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  • há 3 semanas
ES já registrou mais de mil denúncias de violência contra idosos em 2023

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Notícias
Transcrição
00:00Agora a gente segue o programa chamando a sua atenção, porque hoje, minha gente, é o dia mundial de conscientização
00:06sobre a violência contra a pessoa idosa.
00:09E muita, muita gente precisa se conscientizar mesmo, viu?
00:13Segundo os dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado, nos primeiros cinco meses desse ano,
00:19foram registradas 749 crimes de ameaça, 301 casos de lesão corporal, 15 casos de maus tratos e 10 casos de
00:29abandono de incapaz.
00:32Já no ano passado, no mesmo período, foram registradas 24 ocorrências de maus tratos e dois registros de abandono de
00:39incapaz.
00:40Na verdade, existe aí uma comparação desse período desse ano com o ano passado, um aumento de 115 ocorrências a
00:47mais neste ano.
00:49E a gente sabe que esse número está muito longe de ser uma realidade. Por quê? Por quê?
00:56Quantos casos acontecem e fica ali, ó, entre quatro paredes, o idoso se cala, sofre com aquilo, não conta para
01:04ninguém mais da família.
01:06Ou então, quando conta, esse assunto fica velado. A gente precisa mudar essa realidade. Vem cá.
01:12Vamos bater um papo muito importante aqui no nosso estúdio. Eu recebo a delegada Milena Girelli.
01:18Muito obrigada, doutora, pela sua participação. Uma boa tarde. Seja bem-vinda.
01:23Daniela Sampaio, psicóloga. Obrigada também, Dani, pela sua presença, sua contribuição para esse assunto tão importante.
01:30E a Josiara, que há pouco mais de um ano, ela perdeu o avô, foi vítima dessa violência.
01:37E ela vai contar para a gente o que aconteceu no dia 24 de abril do ano passado.
01:42Josiara, obrigada pela sua participação.
01:45Então, boa tarde. Eu que agradeço. Não é dia 24, é dia 29.
01:50Perdão, dia 29, fazendo essa correção.
01:52É, dia 29 foi o dia que eu vi o meu avô, né, ser assassinada a faca usadas.
01:59E foram cenas terríveis.
02:03E o triste disso tudo é a pessoa que cometeu. Era um membro da família.
02:09É, infelizmente, né, infelizmente é primo meu.
02:12E queria dinheiro para poder usar droga, né, e meu avô não queria dar.
02:17E acabou que ele fez o que fez.
02:19Se encontra preso, só que a mãe ainda está alegando que ele tem problema psicológico.
02:24E aí está pela justiça.
02:26Como que era a relação do seu avô com esse primo?
02:31Sempre foi de agressões.
02:32Sempre ele já agrediu meu avô outras vezes.
02:34A gente chamava a polícia, a polícia ia, intervia, mas nunca passou disso.
02:39Até que no dia que a gente ligou realmente, que foi no dia 29 que estava acontecendo,
02:44a gente chamou a viatura.
02:46A viatura foi, só que ainda demorou um pouco, né, mas foi.
02:50E aí foi a tragédia que já tinha feito.
02:53Doutora, a gente vê aqui um relato muito triste.
02:56E a gente sabe quantos casos também acontecem, estão acontecendo nesse momento.
03:01A família até tenta intervir, chama a polícia.
03:04E qual é a realidade desse idoso, né?
03:08O que está por trás, geralmente, da maioria desses casos?
03:12Boa tarde.
03:12A realidade é que, na maioria das vezes, são pessoas que ele ama muito.
03:18Então, a dificuldade da vítima de denunciar é muito grande.
03:23Por isso que é tão importante dar, né, essas entrevistas, ter informação,
03:28para que as pessoas sintam confortáveis de fazer a denúncia.
03:31Porque a vítima mesmo, quando ela vai à delegacia,
03:35dificilmente ela denuncia o filho, o neto,
03:38porque são pessoas que ela ama muito.
