Pular para o playerIr para o conteúdo principal
  • há 3 semanas
Um paciente de Cachoeiro de Itapemirim sofreu acidente e família autorizou doação dos órgãos. Fígado, rins, coração e córneas vão ajudar, pelo menos, seis pessoas. Para transplante de órgãos é necessária autorização da família

Categoria

🗞
Notícias
Transcrição
00:00Estou recebendo aqui no estúdio o médico cirurgião, membro da equipe de transplantes do Hospital de Cariacica, o Isaac Valk.
00:08Boa tarde, doutor Isaac. Muito bem-vindo ao Fala Espírito Santo.
00:11Boa tarde, Juliana. É um prazer estar aqui.
00:13É sempre bom a gente falar sobre o assunto, sobre doação de órgãos, principalmente nesse momento que a população tanto
00:20sofre com essa pandemia também.
00:22Pois é, doação de órgãos.
00:24Já que o senhor tocou aí nesse ponto, antes da gente até falar sobre essas cirurgias, essa é uma outra
00:29cirurgia que também teve durante o fim de semana de transplantes.
00:33É importante que a população tenha ciência de que quem autoriza a doação é a família, né?
00:39Correto. Se não houver a doação dos órgãos pela família, não ocorre o transplante, principalmente nesses casos de coração, fígado,
00:51rins.
00:51Até o rim pode ter a doação em vida, mas principalmente no nosso caso, que foi o transplante de fígado
00:58e coração ontem, é super importante ter consciência da doação de órgãos.
01:05A participação do Nota Aérea é uma coisa rotineira, né? No transporte de órgãos.
01:10Ali estava o doutor Eber transportando o coração, mas o fígado também foi captado e foi utilizado.
01:17Pois é, vamos então falar dessas cirurgias que aconteceram, gente, nesse fim de semana. Foram duas, tá?
01:22Uma é essa de coração que a gente mostrou aí o Nota Aérea, que foi até Cachoeiro para poder pegar
01:27esse coração que estava sendo doado e aí foi até o hospital, né, em Cariacica.
01:32Como é que é esse transporte, doutor? Os cuidados que tem que ser, é tudo muito rápido, né?
01:36Então, a partir do momento em que a Central de Transplantes identifica um potencial doador nos hospitais, principalmente no centro
01:47de terapia intensiva,
01:49é feito todo um protocolo para documentar se existia morte encefálica, a família entrevistada e a família autorizando a doação
01:58dos órgãos.
01:58Esses órgãos são disponibilizados para as equipes.
02:03Ontem, no final da manhã, nós recebemos essa oferta e prontamente nós aceitamos e comunicamos os nossos receptores que eles
02:15tinham recebido essa oferta.
02:17E aí foi toda uma montagem de uma logística.
02:20A equipe é notificada, é transportada até o local, no caso foi Cachoeiro.
02:28Foram no transporte da van, da Central de Transplantes, é feita a retirada dos órgãos lá, mas para encurtar o
02:36tempo, principalmente em locais distantes,
02:39é utilizado, por exemplo, aeronaves da Força Aérea, da Polícia Militar, justamente para diminuir o tempo que esse órgão fica
02:47fora do organismo.
02:48Pois é, existe uma importância de que isso seja feito da forma mais rápida possível, doutor?
02:53Isso. O coração, por exemplo, a equipe da cirurgia cardíaca, do qual o doutor Melchior e o doutor Eber fazem
03:02parte,
03:03eles precisam que esse órgão seja transplantado em no máximo 5 horas, que é o tempo que esse órgão aguenta
03:09no gelo resfriado.
03:12Lógico, se for transplantado em menos tempo, é muito melhor, a chance de recuperação é maior.
03:18No caso do fígado, que é a nossa equipe que realiza transplantes de fígado, na equipe do doutor Gustavo Peixoto,
03:24lá no Hospital Meridional,
03:25a gente tem um tempo de até 12 horas, mas é lógico, a gente prefere que seja feito em até
03:306, 7 horas,
03:32porque permite que esse órgão recupere mais rápido.
03:36Ontem, infelizmente, devido a um atraso na captação e tudo, o coração teve que vir na frente com a equipe
03:44do Nota Air,
03:45e o fígado veio depois de van, mas isso não comprometeu o transplante, é importante que fique claro.
03:51Essa doação de coração e o fígado veio da mesma pessoa, o mesmo doador?
03:55Isso, um doador pode doar o coração, os dois pulmões, o fígado, o coração, as córneas, tecidos como o osso,
04:11pele.
04:12Qual que é o mais frequente em nosso estado?
04:15São os rins, coração e fígado e as córneas.
