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  • há 1 dia
Casos de pessoas que partes para a briga são frequentes, mas é possível resolver desavenças na conversa. No estúdio, recebemos o psicólogo Alexandre Brito e a Maria Aparecida de Souza, que conta sobre as experiências em situações que passaram dos limites.

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Transcrição
00:00Uma mulher teve parte da orelha arrancada com uma mordida.
00:04Isso aconteceu durante uma briga com uma outra mulher aqui na serra.
00:08O motivo, minha gente, ciúmes, ciúmes.
00:12As duas já se relacionaram com o mesmo homem.
00:15A vítima que teve a orelha arrancada foi casada por 12 anos e tem dois filhos desse homem.
00:22Já a autora das agressões é a atual mulher.
00:26As duas já discutiram várias vezes por ciúmes.
00:30Mas isso não chegava a terminar em agressões.
00:34A vítima estava a caminho da escola do filho para ver uma apresentação quando foi cercada e agredida.
00:42E olha, se a gente parar para pensar, é por motivo de ciúmes, é no trânsito, nas festas.
00:49Volta e meia a gente noticia os casos de pessoas que partem para a briga
00:53para resolver situações que poderiam ser resolvidas na conversa.
00:58Mas por quê? O que está motivando?
01:00O que está tornando as pessoas tão explosivas para chegar num ponto e ir querer resolver dessa forma?
01:05Vamos bater um papo sobre esse assunto?
01:07Participa com a gente.
01:08Conhece alguém na sua família?
01:09É o seu caso?
01:10Então conhece alguém e vem cá.
01:11Chega mais porque aqui a gente tem o Alexandre Brito, que é psicólogo.
01:15Muito obrigada pela sua participação.
01:16E a gente também recebe aqui a Maria Aparecida de Souza.
01:21Posso te chamar de Cida?
01:22Pode.
01:22Já me tornei íntima, viu gente?
01:24Cida, obrigada também pela sua presença.
01:27Você em um momento da vida também foi muito explosiva, Cida?
01:32Sim, muito.
01:33De que forma?
01:34Bem agressiva.
01:35Muito agressiva.
01:37Por quê?
01:37O que te impulsionava a querer solucionar as coisas, os conflitos de uma maneira mais violenta?
01:44Sim, eu sou de uma família bem humilde, né?
01:47Meus pais eram bem humildes.
01:49Então eu vi essa situação que eu senti envolvendo o meio, passando na frente deles.
01:56Que eu vi alguém judiando deles, falando as coisas.
01:59Eu não aceitava com meus irmãos na escola.
02:04Desde criança?
02:05Desde criança.
02:06Você tinha então uma característica um pouco mais impulsiva.
02:09Sim, sim.
02:10E hoje, Cida?
02:11Não, mas hoje, depois dos 25 anos, eu procurei tratamento.
02:17Ainda estou em tratamento ainda, entendeu?
02:20Você se reconhece então como uma pessoa com temperamento um pouco mais explosivo?
02:26Sim, me reconheci, entendeu?
02:28E tem minhas filhas que são completamente diferentes do que eu.
02:31Criei elas completamente diferentes.
02:33Perfeito, daqui a pouquinho você vai falar como é que foi, então, né?
02:36Ter essa consciência e não querer que isso passe para a sua próxima geração.
02:42E, Alexandre, explica para a gente, então, o que tem tornado as pessoas cada vez mais violentas?
02:47A gente vê uma impulsividade que pode terminar, muitas das vezes, em uma tragédia.
02:52Boa tarde.
02:53Pode, boa tarde.
02:54Pode mesmo, até porque a gente vai vendo que hoje a gente tem substituído o lugar da
02:59palavra, do diálogo, o lugar do respeito pela intolerância, pela imediaticidade, pela
03:07imediatez da coisa, as coisas serem rápidas, imediatas e não ter a relação com o outro permeada
03:14pelo diálogo.
03:15Quando, então, tenho entre eu e você o diálogo, a gente, em geral, age com o corpo.
03:22Então, você não age com palavras e, às vezes, quando você é agressivo, você age com insultos.
