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  • há 4 minutos
O secretário de estado da saúde, Nésio Fernandes, explica quais medidas do governo do Estado está adotando para conter o avanço do Novo Coronavírus no Espírito Santo

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Transcrição
00:00Bem, a gente tem aí falando sobre esses respiradores, 10 respiradores ainda estão sumidos, não chegaram aqui ao Espírito Santo.
00:06A gente sabe que o governo federal prometeu, ou seja, o estado do Espírito Santo pode cobrar por esses respiradores
00:12que aqui não chegaram.
00:14Existe essa cobrança? Tem mais alguma coisa que o governo federal prometeu, não chegou aqui ao estado?
00:22Falta chegar a algum equipamento prometido? Quais, secretário?
00:26Então, o que ocorre? Durante o período do Mandetta, com o Ministro da Saúde, nós tínhamos um acesso muito rápido
00:34ao ministro, aos seus secretários do Ministério da Saúde.
00:38No entanto, a doença era muito nova. No auge da estratégia do Mandetta, no Ministério da Saúde, ele anunciou que
00:45iria alugar 2 mil leitos de UTIs para enfrentar a pandemia no país inteiro.
00:51Veja que o dimensionamento que existia num período pré-pandêmico, vamos chamar assim, era um dimensionamento que não conseguiu representar,
01:00de fato, o tamanho que a pandemia poderia ter em um país tão dividido e tão polarizado como o país,
01:07como é o Brasil.
01:08Então, depois, quando veio o ministro Nelson Teste, nós também reforçamos o pedido de apoio financeiro e de equipamentos.
01:15No entanto, foi um período muito curto do mandato dele e o ministro Pazuello tem se demonstrado ser muito resolutivo.
01:24Até o acesso a ele por telefone, sem burocracia, as posições que ele tem assumido agora, por exemplo, na falta
01:30de medicamentos, ele assumiu a posição corajosa de organizar uma grande compra nacional de medicamentos em curto espaço de tempo,
01:38em articulação com a OPAS, com a Organização Pan-Americana de Saúde, para poder apoiar os estados e municípios no
01:45suprimento desses medicamentos que estão faltando nas UTIs do país inteiro, tanto na rede pública quanto na rede privada.
01:51Nós, de fato, entendemos que se o Ministério da Saúde apoiar com apoio técnico, metodológico, em coesionar o país e
01:59apoio financeiro aos estados, nós sabemos enfrentar a pandemia muito bem desde que tenhamos devido apoio financeiro, técnico e coesão
02:08política por parte do governo federal.
02:10É isso que é preciso, né? Do apoio. Vamos continuar aqui, porque falando sobre as estratégias aqui, vamos falar das
02:17testagens.
02:18Hoje, o governo do estado tem realizado testes nos casos graves, ou seja, pacientes que chegam mais graves às unidades
02:25de saúde, aí eu digo os pronto atendimentos que recebe, os hospitais que recebem esses pacientes,
02:32e também faz testes em pessoas que estão aí com sintomas e que já têm 45 anos ou mais.
02:40Por que essa estratégia do governo do estado? O senhor acredita que essa é uma boa estratégia?
02:46Nós fazemos testes em pessoas graves, em trabalhadores da saúde e da segurança, que independente do estágio grave ou leve,
02:56que tenham qualquer síntoma respiratório, têm garantido o teste,
02:59e por isso nós temos uma letalidade em trabalhadores da saúde muito baixa, chega a ser 0,22%, porque praticamente
03:06todo trabalhador da saúde tem garantido o acesso ao teste DPCR ou teste rápido na janela que tem indicação.
03:13testamos pessoas não graves, testamos pessoas não graves com mais de 45 anos ou que tenham comorbidades. Por quê?
03:20Porque representam 85% dos pacientes que evoluem para a UTI.
03:26Então, a grande questão do enfrentamento de uma doença é na capacidade do seu em saúde tendo a evitar o
03:32óbito.
03:33Então, o recurso disponível, a gente canaliza ele para poder garantir o diagnóstico laboratorial a um paciente leve,
03:40dos que têm o potencial de ir para um leito de terapia intensiva.
03:44Por quê?
