- há 3 semanas
Dados relatam que O Brasil é o país que mais diagnostica ansiedade e mais prescreve medicação para depressão do mundo inteiro. É alarmante. Precisamos dar uma infância afetivamente segura para os nossos filhos para que eles se tornem adultos emocionalmente saudáveis.
Para conhecermos mais sobre o que nós pais podemos fazer pela saúde mental dos nossos filhos ainda na infância temos aqui nossas especialistas.
Para conhecermos mais sobre o que nós pais podemos fazer pela saúde mental dos nossos filhos ainda na infância temos aqui nossas especialistas.
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00:07Olá, bem-vindos ao Check-Up Saúde. Eu sou a Alice Sarsinelli e essa é a sua conexão com os
00:14maiores
00:14especialistas em saúde do estado. Gente, o tema hoje é criança, saúde mental na infância. Será
00:23que tem dicas para criarmos filhos mentalmente saudáveis? Tem sim e a gente trouxe nossos
00:28especialistas para contar tudo para vocês. Vamos receber hoje a psicopedagoga Juna Cunha.
00:35Seja bem-vinda, Juna. Obrigada, boa tarde. E a nossa psicóloga do nosso time de colunistas,
00:42Renata Bedrão. Seja bem-vinda, Renata. Obrigada, é um prazer estar aqui. Vamos começar falando de
00:50números que assustam. Você mesmo passou esses dados para a gente, Renata, que o Brasil é o país que
00:56diagnostica ansiedade em maior número do mundo e onde mais se medica para a depressão. Esses
01:03números fazem a gente ficar preocupado, principalmente em relação às crianças. E aí eu queria começar
01:10te perguntando, é verdade que muito de como o cérebro estará na vida adulta, depende das
01:17experiências que a gente tem ao longo da infância, a infância vai realmente determinar muito da saúde
01:23mental que a gente vai ter na vida adulta? Sim, porque quando a gente nasce, o nosso cérebro está em
01:30desenvolvimento. Então, muito das experiências que a gente tem na infância vão ditar como a gente vai
01:38estar mentalmente, emocionalmente na vida adulta. Então, quanto mais experiências de segurança,
01:48relacionamentos afetivos seguros, afetivos, acolhimento, validação de sentimentos, mas essa criança vai estar preparada
01:59quando adulto para lidar com o mundo caótico que vivemos. Então, é a gente fortalecer, é proteger a infância.
02:10E aí a escola, eu imagino que tem além da família, né? Por isso que a gente chamou, Juna, como
02:15pedagoga,
02:16porque a gente imagina que sejam os núcleos de maior convivência da criança, né? A família e a escola.
02:22E aí, como é que a escola pode influenciar na saúde mental da criança na infância?
02:29Exatamente como a Renata falou e como você citou, a escola e a infância, elas vão ali formar uma base
02:36para o que o adulto vai ser, principalmente nessa questão de saúde mental. Então, fora o lar, a escola é
02:42o outro
02:42ambiente em que a criança mais vai conviver com pessoas diferentes até, que é uma coisa você conviver com a
02:47sua família,
02:48outra coisa é você conviver com pessoas totalmente diferentes de você e saber conviver.
02:53Então, a escola, ela precisa ser um ambiente seguro, acolhedor e que entenda e respeite a criança.
03:00Eu imagino que em meio a tanta diversidade deva ser um desafio, né?
03:04É um desafio, mas precisa ser alcançado esse objetivo, porque aí criamos crianças que saibam
03:12verbalizar as suas emoções, lidar com diferentes situações e isso começa também na escola, não é só no núcleo familiar.
03:21E nós, como pais, o que nós podemos observar na escola em relação a esse aspecto?
03:27A gente precisa, enquanto família, sempre estar em diálogo com a escola, porque é uma parceria muito importante
03:34para que a criança realmente consiga se desenvolver em sua plenitude, integralmente.
03:39Então, como é que a criança está indo para a escola? Ela está indo bem?
03:42É claro que às vezes a gente não quer ir, né? Igual quando a gente vai trabalhar.
03:46Trabalhar dá trabalho. Estudar também dá trabalho.
03:49Então, a gente precisa considerar as nuances, mas sempre ver.
03:52A criança está indo feliz? Ela volta feliz?
03:55O que ela conta da escola? E não só a pergunta de como foi na escola.
04:00Pergunta diferente.
04:01Teve algo engraçado?
