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  • há 3 semanas
Processo feito pelo Governo do Estado quer mapear quantas pessoas no Espírito Santo já foram infectadas pelo novo coronavírus

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00:00Estou recebendo aqui hoje no estúdio a enfermeira de referência técnica da atenção primária da Serra, a Raquel Diniz,
00:07e também a médica pneumologista doutora Cileia Martins.
00:10Boa tarde, bem-vindas ao Fala Espírito Santo.
00:14Bem, como é que está sendo o trabalho no município da Serra? Começou hoje também, né?
00:18Então, começou hoje na Serra, nós temos 23 equipes em campo, né, igual foi falado pelo secretário estadual de saúde.
00:25Foram 23 setores censitários, 18 bairros e as equipes iniciaram.
00:30O que são esses setores censitários, Raquel, para a gente entender?
00:34Então, o IBGL tem setores definidos de acordo com a densidade demográfica e para a pesquisa foram utilizados esses setores,
00:42com maior número de pessoas.
00:44Ou seja, quantidade de população, né?
00:47E aí definido esses setores, esses locais, as equipes vão de casa em casa.
00:52Isso, a partir da definição dos setores, elas têm um ponto no Google Maps que leva elas a esse setor.
00:59A partir do ponto, a escolha das casas segue um critério.
01:03Eles visitam a primeira casa, se o morador aceitar, eles vão pular quatro casas e vão fazer na quinta casa.
01:10Então, assim, a gente chega, as equipes chegam mesmo de surpresa, né?
01:15Chegam lá na residência, que está ali apontada pelo setor censitário aí, chega na residência, bate na porta, se apresenta,
01:23está todo mundo devidamente vestido, identificado também.
01:27Porque a gente fica com medo de entrar uma pessoa dentro de casa falando que está indo fazer o inquérito
01:32sorológico e poder ser um bandido, né, Raquel?
01:34Então, são duplas junto com um carro oficial da Prefeitura.
01:39Elas estão vestidas, identificadas com jaleco, com um crachá que foi fornecido pelo inquérito.
01:46Elas estão com protetor facial.
01:48Elas têm um celular, que é um celular com uma marca do IBGE, né, que ela é típica para poder
01:53identificar.
01:54A paramentação, ela corre dentro do domicílio, para evitar a questão da contaminação, né, tanto do pesquisador levar, como de
02:01tirar de dentro de casa.
02:02Então, ele entra, troca os EPIs, né, faz o teste e quando ele termina, ele retira e sai da casa
02:09do morador.
02:10E aí, para o próximo morador, tem outros equipamentos também de segurança que são colocados novamente, né?
02:16Sim, cada casa tem um equipamento de proteção individual específico que é descartado após o uso.
02:22Aí, a equipe, né, que são duas pessoas, chegam lá na residência, batem na casa, o morador chegou, se identifica
02:30e pergunta,
02:30olha, você tem interesse em participar do teste?
02:32É isso mesmo, eles vão perguntar se a pessoa tem interesse em participar do teste, vão orientar sobre a pesquisa.
02:38Caso a pessoa aceite, eles têm que assinar um termo, né, o termo da pesquisa.
02:43Assinando o termo da pesquisa, é feito um sorteio, tem um aplicativo também de sorteio, exatamente para ser aleatório.
02:49E todas as pessoas da casa entram nesse sorteio, menos as crianças menores de dois anos.
02:54O sorteado faz o teste, se o teste for positivo, as outras pessoas da casa também são testadas.
02:59Então, por residência, uma pessoa inicialmente é testada, dependendo do resultado, aí sim, faz-se um novo teste e aí
03:06faz teste em todo mundo.
03:08Isso. Se a pessoa da casa for positivo, todos os outros membros da casa são testados para poder avaliar o
03:14resultado e são encaminhados posteriormente, né,
03:16os positivos à unidade de saúde para notificação e investigação.
03:19E olha, a gente está falando aqui sobre esse trabalho no município da Serra, começou hoje.
03:23Já tem noção de quantas casas foram visitadas nessa manhã, Raquel? Já tem esse número?
03:28A gente ainda não conseguiu fechar até a minha saída lá do município para cá.
