- há 3 minutos
Psicóloga dá dicas sobre como lidar com saúde mental de crianças e adolescentes durante a pandemia
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00:00Você tem criança em casa? Como é que tem sido esses dias de confinamento?
00:04Vocês viram aí na reportagem, os efeitos da pandemia têm provocado mudanças no emocional das crianças.
00:11Para bater um papo aqui hoje com a gente, eu recebo a psicóloga Letícia Santana.
00:15Boa tarde, Letícia.
00:16Boa tarde.
00:17Bem-vinda ao Fala Espírito Santo.
00:18Obrigada, querida.
00:19Uma grande preocupação nesse momento, porque as crianças não têm a mesma compreensão que um adulto, né, Letra?
00:25Sim, assim, eles não têm a mesma compreensão e estão vivendo os mesmos dramas que esse adulto.
00:31E aí, o que a gente começa a perceber é que, por estar sendo uma situação tão difícil para todo
00:40mundo,
00:40cada um está fazendo as suas próprias compreensões e a criança, ela vai absorvendo todo esse ambiente familiar.
00:49Então, as mesmas emoções que os pais ou os cuidadores estão enfrentando,
00:53possivelmente são as emoções dessas crianças, que vão elaborando essas emoções da forma que ela melhor compreende, né?
01:01Pois é, agora, como lidar com isso? E aí a gente entra com crianças, adolescentes também.
01:07Sim, eu acho que uma questão importante, Juliana, nesse momento, assim, não é nem tanto trazer regras,
01:14mas alertar aos pais que é importante que eles estejam atentos a essas crianças.
01:20É importante que eles observem a forma como essas crianças estão reagindo a essa situação, que é peculiar a todos
01:26nós.
01:26Então, cada criança vai ter uma necessidade especial.
01:30E é importante que esse pai saiba qual é a necessidade dessa criança,
01:33se essa criança está querendo compreender a dinâmica real, se ela está querendo compreender como vai ser o futuro,
01:39ou simplesmente se ela quer correr no parquinho, ou se ela quer um abraço.
01:43Eu acho que, mais do que nunca, é hora de estar sensível a esse ser que está aqui ao lado
01:50da família,
01:50fazendo leituras pessoais sobre essa nova situação que está tão difícil para todo mundo, né?
01:57Bom, a gente começou a receber participações aqui dos nossos telespectadores pelo Facebook.
02:01A Juscelia Souza falou o seguinte,
02:09Sim, isso aí tem sido uma constante em todas as famílias,
02:28porque as crianças, elas perderam os seus reforçadores.
02:32Quer estar com os amigos, quer correr na praia ou correr na escola.
02:36E aí, agora é tempo de nós, pais, que estamos atentos a essas necessidades,
02:41sermos muito criativos, porque é, sim, possível, através da internet e de flexibilizações,
02:48conseguirmos fazer com que essa criança se insira socialmente.
02:52Então, por exemplo, alguns momentos junto com os colegas, mesmo que seja de forma virtual,
02:59ou, de repente, uma descida rápida em algum ambiente que é possível que essa criança corra ou brinque,
03:06ou até mesmo estar com ela fazendo algum tipo de atividade lúdica.
03:11Enfim, precisamos, mais do que nunca, sermos criativos e empáticos
03:16para sabermos qual é a real necessidade dessa criança.
03:18A gente viu aí a Juscelia falando que o filho está comendo muito.
03:22A Elisângela Borchard está falando o contrário.
03:25Ju, minha filha está muito ansiosa, ela não está comendo, sente falta de ar.
03:29O que eu faço, Ju? Eu tenho medo de levá-la ao médico por conta dessa pandemia.
03:34É, isso aí é uma questão, porque normalmente as estratégias de enfrentamento dessa criança
03:39são muito semelhantes às estratégias de enfrentamento dos próprios pais.
03:43Então, muitas vezes, a ansiedade também é um...
03:47A comida, muitas vezes, é um escape da própria família para a ansiedade,
03:51ou o silêncio é um escape da família para a ansiedade.
03:54Então, se o pai perceber que o comportamento dessa criança está muito atípico,
03:59ela deve buscar ajuda e não necessariamente precisa ir até algum lugar.
04:02Então, hoje a gente já tem atendimentos online de profissionais da área da saúde,
04:07quer psicólogos, até mesmo pediatras.
04:09E é importante, sim, estar atento, porque um adoecimento mental implica também
04:13no adoecimento físico também dessa criança, né?
04:16Pois é, agora e essa questão de buscar ajuda?
04:19Isso que preocupa muito, porque a orientação, gente, é buscar, sim, um profissional de saúde.
04:26Se não quiser ir no posto, tentar nas clínicas, né?
