00:00E hoje aqui no estúdio o nosso assunto também é saúde e transplante de órgãos.
00:05Dois transplantes foram feitos nesse fim de semana, os órgãos eram de um mesmo doador.
00:10Falando aqui sobre o assunto, eu recebo o médico cirurgião, o doutor Isaac Valker.
00:15Então Isaac, vamos falar um pouquinho sobre esses transplantes aí do fim de semana.
00:18Mostramos o nota E, que veio trazendo um coração, e aí o fígado não deu tempo de vir junto com
00:25o coração no mesmo helicóptero, né?
00:27Correto. A equipe do nota E tinha um prazo, um horário para decolar de cachoeiro, que era às 17 horas,
00:37porque o voo noturno é um pouco mais perigoso, então não deu tempo para a equipe também retirar o fígado
00:45e embalar para que a equipe do nota E trouxesse também o fígado.
00:51Então só veio o doutor Heber com o coração já captado para o transplante de coração.
00:57Mas a equipe do fígado veio depois, chegou às 20 horas, há tempo ainda,
01:06para o nosso transplante de fígado ser realizado com sucesso e estar na UTI se recuperando bem.
01:11Pois é, e aí doutor, por exemplo, teve lá o anúncio de que, olha, tem aqui um fígado,
01:17tem um coração que vão ser levados. Aí o paciente que está aguardando na fila,
01:22ele já fica ali preparado já para fazer a doação, ele já é encaminhado para o hospital,
01:27já começam todos os preparativos até a chegada desse órgão?
01:31Correto. A partir do momento que a nossa equipe é notificada que existe um potencial doador
01:37e que a gente vai avaliar se aceitam ou não os órgãos, nós avisamos os receptores.
01:44No nosso caso, o nosso doente já estava internado, então é o que minimiza muito o tempo de transporte,
01:51de deslocamento desse receptor.
01:53Porque muitas vezes esses pacientes são pacientes graves que já estão internados
01:58e que não têm condições de estar em casa aguardando o transplante de órgãos.
02:02Isso acontece com muita frequência no transplante de coração,
02:05mas também pode ocorrer no transplante de fígado, pacientes que precisam...
02:09Ou seja, doutor, é questão de salvar a vida, né?
02:12Porque a pessoa realmente já está num quadro de saúde
02:16que ela não se sabe mais quanto tempo que ela aguentaria sem esse transplante.
02:21Correto. Muitas vezes está tão grave, em condição tão crítica,
02:26que a equipe que está cuidando desse paciente fica na dúvida se ele vai aguentar o transplante.
02:33Então, imagina a gente fazer um transplante fútil, que não serviu para nada.
02:38Então, realmente, muitas vezes a gente tem essa dúvida
02:41e às vezes a gente tem que abortar o transplante porque o receptor está muito grave
02:46e passa para o seguinte da fila, até esse primeiro, estabilizar e melhorar para suportar o transplante.
02:53Agora, vamos falar sobre esse caso do transplante de coração que aconteceu nesse fim de semana.
02:57Foi feita a cirurgia? Deu tudo certo? Como é que está o paciente?
03:01Então, eu sou cirurgião da parede de estilfo e, infelizmente,
03:04o doutor Melchior e o doutor Heber não estão aqui para falar,
03:06mas eu conversei com eles mais cedo e o paciente está bem,
03:09e já está na UTI se recuperando, está em plena recuperação.
03:15Está em recuperação o paciente?
03:17Isso.
03:17E o que recebeu o fígado?
03:20Também está em programação de sair do tubo, da ventilação mecânica,
03:25está se recuperando também.
03:27Ele estava tão grave que estava dializando,
03:29então, nossa torcida agora é para que não só o fígado se recupere,
03:35o fígado novo, mas também que os rins se recuperem.
03:38Agora, como é que é o processo, esse processo mesmo de recuperação, doutor?
03:42Ele é um processo longo?
03:44A pessoa fica internada por muito tempo?
03:48Isso depende muito, porque tem pacientes que não estão tão graves
03:53e que se recuperam rapidamente com o transplante,
03:57podem ter alta com 7 a 10 dias, às vezes um pouquinho menos,
04:00mas em média 7 a 10 dias,
04:02mas tem pacientes que ficam internados dois meses
04:07até ter plena condição de ter alta para casa
04:12e fazer o acompanhamento no ambulatório.
04:15Pois é, e aí é preciso manter esse acompanhamento, né?
04:17Por quanto tempo que esse paciente transplantado,
04:20ele segue fazendo um acompanhamento médio?
04:22Para o resto da vida.
04:23Para o resto da vida?
04:24Não tem como nem de parar de tomar as medicações
04:27que inibem a rejeição deste órgão transplantado,
04:31e tem que realmente fazer exames e acompanhamento para o resto da vida.
04:36No início é um pouco mais frequente,
04:38depois espaça um pouco mais.
04:39Essas consultas, né?
04:41O Agrinaldo Antônio Nascimento está falando aqui,
04:43faço 11 anos de transplante de fígado, agora em agosto.
