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A discussão é para saber porque os usuários de drogas são capazes de tanta violência para sustentar o vício.
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NotíciasTranscrição
00:00A gente mostrou aqui na TV Vitória o caso do homem que roubou uma porta no terminal de Jardim América
00:06e ele já foi solto pela polícia, mas só que tem um detalhe que chama atenção nesse caso.
00:11É que ele roubou, gente, pra comprar drogas. Olha só o que ele mesmo disse.
00:33Triste, né, gente? Esse caso levanta duas questões.
00:36O que um usuário é capaz de fazer pra conseguir dinheiro pra comprar drogas?
00:42E também a violência que é impulsionada pelo vício.
00:46Então, bora debater esse assunto? Vem cá, senta aí na sua casa, então, onde você estiver,
00:50porque aqui no nosso estúdio eu recebo o Alexandre Brito, ele é psicólogo, e também Mirelle Cardoso.
00:57Obrigada mais uma vez pela sua participação, Mirelle.
01:00Gente, ela já viveu isso na pele e com muita, muita determinação ela superou essa fase.
01:06E vai contar pra gente qual é o sentimento quando você vê relatos como esse que a gente acabou de
01:12mostrar, Mirelle.
01:13Boa tarde.
01:14Boa tarde, Roberta. Boa tarde a todos que estão me escutando.
01:17É uma situação muito triste, porque eu cheguei a viver essa situação de ter que vender, às vezes, muitas coisas
01:23minha mesmo,
01:24pra mim poder estar sustentando o meu vício.
01:27Como eu te falei no programa passado, é uma droga, o crack é uma droga insaciável,
01:33a qual demora de 10 a 15 segundos pra poder estar fazendo efeito,
01:38e é uma vontade insaciável.
01:41Você usa, usa, usa, usa e sempre vai querer mais.
01:44Então, chega o ponto a qual a pessoa não tem mais recurso pra poder estar usando,
01:49aí faz o quê?
01:50Leva a situação desse rapaz a estar fazendo isso, de estar roubando,
01:53porque talvez ele não teria outro recurso de algum bem dele pra poder estar trocando pela droga.
01:58Então, é a hora que, muitas das vezes, as pessoas começam a maquinar.
02:02O que eu vou fazer pra me usar mais?
02:03Aí acaba assaltando, muitas das vezes até a mulher se prostitui pra poder estar consumindo o vício.
02:10E, muitas das vezes, eu posso falar pra você que eu cheguei ao fundo do poço.
02:15Eu vendia várias coisas, até desodorante, perfume, roupa,
02:21tudo que eles me pediam, assim, que via comigo na boca, eu trocava.
02:26Celular eu perdi as contas, quantos que eu vendi pra poder estar usando.
02:30Já cheguei a pegar também alguns objetos de dentro de casa, da minha mãe,
02:34pra poder estar trocando, depois me arrependi muito, entendeu?
02:38E é uma situação na qual a gente vai perdendo, que, pra você ganhar, é uma luta.
02:43Agora, pra você perder, é não estralar de dedo.
02:47E só vai perdendo, perdendo, perdendo, até que chega ao ponto, igual eu falei no programa passado,
02:52que a pessoa vira mendigo, vai pra Cacolândia,
02:55acaba se submetendo a estar virando olheiro, de boca, pra poder estar consumindo o vício.
03:01E quando a pessoa não tem esse recurso, que até muitas das vezes o traficante não confia nesse tipo de
03:06pessoas
03:07que já estão além do limite, ele acaba fazendo isso, roubando aquilo que ele vê oportuno
03:13pra ele poder estar no momento ali, tá pegando, pra poder estar consumindo o seu vício.
03:18Meu Deus, Mirelle, que relato fortíssimo que você trouxe pra gente agora,
03:23de uma pessoa que enfrentou essa realidade, viveu isso na pele.
03:27E tem muita gente em casa agora, acompanhando o programa, falando assim,
03:31não, mas isso é exagero.
03:33Aconteceu isso com ela, ela chegou no fundo do poço, não tô lá ainda.
03:36Você começou com qual droga, Mirelle?