04:30Mas aí já entra em clínicas particulares.
04:32Se a pessoa não tem um plano de saúde, não tem jeito, tem que ir sim num posto, né?
04:36Numa unidade.
04:37Sim, eu acho que é aquilo, né, a gente precisa mesmo ir atrás da nossa demanda.
04:44Então, a gente tem observado que muitas pessoas têm passado por privações não só emocionais,
04:49como também físicas, porque se exime de ir lá num determinado lugar.
04:54E a gente sabe que, dentro das possibilidades, os locais estão preparados para nos receber.
05:00Eu acho que agora, passado todo esse tempo, esses três meses, é um momento, sim, de buscar estratégias de enfrentamento,
05:07é um momento de buscar auxílio e não se intimidar, porque, assim, nós nos preservamos, nos isolando.
05:14Sim, isso é realmente necessário.
05:16Mas dentro das nossas condições e possibilidades, nós temos que ir aos órgãos competentes, sim.
05:22E, assim, só enfatizando, também tem os serviços online, né?
05:26Que também é uma estratégia interessante.
05:28Que também podem ajudar, né?
05:29Sim.
05:30E, olha, vamos colocar aqui na nossa conversa uma mãe de dois filhos, a Emanuele Pagotto.
05:34Ela tem uma menina de 11 e um menino de 4 anos.
05:37Boa tarde, Emanuele.
05:38Obrigada por receber a gente aí na sua casa.
05:42Boa tarde.
05:43Como é que tem sido esses dias de confinamento, com as crianças em casa, sem ir para a escola,
05:49sem poder ter aquela vida normal, a rotina?
05:53É, ficou um pouquinho complicado, né?
05:55A nossa demanda das mães, principalmente, aumentou bastante.
06:00Nós mudamos para a mata da praia para ter um pouquinho mais de qualidade de vida.
06:05Moramos do lado da pedra da cebola para poder sair com as crianças.
06:08E, aí, veio a pandemia e a gente acabou ficando preso.
06:14Então, logo que iniciou a pandemia, eu pensei que ia ter mais problemas com o Davi.
06:19Davi, ele tem diagnóstico de autismo, faz terapia todos os dias, né?
06:25Então, a rotina dele mudou muito.
06:27Eu pensei que eu ia ter mais problema com ele.
06:29Mas o que eu fiquei admirada é que quem me deu mais problema foi a Natália, de 11 anos.
06:34E a Natália, assim, ela nunca tinha dado problema, né?
06:37Ela tem mérito acadêmico na escola, desconto.
06:42Ela ajuda em casa, sempre uma menina muito meiga, sempre elogiada na igreja,
06:47que a gente frequenta, muito responsável.
06:50Só que, com a quarentena, ela começou a se isolar.
06:53Começou a ficar muito no celular, ia para o canto da casa.
06:57Começou a ficar muito...
06:59Chorar bastante, porque eu perdi um filho também, há quatro anos,
07:03por uma bactéria respiratória muito parecida com o Covid.
07:06Então, só o fato de eu ter ficado doente, ou o pai sair para trabalhar,
07:10isso trouxe muita ansiedade.
07:12Vai acontecer com a minha mãe, minha mãe está doente,
07:14meu pai está saindo para trabalhar.
07:17Então, ela começou a ficar agressiva.
07:19Eu comecei a perceber que ela não queria brincar com a cachorrinha,
07:22não estava dando atenção mais para o Davi.
07:24E o Davi, que é menor, acaba querendo muita atenção dela.
07:29E eu fiquei muito preocupada.
07:32Então, eu procurei, conversei com até a minha terapeuta,
07:35que faz acompanhamento comigo, porque eu também tenho diagnóstico de autismo leve.
07:40E conseguimos, pelo plano de saúde, que ela faça terapia online.
07:45E, graças a Deus, desde que ela começou a fazer as terapias online,
07:48a doutora Ana Paula começou a orientar como que a gente deveria fazer.
07:54Que a gente, sim, tem que manter uma rotina,
07:57mas também não tem que ser uma coisa que obrigue as crianças.
08:01Ela tem o horário da escola, o horário online, o horário das refeições,
08:05mas depois disso fica um pouco livre.
08:07Mas eu tento fazer várias atividades com ele.
08:10Eu posto no meu Instagram materiais didáticos.
08:14Ela gosta de desenhar, né, Natália?
08:18Gosta muito de desenhar.
08:20A gente faz pizza, biscoito.
08:22Então, todas as atividades que a gente vai preparando em casa,
08:25a gente tenta incluir eles para eles terem o que fazer.
08:28Porque o Davi, por exemplo, começou a acordar de madrugada,
08:31coisa que ele não fazia.
