- há 9 minutos
No programa especial sobre as Eleições 2020, a comentarista política Gabriela Cuzzuol e o sócio-diretor da Futura José Luiz Orrico, analisaram os resultados da segunda pesquisa eleitoral para prefeito de Aracruz. Assista!
Categoria
🗞
NotíciasTranscrição
00:07Olá, seja bem-vinda, seja bem-vindo. Começa agora o programa especial Eleições 2020 no Folha Vitória.
00:14Hoje a gente apresenta e debate a pesquisa Rede Vitória Futura em Aracruz.
00:19Aqui no estúdio com a gente, a comentarista política Gabriela Cusual. Tudo bom, Gabriela?
00:23Bom dia, Edu. Bom dia, espectador do Folha Vitória. Um prazer estar com vocês em mais esta análise.
00:28Também o sócio-diretor da Futura, José Luiz Orrico, que volta hoje depois das participações da Simone.
00:33Tudo bom, José Luiz?
00:34Tudo bem, bom dia, bom dia aí, pessoal que está nos assistindo.
00:37E, de forma remota, o professor Hudson Siqueira. Tudo bom, professor?
00:43Tudo bem, Edu. Bom dia, bom dia, Gabi, bom dia, José Luiz e espectadores.
00:49Legal. Antes de falar sobre a pesquisa de Aracruz, eu chamo sua atenção para o nosso conteúdo especial do Folha
00:55Vitória.
00:55Além das informações atualizadas o tempo todo, você pode ter acesso ao nosso conteúdo especial em vídeos.
01:02Ó, vamos ver como é que é?
01:03Só vir aqui na página inicial do Folha Vitória, vídeos aqui em cima, eleições 2020.
01:10Clicando, você tem os nossos debates aqui sobre as pesquisas eleitorais.
01:16Ali você vê o debate sobre a pesquisa da Serra.
01:20Também linhares aqui que a gente já passou, todas as pesquisas pelas quais a gente passou.
01:24Também tem vídeos sobre a série Desafios Municipais, o que cobrar de prefeitos e vereadores.
01:31Uma série que está sendo apresentada no Jornal da TV Vitória, com reportagens no Jornal da TV Vitória,
01:36repetidas no Espírito Santo Noir e debatidas depois na rádio Jovem Pan News.
01:41E aqui embaixo você pode também saber o que pensa o candidato dos municípios da Grande Vitória
01:48sobre determinados temas, diversos temas.
01:51Cada um respondeu a 10 perguntas de 10 temas diferentes, passando por educação, saúde, segurança,
01:58além de uma pergunta específica para cada um dos candidatos a prefeito da Grande Vitória.
02:04Então, se você está em dúvida sobre quem escolher, dá um pulo na nossa página de vídeos no Folha Vitória,
02:09dá uma olhada nas entrevistas, isso pode te esclarecer e a nossa intenção é te ajudar a escolher
02:15as melhores opções para as eleições deste ano.
02:18Vamos direto para a pesquisa então, pesquisa de Aracruz, a pesquisa eleitoral na avaliação estimulada.
02:25O doutor Coutinho do Cidadania tinha 27,3% no dia 19 de outubro, foi para 32,3% agora.
02:33O Alcântaro do PSD tinha 23%, foi para 21,5%.
02:39Jones do Solidariedade, que é o atual prefeito de Aracruz, tinha 9,8%, foi para 12,3%.
02:46Major Wallace Vieira do PRTB tinha 7,3%, foi para 10,8%.
02:54Próxima tela.
02:57Evilásio Costa do PDT tinha 1,8%, foi para 4,8%.
03:01Paulo Neres do PSC tinha 1,5%, foi para 1%, continuou com 1,5%, continuou com o mesmo percentual.
03:08A Dilson Simão do PT tinha 1%, foi para 0,5%.
03:12Não sabe, não respondeu indeciso, foi de 15% para 11%.
03:17Ninguém, branco e nulo, tinha 13,5%, foi para 5,5%.
03:21Lembrando que essa é a pesquisa de intenção estimulada de voto quando são apresentados os nomes dos candidatos.
03:28Parece que pouca coisa mudou em Aracruz desde a primeira pesquisa, não é, Zé Luiz?
03:32Na verdade, aparentemente, há uma consolidação da candidatura do doutor Coutinho.
03:37Ele cresce 5 pontos percentuais entre uma pesquisa e outra, enquanto seu maior adversário até diminuiu um pouquinho,
03:47perdeu 1,5% entre uma pesquisa e outra.
03:50Quer dizer, tem um, o que a pesquisa está mostrando é que tem uma consolidação da candidatura do doutor Coutinho
03:57e aparenta ser o favorito para vencer a eleição no dia 15.
04:03Lembrando que ele está à frente mesmo, considerando a margem de erro, que é de 4,9 pontos para mais
04:08e 4,9 pontos percentuais para menos.
04:14Gabriela, o que a gente percebe aqui é que a máquina não teve tanto efeito assim nessas eleições de Aracruz,
04:19porque o prefeito está lá embaixo, né?
04:21É, Edu, definitivamente.
04:23O prefeito Jones Cavalieri não está com uma aprovação tão positiva, né?
04:29A aprovação do prefeito está na faixa aí de 18%, né?
04:37Ele tem aí cerca de 20% de aprovação de bom e ótimo.
04:41O índice de aprovação negativa superior à positiva.
04:46E nós temos analisado em outros municípios que esse tipo de avaliação reverbera nas intenções de votos declaradas por eleitores,
04:57né?
04:57A prefeitura não é avaliada, o atual prefeito, apesar de dispor da máquina pública, não sai na frente.
05:04Importante colocar que o candidato doutor Coutinho, ele foi muito bem votado, ele não se elegeu,
05:10mas foi o candidato a deputado melhor votado na região, que teve o maior número de votos, né?
05:16E ele vem em uma coligação com apoios bastante consistentes, como por exemplo do deputado Marcos Vicente,
05:22que é uma liderança política muito consolidada, né?
05:25Atua aí desde 1976.
05:27Então, me parece que o eleitorado de Aracruz tem uma tendência bastante conservadora, né?
05:35E não tem, de acordo com a pesquisa, com o que a pesquisa tem revelado,
05:40não, no momento, não expressa a intenção de voto no prefeito, que está à frente da máquina pública, né?