03:34Por volta de meio dia, eu posso te afirmar que aproximadamente 30 casas foram visitadas.
03:40Hoje é o primeiro dia, as pessoas estão se acostumando ainda com o aplicativo e a abordagem.
03:44E também é um processo, pelo que você explicou, ele demora um pouquinho, né, porque a equipe chega, bate, se
03:50identifica, conversa com o morador, explica o que vai ser feito.
03:53Entrando na casa, vai se paramentar, né? E aí, para sair, tira todo o equipamento de proteção.
03:58Na hora que chegar em outra casa, faz esse processo todo de novo. Então, demora mesmo um pouquinho, né?
04:03E além dessa explicação, a gente ainda tem o teste, que leva 15 minutos para ficar pronto.
04:08Então, se a gente tiver mais pessoas na casa, positivas, o tempo vai ser maior.
04:13Algum resultado já saiu positivo? Teve essa informação já pela manhã aí nessas 30 residências?
04:18Então, de todos os testes que foram enviados até agora, nenhum positivo.
04:22Vamos explicar esse teste, como que ele funciona?
04:25O teste, ele é para você investigar anticorpos, né?
04:28Então, os anticorpos você pode demonstrar se você está em atividade recente, você já teve a doença, mostrando se vai
04:35ser uma coisa já mostrando que teve passado pelaquela patologia.
04:38No caso, você investiga IgM e IgG. A IgM vai mostrar a parte ativa, a parte aguda, e a IgG
04:45vai mostrar que você já teve sinais de que a doença.
04:48Ou então, se as duas negativas, você não teve nenhum contato.
04:52Porque acontece o quê? Muitas pessoas são assintomáticas e podem estar com a doença, transmitindo, e muitas das vezes nem
05:00sabem que estão com ela,
05:01e convivendo com outras pessoas no mesmo ambiente, ele já vai contaminar de uma, duas pessoas, pelo menos.
05:08Pois é. Agora, é um teste seguro? Ele é 100% seguro? Ele realmente é fiel ao resultado? A gente
05:14pode confiar?
05:15Não, não é assim. Presta atenção. Os testes imunológicos, eles que investigam anticorpos, você pode ter alguns falsos positivos e
05:24alguns falsos negativos também.
05:26Então, isso aí, assim, sempre tem uma margem de erro que pode ocorrer.
05:30A maioria vai dar, com certeza, uma boa estatística para a gente fazer a avaliação dessa população.
05:35Agora, se houver dúvida e a pessoa for sintomática, e mesmo que o teste tenha sido negativo,
05:40encaminha aí para fazer um PCR, né, que é do SOAB, nasal ou da orofaringe,
05:44que aí realmente vai ter certeza se houve ou não a presença ou contato da doença, né, do caso do
05:49coronavírus.
05:50Por exemplo, sabendo aí, a gente tendo esse resultado, por exemplo, a Raquel mesmo falou que hoje que todos deram
05:55negativos,
05:55mas não é 100% certeza que a pessoa, por exemplo, não está com o coronavírus.
06:00Às vezes, dependendo do dia, ela está com a doença naquele momento que fez o teste, mas não apresentar, né,
06:05isso pode acontecer.
06:06Ela seria o que a gente fala que é o grupo que pode estar ocorrendo o maior número, que seria
06:10o assintomático,
06:12né, aquele indivíduo que praticamente não tem sintomas, mas ele está com o vírus e está transmitindo, porque ele é
06:17positivo.
06:17Só que essas pessoas, às vezes, você não consegue detectar e elas também não vão ter sintoma de nada.
06:23Elas estão tranquilas, então ela continua circulando no meio de todo mundo.
06:26Então, através de um teste desse, como ela explicou, se alguém der positivo naquela casa, você vai fazer dois comunicantes.
06:33Então, com certeza, essas pessoas que ali estão também serão investigadas,
06:37que também pode ser um grupo de pessoas assintomáticas que estarão positivas, estarão transmitindo para outras pessoas sem saber que
06:45estão com a doença.
06:46Está aí uma grande importância, doutora Cileia, e o que vem sendo reforçado, né, manter o isolamento.