03:41Então, quer dizer, a pessoa vai até a delegacia,
03:45e chegando lá, como que...
03:47Qual o estado emocional desse idoso?
03:50Ela pede ajuda.
03:51Então, assim, no caso do seu primo, que era usuário, né,
03:55então ela quer que a gente providencie um tratamento,
03:58uma internação compulsória,
04:00para aquele usuário de droga, de álcool,
04:02e não necessariamente quer que ele responda pelo crime que cometeu contra a vítima idosa.
04:06Ela quer ajuda.
04:08Por isso que hoje, nas delegacias, a gente tem assistente social.
04:12Porque, lógico, se a pessoa cometeu um crime,
04:14ela vai responder por esse crime.
04:16Só que não é só isso que aquele idoso precisa da gente.
04:20Às vezes precisa de orientação,
04:22precisa de encaminhamento para um psicólogo,
04:24precisa de encaminhamento para outras instituições,
04:27que agora, com assistente social, a gente está fazendo também.
04:30E quando a gente diz violência contra o idoso,
04:33é claro, quando a gente fala a palavra violência,
04:34a primeira cena que vem à nossa mente é a agressão física.
04:38Mas nem sempre ela começa dessa forma, né, Dani?
04:41Boa tarde.
04:42Boa tarde, Roberta.
04:43Nem sempre, e quase nunca, eu diria.
04:45Normalmente começa pela agressão psicológica, né?
04:49Tem a agressão financeira também, que comete, né?
04:52Eu percebo, quando eu trabalhava com a pessoa idosa, assim,
04:55é interessante ouvir o relato deles lá na prática,
04:58porque você tem muita razão.
04:59Eles não querem, não sei nem se a palavra é só,
05:02não querem denunciar, mas às vezes não querem nem acreditar.
05:04Porque assim, ah, meu cartão fica com meu filho,
05:07mas não, mas tudo bem, não tem problema.
05:08E você tem acesso, você sabe quanto você recebe?
05:10Eu não sei, não, mas deixa que ele cuida.
05:12Então, às vezes, não se dá conta.
05:14Essa é a importância de um dia como hoje
05:16e de um mês como esse, onde a gente trata disso,
05:18porque é justamente conscientizar e entender
05:21que não existe só violência física, né?
05:23A violência psicológica é muito grave.
05:25E aí, Roberta, eu costumo dividir em três,
05:28três blocos, assim, eu falo que existe a pessoa
05:31que comete a violência por maldade,
05:32porque ela quer se sentir superior a uma pessoa
05:35que, de fato, naquele momento, naquela situação, é inferior, né?
05:40Então, existe essa pessoa.
05:41Existe a pessoa que, a gente já comentou aqui uma vez,
05:44que ela entende que, por vezes, ela está cometendo uma violência,
05:48mas ela não consegue se segurar.
05:50E tem gente que pede ajuda, eu quero ter mais paciência, eu quero.
05:53Então, existe esse tipo de pessoa,
05:55mas existe também a pessoa, e eu falo o bloco de pessoas,
05:59que não se dá conta que aquilo ali que ela está fazendo é uma violência.
06:03Então, em qual sentido?
06:04Às vezes, eu coloco essa pessoa idosa numa posição de incapaz.
06:07Então, assim, não lava nada, não.
06:09Você não vai conseguir.
06:10Não precisa de você...
06:11Às vezes, eu sinto que tem familiar, na época quando eu atendi,
06:15que ele entende isso como proteção.
06:17Então, novamente, essa é a importância de conscientizar.
06:19Eu preciso entender e ouvir do idoso, da pessoa idosa,
06:23o que, de fato, ela é capaz, o que ela se sente confortável em fazer.
06:26Porque, às vezes, ela quer lavar uma louça.
06:29Às vezes, ela não dá conta, mas, às vezes, ela quer.
06:31E aí, eu coloco ela nesse lugar de incapaz,
06:33o que acontece?
06:34Ela vai ficando cada vez mais retraída.