08:32Ele toma medicação, mas ele começou a acordar muito de madrugada,
08:35porque não tem gasto de energia, o apartamento é pequeno,
08:38eles não podem ir ver a avó.
08:40Os cultos estão sendo online, então eles têm saudade da nossa igreja aqui.
08:45Você quer ficar pertinho.
08:47Mas agora, depois das terapias, Natália melhorou.
08:50Colocamos um horário para utilizar o celular,
08:56umas duas horas por dia.
08:58Colocamos horário para filme, a gente vai administrando isso.
09:02E quando o pai chega do serviço, né, a gente tentou colocar na cabecinha deles
09:07que o pai chega cansado, tem que higienizar, tem que jantar
09:11para depois dar atenção para eles, porque senão eles também sufocam o pai, né?
09:15Mas agora a gente, assim, trouxe menos ansiedade.
09:19E está correndo tudo bem agora.
09:21Agora estamos aguardando.
09:22Mas a gente está trabalhando com um tempo mais longo.
09:27Pois é, a gente não tem uma previsão, né?
09:31Não sabe até quando, quanto tempo mais que isso vai durar.
09:34Deixa eu aproveitar e conversar com a Natália.
09:37Natália, o que você tem achado?
09:38Como é que você está se sentindo aí nesses dias mais em casa?
09:42Você não está indo para a escola, não está vendo sua turma,
09:44a igreja também não está dando para ir até lá, não dá para sair.
09:48Como é que você está se sentindo?
09:52Eu fico, às vezes, um pouco entediada,
09:55mas eu gosto bastante de pegar, tipo, caixa de brinquedo,
10:00fazer percurso mesmo aqui, que a gente pega a bambolê,
10:03corda de pular e fica aqui brincando eu e meu irmão.
10:07Mas chega uma hora que cansa, né?
10:10Quer fazer outra coisa.
10:15Quer passear na casa da vovó, ir para o shopping.
10:19Você está sentindo falta da escola?
10:23Estou, principalmente dos meus amigos.
10:27Dá uma saudade, né?
10:28Você está conseguindo conversar com seus amigos, mesmo de casa, Natália?
10:33Sim, tem vezes que a gente faz live e fica conversando bastante até.
10:38Aniversário por live.
10:40A gente já fez até uns aniversários mesmo por live,
10:43porque era aniversário de uma amiga, a gente fez a live e mandou parabéns, etc.
10:48Pois é, e aí vai distraindo um pouco, né, Manoel?
10:51Porque realmente é muito difícil, né?
10:54Ficar dentro de casa.
10:56Imagina para as crianças que estão acostumadas com uma rotina completamente diferente
11:00e que não têm a mesma capacidade de um adulto, né?
11:03De compreender, de entender o momento.
11:07É, de não abraçar, porque o que a gente faz é botar ele dentro do carro e dar uma volta
11:11com eles, né?
11:12A gente não está saindo mesmo porque eles têm bronquite, asma.
11:17Então, a gente pega o carro e dá uma volta.
11:18Aí, o que a gente fez recentemente, a gente parou na porta de um prédio de um casal de amigos,
11:25em Jardim Tamburi, eles desceram com os filhos de máscara,
11:28mas os meus ficaram dentro do carro, pela janela, dando tchau,
11:32e eles ficaram na calçada distante, né?
11:35Mas, assim, muito estranho, porque essa família é uma família que frequenta a nossa casa,
11:40frequenta a nossa igreja, então a gente sempre está junto, sempre faz churrasco,
11:44sempre almoça junto, sempre se abraça, viaja.
11:48Então, a gente está com muita saudade das pessoas que a gente tem convívio, né?
11:52E dos nossos familiares.
11:53Por exemplo, minha mãe e minha sogra, elas são idades, têm mais de 80 anos,
11:59a gente não pode ter contato com elas, para proteger elas, né?
12:04E isso está deixando a gente um pouco triste,
12:06mas agora a gente tem trabalhado com um prazo um pouquinho mais longo,
12:09porque toda vez aparece assim, ah, daqui, final do mês vai iniciar as aulas,
12:14aí passa o mês, chegando no final do mês não inicia, vai ter o lockdown,
12:18aí isso também traz muita ansiedade para a gente,
12:21que a gente não sabe se vai ter mesmo o que vai acontecer, né?
12:25Então, está muito no ar, a gente não tem uma certeza do que vai acontecer,
12:31então a certeza que a gente tem é Deus, né?