03:29A palavra insulto vem de saltar sobre, saltar sobre alguém, sabe?
03:33Quando você pula sobre alguém, essa palavra faz isso quando você insulta.
03:37Você quer afetar e ferir o outro com palavras, mas, muitas vezes, quando a gente não tem
03:42a possibilidade do diálogo e, hoje, nós estamos cada vez com menos diálogos, as pessoas se
03:47afastando cada vez mais, querendo as coisas muito rápidas, no trânsito, no relacionamento,
03:51nas relações, acaba, vamos dizer assim, no bom português, partindo para cima.
03:57Então, não tem, Roberta, a tolerância, a paciência.
04:02Você pode sentir raiva.
04:04Você vai sentir raiva.
04:05A vida inclui a raiva, a tristeza, o ódio, o sentimento de injustiça.
04:12Todo mundo passa por isso.
04:14A grande questão é o que você faz com essa raiva.
04:16E, nessa relação nossa de não ter o diálogo, a palavra entre eu e você, a gente usa o corpo.
04:23A gente pula em cima do outro.
04:25Então, é essa questão que nós temos que se habilitar.
04:29De eu querer ferir o outro ao pé da letra, como a gente viu no caso, arrancar um pedaço do
04:34outro.
04:35Porque, às vezes, você fere o outro ferindo a dignidade, ofendendo.
04:38Só que, nesse caso, é ferindo, tirando algo, só que físico.
04:43Então, a gente já entra, sai do diálogo e entra para a violência.
04:49Então, a gente está percebendo que, no mundo de hoje, cada vez essa distância maior entre as pessoas,
04:55diminuição da conversa, do diálogo e do respeito, aumenta a intolerância.
04:59É uma fórmula, Roberta, muito infeliz que pode culminar na violência.
05:04Cida, em quais situações você chegava a perder o controle, perder um pouco a cabeça?
05:11Quais situações?
05:12Ah, quase todas.
05:14Tipo o quê? Conta para a gente.
05:15Tipo, alguém que tretava com sua filha, você ficava com raiva?
05:19Não, meus irmãos mesmo.
05:21Entre família, bons irmãos.
05:22Entre família, eu sou muito protetora até hoje.
05:25Entendeu?
05:26Então, eu sempre queria proteger.
05:28Se alguém falasse alguma coisa, já era motivo de eu estar em cima.
05:32E eu já, igual o doutor falou, eu já partia para a agressão.
05:35Eu não tinha palavras.
05:37Era agressividade.
05:39Em algum momento, você chegou, assim como essa mulher que a gente mostrou na reportagem,
05:45até se arrepender do que tinha feito?
05:47Sim, depois eu arrependi.
05:49Mas algumas vezes eu arrependi, depois, talvez não, entendeu?
05:54Quanto, a verdade, muita raiva, eu arrependi.
05:55Não, né? Todas as vezes.
05:58E o que que te fez, em determinado momento, parar para prestar atenção no seu comportamento?
06:04Tipo, as pessoas, a sua família, começou a te alertar?
06:08Começou a falar, Cida, você está ficando um pouco nervosa?
06:11Sim, minha família sempre falava comigo.
06:13E eu fui vendo as coisas que eu achava feio.
06:17Entendeu?
06:18Quando eu vi uma briga na rua, falei, nossa.
06:20Aí eu já pensava, eu tenho que pôr no meu lugar, né?
06:24Para não fazer isso de novo.
06:26Como se fosse um espelho, né?
06:27Isso, como se fosse um espelho para mim.
06:29Alguma vez você chegou até mesmo a correr risco, por conta desse seu comportamento?
06:34Já, já.
06:36Em que situação, por exemplo?
06:37Ah, já teve que me esconder, eu dentro de casa.
06:41Você já teve que se esconder, porque você foi para cima da pessoa e...
06:44Sim, depois a pessoa veio...
06:45Você não esperava esse comportamento dela e veio pior ainda.
06:48Veio pior, mas eu queria enfrentar, né?
06:50Aí as famílias juntou, não deixou.