06:51Sim, inclusive, através desse teste, a gente pode observar, que você vê, né, que foi em locais onde, né, tem
06:57a maior possibilidade de ocorrer,
06:59às vezes, a forma de transmissão.
07:00Exatamente são os lugares onde a maioria das pessoas não obedece o isolamento, né, não fazem o uso, às vezes,
07:06da higiene correta,
07:08não fazem o uso das máscaras.
07:09Então, são onde nós estamos tendo o maior índice da doença, inclusive da forma sintomática.
07:14Talvez, através desse novo rastreamento, a gente consiga, então, identificar essas pessoas e forçar um pouco mais naquelas áreas, né,
07:22um pouco mais de ação com relação à parte de isolamento, à parte de higiene, né, a parte de uso
07:28da máscara,
07:29que muitas vezes as pessoas duvidam ainda que o vírus exista, né, então é importante isso, né.
07:33Deixa eu aproveitar que eu tô aqui com a médica pneumologista, a doutora Cileia Martins, pra gente reforçar essa questão
07:39do isolamento.
07:40Tem aí, olha, um anúncio falado, foi hoje, numa entrevista no Espírito Santo Noir, que o secretário disse isso.
07:45Imagina, 300 mortes nos próximos dias.
07:48É, isso que é importante, né, a gente perceber.
07:50Claro também que a gente tem que ver que o número de mortes aumentaram, mas também tivemos um número bem
07:54grande de pessoas já curadas, né.
07:56Então, é importante que essas pessoas, né, também mostrem que já tiveram, tiveram essa patologia,
08:01saber como comportar perante a sua família e seus amigos.
08:05Isso é uma forma também da gente disseminar, né, através até das redes sociais, a forma de que a gente
08:10deve realmente ficar quietinho,
08:11evitar um pouco o contato, os abraços, os beijos, fazer, cumprir direitinho o uso do álcool gel.
08:17Se não tem o álcool gel, fazer uso da lavagem das mãos com sabão ou sabonete, né, fazer sempre o
08:22possível uso da máscara.
08:24E são formas que com isso a gente vai evitando.
08:26Esse é o único padrão que a gente tem certeza, que até em questão de medicações,
08:30em questões de outros procedimentos, nós não temos certeza.
08:33É tudo aquilo que está numa época que não tem como você fazer ensaios clínicos nem estudos.
08:37Você tem que usar o que você tem de recurso.
08:39Então, o maior recurso no presente momento ainda é o isolamento social.
08:43Ô, Marina Peniche aqui participando.
08:45Ju, eu já senti tanta coisa com esse vírus por aí circulando, que agora, pra mim, tudo que eu sinto
08:50é coronavírus.
08:51É, mas é isso aí que fala, né, muitas das vezes a pessoa não foca bem naquilo que realmente a
08:56virose está causando.
08:57É uma coisa aguda, não é uma coisa arrastada, é uma doença que manifesta, às vezes, com febre, às vezes,
09:03manifesta com dor no corpo, dor de cabeça.
09:05A maioria das vezes vai ser sintomas de vias aéreas superiores, não vai atingir o pulmão.
09:09Essas pessoas que foram a óbito são pessoas que provavelmente já tinham alguma comorbidade,
09:13são pessoas que, às vezes, já tinham alguma doença que nem tratavam, que isso acontece muito.
09:17Os hipertensos, às vezes, não fazem acompanhamento, os diabéticos, né, pessoas que já foram, que são fumantes ou que foram
09:24fumantes.
09:25Então, essas pessoas já têm o pulmão debilitado.
09:27Então, tem que entender isso, que a forma grave é que é o grande risco, é o grande problema.
09:31Mas a forma tranquila de vias aéreas superiores, a maioria vai ter, a maioria vai se curar.
09:36Ô, a Fabi Moreira aqui falou, eu tive tosse, muita dor no tórax, já tinha feito um exame de Covid,
09:42que deu negativo.
09:43Como continuei com a tosse e, à noite, me deu muita falta de ar, fui no pronto-socorro, fiz um
09:48outro exame, continuou dando negativo.
09:50Fez tomografia e a médica viu que era um começo de pneumonia, me passou 10 dias de antibiótico e consegui
09:56uma consulta no terceiro dia com a doutora Celéia.
