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Casos frequentes de brigas em escolas ligam o alerta para o assunto. No estúdio, a psicóloga Letícia Santana e a psicopedagoga Kelly Lopes destacam como a relação com os filhos pode prevenir essa situação.
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NotíciasTranscrição
00:00Olha só essa situação que a gente vai mostrar agora.
00:03Adolescentes brigaram em uma escola, gente.
00:05As imagens mostram duas meninas discutindo e vários outros alunos cercam a briga.
00:12Observa que em um determinado momento, uma das meninas encosta na colega
00:16que, para se defender, empurra a menina que encostou nela.
00:20E aí, nessa hora que a confusão começa, né?
00:22A adolescente é agredida, tem 14 anos e precisou ir ao hospital, passar por exames após a agressão.
00:31A mãe da jovem contou para a gente como que encontrou a filha depois de tudo isso que aconteceu.
00:37E ela vai falar também agora o que ela espera, né? Vamos ver.
00:42Ela estava cheia de cabelo pelo corpo, estava com o rosto bem vermelho e com a mão machucada,
00:47que machucou quando caiu, deu umas escoriaçõezinhas na mão dela.
00:51Eu espero que a justiça seja feita. Só isso.
00:57O caso, gente, aconteceu em Vila Velha.
00:59Mas a gente sabe, né, que são tantos outros casos nos últimos dias.
01:04Então a gente precisa fazer um alerta aos pais, conversar sobre esse assunto em casa, com os nossos adolescentes.
01:10Ah, não, mas meu filho é da paz.
01:12Ok, é da paz na sua frente na escola. Será que ele também se comporta dessa forma?
01:17Vamos fazer um alerta sobre esse assunto?
01:20Aqui no nosso estúdio eu recebo a psicopedagoga Kelly Lopes.
01:24Muito obrigada.
01:25Obrigada.
01:25Pela sua participação.
01:26E a psicóloga Letícia Santana também.
01:29Muito obrigada pela participação das duas, né?
01:31Está aqui um assunto muito importante.
01:33E a gente se pergunta, o que tem levado esses jovens a agirem tão impulsivamente assim?
01:40Boa tarde.
01:41Boa tarde.
01:42Boa tarde, Kelly, Roberta.
01:43É uma soma de fatores, né, Roberta?
01:46Assim, o importante é a gente frisar que todo o ambiente coletivo é passivo de conflito.
01:51Porque são pessoas diversas, no caso de escola, convivendo diariamente juntas.
01:56E os conflitos, eles vão surgir.
01:58Agora, a forma com a qual esse conflito vai ser manejado e até chegar a um ato de violência extrema,
02:04como a gente viu nas imagens, isso é uma construção, muitas vezes, social, muitas vezes individual, né?
02:09Às vezes a gente percebe que existem algumas crianças, adolescentes, até mesmo adultos,
02:14que têm características de impulsividade e agressividade.
02:17Mas é o que precisa ser colocado para discussão, porque é um problema social, né?
02:22E aí a gente está vendo que uma criança está sem poder ter acesso à escola, está completamente traumatizada
02:28e precisa, sim, da intervenção dos vários agentes que atravessam aí a vida dessa criança, né?
02:34E Kelly, você que lida com alunos, você que tem uma experiência no ambiente escolar, como psicopedagoga,
02:41o que você percebe?
02:43O que tem levado esses jovens, esses adolescentes a quererem resolver esses problemas de forma, né?
02:50Os conflitos de forma tão violenta?
02:53Olha, Roberta, infelizmente, o que nós temos visto no contexto escolar são crianças solitárias,
03:02são adolescentes solitários, são famílias que elas acham que o filho entrou na adolescência,
03:09que ele cria por si só.
03:12Então você vê que atrás de uma agressividade existe um pedido de socorro.
03:18Os nossos adolescentes hoje, eu posso dizer que em sua maioria, sabe?
03:25Eles estão pedindo socorro, eles estão pedindo escuta, eles pedem regras, porque regra é amor, né?
03:33Você dá limite para um filho, ele se sente amado, ele se sente seguro, ele se sente importante
03:39e isso tem faltado.
