- há 3 semanas
Projetos sociais foram criados no início da pandemia para ajudar o próximo
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00:00425 mil capixabas têm dificuldades para colocar comida na mesa, isso segundo o IBGE.
00:07E essa realidade a gente sabe que ficou ainda mais grave agora na pandemia, veio o desemprego.
00:12Mas por outro lado, tem muita gente que está se unindo para ajudar essas pessoas que não têm o que
00:18comer.
00:18Então bora bater um papo sobre solidariedade e saber como você aí de casa também pode ajudar ou até mesmo
00:25ser ajudado.
00:26Há um ano e meio, o Paulo, o Paulo Roberto, ele serve almoço no bar que ele tem em Vila
00:32Velha.
00:33E a gente também vai conhecer agora o Marcelo Pereira, que ele tem um trabalho muito importante de doação,
00:38não só de cestas básicas, mas de tudo que ainda tem utilidade.
00:42Então algo que não funciona mais para você, que não te atende mais, que pode ser repassado, que ele dá
00:47destino a quem precisa.
00:49Boa tarde, obrigada pela presença de vocês, viu?
00:52Boa tarde.
00:53Como é que foi que surgiu essa iniciativa? Vamos começar com você, Paulo Roberto.
00:58Então, eu tenho um restaurante e eu acabei presenciando na pandemia, no início, uma família comendo lixo.
01:05Aquilo mexeu comigo e desde então meu restaurante parou de ganhos próprios e é só a solidariedade.
01:12E como que foi essa transformação? Porque a gente sabe que você atende centenas de pessoas por dia, né? Quantas
01:20pessoas?
01:20Ah, tem um dia que chega mil pessoas por dia.
01:23Mil pessoas.
01:24É. Lá varia muito.
01:26São pessoas do Brasil e do mundo que passaram a conhecer o Almoço Solidário, né?
01:31Porque a divulgação é muito grande, é muita gente.
01:33Você não precisa estar fazendo inscrição de nada.
01:36Você chega lá com fome, você vai para a fila.
01:39A hora que a comida estiver pronta, você recebe e vai comer.
01:42Agora, como que é a operação disso tudo? Porque se você tinha um restaurante e ele, inclusive, ele ficou até
01:48mesmo parado durante a pandemia, foi isso?
01:50Não, eu não fechei ele nem um dia.
01:51Não, mas assim, em termos de atender ao público...
01:53Ah, sim, não funciona mais.
01:54Ele não funciona mais, né?
01:56Então, agora você dedica o seu trabalho só mesmo a esse papel, a esse Almoço Solidário.
02:01Isso.
02:02Como é que funciona a operação disso no seu dia a dia?
02:05Eu só vivo isso.
02:07Eu não tenho, assim, eu não faço outra coisa a não ser viver para o Almoço Solidário.
02:12A gente acorda de manhã cedo, vai para o restaurante, prepara comida, pede doação, vai para a rede social, pede,
02:19pede.
02:19Por quê? Porque a gente sabe que quando der uma hora, uma e meia, a fila tem mais de 300,
02:24400 pessoas.
02:25E é um trabalho voluntário.
02:26Sim, a gente trabalha com base de umas 15 pessoas todos os dias.
02:30As pessoas que foram lá pedir ajuda e hoje, de uma forma ou de outra, ajuda também.
02:35Olha só que bacana, você doa o seu tempo, você doa, inclusive, né, até mesmo, você tem ali uma despesa
02:43também grande, né?
02:44O seu restaurante, sua conta de água, de energia, de luz, de gás.
02:48Então, eu fico muito feliz porque eu posso contar com os doadores, sabe?
02:52Eu mando uma conta, falo, pessoal, ó, tenho conta atrasada, as pessoas vão lá, pagam, porque elas conhecem o trabalho,
02:58sabem que verdadeiramente funcionam.
03:01Então, eu fico muito feliz nessa parte porque a gente recebe esse tipo de ajuda.
03:05Agora, o senhor, seu Marcelo, como é que foi também que deu esse start no seu coração de ajudar ao
03:11próximo agora na pandemia?
03:13É, boa tarde a todos, né? Obrigado pela oportunidade.
03:17Quero dizer aqui também que eu sou admirador do trabalho do Paulo, porque, assim como eu, ele sabe da luta
03:24que é, né?
03:26Eu já faço isso há muitos anos, só que com a pandemia a gente intensificou e criou o projeto Soldados
03:33da Solidariedade.
03:34E a gente tem uma dificuldade muito grande.
03:37No caso dele, as pessoas, eu acompanhei já, as pessoas que estão com fome vão lá.
03:42No meu caso, são famílias que procuram cestas básicas, cadeiras de rodas, cadeiras de banho, cama hospitalar, material higiênico.