04:21E olha, a gente está aqui com perguntas que acabou de chegar aqui, para mim,
04:27aqui pelo telefone, o Anderson Santana, da Praia do Canto, em Vitória.
04:31Em caso de morte confirmada ou com suspeita de Covid-19,
04:36nenhum órgão pode ser doado?
04:38De que forma isso tem impactado o setor de transplantes de órgãos aqui no estado?
04:43É uma ótima pergunta.
04:45Nós ficamos três meses sem realizar transplantes no Espírito Santo.
04:49No dia 7 de abril foi o último transplante aqui no estado.
04:52Então, é motivo de comemoração ter feito o transplante ontem.
04:56Porque, com o início da pandemia, não se sabia ainda muita coisa sobre o Covid-19.
05:03Mas, logo no início, nós optamos, e todas as equipes no Brasil e no mundo,
05:09em não aceitar órgãos provindos de doadores com suspeita ou confirmação de Covid-19.
05:16Então, atualmente é feito o protocolo de morte encefálica.
05:20E se esse doador teve contato, está no Altei, que tem casos de Covid,
05:27ou testou positivo para Covid, infelizmente, esse doador é descartado para doação de órgãos.
05:35Ele não pode ser um doador de órgãos.
05:36Porque coloca em risco não só o receptor, mas também a equipe que vai ou iria captar esses órgãos.
05:44É importante que ficou-se provado que a aerolização daqueles gases que a gente utiliza de bisturi elétrico,
05:51isso pode levar à contaminação, inclusive, da equipe cirúrgica e do centro cirúrgico.
05:56Então, a gente não tem realizado, e isso impactou muito.
06:00Nós ficamos, realmente, três meses sem realizar transplante.
06:02E, no início do ano, a gente começou com um forte movimento de aumento no número de doações e de
06:08transplantes no Brasil.
06:09E, com a pandemia, houve uma brusca queda.
06:12Eu espero que a gente esteja no momento de recuperação.
06:15Pois é, a gente teve uma mudança, né?
06:17Vivendo essa pandemia, teve alteração em muitos setores da própria saúde.
06:23Porque, assim, aquelas consultas que a gente já até falou aqui no programa,
06:27aquelas consultas que eram marcadas, tanto no setor público quanto no particular,
06:31elas acabaram sendo desmarcadas e aí fica todo mundo aguardando.
06:35cirurgias eletivas, que não são cirurgias de urgência, deixaram de ser feitas e elas devem ser retomadas.
06:41A expectativa é que elas voltem a ser retomadas agora.
06:44E isso também vale para os transplantes.
06:47Houve uma queda no número, inclusive, de doações, né, doutor?
06:51Correto.
06:52Houve uma queda no número de doações, mas é importante frisar que mesmo os pacientes
06:57que precisam entrar na fila também foram impactados, né?
07:01Por quê?
07:02Não conseguem marcar exames, fazer as avaliações pré-operatórias para se inscrever na fila de transplante.
07:09Então, esses pacientes também foram impactados, embora o transplante, na maioria das vezes,
07:14são cirurgias de urgência, mas a realização dos exames pré-operatórios, né,
07:20são agendados e marcados.
07:21Isso impactou na entrada desse paciente na fila para o transplante.
07:27Como você bem colocou, os demais pacientes que, por exemplo, têm hernias, inguinais,
07:33pedra na vesícula e que precisam também realizar a cirurgia eletiva, foram brutalmente impactados.
07:40A gente tem visto aumento de casos de inflamação da vesícula, hernia encarcerada e também casos
07:49como, por exemplo, o apendicite, que o paciente espera tanto para ir para o hospital,
07:53eu mesmo operei casos avançados de apendicite que poderiam ter sido operados numa fase inicial.
07:59Então, realmente impactou muito todo o quadro da saúde.
08:04E olha, a gente tem alguns dados sobre transplante, porque olha, até junho desse ano
08:07foram feitas 110 cirurgias de transplante de órgãos aqui no estado.
08:12Cornea é o órgão mais transplantado.
08:14Foram 67 em seis meses.
08:17Também foram feitas 21 cirurgias para transplante de rins de pessoas que já morreram para outros pacientes.
08:24E ainda falando sobre a cirurgia de rins, foram quatro entre pacientes vivos.
08:29Transplante de fígado, coração e esclera também entraram para essa lista.
08:34No mesmo período do ano passado, ou seja, de janeiro a junho, foram feitos 206 transplantes.
08:40Esses dados são da Secretaria Estadual de Saúde e comprovam aí que neste ano,
08:45nesse primeiro semestre, houve uma redução, se a gente comparar com o ano passado.
08:50E aí, pelo que os especialistas já vêm apurando, vêm notificando,
08:55a pandemia teve uma influência nisso, né, doutor?