03:45Para poder chegar a uma terapia intensiva, o paciente de Covid precisa ser isolado de outros pacientes,
03:52enquanto ele não tem o diagnóstico confirmado.
03:55Se ele tem o diagnóstico confirmado antes de complicar, a gente consegue garantir que ele já vá para uma unidade
04:00de terapia intensiva
04:01ou de enfermaria, que ela é ocupada somente por pacientes já confirmados pela doença.
04:06O ideal não seria testar outras pessoas que não essas dentro do grupo, ou seja, pessoas que estão no grupo
04:13de risco,
04:14pessoas com mais de 45 anos, pessoas que não estão tão graves?
04:17Porque, como o senhor mesmo falou, por exemplo, uma pessoa que chega lá com 30 anos, com todos os sintomas
04:21do coronavírus,
04:23sem ter a certeza, ela não vai fazer esse isolamento, porque ela não sabe se está doença,
04:29pode ser uma gripe, pode ser um outro problema de saúde, não fazer o isolamento adequado
04:34e acabar contaminando outras pessoas.
04:37O que ocorre? Preciso esclarecer, tem outra população que a gente testa, que é a testagem em domicílio,
04:43que é a testagem feita pelo inquérito sorológico.
04:46Nós vamos realizar agora, até o dia da manhã, um total de quase 32 mil testes rápidos
04:51feitos em domicílio na população capixaba para poder projetar estatisticamente
04:57o comportamento da doença no nosso estado e conhecer melhor como ela se comporta
05:02a cada ciclo de 10 a 14 dias.
05:05Então, o inquérito sorológico é uma estratégia de testagem em massa também, de pacientes não graves.
05:11Ocorre que o teste rápido...
05:14Mas, perdão interromper o senhor, o senhor falou dessa testagem rápida.
05:18Ela, do inquérito sorológico, ele está sendo feito de forma aleatória,
05:22ele não está sendo feito em uma pessoa sintomática, né?
05:24É por meio daquele sorteio que a gente vem acompanhando por meio do sorteio,
05:29vai de casa em casa e fazendo teste na população.
05:32Dependendo do resultado, aí testa a casa toda, né?
05:34Isso.
05:35Ocorre que o teste rápido ou o teste da biologia molecular, o PCR em tempo real,
05:42eles cada um possuem uma janela onde você pode confiar no resultado negativo.
05:47O teste rápido, você precisa ter mais de 10, 12 dias de evolução
05:51para poder acreditar no resultado negativo dele.
05:55Se você fizer o teste rápido com os 4 dias de evolução da doença, com 7 dias de evolução
06:00da doença e der negativo, você não pode confiar no resultado negativo dele.
06:06Então, mesmo que você tenha só um ou outro sintoma e que você já esteja com a determinação
06:12de ser isolado pelo sintoma respiratório, com o teste rápido feito antes de 12 dias e ele
06:19dando negativo, você não descarta a doença.
06:23Então, o que muda na conduta com o paciente se fizer o teste rápido e ele der positivo?
06:29A conduta é a mesma.
06:30Se der negativo, a conduta também é a mesma.
06:34O teste rápido não altera a conduta que determina o isolamento da pessoa,
06:39porque a tecnologia que ele traz não tem confiança no resultado negativo.
06:45O PCR, fora do quarto e oitavo dia de evolução da doença, também tem uma chance grande de
06:52dar o resultado falso negativo.
06:54Então, ele também não altera a conduta.
06:57O PCR, só para a gente...
06:58É aquele do suave nasal, do cotonete.
07:01É tipo um cotonete, né?
07:02Que, inclusive, esse é o teste que a gente tem, sempre tem escutado falar, especialistas
07:06falando, que é o teste mais confiável que existe hoje, que é aquele que coloca o cotonete,
07:11mas também depende de quando se faz esse teste para ter a certeza do resultado.
07:15Então, você tem uma janela entre 4 e 8 dias, do início do primeiro sintoma, que você pode
07:21fazer esse teste.
07:22Então, para desmistificar, as tecnologias disponíveis de testagem laboratorial, elas não
07:28são confiáveis para descartar a doença, principalmente se você faz ela fora da janela.
07:34Então, por exemplo, não tem sentido científico, epidemiológico nenhum, você fazer uma festa
07:39de aniversário e fazer testes rápidos para saber quem está infectado ou não e proibir
07:43ou não quem der negativo de entrar nessa festa.
