- há 3 semanas
Especialistas e ex usuários de drogas debatem o assunto.
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NotíciasTranscrição
00:00A gente vai repercutir uma entrevista do cantor Marcelo D2, que tá dando uma polêmica danada.
00:05Ele aparece fumando maconha com os quatro filhos e falando abertamente sobre o uso da droga.
00:12Olha só.
00:13Eu nunca escondi de vocês, nenhum, né, cara, de vocês.
00:18Vocês viram maconha...
00:20E engraçado que ninguém fumou comigo, né, a primeira vez.
00:23Nenhum de vocês.
00:26Fumaram minha maconha, roubaram minha maconha, mas não fumaram comigo.
00:31Vamos lá.
00:32Cada um sabe, pelo menos deveria saber, né, como cria os filhos.
00:36Mas existe aí toda uma questão social, uma questão psicológica que também envolve, né, o uso da maconha.
00:43E esse é o nosso debate de agora.
00:46É, senta aí na sua sala que eu já vou sentar aqui no nosso estúdio.
00:49Eu recebo aqui o advogado criminalista, doutor Rivelino Amaral.
00:53Obrigada pela sua participação, doutor, aqui no Fala Espírito Santo, viu?
00:56E também recebo o psicólogo Juliano Coimbra, que já já vai contar pra gente, né, quais são as consequências,
01:03os danos que essa droga pode trazer pra nossa vida, os prejuízos.
01:07Mas primeiro eu quero saber do senhor, doutor Rivelino, o que diz a lei aqui no Brasil sobre o uso
01:14da maconha?
01:14Então, Roberta, na verdade existe um entendimento distorcido das pessoas que o uso de droga,
01:23a possibilidade da pessoa deter a droga, andar com droga, guardar, ter em depósito, enfim,
01:31pra consumo pessoal não ser mais um crime.
01:35E é um crime.
01:36Quem for surpreendido com droga pra consumo pessoal tá cometendo um crime.
01:42Houve uma alteração na lei, em 2006, entrou em vigor a lei 11.343,
01:49que modificou a pena pra quem usa droga pra consumo pessoal.
01:55Essas pessoas não ficam presas, mas se forem surpreendidas na rua,
02:00vão ser levadas pra delegacia e vão responder a um processo criminal.
02:04ocorre que a pena é advertência, obrigação de frequentar um curso e também prestação de serviço à comunidade.
02:13Então, as pessoas não ficam presas por conta de droga pra consumo pessoal,
02:18mas cometem crime sim.
02:20Elas são apreendidas, essa droga é apreendida, ela é levada pra delegacia,
02:25ela vai responder a um processo criminal.
02:27Se eventualmente for condenado, vai constar essa condenação na vida pregressa dela.
02:33Então, é uma ação criminosa.
02:36É crime a pessoa ter droga pra consumo pessoal.
02:39Por óbvio que, se tiver droga pra vender pra mercancia,
02:43a gente tá diante do crime de tráfico, e aí a pena é de 5 a 15 anos.
02:48O que é que caracteriza, ou melhor, qual é a diferença da droga que o policial apreende uma droga com
02:56alguém?
02:56Como que o delegado ou o juiz analisam se aquilo ali é tráfico ou se é pra consumo pessoal?
03:02Não é tão somente a quantidade de droga, mas toda a circunstância em que essa droga foi apreendida.
03:09Por exemplo, em que lugar que essa droga foi apreendida?
03:12Quem é essa pessoa que foi surpreendida com a droga?
03:15Qual é a quantidade de droga que tinha?
03:18Se essa pessoa tinha dinheiro com ela?
03:20De que forma que essa droga tava acondicionada?
03:23Quer dizer, se tava característico de tráfico pra vender em pino de cocaína, em buchas, enfim.
03:30Então, todas as circunstâncias são analisadas pra se saber se aquela droga era pra consumo pessoal ou se era pra
03:37venda.
03:38Até porque a gente vê muita gente usando esse argumento, né?
