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  • há 11 minutos
Com seis peças em cartaz, Nany People reage a críticas políticas: ‘Nunca usei a Lei Rouanet’

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Transcrição
00:00A peça partiu, o princípio da peça, o pressuposto da peça partiu de uma encomenda que eu fiz a Bruna
00:05Mota.
00:06Eu passei por uma situação que muita gente passou, mas eu passei de uma maneira muito densa e muito tensa.
00:10Eu perdi oito amigos muito queridos, muito próximos, faziam parte da minha teia de vida, do meu mosaico de rodapé
00:18de vida.
00:18Em três anos, dois anos e meio, eu perdi oito amigos.
00:22E foram tirados das maneiras mais sucintas e suscetíveis possível.
00:26Entraram pessoas bem resolvidas, bem equacionadas, meio como Ivone, sabe?
00:32O personagem da peça, que faziam tudo, era o dono do seu destino, do seu galope.
00:37Elas quase, como a Ivone fala, eram quase um gov.be, elas certificavam, entendeu?
00:43E aí, do nada, elas foram tiradas desse plano.
00:47Uma foi dar uma espreguiçada, um pau pra trás.
00:50Eu fiz teatro paiol durante dez anos.
00:52No paiol, a gente fazia projeto de escola, às oito, às dez, às doze, às quatro.
00:58Das peças que você tem lá de Robin Hood, Dão Vagabundo, Dão Vagabundo, Dão Vagabundo de Ouro, Mágico de Oz.
01:04O brinco original do Mágico de Oz, só eu e mais uma Dorothy, que tinham duas Dorothys.
01:09Só eu e uma Dorothy, estamos vivos.
01:10Porque morreu o homem de lá, estava espantado, morreu o Guargo de Oz, morreu o produtor, morreu todo mundo.
01:15Então, assim, morreu da maneira muito incertiva.
01:17Um dia, eu tinha uma sogra, por exemplo, que é da minha idade, quase 20, que faleceu da maneira mais
01:22incertiva.
01:23Teve a dor, foi no pronto-socorro, tomou o Buscopan, três dias seguidos.
01:28Pra encurtar a história, morreu um dia de articulite, menos de uma semana depois, assim.
01:31Ela foi de segunda, quarta e sexta, no sábado, lá no Rio de Janeiro.
01:34Internou no Lourenço Jorge, na terça ela faleceu.
01:38Não tiveram trabalho, faziam uma AX.
01:40Então, o que passou na cabeça foi que, assim, o que acontece com essas almas, com essas pessoas, com esse
01:45espírito,
01:45quando se vê acordando num lugar que eles não têm noção do que estavam preparados?
01:49Porque quando a pessoa está numa doença terminal, a pessoa está aqui no caminho, entendeu?
01:53Você sabe o que é isso, né?
01:54Agora não, eram pessoas que se levantaram pra trabalhar um dia normal,
01:57um saiu de uma, foi à missa no domingo de manhã, com a dor no peito,
02:00sentiu uma dor no peito, achou que era gás.
02:02Foi tomar um hospital, morreu, porque está infartando, achou que era gás.
02:06E o que acontece com 60 anos, você tem essa década de 50, 60, você perde muita gente.
02:13Então, essa personagem da peça é uma constatação das muitas pessoas que nós temos, convivemos,
02:19e até somos um pouco também, que achamos que nós temos aquela coisa da cronologia equivocada.
02:26Tipo, quando eu tiver 35, eu vou estar assim.
02:29Quando eu tiver 40, eu vou estar assado.
02:30Quando eu tiver 50, a gente organiza e Deus ri.
02:33Então, eu fui, de certa forma, sacudida, achocalhada, tocada, eu fui nocauteada por situações muito assim.
02:42E uma amiga, por exemplo, muito querida, que estava pra fazer 44 anos,
02:45teve uma doença terminal, uma doença autoimune,
02:49e eu ligando pra marcar o final de ano com eles aí em Curitiba,
02:52e eu estava viajando pra Portugal, e ela dando pra fazer um transplante de fígado, com 44 anos.
