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  • há 3 semanas
Nova geração precisa respeitar mais os idosos

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Transcrição
00:00Antes da gente pensar na esfera criminal, vamos pensar do lado humano, gente.
00:05Quanto desrespeito, quanta agressividade, falta de sensibilidade com o próximo.
00:10E o triste é que o idoso sofre constantemente vários tipos de violência.
00:16Então, vamos bater um papo sobre esse assunto? Vem cá.
00:18Eu recebo aqui no nosso estúdio a delegada Milena Girelli.
00:22Muito obrigada, doutora, pela sua participação com a gente.
00:24A psicóloga Satina Pimenta, a gente agradece imensamente também sua participação.
00:28E a dona Fátima Dantas, obrigada, dona Fátima, pelo seu carinho com a gente e também a sua presença.
00:35Doutora Milena, vamos lá.
00:37Então, o rapaz já foi identificado. Qual o crime que ele pode responder num caso como esse? Boa tarde.
00:44Boa tarde, obrigada pelo convite.
00:47Lesão corporal e omissão de socorro.
00:49E por ser idoso, a pena pode agravar?
00:52Agrava.
00:55Infelizmente, igual a gente estava conversando anteriormente, as pessoas estão sem educação.
01:01Isso é um absurdo.
01:02Ele não só agrediu, ele omitiu.
01:04Podia ser um acidente, né?
01:05Está passando, meio desatento, que hoje todo mundo está com o celular, às vezes, né?
01:10Está desatento, mas ele omitiu.
01:11E foi muito grave, né?
01:13Além de ser idosa, ela estava ainda com uma bengala, né?
01:16Que demonstra que tem alguma deficiência, uma dificuldade de locomoção.
01:20Então, uma insensibilidade muito grande.
01:23Agora, Sátia, é triste demais a gente pensar que precisa existir uma lei para que coiba esse tipo de ação.
01:30O que está faltando na humanidade?
01:33O que está faltando hoje nas pessoas?
01:34Que esse sentimento, o respeito que as pessoas tinham, principalmente pelos idosos, parece que vem se perdendo?
01:42Boa tarde para todo mundo.
01:44Boa tarde.
01:44Está faltando isso mesmo, humanidade.
01:46Eu acho, acho não, né?
01:48A gente lê muito sobre isso, principalmente dentro da psicologia, a modificação referente às gerações.
01:55Então, hoje, as gerações, elas são mais egoístas, elas pensam mais nela e naquilo que ela quer, naquilo que o
02:03indivíduo deseja, né?
02:06E aí ela para de pensar no outro.
02:09Só que aí a gente tem grupos que eles são mais propícios de serem agredidos.
02:14Eu já falei isso aqui uma vez, Beto, e eu vou repetir.
02:18Se você quer agredir um homem zarrão, você não agride.
02:22Agora, uma criança, uma mulher e um idoso, fica mais fácil.
02:28Então, de forma, assim, clara, esses grupos são grupos que normalmente sofrerão mais violência.
02:35E, por causa disso, a gente vai precisar de uma lei que fale o óbvio, que tenha que proteger esse
02:41grupo.
02:43Mas eu acho que a gente precisa conversar bastante com essa geração que está vindo por aí,
02:47para que eles entendam que a gente precisa respeitar a história do outro.
02:51E se a gente está aqui hoje sentado, é porque um outro que chegou numa idade avançada, se tornou idoso,
03:00nos oportunizou criar mais do que está aqui.
03:05Mas foram eles que começaram.
03:07Entende?
03:07Perfeito.
03:08A gente já já vai, inclusive, quero que você já vá pensando aí, dicas, técnicas,
03:14o que a gente pode ensinar para os nossos filhos, uma forma de respeito,
03:19para que isso permaneça, para que não se perca nessas próximas gerações.
03:24Agora, antes disso, mais uma vez, boa tarde, dona Fátima.
03:27Obrigada pela sua participação.
03:28Qual é o seu sentimento?
03:30A senhora tem quantos anos?
03:3269 anos.
03:3369, embora não pareça.
03:35Mas qual é o seu sentimento quando você vê uma mulher idosa passando por essa situação?
