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  • há 10 minutos
Médica pneumologista tira dúvidas sobre a covid-19

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Transcrição
00:00Recebo aqui no estúdio a médica especialista em medicina do sono, a Jéssica Polese.
00:04Seja bem-vinda, aqui eu falo Espírito Santo.
00:07Já digo logo que nós estamos sem máscara, né?
00:09Porque estamos aqui a certa distância e fica melhor também para a compreensão das pessoas que estão em casa.
00:14Doutora, a gente viu aí, né? Vários sintomas, depressão, as pessoas ficam mais deprimidas.
00:19A gente pode dizer que isso tudo é por conta desse isolamento social, por esse ficar muito mais tempo dentro
00:23de casa?
00:24Eu acredito que sim. Você está completamente fora da tua rotina, né?
00:30Então, quem está em casa, sai da tua rotina que era o habitual, trabalhar, se divertir, encontrar um amigo, para
00:37poder ficar dentro de casa.
00:39Isso aí já é um problema.
00:41Você tira os momentos de lazer, você não pode visitar um parente, você não pode ser visitado.
00:47São muitas limitações, o indivíduo se sente muito limitado nas vontades do que ele gostaria de estar fazendo, né?
00:55Visitando um pai, teve dia das mães, muita gente não pode ver seus pais.
00:59Então, tudo isso, assim, vai causando, no decorrer do tempo, um cansaço mesmo.
01:04Eu falo que as pessoas estão fadigadas.
01:06Esse é o termo que eu acho que é mais adequado, porque é a sensação de que você não fez
01:11nada e está muito cansado.
01:13Isso que é engraçado, elas estão fadigadas de não fazer nada, né?
01:16Exatamente.
01:17Parece até doideira a gente falar uma coisa dessa.
01:20Tem um outro detalhe.
01:22Nós estamos muito mais reclusos e, por isso, a atividade física, e você não precisa ser um grande atleta para
01:30isso,
01:30mas você tem uma massa muscular que suporta o teu condicionamento do dia a dia.
01:35Isso está sendo perdido.
01:37Então, assim, as pessoas estão tendo atrofia muscular mesmo.
01:40Mesmo as que falam, ah, mas eu nunca fui de academia, mas mesmo a atividade do dia a dia, você
01:46tem um gasto muscular.
01:48Isso também dá a sensação de fadiga, essa perda de massa muscular.
01:51E a parte emocional, né?
01:53Nós vivemos um momento de medo.
01:56É medo de se contaminar, é medo de perder as pessoas.
02:00Alguns já estão com pessoas, já perderam pessoas, né?
02:05Que é uma coisa muito...
02:06A gente ouve histórias já da situação das mortes ou das pessoas doentes.
02:13Isso aí vai se somando.
02:15Aí você imagina a pessoa privada do seu lazer, privada, às vezes, das pessoas que gostaria de estar...
02:21A categoria médica, a maioria está afastada dos filhos, dos pais, por conta do risco.
02:26Assim, que é uma classe que está muito sofrida também, são os enfermeiros, os médicos, por conta dessa situação toda.
02:34E nada para fazer.
02:36Aí a pessoa fala assim, poxa, mas eu tenho tanta coisa para fazer, tinha que arrumar meu guarda-roupa, podia
02:41ler um livro, não consegue.
02:43Mas até mesmo porque, sim, mais de dois meses que a gente está nesse negócio, né?
02:47A pessoa que já arrumou o guarda-roupa uma vez, não tem nem mais o que fazer depois, né, também.
02:51Sim, sim.
02:51De tanta coisa que já fez em casa, inventa coisa, mas ainda sente falta da rotina, né?
02:56Fica aquela impressão, assim, de que eu tenho um monte de coisa para fazer, mas eu não tenho força para
03:00fazer.
03:01As pessoas falam assim, assim, eu não tenho ânimo.
03:03E, assim, muita revolta, né?