02:59Então, assim, há dois dias que eu me mandei em Curitiba, ela faleceu com 43 anos.
03:03Então, quando você passa pra uma situação dessa, você fica pensando, o que é a vida, afinal de contas?
03:08Que garantia é essa?
03:10Que pseudo, que equívoco é esse que a gente tem de achar que a gente pode, a gente faz, a
03:14gente acontece?
03:14A gente não pode nada.
03:16Então, a gente cai daquela coisa do Guilherme Hernandes, sabe?
03:19No momento é agora, meu caminho é feliz, só a crise lá fora não foi o que fiz.
03:23Então, acho que eu fiquei muito tocada por isso.
03:27E aí eu resolvi encomendar esse texto pro Bruno, que ela relata exatamente esse tipo de gente que a gente
03:32convive hoje em dia.
03:33Essa pressuposta moral hedonista que a gente venceu o tempo todo.
03:37E a gente tem maneira de deixar muita ponta solta, achando que agora vai dar pra juntar.
03:41E não dá. Não dá.
03:43É o que eu falo, quando você tem 60 a mais, você viu que a metade da ampulheta já caiu.
03:48Eu falo pra amigas minhas, não fique guardando gaveta em casa.
03:51Não fique guardando gaveta.
03:54Vocês, fique guardando sua casa, meu, meu, você tem um piripaque aí,
03:57vê alguém, abre suas gavetas e fala assim, isso não é nada, isso não é nada, isso não é nada.
04:01Não precisa deixar de 60 não, né, Hernandes?
04:03Tem muita gente, um molecado de 30 anos, tá, entendeu?
04:05Tá indo embora, jogador de futebol, indo embora, assim.
04:08Então, essa coisa da gente, quando se depara com isso,
04:11quando você é muito jovem, você vai falar aos seus pais, vai perder os amigos.
04:14Quando você tem 60, você começa a perder os seus amigos.
04:17E dói, Reginaldo, dói muito se olhar o álbum de figurinha e tá incompleto.
04:22Então, com 60, eu passei por muito isso, assim.
04:25E, gente, essa travessia dos 50 a 60, pouca gente consegue fazer.
04:29A gente ouve falar isso, mas nunca se dá conta disso.
04:32Então, tem situações, gente, por exemplo, você não tem noção de um monte de gente,
04:35por exemplo, no Brasil, hoje em dia, que desaparece.
04:37Não sei quanto, mais de 10 pessoas por dia desaparecem no Brasil e ninguém tá falando sobre isso.
04:41E a gente sai pra trabalhar, que sai pra comprar um pão e não volta.
04:44O filho do amigo meu, no interior, aconteceu isso.
04:47Foi comprar um pão e não voltou.
04:49Aí, você imagina a cabeça das pessoas como é que é.
04:51Então, tem um movimento, a peça que a gente nunca sabe quando é a última vez.
04:54Você nunca sabe quando é a última vez, tá dizendo até logo,
04:57eu sou que você mais ama, você sabe que não haverá até logo.
05:00Você sabe quando é a última vez, você tá perdendo um anjo de trabalho,
05:02você sabe que não terá outro dia de trabalho.
05:04Se a gente soubesse, a gente não procrastinava tanto, a gente fazia de verdade.
05:09A gente via cada momento, cada segundo, como se fosse o último mesmo.
05:13Então, é isso, eu acho que...
05:14E aí, esse personagem, Ivone, essa mulher que faz tudo, que constata tudo,
05:20mas que tem um monte de ponta solta.
05:22Do primeiro casamento, do casamento atual, do filho.
05:26Então, as constatações que ela faz também, que ela sai do primeiro casamento,
05:29achando que mudou muito pro segundo, quando ela vai conviver, ela vai que trocou...
05:33Enfim, tem que assistir a peça pra você ver, porque ela trocou 6 e meia dúzia.