03:41Então quando entramos numa sala de aula, facilmente a gente consegue perceber quais são os alunos
03:50que estão pedindo socorro, porque eles destoam no meio do todo.
03:54Isso que eu ia te perguntar, vamos pensar aqui, pai, mãe, presta atenção, imagina lá uma turma
03:59com 30, 40 alunos, o professor, o pedagogo, o diretor, consegue identificar quais são esses alunos
04:08que volta e meia, né, geram atrito.
04:11Existe essa comunicação na escola?
04:15Bom, tem escolas que infelizmente não tem uma comunicação tão aberta com as famílias.
04:25Mas existem escolas que sim, que elas buscam a parceria da família,
04:30que elas têm, existem vários canais de diálogo em relação com a família e com a escola.
04:37Porém, o que a gente vê, Roberta?
04:40O professor sinaliza, os coordenadores que ficam nos pátios, no momento de recreio, né,
04:47porque não pode deixar em momento de recreio, adolescentes sem nenhuma vigília dentro do
04:51contexto escolar.
04:52Então os coordenadores sinalizam, às vezes até os porteiros, porque estão ali todos os dias,
04:58eles sinalizam.
05:00E aí essa família é chamada para uma reunião na escola, junto com a parte de orientação
05:05e com a pedagoga.
05:08Muitas famílias não acreditam, muitas famílias minimizam os fatos porque acham,
05:16ah, isso é coisa da adolescência.
05:18Não, isso é coisa de criança.
05:20Então, assim, os pais estão minimizando coisas sérias.
05:25Os pais têm minimizado coisas sérias.
05:29E aí fica a interrogação, né?
05:31Se eles têm minimizado coisas sérias porque não querem ter trabalho.
05:37Se eles não têm tempo de escuta para dedicar os filhos, se a rotina está tumultuada demais,
05:45ou se realmente eles não conseguem enxergar o próprio filho.
05:50Sabe?
05:51Então nós estamos vivendo um momento muito difícil.
05:54As escolas estão vivendo um momento muito difícil.
05:57Porque a negligência da família, ela estoura dentro da escola.
06:01E aí a gente se pergunta, Letícia, quando e como conversar com os filhos sobre esse assunto?
06:08Porque às vezes a gente deixa para conversar depois que acontece.
06:11Exatamente.
06:11Depois que a escola, e olhe lá, dependendo do perfil do pai e da mãe,
06:15depois que a escola chamou o pai e a mãe,
06:16Ah, então vem cá, meu filho, vamos conversar.
06:19Será que a gente pode conversar antes?
06:20Dá para prevenir?
06:21Sim, assim, o diálogo, né, Roberta, ele tem que acontecer todo o tempo.
06:26Diariamente, se for possível.
06:28Porque as crianças, quer a agressora, quer quem é agredido,
06:34ou vice-versa também, não dá para trazer esse rótulo,
06:37eles colocam sinais.
06:38E aí, como é que ele colocou, muitos também evocam um pedido de socorro.
06:42Muitos também agridem por pedido de socorro e muitos são agredidos
06:47porque não têm ferramentas para lidar com algumas diversidades e algumas vulnerabilidades.
06:52E nesse ponto, o diálogo é importante até para que você fortaleça o seu filho
06:56para enfrentar essas situações, às vezes, de bullying ou de outras formas de agressão.
07:01Porque, às vezes, a gente ouve casos, eu acho que até um dos casos foi dessa forma,
07:06assim, de uma troca constante de escola.
07:08Às vezes, o aluno, ele está nessa condição de vítima e a gente pensa que trocar de escola,
07:13às vezes, é a solução.
07:15Não é.
07:15Às vezes, é uma solução primeira para proteger a integridade física,
07:19mas pode ser que esse aluno, ele seja agredido nesses outros locais.
07:22Então, a escuta também é importante para empoderar essa criança,
07:26para ela também poder lidar com essa violência, muitas vezes, moral e psicológica que ela recebe.
07:31Muito bem colocado.
07:32Que tipo de ajuda essa vítima precisa?
07:35A gente tem até um comentário aqui da Maricilda Borges, ela fala que já passou por esse momento.
07:40Ela disse que é revoltante.