03:40Eu acho um absurdo, porque isso aí é uma falta de respeito.
03:44Em primeiro lugar, é uma falta de amor.
03:46Quando a pessoa tem um amor próprio, jamais faz coisa desse tipo.
03:51Porque uma pessoa idosa, eu considero como se fosse uma criança.
03:55Precisa de carinho.
03:56Não é uma pessoa fazer algo dessa forma que a gente acabamos de assistir.
04:02Isso não existe.
04:03Uma pessoa dessa não tem coração.
04:06A senhora já passou, já vivenciou alguns momentos onde teve desrespeito com a senhora?
04:13Só o que a gente vê, Robertinha.
04:15Teve uma vez que, dentro do ônibus, quando eu pego, eu nem peço lugar,
04:21porque se eu for pedir um lugar a uma pessoa, ninguém acredita que eu sou uma idosa, né?
04:26Por incrível que pareça.
04:28Aí, então, às vezes eu estou sentada, vejo que tem uma pessoa com mais necessidade do que eu,
04:33eu levanto e dou lugar.
04:35Eu vejo uma...
04:36A senhora, por 69 anos...
04:38Levanto.
04:38Tem esse carinho, esse respeito e entende essa necessidade.
04:41Tenho, com certeza.
04:42Quando eu vejo, então, uma mulher com a criança no colo, em pé,
04:46gente, pelo amor de Deus, né?
04:48Eu levanto e dou meu lugar.
04:51Porque aí é a pessoa...
04:52A senhora já teve seu lugar negado?
04:55Já.
04:56Qual foi o seu sentimento na hora?
04:58Eu estava cansada, que eu tinha andado bastante, estava com a dona as pernas.
05:02Aí eu cheguei para uma jovem, estava com o uniforme de escola.
05:06Eu falei, meu amor, por favor, me dá esse lugarzinho.
05:09Eu estou tão cansada.
05:11Aí ela falou assim, o mesmo valor que a senhora paga, da passagem, eu também pago.
05:17Então, se eu vou...
05:19Parece que até eu vou levantar, para ficar em pé e a senhora se sentar, então fica em pé.
05:25Eu estou pagando, eu não estou de graça aqui, não.
05:28Ela falou, tá bom, meu amor.
05:29Deus abençoe você.
05:31E qual foi o seu sentimento?
05:33Como é que a senhora voltou para casa?
05:34Eu fiquei triste, porque eu estava tão cansada, que eu cheguei ao ponto de sentar no degrau da saída da
05:41porta.
05:41Tão cansada que eu estava.
05:43E nem ela vendo essa cena, ela se levantou?
05:46Não.
05:47Fez que estava...
05:48Deitou, levantou a cabeça para cima, fechou os olhos, fez que estava dormindo.
05:51Mas acontece muito.
05:52Acontece muito, né?
05:53Eu parei aqui e falei...
05:54Eu quero perguntar para a senhora, desculpa.
05:56Ninguém mais?
05:58Além dessa jovem?
05:58Além da jovem, ninguém mais?
06:00O pessoal que tinha lá, estava com fone de ouvido, ligado o celular, nem prestou muita
06:06atenção, nem deu muita atenção.
06:08É uma lógica coletiva.
06:10As pessoas não enxergam, né?
06:11É triste pensar, não só na atitude dessa jovem, mas também de quem assistiu e nada
06:17fez, né, Sátina?
06:18Dói tanto quanto pensar na atitude dela.
06:21Eu fiquei assustada, eu até vim para a frente daqui.
06:23Falei, meu Deus, mas ninguém mais, ninguém...
06:25Não, ela está sendo uma pessoa deselegante, desrespeitosa, mas espera aí, deixa
06:30que eu levanto, então, hein, senhora?
06:31Mas ninguém mais.
06:33Poderia ferir a ninguém, felizmente.
06:35Mas isso a gente pode chamar de distribuição.
06:36Doutor, eu vou perguntar, doutora, o que diz a lei a respeito dessas proteções que
06:39o idoso tem esse direito?
06:41É, exatamente isso.
06:44A gente tem...
06:44Eu tenho dado palestras, a gente tem que lembrar que esse mês, de 1º de outubro, a gente
06:49comemorou 20 anos do Estatuto da Pessoa Idosa.