07:46Ele não é um teste seguro, né?
07:48Ele é um teste que é muito seguro e bom para aquilo que ele está indicado e na janela
07:53de tempo que ele está indicado, não para o que as pessoas pensam.
07:57Então, o teste rápido, que não é rápido, porque ele precisa de 10, 12 dias de evolução
08:01da doença para poder ter um resultado negativo seguro, ele tem indicações precisas para
08:09investigações epidemiológicas, para poder tentar dentro dos resultados positivos que
08:14ele pode dar dentro de um hospital confirmado, um diagnóstico.
08:17Agora, ele não descarta a doença.
08:19Por isso que o diagnóstico e a suspeita do COVID, ela é clínica.
08:23Por isso que todo paciente que tenha sintomas respiratórios, ele precisa ser isolado a partir
08:29de um diagnóstico clínico, porque a sensação de falsa segurança que gera nas pessoas,
08:35quando ela faz um teste e dá negativo, ela coloca a vida delas e as pessoas próximas em risco.
08:42Nós tivemos casos no Espírito Santo e não foram poucos, de pessoas que fizeram teste rápido
08:45e deu negativo, a pessoa confiou que não tinha doença e na evolução acabou indo para uma UTI
08:51e depois com o teste rápido, feito já depois de 10 dias e o PCR, confirmou o diagnóstico
08:58de COVID nesses pacientes.
09:00Então, a população não deve acreditar.
09:02Existe um fetiche, existe uma paixão pela frase testar, testar, testar, testes em massa,
09:09testes em massa.
09:11Só que, na verdade, os testes, eles têm critérios e possuem janelas para poder ter confiança
09:17naquele resultado que eles apresentam.
09:18Pois é, porque o teste rápido, a gente tem visto, inclusive, países que fizeram testes,
09:23e aí eu não vou, não especificando se é o teste rápido ou se é o PCR, que é aquele
09:28que demora dias, mas que testaram realmente a população toda para aí conseguir controlar
09:33mais.
09:34Aqui no Espírito Santo, vai se aumentar esses testes para a população ou vamos ficar aí
09:40com esses testes de inquérito sorológico?
09:42A gente está no que seria a quarta e última etapa, mas o governo, o senhor mesmo, já anunciou
09:47na última semana que isso vai ser ampliado.
09:49Como é que vai ser daqui para frente essa testagem na população?
09:53Veja só, nós já compramos e ainda temos disponíveis aproximadamente 130 mil testes
09:58de PCR.
09:59Nós tínhamos uma capacidade de produzir 40 testes por dia e já produzimos mais de
10:04mil testes por dia de PCR, que é a biologia molecular, o padrão ouro, o teste do cotonete.
10:11Nós também estamos adquirindo uma quantidade...
10:13E esse tem restrições na hora de ser feito, né?
10:15Que é o que a gente falava aqui de...
10:17Não é todo mundo que vai chegar com sintoma que vai realizar o PCR.
10:21Isso mesmo.
10:21Isso continua sendo mantido essa estratégia, não vai mudar?
10:25Não, continua sim.
10:26Ele está indicado para pacientes graves e para pacientes que têm mais de 45 anos, com
10:30morbidades, para poder investigar com foco no diagnóstico pré-hospitalar de pacientes
10:35que poderão fazer o uso de um leiterape intensiva ou de uma internação hospitalar.
10:39Os testes rápidos também estão sendo adquiridos em uma maior quantidade agora pelo Estado e
10:44iremos receber também por parte do Ministério mais testes rápidos para poder também distribuir
10:49aos municípios e aos hospitais.
10:51Os municípios também estão fazendo a aquisição de testes para poder realizar nas suas unidades
10:58de saúde e nos seus prontos atendimentos.
10:59Então, a ampliação da capacidade de testagem no Estado, ela também é somada pela capacidade
11:05de testagem dos serviços privados.
11:07Nós somos hoje o Estado do Brasil que mais testa.
11:12Nós temos, vamos chegar agora a 25 mil testes por milhão de habitantes.
11:18Nós estamos testando três, quatro vezes mais o que testa o Brasil em testes.