06:36Uma pessoa retraída tende a se entregar mais para a depressão
06:39e para ficar mais quieta, enfim.
06:40Quando eu coloco aquela pessoa no lugar de ativa,
06:44eu dou a possibilidade para ela fazer o que ela entende que ela dá conta.
06:47Josiara, a Daniela apontou ali as outras formas de violência, né?
06:52Quando acontece também, às vezes, a violência psicológica,
06:55a violência patrimonial, que vai acontecendo com o idoso,
06:58vai pegando dinheiro.
07:00Começou dessa forma com o seu avô?
07:02Como é que foi?
07:03Sim, tudo o que ela falou foi começado desse exato momento mesmo.
07:08Ele vivia falando, ele já ameaçava também o meu avô.
07:12Antes dele começar a agredir, ele já ameaçava.
07:15E aí, ele sempre sabia o dinheiro do pagamento do meu avô certinho.
07:19Até hoje, ele sabia.
07:20E aí, ele queria que meu avô fosse com ele até o banco
07:23para poder sacar o pagamento do meu avô.
07:25Entendeu?
07:25Todo mês era isso.
07:27E, às vezes, meu avô saía que nem às vezes nem a gente mesmo via.
07:30Mas era porque ele estava indo no banco,
07:32porque o infeliz queria o dinheiro.
07:34Seu avô ia até, digamos assim, escondido da família
07:37para evitar confusão.
07:38Para poder evitar confusão entre todo mundo.
07:41E a gente sabe que é assim que as pessoas agem, Dani?
07:45Pessoas da família, pessoas que a gente menos espera,
07:48as pessoas que amam, estão naquele contexto,
07:50naquele ambiente familiar.
07:51Exatamente.
07:52E, assim, de modo nenhum, Roberta,
07:54a gente sempre fala aqui, né?
07:55De modo nenhum a gente vai culpar a vítima.
07:57Mas, como a gente está falando que é para a gente alertar,
08:01que a gente alerte a família para que tenha atenção nesses casos,
08:04porque, por vezes, a gente consegue perceber uma mudança de comportamento.
08:08Então, às vezes, um idoso que era mais ativo,
08:10mais brincalhão, fica mais quieto.
08:12Ou, ao contrário, ele era muito tranquilo e está muito agitado.
08:15Volto a repetir, a culpa nunca é da vítima, não é da família.
08:18Mas, se temos aqui a oportunidade de tentar fazer esse alerta,
08:22que a gente, enquanto família e também enquanto sociedade,
08:25enquanto vizinho, enquanto aquela pessoa que está ali vendo,
08:28a gente já falou aqui uma vez, né?
08:30Se você não tem certeza, não sei se você pode explicar melhor,
08:33mas, assim, denuncia, chama alguém para verificar,
08:36para ver o que está acontecendo,
08:37porque, talvez, se a gente esperar for ter certeza,
08:41aí pode ser tarde demais.
08:42É importante tocar nesse assunto,
08:44porque quem está do lado de fora,
08:46às vezes, um vizinho, doutora Milena,
08:48não tem certeza se chegou ali as vias de fato,
08:52mas está ouvindo uma gritaria estranha.
08:56Como que a pessoa deve agir nessas horas?
08:59Na dúvida, a gente entra em contato com a polícia?
09:01Eu sempre falo que sim.
09:04Na dúvida, não pegue por omissão, né?
09:06Se não tiver nada, se Deus quiser, vai ficar por isso mesmo.
09:10Mas e se tiver alguma coisa?
09:12Aí vai chegar ao ponto de um homicídio?
09:14Então, às vezes, são situações pequenas que podem ser resolvidas rapidamente,
09:18logo que estão denunciadas,
09:21e por falta da denúncia, cresce.
09:24Cresce ao ponto de não ter volta, né?
09:26Tem gente que tem medo de denunciar,
09:28e fala assim,
09:28Ai, meu Deus, como é que vai ficar a minha imagem?