12:33É a fé que a gente carrega de acreditar que as coisas vão melhorar,
12:37de agradecer que a gente tem essa oportunidade de ter esses materiais em casa,
12:44utilizar coisas mais simples, eu posto materiais para mães
12:48que talvez não tenham tanto recurso dentro de casa,
12:52porque não é todo mundo que está bem,
12:56porque nós não estamos com problemas financeiros, assim,
12:59meu marido está trabalhando, eu continuo fazendo o meu home office,
13:02mas eu fico imaginando aqueles pais que além do problema das crianças,
13:06estão com problemas mais sérios em casa, né?
13:09Problemas financeiros, problemas de saúde, de parente internado,
13:13então essa ansiedade faz muito mal para a gente,
13:16mas assim, eu amei fazer a terapia online,
13:20indico para todos os pais procurarem o seu plano de saúde,
13:23procurar uma terapeuta particular,
13:26tem igrejas, a UFES também tem algumas faculdades que estão oferecendo, né?
13:31sistema gratuito, porque realmente vale a pena, parece bobeira,
13:35mas vale muito a pena.
13:37Olha, eu queria agradecer, Manoel, você ter batido um papo aqui com a gente,
13:41Natália, obrigada também por ter conversado com a gente,
13:44um beijo para a família e vamos ficar aqui na torcida para que tudo passe logo, né?
13:48A gente não sabe quando, mas que esse dia chegue logo e a gente possa voltar à nossa rotina, né?
13:54Beijo, fiquem com Deus.
13:56Bom fim de semana.
13:57Tchau, tchau.
13:58A gente viu aí uma família e com o exemplo da filha,
14:01a Emanuele contou que a Natália teve essa ansiedade muito grande,
14:05ela achou que fosse ter problema com o filho que tem autismo,
14:08e não, na verdade, ela teve com a filha maior, já de 11 anos,
14:12que mudou o comportamento, né?
14:14E ansiedade, eu acho que é a palavra do momento para essas crianças,
14:18a gente está recebendo aqui participações também,
14:20e olha, eu vejo assim, a palavra ansiedade aparecendo o tempo inteiro.
14:25A Marizelma Ferreira, meu filho tem 7 anos e ficar em casa está deixando ele muito ansioso.
14:31Sim, agora, realmente, você falou bem, a ansiedade tem sido a palavra do momento,
14:36porque a ansiedade fala de uma expectativa de algo que está por vir,
14:40que eu não sei o que é, mas acho que vai ser muito ruim.
14:44E isso tudo acaba repercutindo na criança.
14:47Agora, que sequência positiva de bons exemplos dessa mãe?
14:53Como ela bem colocou, ela tem recursos não só de tempo,
14:57como recursos financeiros e cognitivos para buscar estratégias.
15:01Mas o que a gente tem orientado é exatamente isso,
15:05assim, cada um buscar estratégias dentro dos recursos que possui.
15:08E talvez uma estratégia bem interessante para combater a ansiedade
15:14é entender que, apesar de ter sido prolongado o tempo do fim, vai haver fim.
15:21Eu acho que o que aconteceu nessas últimas duas semanas,
15:26que potencializou a ansiedade, foi essa expectativa frustrada de que estava no fim.
15:31Por alguma razão, criamos uma expectativa que já estávamos próximos do fim.
15:36E, quando a gente olha todos os acontecimentos, parece que esse fim não vai chegar nunca,
15:41mas ele vai chegar, sim.
15:43E aí, o que a gente precisa nesse momento específico?
15:46A gente precisa de criatividade e a gente precisa de empatia,
15:52principalmente com os que estão dentro de casa.
15:54Mais do que nunca é hora da gente desenvolver,
15:57porque o meu sofrimento é o sofrimento do outro também.
16:00A minha angústia é a angústia do meu filho.
16:02Provavelmente, essas falas a respeito de ansiedade em relação aos filhos
16:06é a ansiedade dos pais.
16:08E, ok, que estejamos ansiosos.
16:11Então, a gente precisa buscar também.
16:12É natural, né, Letícia, essa ansiedade.
16:15Sim, sim.
16:16Porque, assim, todo o nosso chão foi tirado, né?
16:20Toda a nossa rotina, toda a lógica, para muitos os recursos financeiros.
16:25Então, todos estamos tendo que nos reconstruir.
16:29A gente viu ali o caso da Emanuele, ela tem um plano de saúde,
16:32ela conseguiu uma consulta online para a filha.
16:34Mas a gente sabe que essa é a realidade de uma minoria.
16:38Sim.
16:38A maioria dos capixavas, a maioria dos brasileiros não tem um plano de saúde,
16:44não tem condições de pagar por um plano.
16:46E aí, fica sem essa assistência, porque quando a gente vai buscar um posto de saúde,
16:52já tem esse medo de contrair a doença e também não tem o profissional.
16:56Sim.