07:41Eu me lembro, Maricilda, em outras vezes, você contou para a gente que já foi parar até na delegacia,
07:46porque a filha dela foi agredida no período em que ela estudava.
07:50Que tipo de ajuda que a vítima precisa?
07:52Pois é, se a gente foca na vítima, a gente acaba trazendo para ela todo o peso de uma responsabilidade.
07:58Então, se a gente está falando de alguém que naturalmente ou culturalmente é alvo de bullying,
08:04a gente precisa também convocar essa escola, porque essa escola abra espaços de escuta para falar sobre bullying.
08:10Mas, principalmente, o fortalecimento dessa criança, se ela é alvo de bullying.
08:16Então, fortalecimento dentro de casa, conversando com ela sobre os seus valores,
08:20sobre as suas qualidades, sobre as suas potencialidades,
08:22ajudando ela a escolher redes de proteção dentro da escola,
08:28amigos que possam estar com ela, se solidarizando com ela.
08:32Então, fortalecer essa criança para que ela não se torne esse alvo vulnerável,
08:36que muitas vezes o bullying escolhe ali algumas pessoas e ela fica vulnerável.
08:41Então, ensinar o seu filho a se fortalecer dentro de uma rede de apoio saudável na escola
08:47e também fortalecer a autoestima do seu filho, oferecendo para ele amor incondicional,
08:52uma família que escuta e que acolhe, para que ele também possa enfrentar essas agressões.
08:58Quem está precisando de ajuda, gente, é a filha da Betânia.
09:01A gente vai conversar com ela agora pela internet.
09:04A filha dela, adolescente, também já foi agredida na escola.
09:08Sabe o motivo?
09:10Ela não quis passar cola para outra aluna.
09:14Não é isso mesmo, Betânia? Boa tarde.
09:15Conta para a gente o que aconteceu com a sua filha.
09:18Faz o seguinte com o celular, vira ele na horizontal.
09:22Ah, já está, já está, não precisa virar não.
09:23Já me corrigiram aqui.
09:28Conta para a gente o que aconteceu com a sua filha, Betânia.
09:34Boa tarde.
09:36Boa tarde.
09:37Boa tarde.
09:38Eu estou te ouvindo perfeitamente.
09:39Você me ouve bem?
09:41Sim.
09:43Sim.
09:44Com um delayzinho.
09:46Sim.
09:47Então conta para a gente.
09:49É que está tendo um delayzinho, tá, gente?
09:50Ela vai contar agora.
09:53Sim.
09:59Vamos fazer o seguinte?
09:59A gente vai melhorar a nossa conexão com a Betânia.
10:03Mas a gente viu agora, na matéria recente que nós exibimos, o desespero que é para uma
10:10adolescente que vive essa situação completamente traumática.
10:15E nesse caso, em que nós estamos exibindo nesse momento, essa adolescente tinha acabado
10:21de se mudar para essa escola.
10:23O que a gente sabe que uma transferência, Kelly, para qualquer aluno já não é muito
10:27agradável, né?
10:28Eu já passei por um processo também de mudar de escola durante o período do ano.
10:33A gente chega e se sente um estranho ali naquele ambiente, em vez de sermos acolhidos.
10:39Não.
10:39Foi isso que aconteceu com essa adolescente.
10:42Pois é.
10:43A conduta da escola, quando recebe um aluno novo, a escola precisa estar atenta.
10:48A escola precisa acolher esse aluno.
10:51A escola precisa, juntamente com a sala em que esse aluno vai ser inserido, fazer um trabalho
10:57de conhecer esse aluno, de acolhimento, de dar espaço e dar voz para esse aluno.
11:04A gente percebe aí que pode ter ocorrido uma falta em relação a isso, porque eles estavam
11:12no pátio.
11:12Você vê que demora uma pessoa a chegar para socorrer aquela adolescente.
11:17Então, a gente percebe algumas falhas.
11:20A escola é um ambiente onde ela precisa estar sempre sendo monitorada.
11:26Os alunos não podem ficar sozinhos em nenhum ambiente da escola.
11:30Até no pátio.
11:31Até no pátio.
11:31Tem até um comentário aqui de uma mãe que fala exatamente isso.
