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  • há 3 semanas
Médicos relatam grande diminuição na procura de leitos de UTI por paciências cirúrgicos ou com traumas

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Transcrição
00:00Eu recebo aqui hoje no estúdio o presidente da Sociedade Brasileira de Ortopedia do Estado, o doutor Bernardo Terra.
00:06Boa tarde, doutor Bernardo. Bem-vindo ao Fala Espírito Santo.
00:09Boa tarde, Juliana.
00:11Bem, a gente está vendo uma realidade completamente diferente nas unidades de tratamento intensivo, nas UTIs aqui do Estado.
00:17Uma ocupação enorme, né, de pacientes com Covid-19 e nos outros leitos que também estão aí disponíveis.
00:25Isso mudou, né?
00:27É, a gente, nos meses aí de abril e maio, a gente percebeu uma queda importante da ocupação dos leitos
00:35por outras causas, né, que não sejam Covid.
00:38A gente sabe que em um hospital, a ocupação dos leitos de UTI, a causa por trauma, seja um trauma
00:47craniano, um trauma torácico, um trauma ósseo, fica em quarto lugar, né?
00:52Perde apenas para as doenças circulatórias, as doenças respiratórias e as causas perinatais.
00:59Hoje, muitos desses leitos estão ocupados, não só os leitos de UTI, mas também os leitos de enfermaria estão ocupados,
01:06obviamente, com pacientes com Covid.
01:09O senhor tem visto uma mudança, por exemplo, o hospital tinha 50 leitos, né, e aí para todas as doenças
01:16que chegassem agora, leitos foram separados para Covid.
01:20Houve uma redução de leitos disponíveis para os outros problemas de saúde?
01:26Eu não diria que houve uma redução nesse sentido.
01:30Houve, sim, uma redução das internações, obviamente, pelas medidas adotadas, né, principalmente a restrição da circulação das pessoas.
01:41Então, isso, consequentemente, diminui o número de acidentes, principalmente acidentes automobilísticos, né, que é a principal causa aí externa da
01:50parte de trauma que interna nos hospitais.
01:54Pois é, como as pessoas estão ficando mais em casa, deixaram um pouco, né, de circular de carro, e aí
02:01também tem essa mudança, porque os acidentes reduziram bastante, tem números que comprovam isso já já.
02:06Inclusive, eu vou mostrar uma reportagem para vocês com esses dados, ou seja, houve redução no índice de acidente de
02:13trânsito, consequentemente, a procura, a necessidade de internação por algum trauma também caiu.
02:18Isso. A gente percebeu também na nossa rotina, no nosso dia a dia, principalmente no consultório, que apesar de ter
02:28diminuído esses traumas de trânsito, né, traumas por quedas na prática esportiva, ou até mesmo esses traumas no ambiente de
02:36trabalho,
02:37por um outro lado, houve um aumento do número de acidentes domésticos, principalmente aí envolvendo a população mais idosa e
02:45as crianças.
02:47E nesses casos, não é situação, um acidente doméstico mais grave que necessite de uma internação de UTI, por exemplo,
02:55doutor?
02:55Muitas vezes precisa, tá? Principalmente na população idosa, às vezes uma queda em casa, em decorrência de um piso escorregadio,
03:05de um tapete, de algum obstáculo,
03:08isso gera uma queda que pode ocasionar uma fratura, tá? Principalmente aí da bacia do fêmur, tá?
03:15Isso sim precisa de causa, precisa de internação para muito provável ser submetido a um tratamento cirúrgico.
03:22Agora sim, a preocupação é, vai ter leito para esse paciente? Tem até a Letícia Pimenta participando aqui da nossa
03:28transmissão no Facebook.
03:30Ela falou, olha, há duas semanas fui levar meu tio para uma consulta de rotina no São Lucas e uma
03:35enfermeira disse,
03:36chega doente com diversos tipos de problemas de saúde, porém as UTIs e respiradores são priorizados para a Covid-19,
03:43ou seja, acaba indo a óbito da mesma maneira. O pessoal da saúde não está dando conta de tanta gente
03:50doente.
03:50Está aqui a afirmação da Letícia Pimenta, uma realta situação que ela viveu e a sensação que a população tem
03:58é exatamente essa que a Letícia falou aqui, né?
04:01De que, olha, os leitos estão destinados a pacientes com coronavírus.
04:06Se você chegar com outro problema de saúde, será que vai ter atendimento? Será que vai ter leito disponível?
04:11Isso realmente não deixa de ser uma preocupação, tá? Isso vai muito da taxa de ocupação desses leitos.
04:20Obviamente que se nós temos uma UTI com a taxa de ocupação de 95%, 100%, vai faltar leitos para outras
04:29causas, né?
04:30Mas nos hospitais hoje, os leitos de UTI, eles não estão sendo ocupados somente por causas ligadas ao Covid, né?