16:57Na verdade, é um triste e velho problema, né?
17:00Então, o que a pandemia trouxe não foi nada, entre aspas, novo,
17:04mas a potencialização dos problemas que já existiam.
17:07Agora, o que a gente tem visto muito nas redes sociais
17:10é a disponibilidade de profissionais qualificados em áreas diversas,
17:16oferecendo conteúdo, principalmente no...
17:19E de graça, né?
17:19E gratuito, exatamente.
17:21Então, o que a gente pode orientar aqui nesse caso?
17:24Se você está percebendo que há necessidade de uma ajuda profissional
17:28e você não tem recursos para um atendimento particular online, enfim,
17:34busque talvez uma conexão nas redes sociais.
17:38Tem profissionais, sim, se disponibilizando a fazer atendimentos gratuitos.
17:42E entenda, como essa mãe bem colocou, que é um investimento bastante satisfatório.
17:48Se você me permite só trazer o exemplo da Natália,
17:51provavelmente o que fez a diferença foi esse momento de escuta,
17:55porque ela já estava especulando que ela perderia os pais como perdeu o irmãozinho.
18:00Só que, se não há uma verbalização, ela não consegue contextualizar
18:05os seus próprios fantasmas com a situação real.
18:08Então, realmente, é um profissional que faz diferença, sim.
18:12A gente entende que é um profissional, às vezes, que não é acessível a todos,
18:16mas aproveita esse momento para buscar conexões nas redes sociais,
18:20que existem, sim, pessoas qualificadas que estão se disponibilizando para ajudar.
18:26Agora, como que a gente faz para lidar com esse confinamento?
18:29O que fazer com as crianças?
18:31É exatamente o que nós estamos debatendo aqui hoje com a psicóloga,
18:34a doutora Letícia Santana, o que fazer para lidar com as crianças?
18:38E deixa eu passar algumas participações, Letícia,
18:40que a gente está recebendo aqui pelo Facebook.
18:44Vou puxar aqui, tem muitas pessoas falando.
18:47A Andréia Silva está falando,
18:48minha filha de três anos está ansiosa, começa a comer a unha.
18:52Tem um dedinho, inclusive, está em carne viva.
18:54Ela tenta passar desenho, mas mesmo assim, a filha está ansiosa.
19:01A Fabi Luan aqui está falando,
19:04Ju, meu filho fazia futebol, estava indo bem, com ansiedade,
19:06agora ele está comendo além do limite, engordou muito,
19:10estou pondo ele para se exercitar.
19:12O que eu faço?
19:13Vamos pensar aí umas ideias para as pessoas em casa,
19:17para os pais, avós, o que fazer com essas crianças?
19:20Porque, ó, uma ruendo unha, o outro comendo demais.
19:23A gente já viu também que tem crianças que estão comendo de menos, né?
19:25Perdeu a fome.
19:28Esses relatos são relatos da maioria das pessoas que têm crianças em casa, né?
19:34E aí, só aproveitando, colocar uma experiência pessoal.
19:37O grupo das mulheres do meu prédio, elas trocam ideias umas com as outras
19:43do que elas têm feito com os filhos.
19:46E eu tenho percebido que todas as ideias já estão se exaurindo.
19:50Eu acho que é esse o ponto também, né?
19:52As ideias estão se exaurindo, os recursos estão se exaurindo de todos.
19:58E aí, quando me falta, eu também não tenho muito para dar.
20:02O que eu posso te falar agora, nesse momento,
20:05é que respeite este tempo e cuide da sua ansiedade, mãe.
20:12Eu sei que, nesse momento, estamos todos sobrecarregados com muitas coisas,
20:17com muitos fantasmas e é muito natural que essa ansiedade esteja cada vez mais intensa
20:23nos cuidadores.
20:25Porque a criança, ela reflete o ambiente da família, não tem jeito.
20:31Ainda mais nesses exemplos tão novos, de três anos e tudo mais.
20:34E aí, eu poderia aqui trazer algumas dicas que eu acredito que você já fez todas, inclusive.
20:40Porque, né, atividades lúdicas, como, por exemplo, pular corda na varanda,
20:46como, por exemplo, montar quebra-cabeça ou contar histórias.
20:49Enfim, as próprias escolas que estão tendo essas atividades no sistema EAD propõem isso também.
20:56E aí, eu observo que todos esses recursos também já se exauriram.
21:00Então, agora, eu acredito que é tempo muito mais de estar juntos,
21:06de buscar trazer uma tranquilidade interna, de buscar recursos,
21:11no caso daquela família do exemplo anterior, né, relacionados à fé.
21:14Buscar esses recursos para abrandar a ansiedade do que trazer novas dicas ou estratégias.