04:47Fiz o transplante com a equipe do Dr. Gustavo, uma excelente equipe.
04:51Você vê, olha, já são 11 anos aqui de transplante,
04:53está bem de saúde, mas tem que continuar o acompanhamento.
04:57É, correto, Sr. Grinaldo.
04:59Então, assim, a equipe começou o transplante com o Gustavo Peixoto em 2005,
05:05eu estou aqui no estado desde 2006,
05:07nós já fizemos 367 transplantes de fígado.
05:11Então, são bastantes pacientes transplantados
05:15e realmente tem pacientes com mais de 10 anos de transplante
05:19e vivendo a vida normal.
05:22Infelizmente, alguns pacientes faleceram
05:25e tem alguns pacientes que precisaram de um segundo transplante de fígado.
05:28Um segundo transplante?
05:30Correto.
05:31Isso não é tão incomum,
05:33porque o órgão acaba por rejeição, infecção,
05:36entrando em falência,
05:38e aí a gente tem que fazer um segundo transplante de fígado nesse paciente.
05:42A gente chama de retransplante.
05:43É uma modalidade também que existe.
05:46E olha, a gente tem uns números aqui,
05:48olha, da Secretaria Estadual de Saúde,
05:50que são quase 1.300 pessoas que aguardam, gente,
05:54por um transplante de órgãos aqui no Espírito Santo.
05:57Destes, 995 esperam por um rim,
06:00que pode ser doado ainda em vida, como a gente falava, né, doutor?
06:04A fila por rim, ela é muito maior, né?
06:07É a principal aqui no nosso estado.
06:10É, com certeza é uma fila muito maior.
06:13Entretanto, esses pacientes têm uma alternativa,
06:16que é a hemodiálise,
06:17apesar de não ser uma alternativa ideal,
06:19mas...
06:20E cada doador tem dois rins,
06:21Então, ele...
06:22Cada doador pode tirar dois pacientes da fila de hemodiálise.
06:27Enquanto, normalmente, o coração, né,
06:31é só um coração e só um fígado que a gente acaba transplantando.
06:35Mas, realmente, a grande maioria são receptores que precisam de um rim
06:40para ser transplantado.
06:42E tem a possibilidade do transplante entre correlacionados e em vida.
06:48Que, geralmente, isso acaba acontecendo entre familiares, né?
06:51Porque é uma pessoa que precisa do rim,
06:53e as outras da família acabam fazendo os exames
06:55e fazem esse projeto, né, essa cirurgia, né, doutor?
07:00Isso.
07:01A gente está com participações aqui pela nossa transmissão.
07:04Nerivan, do Rio, falando,
07:06quero parabenizar a todas as pessoas que são doadoras.
07:09E ela complementa, ele complementa.
07:10Não é um momento fácil para a família
07:12que perde uma pessoa,
07:14mas gratidão de quem recebe é enorme.
07:17É exatamente isso que é sempre bom a gente destacar.
07:19Tem que ter autorização, porque não basta você falar,
07:23ó, a Miriam Cristina falou,
07:24a minha mãe foi doadora de órgãos.
07:26Ela sempre falava que, quando falecesse,
07:30ela queria ajudar muita gente,
07:32e ela conseguiu ajudar.
07:33Tá aí, olha, a Miriam,
07:35filha, falando que a família fez a doação dos órgãos da mãe.
07:38É isso que é importante, a gente falar com os familiares, né?
07:41E não adianta deixar um documento por escrito
07:43dizendo que é doador, né, doutor?
07:45Juliana, você tocou no ponto fundamental.
07:47A doação de órgãos só ocorre com a autorização da família.
07:52Antigamente, existia a possibilidade de deixar registrado um documento,
07:56isso caiu por terra, porque atrapalhou a doação de órgãos.
08:00Então, é fundamental falar com seus familiares
08:03sobre a doação de órgãos e manifestar esse desejo em vida.
08:07Mas, infelizmente, ainda temos um grande índice
08:10de não autorização nas entrevistas familiares.
08:14Principalmente, aqui no Estado, a gente perde muito doador,
08:17porque as famílias acabam não autorizando a doação.
08:21Existe muita recusa ainda hoje?
08:23Ainda existe bastante.
08:25Lógico, tem as contraindicações médicas, né?
08:28Em alguns casos, apesar da família querer doar os órgãos,
08:32existe o fatoridade e comorbidades,
08:35mas ainda a gente vê muita recusa familiar também.
08:41Isso, infelizmente, é um problema a ser contornado.
08:45E a gente só vai melhorar isso aí com a educação,
08:48o esclarecimento e a população confiar no sistema de saúde.
08:51Quase 1.300 pessoas aguardam por um transplante aqui no Espírito Santo.
08:56Como eu te contei hoje, duas cirurgias foram feitas nesse fim de semana,
09:01uma de coração, outra de fígado.
09:03Os órgãos eram de um mesmo doador.
09:05Quem está falando mais sobre o assunto é o médico cirurgião,
09:08o doutor Isaac Valker.
09:11Dois órgãos que vinham de uma mesma pessoa.