10:00E aí, tá tudo bem agora? Existe essa questão, né, doutora Celéia?
10:03Sim, claro.
10:03Dos outros problemas de saúde que continuam acontecendo e acabam sendo também muito semelhantes aos sintomas do coronavírus, né?
10:11Gente, a influência dá esse tipo de sintoma, o rinovírus pode te dar, às vezes, um quadro pneumônico, neopneumonia.
10:18São sintomas que vão variar de tudo quanto é sentido.
10:20É claro que você tem que focar, como está numa fase de pandemia, uma avaliação mais intensa e mais fidedigna
10:27na parte pulmonar,
10:28porque é a parte que mais a gente tem medo que o coronavírus vá, não é tanto a parte superior.
10:33As equipes, Raquel, que estão fazendo esse teste, têm enfermeiros e outras pessoas também que atuam na saúde, é isso?
10:39Sim, são profissionais de saúde do município que foram capacitados tanto para a realização do inquérito como para a realização
10:46do teste rápido.
10:47Então, tem toda uma equipe já voltada para isso.
10:50E quanto tempo de treinamento foram feitos e agora, daqui para frente, como é que vai funcionar lá no município?
10:56Então, nós recebemos primeiro a capacitação do Estado e depois nós chamamos os profissionais que foram treinados em meio expediente,
11:04na verdade, de cada turma.
11:06É um treinamento rápido que se referia ao uso do inquérito em si, que são as perguntas, o questionário dentro
11:13de um aplicativo que é muito simples de ser utilizado.
11:16E a realização do teste rápido que também não tem dificuldade na realização, né?
11:20É uma técnica simples e, uma vez capacitados, a gente formou um grupo para poder acompanhar os profissionais nas suas
11:28dúvidas durante a realização do inquérito.
11:30Ó, a gente tem uma pergunta da Ione, telespectadora, que ligou para a nossa redação.
11:36Passaram aqui para mim a pergunta.
11:37Ela fala o seguinte, eu sou obrigada a fazer esse teste rápido caso a equipe vá até minha casa?
11:43Não, a equipe, ela se apresenta e ela explica a pesquisa e pergunta se a pessoa quer participar.
11:50Se ela não quiser participar, ela pula para a próxima casa à esquerda, né?
11:55Que é o que eu falei, é uma técnica da pesquisa.
11:58Então, a pessoa não é obrigada a participar.
12:00Então, por exemplo, bateu na casa, morador não atendeu, ou a pessoa, olha, não quero fazer, vai para a casa
12:05da esquerda.
12:06Isso, exatamente.
12:08Agora, e no caso dos prédios?
12:10O Maurílio Silva, morador da Praia da Costa, em Vila Velha, ele fala o seguinte, em caso de prédios, caso
12:15a pessoa sorteada de um apartamento dê o diagnóstico positivo,
12:19todos os vizinhos do andar serão testados o prédio inteiro? Como é que funciona?
12:24Não, nos prédios, a técnica, ela é o primeiro apartamento à esquerda.
12:28Se a pessoa não quiser, passa para o próximo.
12:31Pula quatro andares e faz no sexto andar, então.
12:35Se houver testes positivos, a vigilância epidemiológica do município, ela vai depois investigar a contaminação daquele bairro, mas no momento
12:44da pesquisa é aleatório.
12:46Então, a princípio, assim, entrou numa casa, fez o teste, a pessoa sorteada desse apartamento deu positivo.
12:53Os familiares dessa residência são testados, mas o vizinho do andar não é testado?
12:58Não, não, porque é uma pesquisa, a amostra precisa ser aleatória.
13:02Se eu começar a testar de forma não aleatória, eu não vou ter dados reais, então é uma estimativa.
13:08Agora, a vigilância posterior a isso, esses dados vão para o município para que haja uma investigação.
13:15Pois é, aí esse dado é repassado e aí se houver necessidade, aí a própria vigilância municipal vai realizar, chamar
13:22a população para poder fazer esses testes.
13:24Sim, a vigilância do município vai receber todos os dados em tempo real e se a gente observar que dentro
13:30de uma rua, dentro de um bairro, o número de contaminação é muito grande, vai ser investigado por quê?
13:36Qual é o nexo disso?

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