09:30Será que vai ser realmente uma denúncia anônima ou não?
09:34Porque se está acontecendo ali na casa deles,
09:36depois essa pessoa vai vir aqui em casa também,
09:39vai me cobrar isso.
09:39Como é que funciona esse anonimato?
09:41Não é que as pessoas tenham medo mesmo, né?
09:44De não querer se envolver nessas situações de violência.
09:47Mas faça a denúncia pelo Disque 100, pelo 181,
09:51que tem um anonimato garantido.
09:53Garantido, né?
09:54Garantido.
09:54Não tem mesmo possibilidade de não tê-lo.
09:59Agora, Júciara,
10:00das vezes que vocês chamaram a polícia,
10:03qual foi o comportamento do seu primo logo depois?
10:07Ele acalmava?
10:08Seu avô conseguia ter dias de paz ali na casa?
10:11Ou não?
10:11Nunca mais teve?
10:13Não, nunca mais conseguia, não.
10:15Mesmo com a presença da polícia?
10:16Mesmo com a presença da polícia.
10:17Aí mesmo que cada vez ele ficava pior.
10:20Cada vez que a polícia vinha, ele ficava pior.
10:22Às vezes meu avô vinha,
10:23a gente chamava,
10:24dizendo que ele estava dando surto.
10:26Meu avô vinha,
10:27a gente chamava a polícia,
10:28meu avô subia lá em casa,
10:29me avisava,
10:30chamava a polícia,
10:31vinha a ambulância,
10:32levava ele para o hospital,
10:33ele voltava mais agressivo.
10:34Sempre teve esse caso.
10:36É tanto que no dia,
10:37como ela disse,
10:38das gritaria,
10:39as vizinhanças,
10:40todo mundo vendo,
10:41eu que tive que colocar a cara
10:43para poder chamar a polícia.
10:45O que que explica isso, Dani?
10:47A gente não consegue,
10:48fica difícil, né?
10:49A gente entender aquela pessoa
10:50que participou ativamente
10:53da sua educação,
10:54da sua criação,
10:55a gente está falando no caso aqui do avô,
10:57sempre conviveram juntos,
10:58desde criança.
10:59Desde criança,
11:00inclusive era o meu avô
11:01que matava a fome,
11:02todos eles,
11:02com a aposentadoria dele.
11:04O que que explica
11:05essa revolta,
11:06esse sentimento?
11:07Que triste, né, Roberta,
11:09a gente falar disso assim,
11:10mas é importante,
11:11porque eu já atendi agressores,
11:14né?
11:14E o que eu percebo,
11:16o que eu pude perceber é,
11:17é mais fácil, né?
11:18Além de ser uma pessoa
11:20altamente vulnerável,
11:21pensa,
11:22para eu ir à rua,
11:23fazer um assalto,
11:24eu estou muito,
11:25assim,
11:26mais sujeito a alguém
11:27me denunciar,
11:28a eu ser pego
11:29do que dentro de casa,
11:30que eu sei
11:31que,
11:32além dessa fragilidade,
11:34ele tem menor possibilidade
11:36de me denunciar,
11:37visto que
11:37eu sei que ele me ama,
11:39eu sei que eu sou importante
11:40para ele.
11:40Então,
11:41eu penso que
11:42esse pensamento
11:43dessas pessoas,
11:44principalmente de jovens,
11:45assim,
11:46é isso,
11:46assim,
11:46é essa facilidade
11:47e essa segurança
11:48que eles sentem
11:49em praticar isso
11:50dentro da própria casa.
11:51A Clara Campos
11:52participa com a gente
11:53aqui no Facebook,
11:54beijo para você,
11:55Clara,
11:55obrigada,
11:56viu,
11:56pela sua contribuição.
11:58Ela disse,
11:58essa matéria é muito triste
11:59porque todos nós
12:00vamos um dia envelhecer,
12:02sinceramente,
12:03difícil mesmo,
12:04porque isso acontece
12:04em qualquer nível
12:05de classe,
12:07não se engane.