04:02Se você pudesse conversar com a sua professora agora, o que você falaria com ela?
04:06Para crianças menores, brincar de escola.
04:09Quem você quer ser? Você quer ser a professora? Você quer ser o coleguinha? Você quer ser você mesmo?
04:13Porque diante disso, a gente consegue criar uma rotina para a criança poder verbalizar o que acontece na escola, em
04:20casa, e vice-versa.
04:21E mostrar para a criança que ela pode falar isso.
04:24E aí a gente vai conseguir observar como que está essa relação na escola.
04:27Como que a escola lida com momentos de estresse, com os momentos mais desafiadores, por exemplo, uma pandemia.
04:33Como é que estava isso na escola, entre as equipes, entre os profissionais, porque isso passa para a criança também.
04:40Eu achei importante, porque às vezes a gente questiona a criança, como é que foi?
04:43Bom, ruim.
04:45Então assim, tem que ter a dica do especialista sobre como a gente fazer essa abordagem, né?
04:50Então você sugere que com as crianças menores seja por brincadeira.
04:54Isso, sempre de forma lúdica.
04:55Às vezes uma historinha também, um livro, ou às vezes inventar uma história.
05:00Vamos inventar uma história hoje para dormir.
05:03Era uma vez um menino que estava indo para a escola.
05:05E agora, completa, o que você acha que pode acontecer?
05:08Porque com isso a criança vai pegando como base o que ela vivenciou.
05:12Porque ela é um ser em formação.
05:14E aí a gente consegue saber como que está acontecendo na escola.
05:18E sempre, sempre que a família tiver qualquer dúvida, tem que ir à escola sim.
05:23Tem que questionar.
05:25O dialogar, né?
05:25É.
05:25Porque às vezes a família fica receosa.
05:27Ah, mas eu vou de novo pedir para falar com a escola?
05:30Claro que vai.
05:31Porque é o outro núcleo que o seu filho está inserido.
05:33E você precisa saber o que está acontecendo.
05:36Não é só apontar ele.
05:37Isso está influenciando, sim, na saúde mental.
05:40Nós perguntamos para a nossa especialista, a pediatra, doutora Josana Aredes.
05:46Quando que o pediatra, ou quando que os pais podem desconfiar que é a hora de procurar um especialista em
05:53saúde mental?
05:54Quando que é a hora de procurar, então, um psicólogo, algum tipo de terapia?
05:58Vamos ver o que ela esclarece.
06:01Olá, meu nome é Josana.
06:04Eu sou pediatra.
06:05E hoje eu vim falar um pouquinho com vocês sobre quando encaminhar a criança ao psicólogo.
06:10Geralmente, a partir de dois anos de idade, a gente já consegue notar um pouquinho melhor as mudanças comportamentais na
06:18infância.
06:18Mas, geralmente, com dois anos não é uma boa idade ainda para poder fazer terapias.
06:23A maioria das vezes a gente caminha mais próximo aos três anos para poder fazer essas terapias.
06:28É de extrema importância que essa criança esteja em acompanhamento regular com o pediatra
06:33e que os pais ou familiares que acompanham a criança relatem tudo o que vem acontecendo em torno dessa criança,
06:42todo o contexto que envolve o desenvolvimento da criança.
06:45Porque assim o pediatra prontamente vai conseguir encaminhar no momento correto.
06:50Os motivos de encaminhamento ocorrem de divergentes maneiras de acordo com a idade da criança.
06:57A partir desse momento da primeira infância, com dois, três aninhas de idade,
07:02os comportamentos que a gente observa de maior diferença são de socialização,
07:07são envolvendo a parte de alteração, de regressão de algum desenvolvimento,
07:13de alguma habilidade já adquirida previamente.
07:16E essa criança vai crescer e vai depois para a parte escolar.
07:21Geralmente, na parte escolar, é a parte que a gente mais observa alterações na criança.
07:26É uma idade que a criança tem que aprender a lidar com frustrações, a saber esperar, a saber esperar,
07:32a se reorganizar para poder socializar um pouco mais.
07:36Então, a gente vê muito déficit de atenção, muita hiperatividade,
07:41muita criança que não sabe lidar com frustrações.
07:44E isso perdura até a adolescência e até soma com algumas outras causas de adolescência.
07:49Por exemplo, o bullying é muito comum da gente ver na adolescência.
07:52Então, sempre observe o seu filho, converse com o pediatra
07:56para poder ter o encaminhamento prontamente quando for necessário.
