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  • há 3 semanas
Alexandre Borges larga tudo para cuidar da mãe que tem Alzheimer.

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Transcrição
00:00Olha só isso, gente. O ator Alexandre Borges, sabe?
00:03Então, ele deu uma entrevista recentemente, disse que largou tudo e se mudou pra Santos,
00:09no litoral paulista, pra cuidar da mãe, a dona Rosalinda, que ela tem 82 anos e ela sofre de Alzheimer.
00:17O ator falou que percebeu que a cabeça da mãe começou a falhar.
00:21Isso aconteceu no Natal de 2019, então de lá pra cá ele vem observando o comportamento da mãe.
00:27Apesar da doença, dona Rosalinda continua uma noveleira de plantão e tá sempre de olho na TV.
00:36E o Estatuto do Idoso diz que os filhos têm a obrigação, eu disse obrigação, de cuidar dos pais.
00:44Mas a gente não precisa de lei pra saber que ninguém vai cuidar melhor dos nossos pais do que a
00:50gente, não é verdade?
00:51Eu acho que isso tinha que ser até mesmo natural, de dentro pra fora.
00:54Então, bora bater um papo sobre esse assunto aqui no estúdio.
00:57Eu recebo, olha só gente, dois Alexandres.
01:00Primeiramente aqui, doutor Alexandre Constantino, que ele é geriátrico, especialista, vai explicar tudo pra gente,
01:06como que a gente pode ficar ainda mais próximo dos nossos pais nesse momento da vida.
01:11E também o psicólogo Alexandre Brito.
01:14Sejam bem-vindos aqui no Fala Espírito Santo, pra gente comentar o caso do Alexandre Borges,
01:20não é o caso nacional, mas que a gente sabe que reflete a realidade de muitos lares, né?
01:25Dos nossos telespectadores, inclusive.
01:27Como é que a gente começa?
01:30Identificando o momento, doutor, que é a hora da gente se aproximar dos nossos pais.
01:35Seja a gente indo pra casa deles ou eles vindo pra nossas casas também.
01:40Boa tarde.
01:40Boa tarde, Roberta.
01:42Obrigado pelo convite.
01:43É uma decisão sempre complexa, né?
01:46A supervisão, o cuidado do pai, seja na casa dele ou na casa do filho.
01:51E isso depende muito da logística, da dinâmica da família, de visão de tarefas.
01:57Mas sempre pensando no bem-estar e na segurança do idoso, que muitas vezes começa com algum sintoma mais simples,
02:05algo como ele falou, né?
02:07Percebeu no Natal e já foi se planejando, se organizando pra ter o privilégio de cuidar da mãe de perto.
02:15Então, geralmente, é o caso de uma doença.
02:18Quando a gente começa a perceber que algo está mudando no comportamento, que é a hora da gente se aproximar
02:26ainda mais?
02:27Sim.
02:28O melhor cuidado é aquele que tenha uma supervisão contínua.
02:33Isso é uma coisa que, na prática, nem sempre é tão simples.
02:36Mas ter algum familiar ou alguma pessoa de confiança muito próxima,
02:40desde os momentos mais iniciais de um lapso de memória,
02:45pra garantir o conforto e a segurança do idoso é muito importante, né?
02:50Essa supervisão com estímulo também.
02:52Agora, a gente sabe, cá entre nós, minha amiga, meu amigo,
02:55que na prática é tão difícil convencer o papai, a mamãe, o vovô, a vovó,
03:01de trazê-lo pra perto, então da gente se aproximar ainda mais.
03:05E é por isso que a gente está aqui também com o psicólogo, né, Alexandre?
03:08Como que a gente faz esse convencimento, Alexandre?
03:11Pois é, eu acho que a gente não podia ser mais solidário, Alexandre Bosch,
03:15com dois Alexandres pra conversar sobre esse assunto.
03:18Quando a gente se depara com uma doença como o Alzheimer,
03:21ou alguma doença também degenerativa ou mais grave,
03:23toda a família tem a doença, vamos dizer assim.
03:26Ou seja, a família inteira está se tratando desse adoecimento.
03:29Não é só um indivíduo, só um organismo, só um corpo que adoece.
03:33Então, todos precisam de cuidados.
03:34Então, é um momento de união, um momento em que as pessoas precisam ser mais parceiras,
03:38mas o que acontece, geralmente, é mais discussão.
03:41É uma discussão em quem vai cuidar de papai ou de mamãe,
03:44quem é que vai ficar com os medicamentos, quem é que vai levar para o hospital,
03:49quem é que vai fazer isso, quem vai fazer aquilo, né?