05:46Porém, continua manifestando um perfil conservador no sentido de optar por lideranças políticas já estabelecidas, né?
05:55O Alcântaro, né? Que é o candidato de oposição, também vem com um apoio bastante consistente.
06:03Um outro elemento que eu acho importante trazer é a questão das campanhas de comunicação, falarei mais sobre isso em
06:09diante.
06:09Legal. Professor Hudson, é hora de colocar os apoios na rua agora, reta final das eleições, para ver se muda
06:16alguma coisa nesse cenário?
06:18É, os apoios já estão na rua, Edu.
06:21Já.
06:21É muito interessante, não é, Gabriela?
06:25O Zé Luiz tem razão quando fala da consolidação do doutor Coutinho, a Gabriela tem razão quando cita esse enfrentamento
06:34de forças políticas,
06:36você tem aqui três vertentes muito claras, você tem o grupo do atual prefeito, que como a Gabriela fala, tem
06:43a gestão muito reprovada,
06:45e aí, Edu, a máquina pública reflete sim, só que de maneira negativa.
06:50Perceba que a intenção dele não cresce, a intenção de voto dele não cresce na estimulada.
06:56E o doutor Alcântaro, que também tem aí um conjunto de forças importantes que o sustentam nessa candidatura,
07:03ao que me parece, e o Zé Luiz também cita, ele não cresce, na verdade tem um pequeno decrescimento dentro
07:11do erro da margem de erro da pesquisa,
07:13mas é de se considerar.
07:15Agora, o que eu chamo a atenção, Edu, para encerrar minha fala, se não me engano, o doutor Coutinho, ele
07:21é ali natural do litoral, de Vila do Riacho,
07:25e Aracruz é um município muito grande, e que tem, assim, o litoral é uma dinâmica, a sede é uma
07:31outra dinâmica,
07:32que tem, óbvio, o maior peso eleitoral, e você ainda tem alguns distritos que margeiam a BR-101.
07:38Então, esse cenário também pode ter muita influência regional nessa intenção de voto dos candidatos.
07:46Legal, professor.
07:47Vamos agora para a próxima tela.
07:48A intenção espontânea de voto, a gente vai ver a evolução.
07:52Se a eleição fosse hoje, em quem você votaria para prefeito de Aracruz?
07:55Os nomes não são apresentados, então o entrevistado responde o nome que vem à cabeça dele.
08:00A gente já está na segunda pesquisa, já são nomes muito mais consolidados por causa das campanhas,
08:06mas, mesmo assim, os nomes não são apresentados diretamente para os eleitores.
08:10Doutor Coutinho tinha 17,5% na primeira pesquisa, agora tem 26%.
08:15Alcântaro tinha 13,8%, foi para 18%.
08:19Jones tinha 7% e foi para 10%.
08:22Major Wallace Vieira tinha 4,5%, foi para 8%.
08:27Evilásio Costa tinha 1%, foi para 3%.
08:30Paulo Neres tinha 0,3%, foi para 1%.
08:33Adilson Simão, 0,5%, foi para 0,3%.
08:37Não sabe, não respondeu indeciso, tinha 36,3% e foi para 20,3%.
08:43Ninguém branco e nulo, de 18,3% para 13,3%.
08:47Outro 1% para 0,3%.
08:52Uma coisa que me chama a atenção é que o número de indecisos reduziu pouco
08:55em relação às outras pesquisas que a gente viu, Zé Luiz.
08:58A gente viu aí caindo 50% o número de indecisos.
09:00Porque aí já tinha pouco indecisos.
09:02É, exatamente.
09:03Quando nós fizemos a primeira pesquisa, o nível de indecisão já não era tão alto.
09:0636,3%.
09:0736,3%.
09:08A gente pegou município com 50% de indecisos, uns 48, 47.
09:13É, município até com mais de 50.
09:15E o que a gente vê aí é o retrato do que nós vimos na outra.
09:20Quem mais cresce é o doutor Coutinho.
09:22Ele incorporou aí 8,5% de votos entre a primeira e a segunda pesquisa.
09:28O Alcântaro, que é o segundo lugar, foi o segundo que mais incorporou, mas incorporou
09:333,7%, menos da metade dos votos que o doutor Coutinho conseguiu consolidar entre um trabalho
09:39e outro.
09:40Então, é uma eleição, evidentemente, vamos repetir a máxima de que a eleição é
09:47lá no dia 15, né?
09:47Claro, com certeza.
09:48Mas do ponto de vista do que a pesquisa está apresentando, é uma eleição que caminha
09:52para a consolidação e uma provável vitória do doutor Coutinho no dia 15.
09:57Você me chamou a atenção, o que você falou, Gabriela, do desempenho do doutor Coutinho
10:02nas urnas, nas últimas eleições.
10:05Só que a gente tem um personagem político forte em Aracruz, que é o presidente da Assembleia,
10:11que é o deputado Eric Musso, que é de Aracruz, anunciou apoio no Alcântaro, foi bem votado
10:17nas últimas eleições, mas parece que o apoio dele não fez tanta diferença assim.
10:22Você acha que ele tende a sair menos fortalecido dessas eleições?
10:28Você acha que ainda dá tempo dele colocar o bloco na rua ou intensificar os trabalhos
10:32na rua para ajudar o Alcântaro?
10:34Pois é, o Eric Musso é uma liderança em franca ascensão, ele é um grande articulador
10:41de política, está muito bem posicionado ali na Assembleia, junto àquele grupo conhecido
10:47como o Grupo da Alis, composto ali pelo Amaro Neto, por ele próprio, doutor Hudson Leal.
10:53E essa coligação do candidato Alcântaro, que vem com atores políticos fundamentalmente
11:01importantes, coligação formada por republicanos, DEM, Patriota, PTB, Podemos, PSD, PTC, PSL e PL, ou seja...
11:11Bastante gente na Assembleia.
11:13Nossa, uma coligação bem robusta e com apoios muito importantes.
11:18Enfim, definitivamente confere um peso à campanha.
11:22Se o Eric Musso sai menor dessa eleição, caso o Alcântaro não se eleja, acredito que não.
11:27Até porque em eleições anteriores eles foram oponentes, né?
11:30Eles já chegaram inclusive a disputar cargos legislativos, o Alcântaro e o próprio Eric Musso.