11:22A nossa capacidade de testagem, ela tem um desempenho muito melhor do que em outros lugares
11:27da nação.
11:28Então, o nosso laboratório central teve dificuldades por conta de um kit de extração,
11:33de que é uma etapa anterior à etapa de reação, que faltou no mercado mundial.
11:37O governo norte-americano praticamente proibiu a empresa Abbott de exportar os kits de extração
11:43e houve falta no mercado nacional.
11:45Nós desenvolvemos uma outra tecnologia de extração, estamos buscando alternativas com
11:50outras marcas também, para poder inclusive não depender somente da marca Abbott.
11:54Ou seja, o Estado tem uma estratégia robusta de testagem em massa da população,
12:00tanto a partir da estratégia de inquérito sorológico, quanto da estratégia de testagem dos pacientes
12:05pacientes leves, com mais de 45 anos e dos pacientes graves.
12:09Quando a pandemia estiver numa fase de recuperação e voltarmos a uma etapa de transmissão local,
12:17será possível voltar a fazer o que era feito no começo.
12:20Lembra que no começo, quando tinha um caso positivo, a gente testava todos os contatos?
12:25Testava todo mundo.
12:25Esse tipo de padrão de testagem, ele é para uma outra fase da pandemia.
12:31Então, quando nós entrarmos numa fase de recuperação, o critério de testagem ele modifica
12:36e a gente passa a voltar a testar todos os comunicantes de cada novo surto de Covid que possa ocorrer
12:41no Estado.
12:42O senhor tocou num ponto aí que vem se falando, o Espírito Santo vem se falando sempre.
12:46Ah, o Estado do Espírito Santo é o que mais faz testes em todo o país, comparando com o país
12:51que não está bom.
12:52A gente não tem visto bons números de realização de testes aqui pelo Brasil afora, muito longe do ideal.
12:59Quando a gente faz um comparativo com outros países, estamos abaixo.
13:03E aí seria uma meta do positivo para se alcançar, não, secretário?
13:08Veja, nós já temos, só em PCR, ainda 130 mil testes de PCR para fazer.
13:15Se nós somarmos esses testes de PCR aos quase 100 mil testes que já foram realizados no Estado,
13:21já realizamos 86 mil testes, já temos mais de 30 mil testes ainda por serem realizados,
13:28já distribuídos para os municípios em testes rápidos, nós teremos então uma quantidade de 200 mil testes feitos.
13:35Ou seja, nós vamos ter aí 5% da população testada, nós vamos ter 50 mil testes por milhão de
13:44habitantes,
13:45que é o que equivale aos melhores países do mundo que testaram suas populações.
13:50Então, a estratégia já disponível de testagem para o Espírito Santo,
13:55coloca o Espírito Santo, sim, numa tendência de poder chegar a uma capacidade de testagem equivalente à de países de
14:01primeiro mundo.
14:02E além dessa testagem já comprada, já distribuída, já disponível, nós vamos ampliar ainda mais a capacidade de testagem
14:10com novas compras de testes rápidos e com um novo inquérito serológico.
14:15Agora, vamos falar da equipe da linha de frente de atendimento, que são os profissionais da saúde,
14:21e aí a gente não está falando só dos médicos, não.
14:24Como que o Espírito Santo vem mantendo essas equipes de saúde?
14:27E é bom a gente registrar que no nosso estado, desde o início da pandemia, já tivemos 6.580 profissionais
14:34da saúde contaminados e 16 mortes.
14:37Como é que vem sendo o trabalho do estado com esses trabalhadores?
14:40Então, o Estado Espírito Santo não possui problemas crônicos na oferta de equipamentos para a atenção individual.
14:45Nós, inclusive, adaptamos a norma da Anvisa, que previa um conjunto de qualidade de equipamentos,
14:53e aperfeiçoamos para equipamentos com melhor qualidade no estado do Espírito Santo,
14:58e fizemos compras gigantescas de luvas, gorros, face shields, capote,
15:05e tanto de gramaturas mais finas quanto impermeáveis,
15:09para poder garantir aos trabalhadores da saúde pública do estado
15:11equipamentos de proteção individual qualificados para protegê-los e reduzir o risco de contaminação.