03:51É um momento de união, porque, como eu disse, então, tem que ser tratado dessa forma.
03:56Todo mundo está com Alzheimer, vamos colocar assim.
03:58E aí, todo mundo se identifica com aquilo.
04:01Todo mundo participa de um jeito melhor, consegue distribuir melhor as tarefas.
04:05E é claro que, muitas vezes, a pessoa que está acometida dela nem sempre quer romper a sua rotina,
04:11nem sempre quer se mudar para um novo ambiente, para morar com uma família, com um filho, com uma filha.
04:17E, de fato, por um lado, isso também é bom para a saúde mental,
04:20que essa pessoa queira manter alguma rotina, queira manter o seu estilo de vida,
04:24não deixar de fazer aquilo que ela gosta, né?
04:26Não deixar de viver e não só sobreviver.
04:28Então, talvez, seja importante saber também a opinião da pessoa e criar estratégias,
04:35principalmente no início do diagnóstico, para fazer o melhor para todos.
04:38E olha só, a Rosilene, gente, ela é professora e também abriu mão de muita coisa aí
04:44para cuidar da mãe, que também tem Alzheimer.
04:46Vamos ver o depoimento dela? Olha só.
04:49A minha mãe tem Alzheimer, descobrimos, tem mais ou menos uns 5 anos, tá?
04:54Mas é uma pessoa alegre, estorvetida, gosta de todo mundo.
04:57O que a senhora tem a dizer, minha mãe, sobre a questão da sua família,
05:02de mim que cuido da senhora, da minha irmã que trabalha e também está presente a todo momento, né?
05:08Do meu irmão de criação, Edinaldo, e da minha irmã de criação, Cristina.
05:12O que a senhora tem a falar sobre a sua família?
05:14Nossa, tudo de bom.
05:17Meus filhos foram presente de Deus.
05:22Quando a senhora estava grávida de mim, o que falavam para a senhora?
05:25Os meus vizinhos falavam, outra vez, outra vez.
05:31E hoje, o que a senhora tem a falar?
05:33Só alegria.
05:36Minha filha, minha filha cuidando de mim, minhas filhas cuidando de mim.
05:40Isso.
05:40A senhora é uma pessoa alegre, feliz.
05:42A mim, está que faltando algo na sua vida, nada.
05:47Tenho tudo que minhas filhas me dão, meus filhos me dão.
05:51Eu tenho...
05:52E sou grátis a Deus, porque eu tenho até um pastor na família.
05:58Ai, que orgulho, ele chega e quase eu choro.
06:01Tenho um pastor, meu Deus.
06:04Nunca esperava isso.
06:06E meus netos, coisa mais linda.
06:08O Adson e o El, que são os meus filhos, né?
06:11É.
06:13Ô, gente, eu chego a estar aqui com os olhos cheios de lágrimas.
06:16É tão lindo.
06:16E a gente, todo mundo aqui no estúdio, assim, com sorriso de orelha a orelha,
06:20ver um depoimento de uma família que soube conciliar.
06:23Agora, como que a família deve se organizar, doutor?
06:27Para trazer o vovô, a vovó para perto.
06:30Porque, como disse o outro Alexandre aqui para a gente,
06:33a família toda passa a viver isso.
06:36É preciso estabelecer uma nova rotina.
06:38Como que a gente se organiza?
06:39Como bem disse o Alexandre, né?
06:41Todos estão acometidos pela enfermidade.
06:45Todo mundo adoece e sofre de alguma maneira junto.
06:49Uma dica interessante é que a gente consiga antecipar, planejar, né?
06:54Já ver quais são os próximos passos, as fases da doença e o cuidado.
06:59Então, uma opção é até o próprio idoso, que já tem um acompanhamento médico, psicológico,
07:06ele já está a escrever quais são as preferências, quais são as vontades.
07:10Colocar isso no papel facilita muito o cuidado lá na frente,
07:13se não houver um exemplo como o da Rosilene.
07:16A Rosilene muito bem conseguiu, tem a possibilidade de cuidar da mãe,
07:21a outra filha trabalha, mas está presente, os netos.
07:24Então, todo mundo envolvido, dividindo as tarefas, porque é comum sobrecarregar uma pessoa só.
07:31Então, isso é um outro detalhe importante, mas ter esse diálogo e antecipar essas etapas.
07:37Falando sobre essa sobrecarga, né?
07:40Que às vezes pode ficar em cima de um único filho, que a gente sabe que isso é real.
07:44Olha só, agora eu convido aqui para a nossa conversa a Adriana Falcão,
07:48porque ela cuida da mãe que sofre de Alzheimer há quatro anos.