03:41Às vezes tava ali, na verdade, traficando, porém, a pessoa usa esse argumento.
03:48Não, mas é pra consumo próprio.
03:49Pra justamente fugir...
03:51Fugir a essa pena, que é uma pena de 5 a 15 anos, né?
03:54Então, quer dizer, se o delegado que recebe a ocorrência...
03:57O delegado tem um poder muito grande nas mãos, costumo até dizer isso pros meus alunos.
04:01Se ele entende que aquela droga que foi apreendida é pra venda, a gente tá diante de um crime de
04:08tráfico de drogas.
04:09Se ele entender que é pra consumo pessoal, a gente tá diante de um crime do artigo 28 da lei
04:1411.343, que não gera prisão dessa pessoa.
04:18Quer dizer, ela vai responder a um processo criminal, mas a pena que vai ser imposta a ela é uma
04:25pena de advertência, de obrigação de frequentar um curso qualquer que diga respeito ao uso de droga, à nocividade, o
04:34que é que traz de malefícios pra pessoa usar droga, e também prestação de serviço à comunidade.
04:40Só que as pessoas entendem de forma equivocada que quem é surpreendido com droga pra consumo pessoal não está cometendo
04:49crime.
04:49Está cometendo crime sim, vai ser presa sim, não vai ficar presa, mas vai ser presa, se for surpreendida na
04:56rua vai ser levada pra delegacia, o delegado vai fazer e lavrar essa ocorrência, e essa pessoa vai responder a
05:03uma ação penal.
05:04E como eu disse, se eventualmente for condenada, vai constar uma condenação contra essa pessoa, que eventualmente, se porventura ele
05:11cometer outros crimes, isso vai pesar contra ele.
05:14E olha só, Juliano, queria que você explicasse pra gente quais são os danos, quais são os prejuízos que a
05:20droga, a maconha, no caso que a gente tá falando especificamente hoje, pode trazer pra vida do indivíduo.
05:28...entre eles os sociais, né, porque nós sabemos, né, como o advogado já trouxe, tem as questões de ilegalidade, né,
05:36quando esse indivíduo é aprendido, né, como necessidade básica humana, a sociabilidade, ela é extremamente importante, né, e quando esse
05:44indivíduo é privado, então as questões sociais, elas começam a entrar, né, em xeque.
05:50Todavia, no que concerne, de fato, a substância psicoativa, há um atraso na memória e um atraso também de aprendizagem,
05:58né, toda vez que a gente pensa, um dos conflitos que as pessoas têm é sobre a substância.
06:03Ah, mas a maconha está liberada para o uso medicinal. Acho que esse é um dos maiores problemas, os maiores
06:08impasses que a gente tem hoje na atualidade.
06:10E lembrando que não é a maconha em si, mas é uma substância que contém na maconha, que é o
06:16canabidiol. E aí eu queria fazer duas diferenças dessas coisas, né, porque a gente tem a tetra-hidrocanabidiol,
06:24que é aquela substância que, de fato, dá a onda, como que os meninos dizem aí na rua, que essa
06:28substância, ela vai entrar no nosso pulmão, essa substância vai passar pela corrente sanguínea e ela vai trabalhar direto no
06:35sistema nervoso central.
06:36Posterior a isso, que ela vai dar essa onda, né, e há uma outra substância, né, que é a canabidiol,
06:43que hoje ela está passando por pesquisas que essa sim, ela pode ser feita uso, né, para uso medicinal.
06:51Todavia, não há uma regulamentação ainda no nosso país fazendo a liberação dessa substância propriamente dita.
06:58Que, para fazer uso disso, nós precisamos de que tenha, né, na instância jurídica, a liberação até então, porque não
07:06foi liberada.
07:07Isso é importante deixar claro. Não foi liberada na totalidade, né.
07:11É óbvio que nós sabemos que há várias pesquisas, como no tratamento da epilepsia, né, todavia ela não está regulamentada
07:19ainda em nosso país.