03:05Eu atendo idoso, eles falam assim, poxa, eu vivi a minha vida inteira, trabalhei, agora que eu estou aposentada, eu
03:11vou ter que ficar dentro de casa, eu não posso sair, que é um problema, né?
03:14Manter os idosos dentro de casa.
03:16Que é o grupo de risco e, às vezes, os idosos são, às vezes, os mais teimosos, né?
03:20Sim, sim, sim.
03:22E a gente fala assim, vai terminar a epidemia, a pandemia do coronavírus e a gente vai ter uma epidemia
03:28de doença psiquiátrica por conta dessa situação toda.
03:33Agora, olha só, os dados que eu tenho, deixa eu ler para vocês, que eu tenho os dados que falam
03:36que a depressão entre os brasileiros quase duplicou durante esse período de quarentena.
03:42O levantamento foi feito por uma universidade do Rio de Janeiro com 1.460 pessoas em 23 estados brasileiros e
03:49mostra que casos de depressão aumentaram em 90% durante o isolamento social para combater o novo coronavírus.
03:57Essa pesquisa também mostrou que as mulheres são mais propensas do que os homens a sofrer com o estresse, ansiedade
04:04durante esse período de quarentena.
04:05Outros fatores de risco são alimentação desregulada, doenças pré-existentes e ausência de acompanhamento psicológico, sedentarismo e também a necessidade
04:16de sair de casa para poder trabalhar.
04:18Já para a depressão, as principais causas são idades mais avançadas, ausência de criança em casa e também a presença
04:26de idosos dentro de casa.
04:28Essa pesquisa coletou dados dos períodos entre dia 20 e 25 de março e também de 15 a 20 de
04:34abril.
04:35A gente viu aí vários fatores que acabam causando isso.
04:38Sim, e isso a gente vivencia na vida conversando, olhando as pessoas, atendendo no consultório e aí em cima disso
04:47tudo é um medo, né?
04:48As pessoas têm medo da doença, que é uma doença diferente de tudo que a gente já viu e vem
04:54carregado de todas essas limitações.
04:57Então é tudo que precisava para as pessoas terem um psicológico bem abalado mesmo.
05:04Olha só o que a Jânia está falando.
05:06Doutora, você falou tudo. Estou com fobia de entrar na farmácia, no supermercado, estou passando mal mesmo.
05:12Tenho que fazer algumas coisas, mas estou com dor por todo lado.
05:16Ou seja, ela fica até com fobia de sair de casa por conta dessa questão.
05:20Então você acaba ficando dentro de casa e fica ainda mais ansioso por querer convite, né?
05:25O que você tem que fazer é arrumar algum tipo de coisa que faça com que você vença essa apatia
05:32de alguma maneira.
05:33Porque ela é física, física mesmo, e ela tem um lado muito emocional.
05:39As pessoas, por outro lado, como elas estão em casa e sem muita coisa para fazer, tem muita coisa, mas
05:45elas não conseguem fazer, elas ficam muito mais introspectivas.
05:49Então elas passam a relembrar e reavaliar várias coisas mal resolvidas na vida delas.
05:55E isso, assim, deveria ter um acompanhamento, porque você tentar corrigir coisas emocionais, ruins, sozinha, em época de pandemia, realmente
06:04não vai dar, né?
06:05Então esse tempo vago de introspecção e outra situação.
06:10Falou muito das mulheres.
06:11As mulheres, vou defender aqui, elas são extremamente sobrecarregadas.
06:15Essas crianças foram da escola com essas atividades que os pais...
06:19Mas a mãe, ela é engenheira, ela tem que estudar história com o pequenininho.
06:25É extremamente estressante, sai completamente dentro da zona de conforto, né?
06:29Acaba levando... Ela fica com mais uma função, né?
06:32Sim, ela é professora.
06:32Além de cuidar, às vezes, muitas, cuidam da casa, trabalha e você é professora nesse período.