15:18Além disso, nós garantimos a testagem de 100% dos trabalhadores de saúde infectados
15:24dentro da janela de investigação laboratorial.
15:28A letalidade que nós temos de 0,22% em trabalhadores de saúde,
15:34ela é a metade do que é a letalidade pelo Covid corrigida pelo inquérito.
15:38Se a gente faz a letalidade do Covid corrigida pelo resultado do inquérito,
15:42nós temos uma letalidade que ela varia de 0,3% a 0,5% e a letalidade entre os
15:48trabalhadores de saúde
15:49é menor do que a letalidade corrigida.
15:53Ou seja, de fato, há uma proteção adicional garantida aos trabalhadores
15:57e há, de fato, uma estratégia do estado de não permitir que faltem EPIs nas unidades.
16:03Ocorreram faltas pontuais que foram corrigidas em questões de horas, em questões de dias,
16:07e o estado garantiu, sim, compras, tanto nacionais quanto internacionais, de EPIs aos trabalhadores.
16:13Na pandemia, nós temos uma situação extraordinária.
16:17Então, por exemplo, trabalhadores, é muito comum na saúde os trabalhadores terem dois ou três empregos.
16:23Em uma situação de pandemia, nos três vínculos desse trabalhador,
16:27os seus empregadores vão exigir dele, em todos os vínculos, hora extra.
16:33Em todos os vínculos vão exigir mais por quê?
16:36Porque muita gente fica doente, tem que cobrir o afastamento dos trabalhadores.
16:44Você tem muitas pessoas que acabam saindo do emprego por conta de fazer parte de grupos de risco,
16:50ou são afastadas das atividades não assistenciais.
16:52E o conjunto dos trabalhadores da saúde, de fato, são exigidos por todo mundo.
16:56É uma situação extraordinária.
16:59Nós não estamos vivendo uma situação de normalidade.
17:01E a todos tem sido exigido o máximo do seu limite.
17:05Até nas áreas administrativas da CESA, eu trabalho de domingo a domingo.
17:09Eu vou para a Secretaria de Estado da Saúde, sábado e no domingo.
17:13E o conjunto de subsecretários de Estado da Saúde também.
17:16Os diretores dos hospitais trabalham de domingo a domingo.
17:19Nós estamos há mais de 100 dias em um ritmo intenso de trabalho, de dedicação, de entrega,
17:26dedicando todas as nossas vidas ao enfrentamento da pandemia.
17:29Pois é, a gente falando nesta dedicação, tem uma grande preocupação dos profissionais da saúde
17:34é de não levarem a doença para dentro de casa.
17:38Essa foi muito pontuada por vários profissionais da saúde.
17:41Eles reforçam, sempre falam sobre esse medo de levar o coronavírus para os seus familiares.
17:47E aí, o governo aqui do Espírito Santo, dia 30 de abril, anunciou que estava estudando
17:52o pagamento de diárias em hotéis para esses profissionais que estão atuando na linha de frente.
17:57E no dia 27 de maio, o governo abriu uma licitação para a compra dessas diárias nos hotéis,
18:02mas a gente já está aqui no dia 23 de junho e ainda não houve nenhum hotel disponível,
18:07nenhuma diária sendo oferecida para esse trabalhador.
18:10O que ocorre?
18:12Por orientação dos órgãos de controle, por algumas cautelas dentro da Secretaria de Estado,
18:17nós decidimos fazer um pregão, fazer um processo licitatório para poder contratar
18:24os serviços de hotelaria para trabalhadores da saúde.
18:28O processo deu deserto, o processo não teve interessados,
18:32ele teve que correr dentro do trâmite quase que, vamos dizer assim, ordinário de contratação
18:37e nós conseguimos, por fim, em várias regiões, garantir neste momento a adesão de vários hotéis
18:44à oferta desse serviço, com exceção do município de São Mateus,
18:48que não houve interessados até a última atualização que eu recebi.
18:51Então, o Estado, por fim, conseguiu, então, a partir desse chamamento público,
18:56a adesão em quase todas as regiões do Estado da oferta desse serviço hospitalar,
19:01de hotelaria para os trabalhadores dos hospitais do Estado.
19:03Então, vai ter esse hotel a partir de quando, senhor presidente?