09:13E como o senhor destacou aqui,
09:14um único doador pode fazer várias doações, né?
09:19Ou seja, de um mesmo corpo dá para ajudar muita gente.
09:22É correto.
09:24Em serviços que realizam transplantes de pulmão, por exemplo,
09:28tem o transplante de pulmão, tem o transplante de córnea,
09:33o transplante de coração, o transplante de fígado, rins e até tecidos.
09:39Então, realmente, um doador pode ajudar muitas pessoas,
09:42vidas que estão precisando desse transplante
09:46para continuar a viver com qualidade.
09:50E aí reforça a importância das pessoas falarem para os seus familiares
09:54que elas querem ser doadoras, caso aconteça alguma situação.
09:59Em que situação, doutor, que os órgãos podem ser retirados?
10:03Porque a pessoa tem que...
10:04Os órgãos têm que estar ali funcionando ainda,
10:07por exemplo, o coração tem que estar ali pulsando ainda
10:09para que ele seja doado, né?
10:11Correto.
10:12A maior parte das doações vem de traumas, né?
10:17TCE, trauma crânico encefálico e AVC.
10:21Essas são as principais causas de morte encefálica.
10:25E nessas situações em que o cérebro morreu,
10:29mas os outros órgãos continuam funcionando,
10:32é que é o cenário que pode ocorrer a doação.
10:35Porque os rins estão funcionando, o fígado, o coração está batendo.
10:39Então, nesse cenário é que ocorre a doação dos órgãos.
10:44É um quadro irreversível, infelizmente, né?
10:47Para a família, para o doador que veio a falecer.
10:51Mas pode ajudar várias vidas que precisam dos transplantes.
10:58Ó, tem participações aqui chegando pela nossa transmissão.
11:00Rogério Gomes está falando que a mãe fez cirurgia do coração
11:03e viveu por 15 anos transplantada.
11:05Só que aí ela acabou perdendo a vítima por conta de diabetes.
11:09E estava na fila já por um transplante de rins também.
11:12O tio dele vive há mais de 20 anos com uma cirurgia com transplante de coração.
11:17A Paulinha Rodrigues tem uma pergunta aqui,
11:19que ela fala como é que é essa lista de espera em relação aos idosos.
11:23Minha mãe foi indicada a fazer um transplante de coração.
11:26Nosso medo é justamente pela idade.
11:28Ela tem 65 anos.
11:31Então, antigamente a gente tinha um critério muito rígido em relação à idade,
11:35mas isso tem mudado.
11:37Tem pacientes que têm 60 anos e que suportam tranquilamente um transplante de órgãos.
11:43Já tem pacientes pela condição clínica e que a idade, muitas vezes, não é um fator determinante.
11:50Então, lógico, quanto mais idade tem esse receptor,
11:56esse paciente que precisa do transplante, aumenta o risco da cirurgia.
11:59Mas cada equipe vai avaliar e indicar ou não o transplante,
12:04depois de uma avaliação criteriosa,
12:06para que esse paciente possa se submeter ao transplante de órgãos.
12:11Então, cada equipe transplantadora é que decide, junto com a família,
12:16se esse paciente tem ou não condições de aguardar e submeter ao transplante.
12:21É uma cirurgia que é, volto a falar, é uma cirurgia de grande porte.
12:25É uma cirurgia de grande porte, mas isso é possível ser feito em todo um acompanhamento, né, doutor?
12:31E olha, queria agradecer muito a sua presença aqui, batendo um papo,
12:34falando um pouquinho sobre essa questão tão delicada.
12:37A gente teve aí, nesse fim de semana, dois transplantes, duas cirurgias realizadas.
12:41Os pacientes receberam um coração, o outro recebeu um fígado.
12:44Os dois continuam internados, estão sendo acompanhados com um quadro de saúde estável, né, doutor?
12:51Correto. Eu tenho visto você falando dos dois transplantes,
12:54mas esses são os dois transplantes de coração e fígado,
12:57mas tiveram os dois transplantes de rins.
13:00Além desse mesmo doador que deu o coração e o fígado,
13:03também tivemos transplantes de rins no fim de semana?
13:05Tem a possibilidade, eu não tenho essa informação,
13:07porque eu não faço parte da equipe de transplantes de rins,
13:10mas acredito que tenha sido aproveitado os dois rins do doador.
13:14Também desse doador.
13:15A não ser que a equipe de urologia e de nefrologia tenha recusado os órgãos por algum motivo,
13:21mas acredito que tenha sido utilizado.
13:23Eu não tenho essa informação para te passar, mas...
13:25Nós vamos procurar saber se deu certo também, então, dos rins desse mesmo doador.
13:31Doutor, obrigada, viu, pela presença aqui.
13:33Uma ótima semana. Parabéns pelo trabalho de toda a equipe.
13:35Eu que agradeço a oportunidade de falar sobre doação de órgãos,
13:38e é sempre motivo de muita alegria a gente poder falar sobre esse assunto,
13:42porque a gente vê que salva vidas realmente.
13:45Realmente.