06:36Tem que lutar no supermercado, né?
06:38Porque o supermercado parece uma luta, porque, assim, o lugar onde você mais pega Covid para mim é no supermercado.
06:43Eu já decidi que é o lugar mais perigoso que a gente tem, assim, de contaminação.
06:48E ter mais cuidado, né?
06:49Muito mais cuidado no supermercado, assim, eu acho que é o lugar onde mais se contamina.
06:54Então, assim, totalmente compreensível.
06:56As mulheres estão estressadas.
06:59E, principalmente, crianças dentro de casa, sem ajuda, às vezes, da mãe, de um parente que ajuda com as crianças,
07:08né?
07:09Totalmente aceitável.
07:10Nossa, a gente viu aí, doutora, são vários fatores, então.
07:13Que faz com que a gente perca, realmente, o sono, né?
07:16Durante a madrugada.
07:17Então, são coisas diferentes.
07:19Aí ele falou várias coisas que eu achei bem interessantes.
07:22Uma é a ansiedade, a angústia, o medo, causando insônia.
07:27Que é a dificuldade de dormir, ou acordar várias vezes ao dia, ou acordar muito cedo.
07:32Isso são formas de insônia.
07:35E um outro comportamento que vem acontecendo, as pessoas vêm referindo, são os sonhos, os pesadelos.
07:41Isso é uma coisa verdadeira.
07:43Ele deu uma definição que eu achei bem interessante, mas, fisiologicamente, durante o sono REM, que é uma fase do
07:52sono onde o cérebro está extremamente ativo, é uma alta atividade, é como se você tivesse acordado mesmo de tamanha
07:58atividade, é onde acontecem os sonhos.
08:01E os sonhos, e esse estágio REM, ele já foi definido como estágio fundamental na hora que você consolida tudo
08:10o que aconteceu de emocional durante o dia.
08:13É a hora que, já ouviu aquela frase que fala assim, dorme, que amanhã você vai ter uma nova ideia
08:20sobre aquele mesmo ponto.
08:22Ou quando você está com um problema, ou está triste.
08:24Porque durante esse sonho você vai repassando tudo.
08:27Você ajusta aquele conteúdo emocional e sedimenta aquilo de alguma maneira.
08:32E algumas vezes isso vem na forma de sonho.
08:35Então, se você está muito...
08:36Ou seja, dormindo acordado, a gente pode dizer.
08:38Mas a atividade cerebral é de acordado mesmo.
08:41É como se você estivesse acordado vendo, correndo, vendo televisão.
08:46A atividade elétrica é alta mesmo.
08:49É como se estivesse acordado.
08:50O eletroencefalograma é igual de vigília.
08:53Então, assim, por isso que as pessoas estão queixando mais, além da insônia, de sonhos.
08:58A moça falou ali uma coisa muito interessante.
09:00Com ansiedade, a gente tem o que a gente chama de sono não reparador.
09:05É a impressão de que você não dormiu.
09:07Ou que você tem uma má...
09:09Aliás, uma má percepção do sono.
09:11Você dorme e fala, poxa, não dormi.
09:13Aí você vê, quando você faz o exame de sono, você vê que a pessoa dormiu a noite inteirinha.
09:18Mas é porque ela teve muitos sonhos?
09:19Não, ela dorme, mas ela acorda cansada e garante para você que ela não dormiu a noite inteira.
09:26Isso vem acontecendo muito.
09:27A gente chama má percepção do sono.
09:30E alguns não dormem mesmo, tá?
09:32Alguns estão com muita insônia mesmo e precisam ser medicados.
09:35Eu, nessa fase, particularmente, eu acho que as clínicas, os psiquiatras estão atendendo.
09:42Essas pessoas precisam ser medicadas nessa fase.
09:45Agora, quem não lembra do sonho?
09:46A gente pode dizer que essa pessoa, então, dormiu bem?