12:08E ela quer aproveitar
12:09e deixar uma pergunta
12:10aqui para a delegada,
12:11ela quer saber
12:11se prescreve
12:13esse tipo de crime,
12:15doutora.
12:15Às vezes o idoso
12:17sofreu isso
12:17há muitos anos
12:18e talvez agora
12:19a família
12:20está se dando conta
12:21do sofrimento
12:22que se causou
12:23na vida dele.
12:23Sim,
12:23alguns crimes
12:24se prescrevem,
12:24sim.
12:26Então,
12:26você conseguiria dizer
12:28aqui para a gente
12:28quanto tempo nesse...
12:30Depende do caso a caso.
12:31Lembrando, sim,
12:32que no Estatuto
12:32da Pessoa Idosa
12:33os crimes
12:34têm penalidades menores,
12:36então são muito baixos.
12:37E no Código Penal,
12:39não,
12:39que aí a gente vai
12:40percorrer
12:41de acordo com o código.
12:42Mas tem prescrição, sim,
12:44por isso que é importante
12:46denunciar.
12:48nem vamos pensar
12:49em prazo, não.
12:50A verdade é que o prazo
12:51ele é perigoso
12:52para o idoso,
12:53o tempo, né?
12:55Então, realmente
12:56na dúvida
12:56é procurar
12:57uma instituição,
12:58não precisa nem
12:59ser a delegacia, não.
13:01Vai num CREAS,
13:02num CRAS,
13:03em qualquer instituição
13:05mais próximo de você
13:06que você se sinta
13:07mais confortável,
13:08porque às vezes
13:08é difícil realmente
13:09ir numa delegacia.
13:11A delegacia
13:12ou quem frequenta
13:13são os piores problemas
13:14naquele momento
13:15de muito problema.
13:16mas faça denúncia
13:17em outros canais
13:19que ela vai vir
13:21um relatório para a gente
13:22e a gente vai procurar.
13:24E são penas diferentes, né?
13:25São penas diferentes.
13:26Para cada situação, né?
13:27E lembrando,
13:28igual você,
13:29quando você falou
13:30sobre as estatísticas
13:31dos crimes,
13:32a verdade é que às vezes
13:33acontecem vários crimes
13:35ao mesmo tempo
13:35e o registro foi só
13:36a respeito de um.
13:38Então, o registro
13:39foi só de maus tratos,
13:40só que ali tem
13:41outras situações
13:42de negligência,
13:44de violência física.
13:45entendeu?
13:46Porque no registro,
13:47muitas vezes,
13:48se for a vítima,
13:49ela vai diminuir
13:50o seu problema.
13:52Entendeu?
13:53E sem contar
13:53o psicológico
13:55desse idoso
13:56a partir do momento
13:57que ele passa
13:58a sofrer
13:59esses maus tratos, né?
14:01Como é que ficou
14:02o psicológico
14:03do seu avô
14:04depois da primeira vez
14:05que ele foi
14:07violentado,
14:08seja o psicológico, né?
14:10Até mesmo patrimonial.
14:11Quando tudo isso começou,
14:12o que você percebeu
14:14de lá pra cá
14:15da mudança
14:17de comportamento
14:17do seu avô?
14:19Então, até então,
14:20ele não gostava mais
14:21de ficar dentro de casa,
14:23ele não gostava
14:24de ficar dentro do quintal, né?
14:25Ele não gostava,
14:27ele só vivia
14:27praticamente lá em casa,
14:29vivia lá no beco
14:30e assim,
14:31ele falava mesmo
14:32que a partir desse momento
14:33acabou o menino
14:34como neto,
14:35que ele não gostava
14:36mais do menino,
14:37que não sei o quê
14:37e vivia falando.
14:38Aí a gente sempre falava
14:40com ele,
14:40mas por que você não
14:41viaja um pouco,
14:42vai sair um pouco?