19:08Então, nós acreditamos que ainda, nessa semana, devem estar sendo homologados alguns contratos
19:12e nos próximos dias, possivelmente semana que vem, a gente deve começar a ofertar esse serviço
19:17para trabalhadores da saúde que atuam em hospitais de referência de Covid.
19:23E eles já estão cadastrados?
19:24Já tem até publicações, já com os homens dos hotéis, nós já estamos realizando,
19:30formalizando toda a documentação da participação de quem reuniu as condições
19:35de fazer o contrato com o Estado.
19:37Então, na próxima semana, eles já devem estar hospedados?
19:38É muito possível que na próxima semana a gente já passe a ofertar esse serviço
19:41nos locais onde os hotéis aderiram ao certame.
19:44Como o senhor mesmo falou, a gente está chegando aí, chegamos, né,
19:47aos 100 dias já de pandemia, de decretos de isolamento,
19:53fique em casa, não saia só realmente se for necessário.
19:57Como é que o senhor avalia esses dias de isolamento social no Espírito Santo?
20:02A gente tem um grau de incerteza muito grande quando a gente conversa com a população,
20:07um medo presente também entre as pessoas com esse número de mortes,
20:11um número que é bem maior do que o previsto,
20:13porque, olha, já são 1.387 óbitos aqui no nosso Estado.
20:18No dia 13 de maio, o senhor, inclusive durante uma entrevista aqui na TV Vitória,
20:23o senhor falou sobre uma previsão de 300 mortes para os próximos dias,
20:27ou seja, era dia 13 de maio, até dia 15, dia 20 de maio teríamos 300 mortes,
20:32mas nós estamos, no dia 23 de junho, com 1.387 mortes,
20:38um número bem maior do que estava previsto.
20:42Então, a previsão daquele período foi para o período seguinte,
20:45os óbitos eles dobram a cada 15, 20 dias.
20:49Então, ao final de maio, por exemplo, eu afirmei o que está ocorrendo,
20:53que ao longo do mês de junho, nós deveríamos ter um acumulado de óbitos
20:59equivalente a todos os óbitos que ocorreram até aquela data.
21:02Então, nós terminamos o mês de maio com mais de 600 óbitos,
21:06e estamos, ao longo do mês de junho, dobrando o número de óbitos.
21:10E essa previsão, ela foi acertada.
21:13Nós projetamos de maneira adequada a evolução do comportamento do óbito,
21:17porque nós estamos reconhecendo o real comportamento de crescimento da pandemia
21:22na fase que nós vivemos, que é a fase de aceleração,
21:25é a fase de crescimento distoporcional de casos.
21:29Então, não há, no resultado final da curva de casos do Espírito Santo,
21:33uma tendência de platô, porque nós temos os casos do interior em franco crescimento,
21:40ainda em crescimento em municípios da Grande Vitória,
21:43que a tendência de estabilização de um ou outro município não é suficiente
21:48para estabelecer uma estabilização da pandemia no Espírito Santo.
21:51Então, a projeção de óbitos, ela está relacionada ao tamanho da pandemia
21:57e de casos ativos prevalentes no mesmo período na pandemia.
22:04Agora, Pedro, o secretário, o senhor avalia que faltou um trabalho mesmo
22:09de conscientização, de conversa, de campanha com a população,
22:13porque a gente tem visto muita divulgação do governo do Estado
22:16nas redes sociais, fazendo também até entrevistas,
22:20fazendo pronunciamentos pela internet, com a imprensa.
22:25Inclusive, muitas vezes, a gente manda perguntas que não são respondidas
22:29pelo governo do Estado, que seja pela Secretaria de Saúde.
22:32O senhor avalia que faltou uma comunicação, uma conversa melhor com a sociedade,
22:37com campanhas mesmo de divulgação, de dizer, olha, a situação é essa,
22:41precisamos ficar em casa, um trabalho melhor, porque o clima na população é de incerteza,
22:47o clima na população é de medo, às vezes fica, se ouve, né, falar,
22:51olha, se você não ficar em casa, a gente vai fechar tudo, mas é muita incerteza.
22:55O que vai acontecer com o Espírito Santo?
22:57Faltou uma campanha, um trabalho mais próximo à população?