07:20A Anvisa, né, ela tem trazido alguns compostos para o Brasil, todavia, né, com liberação judicial prévia.
07:27Daqui a pouco, inclusive, a gente vai ter uma participação, gente, de uma médica psiquiatra que vai explicar exatamente qual
07:33é a diferença de um uso medicinal para um uso recreativo.
07:37E olha só, ainda nesse vídeo, o cantor Marcelo D2 disse que, para ele, é estranho, né, um pai que
07:43fuma maconha escondido dos filhos. Acompanhe.
07:47Eu acho meio estranho, assim, porque de ter uma família que não faz isso, tá ligado? Do que o pai
07:52fuma escondido dos filhos e os filhos fuma escondido dos pais, tá ligado?
07:57Não, acho que o bom disso foi isso. Acho que a gente fumar, a gente já entendia o que era
08:00a parada, sabe qual é?
08:02Acho que é uma maneira, assim, que a gente não foi também, tipo, ah, fumar maconha escondido, não sei qual.
08:06Até você não tinha muito como esconder da gente que você fumou maconha.
08:11Olha aí, mais uma vez a gente volta até mesmo numa questão, num ponto importante que a gente falou ontem
08:17aqui no programa, né?
08:18Qual é a influência dos pais na vida dos filhos e como que a gente deve conversar com eles sobre
08:25esse assunto, Juliano?
08:26Olha, Roberto, meu livro, A Culpa é do Tabu, eu trato justamente sobre isso.
08:30Na realidade, todo pai tem o direito de falar o que você acredita para os seus filhos.
08:34Todavia, nós não podemos trazer questões errôneas para isso.
08:38Eu posso falar para o meu filho que eu acredito ser bom tal coisa, mas não necessariamente essa coisa, ela,
08:44de fato, ela é boa.
08:45Essa é uma crença que ela é minha interna e eu posso informar isso para os filhos,
08:49mas eu tenho que trazer a verdade que está posta por trás de tudo isso, que é com bases científicas.
08:54Sabendo, sim, que há danos realmente na memória, na aprendizagem do indivíduo, acho que isso é importante.
09:00Todavia, o pai pode dizer, olha, mas eu faço uso porque eu gosto, eu acho interessante.
09:05Todavia, a verdade posta científica é que vem trazer tais danos, sim.
09:11Eu acho que essa verdade tem que ser trazida, sim.
09:14Óbvio que os pais são referências para os filhos e nós precisamos trazer aquilo que é positivo para os nossos
09:20filhos.
09:21Nós estamos falando de uma construção social, nós estamos falando de uma construção de valores,
09:24de uma construção de uma sociedade que ela vai ter base aonde?
09:27Dentro da família, né?
09:29Quando a mentira, ela é a base, essa estruturação familiar vai ser pautada na mentira.
09:34E o que nós queremos construir de sociedade para o nosso futuro e para o nosso presente?
09:38Porque a construção é lá agora, então ela é presente.
09:40E isso precisamos pensar.
09:41Doutor Rivelino, o que pode acontecer com o pai que fuma maconha, então, na frente dos filhos, né?
09:47Já que para o próprio consumo, como você bem disse aqui, isso não é permitido por lei,
09:52embora muita gente pense que, ah, que pode, não pode, você acabou de desmistificar isso aqui, não pode.
09:58O que pode acontecer com esse pai?
10:00É, então, na verdade, assim, a discussão é muito ampla, né?
10:03Como o Juliano colocou, assim.
10:04Os países, por exemplo, que liberaram o uso de droga, eles sofrem uma consequência muito negativa,
10:10que é o custo das pessoas para o tratamento dessas pessoas em decorrência do vício, quer dizer.
10:17Então, na verdade, assim, infelizmente, no nosso país, quase 80% das pessoas que estão presas
10:23estão ligadas direto ou indiretamente com o uso ou tráfico de drogas, ok?
10:28Só que liberar a droga, porque as pessoas vendem, quem defende a liberação da droga,
10:33vende, que, na verdade, se o Estado impuser, por exemplo, imposto para a venda da droga,
10:40isso vai ser muito interessante para o Estado.