07:52E ela vai contar para a gente como que é essa nova rotina, né?
07:55Que há quatro anos aí mudou a casa dela.
07:58Conta para a gente, Adriana.
07:59Boa tarde.
08:00Ei, boa tarde.
08:03Tudo bem?
08:04Tudo certo.
08:05Conta para a gente o que mudou na sua rotina, na rotina da sua mãe.
08:09Como é que foi esse convencimento de trazê-la para perto?
08:12E eu sei que você tem uma sobrecarga, né?
08:17Sim, mas eu não, meu esposo.
08:21Porque, na verdade, minha mãe fica com meu esposo de dia, porque eu trabalho, e ele está parado.
08:29E quando eu chego, aí eu cuido dela das coisas, assim, de levar no banheiro, dar um banho, é o
08:35que faço.
08:37E você tem mais irmãos?
08:40Eu tenho mais dois irmãos, mas eu entendo, porque cada um tem sua vida.
08:46E, assim, eu optei em tomar conta dela.
08:50Eu conversei com meu esposo, com meu filho, eles concordaram, e nós pegamos minha mãe para cuidar.
08:57E quantos anos tem o seu filho?
09:0121.
09:0221, né?
09:03No caso, ele já é crescido.
09:05Mas, muitas das vezes, a gente vê casas com crianças.
09:09E aí, eu quero até tirar uma dúvida aqui com o doutor.
09:13Como que fica uma casa agitada, com criança, correndo para um lado e para o outro, e o vovô e
09:18a vovó ali, acamado.
09:19Você que lida diariamente com esses casos, é comum ver isso?
09:23É comum, Roberta.
09:24Isso, normalmente, é positivo, mas não há uma receita de bolo, né?
09:28Mas é positivo?
09:29É positivo, geralmente.
09:31Se o idoso gosta do convívio com crianças, com animais, com músicas, isso é um estímulo muito positivo.
09:37Agora, qualquer coisa que fuja da preferência do idoso, que causa incômodo, ah, não gosto de um animal.
09:43A gente evita aquele gatilho para não piorar o cuidado.
09:48Alexandre, psicólogo, fala para a gente, assim, o que é importante, até mesmo, para manter o idoso cada vez mais
09:54ativo nesse relacionamento familiar?
09:57É, tentar manter algumas atividades que ele já só trazia, fazia, seja uma leitura, seja um passeio, seja atividades comuns
10:06que ele pode ter feito ao longo da vida.
10:09Talvez ele tenha algum trabalho manual, alguma habilidade, alguma virtude.
10:13Enfim, manter isso é fundamental para que ele não se sinta inútil, um peso, que ele não antecipe alguns sofrimentos.
10:21Então, assim, eu não quero ser um peso para a minha família.
10:24Só de imaginar isso já gera um entristecimento.
10:26Já é possível desenvolver uma depressão.
10:29E aí, imagina você tendo novas doenças junto com outra doença.
10:33Então, você tentar não antecipar esse sofrimento, deixar o mais vontade possível.
10:36E também, não só cuidar de quem está com o adoecimento, mas também de cuidar de quem cuida.
10:43Isso é muito importante.
10:44Não fazer essas cobranças com quem cuida.
10:46Por exemplo, a Adriana cuida da mãe, né?
10:49E nesses casos, às vezes, há uma cobrança de outras pessoas sobre ela, como se ela fosse a única responsável.
10:56Não sei se é o caso, claro, mas é como uma guia de exemplo.
10:58Deixa eu confirmar aqui, então, com a nossa entrevistada Adriana, existe uma sobrecarga, as pessoas cobram muito de você pelo
11:05fato, assim, da sua responsabilidade sobre sua mãe?
11:10Não, Roberta, porque ela vivia na casa dela.
11:14Eu pensei que se eu tirasse ela da casa dela, ia melhorar.
11:18Mas, infelizmente, é o que o doutor falou aí, o psicólogo, não estou vendo quem está falando.
11:25Mas, ela ficou muito triste com isso.
11:29Só que foi necessário eu tirar ela do ambiente dela para levar para a minha casa, para me cuidar na
11:35minha casa.
11:36Que é bem melhor cuidar na minha casa, entendeu?
11:39Mas, assim, meus irmãos vão lá ver ela.
11:42E todos amam ela, só que é daquele jeito, assim, que nós não fomos uma família estruturada.
11:50Mas, eu entendo cada um deles, entendeu?
11:53Então, eu quero fazer a minha parte e cuidar da minha mãe, enquanto eu posso.