03:52O que você imaginar? Construímos uma casa, ajudamos a pedido da TV Vitória também, há poucos dias,
04:00a construir um banheiro daquele senhor, seu tião, que tem uma filha doente, remédios.
04:06Nós conseguimos, através de doações, com muita dificuldade, doar 1 milhão e 35 mil reais a 4.615 famílias.
04:16Olha só, que trabalho lindo, hein?
04:18Todos os sábados, isso. Todos os sábados nós realizamos o bazar na Praça do Íbis.
04:22E todos os sábados nós entregamos de 20 a 30 famílias, fora as que a gente entrega durante a semana.
04:32Mas, me perdoe a emoção.
04:36Faço isso há tanto tempo, não me acostumei com a miséria.
04:40Assim como tocou o coração do Paulo, né?
04:43E a gente já foi chamado de muita coisa, de mendigo, de chato.
04:50Mas a gente tenta fazer a diferença.
04:54Mas está difícil.
04:56Quem doava, não doa mais.
04:58As pessoas estão parando de doar, senhor Marcelo?
05:00Eu recebi ajuda dos Estados Unidos, da Finlândia.
05:04Tem uma amiga que me doa ainda, dos Estados Unidos.
05:06De Portugal, da Inglaterra.
05:10E aqui, daqui, todos pararam de doar.
05:13Hoje, o meu projeto, eu tenho soldados da solidariedade.
05:16Só um...
05:17Eram 300.
05:19Hoje, eu tenho aí 10, 15 pessoas.
05:22Isso o quê?
05:22Pessoas que antes ajudavam e agora...
05:24Não ajudam mais.
05:25Não ajudam mais.
05:26Não ajudam mais.
05:27Então, de 300 pessoas, esse número caiu para 10, 15 pessoas.
05:3010, 15, 20 pessoas, no máximo.
05:33Se eu não tenho, por exemplo, se esse final de semana eu faço o bazar lá,
05:36porque a gente recebe doações de roupas, tudo que você imaginar.
05:39E lá a gente vende a 2, 3, 5 reais.
05:42Para quê?
05:43Para proporcionar à população que já está em dificuldade,
05:47adquirir alguma coisa mais barata.
05:49E ali também nós doamos cestas básicas para as famílias cadastradas.
05:53Já já a gente vai ensinar para o pessoal de casa como que faz para ajudar, gente.
05:57E falando em ajuda dos capixabas, a gente sabe o quanto é importante o apoio, a ajuda
06:04para que esses projetos continuem existindo.
06:07Então, agora a gente conversa pela internet com a Jane, que sempre ajuda no Almoço Solidário
06:13do Paulo Roberto.
06:14Boa tarde, Jane.
06:16Boa tarde.
06:17Boa tarde a todos.
06:19Obrigada pela oportunidade.
06:20Como é que é para você ser uma corrente, ser um elo dessa corrente do bem?
06:28Olha, sem palavras.
06:30Eu já venho interagindo há muitos anos com a Ação Solidária.
06:35E foi um momento especial para mim ser abraçada pelo Paulo, né?
06:41E fazer parte do Almoço Solidário.
06:46Sem palavras.
06:48É muito gratificante todo o carinho, toda a ajuda, todos os colaboradores que nos ajudam
06:55a levar o amor a quem precisa.
06:58Nesse momento de pandemia, onde o mundo um pouco que parou, né?
07:03As ajudas também diminuíram muitas, mas é igual eu sempre digo e vou repetir.
07:10O mundo não precisa de quantidade, precisa das qualidades.
07:14E é com essas qualidades que a gente vem permanecendo e com a força de Deus.
07:19E vem cá, conta pra gente o que você faz.
07:21Você coloca a mão na massa?
07:22É você que também vai pra cozinha?
07:26Então, eu sou assim, né?
07:28Eu sempre tô ajudando o Paulo e outros projetos também, de vários amigos, parceiros, como
07:35eu posso, né?
07:36Eu não fico lá fazendo comida, né?
07:39Eu corro atrás do alimento, né?
07:42Olha só.
07:42Então, a gente...
07:44É cadeira de roda, é tudo, né?
07:47Que a gente se tornou uma clínica em geral, né?
07:51Não é só o alimento, né?
07:53A gente vai até as famílias levar o amor, né?
07:56O carinho e a gente ajuda muito, né?
08:00É flaudas geriátricas, é leite, é de tudo um pouco.
08:03Tá mais difícil, Jane, conseguir a ajuda, conseguir o envolvimento de terceiros?
08:10Sim, tá cada dia mais difícil, né?
08:14Mas a gente vem aí, né?
08:16Com a força de Deus, sempre Deus à frente, nos dando direcionamento.
08:24E oportunidades, pessoas abraçando o projeto, né?
08:28E a nossa ação.