10:42Não vai.
10:43Os estudos apontam que essa arrecadação é pífia e, na verdade, o Estado vai ter um custo
10:48muito maior, porque ele vai ter uma elevação do uso da droga, se você disponibilizar para
10:52as pessoas, as pessoas eventualmente vão experimentar e, eventualmente, vão se viciar, enfim, ou vão
10:57gostar, e isso vai gerar um custo para o Estado muito grande.
11:01Então, os estudos todos apontam isso.
11:03Então, esse não é o caminho.
11:05Os pais, por óbvio, sob o aspecto psicológico, o pai é o exemplo para a criança, quer dizer,
11:13e, por certo, a gente pode estar diante, por exemplo, de apologia ao crime, porque, na verdade,
11:20a gente está diante de um crime.
11:22Quem está usando a droga está cometendo o crime.
11:25Essa droga para uso medicinal, como o Juliano colocou muito bem, precisa ter uma autorização
11:31judicial, precisa ter uma decisão judicial, dando conta de que aquela pessoa pode fazer
11:38o uso.
11:38E esse composto da maconha, por exemplo, via de regra, são gotas que essas pessoas tomam
11:45para se acalmarem, enfim, e casos muito específicos.
11:49Então, precisa ter uma decisão judicial.
11:51Se não tiver decisão judicial, a gente está diante de uma ilegalidade também.
11:56E agora, a gente vai conversar com a Libna, gente.
12:00Olha só, a Libna já teve essa experiência, ela já fez o uso de drogas e vai contar para
12:05a gente como que ela trata desse assunto com os filhos.
12:08Boa tarde, Libna.
12:10Ei, Roberto, boa tarde, tudo bem?
12:12Tudo joia.
12:13Oi, obrigada mais uma vez pela sua participação aqui no Fala Espírito Santo.
12:17Como que você lida, você que no seu passado já viveu isso, já fez o uso da maconha,
12:23como que você lida com esse assunto hoje com os seus filhos na criação deles?
12:28Olha, Roberta, na minha casa sempre foi muito aberto o diálogo principalmente referente a drogas.
12:37porque eu moro em um bairro de periferia, nasci, me criei, depois morei um tempo no Rio de Janeiro,
12:44que ainda é um pouquinho mais complicado que aqui, em Vitória.
12:48E eu sempre observei muito e conversei muito.
12:55Nunca eu quero que o meu filho passe por o que eu passei, nunca.
12:59Então, eu sempre expus muito o caminho onde eu trilhei para que eles não trilhassem.
13:04Ah, e outras coisas, eu sempre deixei muito, muito claro a questão do oferecimento,
13:11a questão do que pode acontecer quando você fuma um simples baseado.
13:15Um simples baseado, ele pode te levar ao poço, ao fundo do poço, ele pode te levar no caixão.
13:20É inúmeras coisas que podem acontecer quando você fuma só um cigarro de baseado.
13:25Eu vi esse pai tratando desse assunto como se fosse uma normalidade.
13:30Roberta, isso não é normal, não é normal, porque quem já esteve na vida,
13:37já viu coisas horríveis acontecendo por causa de um cigarro de maconha,
13:41que a pessoa acha que é uma coisa banal, nunca faria uma coisa dessas, entendeu?
13:48A pessoa, ela fica totalmente lerda, ela vai...
13:51Você não sabe como que é o organismo, você não sabe como que esse organismo vai reagir,
13:57você não sabe se essa pessoa vai se afundar, não sabe se essa criança,
14:02se esse adolescente vai virar um viciado, não sabe se esse...
14:05Eu trato de uma forma assim, eu deixo bem claro as consequências que um cigarro de maconha
14:12pode dar na vida toda dos meus filhos.
14:15Você experimentou quantos anos, Libna?
14:18Oi?
14:19Você experimentou a maconha pela primeira vez, né?
14:22A primeira vez que você fez o uso da maconha, você tinha quantos anos?