05:38Como está sendo? Porque o luto não para.
05:41É que a hora que você passa, você para aí, porque tem hora que você fala assim,
05:43não, deixa eu parar de chorar, porque senão, entendeu?
05:45Porque você não muda com a vida, a vida muda sem você.
05:47Só que eu acabei de vir do Rio de Janeiro.
05:49Você passa por um lugar, você lembra da pessoa.
05:51Você passa por uma só, se você vê um prato, você lembra da pessoa.
05:54Você ainda tá no luto.
05:55Até porque faz dois, não faz um ano e meio que uma mulher, por exemplo.
05:58Faz dois anos agora.
05:59E assim, como é que está sendo?
06:01É você saber que tem que seguir em frente.
06:02Tem que seguir em frente.
06:03Acontece o que aconteceu, você tem que seguir em frente.
06:06E você não fala até no outro espetáculo que eu fazia,
06:09você mulher quer.
06:10Não importa em qual buraco que você foi jogado, atirado,
06:14qual trairagem você passou, você tem que seguir em frente.
06:20Então, pra dizer assim, eu não bato palma pra maluco, não perco o tempo.
06:23Quando eu digo palma pra maluco, não entro em assunto, não vai levar nada, sabe, Isnaldo?
06:27Não entro.
06:28Em termos de polarização que a gente tá vivendo aí,
06:30eu não fico mais grata no buco com quem não vai levar nada.
06:32Eu não vou.
06:33Opinião, cada um tem a sua.
06:35E o boleto vem igual pra todo mundo.
06:36Então, salve quem puder, entendeu?
06:38Não adianta você querer convencer pessoas que não querem ser convencidas
06:41de que aquilo é um propósito, que não é o tão...
06:43Porque eu tava todo mundo falando de...
06:45Ah, porque a minha liberdade de expressão...
06:47Como é que a gente só usa muitos termos hoje em dia, eu falo...
06:49Como é que é a minha liberdade de expressão?
06:52Tanto que a Ivone na pressa tem o livre-arbítrio.
06:56Mas o politicamente...
06:57O que é o politicamente correto?
06:58O politicamente correto é uma coisa muito questionável.
07:01O que é politicamente correto pra mim pode não ser pra você.
07:02Mas então tem que ter um consenso das pessoas estarem ligadas
07:07de querer conversar sobre isso.
07:08Porque não adianta você querer convencer uma pessoa
07:11de uma coisa que ela já tá convencida e não quer ser convencida.
07:13É perder saliva, tempo e energia.
07:17Então, assim, a coisa da liberdade de expressão
07:19é uma coisa muito questionável.
07:21O pessoal tem que perguntar, às vezes, ah, o limite do humor.
07:23O que é o politicamente...
07:24Assim, o que é limite pra mim pode ser...
07:25Então tem que ter um consenso comum,
07:27que às vezes é pela burrice também, né?
07:30É burrice, é ignorância.
07:31É ignorância atrevida.
07:33E a gente vive momentos de muita ignorância, Reginaldo.
07:36A internet fez muita coisa linda,
07:38mas a internet também fez muita coisa uó, terrível.
07:41Ela deu voz ativa a um bando de boçais.
07:45Se não fosse a internet, a gente sequer saberia que existiam.
07:48E do nada vem pinta na sua tela, no seu Instagram.
07:52Entendeu?
07:52A ponta as pessoas colocarem posts fakes pra dar engajamento.
07:58E pode falar, ah, eu tava brincando.
08:00Nada, brincadeira.
08:02Você entendeu?
08:03Então, quer dizer, isso é bater carteira com a moral ética da gente.
08:08Entendeu?
08:09Isso que leva a tua vida.
08:10Porque a nossa vida é feita de escolhas, entendeu?
08:12A gente...
08:13A gente colhe o que a gente planta.
08:16Então, assim, eu tô num momento que,
08:17a partir dessas perdas que eu tive,
08:20eu não perco mais tempo, Reginaldo, mas não perco mesmo.