08:02A gente vê, às vezes, alguns pais sendo procurados pela escola com apontamentos
08:06de que o comportamento do seu filho mereceria um cuidado com o especialista
08:10e os pais acham que a escola está delegando um papel que seria da escola para a família.
08:16Como que a gente lida com isso?
08:19Esse encaminhamento a gente sempre faz porque a gente conta com essa parceria com a família.
08:24Então, além da escola, a criança também convive em outros ambientes,
08:28o familiar, o social.
08:29Então, é necessário que a família, junto à escola, trabalhe em prol do desenvolvimento do aluno.
08:35Quando a gente percebe essa mudança de comportamento,
08:38a gente sugere, sim, um encaminhamento para um acompanhamento multidisciplinar.
08:42E a ideia não é soltar a família para que ela faça sozinha.
08:46Pelo contrário, a escola deveria pedir para que os especialistas que estão acompanhando
08:52pudessem fazer uma reunião com a escola para que tudo caminhe junto.
08:56Isso precisa ter um caminhar juntinho ali em prol da criança.
09:01Então, a gente precisa...
09:02Eu sei que a notícia, às vezes, não é muito boa, não é muito bem recebida.
09:06Poxa, mas então tem um problema?
09:08A gente precisa tentar pensar sempre no bem da criança.
09:12Então, se a gente encaminha, é porque a gente tem alguma coisa ali
09:16que a gente não está conseguindo lidar somente escola.
09:18A gente precisa de um suporte a mais.
09:20De um outro especialista com outras ferramentas.
09:23Isso, não quer dizer que vai tomar medicamento, às vezes é uma questão em casa.
09:27Não quer dizer que a escola está querendo se livrar da criança,
09:30porque tem pai que já pensa isso.
09:32A escola já está querendo que eu tire meu filho e mude de escola.
09:35Pelo contrário, a escola vai atuar mais intensamente ali naquele aluno,
09:41com aquele aluno e com aquela família.
09:42Mas para isso, a gente precisa de um suporte extraescolar.
09:46Então, por isso que a gente faz o encaminhamento.
09:48Mas é junto.
09:49E é comum.
09:50É muito comum.
09:51Muito comum.
09:52Renata, conta pra gente o segredo.
09:55O que a gente deve pensar para ter filhos protegidos de ansiedade e depressão,
10:00já que os números realmente são alarmantes?
10:03Então, a gente tem que realmente proteger a infância,
10:07porque as crianças são seres indefesos.
10:10Elas dependem, são seres totalmente dependentes.
10:13Elas dependem que a gente vista elas, que a alimentem.
10:18Então, elas precisam ser protegidas.
10:20E como que a gente vai fazer isso?
10:22É dando uma infância, permitindo que a criança erre e que ela aprenda por consequências e não por punição, por
10:32ameaças ou castigos.
10:34É garantir que aquela criança é amada, mesmo que ela cometa erros, que ela saiba que ela nunca vai se
10:41abandonar e que ela nunca vai deixar de ser amada.
10:44É ela saber que ela é importante, única e especial do jeito que ela é.
10:50É que ela não precisa ser outra pessoa para atender a expectativa de ninguém.
10:56E aí, e sempre acolher, muito importante acolher as emoções que as crianças sentem.
11:03Seja a frustração, seja o choro, seja a birra.
11:07Para elas, quando elas sentem que elas têm a emoção delas ouvida, as necessidades ouvidas,
11:15elas veem que elas têm importância para aquele adulto e que as emoções têm alguma função ali para ela.
11:23E quanto mais ela saber lidar com as emoções na infância, mais ela vai saber fazer isso sozinha, se autorregulando
11:31na vida adulta.
11:32Então, enquanto crianças, elas precisam de ter essa corregulação e saber que elas vão passar por frustração,
11:41mas que elas vão sobreviver a essa frustração com a ajuda de um adulto de referência.
11:48É, eu fico pensando isso como mãe também, é um desafio a gente encontrar essa linha tênue entre validar e
11:55não deixar a criança exagerar.
11:57Às vezes a gente acha que a maneira de proteger é criar frustrações, né?
12:01É criar situações em que a criança, já que a vida vai ser tão dura e é dura com todos
12:06nós, cada um dentro da sua realidade,
12:08como que é? A gente precisa realmente criar filhos que passem por frustrações, que tenham esses momentos?
12:16Isso faz parte do processo de educação? Assim como validar as emoções, a gente também precisa frear e frustrar?