03:38Ó, a primeira que eu experimentei foi a cocaína.
03:42Aí depois usei a maconha e, por último, conheci o crack.
03:46A falar que a maconha é uma droga fraca, não é, não chega nem aos pés o crack e a
03:52cocaína, claro que não.
03:54Mas é igual eu te falei, a bebida é a porta que abre pra cocaína,
03:57pra maconha, enfim.
03:59Droga é droga, né?
04:00Se já falo o nome que é droga, então é droga.
04:04Não existe que é droga pequenininha e droga grandona.
04:07Todas têm os mesmos efeitos e todas vão te trazer os mesmos retornos de prejuízo, entendeu?
04:13Não adianta falar que maconha você gasta menos, tudo.
04:15Tudo você gasta e tudo chega ao ponto que você não vai ter mais condições de estar usando.
04:21Muitas das vezes, igual eu falava, quando eu queria fumar, quando eu tava fumando,
04:25às vezes eu tinha que me humilhar pras pessoas pra me poder fumar um baseado, entendeu?
04:29Aí depois que eu parei, o que veio de bandeja, assim, pra me poder usar, só Deus sabe, não tem?
04:35Então, foi a hora que eu peguei e não quis mais isso pra mim.
04:39Porque ele me trouxe tanto transtorno, eu perdi tantas coisas, perdi a confiança das pessoas,
04:47só não perdi porque Deus foi ainda misericordioso e me alcançou e me ajudou a dar a volta por cima.
04:53Daqui a pouquinho você vai contar pra gente como que essa mulher fez pra superar tudo isso que você acabou
04:58de ouvir aí em casa, viu?
05:00Antes eu quero dar também boa tarde aqui pra Alexandre Brito.
05:03É triste a gente ver relatos como desse homem que a gente mostrou.
05:07A gente enxerga uma luz no fim do túnel com o relato da Mirelle, mas como que a gente pode
05:12ajudar pessoas assim, Alexandre?
05:15Boa tarde, Roberta. E a gente vai vendo, né, o quanto que, no fundo, no fundo, esse é um problema
05:20coletivo, social,
05:21que acaba atingindo direta ou indiretamente todos nós.
05:26Então, de fato, é algo que tem que dar atenção.
05:29Tem que dar atenção, seja uma atenção familiar, que é um apoio fundamental, a família tem a função protetiva,
05:35ou também algumas outras instituições, muitas vezes, igrejas ou algumas organizações, programas sociais também têm função protetiva.
05:44Tem também os aparelhos públicos, né, CRAS, CRES, Conselho Tutelar, se envolver criança, enfim, também são importantes pra lidar com
05:54isso, tá?
05:55O apoio psicossocial, psicológico e assistência social também é fundamental pra gente tentar lidar com isso.
06:03O que eu tô querendo trazer, né, pessoal?
06:04Que isso nunca é só um problema individual, nunca é só aquela pessoa que está usando,
06:10que é um problema dela, ela que tente resolver, mas acaba sendo um problema que vai pra além do individual,
06:17né?
06:17Deixa eu agora convidar a doutora Letícia Mameri, ela é psiquiatra, ela vai participar com a gente,
06:23ela vai contar, né, se é possível, doutora, reverter quadros assim.
06:28Boa tarde, seja bem-vinda ao programa, viu?
06:31Boa tarde, obrigada.
06:33Tô aqui me deslocando por uma outra aula, mas não podia perder a oportunidade, né, Roberta, de estar aí com
06:39vocês.
06:41Então, essa situação da dependência química é uma situação muito, muito complexa, tá?
06:47Porque a pessoa, ela fica com o que a gente fala de estreitamento de repertório.
06:54O que que significa isso?
06:55Ela só pensa na droga, só pensa na droga.
06:59Então, até pra gente conseguir auxiliar...
07:02A gente perdeu o áudio da doutora Letícia Mameri.
07:05Doutora, tá me ouvindo?
07:07Oi, eu tô te ouvindo.
07:08Ok, agora pode continuar, agora voltou pra gente seu áudio.