06:52Então, esse mês, a gente está fazendo uma operação a nível nacional, junto com o Ministério
06:57da Justiça, que é a Operação Virtude, e a gente está dando palestras em vários
07:03municípios.
07:04E grande parte das reclamações é exatamente isso, a discriminação.
07:08As pessoas, elas não se importam com o outro e tratam, muitas vezes, a pessoa idosa como
07:16uma pessoa menor.
07:17E não é só na rua, né?
07:19O triste é pensar que tem muitos casos que acontecem dentro de casa.
07:23Infelizmente, 90% das nossas ocorrências são residenciais.
07:27Se a gente fala que isso acontece em residência, é porque são pessoas próximas.
07:31Então, é um filho, é um neto.
07:33Por isso que é tão difícil denunciar.
07:36É muito difícil a nossa vítima procurar ajuda, porque os agressores são pessoas muito
07:40próximas e são as pessoas que elas mais amam.
07:42E no caso dessa idosa, ela nunca nem viu esse homem.
07:48É uma coisa tão absurda.
07:49Ainda bem que nesses momentos a gente vê que existe a tecnologia e a nosso favor que
07:54as câmeras foram entregues, então as imagens foram entregues à polícia e conseguiram localizar
08:00esse homem.
08:01Mas e aí?
08:02Quando o idoso, por exemplo, também não quer fazer essa denúncia, alguma outra pessoa
08:07poderia realizar?
08:09Pode.
08:09Por isso que a gente tem que informar.
08:12Todos têm que denunciar.
08:14As pessoas têm que estar com um olhar carinhoso ao seu próximo, né?
08:18É verificar que está acontecendo uma situação de possível violência ou de violência e denunciar.
08:23Porque a nossa vítima dificilmente denuncia.
08:26Muitas vezes elas contam a respeito para o psicólogo, num creias, mas quando chega na
08:32delegacia, ela omite informação porque ela não quer que a pessoa que ela mais ama vá presa
08:38ou sobra qualquer tipo de punição.
08:41Então, ela diz que por conta da idade caiu, então ela não foi lesionada.
08:46Ela não fala sobre o uso indevido dos seus benefícios.
08:50Então, né?
08:51Então, é por isso que é importante denunciar.
08:53E quais são as principais violências que hoje mais chegam na delegacia para a senhora?
08:59Quando a gente fala de violência, todo mundo pensa na violência física, né?
09:03Aquela coisa assim, porque é violência palpável, que a gente olha.
09:06Mas a verdade é que até chegar na violência física já aconteceu outras violências.
09:11Xingamentos, ameaças.
09:12Então, hoje, numa delegacia, as maiores ocorrências, elas são de ameaças, maus-tratos, negligência,
09:18abuso financeiro e lesão corporal.
09:21E, Sátia, a gente viu ali o depoimento também da delegada na reportagem que a gente acabou
09:26de exibir, que fala o quanto que essa mulher, na verdade foi até amiga dela, né?
09:30Que disse que ela chora, que ela está triste.
09:33Quais sentimentos e até que ponto isso também pode ir crescendo que o idoso que sofre a violência
09:40pode ir aguardando no coração?
09:45Então, vamos pensar aqui primeiro pela frustração, né?
09:50Então, imagina, você viveu a vida inteira, você trabalhou, né?
09:53Você contribuiu para a sociedade, você criou seus filhos, agora com seus netos, provavelmente.
09:58E aí uma pessoa pega e te desrespeita a troco de nada, de graça, assim.
10:04O sentimento é de desprezo.
10:08Eu fui desprezada, eu fui deixada, eu fui machucada e não se importaram.
10:14Então, é um sentimento que nos minora, nos torna...
10:20Acho que é isso mesmo, né?
10:22Nos minora, nos faz sentir menores do que nós realmente somos.
10:28E, além disso, há algumas preocupações.
10:30Quando mostraram e falaram que ela quebrou o fêmur, a gente sabe que uma cirurgia numa
10:35senhora de 86 anos, de um fêmur, ela, além de ser difícil, ela é perigosa.
10:42Então, imagina a cabeça dessa senhora vívida.