04:41As pessoas estão adoecendo da mesma forma, né? Por conta daquilo que a gente já falou de causas circulatórias, causas
04:49respiratórias, doenças crônicas.
04:52Então, essas pessoas precisam, né? Desses cuidados mais intensivos, então eles estão nos hospitais também.
05:00Agora, sem dúvida, isso é uma preocupação. Se a taxa de ocupação de uma UTI ou de um leito de
05:06enfermaria acaba subindo muito em decorrência do Covid,
05:11isso pode ser que falte leitos para outras causas, né?
05:16Fiz questão de separar essa reportagem para a gente comentar um pouquinho sobre a importância de buscar atendimento médico,
05:22ainda que estejamos vivendo uma pandemia do novo coronavírus.
05:27Muitos casos realmente nas unidades de saúde, nos hospitais, mas a gente não pode deixar de buscar ajuda, né?
05:34Sem dúvida, Juliana.
05:36Nós sabemos que no ambiente hospitalar, no pronto-socorro de um hospital, existe um maior perigo de se ter o
05:45vírus.
05:46né? Naquele local.
05:48Mas isso não quer dizer que se a pessoa sinta algum sintoma mais grave, que ela não deva procurar atendimento
05:54médico, tá?
05:56Existem vários médicos que estão atendendo, inclusive, em consultório, em clínicas, tá?
06:00Que são ambientes, teoricamente, mais seguros, tá?
06:03Quando comparado com hospitais ou com PAs ou com UPAs.
06:07Então, essas pessoas, tendo algum sintoma, sintoma que normalmente não está acostumado a ir, ele é um sintoma mais intenso,
06:19sem dúvida, tem que procurar o atendimento médico.
06:23Pois é, e por isso aqui o alerta, a gente está vendo aí mortes acontecendo de pessoas dentro de casa,
06:28né?
06:28Que acabam deixando de ir, deixando de buscar um atendimento e, infelizmente, acabam perdendo a vida.
06:35Tá aí o exemplo que a gente deu na reportagem.
06:37Agora, tem uma mudança também, que a gente vinha aqui falando, que é a culpação dos leitos de UTI
06:42por pacientes que lutam por doenças como problemas de coração ou, então, até problemas ortopédicos.
06:48Isso baixou bastante.
06:50O secretário de Estado de Saúde disse, numa entrevista durante a Jovem Pan News, na nossa rádio Pan News,
06:57falando que no Estado, nas UTIs públicas aqui do Estado, a ocupação, nos últimos dias, é zero de leitos com
07:05pessoas com problemas ortopédicos
07:07ou, então, por problemas de coração, não tem ocupação, não está tendo caso que necessite de uma internação de leitos.
07:15Isso a gente tem percebido em toda a rede, né, doutor?
07:17Uma baixa mesmo da procura e um dos motivos, o senhor até apontou aqui pra gente, são esses acidentes automobilísticos
07:24que reduziram bastante, né?
07:25Sim. Além desses traumas relacionados aos acidentes de trânsito, né, teve também uma diminuição nas quedas, né,
07:38nos acidentes de práticas esportivas, de próprio trabalho também.
07:43Além disso, teve uma diminuição do número de procedimentos eletivos, né, que demandariam, eventualmente, um leito de UTI.
07:51Então, tudo isso contribuiu pra ter nos meses aí de abril e maio uma taxa de ocupação menor desses leitos
07:58por esses pacientes não-COVIDs.
08:00Pois é, as cirurgias eletivas são aquelas cirurgias que são agendadas, não são cirurgias de emergência, né?
08:06É, a gente costuma dividir em emergência, né, que tem risco de vida, urgência e as eletivas, tá?
08:17Os procedimentos eletivos, não que eles podem ser postergados por muito tempo, mas a gente consegue, num determinado período, postergar,
08:28adiar um pouco, né?
08:29Foi o que a ANS, em março, ela fez uma recomendação pra, se possível, né, dentro do possível, de adiar
08:41esses procedimentos eletivos até o dia 31 de março, né?
08:47Foi o que, isso é o que foi feito, tá?
08:51Então, agora, a partir de junho, está ocorrendo um retorno gradativo, né, com pacientes selecionados, né, com, preferencialmente, menores que
09:0360 anos, sem comorbidade, sem diabetes, sem pressão alta.
09:07Aquele grupo de risco, né?
09:08É, esses pacientes que são grupos de risco, mais idosos, que podem esperar um pouco mais, essa é a conduta
09:15que nós estamos fazendo.
09:18Cirurgias já voltam a ser agendadas, mas com toda a segurança, com todo o cuidado, né?
09:23Sem dúvida, principalmente na questão ligado ao paciente.
09:27Se é um procedimento que pode esperar mais um pouco, a gente espera.
09:34Bernardo, queria agradecer muito a sua presença aqui. Uma ótima tarde pro senhor.
09:38Obrigado, Juliana. Uma ótima tarde também.
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