11:35Então, conforme temos colocado reiteradamente nos debates, 2020 é uma eleição bastante atípica,
11:43com reconfigurações, né?
11:46E no Espírito Santo, especificamente, nós temos avaliado que os apoios não estão sendo preponderantes.
11:53Mesmo o apoio do governador Renato Casagrande, por exemplo, que é muito bem avaliado em praticamente
11:57todos os municípios e é um apoio muito disputado, né?
12:01Os apoios, sim, fazem alguma diferença, mas eles não estão sendo decisivos.
12:06Essa é a palavra.
12:07Só um apontamento que eu acho importante é nos investimentos em campanha, né?
12:13Eu tenho feito essa análise em todos os municípios, tentado estabelecer uma correlação
12:18entre os investimentos em campanhas que revelam um certo nível de profissionalização, né?
12:24E os resultados pragmáticos.
12:26E o doutor Coutinho, ele tem um investimento bem mais elevado, bem abaixo, né?
12:32Do teto das eleições em Aracruz, que é de R$ 878.459,44.
12:39Esse é o máximo, eu tenho.
12:40Esse é o máximo, isso.
12:41E até ontem, o doutor Coutinho havia contratado R$ 156.374,16 em despesas, ao contrário do
12:51candidato Alcântara, que havia feito contratações de R$ 69.096,40 e do atual prefeito, que dispõe
12:59aí da máquina pública, mas que fez contratações com valor aproximado do segundo colocado.
13:03No caso, o prefeito Jones investiu R$ 55.976,86.
13:09Então, eu não penso que seja decisivo, unicamente decisivo, o único fator de decisão.
13:17Porém, as estratégias de comunicação, as campanhas fazem toda a diferença.
13:21No caso de Aracruz, nós temos um candidato na primeira posição que está fazendo um investimento
13:25superior ao dobro do segundo e terceiro candidato.
13:28Antes da gente ir para o professor Hudson, Zé Luiz.
13:30Sem querer causar polêmica, o presidente da Assembleia efetivamente é uma liderança
13:37política em ascensão, só que ele não foi bem votado na cidade dele para deputado
13:41estadual.
13:42Mas foi bem votado de uma forma geral.
13:44De uma forma geral, ele vota no estado todo, mas a votação dele na cidade de Aracruz
13:48foi baixa, não foi uma votação esplendorosa, como deveria ser indicando essa projeção.
13:56A consolidação dessa liderança.
13:57Pelo menos na região.
13:58Pelo menos na região, ele tinha que ter.
14:01Do ponto de vista eleitoral, ele teve voto em muitos municípios.
14:06Exatamente.
14:06Mas do ponto de vista local...
14:08Teve mais capilaridade, né?
14:09Teve mais capilaridade.
14:10Mas do ponto de vista de Aracruz, ele não teve tanto voto assim.
14:15Professor Hudson.
14:16Eu ia exatamente chamar a atenção para o que o Zé Luiz fala.
14:21É inegável a liderança, uma jovem liderança, mas ao que me parece, o cenário de competição
14:28em Aracruz tem outras forças que também são importantes.
14:33E isso se manifesta na projeção do doutor Coutinho.
14:38E o que me chama a atenção nessa menção espontânea é essa distribuição de votos.
14:44Nos primeiros quatro candidatos, você tem ali 36%, 44%, 54%, 64%.
14:52Isso, por um lado, manifesta uma consolidação, Edu, mas, por outro, dá muito gás para as campanhas.
15:00Porque se você olha para a realidade, uma coisa são os números de maneira fria.
15:05E, óbvio, tem toda uma importância.
15:07Mas se você pega uma conta rápida, de cada 10 eleitores, você tem 3 com Coutinho, 2 com Alcântaro, 1
15:16com Jones e 1 com Major Wallace.
15:19Entende?
15:19Então, assim, na realidade, a eleição ainda está muito aberta.
15:23E você pode ter, sim, uma intensificação, tanto das proposições, mas como também do que a gente vem chamando a
15:30atenção,
15:31das campanhas negativas, nessas últimas, uma semana e meia, digamos assim, para a eleição.
15:36E campanhas negativas que certamente vão usar rejeição, que a gente vê agora.
15:40Na pesquisa eleitoral que aborda rejeição, em 19 de outubro, o Jones, que é o prefeito, tinha 43%, foi para
15:4944,3%.
15:52Alcântaro, 16,5%, foi para 18,8%.
15:55Paulo Neres, 8,5%, foi para 7,8%.
15:59Evilásio Costa, 7%, foi para 4,5%.
16:03Adilson Simão, tinha 6,5%, foi para 6,8%.
16:06Doutor Coutinho, tinha 6,3%, foi para 10,3%.
16:10Major Wallace Vieira, tinha 5,5%, foi para 5,3%.
16:14Não rejeita nenhum, tinha 19%, foi para 13,3%.
16:18Rejeita todos, tinha 8,8%, foi para 2,8%.
16:22Não sabe, não respondeu, tinha 7,8%, foi para 9,3%.
16:28Você nos ensinou aqui, Zé Luiz, que a rejeição, a gente tem que ficar preocupado quando ela passa de 40%.
16:34Estava mais de 40% e continua mais de 40%.
16:36É o caso do prefeito.
16:37O prefeito parece sem chance de disputar a eleição.
16:42Dá para cravar isso agora?
16:44Dá para cravar?
16:45A não ser que ele consiga baixar a rejeição dele, o que é muito difícil, porque ele tem 4 anos
16:50de exposição.
16:51Teve 4 anos para tentar não ter rejeição.
16:53O que é que ele tem que fazer para baixar essa rejeição dele?
16:57Tanto é que ele, com a máquina na mão, não consegue ser o segundo.
17:03Ou seja, candidatos que são opositores a ele estão em primeiro e segundo lugar.
17:08A rejeição também...
17:09Uma boa frente, inclusive.
17:10A rejeição, quando ultrapassa determinado valor, ela passa a incomodar nesse ponto.
17:17Você não consegue, nem com instrumentos na mão, que é a máquina pública, você consegue jogar a candidatura para cima.
17:26A situação do prefeito é muito difícil.
17:31Gabriela, você acha que o caminho, a partir de agora, essa reta final, vai passar pela rejeição em Aracruz?
17:38Não tenho dúvida.