11:35A Deide Trancoso, ela diz, como que a escola não tem um fiscal no pátio na hora do recreio?
11:40Onde estão os responsáveis da escola para evitar essa aglomeração?
11:44Por que não tem brincadeiras criativas, por exemplo, na hora do recreio, né?
11:48Você acredita que se tivesse, por exemplo, um fiscal, igual essa mãe, ela dá essa sugestão?
11:55Isso poderia ter sido evitado?
11:57Com certeza, Roberta.
11:58O que acontece?
12:00Quando nós temos uma sala de aula e tem aqueles alunos que você sabe que tem alguma questão
12:07ligada à agressividade, os coordenadores de pátio, como nós chamamos, eles são comunicados
12:14em relação a determinados alunos.
12:17Então, esses coordenadores, eles ficam nos momentos do recreio, nos momentos de troca de
12:21sala, eles ficam atentos a esses alunos exatamente para evitar qualquer conflito ou qualquer dano
12:29para ele mesmo e para o colega.
12:31Então, assim, não tem como numa escola deixar alunos sozinhos, sem uma vigília, no momento
12:39de recreio, em troca de sala.
12:41Faz parte da hierarquia escolar os coordenadores de pátio.
12:47Ou os coordenadores de corredor, como se chamava na nossa época também, né?
12:52Agora, o que chama atenção, vamos lá, vou pedir para exibir mais uma vez essa imagem,
12:56é que ali tem a pessoa que agride, tem a vítima, tem esse monte de adolescentes ali
13:04que fica só assistindo, vira uma espécie de plateia.
13:08Letícia, eu sempre gosto de fazer essa pergunta, eu acho muito importante como que a gente identifica
13:13quem seria o nosso filho nessa hora.
13:17É importante, você de casa, saberia responder o que que seu filho faria nesse momento?
13:23Se ele gritaria, se ele chamaria o professor, se ele ajudaria a vítima ou se ele participaria
13:29dessa agressão?
13:30Como é que a gente conhece melhor o nosso filho nesse ambiente?
13:34Essa pergunta, ela é muito interessante, ela é bem provocativa, porque mais saudável
13:39do que especularmos quem seria, é perguntar para o nosso filho quem ele seria.
13:44E aí, respondendo a pergunta anterior, qual é a hora ideal de conversar com ele sobre
13:49agressões em escola, por exemplo, a hora ideal é agora e é o tempo todo.
13:53Então, reportagens como essa, né?
13:55Se eu estou aqui na sala agora assistindo e meu filho está ali no quarto ou está na
13:58cozinha, chamar ele para a sala e vamos conversar sobre isso.
14:01E filho, quem você seria?
14:03E ouvir com muito acolhimento, Roberto, porque muitas vezes, na condição de paz, nós
14:10perguntamos e nós só aceitamos a resposta que nós queremos ouvir.
14:14A gente até tem maneira de corrigir a resposta, nossa, eu não faria isso não.
14:17E não, você não seria esse.
14:19Exatamente.
14:20Então, até que ponto eu realmente estou querendo saber quem ele seria?
14:23E aí, quando ele disser, independente da resposta, acolha essa resposta e converse com
14:28ele sobre a resposta.
14:30Isso é um diálogo produtivo, isso é um diálogo consciente na construção de uma
14:36autonomia e na construção de uma saúde emocional, né?
14:39Vamos colocar assim.
14:40Mas aí, às vezes, a gente pensa assim, não, mas meu filho é da paz.
14:43Ele não faria isso, ele nem se envolveria.
14:46É comum que a criança chegue no ambiente escolar e se revele de um outro jeito?
14:53Claro, porque ela está ali enquanto sujeita, o primeiro núcleo dela é a família, o próximo
15:00núcleo social é a escola.
15:03Então, é ali na escola que ela vai se conhecer enquanto sujeito, quem sou eu longe dos meus
15:08pais, porque enquanto está ali no ambiente familiar, é como se fosse uma extensão dos
15:13pais.
15:13E na escola, lidando com as diferenças, essa criança vai começar a colocar para fora
15:19quem ela é.