21:21Agora, tem um ponto que é muito importante.
21:23Mesmo que você flexibilize muitas coisas, a rotina ainda é muito necessária.
21:31Então, é importante que você tenha hora para dormir, hora para acordar,
21:35hora para fazer os deveres e hora também para relaxar e não fazer absolutamente nada.
21:40Então, mesmo que você perceba que o ambiente de ansiedade está cada vez mais aflorado
21:45dentro da sua casa, não abra mão da rotina.
21:50Flexibilize-a, seja talvez um pouco menos exigente, que possa ser o padrão, não sei, né,
21:55cada caso é um caso.
21:57Mas, mantenha a rotina, tanto da semana quanto do final de semana.
22:02A comida é um escape muito, entre aspas, poderoso para a criança.
22:07E aí, eu repito, porque também é um escape para nós, adultos.
22:11Então, talvez criar uma flexibilização no final de semana,
22:15que vamos comer uma coisa diferente e gostosa, mas tentar trazer uma alimentação saudável
22:20para a semana também.
22:22Enfim, como é algo muito particular, talvez se eu possa contribuir agora,
22:28é assim, cuide da sua ansiedade.
22:32Tente manter um ambiente de conexão, um ambiente de paz e de segurança com os seus.
22:37Ele precisa saber que lá fora está um caos, mas aqui dentro as coisas estão caminhando bem.
22:46E olha, vamos conversar com mais uma mãe pela internet, a Josi Paiva.
22:51Ela tem uma filha de dois anos e meio e nesta pandemia está fazendo um monte de atividade
22:56para entreter a filha, né, Josi?
22:58Boa tarde.
23:00Ei, boa tarde.
23:02Conta aí para a gente o que vocês estão aprontando em casa,
23:05que eu já soube que você fez um quarto divertido aí, né?
23:09Fiz, fiz bastante coisa aqui para entreter a pequena.
23:12Tem dois anos e meio e ficar dentro de casa direto não é fácil, né?
23:17Então, a gente tem que se dobrar ainda mais com criança pequena, né?
23:22E aí, o que vocês fizeram no quarto?
23:24Você pegou o quarto da sua filha e pintou.
23:29Pintei, ele já tinha uma pintura normal e na quarentena eu acabei e fiz aqui,
23:33não sei se dá para ver, um arco-íris.
23:35Eu coloquei esse espelho aqui, pintei o espelho,
23:38a dar tempo, porque o espelho ele estimula, né,
23:40a criança a se desenvolver, a ser mais criativa, a se olhar.
23:45Eu fiz também um escorregador, deixa eu mostrar para vocês aqui,
23:48ver se dá para ver aqui, ó.
23:50Fiz um escorregador de madeira, tá vendo?
23:52Não tinha esse escorregador antes?
23:54Não, a gente comprou a madeira mesmo, botou a mão na massa
23:59e eu quis colocar o escorregador aqui para ela se divertir, né, no ambiente dela.
24:04E aí, como é que a Charlotte tem ficado?
24:07Charlotte, como?
24:08E como a Charlotte tem ficado em casa, nesse quarto divertido?
24:14Eu, quando a gente percebe que ela está mais estressada, mais agitada, assim,
24:18a gente procura brincar com ela, mesmo que não seja com brinquedos,
24:22ela adora brincar de esconde-esconde.
24:24Então, eu e o pai, a gente se joga...
24:26Esconde-esconde!
24:28Ela está se olhando.
24:29Aqui, esse aqui também, ó, cama de gato, a gente pegou, peguei um cestinho
24:33e você faz com linhas, tá vendo?
24:36E joga muitos brinquedos aqui para a criança poder tirar, né?
24:39E ela acaba desenvolvendo também, desestressando, né?
24:43Porque a criança fica muito estressada.
24:44Ela tinha antes, a gente saía muito, ia para shopping, levava ela para passear muito
24:49e hoje a gente não tem mais, né?
24:50A gente mudou tudo, totalmente a nossa rotina.
24:53Então, a gente...
24:54Eu quis criar dentro do quarto dela um ambiente lúdico, mais colorido,
24:59para ela gostar de estar aqui, entendeu?
25:02De ficar nesse espacinho dela, nesse cantinho dela.
25:05E acaba que virou o meu preferido da casa também.
25:08Agora, da onde que você vai tirando essa criatividade,
25:12essas atividades que você tem feito com a Charlotte?
25:15Então, a Charlotte, ela é uma mini blogueira, né?
25:18A gente tem uma conta no Instagram e aí eu preciso criar, fazer looks,
25:21que ela recebe roupas para a gente tirar foto, para enviar, para divulgar.