06:54Mas a minha vontade era ir lá e enfrentar.
06:58E aí, em que momento que você falou assim, eu preciso sim buscar ajuda?
07:03O que que te fez parar para falar assim, eu preciso?
07:07É depois que a minha filha começou a crescer.
07:11Entendeu?
07:12Porque o filho da gente, a gente é o espelho para os filhos.
07:17Então, se você não dá um bom exemplo, como que vai ser?
07:21Né?
07:23Ela começou a repetir, talvez, alguma atitude sua mais violenta?
07:27Não, não.
07:27Não?
07:28Você mesmo, que aquele instinto materno, você falou assim, eu preciso ser uma mãe cada dia melhor?
07:32Sim, sim.
07:34O que é um perigo, né, Alexandre?
07:36Quando a gente tem essa atitude mais impulsiva, a gente pode acabar ensinando dessa forma para os nossos filhos?
07:44Está em um outro risco?
07:45Uma coisa que a Cida fala de muito importante, né, Cida?
07:49É que, em primeiro lugar, para ela criar a filha dela, eu tenho uma filha, né, Cida?
07:53Duas.
07:53Duas filhas.
07:54Ela tem que estar viva.
07:56Então, se colocar em situações de risco e de violência, coloca, né, a sua integridade física e moral em jogo,
08:03então, de fato, para que isso não aconteça, é preciso que você se mantenha viva, né,
08:10para ter essa, continuar no ser mãe, tendo a presença dos filhos.
08:14E esse medo, né, de não passar para o outro também essa experiência, né, de que os filhos repitam,
08:22isso é um outro motivo para parar também.
08:25E olha que interessante, né, foi pelo outro, e o mesmo outro, que às vezes você é agressivo,
08:32às vezes você muda pensando no outro.
08:35Então, nesse outro, no caso, a filha, um outro de afeto, um outro de amor.
08:39Então, realmente, a gente vai vendo que, às vezes, a gente muda para quê, como a Cida bem trouxe.
08:46A gente precisa mudar alguns comportamentos para que a gente faça um rompimento de ciclos.
08:52Senão, vai continuar tendo esse ciclo de gerações, em que uma geração acaba sendo violenta, agressiva,
09:00e a outra geração repete.
09:02E aí vai ter que ter um momento que alguém vai ter que fazer esse muro, essa interrupção.
09:08Então, se não, filho, neto, bisneto, vão continuar nesse ciclo de violência.
09:14Porque seria muito fácil para a Cida educar a filha dela com aquela frase,
09:19se ela chegasse da rua, né, apanhou, vai lá devolver.
09:22Exato.
09:23E é o que a gente vê muito hoje em dia, ainda, né, Alexandre?
09:27É, tem alguns pais que acreditam que a educação se dá da seguinte forma.
09:33Eu preciso que o meu filho seja um tanque de guerra.
09:36Se ele apanhar, que ele bata de volta, porque senão, ele chegando em casa, apanha de novo.
09:44Então, você vai apanhar duas vezes.
09:46Isso é péssimo, isso não é educação, isso é uma agressão, isso é uma violência.
09:51Veja bem, a gente fala tanto de combater a violência contra a mulher,
09:56a violência no racismo, a violência com pessoas de outras nacionalidades,
10:01mas quando é uma criança que é agredida, em geral, as pessoas não defendem da mesma forma.
10:06Então, tem que defender e tem que dizer que não é possível, não é permitido,
10:11não há educação quando acontece isso.
10:13Isso não é uma forma de educação, é uma forma de violência, de violação.
10:18Então, a educação se dá o quê?
10:21Você apanhou, teve uma situação de briga por perto, sai, foge, corre, pede ajuda,
10:27procura um adulto, isso não te faz covarde, isso não te faz pior, isso não te faz menor.
10:33Eu prefiro que você volte sem se envolver e aqui depois a gente conversa sobre isso.
10:38Então, fugir não é covardia, é um primeiro ponto, né?
10:41E o segundo é que o adulto, ele permita que a criança conte para ele sobre essa violência
10:46e o adulto não brigue com a criança sobre essa violência.