08:29E é assim que a gente vai levando o amor.
08:32Tá certo.
08:33Obrigada pelo seu depoimento aqui no Fala Espírito Santo, viu?
08:36Obrigada a você pela oportunidade.
08:37Tá certo.
08:38Uma excelente tarde.
08:39Até mais.
08:40Pra vocês também.
08:41Amém.
08:41Obrigada.
08:42Amém.
08:42A gente viu aí, né, Paulo Roberto, o depoimento da Jane.
08:45Ela é uma das voluntárias que atua junto com você lá no restaurante.
08:48É, na verdade, quando eu fiz um vídeo que eu vi a família comendo lixo, esse vídeo
08:53estourou no mundo todo, ele viralizou.
08:55E ela foi uma das pessoas que viu e ela tá desde o primeiro dia, sabe?
09:00Como ela falou, muita gente abandonou, pulou do barco, né?
09:04Acho que solidariedade é um dia só, que a fome é só amanhã e depois não tem mais.
09:10Mas não reclamo, né?
09:12Quem pode ajudar, ajuda, sabe?
09:15E a gente vai tocando a vida.
09:17Sendo que a gente tá vivendo aí há mais de um ano, um ano e quatro meses de pandemia,
09:23é isso que você falou, é muito importante.
09:26Não é só contribuir uma única vez.
09:28A fome, ela vem todos os dias.
09:30O que eu sempre falo é o seguinte.
09:32Já aconteceu de você atrasar o seu almoço na sua casa e você ficar nervosa pela falta
09:38de comida, agora você imagina você encarar isso todos os dias.
09:42É complicado, é o que eu falo lá.
09:45Nossa, solidariedade não é de um dia só, uma semana santa, um natal, é todos os dias.
09:51Não importa se tá chovendo, se tá fazendo sol, se o restaurante pegou fogo, se alagou,
09:57a gente vai estar todos os dias lá, porque todos os dias existe fome.
10:01Agora, como que as pessoas têm acesso ao seu restaurante?
10:04É só chegar, entrar na fila?
10:06Como que funciona?
10:06É, só chegou, entrou na fila, liberou o almoço, elas pegam a água, suco e o almoço
10:13e a sobremesa e vai comer.
10:15Só isso.
10:16E o seu restaurante fica em Vila Velha?
10:18Fica exatamente em frente ao foro de Vila Velha.
10:20Olha só.
10:21E você, seu Marcelo, como que as pessoas têm acesso, embora a gente saiba que vocês
10:25estão precisando cada vez mais de doações, a gente deixa, a gente fria e pede essa ajuda
10:30pra você ir de casa, mas como que as pessoas têm acesso às suas cestas básicas, que vocês
10:36conseguem?
10:37É, assim como o Paulo, nós também, nós não criamos mais burocracia, porque a dificuldade
10:44é muito grande.
10:45O poder público oferece, mas a burocracia é tão grande e o povo não tem dinheiro, às
10:51vezes, de passagem.
10:53Eu faço doações no Ibs.
10:54Tem pessoas de Viana, Serra, Cariacica, interior do Estado, que vêm buscar cesta básica, cadeira
11:00de roda.
11:01Então, assim, nós só pedimos endereço, telefone e o nome completo da pessoa.
11:08E quando temos, nós doamos.
11:11Esse final de semana, teremos o Bazar lá na Praça do Ibs, mas é com muita tristeza.
11:17Toda semana, nós doamos 20, 30 para 30 famílias, fora o que a gente doa durante a semana no
11:23escritório, mas é com muita tristeza.
11:26Eu só tenho 17 cestas básicas.
11:29Somente 17?
11:31Para doar, porque eu ganhei do meu padrinho.
11:34Ele é dono de um restaurante lá em Pedra Azul, Espigueiro.
11:41Ele foi no supermercado e comprou e mais sete pessoas ajudaram com mais dinheiro.
11:46E é muito triste você ver um pai de família não ter o que dar de comer seu filho.
11:51E olha só, foi o caso da Daniele Favorette, que ela vai participar com a gente agora, participando
11:57pela internet, por Skype.
11:59Ela recebeu a ajuda do projeto do Marcelo.
12:01Não é isso, Daniele?
12:02Boa tarde.
12:05Boa tarde.
12:07Conta para a gente, você está desempregada?
12:09Foi isso?
12:10Como é que foi que você chegou até o Marcelo?
12:13Eu cheguei até o Marcelo, porque eu conheço ele há muitos anos.
12:18Eu conheço ele há mais de 20 anos atrás.
12:20A gente se conheceu.
12:21No tempo que ele ainda trabalhava no ASSE, entendeu?
12:29Era promotor do ASSE.
12:32Promovia eventos.
12:33Então, eu conheço o Marcelo desde aquela época e sei que esse projeto Soldados da Solidariedade
12:39é muito sério.