15:20E aí, entra o papel da escola de trabalhar os valores humanos, das escolas da inteligência
15:26inteligência que nós temos aí dentro de muitas escolas, como também o papel da
15:30família.
15:31Meu filho, olha, hoje eu fiquei sabendo que você teve uma atitude grosseira lá na escola,
15:36vamos conversar sobre isso, né, Letícia?
15:39Essa troca entre escola e a família, ela precisa acontecer diariamente.
15:45Agora, eu vou fazer uma observação, Roberta.
15:48pergunta, às vezes, os filhos guardam algumas mágoas dos pais, né?
15:54Eu mesmo atendi uma criança que começou com histórico de impulsividade seguido de agressão,
16:02na escola, em festinhas de aniversário.
16:05E depois de um tempo do desenvolvimento aí do processo terapêutico dele, ele disse para
16:11mim um dia, tia, toda a raiva que eu sinto do meu pai, eu desconto nos meus amigos.
16:20Então, assim, a gente precisa, os pais precisam entender que eles precisam participar da vida
16:31dos filhos, né?
16:32Somos de uma geração diferente, os filhos às vezes chegam com aqueles vídeos, que talvez
16:38não é engraçado para nós, mas você olha e fala, ah, meu filho, é isso que você
16:43está assistindo?
16:45Me conta como é, o que você entendeu disso?
16:48E aí você tenta, através de uma coisa que pode ser boba, aos olhos dos pais, você tenta
16:53produzir algo interessante, produzir um conhecimento, produzir um alerta, sabe?
17:00Então, assim, a gente precisa, os pais precisam se aproximar dos seus filhos.
17:04Até porque muitos levam para a escola aquilo que aprendem também dentro de casa, né?
17:10Como é que é o diálogo aí na sua casa, como é que vocês se tratam?
17:14Então, a gente precisa repensar isso, que talvez ele está sendo um espelho lá na escola.
17:18Então, agora a gente vai conseguir voltar a falar com a Betânia, espero que o nosso
17:21sinal já tenha melhorado a nossa conexão, e ela vai contar o que aconteceu com a filha
17:25dela.
17:26Escuta só, gente, ela precisou transferir a filha dela, ela estuda em outra cidade.
17:31Não é verdade, Betânia?
17:32Boa tarde.
17:33Boa tarde.
17:36Conta para a gente, então, o que aconteceu com a sua filha?
17:41A Lívia, ela foi...
17:45A minha filha, ela foi agredida por várias meninas da escola e ela ficou traumatizada, não
17:57quis mais ficar aqui na mesma escola, tive que transferir ela para a escola no Arrospo.
18:05E ela ficou a menina, assim... com medo de tudo, né? Tem medo de estar aí sozinha, a
18:13menina chorona... e até prejudicou ela um pouco nos estudos. Está com um pouco de nota
18:22baixa. E eu ia até perguntar, o caso aconteceu, se eu não me engano, em agosto do ano passado,
18:28como que ela tem se comportado? Ela já se adaptou a essa nova escola?
18:34Ela não se adaptou muito bem, não, entendeu? Porque ela fica com medo, né?
18:43E o que que ela relata para você desse episódio? O que que você ainda percebe na sua filha, do
18:51quanto que ela ficou traumatizada?
18:55Eu percebo, assim, que ela não consegue, assim, fazer muita amizade. Ela se isola muito.
19:07Ficou uma menina que passa a ficar muito mais tempo em casa do que brincando com as colegas?
19:13Ela quer ficar só dentro do quarto. Ela fica dentro do quarto.
19:18Ou seja, né? Era para ser uma idade em que era para ela estar brincando, para estar, de repente,
19:24na rua, brincando de queimada, de vôlei com os amigos, mas ela não quer saber disso.
19:29Se isola.
19:30Se isola. Continua com a gente, já volto a falar com você, Betânia. Olha que ponto as
19:35consequências podem chegar, Letícia. Algo que aconteceu ali no ambiente escolar que você
19:40pensa, não, tá resolvido. Não, não tá resolvido. A vítima carrega isso para a vida dela, né?
19:46Isso pode ser, trazer graves problemas.