17:39A partir de agora, à medida que o pleito eleitoral avança, que a disputa se intensifica,
17:45o Brasil tem uma tradição de apostar em disputas negativas.
17:50E nós temos uma disputa de votos entre dois candidatos, que é esse voto da desaprovação à atual gestão,
17:58que vai passar pela figura do Alcântaro e do doutor Coutinho, sobretudo, por todas as outras candidaturas.
18:04Porém, sobretudo, por essas figuras.
18:07E há uma tendência em...
18:12As campanhas seguirem por um viés negativo.
18:16Também fiz umas pesquisas e, no momento, isso não está ocorrendo, não.
18:19As campanhas em Aracruz estão adotando um viés bastante positivo,
18:23o que é muito saudável para pleitos eleitorais, em geral, sobretudo municipais.
18:29Professor Hudson, a Gabriela falou e a gente não tem reparado, a gente tem falado de campanhas negativas,
18:35que chegou o momento delas acontecerem, porque, tradicionalmente, é isso que acontece.
18:39Algum problema aí, professor?
18:41Estou com problema, mocinha aqui do lado brava.
18:44Faz parte, faz parte.
18:46Podemos continuar ou você quer um tempinho aí para acalmar a ferro?
18:50Vai ter um momento de crise aqui, mas eu posso continuar.
18:53Está chateadíssima.
18:54Eu volto depois, Edu.
18:56Não, está legal.
18:57Depois a gente volta com o professor aí.
18:58Foi resolver os problemas familiares aí.
19:02Bom, falando de...
19:04Eu ia perguntar para ele.
19:05A gente tem falado muito de campanha negativa, mas a gente não tem visto isso na prática.
19:11O processo eleitoral no mundo democrático, ele passa para uma campanha negativa.
19:18Não tem jeito.
19:18Porque o que acontece?
19:19Quando você tem um candidato disparado na frente ou na frente, você não tem outra alternativa
19:26que não seja tentar desconstruir a imagem que aquele candidato tem.
19:30Mas o que eu estou questionando é o seguinte, Zé Luiz, porque a gente não viu ainda uma campanha
19:34negativa efetiva.
19:36Na Serra, a gente tem alguma campanha negativa, mas desde o Rio Vitória.
19:40Aqui em Vitória, desde o começo também.
19:42Não, mas já tem a campanha negativa aqui.
19:45Vitória é forte.
19:48Cariacica tem.
19:49O que acontece?
19:50O candidato que está na frente, se ele tem uma imagem boa e ele está na frente, como
19:55é que você consegue desconstruir?
19:56Não é só construir a sua imagem.
19:59Essa história de que uma campanha...
20:00Você tem que tirar dele, na verdade.
20:01Essa história de que uma campanha se dá através de proposta, é conversa para
20:05boi dormir, né?
20:06Vamos combinar.
20:07Porque se fosse assim, você não mexia nas campanhas.
20:10Quem está em cima só cai se você conseguir desconstruir a imagem.
20:14Eu acho importante que a gente aponte uma limitação, né?
20:19Que seria o limite do âmbito pessoal, da agressão pessoal, da ofensa pessoal.
20:26E aí, há um exemplo muito interessante, né?
20:30Entre os candidatos ao governo do estado de Utah, nos Estados Unidos, que gravaram um
20:34vídeo juntos, inclusive cofinanciado, né?
20:37No qual eles diziam, né?
20:40Se colocavam contra as campanhas de destruição reputacional.
20:45Porque aí nós temos um outro problema.
20:46Quando você desemboca para a destruição reputacional, muitas vezes você vai acabar envolvendo mentiras, né?
20:54Situações que depois serão judicializadas e se comprovarão sem fundamentação na realidade, né?
21:02Então, eu concordo.
21:03A ilusão a gente pensar que uma campanha eleitoral ficará apenas no âmbito das propostas, né?
21:10Das medidas, eu tenho essa proposta, você tem essa, o eleitor escolhe a melhor.
21:15Nós estamos muito distantes disso.
21:17Agora, há um limite, né?
21:20Que o ambiente político precisa entender que é esse limite do pessoal.
21:26E aí nós temos uma história política, um percurso político histórico deplorável em relação a isso, né?
21:34Nós temos campanhas que passam a atingir familiares e comprovadamente,
21:38depois, isso é judicializado e comprova-se que não havia relação nenhuma, né?
21:43Então, ninguém está aqui levantando a possibilidade de que se faça uma campanha no estilo Alice no País das Maravilhas,
21:51né?
21:51Todo mundo é amigo, a minha proposta é essa, a sua é essa, escolha a proposta que você achar mais
21:56bonitinha.
21:57Nada assim.
21:58Porém, né?
21:58Que a campanha negativa tenha o limite que é a reputação pessoal.
22:03E tem algo bastante interessante, né?
22:05Que eu acho importante pontuar também, que é a questão da memória política do brasileiro, né?
22:15Que está atrelada a processos educacionais.
22:19A gente tende a esquecer de trajetórias políticas,
22:23sobretudo quando você tem trabalhos de campanhas muito estruturadas, né?
22:27Focadas ali em apresentar os pontos positivos do político, né?
22:32E é bastante interessante esse trabalho que a imprensa faz, inclusive, muitas vezes a muito custo e com uma resistência
22:38fortíssima, né?
22:40Que é de trazer esse percurso histórico do político, né?
22:44As condenações, os problemas, as entregas com qualidade ruim, os projetos superfaturados
22:51e todo um histórico de ineficiência, né?
22:54Ou até relacionado a ilicitudes que a imprensa tem esse papel fundamental de trazer.
23:01Rapidamente, professor, domou a fera aí?
23:04Domamos, afastamos, na verdade.
23:08Ela foi afastada aqui do ambiente.
23:10Eu achei uma participação muito legal.
23:13É, você não tem noção nas aulas como ela.
23:16Estrelinha aqui.
23:17A gente aparece, mas agora não pode.
23:20E tem uma questão nessa conversa sobre a intenção e rejeição,
23:28que é os indicadores que a população tem para avaliar as candidaturas.
23:35Então, muitas vezes, os indicadores é oferecido pelo adversário.
23:41E o adversário não vai te dar os aspectos positivos para serem avaliados.
23:46Ele vai oferecer para a população os aspectos negativos.