10:49Que eles dialoguem, senão a criança vai te contar e você vai continuar brigando
10:54e a criança vai chegar um momento que não vai te contar mais.
10:56Agora, Alexandre, daqui a pouquinho você vai contar para a gente como que nós podemos
11:00exercitar a tal da paciência quando é a gente que está ali, naquele conflito.
11:06Não é fácil, a Cida está aqui para falar, quem nunca passou por uma situação assim,
11:10diante de uma discussão, como é que você exercita a paciência?
11:13Ainda mais quando você acha que você está certo e a outra pessoa está errada.
11:16Daqui a pouquinho, mais antes, a gente vai ver agora o caso da Elisabeth.
11:20Ela contou que hoje, assim como a Cida, também é uma nova pessoa,
11:24mas no passado, minha gente, ela era bem explosiva, vamos ver.
11:30Eu era muito nervosa.
11:33Eu não vou dizer para você que eu ainda não continuo sendo nervosa, eu ainda sou,
11:38só que agora eu sou mais controlada.
11:41Antes eu não abaixava a cabeça para ninguém, para ninguém.
11:43Eu brigava com homem, com mulher, poderia vir dois.
11:47Mas eu enfrentava, eu peitava mesmo, né?
11:54Tanto que meu apelido na época era tanque de guerra, onça negra, negabete.
12:02Por quê?
12:03Porque eu era, assim, incontrolável no nervosismo.
12:10É, me olhou de cara feia, eu já perguntava, por que que está me olhando?
12:19Perdeu alguma coisa aqui?
12:21Era assim.
12:22Então, eu olhando agora na Elisabeth de hoje, na postura que eu tenho hoje,
12:29eu não faria isso.
12:33Eu não me vejo mais fazendo isso.
12:38Não tem nada a ver mais comigo com a Elisabeth de hoje.
12:44Obrigada, Elisabeth, pela sua participação.
12:46Enquanto ela foi ali dando depoimento, a gente foi aqui repercutindo as falas dela.
12:49E você se identificou muito com isso, Cida.
12:52Hoje você também conseguiu mudar o seu jeito de ser.
12:56E de que forma, né? Qual o caminho que você buscou?
13:01O psicólogo, ainda estou em tratamento até hoje.
13:04Então, você precisou frequentar o psicólogo?
13:05Sim, eu precisei, entendeu?
13:08E ajude a pessoa conversando.
13:11E outro também que ajuda muito, gente, é a gente buscar Deus, entendeu?
13:17Você buscar a presença de Deus, aí já te ajuda, te fortalece.
13:22Eu ia até perguntar qual foi a principal tarefa que o seu psicólogo passou para você.
13:26Não, eu já era.
13:27Aí eu descobri que no psicólogo e eu buscando a Deus, a presença de Deus, né?
13:34É muito importante.
13:35Isso faz com que você tenha mais consciência.
13:38Mais consciência.
13:39Ao agir.
13:40Isso.
13:40Pensa mais, né?
13:42Antes de falar, antes de agir alguma coisa, a gente vai procurar um meio de entender melhor.
13:48E aí começou a fazer o quê ao invés de brigar?
13:52Às vezes eu te saio, entendeu?
13:56Como ele me diz, me recuo e depois a gente vai conversar, entendeu?
14:02Aí depois tudo se entende.
14:04Alexandre, nem todo mundo tem condições de pagar por um psicólogo, né?
14:09De procurar um profissional específico, porque a gente precisa dessa ajuda.
14:14Mas a gente está aqui para cumprir o nosso papel.
14:16Deixa para a gente também exercícios.
14:18O que a gente pode fazer para exercitar essa paciência?
14:22Bom, geralmente quem fere é porque está ferido.
14:26É muito comum isso, tá?
14:27Então, um ego ferido, um ego frágil, a pessoa acredita que tudo é para ela às vezes.
14:33Tudo é uma mensagem para ela, tudo é um subliminar para ela e acaba ficando irritada e acaba agredindo, né?
14:42Então, você precisa cuidar de si.