19:49Sim, na proporção que possivelmente foi o caso dela, trouxe um trauma, né? Então,
19:54pelo que ela descreve minimamente, fica parecendo para nós, até que essa criança, realmente,
19:58assim, está com uma característica depressiva, que precisa ser olhada, precisa ser acolhida,
20:03até mesmo na escola nova, né? Essa história precisa ser contada aí para esses coordenadores,
20:09para a escola também promover um plano de ação, para a escola também trazer elementos,
20:13amiguinhas que tenham, assim, um comportamento mais dócil, vamos chamar dessa forma, para
20:18se conectar a essa menina, um auxílio também terapêutico, porque, assim, sozinha é até
20:23leviano convocá-la a uma mudança, né? Ela não tem uma estrutura para isso. Então,
20:28a rede, ela precisa se movimentar, quer na escola, quer a rede de proteção, ela precisa de uma
20:34uma orientação, inclusive até mesmo os pais também, muitas vezes eles precisam ser orientados,
20:39porque a gente, muitas vezes, percebe que existem pais que querem se envolver,
20:44que estão comprometidos, mas que falta uma orientação. Então, precisa também haver
20:47uma orientação para esses pais, né, Roberta?
20:49E olha as consequências, até onde pode chegar. A gente mostrou aqui, gente, na semana passada,
20:54o caso da jovem que brigou com uma outra menina no pátio da escola e, dias depois da briga,
21:02ela teve uma convulsão e morreu. É, os vídeos mostram as duas, trocando socos e tapas,
21:09até rolando no chão. E a jovem que morreu sofreu traumatismo crâniano e hemorragia devido
21:17a uma forte batida na cabeça. A família aguarda o resultado da perícia para saber, né,
21:22a causa da morte. O motivo da briga das jovens ainda não foi divulgado. E a gente vê o quanto
21:28que, na nossa época, existia isso? Existia, né? Acredito que os conflitos sempre vão existir.
21:36Mas a gente vê que o grau de violência, o grau de agressividade tem aumentado, Kelly?
21:43Sim, o que a gente percebe hoje e que é algo que choca é uma perversidade maior, sabe?
21:50É, antes existia, existia, mas tinha muita, como dizia na nossa época, muita molecagem.
21:58Aquela coisa de menino, de descoberta, né? Uma coisa atrapalhada, não era algo pensado
22:06para a dor do outro, planejado. Hoje nós, infelizmente, nós temos um número exagerado
22:14de perversidade, né? O aluno tem prazer em fazer, em provocar aquele mal. Isso assusta.
22:22E a gente precisa pensar, né? Se crianças estão agindo dessa forma, imagina quando crescer.
22:27Agora, para a gente finalizar, Letícia, tem uma frase que a gente ouvia, talvez, na nossa época
22:33e que a gente precisa interromper essa frase. Ah, tomou, levou, bateu, resolve lá na rua.
22:39Isso não é a melhor forma de resolver os conflitos, né?
22:42Não é, não é, porque a gente sabe que alimenta a violência, né? A gente precisa, assim,
22:46buscar estratégias de enfrentamento, que não seja somente a violência, né, Roberta?
22:51Então, se o filho passar por essa situação, o que ele deve fazer na escola?
22:54Pedir ajuda ao diretor? Como que a gente orienta o nosso filho?
22:58Ele precisa pedir ajuda ao professor regente ou ao professor que estiver perto,
23:03ao coordenador, porque as turmas têm coordenação, ao pedagogo da escola.
23:08Essas pessoas são as pessoas responsáveis por questões comportamentais.
23:14Só chega à direção quando um aluno extrapolou todo o manejo, né, ali no hall da parte pedagógica
23:23e aí o diretor toma uma decisão ou chama a família, convida essa criança a sair da escola
23:29ou faz uma chamada mais firme em relação a buscar um acompanhamento para esse aluno.
23:36Perfeito, gente. Muito obrigada pela participação de vocês.
23:40Agradeço também a participação da Bethânia.
23:42A gente espera, né, que a filha dela consiga se recuperar e que exista uma rede de apoio, né?
23:46Como a Letícia disse, seria até leviano dizer, ah, ela vai se recuperar.
23:51Ela precisa de ajuda, não só ela, como qualquer outra criança que esteja enfrentando essa situação.