25:25E eu quis criar também isso aqui para ter fundos de foto, né?
25:29E aí eu vou para o Pinterest, eu olho no Pinterest, eu olho muito no Instagram, né?
25:34E vou criando, e eu mesma vou pintando, pego tinta, eu tinha muita tinta aqui em casa,
25:40e vou fazendo, pegando inspiração no Instagram, no Pinterest,
25:44com outras mães também maternos, perfis maternos no Instagram.
25:47E a gente vai desenvolvendo assim.
25:50Ó, a gente está até mostrando imagens agora de vocês pintando o quarto, né?
25:56Sim, a gente fez uma girafinha para acompanhar o crescimento dela, né?
26:02A gente pintou aí na parede uma girafinha, e aí ela participa comigo.
26:07Eu gosto de envolver ela, mesmo ela não fazendo diretamente o desenho,
26:11mas eu gosto dela estar perto.
26:12Quando tem a possibilidade dela pintar mesmo,
26:15aí eu dou o pincel na mão dela e deixo ela pintar também,
26:18quando é alguma coisa que dá para ela pintar, entendeu?
26:20Mas sempre envolvendo ela, e ela gosta.
26:22Igual esse cordãozinho aqui que vocês estão vendo no fundo, de pompomzinho,
26:27eu fiz junto, aí me joguei as bolinhas, ela brincou,
26:30e aí com isso eu vou perguntando, que cor é essa, filha?
26:33E ela vai participando da criação, né?
26:37Isso que é muito legal, ela participa de tudo, né, Josi?
26:41Participa de tudo, eu envolvo ela em tudo.
26:44E ela fala, mamãe está pintando, mamãe fez, arco-íris, casinha.
26:49A gente está naquele projeto agora, não sei se dá para ver lá no cantinho,
26:53uma casinha vermelha.
26:56Tá, está dando para a gente ver.
26:58Então, a gente está em processo de pintura dessa casinha, né, filha?
27:03Duas casinhas, duas casinhas!
27:06Duas casinhas, né, filha?
27:08Duas casinhas?
27:10Não, mamãe, nós já pulamos!
27:12É, calma, ela está vendo aqui na TV que tem aqui no quarto, ela está se vendo.
27:16Ela está se vendo, está vendo as duas casinhas dela,
27:19cama, escorregador, está vendo tudo.
27:22Oi, papai.
27:26Parou?
27:27Está ouvindo a gente, Josi?
27:29Estou ouvindo, estou ouvindo.
27:31Deu uma parada aqui, mas agora estou ouvindo.
27:33Olha, muito legal esse desenvolvimento que você está fazendo com sua filha,
27:38porque ela vai aprendendo também.
27:40Você já tinha colocado ela na creche ou na escola?
27:44Então, quando começou o surto, a gente colocou ela na escolinha,
27:50ela foi três dias e aí veio o isolamento social,
27:54veio o governo, fechou todas as escolas, fechou tudo, né?
27:58E aí não teve como mais ir.
28:00Então, a gente acaba ensinando ela em casa.
28:02Hoje ela já conta até 10, ela conhece as cores,
28:04a gente vai de forma brincando com ela, ensinando números, cores.
28:10Muito legal.
28:11Olha, Josi, queria agradecer por você ter batido um papo,
28:14mostrado esse ambiente delícia aí na sua casa.
28:17O quartinho da Charlotte está um charme, viu?
28:20Um beijo para você.
28:21Tchau, Charlotte.
28:22Obrigada, tá?
28:23Um beijo lá, manda beijo.
28:24Um beijo, manda beijo.
28:26Tchau.
28:28Tchau.
28:29Obrigada, ó, deu tchau.
28:31Que delícia, né?
28:33A Josi está criando a diversão dentro do quarto da Charlotte
28:37e está conseguindo distrair a filha e até ajudar,
28:40porque essa é uma fase que ela ia entrar na creche,
28:43ela ia entrar na escolinha e começar a aprender novas coisas, né?
28:47Isso mudou.
28:48Sim, e a Josi falou uma questão que eu acho muito importante,
28:51é uma estratégia de enfrentamento muito inteligente,
28:54que é ter projetos.
28:56Ela disse, a gente estava com o projeto da girafa,
28:59terminamos, agora o projeto das casinhas.
29:01Ter projetos, mais do que nunca, é importante que tenhamos projetos dentro deste período.
29:09Não existe pensamento mais adoecedor do que imaginar que esse é um tempo perdido.
29:14Se você, pai, se você, cuidador, entende que esse é um tempo perdido,
29:18você precisa recalcular a sua rota e ter projetos.
29:23Continue falando de projetos dentro da sua casa, continue falando de sonhos dentro da sua casa
29:28e inclua os seus filhos nesses projetos e nesses sonhos.