07:12Então, essa diminuição do repertório, esse estreitamento, né, do repertório,
07:17que faz com que as pessoas pensem só na droga.
07:20Ela pensa 24 horas por dia na droga.
07:24Isso faz com que ela tenha uma consciência diminuída.
07:29Então, essa pessoa, ela sabe o que ela tá fazendo, mas ela não sabe,
07:34ela não tem controle sobre aquilo, é uma doença, né?
07:37Então, o ideal pra esse grau de dependência é uma internação pra desintoxicação.
07:45E aí, você traz a pessoa consciência pra ela escolher realmente fazer o tratamento.
07:55Muito dificilmente a gente consegue tirar uma pessoa da rua naquela situação que ela tá e desintoxicar ela em casa,
08:04por exemplo.
08:05Isso a gente sabe que é o que acontece, mas é muito difícil.
08:08Por isso que a gente tem um número muito grande de pessoas em situação de rua com dependência química.
08:16E essa internação, o fato dela ser compulsória, não isso faz diferença no efeito do tratamento no resultado final, doutora?
08:26Então, com a pessoa nessa situação que ela tá, é importante a gente frisar que as internações compulsórias, elas têm
08:33que preencher critério.
08:35Tá?
08:35Então, não é uma coisa sem critério de qualquer forma, ela tem que preencher critério.
08:42Então, preenchendo os critérios pra internação compulsória, ela é muito eficaz.
08:47Porque, assim, a ideia da internação compulsória não é que a pessoa vai internar e nunca mais ela vai fazer
08:55o uso da droga porque ela foi internada.
08:59Não.
09:00É você desintoxicar essa pessoa, fazer com que ela volte a ter consciência sobre ela mesma.
09:07E, a partir daí, ela conseguisse submeter a um tratamento ambulatorial, no CAPES, no CAPES-AD.
09:16Porque, da forma com que essas pessoas estão, muito dificilmente a gente consegue esse resultado.
09:23Então, o que a gente precisa falar agora, que nesse exato momento é, famílias que estão enfrentando esse drama, é
09:30que precisam, sim, buscar ajuda.
09:33Dificilmente a pessoa consegue sair dessa sem esse tipo de suporte que a gente está aqui falando, né?
09:39Isso mesmo.
09:40E, assim, sem conseguir auxílio nesses locais, né, que o colega aí citou, eu recomendo procurar o Ministério Público.
09:53Porque tem a política de álcool e drogas, é uma política válida desde 2019, a nova política.
10:00Lá é bem, deixa bem claro os direitos que a gente tem como cidadão e usuário do SUS.
10:07E, se a gente não conseguir ir...
10:10A gente perdeu a conexão...
10:12De maneira administrativa, na Prefeitura...
10:14Vocês estão me ouvindo?
10:16Estão.
10:17Estão me ouvindo?
10:17Estou.
10:18Tá.
10:19Se não conseguir isso de maneira administrativa pelas Prefeituras, eu recomendo que seja procurado o Ministério Público.
10:27Tá certo, doutora.
10:29Nós agradecemos sua participação aqui no Fálio Espírito Santo.
10:32Você que está com a agenda hoje apertada, está indo para um curso, né?
10:35Obrigada por estar aqui falando com os nossos telespectadores, mesmo diante da vida corrida, viu?
10:40A gente agradece.
10:41Obrigada.
10:42Um beijo.
10:43Beijo.
10:44E a gente continua esse debate aqui no nosso estúdio.
10:46Mirelle, de tudo isso que ela falou, o que você buscou como ajuda para dar a volta por cima?
10:52É, primeiro eu procurei o tratamento ambulatorial, como a psiquiatra falou.
10:58Tive atendimento também com psiquiatra, com psicólogo.
11:01Eu ia uma vez por semana, até recomendo na APAD, em Vila Velha.
11:05É uma clínica terapêutica que ela trata pessoas sem você precisar de internação.
11:12E eu cheguei ao ponto que eu conversei com a minha psicóloga.
11:15Eu falei com ela assim, ó, se eu não conseguir dessa forma, eu quero que vocês me internam.