09:48Ou, se não lembrar do sonho, não tem alguma relação?
09:52Não, não.
09:52Não tem nada.
09:52Não.
09:53A gente descobriu o que é durante esses sonhos, durante esse estágio.
09:58Por quê?
09:58Quando você acorda uma pessoa durante o estágio REM, ela, normalmente, ela acorda com o relato
10:03de que estava sonhando.
10:05Nos outros estágios, isso não acontece.
10:08Então, eles entenderam que os sonhos aconteceriam ali.
10:13Não se sabe ao certo se não acontece durante os outros estágios, mas que ele principalmente
10:18acontece ali.
10:19É mais ou menos 20% do tempo, só para você ter ideia da importância, o gasto energético
10:25é grande, porque o funcionamento do cérebro é gigantesco, e é 20% do tempo de sono, para
10:31entender a importância que tem a sedimentação de todo esse conteúdo emocional na vida da
10:36gente.
10:37Se a pessoa não lembra que sonhou, pode dizer que isso aconteceu ou não?
10:40Ela sonhou, ela com certeza sonhou, ela só não lembra.
10:43Ela passou aqueles 20% lá que ela estava no estágio REM.
10:45Ela é necessária, a pessoa morre, ela morre depois de 21 dias, nem ratinhos, 21 dias sem
10:53estágio REM e sem dormir em torno de 5 a 7 dias.
10:57A gente morre.
10:59Entendi.
10:59Agora, o que fazer então, doutora?
11:01Tipo assim, o que fazer nesse período que a gente está de pandemia, para que eu tenha
11:04uma noite de sono mais tranquila, que eu consiga pelo menos dormir mais horas, não acordar
11:08igual de madrugada, igual o pessoal está falando aqui na transmissão?
11:12Então, tentar manter a sua rotina.
11:15O ruim é que a gente teve uma quebra importante na nossa rotina.
11:19Isso, para o nosso corpo, é uma ruptura muito grande.
11:21Então, tentar manter uma rotina que é a sua habitual de antes da quarentena e é a que
11:27você vai seguir depois.
11:29Claro que tem problemas reais.
11:32Desemprego, o que vai acontecer depois, o sofrimento com alguém que morreu.
11:37Isso tudo tem que ser tratado, e eu te digo, com medicação, porque esses quadros às
11:42vezes são graves, associado ao isolamento, a falta das pessoas para dar apoio por perto,
11:49e isso vira ali uma bomba relógio de uma situação grave.
11:52Precisa realmente de um remédio, precisa de realmente um acompanhamento, nesses casos
11:56mais depressivos.
11:57Porém, não é você ir na farmácia comprar qualquer coisa sem prescrição, né?
12:00O farmacêutico, acho que o farmacêutico falou ali que pega a receita para mais tempo, né?
12:06A mesma receita é válida, aí a pessoa dá para o vizinho, para o parente, aí distribui
12:10o medicamento para toda...
12:11Isso é muito comum de acontecer, né?
12:13Essa medicação coletiva, assim, feito por um parente.
12:17Não, mas eu me refiro à medicação adequada e indicada para cada um.
12:22Por exemplo, o indivíduo pode ser só ansioso e estar dormindo mal, isso é uma abordagem.
12:27Ou ele pode ter um comportamento depressivo, com transtorno de ansiedade generalizada, isso
12:32aí é outra coisa.
12:33Ou, às vezes, as pessoas já tinham algum traço de alguma coisa psiquiátrica e com
12:37toda essa confusão, isso aí ficou mais forte e precisa de outro tipo de medicação.
12:44Então, assim, é adequadamente avaliado e tratado.
12:48Só que é importante notar que se está tendo um problema e procurar um profissional
12:56para poder tratar adequadamente.
12:57Não deixar isso ficar...
13:00As coisas, do ponto de vista psiquiátrico, da depressão, elas precisam ser levadas muito
13:05a sério.
