00:00Eu acho que isso já se perdeu, a sensação que eu tenho, até como morador da cidade,
00:06eu sou cearense, mas eu vim estudar na UNB, e aí fiquei.
00:10E a gente sente, eu sinto, ao longo desses tempos, o distanciamento do significado,
00:17da importância, até da beleza arquitetônica.
00:20Eu sinto que as novas gerações, até as pessoas da minha geração também,
00:24já não olham e não falam mais da cidade, como se falava até pouco tempo,
00:28não tem esse sentimento, esse pertencimento, não tem mais.
00:32Eu não sinto, pelo menos.
00:35E também, por exemplo, vamos dar um exemplo concreto.
00:38Esse momento, nós estamos vivendo um momento que vai lembrar a morte do Juscelino.
00:43Além do jornal Correio Brasiliense, eventualmente, algum outro meio de comunicação,
00:48as instituições da cidade estão lembrando?
00:53E a memória é importante, né?
00:55Fundamental, sem memória, você não tem civilização, você não tem...
00:58Você não tem estrutura social sem memória, não existe isso.
01:02Você não tem um povo, uma nação, uma sociedade sem memória, não existe.
01:07Você não tem sequer uma família sem memória, você imagina?
01:10Uma nação.
01:11Então, eu acho que isso diluiu, perdeu várias razões políticas.
01:17Eu acho que a decisão de esquecer o Juscelino, vamos colocar assim,
01:22foi uma decisão política, que foi tomada nesta cidade também.
01:26Em algum momento, as elites locais, o establishment local, vamos colocar assim,
01:32resolveu tirar o Juscelino da memória, da lembrança,
01:35porque a memória e a lembrança eram várias coisas.
01:38Era essa estrutura urbana, arquitetônica extraordinária,
01:41que já não existe da mesma forma.
01:44Era a perspectiva que isso trazia para o país e para a cidade.
01:49E a educação, digamos assim, de cidadania, que isso significava.
01:56Isso também, eu acho que não tem mais.
01:59Eu não vejo.
02:00Eu não vejo.
02:04Obrigado.
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