11:20Eu preciso de internação, que foi quando eu cheguei a um ponto que eu vi que eu não estava conseguindo,
11:24fazendo tratamento, cheguei a tomar remédio também, para poder estar desintoxicando, tirando do organismo.
11:30E fazia acompanhamento com ela.
11:32Todas as quinta-feiras eu tinha consulta com a psicóloga, para poder estar falando como é que estava indo o
11:36meu andamento
11:37com a consulta e com o remédio que eu estava tomando.
11:39Isso te fortalecia?
11:41Sim.
11:42O psicólogo, eu costumo dizer que a gente tira um peso da gente e coloca nas costas deles.
11:47Entendeu?
11:49E depois, aí como que eu não estava conseguindo, eu peguei e o que eu fiz?
11:54Falei com ela, ó, doutora, eu não estou conseguindo sozinha, entendeu?
11:57Eu preciso de internação.
11:59E ela sempre falava comigo, Mirelle, se você não conseguir desta forma, você precisa se isolar.
12:05E realmente, às vezes a gente precisa se isolar, por mais que a gente goste da pessoa que a gente
12:10anda,
12:10até mesmo de pessoas que estão do nosso lado.
12:12A gente tem que abrir mão, entendeu?
12:14Porque é igual a psiquiatra falou, é uma doença, não é uma falta de vergonha na cara, como eu falei
12:20da outra vez.
12:20Não escolhe classe média ou cor, não escolhe.
12:24Isso é coisas...
12:25Eu penso assim, que às vezes tem até que acontecer com a nossa vida para hoje eu poder estar aqui,
12:31testemunhando, né?
12:32Que tem jeito para isso, entendeu?
12:35E eu fiquei 15 dias lá na clínica também, foi o máximo que eu consegui ficar.
12:40E que eu vi também que não era aquilo, entendeu?
12:44Foi quando eu falei que quando eu tinha que encarar a realidade era aqui fora, porque dentro da clínica não
12:49vai ter droga.
12:50Mas para muitos casos de várias pessoas que precisam, que já estão muito, entendeu, naquela situação,
12:56porque até mesmo eu não usava todos os dias, entendeu?
13:00Mas um dia que eu usava, eu usava para todos os dias que eu não tinha usado.
13:03Agora, Alexandre, tem um detalhe que chama bastante atenção,
13:06é que as famílias que enfrentam esse drama já tentaram conversar, já tentaram dialogar, já mostraram, já filmaram.
13:15Olha aqui, meu filho, olha aqui, meu neto, como é que você fica, você precisa mudar.
13:18Por que que é como se a família não tivesse feito nada?
13:22É o sentimento de impotência para a própria família que vai adoecendo junto, né?
13:27É, é importante que a família saiba que ela tem um limite também para esses casos.
13:32É importante que a família saiba que ela é incompleta também.
13:36Ela não consegue, né, resolver tudo sozinha, ou lidar com uma situação que ela vai precisar de uma ajuda profissional.
13:44Então, esses limites da família são fundamentais.
13:48Então, se a família está percebendo que ela não consegue, né, Roberta, avançar, não está tendo bons resultados,
13:54e às vezes até achando que é algo que depende da vontade da pessoa que está com a dependência,
14:00acaba cobrando de uma certa forma, ou colocando a pessoa em uma situação em que ela não consegue corresponder,
14:07e às vezes acaba até agravando um, que sem querer, né, não é algo intencional da família piorar,
14:15mas pode agravar essa cobrança interna, essa angústia cresce, e você acaba se aproximando de novo de quem?
14:21das drogas, porque ela vai trazer, de alguma forma, efeitos, que quem, em geral, faz o uso da droga,
14:30é como se procurasse aquele primeiro efeito que ela causou, que em geral não era um efeito danoso,
14:36na sua primeira vez que experimenta, mas vai se tornando danoso cada vez mais,
14:41e a família, sabendo os seus limites, que ela procure uma orientação,
14:46e que ela não só dependa, assim, da vontade de melhorar o outro,
14:51porque nem sempre o amor é suficiente para curar, para levar para algo que vá tirar da dependência,
14:58mas o amor vai mostrar um caminho e vai dar apoio esse tempo todo,
15:02para que você consiga tratar isso da melhor forma possível.