23:48Haja vista a nossa última eleição presidencial, Edu.
23:52Não teve uma proposição.
23:54Foi uma campanha negativa do começo ao fim.
23:57A história vai se encarregar de analisar um pouco isso, que é o que a gente está conversando aqui.
24:04Então, é como o Zé Luiz falou e a Gabi também comentou um pouco, a campanha negativa,
24:09porque a população, Edu, ela não entende muito.
24:12Ela fica comparando o público com o privado.
24:15Então, na exposição dos produtos privados, você não tem essa questão negativa tão forte.
24:21Mas, no mercado público, político, a campanha negativa é parte do processo.
24:26É uma coisa até natural.
24:28É que o cidadão comum não está acostumado, só vê isso em cada eleição.
24:32Mas essa parte negativa, como o Zé Luiz falou, é do processo de construção eleitoral.
24:38Vamos para a próxima tela, então.
24:41Agora, vamos saber.
24:42A pesquisa perguntou, na sua opinião, quem vai ganhar a eleição em Aracruz?
24:46Doutor Coutinho aparece em primeiro com 36,5%.
24:49Alcântaro aparece em segundo com 26,3%.
24:53Jones, 10%.
24:55Major Wallace Vieira, 5,5%.
25:00Próxima tela.
25:01Evelásio Costa, 1,8%.
25:03Paulo Neres, 1,3%.
25:06Adilson Simão, 0,3%.
25:08Não sabe, não respondeu, 18,5%.
25:12Me parece que esse percentual do primeiro colocado, que é o doutor Coutinho, não cresceu tanto,
25:17não cresce tanto em relação à opinião do eleitor.
25:20Será que eu opinto?
25:21Na verdade, está mais ou menos proporcional.
25:23O Alcântaro tem, as pessoas acham que ele vai ganhar proporcionalmente mais do que votam nele.
25:30A proporcional dele é maior, que é a do doutor Coutinho.
25:33Mas, de qualquer forma, quem vai ganhar está repetindo a ordem que apareceu na intenção estimulada e na intenção espontânea.
25:41Mas o que esse número próximo aqui e próximo lá do que a gente viu da intenção, o que isso
25:47diz para a gente?
25:48Pedro, tem gente que argumenta que esse tipo de percepção ajuda a definir voto.
25:56Eu, pessoalmente, não acredito nisso, não.
25:58Eu acho que isso aí ajuda a você saber o que é que a cidade está pensando.
26:03E, por exemplo, quem não vai votar no doutor Coutinho ou no doutor Alcântaro,
26:08procurar saber por que as pessoas vão votar nela e por que acham que ele vai ganhar.
26:14Ajuda a pessoa a ir atrás de informação para definir seu voto.
26:17Mas eu não acho que, ah, eu vou votar no doutor Coutinho porque ele vai ganhar,
26:21única e exclusivamente como esse argumento, eu não acredito nesse argumento.
26:25Eu acho que ele ajuda a pessoa.
26:27Por que esse doutor, eu não voto no doutor Coutinho.
26:29Por que ele está na frente?
26:31Por que as pessoas acham que ele vai ganhar?
26:33Eu aí vou ir atrás de informação para saber se o que eu sei está correto ou não.
26:38E pensando que uma cidade como Aracruz, essas pessoas já são amplamente conhecidas.
26:44As pessoas, na maioria, já conhecem eles bem.
26:48Então, tanto é que você vê que é uma cidade que já está mais decidida do que uma cidade como
26:54Vitória,
26:55como Vila Velha, como uma cidade maior, com uma população maior.
26:59Essa cidade é um pouco menor.
27:00As pessoas estão ali convivendo e estão tomando uma decisão até, de certa forma, antecipada.
27:07Um retrato do momento, né, Gabriela?
27:09É isso, é isso.
27:11Essa pergunta revela o clima na cidade, o que as pessoas pensam no momento.
27:16Por isso, é uma pergunta cuja resposta varia tanto, né?
27:19Apenas uma consideração, na última eleição para deputado estadual, eleição de 2018,
27:25doutor Coutinho e Alcântara tiveram uma votação muito parecida.
27:29O Alcântara foi o terceiro candidato a deputado estadual mais votado no município de Aracruz,
27:36ficando atrás, em primeiro lugar, do Ademar Devem e em segundo lugar, do Eric Musso, né?
27:42Foi o segundo deputado mais votado no município.
27:45O Alcântara teve 5.872 votos.
27:47Ao contrário do doutor Coutinho, que teve 4.988 votos, ou seja, a diferença de votos entre ambos é pequena,
27:55né?
27:55Nesta eleição, disputam esse voto da insatisfação com a atual gestão da prefeitura,
28:01duas figuras bastante conhecidas.
28:03Então, isso explica esses índices de forma bastante clara.
28:05Professor Hudson.
28:08E o eleitor de Aracruz é muito exigente, Edu.
28:13Se você olha as últimas duas eleições, o prefeito não consegue se reeleger.
28:18E isso o Jones agora também não está conseguindo.
28:22Então, existe sempre uma aposta do novo, certamente pela reprovação com relação à gestão da máquina pública.
28:29Então, me parece que agora o novo é representado pelo doutor Coutinho.
28:34A gente tem falado bastante da rejeição do prefeito.
28:38Vamos mostrar agora a avaliação da gestão lá em Aracruz.
28:41A pergunta foi, você aprova ou desaprova o governo do prefeito Jonas Jones Cavalieri?
28:4726,3% disseram que aprovam, 62,3% disseram que desaprovam, 11,5% não sabe, não respondeu.
28:57Como você avalia a prefeitura de Aracruz, 22,3% ótimo ou bom, 38,3% regular, 37,8%
29:06ruim ou péssimo, 1,8% não sabe, não respondeu.
29:09Como você avalia o prefeito Jonas Cavalieri, 18,5% ótimo ou bom, 31% regular, 47% ruim ou
29:18péssimo, 3,5% não sabe, não respondeu.
29:21Isso diz muito sobre esses índices que a gente está mostrando.
29:23Isso diz muito.
29:23Você vê aqui o ruim e péssimo dele é quase o tamanho da rejeição.
29:29Ele tem 44% de rejeição e 47% de ruim e péssimo.