14:43Ele falou,
14:44o quintal é meu,
14:45quem comprou fui eu,
14:46eu só vou sair daqui
14:46no dia que fosse morto.
14:48E foi o dia
14:48que ele saiu morto.
14:51Ele chegava
14:51a expressar
14:52o medo
14:53que ele tinha
14:55desse neto?
14:56Sim, sim.
14:57Ele falava
14:58até então
14:58que quando foi
14:59na parte da manhã
15:00o assassinato aconteceu
15:01à tarde,
15:02quando foi pela manhã
15:03ele tinha me falado,
15:04eu tô aqui no beco hoje.
15:05Eu falei,
15:05por que você tá no beco?
15:06Ah, porque ele falou
15:07que hoje ele vai me matar.
15:09Ele já tinha falado
15:10pra mim pela manhã,
15:11umas nove horas da manhã.
15:12Aí eu disse,
15:13ele falou que vai te matar?
15:13Vai, ele falou que vai me matar.
15:14E realmente,
15:15dois dias antes
15:16ele tava amolando o facão,
15:18no mesmo dia da cena
15:19ele continuou amolando o facão
15:20e a gente não acreditava
15:22que aquilo ele iria fazer mesmo.
15:24E vivia falando, né?
15:25Até então
15:25ele comprou uma luva preta
15:26e colocou nas mãos,
15:28entendeu?
15:28Então assim,
15:29e hoje a mãe alega
15:30que é doido.
15:31Pra mim,
15:31uma pessoa dessa
15:32não tem problema psicológico nenhum.
15:34Porque uma pessoa
15:34que tem problema psicológico
15:35ela jamais
15:36vai premeditar
15:37a morte de alguém.
15:38jamais.
15:39Eu acho que a pessoa
15:40que tem problema psicológico
15:40ela vai surtar
15:41e vai fazer na hora.
15:42Ele não.
15:43Ele planejou
15:44assassinar o meu avô.
15:46Dani,
15:46a gente tá aqui comentando
15:48exatamente
15:50a mudança de comportamento
15:51que o avô dela teve
15:52a partir do momento
15:53que ele começou a sofrer
15:54essa violência.
15:56eu queria que você
15:57pontuasse pra gente
15:58quais são os sinais
15:59que o idoso
16:01passa a ter
16:02passa a sofrer
16:03quais são as características
16:04até mesmo
16:05pra outras pessoas
16:06da família
16:07que não estão atentas
16:08pra que elas possam
16:10observar
16:10que tem algo estranho
16:11acontecendo.
16:13O mais triste
16:14que eu acho
16:14é assim
16:15você percebe
16:15na fala dela
16:16que ele tentou
16:17se proteger
16:18de alguma forma
16:19né?
16:19Então ele saia
16:19de um
16:20não sei se eu entendi bem
16:21mas assim
16:21é um conjunto de casa
16:23eu saio de uma casa
16:24e fico em outra
16:24só que você entende
16:26que a proteção
16:26que ele consegue fazer
16:28às vezes é menor
16:28do que um adulto
16:30jovem consegue?