14:45Quando você começa a cuidar de você, você se ocupa menos do outro, você não quer responder na mesma moeda,
14:51você fica menos agressivo, a raiva diminui, você consegue lidar melhor com essa raiva.
14:59Dicas básicas que a gente já falou aqui, então.
15:02Teve uma situação, você não precisa responder de imediato.
15:05Sabe, Roberto, às vezes a pessoa passa por uma situação de ofensa e aí algumas pessoas não conseguem dar uma
15:11boa resposta na hora.
15:13Pensa no outro dia assim, puxa vida, se fosse agora eu sabia o que dizer.
15:16Só que na hora você não sabe, cria um apagão, um branco, não responde na hora, mesmo que venha esse
15:22branco.
15:23Então, sai da situação, sai da cena, você não precisa dar respostas imediatas para essas situações, né?
15:30Esse é um ponto.
15:31O outro ponto é o famoso respirar, se precisar contar até 10, até 100, você conta.
15:37Se você estiver numa casa, vai para outro cômodo, vai para o banheiro, vai para um quarto, vai para a
15:42cozinha, vai para a rua.
15:43Vai para a rua, né?
15:44Seja o que for, conta de fato até 10 e faz o exercício de respiração, que você puxa o ar
15:49o máximo que você puder e solta ele bem devagarzinho, vai se concentrando no seu pulmão.
15:53Você vai puxar o meu ar aqui agora.
15:56Isso, isso ajuda, você puxa o ar, conta até 3, enche todo o pulmão e depois conta até 6, soltando
16:01bem devagar.
16:02O mais importante é soltar o ar devagarzinho.
16:04Isso que é o mais importante no exercício da respiração.
16:06Faz isso uma, duas, três, quatro, cinco vezes.
16:09Não precisa ficar achando também que nessa situação você está saindo por baixo, você está parecendo covarde, que você foi
16:16a pior.
16:17Não tem que ter essa preocupação também.
16:20Nesses casos, como a gente trouxe aqui, às vezes é melhor você sobreviver do que ter razão.
16:27Às vezes é melhor você continuar tendo sua paz, não explodir, não ofender.
16:31Porque quando você ofende, isso é ruim, depois o outro vai querer também, pode querer se vingar.
16:37E é ruim para você também, você acaba sendo uma pessoa mal educada.
16:41Então, tentar, a última dica que eu dou é tentar mudar o seu vocabulário.
16:46Não xingar, não usar palavras que ofendam.
16:50É um exercício, não é da noite para o dia.
16:53Mas vai tentando mudar o seu vocabulário.
16:56Naquela hora que você vai soltar aquela palavra, você não solta.
16:59Você usa o eufemismo, que é o quê?
17:01Uma outra palavra, uma metáfora, um...
17:05Então, tenta substituir palavras por palavras que não sejam ofensivas.
17:12Então, sair do lugar, fazer respiração e tentar mudar o seu vocabulário são os principais de imediato.
17:19E faz sentido, porque é na hora do xingamento que um quer falar mais alto que o outro.
17:24Isso, é isso aí.
17:24Então, faz total sentido.
17:25Olha só, no mês passado, uma briga de mulheres chamou a atenção de moradores do bairro Vila Palestina, em Cariacica.
17:33Lembra desse caso?
17:34Uma mulher, visivelmente alterada, partiu para cima de uma senhora e, de repente, é possível ver outras mulheres ali se
17:41agredindo.
17:41Os homens assistem à briga até que um rapaz de blusa vermelha tenta separar o caos.
17:47O motivo da briga?
17:48Adivinha?
17:48Mais uma vez, os ciúmes.
17:50Uma das mulheres que estava apanhando do parceiro sentiu ciúmes de uma outra e aí o tumulto começou, a briga
17:57foi parar na delegacia.
17:59E a gente sabe que quando tem ciúmes, seja por parte do homem ou por parte da mulher, infelizmente, ainda
18:06mais com a combinação de bebida, a gente sabe que a chance de dar uma confusão é ainda maior.
18:11A gente vai ver agora o vídeo da Ana Paula.