13:05A gente não pode tratar isso, ah, é uma frescura, vai passar.
13:09Não, a gente...
13:09E a gente está num momento que é muito propício para isso.
13:14Tirando os remédios, né?
13:15Que precisam de controle, precisam ser medicados.
13:17Existe alguma coisa, algo que pode acalmar mais as pessoas durante esse período, assim,
13:22para na hora de dormir, que ajuda nesse sono?
13:24Sim.
13:25Eu acho que para acalmar na hora de dormir é ter rotina para dormir.
13:30E hoje o comportamento com computador, celular, ficou muito mais ativo.
13:35É live, é não sei o quê, e as pessoas vão emendando aquilo ali nos eletrônicos.
13:40E por falta...
13:41Por conta do isolamento.
13:42Então, isso tudo prejudica muito o sono.
13:44Então, de alguma maneira, tirar isso próximo do horário de sono, exigir de você uma rotina,
13:50mesmo na quarentena.
13:51Se você pode dar uma caminhada na rua, numa rua fechada ou numa rua que não tem passagem
13:59de pessoas, de máscara.
14:01Se você pode fazer isso, faça.
14:03Tentar manter uma rotina de atividade física de alguma maneira, com toda dificuldade que
14:09existe no momento.
14:11E, de repente, até intensificar isso, porque vai fazer falta ali no teu organismo aquela
14:17atividade física, e está faltando, né?
14:19E manter essa rotina.
14:21Então, se você acorda lá por volta de sete horas para ir trabalhar, você vai tentar
14:24acordar por volta de sete horas.
14:26Você vai tentar manter uma rotina.
14:27Aquele lance de ficar de pijama o dia inteiro, aí quando dá três horas da tarde, resolveu
14:32tomar café da manhã, aí volta para a televisão.
14:34Desregula tudo, né?
14:35É, todo desregulado.
14:36Então, isso aí, assim, é uma quebra da rotina.
14:39E você não tem...
14:40Quando você olha para frente, você não consegue ver uma certeza lá na frente.
14:45Isso é muito angustiante.
14:46Agora, doutora, você tinha falado, a gente tinha comentado aqui, que muita gente que
14:49não toma remédio, mas acaba descontando no álcool também.
14:51Isso atrapalha nessa rotina, principalmente de sono, de estresse?
14:56O álcool, ele é um hipnótico, ele faz começar a dormir, só que o sono de quem
15:03usa bebida alcoólica é um sono diferente.
15:06Então, assim como o sono de algumas pessoas que usam alguns tipos de medicação também.
15:10Por exemplo, os benzodiazepínicos, eles fazem dormir, mas eles alteram o padrão de sono,
15:15igual eu comentei, 20% é do sono REM.
15:18Você tem uma alteração no padrão do sono e isso causa repercussões.
15:22Você muda as porcentagens de cada estágio, você traz problemas.
15:27O álcool, ele faz dormir, só que o perfil de sono, o padrão de sono desse indivíduo
15:34é um padrão ruim.
15:35Não é à toa que quem bebe amanhece de ressaca, mal, com sono, às vezes acorda e precisa dormir
15:41depois.
15:42Depois, aquele sono, ele não é efetivo.
15:44E sim, as pessoas, tanto por não ter nada para fazer, quanto para poder conter a ansiedade
15:50e talvez uma pontinha de depressão, estão bebendo mais, o que piora as outras coisas.
15:54O que vai piorar a ansiedade, o que vai piorar a depressão.
16:10Então...
16:12Então, você está chorando, já aparece um comportamento mais depressivo, não precisa
16:21só de remédio para dormir, também de remédio para dormir.
16:24E você vê como que o comportamento mudou e ele é necessário nesse momento.
16:31Eu não consigo hoje acalentá-la falando assim, ó, não precisa lavar tudo e passar
16:36álcool gel aí nas coisas, porque hoje está precisando, entendeu?