23:00Veja só, Juliana, desde o início da pandemia, não há um dia em que eu,
23:08ou um subsecretário da Saúde, ou governador, ou alguma autoridade do governo do Estado,
23:12não esteja em constante e permanente diálogo com os veículos de comunicação,
23:17com a imprensa capixaba, que, por sinal, tem se comportado de maneira muito honesta,
23:21muito correta na cobertura da pandemia e há um reconhecimento por parte do governo
23:26no papel fundamental e estratégico dos meios de comunicação.
23:30Ocorre que o país não vive uma situação de coesão política, social.
23:37Para além do presidente da República, que assumiu uma narrativa beligerante,
23:42uma narrativa de polarização com os governadores, com a sociedade, com os cientistas,
23:48com as universidades, as críticas que foram feitas aos pesquisadores, à ciência,
23:53elas ofenderam e dividiram o país.
23:56Só que elas levaram consigo também muitos líderes religiosos,
24:01pessoas que têm um alto grau de legitimação ideológica em tudo aquilo que eles colocam
24:06para os seus liderados.
24:07Então, o país não viveu o enfrentamento da pandemia com um grau de coesão capaz
24:14de poder unir todo o povo, unir todas as pessoas em torno de consensos,
24:19de grandes consensos de como enfrentar a pandemia e do que representa essa pandemia para o país.
24:24Você teve a expressão no Espírito Santo, por exemplo, de pessoas populares que pegam um megafone
24:29e saem pela rua gritando, com palavras de ordem contra o governo, contra os cientistas,
24:34contra os médicos, contra o secretário da saúde.
24:37E quando você percebe, tem lá 30, 40, 50 pessoas seguindo essa pessoa.
24:41Você tem expressões...
24:43Então, exatamente nessa situação, secretário?
24:45Você tem expressões de desobediência civil, expressões de polarização política, ideológica,
24:53que são totalmente perniciosas ao enfrentamento da pandemia.
24:56E a subestimação, a subestimação desse papel pernicioso da polarização política no enfrentamento da pandemia,
25:05ele sim coloca em xeque o enfrentamento e a capacidade de vencer a pandemia.
25:10Pois é, o Brasil, ele vive realmente uma situação muito difícil,
25:14porque, como o senhor pontuou aqui, o governo federal anunciando medidas particulares aí de enfrentamento
25:20para todo o país.
25:22Aí, enquanto isso, vem os estados com outras medidas, com decretos.
25:26Justamente por isso, a minha pergunta, não falta, não faltou uma iniciativa do governo,
25:31aqui do Espírito Santo, não analisando os outros estados brasileiros,
25:34mas aqui no Espírito Santo, a gente fazer um trabalho muito claro com uma sociedade
25:38que acaba, sim, ficando perdida, porque se escuta muitas orientações
25:43e uma campanha efetiva do governo para tranquilizar a população,
25:46que seja, olha, agora é todo mundo dentro de casa.
25:49Então, vamos fazer uma campanha sobre isso, porque a gente tem, fica mesmo perdido e com medo,
25:55porque vem, ah, olha, são tantas mortes, são mais mortes, tem leito, não tem leito,
26:00vai ter estrutura para todo mundo, não vai ter.
26:02Juliana, o povo brasileiro é um povo nobre, ele é um povo lindo, um povo de fé,
26:08um povo que tem líderes, que acredita nos seus ícones.
26:11E cada segmento da população que compõe o povo brasileiro, eles participam de campos,
26:20campos de cultura, campos ideológicos, campos de pensamentos sociais,
26:25e a capacidade de diálogo com o conjunto de toda a sociedade exige a coesão de todos os líderes da
26:32sociedade.
26:33Enquanto os líderes estiverem divididos, enquanto os formadores de opinião estiverem divididos,
26:38as multimilionárias, as maiores campanhas publicitárias de comunicação não vão ser capazes,
26:44porque elas não têm o mesmo grau de legitimação ideológica para dentro de todos os grupos sociais,
26:50de maneira uniforme.
26:51O Estado do Espírito Santo fez amplas campanhas de massa, fez amplas campanhas de televisão,
26:57de rádio, de redes sociais, para poder divulgar a realidade da pandemia.