18:14Ela admite que já foi muito barraqueira em outros tempos, a ponto de fazer barraco até no terminal.
18:21Vamos ver.
18:23Cedo, eu tive que aprender a me virar sozinha, criar os meus irmãos, porque eu não tinha pai, a presença
18:30masculina.
18:32E tive que aprender a me defender e a defender os meus irmãos.
18:37Eu era barraqueira sim, muito impliqueira, queria bater em todo mundo, brigar com todo mundo.
18:45Hoje, graças a Deus, tem pessoas na minha vida, é importante.
18:52Uma vez, não muito tempo atrás, tive uma experiência ruim de estar no terminal e a pessoa fez hora com
19:05a cara de outras pessoas.
19:07Estava aí, eu sentia a dor dessas pessoas e bati boca, foi horrível, armei barraco mesmo.
19:12E, conversando com a minha coach, ela falou que não era bacana, que estava expondo a minha vida dessa forma,
19:21que eu era uma mulher elegante.
19:22E hoje, não faço isso mais.
19:24Hoje, eu cresci e isso não leva, não sou eu, ninguém a nada.
19:30Eu só perdia com essas atitudes.
19:35Obrigada, Ana Paula, também pela sua contribuição com esse assunto tão importante, né?
19:38E como é difícil a pessoa se reconhecer, abrir o coração e falar a verdade sobre esse assunto.
19:44Até porque a gente estava aqui comentando que quem é mais impulsivo se acha sempre na razão, né, Cida?
19:51Se dá certo.
19:52Você sempre se achava assim?
19:54Sempre.
19:55A pessoa fez isso, isso, isso.
19:56Isso.
19:57Sempre achei que estava certa.
19:58E aí, convencer essa pessoa pode ser motivo até de briga.
20:02Briga.
20:03Quando alguém ia falar que você estava errada, aí era motivo de outra briga.
20:07De outra briga.
20:07Tinha que deixar eu acalmar para poder falar.
20:10Aí eu ia guardando.
20:12Eu respeitava muito mesmo, era meu avô, né?
20:15Mais da família.
20:16Quando ele vinha, eu baixava a cabeça e ficava guardando as palavras dele.
20:20Olha só que importante esse relato.
20:23Sempre tem alguém na família que essa pessoa abre mais a mente, o coração.
20:30E de que forma que esse alguém da família pode ajudar, Alexandre?
20:33É, isso que ela trouxe é muito importante.
20:35Porque você percebe, toda família isso acontece, que quando você tem alguém que você sabe que a pessoa escuta,
20:43às vezes você vai ter que usar essa pessoa, em um momento que a pessoa estiver mais calma também,
20:48você não vai tentar ali, né?
20:49Numa hora de conflito, para conversar, dialogar, mostrar para ela todas as consequências de tudo o que está acontecendo,
20:57se ela não percebe.
20:58É claro que não pode ser uma conversa acusadora, né?
21:01Aquela conversa que você está intimando a pessoa, acusando, mas demonstrando,
21:06e eu acho que isso é muito interessante, quando tiver que abordar uma pessoa que esteja nesse momento,
21:10mostrar para ela que você está preocupado com a agressividade dela, com ela e com os outros.
21:17Porque isso contribui para que a pessoa, vamos dizer assim, caia a ficha,
21:21para que a pessoa comece a se perceber, e perceber que ela, inclusive, pode afastar as pessoas que ela mais
21:27ama.
21:27Quando essas pessoas que ela mais ama começam a se afastar,
21:31aí ela talvez comece a precisar de mudar, começar a refletir sobre si, e isso é essencial.
21:37Olha, meu diretor está me dando mais tempo aqui, porque o assunto está rendendo, tá?
21:42E até no mundo dos famosos, resolver a briga, às vezes, é comum.
21:47Lembra o caso do Will Smith?
21:49Olha isso, resolver com a briga, né?
21:51Perdão.
21:51Durante a cerimônia do Oscar, no ano passado, o ator de 54 anos,
21:56agrediu o humorista, o Chris Rock,
21:58após ele fazer uma piada sobre a alopecia da esposa dele, a Jada Smith.