15:06O amor foi fundamental? Você recebeu amor?
15:11Foi importante para você, Mirelle, para você dar a volta por cima?
15:15Olha, Roberta, o amor mesmo que eu tinha, mesmo, era da minha avó, que eu perdi,
15:21que tem, agora faz oito meses, e da minha mãe.
15:25Eu via o desespero dela, só que eu não conseguia expressar aquilo que eu estava sentindo.
15:32Igual, às vezes, eu chegava para ela e falava,
15:33mãe, você acha que eu estou usando droga porque eu quero?
15:36Quantas vezes, Roberta, dentro do meu quarto, eu usava e clamava a Deus,
15:41Senhor, eu não aguento mais essa vida, eu não quero mais.
15:43E, automaticamente, era uma força maior dentro de mim que fazia,
15:47eu ia atrás, tinha dia que eu falava, hoje eu não vou usar.
15:50Aí, automaticamente, vinha, muito fácil na minha vida.
15:54Então, várias vezes, eu sei, eu sei que muitos que estão nessa vida,
15:58usa, mas não quer, só que já não tem mais força para poder sair dessa vida, entendeu?
16:04Não é tão fácil, ah, eu sou a super-homem, a Mulher Maravilha,
16:08eu vou parar hoje, acabou, eu não quero mais usar.
16:10Não existe isso.
16:11Se fosse assim, ninguém usava droga.
16:13Você acha que um médico que caiu na merda, que perdeu tudo,
16:16você acha que ele quer continuar naquela situação?
16:18Ele olha lá para trás a vida dele, como é que era.
16:21E olha o estado que ele está hoje.
16:22Você acha que isso é um prêmio para ele, de chegar àquele nível?
16:26Não é.
16:27É uma hora que a pessoa já não tem.
16:28Eu falo, eu, Mirelle, eu não tinha força para mim poder ir.
16:34Muitas vezes eu pedi ajuda de tias, só que foi quando todo mundo virou as costas para mim,
16:39que foi a hora que eu falei, não, eu tenho que fazer alguma coisa.
16:42Qual foi o start que aconteceu que você, a partir de agora, vou dar um jeito?
16:47Ah, eu já tinha perdido tudo.
16:48Eu olhava assim, meu guarda-roupa, às vezes eu não tinha nem desodorante mais para mim poder usar,
16:53que até o desodorante eu já tinha trocado por droga.
16:55Meu irmão, eu louvo a Deus pela vida dele também, que ele cansou de pagar a dívida de droga minha.
17:01Eu ligava para ele desesperadamente, até ex-patrão meu, entendeu?
17:06E foi uma hora que todo mundo começou a falar não, não, não.
17:09E meu irmão ficou numa revolta tão grande que ele falou, enquanto que eu te dizer sim, você não vai
17:14parar.
17:15Entendeu?
17:15Então, muitas das vezes, isso foi bom para mim.
17:18Hoje eu louvo a Deus por muitas pessoas ter virado as costas para mim, ter falado não,
17:23que foi onde me deu força para me poder pegar e tentar reagir de alguma forma, entendeu?
17:29Falei, agora ou eu morro, ou eu consigo, ou acabou, entendeu?
17:34Alexandre, a Jussara Brás, inclusive telespectadora Cida do Fala Espírito Santo,
17:39beijo especial para você, Jussara.
17:40Ela quer saber se a dependência química também tem fator genético.
17:44Existe essa influência?
17:45Olha, pode haver, se tiver sim, situações na família, em que pode ter a presença da droga,
17:56uma certa influência da droga, né?
17:59Não necessariamente genético enquanto genes, mas de genético enquanto aquilo está presente
18:06por meio de uma família, de uma herança, de ver e acompanhar talvez alguém que fuma um cigarro,
18:14alguém que acaba tendo um vínculo com alguma outra droga também.
18:19Algumas crianças muitas vezes acabam vendo, né, assistindo o uso.
18:22Mas a predisposição pode ter um fator genético, né?
18:26É tudo junto.