14:25Tinha quase 14 anos.
14:2714?
14:2814.
14:29Isso.
14:31De lá pra cá, o que você, olhando pra trás,
14:34o que você observa como prejuízos que isso trouxe pra sua vida?
14:39Olha, eu sofri...
14:40O maior prejuízo que isso teve na minha vida foi me envolver com uma pessoa
14:45que era da vida louca, né?
14:49Igual eles falam hoje.
14:50Eu como mulher, né?
14:52Como menina naquela época, o maior da minha vida foi ter me envolvido
14:57com uma pessoa que era vida louca, com uma pessoa que era envolvida
15:00nas drogas, na criminalidade.
15:04Então, eu sofri muita violência doméstica.
15:09Eu já, por causa disso, a gente teve que ir embora pra outro lugar.
15:12Eu já passei fome com meu filho mais velho, não tinha nada pra comer.
15:16Então, isso tudo foi por causa daquela mente que eu tinha,
15:21por causa daquele momento que eu achei que aquela vida de drogas,
15:26de louca, de beber e de usar uma maconha, de ficar doidona.
15:32Aquele momento me acarretou vários traumas, vários...
15:37Nossa, eu fiquei...
15:38Assim, eu pensei seriamente que eu nunca mais ia voltar ao normal.
15:43Eu pensei que aquilo ali...
15:43Afeitou também sua vida escolar, Libna?
15:46Minha vida escolar, com certeza, porque eu saí da escola, né?
15:49Eu parei na oitava série.
15:50Eu parei, conheci ele.
15:52Eu tava na oitava série, aí eu comecei a fugir, né?
15:56Da escola pra poder estar com ele, aí a gente fazia uso dos entorpecentes e tal.
16:03E aí eu fui me atrasando, tem coisas que eu até hoje não aprendi muito.
16:08Eu era uma aluna muito boa, né?
16:10Sempre fui muito inteligente, assim, no aprendizado.
16:13E na oitava série eu tive essa dificuldade.
16:16Então, aí, quando eu me relacionei com ele, eu me engravidei,
16:19eu tive que parar os meus estudos, e aí eu só voltei depois dos 20 anos.
16:23Então, eu tive aí a minha adolescência toda, né, danificada por causa do uso da maconha.
16:30Porque se não fosse...
16:31Por isso que eu falo, é um cigarrinho que vai fazer um estrago enorme na sua vida.
16:35Enquanto você foi falando aqui, eu fui observando o comportamento do Juliano,
16:40que é o psicólogo que participa com a gente ao vivo aqui no nosso estúdio.
16:43Eu vi que você concordou dos casos que você já atendeu, Juliano.
16:46Você percebe, você ouve esse tipo de relato, sabe, de prejuízos,
16:52desde a vida escolar até mesmo a vida adulta?
16:55Roberta, quanto mais cedo o indivíduo começa a fazer uso da substância psicoativa,
17:00mais cedo ela começa a fazer alteração no nosso sistema nervoso central.
17:03Então, mais cedo, esse indivíduo vai sofrer alguns danos.
17:07O que as pessoas acabam confundindo é porque, como ele trabalha no sistema nervoso central,
17:13ela também traz algumas coisas que as pessoas entendem como benefícios,
17:17como relaxamento, trabalha com questões de apetite,
17:21a percepção de tempo, percepção de sensoriedade mesmo, de fato,
17:26todavia, ao longo prazo, porque quem geralmente começa com uso,
17:31quando o indivíduo começa na adolescência, na juventude,
17:35quanto mais cedo o cérebro ainda não está tão maduro.
17:39Então, ele começa a passar por uma transformação e pode dar justamente isso.
17:43atraso na aprendizagem, perda de memória, lapsos de memória e tudo mais.
17:47Um dado importante que eu trouxe para falar aqui hoje
17:49é que, de acordo com o relatório mundial do uso de drogas,
17:53da Organização Mundial de Saúde da ONU mesmo,
17:57estou trocando já com a UOS, mas é da ONU,
18:01de 2019, cerca de 200 milhões de pessoas,
18:04entre idade de 15 a 64 anos, fizeram uso, pelo menos uma vez, de maconha.