16:32Então eu penso
16:33que nos casos
16:34que eu já atendi
16:35e no que eu estudo
16:36sobre isso
16:37eu vejo que eles
16:38tentam fazer
16:38essa proteção
16:40mas eles
16:41não aceitam
16:42às vezes
16:43abrir mão
16:44de algo
16:44que eles levaram
16:45literalmente
16:45uma vida inteira
16:46pra conquistar
16:46e aí eu acho
16:47que é aí
16:48que é a linha tênue
16:48é onde pode entrar
16:50a família
16:51enfim
16:51de avaliar
16:53os riscos
16:54pra entender
16:54os comportamentos
16:56é isso que a gente falou
16:56primeiro essa tentativa
16:58de proteção
16:59e segundo
17:00essas mudanças
17:01que eu já mencionei
17:02que assim
17:02ou era uma pessoa
17:03muito ativa
17:04e que fica muito recuada
17:05ou o contrário
17:06era uma pessoa
17:06muito tranquila
17:07que você percebe
17:07que tá muito agitada
17:08e aí também você percebe
17:10que ela não vai mais
17:10às vezes em almoço
17:11de família
17:12ou se ela vai
17:13ela já não interage
17:14mais como ela fazia antes
17:16então tem algumas mudanças
17:17de comportamento
17:18às vezes no sono
17:19você percebe
17:20que não dorme mais
17:21como dormia antes
17:22sem que tenha
17:22nenhum motivo aparente
17:24e aí eu queria só
17:25pedir licença
17:25até Roberta
17:26só pra entender
17:26ele falava
17:28ou a família
17:29descobriu vendo
17:30eu não sei
17:30se você falou
17:31o seu avô
17:31ele falava
17:32sobre essa agressão
17:33não
17:34toda vez que ele falava
17:35ele sempre subia
17:36na residência
17:37da gente
17:37e falava
17:38Matheus acabou
17:39de me agredir
17:39acabou de me agredir
17:41eu que contava
17:41pra família
17:42isso
17:42começou assim
17:43isso
17:44mas até no dia
17:45que ele foi agredido
17:46que ele levou
17:47uma cabra vassourada
17:48nas costas
17:48e aí ele tava
17:49sem camisa
17:50e eu vi
17:50aí eu falei
17:51o que foi isso
17:51nas costas
17:52ah não
17:52eu caí
17:53eu falei
17:53você não caiu
17:54você não caiu
17:55aí ele foi e falou
17:56não eu caiu
17:56eu falei
17:57você não caiu
17:57aí ele foi e falou
17:58ah não
17:59foi fulano
17:59que me empurrou
18:00aí ele foi e falou
18:01esse discurso
18:03é conhecido
18:04quando o idoso
18:06chega lá na delegacia
18:07tenta mascarar
18:09de certa forma
18:10tudo o que aconteceu
18:11por quê?
18:12porque existe
18:13uma relação afetiva
18:14com aquele agressor
18:15doutora?
18:15é bastante
18:16e é natural
18:18que aconteça isso
18:19né
18:19é o neto
18:21que criou
18:22que foi criado
18:23pelo avô
18:23e que de repente
18:24esse neto
18:25também tá doente
18:26né
18:26usuário de droga
18:27de álcool
18:28é
18:29então
18:30ele viu toda essa mudança
18:32do neto também acontecer
18:33e a própria família
18:34de uma certa forma
18:36alivia
18:36né
18:37essas situações
18:38até que cresce bastante
18:40agora doutora
18:41uma pergunta que a gente se faz
18:43é no caso
18:44da família da Josiara
18:45por inúmeras vezes
18:47eles acionaram a polícia
18:48a polícia esteve lá
18:50aí seu avô chegou
18:51e ia até a delegacia
18:52nesses momentos?
18:54porque achava que se ele fosse
18:55poderia prejudicar mais o menino
18:57e o que que acontece
18:58com a ocorrência
18:59dali em diante
19:00ela tem andamento
19:01não tem
19:02porque já que o avô
19:02não foi até a delegacia
19:04e que tipo de amparo
19:06que vocês oferecem
19:07porque acaba que a vítima
19:09volta
19:09pra aquele ciclo
19:11né
19:11ó
19:12a verdade é assim
19:13é
19:13a gente precisa muito
19:15de testemunha sempre
19:16porque realmente
19:17muitas vezes
19:18a vítima
19:19ela não vai querer
19:19dar continuidade
19:20naquele procedimento
19:21então eu mando
19:23uma equipe de policiais
19:24no local
19:25pra verificar
19:25nome de testemunha
19:27verificar o que realmente
19:28está acontecendo
19:28porque infelizmente
19:29muitas vezes
19:30a gente tem denúncias falsas
19:32né
19:32que perde o tempo
19:33da gente
19:34que é um absurdo né
19:35a gente perder tempo
19:38com uma situação tão séria
19:39então essa equipe vai
19:41diante desse relatório
19:42de investigação
19:43a gente começa
19:44é
19:45a
19:45intimar todos os envolvidos
19:47em relação
19:49a medida mais rápida
19:50que a gente tem
19:51é a medida cautelar
19:52então assim
19:53o idoso que registra
19:55uma ocorrência
19:55e a gente verifica
19:56que aquela denúncia
19:57ela é plausível
19:58a gente vai solicitar
20:00judicialmente
20:00uma medida cautelar
20:01que é o afastamento
20:02daquele suspeito
20:04da residência
20:05da vítima
20:06de manter também
20:06de não manter mais contato
20:08manter distância
20:10que é a coisa mais rápida
20:12que a gente consegue
20:14o seu avô
20:15chegou a ter
20:16essa medida cautelar?
