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  • há 2 dias
POBRE É PREGUIÇOSO? | Já escutou que pobre é preguiçoso? Uma pesquisa mostrou que quatro em cada dez brasileiros acreditam nisso.E nos últimos anos, quase dobrou a parcela de pessoas que associam pobreza à preguiça: de 22% em 2022 para 40% em 2026, segundo o Datafolha. E essa ideia não surgiu do nada. Ela foi construída ao longo da história.

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Transcrição
00:00Já escutou o que pobre é preguiçoso?
00:02Uma pesquisa mostrou que 4 em cada 10 brasileiros acreditam nisso.
00:06E nos últimos anos quase dobrou a parcela de pessoas que associam pobreza à preguiça.
00:11E essa ideia não surgiu do nada, ela foi construída ao longo da história.
00:15Quando alguém diz que o pobre é preguiçoso, a gente não está diante de uma frase inocente.
00:20Há séculos de história dentro dela.
00:22A disciplina da fábrica, a moralização capitalista do trabalho,
00:26a violência colonial, a escravização, o racismo
00:29e a transformação sistemática de desigualdades coletivamente produzidas
00:33em culpas individualmente carregadas.
00:36Então talvez seja justamente essa a pergunta que a gente precisa devolver à história.
00:40Não porque algumas pessoas supostamente trabalham pouco,
00:44mas porque tantas pessoas precisam trabalhar tanto para ter tão pouco.
00:47E esse pensamento acabou influenciando a produção cultural brasileira.
00:51Durante muito tempo, personagens pobres foram retratados como preguiçosos,
00:57atrasados ou moralmente inferiores.
00:59Um exemplo é Makuna Ima, protagonista do livro de Mário de Andrade
01:03com o subtítulo O Herói Sem Nenhum Caráter.
01:05Nascido numa maloca pobre, ele é preguiçoso e malandro.
01:09E vive dizendo, ai que preguiça.
01:11Representações como essa ajudaram a naturalizar estereótipos
01:15que ainda influenciam a nossa sociedade.
01:17Então o imaginário social ainda organiza muito quem é que acessa ou não determinados espaços.
01:23Se eu tenho todo esse pressuposto carregado,
01:26que a população empobrecida é preguiçosa,
01:28e que a população negra, além de preguiçosa,
01:30ela é inferior intelectualmente,
01:32é difícil acreditar que em processos seletivos, por exemplo,
01:36para determinados trabalhos,
01:37ou mesmo para processos de promoção a cargos mais altos
01:42na hierarquia das organizações privadas e públicas,
01:45a gente vai ter um espaço aberto para essa população.
01:48Então a gente está falando de um embate,
01:50que ele parece só um preconceito,
01:53mas ele é mais do que preconceito.
01:54A gente está falando de uma discriminação estrutural e sistêmica estabelecida mesmo.
01:59Quem acredita que quem é pobre está nessa situação porque não se esforçou,
02:04acaba ignorando fatores como acesso desigual à educação,
02:08oportunidades, moradia e mercado de trabalho.
02:10Um estudo apontou que um brasileiro nascido no menor patamar de renda
02:14levaria nove gerações para chegar à renda média do país.
02:18Essa história que se conta,
02:20para que o privilégio continue a ser entendido quanto mérito
02:24e a privação continue a ser entendida quanto culpa.
02:27E isso nos desobriga, enquanto sociedade,
02:30a refletir sobre quanto esse imaginário nosso está carregado
02:34dessas estereotipias que condicionam acessos e oportunidades para essa população.
02:40E você, o que acha disso?
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