16:39Então, a gente não tem nem aquela fala acalentadora.
16:44O que a gente pode falar é assim, vamos passar por essa fase, que é uma fase muito difícil
16:49para todo mundo e vai melhorar depois.
16:51Mas agora a gente tem que ter força para chegar até o final e chegar da melhor maneira possível.
16:57Se tiver que fazer medicação, vamos medicar.
17:00E as pessoas, cada um fazendo o seu esforço para poder segurar a sua onda, né?
17:06Vamos colocar assim, até o final dessa situação.
17:09Olha só, doutora, para a gente ir encerrando, tem muita gente também que às vezes acaba,
17:12vê se eu estou errado, tendo a doença psicológica, né?
17:15De tantas vezes, está achando que, pô, fui no supermercado, voltei, será que eu estou
17:20com aquilo, estou com aquilo?
17:21Acaba sentindo sintomas e quando vai ver, realmente é uma ansiedade, algo parecido.
17:26É, muita falta de ar, porque está ansioso.
17:28Eu vejo isso, assim, muito, muito.
17:30Com vírus psicológico, a gente pode dizer.
17:32E a gente, assim, o que a gente faz?
17:34A gente afasta, tenta afastar.
17:37Ó, você não está doente agora, mas aí ela vai para casa e fala assim, peguei no caminho
17:42para casa, aí volta tudo de novo.
17:44Então, é uma época que a gente não tem muito para onde correr, não.
17:49A gente tem que tentar ao máximo manter a sanidade e entender quem está sofrendo,
17:53o familiar e entender e tentar fazer todo mundo que puder, que estiver ao redor e ver
17:58uma pessoa com esse comportamento, agir, tentar agir dentro do que aguenta também, para
18:03aquela pessoa fique melhor enquadrada e medicar.
18:06Eu acho que, assim, é fundamental.
18:08Nessa fase é fundamental.
18:10E depois tira o remédio.
18:11Vai passar e a gente depois vai reavaliar isso tudo.
18:14Mas agora a gente precisa terminar essa fase bem.
18:19Agora, doutora, eu já brinquei aqui uma vez, que às vezes a gente sai de casa, a gente
18:22tem que precisar trabalhar, né?
18:24Precisa ir no supermercado, a gente volta, parece que está com a própria Covid, a gente
18:27está levando para casa ela, né?
18:27É, mas isso é todo dia para mim.
18:29Mas os cuidados precisam sempre ter, né?
18:31A gente não pode relaxar nisso.
18:33Não tem jeito, não tem jeito.
18:35Eu brinco com alguns amigos, eu trabalho diretamente com Covid.
18:38Aí eu brinco que eu vou dormir toda noite, falo para o meu marido, você vai para o sofá,
18:42porque eu estou com Covid.
18:43É hoje que eu peguei dor de máscara, porque a garganta arranhou um pouquinho, aí no outro
18:47dia acordo bem.
18:48Não, não foi dessa vez.
18:49A gente vive isso no dia a dia, entendeu?
18:52Estou falando aqui com um pouco, assim, rindo, mas é isso.
18:55A gente está vivendo o dia a dia, o risco de contaminação.
18:58Agora, só para tranquilizar, a maioria tem quadro leve, vai ter uma dor de garganta,
19:03vai ter um quadro mais tranquilo.
19:05E quando vai passar, né, doutora?
19:06Vocês vão ter um quadro mais grave.
19:08E vai passar.
19:08Então, assim, é a gente focar que vai passar e que a gente precisa chegar no final
19:14bem, porque a gente tem toda uma vida enorme pela frente.
19:18Doutora, agradeço imensamente a sua presença aqui no Fala Espírito Santo.
19:20Obrigada a você.
19:21É sempre bom a gente reforçar e também acalmar um pouco as pessoas e levar alguma forma
19:25para elas ficarem mais tranquilas.
19:26Obrigado, viu, pela sua presença.
19:27Obrigada.

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