29:33Quantas crianças estão aprendendo a cozinhar,
29:35tantas crianças estão aprendendo a pintar e fazer coisas, descobrir coisas novas.
29:39É claro que a gente sabe que cada família tem as suas questões, as suas limitações,
29:44mas sonhar e ter projetos é possível para todos.
29:50A gente tem uma participação aqui do Roberto Lima e ele está perguntando,
29:54qual o problema em voltar às aulas se a maioria das crianças são assintomáticos?
29:59E assintomáticos, ele botou entre parênteses, principalmente crianças não transmitem o vírus.
30:04Roberto, não sou especialista, mas já conversei com vários médicos.
30:08E a explicação é o seguinte, as crianças muitas vezes são sim assintomáticas,
30:13só que não é porque elas não apresentam sintomas que elas não vão transmitir a doença.
30:19Elas transmitem a doença, ou seja, por isso até que eles falam,
30:22olha, não deixa a criança ir lá visitar o vovô ou a vovó,
30:25porque ela não vai estar com nada, você nem vai saber que ela está com coronavírus,
30:30mas vai passar para alguém, o avô pode pegar, a avó pode pegar.
30:33E aí, na escola, a explicação que eles falam, e olha, eu estou doida também para voltar às aulas,
30:39mas eu entendo o que está acontecendo, eu entendo esse momento.
30:42É porque o ambiente escolar é um ambiente que vai misturando um monte de gente,
30:46eles ficam na sala, todos muito próximos, e aí pode aumentar essa transmissão.
30:52Essa é a explicação que é passada pelo governo do Estado
30:55para manter ainda as escolas fechadas, isso no Espírito Santo inteiro, né, Letícia?
31:01A gente vendo aqui algumas situações e aprendendo um pouco a lidar com essa ansiedade,
31:08e a Michele Andrade está aqui falando, na nossa transmissão, que ela está com insônia,
31:13mal está dormindo.
31:16Michele é a filha ou a mãe?
31:18Michele é a mãe.
31:20Porque essa ansiedade, a dificuldade é para os pequenos e para os adultos também, né, Letícia?
31:25Sim, sim, e aí é de novo que a gente está conversando, né, Juliana?
31:29As crianças refletem o nosso ambiente, e que elas sejam esse nosso sinal de alerta.
31:35O que a gente observa nelas, que a gente também começa a observar em nós.
31:39E aí a Michele não está dormindo, possivelmente por N razões,
31:43que só a Michele saberia dizer quais,
31:46mas nesse momento a orientação é sempre buscar as suas próprias estratégias de enfrentamento.
31:53Então, se a Michele tiver uma rede de relacionamentos bacana,
31:58amigos, família, suporte,
32:01agora mais do que nunca é hora de acionar esses suportes.
32:05E se ela perceber que mesmo assim está muito difícil,
32:09a Michele precisa sim pedir ajuda.
32:12E aí de novo, falando o que a gente tinha falado no início,
32:15hoje nós temos muitos canais de ajuda,
32:18quer gratuito, quer online, particular, enfim.
32:22Então você não precisa passar por essa sozinha, Michele.
32:25A Dalva Lívia pergunta o seguinte,
32:26minha filha está roendo as unhas, coisa que antes ela não fazia.
32:30É um indicativo que ela está muito ansiosa?
32:32Sim, total.
32:33Então, roer as unhas, afastamento, isolamento,
32:40agressividade, descompensações alimentares,
32:42dores em lugares que antes não tinha,
32:45tudo isso é um sinal de alerta para a ansiedade.
32:49A Eliane Anjos, meu filho tem 15 anos, já era ansioso, agora está muito mais.
32:53Ele está comendo muito, está nervoso.
32:55E o problema é que eu trabalho todos os dias,
32:57ele fica em casa sozinho e está muito complicado essa situação.
33:01Que desafio, né?
33:02Sim, nesse caso específico realmente é um desafio, né?
33:05A gente não sabe qual é o contexto dessa família,
33:08mas esse adolescente, ele precisa realmente de uma orientação
33:13para que ele possa ter rotina, de novo,
33:16mais do que nunca é hora de rotina.
33:18Eu tenho atendido jovens que passam a noite toda acordados,
33:22dormem o dia todo, acordam meio dia, uma hora.
33:25Então, realmente, ah, mas a gente está em um período de quarentena.
33:28Mas esse comportamento traz um efeito que é devastador.
33:33E olha, Letícia, queria agradecer a sua presença aqui.
33:35Obrigada pelo bate-papo, viu?
33:37Eu que agradeço o convite, é uma alegria estar aqui falando para vocês.