27:02No entanto, no mesmo momento em que o governador pessoalmente faz uma live,
27:07reconhecendo, liderando todo o processo de enfrentamento à pandemia no Estado,
27:11no mesmo dia à noite, o presidente da República vai para os meios de comunicação
27:14dizer que a pandemia era uma invenção de governadores que estavam inventando casos
27:21que era necessário, que era só uma gripezinha,
27:24ou que era preciso verificar e ocupar hospitais para poder saber se tinha mesmo pacientes lá ou não.
27:30Então, é extremamente complexo e não são respostas simples ou conclusões simples
27:36que vão permitir que a gente entenda a profundidade do caos que o país vive
27:42na condução do conjunto do problema no país.
27:45Então, o Renato Casagrande demonstrou ser um grande líder,
27:48um líder político que dialogou permanentemente com todos os setores da sociedade,
27:53que dialogou diretamente com o povo por meio das redes sociais,
27:56de coletivas de imprensa.
27:58Nós estabelecemos um link de comunicação direta com a população.
28:02E, secretário, como é que vai ser daqui para frente?
28:04A gente tem aí, por exemplo, escolas fechadas,
28:06essa semana mesmo, falando, o senhor falando,
28:08que não há uma previsão de reabertura das escolas.
28:12Como é que vai ficar, por exemplo, essa questão das escolas
28:14e os outros estabelecimentos que também continuam,
28:17como, por exemplo, comércio, com abertura escalonada,
28:20shoppings também com restrição de atendimento,
28:22dias de fim de semana fechados.
28:24Como é que fica aqui para frente?
28:25Daqui para frente, a gente precisa vencer a pandemia.
28:28Enquanto nós não conseguimos coesionar a sociedade
28:31e fazer um pacto pelo distanciamento social, pelo isolamento,
28:35enquanto as pessoas não concordarem em praticar o isolamento domiciliar,
28:40se tiverem sintomas respiratórios,
28:42a gente não vai derrotar a pandemia
28:43e teremos uma crescente de casos e de óbitos.
28:47Enquanto não houver redução sustentada
28:50de pacientes internados nos hospitais,
28:53em estado crítico,
28:55uma redução do número de óbitos,
28:56uma redução do número de casos novos,
28:58não é possível, não é razoável voltar a autorizar,
29:03por exemplo, o funcionamento de qualquer atividade
29:06que aumente o fluxo do transporte coletivo.
29:08Então, as escolas representam, na verdade,
29:13talvez o último segmento a que possa retomar uma nova normalidade,
29:18porque, de fato, nós precisamos cumprir a etapa anterior.
29:22Nós não podemos submeter os trabalhadores da educação,
29:26as nossas crianças, os nossos filhos,
29:28ao risco de circularem em uma sociedade que ainda está doente,
29:34em uma sociedade que ainda está vivendo uma prevalência alta
29:37de uma doença que mata.
29:40Nós estamos perdendo entes queridos
29:41e os óbitos cada vez mais chegam perto de todos.
29:44Então, para poder, no mês de agosto ou no final de julho,
29:48abrir uma possibilidade de retomada das atividades escolares presenciais,
29:53é necessário que hoje, que ontem, que na semana passada,
29:57todos se cohesionem para apoiar o distanciamento social.
30:01Se isso, se permanecer o que está ocorrendo nos últimos dias,
30:05de ter um distanciamento social totalmente insuficiente,
30:10indisciplinado, como ocorreu nesta última semana,
30:13nós vamos estar expondo a transmissão da doença,
30:16pessoas que estavam isoladas,
30:17e a tendência de estabilidade da transmissão vai ser quebrada.
30:23Então, podemos voltar a viver dias muito críticos,
30:27no mês de julho, caso o distanciamento social não seja sustentado.
30:34Então, a possibilidade de ter uma retomada de uma agenda social
30:39e econômica mais ampla depende de vencer a pandemia.
30:44E a gente segue aqui, acompanhando o secretário,
30:45muito obrigada pela sua presença.
30:47A gente, seguindo aqui na entrevista, tem muito, muito comentário,
30:50muita participação.
30:51Não deu para ler os comentários, mas agradeço a sua presença
30:54e vou encaminhar todos os questionamentos aqui do nosso Facebook, viu?
30:57Uma ótima tarde.
30:58Tchau, tchau.

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