20:18não
20:18não?
20:19não
20:19por que doutor?
20:20o que que explica
20:21o fato de não ter
20:22essa medida
20:23em alguns casos?
20:24não solicitação
20:26a própria família
20:27tem que solicitar?
20:28tem que solicitar sim
20:30mesmo que o idoso
20:31não foi lá
20:31prestar o depoimento
20:32mas alguém da família
20:33pode fazer essa solicitação?
20:34pode solicitar
20:35e a gente vai verificar
20:36se realmente
20:37cabe a medida
20:39né?
20:39por isso que é importante
20:40né?
20:41a gente tá aqui
20:41debatendo esse assunto
20:42tá aqui uma informação
20:43que às vezes você de casa
20:44também não sabia
20:45né?
20:46que a própria família
20:47mesmo que o idoso
20:48vítima de toda a agressão
20:50de toda a violência
20:51mesmo que ele não compareça
20:52até a delegacia
20:53algum membro da família
20:55pode fazer essa solicitação
20:57da medida cautelar
20:59não é isso?
20:59porque a gente tem que lembrar
21:00que às vezes o idoso
21:01tem até dificuldade
21:02de ir até a delegacia
21:03né?
21:04até por questões de saúde
21:05realmente
21:06então tem que ter essa cautela
21:08tem que ter esse cuidado
21:09e tem que ter esse olhar carinhoso
21:11né?
21:12as nossas vítimas
21:13então por isso
21:14que é sempre importante
21:15denunciar
21:16e procurar realmente ajuda
21:18e Josiara
21:19o que vocês esperam
21:21a partir de
21:22desde então
21:23né?
21:23o que a família
21:24tá esperando
21:25desde o dia 29
21:27de abril de 2022?
21:29eu vou falar por mim
21:31o que eu espero mesmo
21:32é a justiça
21:33né?
21:34que assim
21:35o que ele fez
21:36ele vai ter que pagar
21:38independente
21:39ele sendo um problema psicológico
21:40ou não
21:40se ele fez
21:42ele vai ter que pagar
21:43porque já foi adiado
21:44era no dia mês passado de maio
21:46foi adiado
21:47veio pra abril
21:48agora já tá dia 30 de agosto
21:49entendeu?
21:51então independente
21:51eu só quero que ele pague
21:52pelo que ele fez
21:53tá certo gente
21:54muito obrigada
21:55pela participação
21:56de todos vocês
21:57Dani
21:57doutora Milena
21:59Josiara
21:59você que veio
22:00com seu nenenzinho
22:01participar
22:02sabe?
22:02ela parou toda a atividade
22:04todos vocês né?
22:05reservaram um dia na agenda
22:06pra que a gente faça
22:07esse alerta
22:08tão importante
22:09vamos dar mais amor
22:10mais proteção
22:12a quem cuidou da gente
22:14a vida inteira
22:15seja seu pai
22:16seu avô
22:17sua mãe
22:18sua avó
22:18são pessoas que dedicaram
22:20pra sua educação
22:22e de que forma
22:23que você retribui?
22:25essa é a pergunta
22:25que a gente deixa no ar
22:26que a gente deixa no ar

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