode dançar juntos.
07:20Eu não quero desanimar você,
07:22mas eu não acho que vai dançar bem.
07:24Depois de tantos anos,
07:26vai ter atrofia.
07:27E por isso,
07:28eu acho que vai dançar muito mal.
07:31Mesmo não dançando bem,
07:32vai ser suficiente pra mim.
07:34Cuidado.
07:35Cuidado.
07:43Cuidado.
08:03Você sabe o que é pior de tudo?
08:06As pessoas acham que me enxergam,
08:08mas não veem meu interior.
08:10Eles enxergam apenas a cadeira.
08:13Você sabe bem.
08:14E por que eu saberia?
08:17Ali, diga-se na verdade.
08:20Quando você começou aqui,
08:21ninguém acreditava em você.
08:24Ainda não acreditam.
08:27Vai ter colegas que têm menos habilidades,
08:29mas que se integram de cara.
08:32Apesar de ter mais habilidades que eles,
08:35você é sempre questionado.
08:38Eu e você
08:40somos meio diferentes.
08:43e gastamos nosso tempo e energia
08:45tentando fazer com que acreditem,
08:47com que nos aceitem,
08:48não é?
08:55É...
08:55é por aqui.
08:57Eu conheço o caminho.
09:01Me enxergam a espinhal,
09:03aracnoide.
09:04Isso não é bom.
09:06Não é bom porque eu nunca tinha visto um desse tamanho.
09:09Normalmente, os pacientes não aguentam a dor.
09:12E o Soner não sentia porque ele estava paralisado?
09:14Exatamente.
09:16Está em torno da coluna.
09:18E se a gente destruir tudo com um laser?
09:21Não, eu acho que não.
09:23É que como não cresce,
09:24tem uma marca ali.
09:27Talvez possamos
09:29eliminá-lo pelo subaracnoidal,
09:30soltando-o na T2
09:31e depois tirá-lo do corpo
09:32em um só pedaço.
09:34É impossível.
09:41Isso é o resto.
09:43Está em torno do tronco cerebral.
09:44Não é possível.
09:46Morreria na cirurgia.
09:53Doutor.
10:02Escuta.
10:03Ei, ei.
10:04Espera.
10:05Espera.
10:07O que foi aquilo lá dentro?
10:09Ouvi você dizer que o procedimento era impossível.
10:12Sim, eu disse.
10:13Ali, espera.
10:16Não perde a esperança.
10:18Não é uma boa decisão.
10:20Ah, é?
10:21E por que os outros podem?
10:23Exatamente por isso.
10:25É você que sempre nos anima.
10:28Você é diferente dos outros.
10:31Eu não estou acreditando nisso hoje.
10:42Então vai deixar a massa nele.
10:44Agora ela está estabilizada.
10:46O que importa é que ela parou de crescer
10:48e ela está imóvel ali.
10:50Ela só dará um pouquinho de dor no sono.
10:52Mas será só isso e mais nada.
10:54Mas se sentir dor, ele vai ficar sofrendo, doutor.
10:56A gente resolve isso implantando um inibidor de nervos.
11:00É um procedimento bem simples.
11:03Vai poder dormir hoje na sua cama sem dor alguma.
11:05Não se preocupem.
11:12Mas sem poder andar.
11:14O tronco cerebral é delicado.
11:17E mesmo com as técnicas mais avançadas de imagem
11:19que temos hoje em dia,
11:20seria muito difícil extraí-la do seu corpo.
11:24Amassa.
11:26O quão arriscado seria retirá-la?
11:29Sonner, isso é muito arriscado.
11:32Essa é a zona que controla o seu coração e a sua respiração.
11:36Qual é o risco?
11:40Quinze.
11:41É o percentual que tem de não sobreviver.
11:48Não faz isso, Sonner.
11:58O que foi ali?
12:01Você não vai me pressionar para que eu leve o paciente para a operação?
12:04Não.
12:05Então você não quer operar sem permissão?
12:08Um exame secreto.
12:09Tem certeza ali?
12:10Claro.
12:11O que você tem?
12:13O quê?
12:14Eu estou me importando como o Cannon, é?
12:17Eu estou esperando que me diga o que fazer, escutando.
12:19Não é o suficiente?
12:30Doutor, você tem que convencer ele a não operar.
12:33Porque eu, ele não escuta.
12:34Sim, por favor, não se preocupe.
12:36Nós vamos discutir sobre isso.
12:38Está bem, fique tranquila.
12:39Vamos lá.
12:41Com licença.
12:43E aí
12:43E aí
12:46E aí
12:48E aí
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