18:27É fator psicológico, social e corporal, vamos dizer assim, para quem está assistindo.
18:32É tudo junto, né?
18:33Não dá para dizer que é uma coisa só.
18:36Não posso dizer que só o fator genético é fundamental.
18:39Então, eu tenho uma predisposição, eu vou usar.
18:42Isso não existe.
18:44Existem sempre vários elementos juntos, tá, pessoal?
18:47Então, o fator social, o ambiente que você vive, o bairro que você mora,
18:51os lugares que você frequenta, as pessoas que você tem acesso,
18:56mais os fatores psicológicos, como está a sua condição psicológica hoje,
18:59como está a sua saúde mental, mas também essa questão corporal.
19:04Pode tudo isso, que é a genética, em conjunto, tá, Roberta?
19:08E a gente sabe que o crack é uma das drogas mais pesadas que tem.
19:12E ela pode causar essa dependência de forma muito rápida, né?
19:16Assim, há relatos de apenas uma única vez que a pessoa faz uso do crack,
19:21ela já se torna dependente.
19:22Existe isso mesmo, Mirelle?
19:25Olha, a primeira vez que eu usei, eu gostei muito, que, no entanto, eu quis mais.
19:31Aí, depois, eu fiquei um tempo sem usar, que até mesmo, como o psicólogo falou,
19:36faz parte da convivência de a gente estar vendo pessoas, estar usando,
19:41ou você andar com o tipo de pessoas que usa.
19:44Isso influencia muito, entendeu?
19:46Porque, até mesmo, que para você poder ter acesso, você tem que ter o conhecimento de onde tem,
19:52de quem está usando.
19:54Então, infelizmente, eu tive esse acesso, entendeu?
19:58Então, foi uma coisa que eu gostei, a reação foi boa.
20:02Falar para você que é ruim e que não é.
20:04E só que é ruim, assim, as consequências que traz para a nossa vida, para a nossa saúde,
20:10para a sociedade, até mesmo para as pessoas que amam a gente.
20:14Mas, a convivência influencia muito, como o doutor falou.
20:17E foi isso que me levou, até que chegou um ponto que eu já estava viciada mesmo,
20:21eu já nem queria me envolver com ninguém.
20:23Eu pegava droga, às vezes usava em casa, ou às vezes, com medo da minha mãe ver,
20:28ia para a rua e ficava até de manhã cedo, pela rua fora usando,
20:33em ponto de correr vários riscos.
20:35E a droga já nem me dava mais prazer, me dava, já estava me dando pânico,
20:39eu já estava ficando louca.
20:41Alexandre, para quem está agora acompanhando o programa, para a gente finalizar o assunto,
20:46famílias desesperadas, não sabem mais o que fazer, o que você deixa como orientação?
20:52É sempre importante que, quando você não sabe o que fazer, você assumir essa impotência.
20:56Em segundo lugar, lidar com os preconceitos, porque algumas famílias têm vergonha de falar disso,
21:03e assim, evitam conversar sobre esse assunto, só que o preconceito e a vergonha só levam ao pior.
21:09É verdade.
21:09O preconceito mata, isso é importante que a gente frise.
21:13Em terceiro lugar, que você consiga procurar uma ajuda profissional de alguém da saúde,
21:18um assistente social, um psicólogo, um psiquiatra.
21:21Se você tiver, talvez, facilidade de acesso a qualquer um desses profissionais e não souber o que fazer,
21:27pergunte, porque ele vai te mostrar os caminhos, quais são os aparelhos públicos que nós temos à disposição hoje,
21:33quais são os caminhos que podem tomar, e isso é fundamental para a família.
21:38Então, família, não deixe de falar sobre isso.
21:40Tá certo. Obrigada pela participação de vocês aqui no Fala Espírito Santo.
21:44E para você, Mirelle, sempre a minha admiração, porque você conseguiu superar,
21:49e você está sempre firme e forte a cada dia.
21:53Parabéns, viu?
21:53Porque você está aqui dando hoje esse relato incrível para os nossos telespectadores.
21:57Volte sempre, tá?
21:58Tchau, tchau.