12:24Então, não. Mas a maioria das famílias acha que é necessário cavar frustrações premeditadas nas crianças
12:33e ficar dando bastante não, porque elas acham que assim a criança já vai saber que a vida lá no
12:40futuro é muito difícil,
12:42então elas têm que aprender desde crianças.
12:44Mas o que as crianças precisam é saber lidar bem com o que elas sentem e ter esse apoio do
12:54pai,
12:54o acompanhamento mesmo emocional, a disponibilidade do adulto de estar enfrentando com a criança aquela emoção.
13:04E a gente não percebe isso como adulto, mas a vida da criança já é uma vida que tem frustrações,
13:12ela tem que parar de brincar para ir dormir, ela tem que dar tchau para a mãe, que a mãe
13:17vai trabalhar.
13:18Os pequenos limites, né?
13:19Isso, então isso já são frustrações que ela vivencia.
13:23E então a gente não precisa ficar cavando, não, porque eu vou falar não, eu não vou dar esse pirulito
13:29para o meu filho,
13:30porque eu até daria, mas eu vou falar não para ele aprender a ouvir não.
13:35Mas não é isso que vai fazer a criança...
13:37Guardar os nossos não um pouco, né?
13:41Júlia, e na escola? Como que a escola faz para lidar com frustração, né?
13:45A escola é um ambiente que às vezes estimula muita competitividade, e isso pode gerar às vezes...
13:52Quem vendeu mais paçoca na gincana?
13:55E aí isso pode gerar, assim como os medalhistas, assim como colocar, né?
14:00Ranquear os alunos.
14:02Como que a escola faz para lidar com isso?
14:03Tem diferença entre as metodologias?
14:06Existe uma escola mais tradicional que vai para um lado ou para o outro?
14:09Como que a gente, como pai, identifica isso?
14:11Em metodologia, elas são diferentes, né?
14:14E com certeza elas vão acabar abarcando objetivos diferentes também, formas de se trabalhar a frustração de diferentes maneiras.
14:23Quanto às frustrações, elas vão acontecer.
14:26Então a equipe, ela precisa estar preparada para acolher.
14:30Acolher com respeito, entendendo que as crianças estão em formação.
14:35Primeiro de tudo, elas precisam ser acolhidas,
14:38para que elas consigam validar as emoções que elas estão sentindo,
14:41entender o que ela está sentindo,
14:43porque a criança, ela ainda não sabe exatamente o que está acontecendo.
14:48Às vezes a gente, quando fica nervoso, a gente...
14:50O primeiro ímpeto não é chorar.
14:51Eu gostaria de chorar.
14:53Às vezes a mãe fala para mim, eu queria sair correndo.
14:55Batei em um...
14:56Exatamente, mas aí a gente para, respira cada um do seu jeito,
15:00se afasta um pouco do ambiente que está estressando,
15:03e aí volta ao promo, volta ao equilíbrio.
15:05Isso é o se regular, né, Renata?
15:06Exatamente.
15:07Como você fala, a gente se regula, a criança está aprendendo a se regular.
15:10Exatamente, ela não é um mini adulto, ela está em formação.
15:13Então a escola, enquanto equipe pedagógica, precisa acolher.
15:18Quanto às competições, a questão da competição é que a gente precisa entender
15:22que num jogo, por exemplo, a gente pode ganhar ou perder.
15:26Tudo bem, isso a criança vai entendendo com o tempo.
15:28Agora, estimular que você tem que ser melhor em tudo que não acontece,
15:33porque nós somos bons em algumas coisas e em outras não tão bons assim.
15:37Essa é a normalidade.
15:38Somos diferentes.
15:39Então estimular que você tenha que ser melhor, de forma pejorativa para o próximo,
15:45ou de forma a colocar o outro num sentimento negativo, isso é ruim.
15:51Então a gente precisa estimular que a criança entenda as suas potencialidades.
15:56A escola está ali para potencializar as capacidades de cada criança.
15:59Somos diferentes, esse é o gostoso da vida, isso que é bonito.
16:03Imagina se todos fôssemos iguais.
16:05Isso é muito chato.
16:06Então nós somos diferentes.
16:08Você vai ser melhor em algo, eu vou ser melhor em algo e está tudo bem.
16:12Então tem que saber lidar com essa questão da competição.
16:15É um aprendizado também.
16:17Exatamente.