10:45Foi no cinema, gente.
10:47Pensar em não poder mais andar, não poder mais se locomover, não ser mais independente
10:53por causa de um sujeito como esse que está aparecendo na televisão.
10:56Tem tudo isso.
11:00Eu lembro que a gente fez um trabalho na Prefeitura de Vitória com os idosos.
11:05E a gente falava sobre direito do idoso e tudo mais.
11:09E uma das coisas que eles falavam era, eu tenho muito medo de depender dos outros.
11:15Por que esse medo, dona Fátima?
11:19Por quê?
11:19Eu sou testemunha da minha mãe.
11:21Minha mãe ficou enferma em cima da cama, cega.
11:25E a família era grande.
11:26Olha que minha mãe foi mãe de 12 filhos.
11:29E desses 12 filhos, todos casaram, eu fui a caçula única.
11:34Então, eu que fiquei responsável por minha mãe.
11:38Então, os outros filhos vinham só na minha casa, só ver ela, saber como ela estava,
11:44levavam biscoito ou alguma coisa e ia embora.
11:47E eu tinha que cuidar de tudo.
11:49Em cima de uma cama para dar banho nela, em cima de uma cama, cuidar dela, colocar a comida na
11:53boca.
11:53E ela dizia assim, ô meu Deus, por que Deus não me chama logo?
11:57Eu não quero ficar assim, não.
11:58Eu, calma, calma.
12:00Cuidei dela até no fim, quando Deus veio buscar.
12:03Mas é triste, se você ficar assim por conta dos outros.
12:08Eu sempre falo, Deus, eu não sei que eu não sou melhor do que ninguém.
12:12Que tudo é permissão de Deus.
12:14Deus permite a gente viver bem.
12:16Deus permite a gente ficar numa cama.
12:18Mas Deus permite a gente ficar numa enfermidade e não ter mais condição de levantar.
12:23Mas eu peço a Deus, que todo dia Deus me dê saúde suficiente para eu fazer as minhas atividades.
12:28Não depender de ninguém.
12:30Porque eu acho que se eu chegar a ficar em cima de uma cama, eu acho que eu morro rapidinho.
12:35E só de pensar nisso já é um sofrimento para o idoso, né, Sátia?
12:39A gente já viu o quanto que o medo de viver essa fase e por um acaso vir passar por
12:45uma situação como essa,
12:46depender de alguém e às vezes os filhos nem são presentes, a família nem é presente,
12:51já causa um sofrimento.
12:52Olha a fala dela.
12:54Isso mesmo.
12:55E aí é interessante, como a delegada falou, existem outros tipos de violência.
12:58A violência psicológica, ela é grandiosa.
13:01Grandiosa dentro da relação familiar com o idoso, entende?
13:06E o idoso, ele não sabe lidar com isso.
13:09Porque até então, por que vão me fazer mal se eu fiz tudo por essa família?
13:12É verdade.
13:13É um questionamento legítimo.
13:16É desse jeito.
13:17Muito legítimo.
13:18E é nessa fase, doutora Milena, perdão, até me corrigir se eu estiver errada, é nessa fase que alguns filhos
13:25se aproveitam,
13:27alguns familiares se aproveitam para praticar outros tipos de violência.
13:32Aí começa a violência patrimonial, né, começa a roubar dinheiro do pai, pegar dinheiro escondido, forçar a fechar um contrato
13:38e por aí vai.
13:39Sim, e é interessante também que muitas das nossas vítimas, elas não têm a consciência da violência.
13:47Precisa muitas vezes de uma testemunha, de uma denúncia, para ela realmente verificar que está sofrendo a violência.
13:55Porque muitas vezes ela se sente frustrada, porque já não poder contribuir ajudando em casa, se sente um fardo.
14:02Quantas vezes, ah, eu sou um fardo, então eu acabo dando mesmo meus benefícios por conta, eu estou ocupando um
14:10lugar nessa casa.
14:11Então, tem dificuldade de enxergar a violência.
14:14Então, por isso é tão importante as pessoas denunciarem, para a gente realmente conseguir ajudar aquela família como um todo.
14:22Porque às vezes é uma situação simples de ser resolvida, não precisa crescer, né?