11:57Você falou que ela ficou muito triste quando saiu de casa.
12:00Se passaram quatro anos, qual é o sentimento dela hoje?
12:05Ela ainda gostaria de ter o cantinho dela ou já está adaptada à nova rotina?
12:10Não, Roberta. Desde quando aconteceu dela ter...
12:14A gente sentiu que ela estava com mal de Alzheimer, ela vivia na casa dela.
12:18A minha sobrinha, que eu agradeço muito, tomou muito conta dela.
12:22Porém, eu estava vendo que ela estava sobrecarregada, porque ela também trabalha.
12:27Entendeu?
12:28Então, há um ano e meio, eu trouxe ela para o meu lar.
12:31Ela vive lá em casa, mas ela pede para ir embora direto.
12:35E eu tento explicar para ela que agora, ali é o lar dela.
12:39Mas ela não entende, ela pede para ir embora.
12:43Olha aí, gente.
12:45Como lidar com esse sentimento da mãe?
12:49Já tem, então, um ano e meio que ela está sobre os cuidados da filha, com o gerro.
12:54Como lidar com isso?
12:55Como tornar cada dia mais agradável nessa relação?
12:58Principalmente pensando aí no bem-estar dessa mãe.
13:01Fica aí a pergunta para os dois.
13:03Pergunta difícil, né, Roberta?
13:05Cada um faz o que pode, o melhor que pode, o melhor cuidado possível.
13:10E a gente percebe, pelo que a Adriana está falando, que o melhor cuidado que ela pode prestar é na
13:15casa dela.
13:16Então, lidar com essa mudança de ambiente, eventualmente de uma referência, de uma rotina,
13:22a supervisão com estímulo, a gente vê aí nas fotos a festa, o enfeite.
13:27Esses são momentos prazerosos que pode ser até que a pessoa que tem a doença de Alzheimer se esqueça em
13:34alguns momentos que ela não quer fugir ou voltar para a casa onde ela sempre viveu.
13:39E mesmo estando na própria casa, que muitas vezes é a preferência do idoso, ele pode se confundir, voltar para
13:46o passado e querer ir embora para a casa onde ele viveu, no interior, na roça, na infância.
13:51Então, o que a gente sempre diz é o melhor cuidado possível é aquele que a pessoa está dando naquele
13:57momento.
13:57Então, no caso da Adriana, é na casa dela, né?
14:01E aí, como tornar essa convivência da mãe e da filha cada vez mais prazerosa?
14:05Tem alguma dica?
14:07Elas têm aí, tentar manter esses espaços entre mãe e filha, não só entre mãe cuidadora, né, ou filha e
14:13cuidadora, enfim.
14:14Tentar manter laços, né, que elas provavelmente o fazem, que é justamente aquilo que há ali entre mãe e filha,
14:21porque acaba aqui também invertendo um pouco esse papel.
14:25Às vezes a mãe, a filha se torna mãe, a mãe se torna filha e os limites não são tão
14:30bem definidos, mas ainda assim a filha é filha, a mãe é mãe.
14:34E tentar manter esses laços, tentar manter talvez algo que seja agradável pra elas, algo que seja agradável pra família,
14:41tentar criar momentos em que eles podem usufruir juntos,
14:46tentar fazer com que todos possam participar desses momentos, da construção desses momentos, da decisão de locais onde podem estar
14:52juntos, enfim.
14:54E cada um tem a sua realidade muito própria, os seus limites, muitas vezes, muito grandes, pra conseguir fazer isso.
15:00Mas a gente tem que se reinventar, que nem nessa pandemia que a gente teve que se reinventar em várias
15:04áreas da vida,
15:05quando vem também um acometimento como esse, a gente tem que se reinventar.
15:09E olha só, aqui no Facebook a gente tem várias participações, a Maria Antônia Bernardo tá falando,
15:15eu cuido da minha mãe com Alzheimer avançado, já tem três anos e ela tá acamada.
15:19A Maricilda Borges fala, minha filha cuida de mim, muito bem de mim, com muito carinho, né,
15:26muito bonito quando a gente vê que realmente há esse encontro, né,
15:29meu pai, a Luana Sussan fala, meu pai tem 66 anos, teve três AVCs e mora comigo,
15:34cuido com muito amor, virou um filho, é o ciclo da vida, né, que a gente sabe.
15:39A Vera Lúcia fala, meu pai tem 86 anos, eu não fui criada com ele,
15:44como eu faço que hoje, não fui criada com ele, como eu faço que hoje eu faço um tratamento de
15:50câncer?