16:18Ainda mais porque às vezes em casa, muitas famílias de filho único,
16:21não tem outros com quem dividir, se comparar e vai ser na escola que essa realidade vai ser demonstrada.
16:27Exatamente.
16:28Renata, e aí a gente falou de frustração, né?
16:31Eu fiquei pensando.
16:32E como não exagerar na dose da doçura também, né?
16:36Como não ir para o outro lado, fazer seu filho se sentir especial demais?
16:41Como é que a gente até às vezes se destacar dos outros, ou se sentir melhor do que os outros?
16:47Como não errar na dose oposta?
16:49Então, a gente tem que garantir que essa infância seja protegida, né?
16:55E assim, não é que a gente não vai dar limites.
16:58Limites são necessários, mas é fazer isso de uma forma gentil e respeitosa.
17:05Pais e professores são autoridades, mas isso não significa que eles tenham que ser autoritários
17:11e desrespeitar a criança.
17:14Então, é sempre encorajar a criança, o esforço da criança, não o produto final, não o que ela é inteligente,
17:25né?
17:25É sempre elogiar o processo que ela se esforçou para fazer aquele desenho ou para fazer aquela tarefa.
17:32É sempre garantido.
17:34Então, não é falar, nossa, meu filho, você é muito inteligente.
17:37É, você foi inteligente ao fazer isso, para ela entender para que você está atribuindo aquela qualidade, né?
17:44Filho, você se esforçou muito, por isso que seu trabalho saiu tão bonito,
17:48porque o elogio pode fazer com que a gente fique dependente de uma aprovação externa,
17:55não da nossa autovalidação, né?
17:58Às vezes tem aqueles adultos que são dependentes de aplausos, né?
18:02Que escrevem um texto e aí ficam pedindo para a pessoa ver.
18:06E o elogio também pode, por exemplo, você é inteligente.
18:09Filho, você é inteligente, você é inteligente.
18:11Aí a criança, às vezes, pode evitar de fazer uma tarefa que ela possa achar mais difícil,
18:17porque ela tem medo de fracassar.
18:20E aí...
18:21Fracassar no elogio.
18:22É, e aí como que ela não vai ser mais inteligente, porque ela não conseguiu executar aquela tarefa com primor,
18:30então o elogio...
18:32Não é que a gente nunca possa elogiar nossos filhos, a gente...
18:35Elogio é bom também, mas...
18:38Contextualizar, né?
18:38O elogio dentro de alguma atitude.
18:41Vamos trazer aqui a dúvida de um ouvinte?
18:44Vamos sentir na pele aí o que as pessoas estão em dúvida sobre esse assunto.
18:48Eu sou vó e bisavó.
18:53Pergunto eu, que tipo de brincadeira eu faço com uma criança para que ela cresça forte e saudável?
19:07O tipo de brincadeira...
19:10A minha filha, por exemplo, quer sentar no chão.
19:13Para ela, se eu não sentar e não brincar, né?
19:17Eu gosto mais de brincar, assim, de passear, de estar em momentos...
19:20Eu vejo que a minha mais nova, ela tem uma cobrança de senta aqui, não basta estar do lado, né?
19:26Então a gente tem que perceber isso, Renata?
19:28Cada criança sente de um jeito?
19:31É, a criança, na verdade, ela quer sua disponibilidade afetiva ali, sabe?
19:36Então quanto mais você tiver, assim, sem estar preocupada com o celular, sem estar preocupada...
19:43Ai, tem que ver o que eu vou fazer para essa criança almoçar.
19:46Você está ali mesmo presente, assim, entrar no lúdico mesmo com a criança.
19:51Assim, às vezes, 15 minutos que você encher o tanque dessa criança com brincadeiras, amor...
19:58Se conectando de verdade, olhando nos olhos...
20:02Às vezes, eu mesma...
20:03Estou dando muitos exemplos como mãe, porque mãe é assim, né?
20:06Adoro dar exemplo.
20:07Mas, às vezes, a gente está com tanta preocupação na hora do almoço, meu filho fala...
20:10Mãe, o que você está pensando?
20:12Eles são sensíveis, né?
20:14Eles percebem a nossa presença real ou só física, né?
20:18É, é ter essa conexão mesmo, essa disponibilidade até emocional para a criança saber que ela é importante para aqueles
20:28pais.
20:28Porque os pais são as pessoas mais importantes na vida da criança.
20:33Então, ela ter essa certeza de que ela é amada, né?
20:36E de que os pais não vão abandonar ela, vão...