08:22Eu tô tão prática, tão objetiva.
08:24Eu tô sucinta.
08:25Eu tô certeira.
08:27Eu tô na linha mais fã do skunk do que do titãs, do que nunca, sabe?
08:32Só quero saber do que pode dar certo.
08:35Que, às vezes, dá errado.
08:37Mas a gente vai na fé que dê certo.
08:41Mas tá certo.
08:41É uma forma de ver a vida e de levar a vida, né?
08:45A gente perde muito tempo, Reginaldo.
08:47Pensando que vão pensar da gente.
08:48Eu nunca fui pensar que eu tô pensando de mim.
08:51Então, agora eu tô menos ainda.
08:53Eu liguei em meta garrafal e neon.
08:55Liguei mesmo, entendeu?
08:56Você fala, olha, cuidadeira, baixa e tchau.
08:58Pense se você quiser pensar de mim.
09:00Eu tô na linha Ritali, sabe?
09:01Só sei que agora eu vou cuidar mais de mim.
09:03É isso.
09:05Quando você fala da internet e de polarização,
09:08eu entendo muito que você fala sobre política.
09:10E eu acho que é uma forma de levar também,
09:12de falar, olha, não tô disponível pra discutir isso,
09:14que a minha ampulheta tá passando, né?
09:17Se você quer discutir, discuta.
09:19Mas não comigo.
09:22Chega o meu tempo, sabe?
09:23Não vai, você não vai, você não vai com se dar minha pele.
09:25Não vai com se dar minha tonos.
09:27Não vai.
09:27Não vai.
09:28Eu tenho motivo de só pra mostrar que tanto A, quanto B,
09:31quanto esquerda, quanto direita,
09:32todo mundo com o rabo preso no centrão.
09:34Então, meu bem, cada um vê sua condição.
09:36E você é para-choque?
09:38Olha, deu um trocadilho, deu um trocadilho sem querer.
09:40Tanto esquerda, quanto direita,
09:41estão com o rabo preso no centrão.
09:42Então, cada um vê sua condição.
09:44Nem eu tava em Portugal,
09:45eu tava atrasado na última eleição que teve.
09:47Falaram, na Anipipa é de direita,
09:48na Anipipa é chaveirinho de Efton.
09:50Eu falei, peraí, eu liguei em telefone.
09:52Eu falei, escuta aqui, você tá falando o que é do meu nome?
09:54Por acaso tá escrito osso?
09:58Eu tô aqui em Portugal, ganhando o meu, fazendo o meu,
10:02lavourando, feito uma louca.
10:04Que a gente não é fácil, a gente pode produzir espetáculos.
10:06Você concorda com muita coisa.
10:08Sem patrocínio, sem projeto de lei.
10:09E outra coisa que o pessoal adora falar.
10:11Ah, ela fala isso pra lei Rouanet.
10:14Nunca fiz espetáculo com lei Rouanet, minha filha.
10:17Eu, nosso sorte de arte especial,
10:18minhas produções todas são nosso sorte de arte especial.
10:20Que eu faço.
10:22Então, assim, não tem esse rabo preso todo.
10:23Aí, quando começa a fazer o A, o E todo,
10:25eu falo, amor, na boa, não estou
10:27disposta.
10:30Glória a Pires.
10:31Glória a Pires.
10:33Não sou capaz de opinar.
10:35Não, eu sou capaz de opinar, pra mim.
10:37O que eu não quero é tentar te convencer,
10:39eu não vou tentar te convencer,
10:40se eu não quero ser convencido.
10:42Tem hora que a Ivone fala pro personagem,
10:44se é o vizinho dela,
10:45que coisa é essa?
10:46Que sentimento, esse sentido você quer que eu sinta?
10:49Entendeu?
10:50Então, assim,
10:51toda vez que eu opinar a pessoa,
10:52o que eu quero é que, assim,
10:53então, como você falou,
10:54tem muita ala esquerda ou direita,
10:56te acudam disso, daquilo.