14:26Então, às vezes é algo tão simples que a gente consegue conversar com a família e ela muda de atitude
14:31com aquela pessoa idosa.
14:32É isso que eu ia perguntar.
14:33Ah, denunciei.
14:34Aí, às vezes, até mesmo o idoso tem...
14:36Ele pensa o quê?
14:37Ah, se eu denunciar vai ser pior, já está complicado.
14:40Mas não, vocês têm feito até um trabalho com assistência social, né?
14:43Isso aí.
14:43Nós somos um dos poucos estados no Brasil que contém na polícia, que são policiais, assistentes sociais e psicólogos.
14:50Então, hoje, quem procura uma delegacia, a gente não vai ter só a situação criminosa a verificar, né?
14:56A gente também vai estar encaminhando ao assistente social e ao psicólogo para verificar outras situações também de encaminhamento para
15:03uma instituição como CREAS, CRAS, Defessoria Pública.
15:07Por quê?
15:08Hoje a gente verifica que a gente tem que ver a família como um todo.
15:12Até mesmo, para mim, a vítima se sentir confortável de procurar minha ajuda.
15:16Porque se ela pensar que eu só vou olhar o jurídico, ela dificilmente vai se sentir fortalecida e com coragem.
15:24Então, assim, é importante denunciar, é importante procurar.
15:28Se as pessoas têm dificuldade de ir numa delegacia, que faça anonimamente a denúncia no Disque 100 e no 181,
15:34que é anônimo, mas essa ocorrência, ela chega para a gente e a gente verifica.
15:39A gente tem aqui algumas participações.
15:40É claro que o nosso público está revoltado.
15:43Denise Amâncio diz, Roberto, esse rapaz aí que a gente mostrou, né, é filho de chocadeira, não tem avó, não
15:48tem mãe.
15:49No ônibus idoso não tem vez, é totalmente ignorado pelos outros passageiros e ela até vai além, ela diz, inclusive
15:56pelos motoristas.
15:58A Alessandra Salvador também participa, ela diz, aqui em Cachoeira as pessoas fazem isso que esse rapaz fez quando está
16:04andando pela rua.
16:05Muita gente sem respeito, acha que eles podem andar na calçada e no ônibus, assim mesmo, tá?
16:11Não levantam para o idoso ou até mesmo para uma grávida.
16:14É muito triste a falta de respeito.
16:16Creuza Alves também manda para a gente comentário.
16:19Ela diz, boa tarde a todos.
16:21Uma vez eu estava no ônibus e vi uma senhora em pé.
16:23E aí eu falei, né, para ela, para alguém dar um lugar para essa senhora.
16:29Aí uma moça levantou e a senhora agradeceu a Creuza, né, que ela está aqui contando o que aconteceu.
16:36Maricilda também diz, eu com 70 anos, se eu estiver sentada em algum lugar e chegar alguém, por exemplo, com
16:41uma criança no colo ou uma idosa, né,
16:44eu me levanto e dou o lugar, coisa que muitos jovens não fazem.
16:49Sátina, como que a gente pode educar os nossos filhos para que a gente não perca o respeito pelos idosos,
16:57pelas pessoas e os idosos ainda mais?
16:59Sendo espelho.
17:00Nós somos exemplo.
17:02Exatamente.
17:03Não tem outra forma de educar.
17:04É a gente sendo exemplo.
17:06E também eu acho que nesse exemplo, eu acho que é muito importante que a gente explique por quê.
17:12Por que eu estou levantando aqui para essa idosa sentar?
17:15Estou levantando aqui porque eu tenho uma condição física melhor, quando a gente ficar velhinho eu também vou ter algumas
17:22limitações.
17:23Eu estou levantando aqui porque eu respeito esse sujeito.
17:25Eu estou levantando aqui por isso, por aquilo, por aquilo outro.
17:28Não é só um mero levantar e dar o lugar.
17:30É um ato que tem uma justificativa.
17:33E quando a criança, ela aprende essa justificativa, ela reproduz o ato, entende o ato e reproduz para o coleguinho.
17:42Você tem que fazer isso por causa disso, disso, disso, tá?
17:45Que meu pai me ensinou, minha mãe me ensinou.