12:41Começou desde quando começou a pandemia, esse projeto começou.
12:48E ele me ajudou muito.
12:50E ele ainda me ajuda quando eu preciso, entendeu?
12:54O que você já recebeu de ajuda do projeto do Marcelo?
12:59Eu recebi alimento, cesta básica, remédio.
13:06Você está desempregada, não é isso?
13:09Sim, eu trabalho em casa.
13:12Meu esposo é cobrador de ônibus também.
13:15E com essa pandemia, está tudo parado.
13:19E qual é a diferença que essas doações fizeram na sua vida,
13:23na vida da sua família?
13:28Olha, essas doações, elas ajudam muito, tá?
13:34Porque, ai meu Deus do céu.
13:37Desculpa, estou nervosa.
13:38Fica tranquila, a gente está aqui conversando como amigas.
13:42Eu acredito que são alimentos que chegam na sua casa
13:45e ajudam o quê?
13:47Um mês, 15 dias.
13:49Quanto tempo que isso poupa, até mesmo financeiramente, para vocês?
13:54Isso dura quase um mês, entendeu?
13:58Eu ajudo a minha mãe também.
14:01Eu já peguei remédios com o Marcelo, que eram caríssimos.
14:06Ele conseguiu para mim.
14:10E a gente sabe o quanto é importante, remédios que são caros, né?
14:14A gente sabe o quanto que faz toda a diferença na nossa mesa.
14:17Muito obrigada pela sua participação aqui com a gente, viu?
14:21Dando o seu depoimento, abrindo a sua vida para a gente.
14:24Obrigada.
14:24E posso te dar um recado?
14:27Pode.
14:29Eu queria falar para as pessoas, assim, para doarem.
14:33Porque quem tem fome tem pressa.
14:36Então, todos nós passamos fome.
14:42Eu, quando eu preciso, eu peço.
14:46Quando eu tenho, eu dou também.
14:49Eu peço a cada vizinho aqui, eu peço quando eu tenho para doar.
14:56Quando eu vou doar, eu sempre peço a vizinhos aqui.
14:59Que aí eu levo também para o Marcelo, eu já doei.
15:03Ou seja, a gente vê que isso se torna uma corrente.
15:06Um que ajuda o outro e vai sendo incentivado e estimulado.
15:11Obrigada, viu, Daniele, pela sua participação com a gente.
15:14Grande família, obrigada.
15:16Tá certo, um beijo para você.
15:18Como é que é para vocês ouvirem um depoimento desse,
15:21de uma família que é ajudada,
15:23saber que vocês estão conseguindo, mesmo com toda dificuldade,
15:26atingir o objetivo de vocês?
15:28Como é que é, Paulo?
15:30Então, são histórias.
15:31Cada um tem a sua história.
15:33Nós sabemos que está difícil para todo mundo.
15:36Eu vi empresários ricos quebrarem.
15:39hoje está precisando de ajuda, sabe?
15:41Então, assim, eu fico com o coração partido
15:44em ver situações, assim, de pessoas que chegam lá no Almoço Solidário
15:50implorando, sabe, o alimento.
15:52Eu acho que devia ser lei.
15:54Todo mundo tem o direito, pelo menos, de se alimentar.
15:57Olha, assim como vocês, a Luzete Patrocínio está falando
16:01que é muito bom ajudar as pessoas.
16:03Eu faço isso aqui no meu bairro.
16:04Às vezes, recebo vários nãos e dói um pouco, mas respiro fundo e continuo pedindo doações.
16:12O não, a gente imagina o quanto deve ser dolorido, né?
16:16Para vocês que estão o tempo todo dizendo sim, né, seu Marcelo?
16:19E aí houve um não.
16:20É verdade.
16:21Eu já fui bloqueado por várias pessoas, que chamam a gente de chato, né?
16:28Mas eu acho que aqueles que vivem nas redes sociais, que a gente usa muito,
16:33e a imprensa, quero agradecer à TV Vitória, que nos apoia em todos os eventos,
16:38que divulga esse trabalho de ajuda ao próximo.
16:42A toda a equipe da TV Vitória, muito obrigado.
16:44Mas eu quero dizer que, se você quer mudar o seu país,
16:49não fique em redes sociais dando opinião sobre política.
16:51Quem tem fé, tem atitude.
16:55Nós juntos, nós podemos mudar essa realidade dessas famílias, que é muito triste.
17:02Quando a dor do outro não te incomoda, pode ter certeza, você de casa, o doente é você.
17:08É verdade.
17:09Muito profundo isso que o senhor falou.
17:11Viu?
17:11Fica de reflexão para você aí de casa.
17:13Gente, muito obrigada pela participação de vocês.
17:16Tchau, tchau, tchau.