29:32É muito difícil, uma gestão com 62% de reprovação, a chance dele se reeleger, a chance desses 10 dias
29:41que ele tem pela frente, ele reverter isso,
29:44eu vou dizer para vocês, eu não gosto muito de ser afirmativo não, porque eu já vi muita gente ser
29:52desmentida, inclusive eu, né?
29:54Então eu prefiro deixar essa coisa, mas você olha para esse número e vê, olha, não tem chance dele se
30:02reeleger.
30:03Porque em 10 dias, como é que ele vai conseguir? Ele vai fazer uma mágica?
30:06Em 4 anos ele chegou nessa reprovação, em 10 dias ele vai conseguir reverter isso?
30:12Eu acho que é a maior rejeição que a gente tem, a maior reprovação que a gente tem.
30:15Juninho, Juninho foi maior.
30:16Juninho foi maior.
30:17Juninho Cariacica foi maior.
30:18Mas é muito grande essa reprovação.
30:19É, bastante expressiva, acompanho a análise do Zé Luiz completamente, é bastante difícil, né?
30:25Conseguir reverter.
30:27Então me parece que teremos, à medida que o pleito avança, uma disputa cada vez polarizada entre os votos que
30:33buscam conquistar esse eleitor que desaprova a gestão, que é majoritário.
30:38Professor Hudson, acompanha essas análises?
30:42Acompanho e queria colocar um elemento interessante nessa conversa, Edu, que é o senso comum de que o cidadão não
30:51acompanha política, que o cidadão não conversa sobre política.
30:54Perceba que, nessas duas semanas que eu venho participando com vocês, como o quadro eleitoral é influenciado pela avaliação da
31:04gestão.
31:05Então, quando você tem o prefeito com uma ótima avaliação, o impacto é positivo.
31:10E quando você tem uma gestão reprovada, como isso se reflete no cenário eleitoral?
31:15O que coloca um pouco por terra é essa conversa de que o eleitor médio não sabe, não acompanha, não
31:22conversa e não se define de maneira adequada com relação ao processo eleitoral.
31:28Ele pode até não ter todas as informações, não acompanha no dia a dia, até porque cada um tem a
31:35sua atividade principal, mas sim, ele tem os elementos e ele faz as suas escolhas com relação aos candidatos que
31:44estão colocados.
31:44E isso se reflete, mais uma vez, aqui em Aracruz, Edu.
31:47Vamos falar agora dos cruzamentos de informações da pesquisa.
31:51Na intenção estimulada, quando a gente compara a classe social, a gente vê que o doutor Coutinho tem a maioria
31:56nas classes D e E.
31:58Uma coisa que me chamou a atenção foi, nas classes AB, exatamente o mesmo número para o doutor Coutinho e
32:05para o Alcântaro, 21,2% para cada um.
32:08E um número, de certa forma, elevado para o Jones, que tem uma rejeição alta, mas 27,3% dos
32:15eleitores das classes A e B disseram que vão votar nele.
32:18Pois é.
32:19A classe é muito pequena, né?
32:20Então, nós temos muito pouco voto.
32:22E tem que tomar muito cuidado quando a gente vai na segmentação, porque a classe AB em Aracruz é uma
32:27classe muito pequena.
32:28Eu não estou aqui com o número, mas certamente nós tivemos aí menos de 30 votos, menos de 30 entrevistas
32:38para responder isso.
32:38É, levando em conta que a gente teve 400 entrevistas no total em Aracruz, que é a amostrada.
32:42É, você acaba, quer dizer, o número é pequeno, mas de qualquer forma chama a atenção que onde ele tinha
32:48que ter mais votos, que é na classe popular,
32:51que é onde a prefeitura mostra o serviço dela, é onde ele tem menos.
32:56Ele até ganha na classe AB, ele é o mais citado na classe AB, né?
33:00Mas a classe DE, que é onde tem mais eleitor, e onde a prefeitura se faz mais presente, é onde
33:09ele tem a pior situação dele, né?
33:13Então, Gabriel, então é onde a prefeitura se fez mais ausente, na verdade.
33:17Não mais presente quando a gente vê esse número de, a preferência do eleitor das classes DE por um nome
33:23novo, que não seja o nome do que é o atual prefeito.
33:27É, e curiosamente, um momento de pandemia, né?
33:30Onde nós temos observado, reiteradamente, os munícipes percebendo a presença do Estado de forma muito clara e bastante próxima, né?
33:41Neste contexto, a aprovação do prefeito nas classes que utilizam serviços públicos de forma mais direta é baixa.
33:49Um outro dado que eu acho bastante interessante é do índice de indecisos baixo também.
33:55Então, nós temos 11% de, total de 11% de indecisos, né?
34:01Entre a AB 6,1, que é esse eleitor aí com pleno acesso à informação.
34:07Mesmo nas classes DE, que é mais numerosa, portanto, importantíssima para o pleito eleitoral, nós não temos um índice tão
34:15alto.
34:15O que significa que o processo eleitoral em Aracruz está bem encaminhado, né?
34:19O eleitor sabe quem vai votar e a disputa das campanhas é para captar o voto que está, neste momento,
34:27decidido.
34:29Professor, sendo as classes DE e E as que mais apoiam outros candidatos, que não o prefeito,
34:34isso mostra também que teve uma falha na gestão aí nesses quatro anos, justamente para atender essa população que mais
34:39precisa do governo municipal?
34:42Não tenho dúvida, Edu.
34:44Nós não temos os detalhes que justifiquem essa avaliação, mas o fato de você ter esse nível de reprovação das
34:53classes que mais dependem do setor público
34:56é uma comprovação de que essa população não está sendo assistida dentro da expectativa dela.
35:04E isso se reflete no resultado agora da pesquisa.
35:08Vamos lá para a próxima tela.
35:09Agora a intenção espontânea, de acordo com a faixa etária.
35:13A gente vê o doutor Coutinho forte, principalmente na faixa etária de 45 a 59 anos e também os mais
35:20jovens, apesar dele não ser o candidato mais jovem.
35:24É, e a faixa de 45 a 59, a gente compreende que ele é médico, ele deve ter atendido muita
35:30gente e é mais fácil para ele.
35:33Mas a faixa jovem é uma novidade, né?
35:37É uma novidade, né?
35:37É uma novidade.
35:38E aí você tem as faixas médias de idade, uma divisão entre ele e o Alcântaro, né?
35:44Isso.