17:47Então, é a gente sendo exemplo, a gente sendo espelho.
17:49Então, o pessoal de casa, né?
17:51Aquela famosa...
17:54As palavras-chave da educação, o dar lugar, o pedir licença, isso tudo já vai fazendo parte dessa construção, né,
18:02Sátina?
18:02Isso.
18:03É o obrigado, o licença.
18:05São coisas que têm que estar com a gente.
18:07E a gente também não pode se perder nesse dia a dia, né?
18:10Porque, como a senhora falou, eles estavam lá nos celulares deles e tudo mais.
18:16Quando a gente entra nesse mundo individual e esquece de olhar o nosso entorno, a gente também está reforçando o
18:23comportamento da menina.
18:25Entende?
18:25Então, a gente precisa estar de olho no mundo, sim, no outro e sendo solidário.
18:29E, doutora, a respeito desse caso, tinha as câmeras de segurança.
18:34E quando não tem, como é que funciona essa denúncia?
18:38Tem que fazer a denúncia e a gente vai procurar através de testemunhos, porque vai pegando as características da pessoa,
18:43vai pegando outras câmeras, que às vezes não tinha naquele local, mas...
18:46A palavra da vítima vale muito.
18:48Vale muito, muito.
18:49Mas se a vítima não quer também denunciar, ela não quer ir lá, mas a família vê a importância...
18:55Mas nesse caso é incondicionado, então, independente da representação da vítima, vai ter continuidade, sim, desse inquérito, dessa investigação.
19:03Agora, dona Fátima, o triste disso tudo que a gente está falando é que não é um caso pontual, né?
19:07Não é uma única vez que a senhora andou de ônibus.
19:10Se a senhora conversar com outras amigas, outros amigos que são idosos, os relatos são bem parecidos?
19:16É bem parecido.
19:18Acontece muito nos dias de hoje, isso aí é o que mais a gente vê.
19:22É desacato, as pessoas idosas.
19:25É falta de amor ao próximo, pessoas que estão necessitando, mas se acha que nunca vai ficar velho.
19:34Toda vida vai ser jovem e não olha para um lado do outro, né?
19:38E a gente tem que pensar no futuro, porque nós nascemos, crescemos e envelhecemos, né?
19:44Então, nós temos que olhar para esse lado aí.
19:47Sempre que nós pudermos ajudar o nosso próximo, nós temos que estar prontos a ajudar, seja independente de cor ou
19:54raça.
19:55A gente tem que ajudar os idosos, as crianças em defesa.
19:59Quantas crianças aí, na semana dessa, dentro do ônibus, criança vendendo doce.
20:04A gente vê que está fora da escola.
20:07É um absurdo, né?
20:08Assim, eu falo bastante da denúncia, porque você viu uma violação de direito, se eu não souber dessa violação, como
20:17é que eu vou atrás como policial?
20:20Como é que as minhas estatísticas, elas vão mostrar que tem a violência para a gente até cobrar da nossa
20:25chefia, do nosso Estado, mudanças?
20:29Então, fale, ligue para a ouvidoria do ônibus, fale, se informe para a gente procurar realmente mudança.
20:37A denúncia não é só para a gente resolver o nosso caso, mas é para a gente juntar a força
20:41e mostrar que as estatísticas estão aumentando.
20:44Porque não adianta nada.
20:45Eu falo assim, a reclamação, ela é excelente, tudo bem.
20:47Mas a gente também tem que fazer a nossa parte.
20:50Não adianta só reclamar.
20:51Tem que denunciar, tem que ligar, tem que dar informação.
20:54Gente, muito obrigada pela participação de vocês.
20:58Eu que agradeço.
20:58Obrigada, doutora, pela sua participação.
21:00Sátina também.
21:01E dona Fátima, a senhora é linda.
21:03Prazer.
21:04Você que é linda.
21:05Gente, ela falou que não perde um para o Espírito Santo.
21:07Volte sempre.
21:07Estou muito feliz com você, tá?
21:09É um prazer te conhecer.
21:10Eu fico ainda mais feliz com o seu carinho.
21:12Obrigada.
21:13Volte sempre.
21:13Boa tarde, gente.

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