18:09E isso é um dado muito grande, porque quanto mais cedo o indivíduo ele começa,
18:14mais atrasos ele pode ter por conta do sistema nervoso central.
18:19Na verdade, Roberta, o uso de droga é um caso de doença, de saúde pública.
18:25Como eu disse, 80% das pessoas que estão presas
18:29estão ligadas direto ou indiretamente com o uso ou tráfico de drogas.
18:33Os nossos presídios do Espírito Santo, a gente tem 37 presídios,
18:37estão todos superlotados.
18:40E eles venderam para a gente, lá em 2006, que eles iam alterar a lei,
18:45que iam aumentar a pena do tráfico de drogas,
18:49que era de 3 anos a pena mínima, passaram para 5 anos.
18:52E de 2006 para cá, eu pergunto isso em sala.
18:55O tráfico de drogas diminuiu?
18:57Não, o tráfico de drogas só aumenta exponencialmente.
19:00Então, na verdade, o que precisa fazer para reduzir esse consumo de droga,
19:06o uso da droga, a venda da droga, não é liberar a droga.
19:10Na verdade, é fazer a aplicação de política pública, lá atrás,
19:13com investimento em educação, saúde, renda, dignidade para as pessoas,
19:18para evitar que elas entrem nesse mundo.
19:20Porque elas entram nesse mundo, são presas,
19:24e a gente está construindo uma pessoa pior.
19:28Porque, ao invés de nós ressocializarmos as pessoas que são presas,
19:32elas saem de lá pioradas.
19:34Por quê?
19:35Porque ficam 12 pessoas num lugar que cabem 4,
19:3923 horas presas, só uma hora fora da cela,
19:43e só ouvindo coisa ruim.
19:45Então, essas pessoas, ao invés de saírem de lá melhoradas,
19:48porque o objetivo de prender as pessoas são 3,
19:50punir, prevenir e ressocializar.
19:52Nós não estamos conseguindo ressocializar essas pessoas.
19:55Então, a gente está só prendendo, prendendo cada vez mais.
19:58Nós somos o terceiro país no mundo em população carcerária,
20:02e nós estamos piorando essas pessoas.
20:04Então, é um negócio muito sério.
20:06A gente precisa voltar os olhos para isso, para saber.
20:08O que a gente faz para diminuir o uso e o tráfico de drogas no nosso país?
20:15Liberar não é o caminho.
20:16Liberar vai aumentar ainda mais esse consumo e tudo mais.
20:20Aumentar a pena, recrudescimento de lei, também não resolve.
20:23O exemplo é isso.
20:24Essa lei que entra em vigor, que está em vigor até hoje, em 2006,
20:28ela tinha o objetivo de reduzir o tráfico de drogas,
20:31e não reduziu, só aumentou.
20:33E olha só, a gente vai ver agora, gente, o depoimento do Ivanilson.
20:36Ele vai contar para a gente como é que foi a história dele com as drogas.
20:40Olha aí, gente, quantos prejuízos isso trouxe para a vida desse senhor.
20:46Quando eu tinha a fase de 13 para 14 anos,
20:49quando eu comecei a fumar o primeiro cigarro,
20:52o primeiro cigarro de maconha,
20:54eu era um adolescente ainda que estudava,
20:56foi aí que começou a minha história a se afundar, a se acabar,
20:59porque eu comecei a reprovar os anos na escolaridade,
21:05comecei a ficar atrasado,
21:06aquilo me atrapalhou muito,
21:08que eu fingia que ia para o colégio, não ia,
21:10eu subia para o morro para fumar maconha.
21:12Foi o pontapé inicial para a minha vida ser destruída.
21:17Desse cigarro de maconha,
21:18a minha vida eu conheci todas as outras drogas,
21:22foi onde eu fui, o fundo do poço.