08:58É, como eu disse, no primeiro trimestre desse ano, nós fizemos o dobro de transplantes
09:03se comparado com o primeiro trimestre do ano passado.
09:06Mas com o início da pandemia, a partir de março, abril, realmente isso impactou fortemente o transplante.
09:14Nós praticamente não realizamos transplantes nesse período.
09:19Acredito que a gente fez um ou dois no máximo e passamos aí um período de três meses sem realizar,
09:25né, nesse segundo trimestre.
09:27A Leide Silva, moradora de Cariacica, a pessoa recém-transplantada,
09:31ela faz parte do grupo de risco para a Covid?
09:34Sim, ela faz parte do grupo porque ela é imunossuprimida,
09:38ela toma medicações que diminuem a imunidade dela.
09:44Então, ela faz parte, sim, do grupo de risco.
09:47Então, tem que ter cuidado, né?
09:48Agora, a gente falou de dados ali de transplante de rins, né?
09:52Existe a possibilidade de pessoas, né, pessoa realmente que faleceu,
09:56teve morte cefálica, aí você tira o rin e faz o transplante,
09:59ou entre vivos também, isso também é possível, né?
10:01Uma pessoa fala, olha, eu quero doar meu rin, isso acontece muito entre familiares, né?
10:06Correto.
10:07Então, o transplante pode ser por doador falecido, né?
10:11A família autoriza a doação desse ente querido que, infelizmente, evolui com morte cefálica.
10:17E a doação pode ocorrer também na outra modalidade, como você disse,
10:21é doação em vida, né?
10:24O transplante intervivos.
10:25Em nosso estado, a gente realiza muitos transplantes de rins, né?
10:31Intervivos.
10:32O transplante de fígado, a gente praticamente não realiza, realizamos apenas um.
10:37A gente não vê, não tem sentido, pelo número de pessoas na fila,
10:42colocar em risco um doador sadio.
10:45Então, assim, é muito mais produtivo incentivar a doação, né?
10:50Para que tenhamos mais doação para realizar o transplante de órgão doador falecido.
10:58Mas, realmente, essa cirurgia em doador vivo, no rim, isso é possível.
11:03Mas é uma cirurgia eletiva, marcada.
11:05E com a pandemia, foi impactada também.
11:08Falando sobre esse transplante intervivos, o Gilberto Marcelino está aqui contando
11:12na nossa transmissão, no Facebook.
11:14Minha esposa fez transplante de rim há 28 anos, doado pela irmã.
11:19Até hoje, ela está bem, com os exames excelentes, graças a Deus.
11:22Gilberto está assistindo a gente lá do Rio de Janeiro, acompanhando pelo Facebook.
11:25E ele falou, inclusive, nasceu minha filha com 24 anos de idade.
11:29Ou seja, 4 anos, né?
11:31Após ela ter feito um transplante, ela engravidou e teve a filha.
11:34Estão as duas bem.
11:38Ou seja, o transplante, ele pode sim mudar a realidade de uma pessoa, né?
11:42É possível ela se recuperar, fazer esse transplante e seguir uma vida normal, doutor?
11:45Nós temos N exemplos de pacientes transplantados levando a vida absolutamente normal.
11:51Não é porque ele faz parte do grupo de risco, tem que tomar medicações para evitar a rejeição,
11:56que ele não pode levar a uma vida normal.
11:59Mas é importante frisar que é uma cirurgia de grande porte e que tem riscos.
12:04Então, é fundamental.
12:07Mas para aquele paciente que precisa do transplante, muitas vezes é a única esperança de se manter vivo.
12:14Tem mais participações aqui também.
12:16O Armando Silva gostaria de agradecer a equipe do hospital.
12:21Infelizmente, o irmão não resistiu a um transplante cardíaco e faleceu no dia 17 de setembro de 2018.
12:28Mas a equipe foi 10, dando os parabéns aqui.
12:31Ou seja, a gente sabe que essa é uma realidade também, né, doutor?
12:35Existe um órgão que é compatível com outra pessoa, mas a gente nunca tem a certeza se isso vai dar
12:40certo, né?
12:41Se a cirurgia vai dar certo e a pessoa vai se recuperar, né?
12:43É, como eu tinha dito, é uma cirurgia de grande porte, envolve riscos.
12:48Num paciente já é muito grave, tanto no transplante de coração, quanto no transplante de fígado ou até mesmo no
12:56rim.
12:57Mas no rim a gente tem uma situação especial, apesar do paciente também ser muito grave,
13:00nós temos uma alternativa que ele pode, se perder o órgão, voltar para a diálise.
13:06No caso do transplante de fígado e coração, infelizmente não.
13:09Então...

Recomendado