11:01A ala esquerda fala que eu sou direita,
11:02e a direita fala que eu sou esquerda.
11:04Aí eu te falo uma coisa que é da minha vida.
11:06Se pra muita gente eu sou inspiração,
11:09pra outros santos eu sou transgressão.
11:11Então, o que você acha que eu me sinto?
11:12Cada um me vê como que é.
11:16Me vê como que é.
11:17O que eu não quero é se vir de cobaia,
11:19de isca de piranha,
11:20de ponte açude,
11:22pra levar a remanha,
11:23pra levar a manada.
11:23Ah, não sou, não.
11:25Não sou, não.
11:26Não.
11:27Depois que eu tive quatro amigos meus,
11:28que os pais se suicidaram,
11:30num plano Collor,
11:32num jogo de lençol da esposa,
11:34da cama do casal,
11:36porque não sobreviveram ao supapo do Collor,
11:38e o Collor tá aí até hoje pagando de bonito.
11:41Ah, por favor.
11:43Não.
11:44Gente que fez da vida inteira,
11:45fez do projeto da família,
11:47vendeu o negócio.
11:47Aquele dia o dinheiro entrou no banco,
11:49naquele dia,
11:50no dia seguinte,
11:50sentiu o dinheiro lá mais,
11:51o cara se matou.
11:52Quatro pais, amigos meus.
11:54E aí, posso cair,
11:55tamo na sarada mesmo.
11:56Então, de tanto o Maurício se queimar por isso,
11:58de fazer bobagem,
11:59de querer falar,
11:59amor, cada um,
12:00sabedoria, delícia,
12:01de ser o que é.
12:02Não estou fazendo a neutra,
12:04até porque eu não sou política,
12:05eu sou atriz.
12:07Então, eu como atriz,
12:09eu tenho o meu lado político
12:10de ser humano, de cidadão.
12:11Então, meu voto é meu e acabou.
12:12Entendeu?
12:13E Nani?
12:14O pessoal vai falar assim,
12:15ó, não,
12:15porque neutro é detergente.
12:18Agora,
12:19equivocado é a pessoa
12:20que acha que falando aquilo,
12:21vai convencer,
12:22quem não quer ser convencido,
12:23de votar nesse ou naquele.
12:25Vai ler, vai saber,
12:26vai ver filho de quem
12:27está com o rabo preso aonde,
12:29o filho da direita
12:30está com o rabo preso
12:31no filme do papai,
12:32o filho da esquerda
12:33com esse escândalo agora,
12:35entendeu?
12:36Dessa precatória toda aí
12:38que vai para isso.
12:39Enfim.
12:40É que aí,
12:41se a gente for entrar nesse assunto,
12:42sai da Seara
12:43aqui da peça
12:43e vai para outra história.
12:45você entendeu
12:46por que eu não
12:46não me permito
12:48ficar perdendo tempo
12:48isso?
12:49É procurar saber o sexo
12:50dos anjos,
12:51não dá certo,
12:52não.
12:52Não dá.
12:53E o teatro é bom
12:54por isso,
12:54sabe por quê?
12:55você mexe no vespeiro
12:57e faz o povo pensar.
12:59Minha mãe viu um pouco
13:00das minhas conquistas
13:01enquanto atriz, sabe?
13:02Eu saí de casa com 20 anos,
13:04foi muita luta,
13:06muito difícil,
13:07como todo mundo sabe,
13:07até viver de arte
13:08nesse país,
13:08sabe como é que é?
13:09A gente que é do interior,
13:10vem para São Paulo,
13:11não sei se você é do interior também.
13:13Então,
13:13a gente sabe.
13:14Eu sou do interior,
13:15eu sou retirante,
13:16eu vou dizer.
13:16Então,
13:17eu queria que a minha mãe
13:18tivesse um pouco mais aqui
13:19para ver um pouco mais
13:20de tudo que eu tenho conquistado.

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