22:03Na época, foi a maior discussão, gente.
22:06Mas tanto o Will Smith quanto o Chris Rock admitiram que passaram dos limites e tomaram atitudes ruins.
22:13Vale só lembrar que o Will Smith até procurou ajuda também para melhorar esse comportamento, né?
22:19Até como uma forma de tornar público o pedido de desculpas também.
22:24Aqui no nosso Facebook, bombou, viu, diretor? Dá mais tempo aí, ó.
22:28A Eurânia fala que ela não é barraqueira, ela resolve tudo no silêncio.
22:33E ela falou o seguinte, que é matar uma pessoa de raiva?
22:37É deixar ela falando sozinha.
22:39Isso é verdade.
22:40Olha a Cida aqui, ó.
22:42Cida está aqui.
22:43Verdade.
22:43É verdade?
22:44Verdade.
22:45Você aprendeu a fazer isso agora?
22:47Deixar a pessoa falando sozinha?
22:49O silêncio mata.
22:51Verdade.
22:51Olha, a Janete Melo também fala, boa tarde.
22:55Eu era assim.
22:56Minha filha apanhava na rua e em casa apanhava de novo.
23:00Depois eu ia atrás da pessoa que tinha batido nela.
23:03Sorte que eu não achava outra criança.
23:06Eu era muito doida.
23:08Olha isso.
23:09Ainda bem que essa mãe consegue também reconhecer.
23:11E os tempos estão mudando.
23:13A gente precisa quebrar esse ciclo de violência.
23:17Obrigada, Janete, pela sua participação.
23:19Também tenho aqui, ó, o comentário da Lu, do Douglas.
23:22Ela fala, hoje eu respiro bem fundo, sumo por algumas horas, depois volto e converso.
23:29Teve um outro comentário também, pra gente finalizar.
23:32A Luciene Azevedo.
23:34Meu sonho é ter um psiquiatra.
23:36Às vezes é necessário.
23:38Psiquiatra, psicólogo, terapeuta.
23:41A gente precisa disso hoje.
23:42Por isso que a gente tá aqui cumprindo o nosso papel no Fala Espírito Santo.
23:46Tá vendo, Alexandre, a importância do profissional pra gente cuidar da nossa saúde mental.
23:50Com certeza.
23:51Tem mais comentários aqui também.
23:53A Kelly Soares quer saber, será que esse comportamento tem relação com um ambiente de violência
23:59ou uma criação violenta?
24:02É, pode ter, né, porque o que acontece, tá?
24:05Não é regra geral, mas os estudos demonstram que uma pessoa que sofreu violência passivamente,
24:13então ela foi agredida, ela tende a repetir esse comportamento com os outros.
24:18Exemplo simples.
24:20Uma criança que sofre uma violência, você pode reparar que às vezes com os brinquedos dela,
24:24ela quebra, joga pela janela, bate no boneco ou na boneca, ela repete uma violência que ela sofreu.
24:29Pode repetir isso com colegas de escola, né, e eu sempre falo isso quando eu venho aqui, né, Roberta?
24:36A agressividade infantil é um pedido de ajuda.
24:40Não é simplesmente pra você reprimir a criança, colocar de castigo,
24:44você precisa entender também aquela agressividade.
24:46Por que que isso tá acontecendo?
24:48Você não tem que permitir, perfeito?
24:51Mas você também tem que entender que é um pedido de ajuda.
24:53Então, de fato, o ambiente agressor, o ambiente estressor, pode fazer sim que se perpetue.
25:00Por isso que é importante romper ciclos.
25:01Perfeito, gente. Muito obrigada pela participação de vocês.
25:04Cida, hoje, uma mulher mais paciente, com mais maturidade, mais feliz?
25:10Totalmente.
25:11Totalmente, tá vendo?
25:12Um beijo pra vocês.
25:13Obrigada.
25:14Um bom final de semana, viu? Volte sempre, Cida.
25:16Pode deixar.
25:17Cida, sim, casa.

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