35:44Divisão muito clara entre ele e o Alcântaro.
35:46Isso, exatamente.
35:47É ali que ele vai... é aqui que ele ganha, Gabriela, nas faixas...
35:51Mais velhas e mais novas.
35:53Mais velhas, sem considerar os 60 anos ou mais, né?
35:55Se bem que ele tem também o maior percentual, mas...
36:00Equilibrado.
36:00Eu vejo um equilíbrio entre os índices de aprovação, né?
36:04Nada é bastante surpreendente.
36:06Me parece uma campanha bastante assertiva, né?
36:09Você acha que isso é efeito da campanha?
36:11Eu acho que em grande parte.
36:12Não somente, porque nós estamos falando de lideranças já com trajetórias políticas, já consolidadas, né?
36:18Mas, eu acho que se você avaliar que o investimento em campanha do primeiro colocado é superior ao dobro do
36:24segundo colocado, né?
36:26E que esse valor do segundo colocado esteve ali condizente com, por exemplo, o investimento do prefeito.
36:31Que contava aí com a máquina pública, poderia ter uma certa vantagem nesse sentido das estratégias de campanha.
36:37Porém, eu penso que possa ter uma influência, sim.
36:41Mas, enfim, dois candidatos com aprovações relativamente consolidadas em todas as faixas etárias, né?
36:49O segundo, um pouco menos, entre os eleitores mais conservadores, né?
36:54Que é tradicionalmente um eleitor mais conservador.
36:57Alcântara é uma liderança aí mais jovem, com uma trajetória política também um pouco mais curta.
37:02Porém, pra mim, nós temos aí dois candidatos em situações estáveis, em situações consolidadas.
37:08Que, de agora até o final das eleições, vão disputar este voto da insatisfação com a atual gestão.
37:15Esse voto do mais jovem, esse anúncio do voto do mais jovem, professor Hudson, no doutor Coutinho, que não é
37:22uma liderança tão jovem assim, de certa forma surpreende?
37:27Surpreende. Pode ser uma resposta para as forças políticas que atuam hoje, Edu.
37:31Uma reprovação às forças sendo manifestada numa terceira via, numa terceira candidatura.
37:38Se a atual situação não corresponde, se você tem um candidato que representa as forças mais, hoje, proeminentes, também não
37:47correspondem,
37:48pra onde é que você vai decidir o voto?
37:50Você descarrega numa terceira via e me parece que o doutor Coutinho, hoje, ele representa essa terceira via em Aracruz.
37:58Vamos para o próximo cruzamento? Vamos falar de rejeição agora, rejeição estimulada classe social.
38:05A gente vê aí as classes D e E, a classe C, que é a que mais rejeita o prefeito
38:12Jones, 49,2%, e D e E com 42,7%.
38:18São números bem elevados, né, Zé Luiz?
38:20Exatamente. É um número bastante elevado. É assim, é como nós falamos aqui, né?
38:27Se as pessoas acreditassem um pouco mais em pesquisa, ele não seria candidato.
38:32Ele passaria a eleição tratando de tentar melhorar a imagem dele.
38:37Porque com a entrada dele na eleição, fica mais exposta ainda a situação dele.
38:45Tanto isso, é bom dizer, o prefeito que é bem avaliado tem a oportunidade na eleição
38:51de mostrar mais até do que ele fez e melhorar a avaliação dele.
38:55O prefeito que é mal avaliado, ele não é mal avaliado à toa.
39:01Então, é muito difícil alguém que começa uma eleição já mal avaliada, ter no processo
39:08eleitoral chance de regredir. É possível, é possível, mas é difícil.
39:13E no caso dele, que tem uma rejeição bastante consistente, fica mais difícil ainda, porque
39:21os adversários, ou seja, todos os outros candidatos, vão mirar na prefeitura e vão
39:28atirar na prefeitura, que é o negócio da campanha negativa.
39:32É chamar a atenção para os defeitos do prefeito que é candidato à reeleição.
39:41Aquele que é muito bem avaliado tem muita dificuldade, porque eu chego, falo mal dele,
39:46falo mal a ele. A saúde está ruim. A população vai na saúde e está bem atendida, não adianta
39:52eu chegar e falar que ele está ruim.
39:53Agora, se a saúde vai mal e esse monte de candidato fala mal da saúde, aquilo só
40:01faz ajudar e aumentar o índice de rejeição do candidato, do prefeito, no caso.
40:08Em se confirmando esse cenário, Gabriela, e a gente vê a rejeição muito alta em classes
40:14mais desfavorecidas, você acha que é o momento do prefeito dar uma parada assim e falar,
40:20eu vou melhorar a minha imagem. Isso pode comprometer outras eleições no futuro?
40:24Eu penso que sim, até porque, como temos tratado aqui no debate, essa é uma eleição
40:29de tiro curto. Então, conseguir reverter não é impossível. Nada num pleito eleitoral
40:35é impossível. Porém, é difícil. Seria preciso uma estratégia bastante afinada,
40:41muito investimento. E se a intenção são eleições futuras, se a intenção é prosseguir
40:47prosseguir na carreira política, rever o estilo de gestão. Precisamos lembrar também
40:53que, como o Hudson apontou, o eleitor de Aracruz é exigente, cobra serviços públicos de qualidade
41:00um pouco melhor. Aracruz é um município que vem evoluindo muito, geração, melhoria de
41:07ambiente de negócios, renda per capita em relação a outras cidades do Estado elevada.
41:15Porém, há indicadores a serem melhorados. Então, pensar em estratégia para suprir
41:21essas demandas, focando em outros pleitos ou em estratégias muito assertivas nesse período
41:30de tempo curto. Acredito em um cenário bastante estável em Aracruz.