21:24Hoje eu me arrependo muito,
21:26hoje eu fico muito pensativo,
21:27porque aquele simples cigarro de maconha,
21:30ele me trouxe um prejuízo muito grande.
21:34Sabe o que eu quero chamar a atenção?
21:36Tenho certeza que tem pessoas em casa,
21:38achando alguns relatos assim,
21:40mas isso é um exagero, eu uso só para meu momento de relaxamento,
21:44porque a gente sabe que essa é uma realidade,
21:48mas o que a gente também precisa falar é a porta de entrada.
21:53É importante ressaltar, Roberta,
21:55que o grau de dependência da maconha, de fato,
21:58ela é muito menor do que o álcool e da nicotina.
22:01Todavia, é importante também ressaltar
22:04que em nosso país, o álcool e a nicotina,
22:07ele é legal do ponto de vista jurídico.
22:10Todavia, também tem vários outros danos.
22:13É importante que as pessoas não façam uso dessas substâncias.
22:16Todavia, a maconha, ela também é uma porta de entrada
22:19para diversas outras substâncias psicoativas,
22:21como a já conhecida, como a cocaína,
22:23o crack e diversas outras.
22:25E isso traz vários danos.
22:28Ah, mas eu só faço uso esporádico, só recreativo.
22:33Como o relatório da Organização Mundial,
22:36a ONU, de fato, das Nações Unidas,
22:39ele vem informando que mais de 200 milhões de pessoas
22:42fizeram uso pelo menos uma vez.
22:44E faz uso hoje, as pessoas entendem,
22:46porque a ideia do entender o que é recreativo,
22:49isso é muito subjetivo.
22:50O recreativo, para mim, pode não ser recreativo para o outro.
22:55Fazer uso uma vez e todos os dias,
22:57e depender de fazer uso todos os dias,
22:59isso pode ser considerado, sim, como uma dependência.
23:02Aquilo que me faz ter que fazer sempre é uma dependência.
23:06Então, a gente precisa repensar o que é recreativo,
23:09o que não é recreativo também.
23:10E isso é subjetivo.
23:11A psiquiatra vai falar daqui a pouco sobre isso.
23:13Vamos esperar ela.
23:14Olha só o comentário da Lisandra Oliveira,
23:17o Dr. Rivellino, ela diz,
23:18na verdade, o caso dele repercutiu por ser famoso,
23:21mas é muita gente fazendo isso na frente de crianças,
23:25tanto pai como mãe,
23:26e, infelizmente, repetem os mesmos atos,
23:29mas as autoridades não fazem nada.
23:31Eu vi um menino que aparentava ter uns 14 anos,
23:34e estava usando essas coisas na rua,
23:36e ninguém fala nada.
23:38De que forma que a gente pode,
23:39enquanto sociedade, contribuir,
23:41quando a gente vê crianças replicando essa atitude,
23:45e também, no caso, por exemplo,
23:47de pais que fazem isso na frente dos filhos,
23:49a gente pode, é motivo para a gente acionar,
23:51por exemplo, o Conselho Tutelar?
23:53Claro, e na verdade, assim,
23:55as pessoas podem não saber o telefone do Conselho Tutelar,
23:58para quem ligar.
23:59O caminho é ligar para o 190.
24:01O 190 vai saber o que fazer,
24:03como fazer, como atender, enfim.
24:05E as pessoas precisam se manifestar sim,
24:08quer dizer, se tiver alguém usando droga próximo à sua casa,
24:11você tem que chamar a polícia mesmo.
24:12Não pode usar droga, sabe?
24:15Na verdade, é crime usar droga.
24:17E as pessoas distorcem esse entendimento.
24:20Então, o caminho é chamar o Estado através da polícia 190.
24:24Eu acho que, como cidadão,
24:26todos nós temos o dever de fazer com que a lei seja cumprida.
24:31O grande dos problemas é que nós achamos
24:33que esse papel só compete a polícia e o Estado.
24:35Mas quem é o Estado?