20:40Isso é muito importante para a saúde mental mesmo do filho, né?
20:45No futuro, criar adultos.
20:46E aqui, a pergunta que a gente não pode deixar de fazer no programa de hoje.
20:50A criança se frustrou, arrumou um chororô, te pediu pirulito.
20:55Você falou, hoje é o dia do não, durante a semana não tem pirulito.
20:59E chora, e pede, esperneia, às vezes é num lugar público.
21:02Como lidar com o choro?
21:04Então, o choro realmente é uma coisa que incomoda muito, né?
21:08A gente adulto, principalmente porque a gente, a gente dessa geração, não foi acostumada a ter o nosso choro acolhido.
21:18Era aquilo, engole seu choro, né?
21:22Que feio, a fulana lá está te vendo chorando.
21:25Então, a gente associou que chorar tem que ser, que a gente tem que ignorar, que a gente tem que
21:31repreender o choro.
21:33Mas não, a gente tem que acolher essa emoção da criança.
21:37Não quer dizer que ela está chorando também, que a gente tem que ceder.
21:41A gente vai explicar para ela, vai, olha, eu estou aqui com você, eu estou vendo que você está chateado,
21:46porque hoje você não vai ter o pirulito, é chato, né?
21:50Quando a gente não tem o que a gente quer, mas eu estou aqui, está tudo bem chorar, eu estou
21:54aqui com você.
21:54E você abraça e você acolhe aquela emoção.
22:01E dói, às vezes, a gente dá o que a gente não recebeu, mas também é cura.
22:06Então, é uma ótima oportunidade para nós, como pais, a gente trabalhar isso, as nossas dores, o que a gente
22:14não tem.
22:14De criança.
22:15Isso, a gente poder dar, fazendo, validando e acolhendo os sentimentos dos nossos filhos.
22:22E isso não quer dizer que a gente está mimando, pelo contrário, a gente está ajudando a criar seres humanos
22:29fortes,
22:30que vão saber lidar com essas emoções, vão saber o que são os sentimentos e como lidar com eles no
22:35futuro.
22:36Juna, a gente está chegando ao final, mas eu queria que você resumisse para a gente a questão escolar do
22:42bullying, né?
22:43Tem tanta gente que lembra do bullying que sofreu na sua infância e isso repercute no resto da vida e
22:48como a pessoa se enxerga.
22:50Como que a escola deve trabalhar o bullying e os pais também?
22:53O mais importante é a criança entender, construir esse pensamento de aceitar a diferença no outro.
23:00Então, o bullying é a falta de respeito, é você não aceitar que o outro é diferente do que você
23:06julga ser bonito, ser legal.
23:08Então, se é um pouco mais cheinho, ah, é gordo, ah, vai emagrecer.
23:14Mas isso é um padrão que alguém colocou.
23:16A pessoa pode estar bem de saúde e não ter o peso de uma top model.
23:21Então, a gente precisa, enquanto família, enquanto escola, trabalhar as diferenças.
23:25Como? Livros, brincadeiras.
23:29Então, sempre de forma lúdica porque é o universo da criança.
23:32A criança não vai aprender numa tese de mestrado.
23:35Ela vai aprender com você brincando com ela.
23:38Então, bonequinhos, os livros ajudam muito hoje em dia, músicas.
23:43E brincadeiras em geral para que a criança possa ver.
23:46Somos todos diferentes.
23:47Então, a gente precisa se aceitar.
23:49Aceitar o outro é se aceitar também.
23:51Porque você também não é igual.
23:53Então, você também não gostaria que acontecesse com você.
23:56Por que eu vou fazer com o outro?
23:57E com isso, a gente vai criando uma base de acolhimento e de respeito.
24:03Perfeito.
24:03Passou tão rápido.
24:04Eu acho que esse assunto a gente vai trazer novamente.
24:07Porque eu estou aqui cheia de perguntas ainda para fazer.
24:10Mas queria agradecer muito a presença e os esclarecimentos.
24:14Toda vez que eu escuto vocês, eu mudo um pouquinho a minha forma como mãe, como tia, como olhar social.
24:19Obrigada, Juna.
24:20Obrigada, Renata, pela presença de vocês.
24:23Obrigada.
24:24É um prazer.
24:26Esse foi o Check-Up Saúde de hoje.
24:28Te aguardo na semana que vem.
24:30Pelo Pan News e o Folha Vitória.
24:40E aí