41:35Professor Hudson, esses índices de rejeição nas classes menos favorecidas mostram bem o que
41:41a gente já comentou aqui, não é isso? É isso, Edu. E tem um fenômeno social extremamente
41:47interessante aqui em Aracruz. Quando você olha para todos os segmentos, todas as faixas
41:53etárias, quando você olha para a rejeição por denominação, por religião, católica e
41:58evangélica, quando você olha para a rejeição por classe social, em todas elas o atual prefeito
42:06ele tem a maior rejeição. E qual é o fenômeno que acontece? Como você tem uma candidatura
42:1244% de rejeição estimulada, ou seja, de cada 10 pessoas, 4 estão teoricamente com
42:21alguma queixa com relação à prefeitura. Você impede que a rejeição dos outros candidatos
42:29cresçam, porque a cidade está comentando o problema da prefeitura hoje. E o prefeito,
42:36como o Zé Luiz falou, insistiu em vir para a reeleição. Então ele passa a ser o maior
42:41protagonista nessa perspectiva negativa. E você deixa os outros candidatos teoricamente
42:46leves. O Alcântaro tem 18, veja bem, o doutor Coutinho, que já tem um terço das intenções
42:52estimuladas, tem 10 de rejeição. Tem ninguém falando mal dele na cidade. E isso deixa a
42:59candidatura com musculatura para avançar. Por quê? Porque você tem a concentração
43:04dessa parte negativa no atual prefeito, que é candidato à reeleição. Então a presença
43:10dele permite que os outros candidatos façam campanhas tranquilamente, inclusive se posicionando
43:16contra a atual gestão. É um cenário que favorece os adversários.
43:21Vamos para a próxima tela então. A pergunta é, na sua opinião, quem vai ganhar a eleição
43:25em Aracruz? E a gente fez um cruzamento aqui com... a gente vai apresentar um cruzamento
43:30em relação à religião. O doutor Coutinho tem 39,9% dos católicos acham que ele vai
43:37ganhar. E 32,1% dos evangélicos acham também que ele vai ganhar. O Alcântaro tem aí um
43:43número de 33,6% dos evangélicos acham que ele vai ganhar. De acordo com a característica
43:49da cidade, isso diz alguma coisa para a gente, Zé Luiz?
43:52É, na verdade, provavelmente um seja mais vinculado à Igreja Católica e o outro seja
43:58mais vinculado à Igreja Evangélica. E aí as pessoas que se dividem dessa forma estão
44:04vendo mais a presença de um ou de outro e aí acabam entrando nesse processo por isso.
44:12Eu queria só voltar no negócio da avaliação do prefeito para lembrar que Linhares e Cachoeira
44:17é o contrário, né? Aliás, em Cachoeira você tem dois prefeitos bem avaliados e a
44:23oposição não consegue, não consegue combatê-los. Os dois estão com mais de 50% de intenção
44:28de voto. É por bem e por mal. Se o Jones tivesse pensado no início do ano, a minha rejeição
44:37está muito alta, eu preciso melhorar. Porque uma coisa que tem que chamar a atenção, Aracruz
44:42tinha que prestar melhor de serviço. Por quê? Porque Aracruz é uma cidade onde a prefeitura
44:47tem orçamento. Porque lá tem a economia muito pujante. Então você olha para Linhares,
44:54que está do lado de Aracruz, que também tem a economia pujante, no interior talvez seja
44:58a cidade que tem o melhor desenvolvimento econômico desses últimos anos. Você vê Aracruz
45:04que é menor, menor em termos de população e espaço geográfico e tem um orçamento muito
45:11bom. Por que que lá você não tem serviço público de qualidade? E aí o prefeito acaba
45:16pagando, né? E a pergunta que os candidatos querem responder para o voto do eleitor.
45:20Exatamente. Você acompanha, Gabriela, como é que você vê isso?
45:25Eu penso que a questão religiosa não está fazendo tanta diferença, não. Se trabalharmos
45:32com comparativo de indicadores, né? Nós temos, por exemplo, tanto o candidato em primeira
45:38posição, doutor Coutinho, quanto o candidato em segunda posição, Alcântaro, bem avaliado
45:43entre os evangélicos. Nós temos aí entre os católicos uma diferença um pouco maior,
45:48mas avaliando os índices finais, não estão tão diferentes de telas anteriores, de outras
45:52telas. Então, embora Aracruz seja uma cidade declarada majoritariamente cristã, né? Entre
46:00católicos e evangélicos declarados, de acordo com dados do IBGE de 2017, nós temos mais
46:05de 80% dos munícipes de Aracruz declarados cristãos, evangélicos ou católicos. Eu não
46:11penso que a questão religiosa no município seja determinante.
46:15Acompanha, professor Hudson.
46:17Acompanho. Inclusive, as ações sociais em Aracruz, elas são realizadas,
46:22pensando nos dois públicos. Então, não existe muito essa coisa de rivalidade por
46:28denominação religiosa, assim como eu também não vejo nenhum segmento social desses que
46:35estão apresentados que possam ser decisivos para a campanha. Eu acho que a campanha passa
46:40mais por uma leitura da gestão municipal e de quem pode, de fato, representar uma nova
46:46proposta para a cidade, Edu.
46:48Ok, professor Hudson, muito obrigado mais uma vez pela participação, pelo debate aqui
46:52hoje, falando de Aracruz. Amanhã, não participa com a gente, professor?
46:57Amanhã eu não consigo, mas se me convidarem, segunda-feira estarei firme e forte.
47:01Vou pensar se a gente vai convidar, então.
47:04Professor, muito obrigado.
47:06Muito obrigado mais uma vez pelas considerações, pelo debate. Um grande abraço, bom final
47:10de semana, adiantando aí já.
47:12Igualmente, gente. Um abraço e obrigado. Até a próxima.
47:15Zé Luiz, muito obrigado pelas considerações, pelo debate hoje.
47:18Aí, à disposição.
47:19Gabriela, muito obrigado mais uma vez.
47:21Eu que agradeço. É um prazer estar com vocês até daqui a pouco, na Jovem Pan News.
47:25Na Jovem Pan News. É isso aí. O programa de hoje fica por aqui. Mas eu lembro que todas
47:30as pesquisas que divulgamos até agora estão disponíveis no Folha Vitória. E mais um
47:35conteúdo especial para te ajudar a decidir pelo melhor candidato. A gente já mostrou
47:40para você a página de vídeos, entrevistas com os candidatos da Grande Vitória. Os debates
47:44que a gente teve aqui estão todos disponíveis nessa página de vídeo. Como a Gabriela já
47:49adiantou, daqui a pouquinho, às 10h30, ela vai estar na Rádio Jovem Pan News para falar
47:53mais sobre a pesquisa de Aracruz. A você, muito obrigado pela companhia. Até a próxima.
47:59Eleições 2020, a maior cobertura do Estado. Você acompanha primeiro aqui. Tchau.