24:37O Estado simplesmente é representante de nós.
24:39Então, quem é que tem que fazer valer a lei?
24:41Somos nós, cidadãos.
24:42Olha só, agora a gente vai ver o relato, gente, do Renato Teixeira.
24:46Ele já foi usuário de drogas, tem dois filhos.
24:49E ele conta também como conversa em casa
24:51sobre esse assunto com os pequenos.
24:54Acompanhe.
24:55Eu tenho dois filhos, né?
24:56Eu tenho um filho de 11 anos e um de 6 anos.
25:00É um assunto que eu trabalho dentro da minha casa,
25:03dentro do meu lar, com os meus filhos.
25:06Preparo os meus filhos.
25:07E, algum tempo atrás, eu achava legal.
25:10Eu achava que eu ia ter meus filhos,
25:13que eles iam crescer e eu fazer uso com eles.
25:16E eu descobri que não, não é isso que eu quero para a vida dos meus filhos.
25:21Não é isso que eu quero.
25:22Eu não quero que um filho meu faça uso de maconha.
25:26Se ele fizer, vai ser por escolha dele.
25:28Pois, informação, ele sempre vai ter estando ao meu lado.
25:33Vou estar preparando ele.
25:34Eu não vou distorcer valores que eu aprendi
25:38lá na infância com a minha mãe, com o meu pai.
25:41E sem falar dos benefícios, que é não usar.
25:45Renato, obrigada mais uma vez pelo seu depoimento aqui no Fala Espírito Santo.
25:49E eu vou ler também, gente, o comentário do Heilon,
25:52que participa com a gente aqui no Facebook.
25:54Ele fala,
25:55a maconha sempre vai ser a porta de entrada para outras drogas,
25:58não importa o que mude.
26:00Perdi muitos amigos por causa dessa droga.
26:03Eu vi uma amiga morrer por overdose, de overdose, por conta de maconha.
26:09Não tenho filhos, mas se um dia eu tiver,
26:11eu nunca vou oferecer um copo de bebida alcoólica,
26:14tampouco cigarro e muito menos maconha.
26:17Pode acontecer isso também, Juliana?
26:19Overdose de maconha.
26:21Que a gente ouve muito relacionado, por exemplo, a cocaína.
26:23A maconha também pode chegar a esse ponto?
26:25Qualquer substância que a gente passa do limite,
26:28que a gente passa daquilo considerado enquanto limite,
26:31ela pode gerar.
26:32Se eu tomo muita água, vai chegar um momento que isso vai exacerbar dentro do meu organismo.
26:37Então, qualquer substância que não faz parte do meu organismo,
26:39que eu coloco excedente, ele pode sim ter alterações.
26:42Tá certo.
26:43Doutor Rivelino, só para finalizar, eu gostaria que você mais uma vez reforçasse,
26:48para quem pensa que,
26:50ah, o uso próprio, para o consumo próprio de maconha, isso é liberado.
26:54Ao contrário do que muita gente pensa, não é.
26:57Não é liberado, a pessoa vai ser presa, vai ser levada para a delegacia,
27:01vai responder a um processo.
27:02Se for condenado, isso vai constar para a vida toda que ela tenha uma condenação.
27:07As pessoas não ficam presas.
27:09As penas são advertência, prestação de serviço à comunidade,
27:13e obrigação de frequentar um curso que tenha ligação com o uso de droga,
27:16com a nocividade, enfim.
27:18As pessoas não ficam presas, mas é crime.
27:20Então, quem é surpreendido com droga para consumo pessoal,
27:23está cometendo um crime, vai ser presa, vai ser levada para a delegacia,
27:27e vai responder a um processo criminal.
27:29Certo, doutor. Obrigada pela sua participação.
27:31Eu que agradeço.
27:32Obrigada também, Juliano.
27:34Quero deixar um beijo aqui no ar para a Libna,
27:36também super querida aqui no Fala Espírito Santo,
27:38trazendo um depoimento também da experiência de vida dela.
27:41Obrigada, viu, gente.