15:51Não entendi o comentário da Vera, mas se quiser mandar um pouquinho mais detalhado a sua história,
15:55vai ser um prazer receber aqui, tá bom, Vera?
15:57A Alessandra fala, Roberta, a responsabilidade pode ficar só pra um filho, mesmo morando com a mãe?
16:04Gostaria de fazer essa pergunta, é bom dividir essas tarefas com os irmãos?
16:11Mas nem sempre todo mundo tem tempo, e aí, doutor?
16:13Nem sempre é possível, mas o ideal é dividir as tarefas, claro, cada um à sua maneira,
16:19ninguém cuida igual ao outro, né, essa cobrança que às vezes acontece, né,
16:25como outros exemplos de cuidar da casa ou cuidar de uma criança, ninguém nunca vai fazer igual ao outro.
16:30Mas a divisão das tarefas evita o estresse do principal cuidador.
16:35Então isso é muito importante pra que quem tá cuidando seja bem cuidado também,
16:40inclusive da própria saúde, né, e ter um momento de alívio, um momento de descanso,
16:45que a pessoa também vai ter a própria vida, não só viver pra cuidar do ente querido.
16:50E nessa falta de tempo, que a gente sabe que hoje em dia tudo é muito corrido,
16:54acaba que algumas famílias optam, então, colocar numa casa de repouso,
16:59ou então no hospital de cuidados paliativos, né,
17:02como que a gente trabalha pra tirar essa culpa?
17:06Porque é uma outra alternativa que a gente sabe que acontece, né?
17:10Essa é uma possibilidade, é uma alternativa e volta naquilo que a gente diz, né,
17:15de a gente fazer o que é melhor possível.
17:18Então se o cuidado não é possível em casa,
17:20uma possibilidade é uma instituição de longa permanência pra idosos,
17:24que na maioria das vezes tá bem estruturada, tem recursos humanos,
17:30estímulo, fisioterapia, terapia ocupacional, arteterapia, musicoterapia.
17:35Então, muitas vezes quando é possível, né, porque isso também depende de um recurso financeiro,
17:40enfim, ou um cuidador profissional contratado, é uma forma de cuidar também, né?
17:46Não quer dizer que o filho ou a filha tenha que assumir obrigatoriamente o cuidado,
17:50colocar a mão na massa, mas prover esse cuidado, essa qualidade de vida pra pessoa com Alzheimer.
17:56E tirar essa culpa, né, também, né, doutor?
17:59Né, Alexandre?
17:59É, com certeza.
18:00Beleza, você às vezes sente uma culpa por um crime que você não cometeu.
18:05Então, às vezes acontece o que, aquilo que você já faz, já é o melhor,
18:09mas você se cobra pra fazer ainda melhor.
18:11Mas sabe que aquilo que você já faz, já é o melhor que você já faz.
18:15Não sei se eu fico aí confuso, mas é no sentido de que se você faz,
18:19você já tá fazendo o seu melhor, e aquilo ali tem sido o suficiente,
18:22mas a gente sempre quer um pouco mais.
18:24Até porque um acometimento, como mesmo um adoecimento, como um Alzheimer,
18:27ele faz com que a gente pense no valor da vida.
18:30Veja bem, nem sempre a gente dá valor à memória.
18:32Então, às vezes a gente se pergunta assim, Roberto, você lembra o que você almoçou ontem?
18:36Coisas simples, que às vezes a gente não dá tanto valor, não dá tanta importância.
18:40E aí, com isso, a gente começa a dar valor, às vezes, àquilo que a gente passa despercebido.
18:45A gente acaba não tendo tanta importância com essa vida corrida e a vida vai passando.
18:52Às vezes a gente precisa de um adoecimento, talvez até severo,
18:55para fazer uma pausa e perceber que é possível parar, respirar, viver de uma outra forma,
19:00tentar realizar algum sonho, se aproximar das pessoas e viver uma vida um pouco melhor que mais qualidade.
19:05Tá certo. Obrigada, gente, pela participação de vocês aqui no Fala Espírito Santo.
19:09Doutor Alexandre, Alexandre Psicólogo, e também Adriano, que participou com a gente aí pelo Skype.
19:14Obrigada, gente. Fica o exemplo aí de uma pessoa que cuida com muito amor e carinho aí da mãe.
19:20E no que depender de mim, do meu pai, da minha mãe, minha casa vai estar sempre de portas abertas
19:25para vocês.
19:25Porque eles cuidaram da gente e fica o exemplo desde criancinha.
19:29Isso faz parte do ciclo da vida, não é verdade?
19:32Obrigada, gente.
19:33Obrigado.

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